As doze casas

11 Décima casa: Capricórnio


No meio do percurso para o mundo de Capricórnio, Oton percebeu que havia uma abertura no portal pelo qual várias criaturas estavam passando. Ele não entendeu muito bem e não deu atenção para aquilo, a única coisa que passava na cabeça dele era de encontrar com Capricórnio o mais rápido possível. Ao tocar os pés no solo daquele mundo sentiu uma forte pressão vinda do norte. Apesar de não puder ver ele sentiu a forte sede de sangue que vinha de lá.
—Que estranho, eu jamais senti isso, nem mesmo nos momentos de maior perigo — Disse Oton. — Melhor seguir em frente, tenho que encontrar Capricórnio logo, restam apenas mais duas casas fora essa.
Por não saber por onde iniciar a busca utilizou de um artefato que Sagitário havia dado a ele antes de abrir o portal. Esse artefato permitia que seu portador sanasse uma dúvida, de qualquer assunto. Ele possuía uso único, após sua utilização tornava-se inutilizável. Ao utilizar perguntando a localização de Capricórnio o objeto logo respondeu.

“Sua alma está em outra dimensão, seu corpo encontra-se duas milhas ao norte de sua posição atual. Passando pelo Vale dos Mortos.”

Oton não compreendeu a primeira parte da resposta e nem deu muita atenção, seguiu prontamente para o norte. Ele ingeriu boa parte dos mantimentos que havia trazido do mundo de Sagitário e correu em velocidade máxima para que pudesse chegar o mais rápido possível no lugar onde Capricórnio estava. Ao adentrar no Vale dos Mortos, que ficava a meia milha da posição de Capricórnio ele foi barrado pelas criaturas que tinha visto quando estava no portal.
—Achamos ele! Mandem reforços — Gritou uma das criaturas.
—O que!? Quem são vocês? — Perguntou Oton.
—Capturem-no!
—Por que eu não posso simplesmente ter uma passagem fácil? Muito bem, hora de praticar tudo que Fluctus me ensinou.
Começou então uma rápida batalha, rápida mesmo já que todos foram derrotados em questão de segundos.
—Eles não possuem o “H” nas costas, não devem ser servos de Hades. Quem os mandou então? — Perguntou-se Oton.
Após derrota-los ele seguiu seu caminho em busca de Capricórnio, faltando apenas alguns poucos metros conseguia observar um gigantesco castelo todo negro. Percebeu que aquela intensão assassina que havia sentido mais cedo vinha do castelo. Ao concentra-se melhor também observou que o castelo todo estava protegido por uma radiação estranha que impossibilitava da vida brotar por lá. Decidiu então utilizar parte da energia química produzida em seu sistema para revestir seu corpo e adentrar o castelo. Aos seus pés passarem pelo portão sentiu uma mudança estrondosa de pressão, parecia que ele estava saindo da superfície e entrando na zona abissal do nosso mar. Os passos iniciais dentro do castelo foram bastante complicados, pois ele tinha que concentrar-se bastante para a barreira de seu corpo não quebrasse ao mesmo tempo em que controlava sua pressão interna. Porém, por conta de seus seis meses de treinamentos em Purgum adaptou-se rapidamente.
—Esse castelo é realmente muito grande, melhor eu acelerar um pouco meus passos, se não demorarei várias horas — Disse Oton.
Depois de abrir várias portas procurando pelo local onde Capricórnio estava, deparou-se com uma gigantesca estatua de uma criatura estranha. Tinha um olhar orgulhoso e arrogante, similar aqueles de pessoas que menosprezam os outros por questões econômicas. À direita e a esquerda dessa estatua haviam duas portas gigantes, no passado isso seria um gigantesco problema, porém, com Oton na condição física que estava já era capaz de abri-las, apesar de requerer bastante energia. Ao abrir a porta que estava a sua direita observou que a porta levou ele para um enorme salão com uma criatura sentada num grande trono no centro do cômodo.
—Com licença senhor, você por acaso sabe onde Capricórnio está? — Perguntou Oton para a criatura.
—Eu sou Capricórnio, você é bastante corajoso, pequena criatura. Falar dessa forma com um Deus — Respondeu Capricórnio. — Quem ou o que é você?
—Eu sou Oton, achei que você saberia quem sou eu.
—O que!? Como você conseguiu chegar até aqui vivo? E eu soube que você era bem mais fraco — Indagou Capricórnio.
—Eu passei por um intenso treinamento num dos mundos de Sagitário. Você não parece muito contente com o fato de eu estar vivo — Estranhou Oton.
—Não, foi apenas uma surpreso, ainda bem que você está vivo. Papai gostará bastante de vê-lo.
—Então você realmente pode me levar para o próximo mundo?
—Sim, minha arma divina está sobre minha posse. Na realidade, você está olhando para ela.
—Onde ela está?
—São meus chifres, minha arma divina faz parte de meu corpo. Eu poderei lhe levar, porém tem uma condição.
—Qual seria ela?
—Você precisa relaxar seu corpo, minha arma possuí algumas peculiaridades. Para que eu possa controlar perfeitamente sua viagem é necessário que eu conduza seu corpo por toda trajetória, para isso seu corpo precisa estar relaxado.
—Tudo bem, irei liberar todas as tensões de meus músculos também, talvez isso facilite mais.
Ao liberar toda tensão de seu corpo ele acabou deixando seu corpo completamente sem resistência. Capricórnio começou a acumular uma energia vermelha em seus chifres, conforme a energia acumulava-se a luz que emanava do golpe tornava-se mais intensa. Quando o corpo de Oton foi atingido ele foi completamente destruído à nível atômico. Não restou sequer suas cinzas.