Notas iniciais
Boa leitura! Agora vai ficar bem interessante ! ❤

Acordei bem cedo pela manhã com as batidas insistentes de Dartan, me avisando que estava pronto para partir. Eu esperava que tudo o que eu tinha vivido na noite anterior fosse apenas um pesadelo, e que as coisas voltariam "ao normal" na manhã seguinte. Pelo visto, aqueles acontecimentos bizarros vão piorar.

Vesti meu calção, amarrei minhas botas,coloquei um grosso casaco de pele de rena por cima da minha armadura e coloquei meu elmo de caçada, decorado com dois chifres de búfalo. Muitas pessoas nos confundiam como vikings no passado, mas eu sinceramente acho uma afronta comparar-me àqueles bárbaros.

Dartan havia cuidado das nossas provisões, então acrescentei a minha bagagem a minha espada atada à cintura e o meu escudo. Conforme caminhávamos, o Sol ia esquentando a nossa nunca, e não demorou muito para que o meio dia chegasse. Haviamos andando durante horas, e eu sentia falta de parar para descansar. Catei algumas frutas para comer e enquanto me passava a água, pude finalmente parar para perceber que o mago falou pouco durante a caminhanda.

—Não estou gostando disso. O que você tem? — Olhei desconfiado

— Nada. Estou apenas pensando. — Ele disse calmamente , mas seu olhar estava pensativo,distante.

— Hunf! Sei. Olhe, eu ainda não confio totalmente em você. Mas se quer que eu confie totalmente, vai ter que passar a contar as coisas que anda me escondendo.

— Não estou escondendo nada,Zubart. Mas tenho algo mais para lhe contar. Também estava esperando o momento oportuno. -Revirei os olhos. Ele sempre diz isso. — Eu não estarei ao seu lado, durante a sua missão. Eu só o levarei até a entrada do castelo do Rei.

— O QUÊ? De que diabos está falando? Você me arrastou para esta... PORCARIA pra nada!? — Joguei meu escudo no chão com muita raiva. O barulho produziu um zumbido que me deixou ainda mais irritado.

— Zubart, acalme-se por favor. Isso tudo faz parte da prof ....

— Não me interessa ! Você me procurou, você me meteu nessa, então você vai me ajudar até o fim. — Meti a mão na bainha para sacar a minha espada. Sei que eu deveria saber que uma espada não é nada mediante aos poderes de um mago, mas eu estava insano de insatisfação.

—Zubart, não teste a minha paciência! — Ele estendeu a mão para mim e fui envolto por uma especie de magia que me deixou incapacitado de me mover, como se eu estivesse congelado ... Ou petrificado, seja lá qual o nome que se dá. E pela primeira vez, vi que aquele mago estava realmente começando a ficar irritado comigo.

—Agora me escute,anão. Se você parar para analisar cada parte da profecia vai ver que em nenhum momento cita um mago ou que você terá a ajuda de um. Eu lhe darei orientações ao longo do caminho, mas não posso interferir em nada. Quando precisar de conselhos estarei presente, mas este missão cabe à você. As princesas irão lhe acompanhar até o fim, mas mago nenhum deve se intrometer nisto. Espero ter sido claro. Encantriz fez seus inimigos com o meu povo também, meu mestre está doente e morrendo por culpa dela! Eu preciso estar ao lado ... Do meu pai.

Ele abaixou a mão e voltei a me mexer. Percebi então que ele teve mesmo motivos para ficar pensativo o tempo todo, e uma vez que ele finalmente confessara que o mestre do clã dos magos, o mago supremo, é seu próprio pai, um sentimento de culpa invadiu meu coração. Como eu não sabia pedir desculpas por ser muito orgulhoso, abaixei a cabeça. Ele voltou a ser calmo.

— Não precisa se desculpar. Eu o compreendo. Agora vamos prosseguir, está bem? Estamos quase chegando.

Após mais algumas horas de caminhada, finalmente conseguimos atravessar toda a mata e nos depararmos com um gigantesco campo aberto. O Sol começava a se por e diante de nós, um imponente e majestoso castelo brilhava mediante aos últimos raios solares. Uma ponte era responsável pelo acesso ao castelo e abaixo dela, um rio passava tranquilamente até perder-se de vista.

—Bem, aqui estamos nós. Eu preciso ir agora. Leve isto com você — E fazendo um gesto com uma das mãos, uma pequena folha de árvore com uma letra antiga pintada de dourada no centro apareceu na palma da minha mão. — Isto,Zubart, é a prova de que tudo o que falar é verdade. É o sinal dos magos. O rei vai saber o que fazer. E não se esqueça, sempre que estiver em dúvidas a respeito de alguma coisa, lá eu estarei. Desejo boa sorte! — E estalando os dedos, ele desapareceu.

Fiquei olhando para aquela folha tão pequena, confuso. A letra escrita nela, parecia com uma das consoantes da escrita élfica , mas eu recebera pouco ensino do meu pai de outros idiomas, então eu não era capaz de traduzir. Um certo medo penetrou o meu coração: eu estava num reino que jamais tinha visto, com uma profecia que ainda era duvidosa para mim (apesar de algumas provas terem sido me apresentadas), sem saber ao certo o que falar e sem qualquer noção do que enfrentar.

Foi ai então que me lembrei do que eu sempre dizia para mim mesmo: eu só quero uma oportunidade. Treinei a vida toda, aguentei os palavrões e as calúnias ao meu respeito, e sempre tive o desejo de fazer algo grandioso para poder provar o meu valor e mostrar para todos que um anão é mais do que aparentar ser. O meu tamanho não poderia determinar a minha capacidade ou quem sou. Então,um sentimento de bravura entrou no meu interior , e caminhei decidido até o castelo, com uma estranha sensação de que meu pai estaria sempre por perto, me apoiando. Chegou a hora de conhecer essas sete princesas.