Ao abrir os olhos Oton percebeu que estava no topo de uma enorme montanha com uma mansão a sua frente. O céu daquele lugar estava com uma entonação escura, as nuvens transmitiam uma sensação de tristeza. Ao adentrar a casa tocou em seu bolso e percebeu que havia um papel enrolado em Dea. Ao abrir leu o seguinte texto:

“Ao adentrar a mansão você encontrará uma cômoda à sua direita, abra ela que haverá mais informações sobre a localização de Glifon. Está codificada, está assim para evitar que algum servo de Hades encontre e leve Glifon para ele. Somente o portador do Dea é capaz de lê-la. No seu bolso esquerdo deixei um relógio indicando o tempo restante até a chegada das tropas de Hades.”

Ao abrir a cômoda e retirar o papel que estava dentro dela Oton percebeu que estavam escrito uma série de desenhos estranhos. Após tocar Dea na folha os desenhos moveram-se formando letras.

“Na quinta porta a direita, no quarto de número quarenta e dois você encontrará um mapa da mansão com a localização de Glifon marcado com um X vermelho.”

Quando Oton entrou no quarto percebeu que estava numa gigantesca biblioteca de dimensão similar as bibliotecas de Alexandria. Ele não sabia ao certo onde procurar pelo mapa, não tinha nem noção por onde começar a busca.
—Se eu for procurar livro por livro demorarei vários meses, talvez até anos. Não tenho tempo para isso — Disse Oton enquanto passava a mão na cabeça. — Com o poder de Dea talvez eu consiga localiza-lo com mais facilidade.
Oton fechou os olhos e ergueu Dea. Focou sua mente apenas na localização do mapa. As estantes começaram a tremer fazendo com que o chão tremesse junto. De repente as estantes que estava a sua direita começaram a se mover mostrando uma passagem secreta. Dentro da passagem havia uma enorme escadaria com o fundo todo preto. Não se enxergava nada que estivesse a mais de cinco metros de profundidade. Oton pegou uma das tochas que estava presa na parede no início da entrada e adentrou o caminho.
—Parece que não limpam isso a milênios — Disse ele.
Alguns metros adiante deparou-se com uma ramificação, havendo um caminho para direita e um para esquerda. Ele resolveu deixar um pedaço da tocha pelo caminho que iria percorrer, no caso, o da direita. Para assim, caso ele volte para o mesmo lugar saber que já passou por lá. Depois de caminhar alguns metros percebeu que tinha voltado para o mesmo lugar.
—Que ótimo, perdido numa hora dessas.
Dea começou a brilhar e quando Oton pegou sobre sua mão um enorme clarão de luz formou um caminho para ele. Parecia que o dado estava começando a lhe ajudar naturalmente. Ao seguir o caminho formado pela luz emitida por Dea, Oton encontrou-se dentro de uma pequena sala com um mapa preso a parede. Oton o removeu levando-o consigo. Ao seguir o caminho indicado no mapa ele chegou a um enorme saguão vazio, aparentemente ele estava exatamente na posição da arma. Ao bater os pés no chão percebeu um som estranho, parecia ser um piso faço. Oton decidiu remover as tábuas de madeira do chão e percebeu que realmente tinha uma entrada secreta. Ao adentrar deparou-se com uma enorme porta com alguns símbolos estranhos e uma fechadura com formato cúbico. Ao encaixar Dea na fechadura a porta foi aberta.
—Que lugar fascinante, nunca vi esse material que constitui a parede.
Glifon estava dentro de um enorme recipiente transparente no centro da sala. Havia apenas uma pequena porção de terra em formato circular suspensa no ar. Ao andar em direção a Glifon uma ponte se formava, dando passagem para a arma. Glifon era uma espécie de adaga com o cabo revestido de um estranho tecido e o fio de corte negro e possuía uma ponta tão afiada que não chegava nem a espessura de um fio de cabelo.
—Que estranho, ela parece tão comum. Não esperava que uma das armas mais poderosas de todo multiverso tivesse esse formato.
Ao tocar no recipiente no qual Glifon estava dentro, Dea liberou um rápido brilho e o recipiente abriu. Oton então pegou aquela arma nas mãos e levou ela para uma parte mais inferior daquele cômodo. No mapa indicava que no subsolo daquele local havia uma zona de controle, onde ele poderia observar todos os cômodos da mansão e controlar todas as entradas da mesma.
—Desse local será mais fácil observar todos os inimigos, além de também permitir que eu controle todas as entradas e saídas da mansão. É o local mais estratégico por enquanto.
Após algumas horas observando atentamente as câmeras o chão começou a tremer, o ar vibrava fortemente. Oton pôde perceber uma quantidade de enorme de energia surgindo do lado de fora da mansão. Quando ele olhou para câmera que dava visão para entrada da mansão presenciou um gigantesco portal surgiu com várias criaturas horrendas saindo dele, imediatamente fechou a entrada principal da mansão. Aquelas criaturas estavam armados com objetos aparentemente manufaturas, um deles estava com um pedaço de madeira com duas espadas fincadas numa das extremidades. Quando todas aquelas criaturas se chocaram com a mansão toda a estrutura dela estremeceu, Oton percebeu as vibrações mesmo metros abaixo do local do impacto.
—Apesar de serem muitos são fracos, serei capaz de derrota-los — Disse Oton.
Quando Oton virou-se para sair do cômodo e ir de encontro aquelas criaturas um enorme estouro sonoro foi emitido do lado de fora, eis que surge Capricórnio em frente a mansão. E, antes mesmo que Oton pudesse reagir, Capricórnio concentrou parte de sua energia em seus chifres e lançou um golpe em direção à mansão, destruindo-a. Dea criou uma barreira que protegeu Oton, porém quando a energia atingiu a casa lançou ele contra parede atordoando-o. Capricórnio, que utilizava um artefato forjado por Hefesto um ferreiro companheiro de Hades, com esse objeto ele era capaz de achar a localização exata de Glifon. Capricórnio estendeu suas mãos pegando a arma e entrando novamente no portal.