As crônicas de Arien

1 Aprisionada do mundo


Notas iniciais
Nossa demorou dias pra eu terminar o primeiro cap, espero que gostem kk

''Eu nunca soube ao certo como seria viver no mundo lá fora, não posso dizer que nunca tive curiosidade em saber e nem interesse em me libertar daqui. Às vezes certos acasos me vêm em mente, mas não tenho coragem de exercer tais ações. Existe uma janela em meu aposento, por ela posso ter uma pequena vista do mundo, ele é belo a meu ver. ''

O crepúsculo do entardecer penetrava em seus aposentos através da janela. Sentada na beira da cama, ouvindo e observando a natureza. Ali perto havia um rio, com águas cristalinas. Era como se ela pudesse sentir em seus pés, o frescor das águas que corriam depressa, mesmo sem nunca ter ido ao rio. A vida lhe expunha a experiências inexplicáveis, experiências que não se podiam tocar. Experiências que só se podiam sentir. Queria poder tocar a grama que perto de sua janela crescia, mas entre eles havia grades de ferro. Nada que ela conseguisse fazer iria tira-la dali. A noite já imergia em seu quarto e a essa hora o empregado do senhor rei estaria lhe trazendo comida. As batidas na porta anunciavam sua chegada:

–Posso abrir a porta senhorita? — Perguntou o empregado.

–Sim Halior- Respondeu em completo desânimo.
Halior a abriu sutilmente. A porta era pesada, feita de madeira da floresta das trevas, em seguida havia espessas grades de ferro. O quarto era como uma prisão, uma prisão limpa e aconchegante. Arien dispunha de tudo aquilo que lhe agradava: Livros, roupas, plantas... Mas o que mais almejava era sua liberdade, o que talvez não viesse a ter. Como seu Rei ordenava, Halior nunca destrancava as grades; Arien era esperta e ágil como um elfo da guarda, podia facilmente fugir se as grades fossem abertas, porém não tinha pensado em como executar tal ação e tinha grande respeito por aquele que chamava de pai, Thranduil. O empregado a entregou sua refeição, parecia deliciosa, composta de frutas, verduras e o delicioso pão élfico com geleia. Arien pegou a bandeja pela abertura que havia na grade e a pôs na mesa. Halior a observava, se encantava com sua ternura. A elfa se aproximou das grades, queria ver seu pai, de vez em tempos perguntava sobre seu rei:

–E como o rei está? Fala muito a meu respeito?- Perguntou com entusiasmo. Talvez imaginasse que um dia a tiraria dali; um dia em que os perigos que ele tanto lhe falava, acabassem.

–Ele continua terno, governando seu reino com esplendor. Continua como sempre minha senhora- indagou timidamente- Devo dizer, senhora.

Arien assentiu sorrindo.

–Mas... Quanto a mim? Você não respondeu minha pergunta.

–Não quero lhe magoar jovem elfa- Halior levemente ergueu seu queixo de modo que os olhos daquela elfa o fitassem, brilhantes e com um verde mais gracioso que esmeralda — o rei anda um tanto ocupado com seu reino, mas as vezes pergunta sobre você. — Arien voltou a encarar o chão- Ma... Mas qualquer coisa que a senhorita desejar eu posso lhe trazer.

–Não Halior, você não pode. — A elfa andou até sua janela, encostou-se à parede de modo que pudesse ver a paisagem- O que você acha de ficar preso em um quarto durante anos? Sou imortal, mas ao mais tardar dos anos posso vir a morrer de tristeza- O empregado ficou sem palavras, queria vê-la feliz, mas se isso fizesse poderia custar sua vida; já havia pensado em solta-la e sabe o que o rei lhe disse sobre. Halior não é um elfo jovem e seria muito gratificante ver aquela bela elfa livre como um pássaro, porém o reino é cercado de guardas, mesmo eles não sabendo de sua existência, qualquer pessoa que saísse do reino, teria que ter consentimento do rei. -Eu não quero coisas materiais-continuou-já tenho até mais coisas do que a necessidade. Desculpe... Você pode deixar-me sozinha?

O elfo entristeceu-se com o estado de Arien.

–As suas ordens-Fechou a porta carregando a culpa em sua alma.

Andou pelo extenso corredor do salão. Caminhava sutilmente para não causar ruídos que viessem a chamar atenção, os empregados pouco adentravam lá, todos eram curiosos para saber o que o rei ali escondia; para Halior era mais preciso que joia. Ao sair do salão e trancar a porta principal, se depara com Legolas o observando de longe, um arrepio percorre seu corpo nesse instante. ‘’Por favor, não me pergunte nada’’, pretendeu. Tentou passar maior naturalidade possível aos olhares do príncipe, mas o mesmo já estava andando em sua direção. Halior o reverenciou.

–Qual seu nome?-Interrogou Legolas.

–Halior meu senhor- O elfo parecia preocupado.

–Fale-me, Halior o que tem de tão ponderoso atrás dessas portas que você fechou com tanta precaução?

–São... São riquezas do rei e produtos de comércio-Balbuciou o elfo.

–Mas o que um empregado servente está fazendo entrando em salas onde ficam as riquezas do rei?-Estranhou Legolas.

Halior estava sem dizeres, seu coração quase saltava de seu corpo. As desculpas que vinham em mente não seriam boas o suficiente para convencer Legolas.