“Continue a correr” Murmurava Clarissa para si mesma, com um brilho louco nos olhos purpúreos. Soltou uma gargalhada, talvez por pânico, mas apesar da dormência nas pernas, não parou de correr.

~Volte aqui garotinha estúpida!

Gritou a estranha mulher de cabelos flamejantes, o que só fez a menina correr mais ainda. Seus passos eram silenciados pela grama e o único som audível na imensidão da madrugada era o produzido por aquele ser estranho com presas que gritava coisas bem ofensivas para a menina.

A floresta era um breu. Clarissa não conseguia enxergar um palmo a frente, mas mesmo assim, continuava a correr, tropeçando ocasionalmente em algumas pedras no caminho e chocando-se contra árvores.

“Vá até a casa grande em cima da colina! NÃO PARE DE CORRER!”

Fora o que dissera Andrew pouco atrás, um cara normal, sem considerar os chifres e as pernas de bode. O sátiro fora sua companhia durante uma semana. Fora ele quem a resgatara do orfanato onde passou a maior parte da vida e estava com Clarissa desde então, levando-a até um local chamado Acampamento Meio-Sangue, o lugar ideal para semideuses, que aparentemente era o que ela era.

O caminho de São Francisco até Nova Iorque havia sido na realidade bem tranquilo, eles encontraram poucos empecilhos durante a viagem e nesse meio tempo, Andrew contou a Clarissa várias coisas sobro que ela era e sobre o lugar para onde estavam indo.

O problema se apresentou quando estavam quase chegando no tal lugar. Havíam pego um táxi, algo normal, mas assim que estavam quase chegando nas colinas, a motorista parou abruptamente.

~Desculpe queridos, mas receio que tenhamos um pequeno problema. Acontece, que eu e minhas irmãs estamos com fome, então o lanche será voc...

Com um bastão de madeira que sabe-se lá da onde surgiu, Andrew deu uma forte pancada na cara da mulher, que deu um urro de ódio e deixou as presas a mostra, assim como o cabelo flamejante.

Sem nem pensar, Clarissa abriu a porta e pulou do carro, com o sátiro logo atrás. Ambos saíram correndo, mas não demorou muito tempo para a dracaenae (Já havia encontrado um monstro parecido uns dias antes) se recuperar e também sair do carro.

~Irmãs! Atrás deles!!

Berrou a mulher e quase que instantaneamente, surgiram mais duas dracaenae de trás das árvores. Eles estavam praticamente cercados, Clarissa estava armada apenas com uma faca de cozinha e Andrew tinha apenas um bastão de madeira e uma flauta qualquer.

Foi então que o sátiro, agora de costas para Clarissa, se pronunciou.

~Eu tenho uma ideia. Ao meu sinal, você corre naquela direção.

Andrew apontou discretamente ccom a cabeça para uma direção e a menina assentiu, receosa. As dracaenae começaram a avançar lentamente, como se estivessem caçoando de suas futuras presas. Em um milésimo de segundo, o sátiro levou a flauta as lábios e tocou uma melodia bem animada, com extrema experiência.

Na mesma hora, flores amarelas brotaram do chão e cuspiram uma estranha fumaça no ar. Assim que inspirou aquilo, sentiu-se sonolenta. Seus membros pareciam pesar e o que Clarissa mais queria era desabar naquela linda e macia grama.

Passou os olhos em sua volta e percebeu que a mesma coisa acontecia com os monstros à sua volta, que bocejavam e esfregavam os olhos, mais cansados a cada instante. De súbito, captou o plano de Andrew, que aparentemente exausto, parou de tocar o instrumento.

~Agora! Vá até a casa grande em cima da colina! NÃO PARE DE CORRER!

Gritou o sátiro, em plenos pulmões e voltou a tocar a flauta, mesmo com dificuldade. Apesar do cansaço, Clarissa disparou pelas árvores. Não demorou muito para que ouvisse um uivo raivoso atrás de si.

~Acordem suas tolas! A menina está fugindo!

A mulher flamejante, sem conseguir acordar as irmãs da magia do sátiro, só então se tocou que estava perdendo tempo gritando ao invés de correr atrás da fugitiva, então tratou de faze-lo.

E é aqui que começamos a história. Com essa bela perseguição que parece não ter fim, e felizmente, tem. Depois de tanto correr, Clarissa acabou tropeçando em uma raiz e caindo de cara no chão.

Mal tinha forças para se levantar, a dracaenae agora estava muitíssimo perto, se aproximando cada vez mais. Clarissa tentou se por de pé, mas o pé esquerdo latejava. Provavelmente estava torcido, então, que chance tinha contra o monstro?

Porém, assim que a criatura avançou, a menina sacou a faca. Jogou no peito do monstro e sabe-se lá como, o alvo realmente foi acertado. A mulher gritou de dor e ódio, arrancou a faca e rumou na direção de Clarissa, com um olhar que provavelmente queria dizer algo do tipo “Eu vou arrancar as tripas dessa garota metida”.

Mas pouco antes que a dracaneae atingisse Clarissa, algo extremamente estranho aconteceu. O ar se encheu de um cheiro forte de vinho, videiras cresceram do chão e se enroscaram no pescoço do monstro e quanto mais este tentava se soltar, mais impossível o ato se tornava.

Depois de algum tempo, as videiras por fim sufocaram a mulher, que se transformou em pó dourado. Clarissa nem esperou para ver o que aconteceria, simplesmente deu as costas a cena e rumou até o alto da colina, meio mancando/se arrastando.

Passou por um pinheiro enorme, avistou uma casa enorme logo a frente e antes que qualquer outra coisa acontecesse, desmaiou.

Por um breve instante conseguiu ouvir gritos à uma certa distância, para então mergulhar em um sono sem sonhos.

Notas finais
Bom? Ruim? Péssimo? Deem sua opinião! Até a próxima (alguns dias)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.