As crônicas de Runa
1 O som da meia noite
Era noite de lua cheia, Melody, um vilarejo próximo ao mar, localizado em uma pequena ilha chamada Snow, estava em festa,onde fogos de artifício iluminavam o céu, afinal há trezentos anos, além de se assinar um tratado de paz entre os homens, também se encerrava uma das guerras mais sangrentas da história da humanidade, onde no qual o mundo inteiro saiu abalado, restando ainda cicatrizes no tempo atual.
Nesse dia tão especial cantava em Melody sobre um palco três garotas. Uma loira de estatura média com o cabelo batendo no final das costas, uma de cabelo rosa com o cabelo amarrado no estilo de rabo de cavalo com uma estatura baixa e outra de cabelo roxo, com uma estatura maior do que as demais e o cabelo além de ser maior dentre as duas ainda estava trançado e já batia no início das coxas, todas elas tinham em comum uma cor diferenciada em seus olhos, um lilás bem claro. A música que elas cantavam era de certa forma bem agitada, fazendo todos que estavam ali presente começar a dançar, mesmo que de maneira involuntária. além disso essas 3 garotas eram ao mesmo tempo belas e misteriosas, afinal, nem todos tinham o conhecimento de quem realmente eram ou de onde vieram.
Um pouco distante da vila, em uma floresta fechada encontrava-se uma mulher, alta, com um longo cabelo roxo trançado chegando a bater no final das costas, usando um longo vestido cinza, — antes limpo e fosco agora meio sujo pela floresta e um pouco de lama — com uma espada guardada em suas costas, ela corria como se sua vida dependesse daquilo, corria como se algo quisesse lhe pegar, em seus braços encontrava-se um bebê enrolado em uma manta branca, e um pouco atrás tentando acompanhar o ritmo da mulher encontrava-se uma menininha de vestido rosa, a mesma aparentava ter em torno de uns oito anos, tinha o cabelo da cor semelhante ao da mulher, porém era curto chegava apenas a bater no meio das costas e agora bagunçado pela correria, ela estava cansada, seu rosto pingava de suor, parecia não aguentar mais aquilo.
–“ Mamãe! espere, por favor!” -falava a pequena se pondo de joelhos no chão grosso e escuro da floresta respirando rápido. Após ter falado aquilo a mulher volta até o encontro de sua filha, se pondo de joelhos na frente da garota, ela começa a passar a mão no cabelo da pequena que antes estava tão limpo e agora estava sujo e embolado, ela o acariciava enquanto olhava ao seu redor, como se procurasse algo com uma expressão ansiosa misturada a tensão no rosto.
—“ Mamãe, porque estamos fazendo isso? Eu não entendo...” –estava olhando para baixo mas seus olhos voltam a dar atenção aos da mãe.
— “Escuta minha querida, mamãe está fazendo isso para seu próprio bem... Mamãe te ama muito, muito mesmo” — falava ela, desviando sua atenção para a lua que se erguia logo acima; Nesse momento um vento passou movendo as folhas e um raio lunar passou por algumas das folhas batendo nos olhos da mulher, e nesse exato momento a filha pode observar que os olhos da mãe outrora lindos roxos e brilhantes, naquele momento não estavam assim, estavam tristes e algumas lágrimas se acumulavam nos cantos.
— “Mãe...” – Foi cortada pela mãe com um suspiro estrangulado. — “Meu amor... Pegue” — falava a mulher entregando um bebê que estava em seus braços para a filha, assim que a menina pega ela beija a testa da filha.
— “Mamãe o que isso significa?...” — falava a garotinha enquanto observava que a mulher já estava de pé na sua frente.
— “Mamãe vai voltar, enquanto eu não volto pode fazer um favor para mim?” — vendo que a outra fez que sim com a cabeça, ela retoma a fala. – “Bem, está vendo aquela árvore bem ali?” — ela apontava para uma árvore um pouco mais a frente de ambas – “Bem, você consegue observar que ela é bem grande não é? pois bem, mamãe vai te contar um segredinho, dentro dela tem uma mini casinha que você pode brincar a noite toda!” — Nesse momento ela virou o rosto contra luz, era notável que iria chorar, sentia isso, não tinha como segurar por muito tempo.
— “Sim mamãe estou vendo... Mas você sempre diz que temos que dormir cedo... o que está acontecendo mamãe?” — A voz da menor começava a falhar, ela ainda respirava forte por ter corrido tanto.
— “Nada querida, agora vá, fique lá nessa casinha até de manhã, se eu não vir o senhor Tito vem para lhe pegar ok? Agora vá, e outra coisa, brinque direitinho.“
— “Ok mamãe, mas aonde você vai? Mamãe esse lugar me da muito medo, e estou cansada!”
— “Vá meu amor, até depois!” — A mulher ajuda a filha a se levantar, da um beijo na testa, não se esquecendo de fazer o mesmo com o bebê, a menina após ter lhe concedido um beijo no rosto se dirige a tal árvore. Vendo de onde elas estavam era imperceptível notar que ali havia uma porta circular da cor da própria árvore. A menininha já entra na casinha dentro da árvore para logo em seguida a porta se fechar, e nada lhe vem em resposta.
Após ambos os filhos terem entrado a mulher junta as mãos, fecha os olhos e murmura umas palavra que em respostas a árvore emite um pequeno brilho que no mesmo instante se apaga.
— “Pronto... Com isso ninguém vai entrar ou sair daquela árvore essa noite, sons emitidos do interior da árvore não serão ouvidos até ao amanhecer, mãe ” — falava a mulher abrindo as mãos e olhando para o céu – “Abençoe os meus filhos!” — Ela volta a atenção para a árvore derramando já aquelas lágrimas – “Algum dia meu bem...”-
Em seguida ela passa a mão no rosto e volta a correr, correr, até não poder ser mais vista bosque adentro.
Melody ainda estava agitada, mas o som de um sino se espalhava pela vila.
— “Esse sino... Não é estranho ele voltar a tocar depois de cinquenta anos?” -falava um homem que dançava ao som das três cantoras, dirigindo a pergunta a um homem ao seu lado.
— “Que nada! Deve ter sido um vento bem forte!” – Sorriu para o homem ao lado dele mesmo que seja imperceptível
— “ Ninguém mais toca aquele sino!” -respondeu uma mulher. De repente o som para, a dança para, até o sino para (nem sequer era para ele ter tocado), o único barulho que se tinha era de algumas pessoas reclamando e se perguntando por que a música havia parado, após alguns instantes não havia mais nenhum som, o silêncio percorreu toda a vila como um fantasma.
—“Olhem! Ali no mar!” -Gritava uma mulher espantada apontando na direção que havia dito. Havia alguns navios de cor escura se dirigindo ao litoral de Melody, infelizmente por conta do local em que a vila foi construída não dava para saber que isso estava acontecendo, era uma subida e onde estavam era uma depressão e depois continuava subindo,o local se assemelhava muito a uma tigela e eles apenas poderiam ver o litoral se fossem um pouco mais para a beira. Porém o que poderia afirmar que alguns navios não já haviam ancorado em alguma região da ilha?
Uma tensão e medo se espalhou pela população, até que alguns monstros começaram a pular do telhado das casas , outros por sua vez estavam começando a bloquear as passagens de saída da vila, eram monstros nunca vistos, sem rosto e totalmente escuro, uma onda de gritos tomou a população como um alarme, muitos dos monstros começaram a avançar nas pessoas presentes ali, outros por sua vez optaram em invadir casa por casa.
Homens e mulheres correram em busca de armas, alguns foram até mesmo em sua própria casa ou saquearam lojas de armas em busca de alguma que pudesse lhe ser úteis. Estava travada a luta dos homens para proteger a si próprios, a quem amavam, e o lugar em que vive e o início de tal batalha se deu pelo som de armas colidindo.
As cantoras Sandy, Wendy e Cristina antes do monstro bloquear a última passagem, elas saíram por lá e correram sem rumo bosque adentro. O pico da batalha ocorreu e Melody estava em chamas, muitas casas estavam desabando e entrando em ruínas, muitas pessoas já havia morrido, sangue se espalhava pelas ruas da cidade como se fosse água, não só de seres humanos mas também de monstro.
Um grande terremoto ocorre em meio à batalha, seguido de um grande brilho branco que se espalhou por todo lugar, não tinha como ver a si próprio, não tinha como ver nada, somente um clarão branco e nada mais.
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