Futuro adentro, numa realidade que não parece assim tão distópica, os continentes foram repartidos entre sete nobres e corajosos — a coragem de alguns deles é questionável — senhores de guerra, resultando de um acordo feito entre as antigas potências, para entregar a paz e a ordem na mão destes. Foi chamado de O Tratado, pois sua existência alterou como tudo era antes. A estes homens foi dada carta branca para que fizessem tudo ao bel prazer em seus domínios, desde que fosse mantida a paz.

Mas como se bem sabe paz não agrada a todos, nem é lucrativa a todos. As coisas estavam prestes a mudar, justo naquele momento, após uma década ininterrupta de calmaria.

Uma reunião fora convocada por um dos sete, quiça fosse hora de serem revistos os termos do Tratado. Não tardaria a acontecer; todos esperariam ansiosamente por ela.

O primeiro a chegar foi um homem corpulento e desajeitado, de pele morena e com olhar selvagem. Sentou-se bruscamente em sua cadeira. Entrelaçou os dedos por sobre a mesa, olhou ao redor. Percebeu que teria de esperar por muito tempo.

Os próximos homens chegaram em dupla, pareciam estar numa discussão acalorada, como se resolvessem uma rixa paralela ao problema dos continentes; rivais de longa data. E de fato eram, uma rivalidade de outro planeta. O que vinha pela direita tinha rosto choroso, a superfície de seu corpo era escamosa e tinha olhos riscados ao centro, como um réptil. Sua grossa cauda verde vinha golpeando o chão com o estalar de um chicote conforme ele avançava em direção a sala de reuniões. O outro homenzinho que vinha ao seu lado — se tinham algo em comum era a baixa estatura — caminhava cambaleando, sua cabeça ligeiramente inchada roubava-lhe o equilíbrio. Olhou por cima do nariz e do próprio óculos para dentro da sala a sua frente, percebeu que já havia um homem lá. Adentrou. Aquele ao seu lado fez o mesmo.

Um homem escuro como a noite brilhava como estrelas na madrugada através do corredor. Em seu pescoço tilintavam correntes douradas, com símbolos religiosos atados a elas. Tinha na mão um cetro, o qual balançava para lá e para cá enquanto andava. Seu longo manto branco rastejava-se no piso de cerâmica conforme a figura o trajando avançava. Disse algo em latim para os três que já ocupavam seus lugares, fez o sinal da cruz dançando os dedos na frente do corpo e assentou-se.

Faltavam apenas três dos convidados se juntarem à mesa para que o conselho estivesse completo. E lá vinham eles; caminhavam despretensiosamente, mas isso não os fazia indignos de seus títulos.

Dois estavam a frente, enquanto o último os acompanhava mais atrás, de certa distância.

Um tinha o rosto rude, com barba por fazer sobre sua pele amarelada e cabelos curtos sobre sua cabeça quadrada. Tinha certo apetite por garotas na flor da idade, diziam as más linguás. Não era segredo algum.

O outro, ao seu lado, tinha cabelos encaracolados e um rosto rechonchudo; você poderia até ver traços de um filtro de cachorro em sua face se olhasse atentamente.

Mais atrás caminhava o último dos convidados, tinha o corpo esférico como uma bola e sussurrou alguma piada estúpida para um dos guardas, que desejou socar-lhe no queixo. Esse desejo não era só dele.

Com todos às suas cadeiras, poderiam dar início.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.