Notas iniciais
Olá, pessoas lindas que seguem minha história. Eu gostaria de me desculpar pela demora para atualizar a fic. Esse era para ser o último capítulo e teria um epílogo. Porém meu lindo Beta não quer me deixar terminar essa história, então as postagens dos próximos capítulos serão incertas os dias, por eu ainda estar escrevendo. Sinto muito mesmo pela demora. E espero que gostem desse capítulo. *-* Derek dá os ombro. “Se eu falasse você não entraria, e eu sei o quanto você ama e precisa da água, assim como eu preciso da terra, em alguns momentos.” Ele aperta meus dedos. E sorri.

(Stiles)

Acordo e me estico, apalpando cada espaço que existe nessa cama imensamente exagerada de Derek. E ela parece maior do que me lembrava, está fria e vazia. Começo a entrar em pânico quando meus olhos se abrem e não encontro ele ao meu lado.

“Derek.” Falo rouco, e percorro meus olhos por todo quarto, nada dele. Respiro fundo e ele aparece na porta do banheiro.

“Já estava na hora de acordar.” Ele fala sorridente e caminha mais próximo a mim, me beija levemente nos lábios e o gosto de menta invade minha boca. “Você tem que pegar algumas roupas. Estamos quase saindo.” Ele fala enquanto guarda o violino.

As palavras de Derek, ficam martelando em minha cabeça confusa, meu cérebro ainda está se adaptando ao processo de acordar e pensar. Ele repara meu olhar confuso.

Derek revira os olhos. “Final de semana de visitar minha família!?” E pânico toma conta de meu corpo mais uma vez.

“Sim, claro. Você achou mesmo que eu tinha esquecido?” Ele me olha e sorri para a estupidez que estou dizendo. Olho para minha cor. “Desculpe, eu vou pegar algumas coisas e já volto.” Me levanto, e começo a me vestir. Quando me viro para beijá-lo e sair, observo que ele está colocando sua âncora. “Achei que tínhamos combinado de não esconder nossas cores mais.” E seguro seu pulso.

Ele acaricia minha bochecha. “É só para ver a reação da minha família.” E sorri.

“Quer que eu use também.” Pergunto. E ele acena com a cabeça que sim, e me beija.

Estou na porta do meu quarto e o cheiro de lavanda invade meu nariz. Allison está dentro do quarto. É melhor eu avisar minha presença. Bato duas vezes, e entro.

“Estou entrando, então se alguém tiver algo a esconder sugiro que faça isso agora.” Falo, com o braço cobrindo meus olhos e a outra mão em minha frente, sacudindo no espaço vago.

“Estamos vestidos.” Fala Scott. Ele está sentado na ponta da cama, com a Allison deitada, e as pernas jogadas sobre as coxas de seu namorado. É bonito ver os dois juntos, o vermelho brilhante, os sorrisos constantes, eles são uma combinação perfeita.

Começo a colocar algumas peças de roupa em uma mochila. E roubo a atenção dos dois. Seus olhares querendo saber o que estou fazendo.

“Fim de semana na casa do Derek.” Sinto minhas bochechas queimarem. Estou um pouco nervoso confesso.

“Uau, jura.” Scott já está de pé ao meu lado, com uma das mãos em meu ombro. “Não pensei que estivessem tão sério assim.” Ele para e fica encarando a Allison, esse olhar diz que uma conversa séria estar por vir.

“Por favor, não faça isso uma grande coisa, por mais que seja.” Respiro fundo e me encosto na parede. “Estou ansioso e nervoso. Não sei como me comportar nessa situação.” Olho para os dois, implorando por ajuda.

“Stiles, não se preocupe.” Diz Allison, enquanto cruza as pernas para se sentar melhor na cama. “Sei que todos vão adorar você. E Derek estará ao seu lado para te apoiar.” E sorri.

“Espero não estragar tudo.” Não posso perder o Derek. Principalmente agora que tenho certeza que ele se sente do mesmo modo que eu.

“Então evite ao máximo fazer piadas com tudo. Tente comer de boca fechada, você tem péssimos hábitos com comida. Se tiver algo caro e raro pela casa, não toque.” Ele fala as últimas palavras pausadamente. “Se conseguir fazer isso, se sairá bem.” Ele leva a mão ao meu pescoço e me sacode.

“Idiota. Não está ajudando muito.” E bagunço seu cabelo. Começamos uma luta amigável, com Scott me empurrando e jogando uma almofada em mim, enquanto eu corro e agarro ele pela cintura e jogando-o na cama, quase atingindo Allison.

Acabo escorregando para o chão, meio ofegante, enquanto meus amigos estão na cama rindo histéricamente. Inclino a cabeça no colchão e respiro fundo, deixando todos os aromas tomarem conta de mim. E o cheiro de Derek sempre me atinge com tanta força, que eu fecho os olhos para aproveitar.

“Derek já está aqui.” Me levanto lentamente. E pego minha mochila. É quando escuto duas batidas na porta.

“Como que você sabia?” Pergunta meu melhor amigo. “Esse lance de vocês dois às vezes me assusta.” Scott fala enquanto deita no colo de sua namorada.

“Lance?” Pergunto me aproximando da porta.

“Sim. Parece que vocês dois podem ler a mente um do outro. Se comunicam com olhares.” Ele faz uma careta e meche os dedos no ar.

Não respondo, apenas dou um sorriso e balanço a cabeça de um lado para o outro. Não sinto que seja a hora de contar, que posso ver cores e sentir cheiros. Que sei como as pessoas se sentem de verdade.

“Estou indo. Juízo vocês dois mocinhos.” E vou saindo. Acenando para os dois.

“Quando vou conhecer seus pais?” Escuto Scott perguntando, para Allison. Quando saio do quarto. E solto uma risada alta.

Derek está parado, encostado na parede me esperando. Cabeça inclinada para trás, olhos fechados e lábios um pouco abertos. Tenho certeza que ele está respirando pela boca, evitando o cheiro dos outros alunos. Muitos andando de um lado para o outro, com bolsas cheias, para um final de semana.

“Está pronto?” Ele pergunta, ainda com os olhos fechados.

“Sim, podemos ir quando você quiser.” E seguro sua mão. Ele desencosta da parede e me olha sorrindo lindamente. Olha para nossas mãos unidas e depois para os corredores. Seguro seu rosto, forçando ele a me olhar. “Já conversamos sobre isso. Pare de se preocupar, porque eu não estou preocupado.” E me inclino, beijando de leve sua bochecha.

Derek suspira. “Tudo bem, desculpe.” E pega a maleta de seu violino. Caminhamos juntos pelos corredores. Ele falando que vai dar tudo certo, que minha preocupação é desnecessária, que a família dele são ótimas pessoas. E eu me acalmo.

Quando estamos descendo as escadas do colégio. Ele para pôr um momento e olha para mim. Respira fundo e revira os olhos. “Ótimo.” Ele fala, franzindo a testa. Mas duvido que essa seja a palavra que ele queria usar de verdade.

“Derek, o que foi?” Ele morde o lábio inferior.

“Acho que dá tempo de voltar atrás, podemos visitar minha família outro dia.” E começa a me puxar para dentro do colégio.

“Ei, espera.” Firmo meus passos. “Qual o problema?” Pergunto. Todas as aquelas palavras de motivação, que tudo ia dar certo, que a família dele iriam me adorar. Desmoronou e a preocupação volta.

“Minhas irmãs estão aqui.” Olho para ele para tentar entender qual o problema nisso. Ele solta o ar devagar pela boca. “Eu pensei que Laura estaria na faculdade e Cora, ela nunca sai nos finais de semana do colégio. Minha mãe deve ter contado a elas que eu levaria alguém.” Derek termina de falar e fico meio confuso.

“Ainda não entendi qual o problema.” Derek encara o nada.

“Elas não vão deixar você em paz, serão perguntas desnecessárias o tempo todo.” Ele parece mesmo preocupado.

“Esse é o motivo verdadeiro... Ou está com medo que elas possam contar seus segredos de infância?” Seguro seu queixo entre meus dedos.

“Não. Claro que não.” Posso sentir sua respiração mais pesada.

“Então vamos.” E puxo ele novamente para as escadas.

“Tudo bem. Mas... olha não caia na lábia das minhas irmãs. Não acredite em tudo que Laura fala. E não deixe a Cora te intimidar.” Tenho que sorrir para isso.

Derek aponta para o carro preto e as duas garotas paradas em frente ao carro. Elas estão de braços cruzados, radiante em azul. Quando seus olhos focam em nós dois, posso ver suas bocas caídas e olhares perplexos. Olho para o lado, e Derek tem um leve sorriso.

Quando chegamos, não temos tempo para apresentações. Elas correm para alcançar Derek.

“Derek o que você fez?” Fala a mais nova, as duas param em frente a ele, e seguram sua mão e seu rosto. E eu solto sua outra mão, dando mais espaço pra eles.

“Mamãe vai te matar.” Diz a mais velha. Elas estão falando sem parar, apertando e levantando as mãos de Derek. Um sorriso espalha em meu rosto. Quando as duas levantam o nariz e respiram fundo, sentindo meu cheiro e lembrando que estou aqui.

Derek caminha até o meu lado, e segura minha mão. “Esse é o Stiles. E Essas são Laura e Cora.” E aponta para cada uma delas.

“Muito prazer.” Falo, estendendo a mão, e cumprimentando as duas.

Laura franze a testa e faz bico. “Isso é irritante, como vou saber como você está se sentindo, se está nervoso, com vergonha?” Tento falar algo, mas Cora é mais rápido.

“Você tem que me ensinar a fazer isso. Por favor.” Ela implora com os olhos. Aceno com a cabeça que sim. Cora pula de alegria, e morde o lábio inferior sorrindo.

Derek revira os olhos “Tudo bem. Por que vocês estão aqui?” Ele pergunta sem cerimonias.

“Você achou mesmo que deixaríamos essa oportunidade passar? Nosso querido irmão, levando alguém para casa, suspeitei que seria o menino sem cor.” Ela sorri.

“Podemos ir agora?” Pergunta Cora.

“Esse final de semana será longo.” Diz Derek pouco paciente.

“Não seja ranzinza, Der.” Diz Laura, passando por nós e bagunçando o cabelo do Derek.

Durante o caminho tudo parece correr bem. Derek encara a janela, sempre com o olhar perdido e distante. Entrelaço meus dedos com seus, sem tirar os olhos dele, e ele sem tirar os olhos da janela, abre um sorriso. Derek se vira pra mim, e chega mais perto, ficamos encarando nossos dedos por um longo tempo. Eu brinco com as linhas de sua mão, acariciando cada traço. Quando nós olhamos novamente, me perco no verde de seus olhos, como sempre. Esquecendo por um momento onde estamos.

“Meu Deus, olha pra eles Laura.” Viramos rapidamente para encontrar Cora nos encarando com um enorme sorriso.

“Eu estou vendo.” Observando o olhar de Laura pelo retrovisor do carro. “Fico feliz que tenha me escutado Der, pelo menos uma vez em sua vida.” Ela nos olha de lado e pisca para o Derek.

“Eu também.” E revira os olhos, em uma falsa raiva. Estou totalmente perdido aqui. Ele vê a confusão em meu rosto. “Não é nada.” E aperta mais forte minha mão.

“Chegamos pombinhos.” Cora cantarola, enquanto sai do carro e entra na casa sorrido. Olho para o Derek preocupado.

Antes que possa atravessar a porta, uma linda mulher de cabelo negros aparece, sorridente, iluminada em azul, com o aroma de rosas. Meu peito dói ao sentir o cheiro que vem dela. Minha mente falha, eu respiro cada vez mais fundo.

“Derek, o que você fez!” Ela fala alto, enquanto segura o rosto do Derek entre seus dedos. Ele apenas sorri, e segura os dedos da mulher em sua mão.

“Só canalizei minha cor.” E beija a bochecha dela.

“Volte ao normal, quero suas cores de volta.” Ela abre um grande sorriso, e abraça Derek bem forte, respirando o cheiro dele. Que eu não faço ideia de qual seja, para os outros. Eles se soltam e olham um para o outro.

Ela me olha sorridente. “Quem é seu amigo?” Ela pergunta e caminha mais próximo a mim.

“Esse é o Stiles. Bem... ele é mais que um amigo.” Ele para ao meu lado. “E Stiles essa é Talia, minha mãe.” E coloca a mão em minhas costas.

Estico minha mão para cumprimentá-la, mas a mãe de Derek invade meu espaço e me abraça tão firme, que eu não resisto e envolvo meus braços em seu pescoço. Eu não respiro tão fundo assim em muito tempo. Fecho os olhos e deixo o aroma de Talia me invadir. Sinto minha garganta arranhar e meus olhos arderem. Quando a solto e abro os olhos, posso sentir uma lágrima escapar e escorrer por minha bochecha. Derek se aproxima e segura meu ombro, suas irmãs estão me olhando assustadas.

“O que foi querido?” Pergunta Talia, enquanto coloca seus dedos em meu rosto.

“Seu cheiro... é o mesmo que o da minha mãe.” Minha voz sai em um sussurro. Olho para todos ao meu redor. “Desculpe, é que faz algum tempo que não sinto esse aroma e... me deixei levar pela saudade.” Tento sorrir aparentando ser o mais alegre que eu possa.

“Nunca se desculpe por isso, querido.” Diz a Talia segurando meu ombro e beijando o topo de minha cabeça. Aceno com a cabeça, e olho para o Derek, seu olhar é triste.

“Estou bem.” Respondo mesmo sem ele perguntar, sei que ele quer saber. Derek acaricia minha bochecha.

“Vamos levar nossas coisas para o quarto.” Derek fala me guiando até as escadas de sua casa. A casa é enorme, cheio de quartos e salas. Quadros pendurados pelo corredor, vasos enfeitando os cantos. Me lembro do que Scott falou e o xingo mentalmente. Passo o dedo nas paredes, com texturas diferentes.

Entramos em seu quarto, olho para todas as direções. O quarto é enorme, partituras coladas na parede, fotos espalhas por uma mesa no canto, livros e mais livros empilhados e alinhados em uma prateleira. Estou no meio do quarto olhando para todos os lados. E Derek encostado na porta fechada. Quando olho para ele, seu olhar é triste. Caminho mais próximo. “Não causei a boa impressão que eu pretendia.”

Ele corre os braços pela minha cintura e cai o rosto em meu ombro, me abraçando muito apertado. Envolvo meus braços em seu pescoço, e a sensação de conforto me acalma. Derek segura meu rosto entre os dedos. “Você foi ótimo. É impossível não gostar de você Stiles.” E beija a ponta de meu nariz, meu sorriso se espalha.

Após alguns minutos retirando as roupas de minha mochila e olhando Derek deitado em sua cama, falando sobre o que poderíamos fazer durante o dia. Eu sempre dando ideias de alguns filmes para assistir, e ele descartando antes mesmo que eu terminasse de falar. Começo a desistir da ideia do filme. É quando eu paro e olho pela janela do quarto de Derek. “Isso tudo é seu jardim?” Pergunto incrédulo.

Derek se levanta e para ao meu lado. “Sim, estava pensando se poderíamos correr ou apenas andar por ele. É tudo muito incrível.” Ele sorri para a imensidão do lado de fora.

“Você tem uma piscina. Por que estamos aqui dentro parados enquanto você tem uma enorme piscina lá fora?” Meus braços agitados, entre a janela e o quarto.

“Porque o tempo está horrível.” Ele fala, e caminha para a cama novamente.

Me aproximo dele, deitando ao seu lado na cama. “Eu não me importo, podemos ir?” O encaro em suplica.

Derek respira fundo e angustiado, vira seu corpo para me encarar, seus dedos deslizando para cima e para baixo, em meu braço. Ele se aproxima e beija o meu pescoço.“Podemos fazer algo mais interessante, você não acha?” Ele sussurra em meu ouvido, e meu corpo todo treme.

Seguro seu ombro, e o inclino novamente na cama, e me sento em seu colo, ainda pressionando seu ombro contra o colchão. “O que você tem em mente?” Me inclino e beijo seu queijo, dou pequenas mordidas até chegar na curvatura de seu ombro.

Ele se agarra a minha cintura, sinto suas unhas afundarem levemente em minha pele. “Como...“ ele é interrompido quando escuta sua mãe o chamando.

Ele revira os olhos e sorri. "Já volto." E beija de leve meus lábios.

Derek mal sai do quarto, e suas irmãs estão parados na porta. O aroma de Lírio e Violeta invade o espaço. Começo a me sentar, olhando para elas.

Esses olhares. Sinto que eu deveria ter ido com o Derek. Será que tenho tempo de fugir. Me levantar e inventar uma desculpa.

“Então Stiles.” Diz Laura cantarolando. Não, é tarde demais. Não tem como escapar, ela olha para Cora e as duas estão com um sorriso matador. “Nós diga...” Ela continua lentamente. “Qual é o cheiro do nosso irmão?” Oh Deus. Abro e fecho a boca e não consigo formular uma resposta. Por alguns segundos fico mudo, como se tivesse uma pedra na garganta.

“Desculpe, não entendi.” Encontro minha voz, trêmula e falha.

“Oh Stiles, Derek pode ser cego e cético sobre essas coisas e enxergar somente o que ele quer, mas eu não preciso ver sua cor para saber como se sente e eu sinto que o que vocês dois tem é mais forte do que ele pensa.” Sim é, mais forte e intenso do que parece. Derek será meu para sempre, por toda uma vida estaremos ligados e pertenceremos um ao outro. Se pensar, é um pouco assustador, saber que você encontrou o amor de sua vida toda, com 17 anos.

“Então...” Agora quem fala é Cora. “Você não sabe ao certo, não é?”

A única resposta que dou, é um aceno de cabeça em negação, não eu não sei.

“Oh meu Deus, isso é incrível, Derek já sabe. Quero dizer, ele sabe o que tudo isso significa. Que vocês são almas gêmeas. Oh meu Deus.” Elas estão brilhando tão intenso em azul. Andando em minha direção e sorrindo tão forte.

Balanço a cabeça novamente em negação. “Eu não acredito que ele saiba o que significa, o fato de nenhum de nós dois distinguir o cheiro um do outro. Mas tudo bem, eu sei o que ele sente por mim.” Sinto minhas bochechas queimarem.

“Você realmente é perfeito para ele.” Fala Cora, se aproximando e segurando minha mão. Ela começa a apertar tão forte que dói. “Acho bom não magoá-lo.” E dá um tapinha em minha costas.

“Não seja boba Cora, olha para esse rostinho, esses olhos apaixonados, tão fofos.” E aperta minhas bochechas. “Espero um dia encontrar o mesmo que vocês dois.” Diz Laura e bagunça meu cabelo, do mesmo modo como ela faz com Derek. Talvez ter irmãs não seja de todo um mal, eu poderia me acostumar com essa ideia.

Cora e Laura, estão sentadas cada uma de um lado. É quando Derek entra pela porta, com a testa franzida e de braços cruzados em frente ao peito. “O que vocês estão fazendo aqui? E por que vocês estão tão felizes?” Pergunta enquanto olha para todo azul de seu quarto. “O que elas te falaram?”

“Estamos apenas conhecendo melhor o Stiles, Der.” Laura fala com uma voz inocente.

Derek revira os olhos, e entra em seu quarto. Suas irmãs se levantam, e começam a se retirar. “Você ainda tem que me ensinar a esconder minhas cores. Não se esqueça.” E aponta para mim.

“Tchau, Cora.” Derek fala, enquanto fecha a porta na cara de sua irmã. E escuto as duas rindo alto no corredor.

Derek se joga novamente ao lado na cama. “Minha mãe preparou algo para comer, vamos?” Ele pergunta, se levantando e me puxando pelo pulso.

Olho para janela e está muito escuro o lado de fora. Nuvens carregadas e cinzas, derramando chuvas por todo lado. Lavando as árvores e flores do jardim de Derek. Olho para a piscina e depois para Derek. Acho que vou ter que esperar para um mergulho. Mas adoraria estar na chuva.

“Vamos. Podemos assistir algum filme enquanto chove.” Derek se rende e concorda.

As horas passam, Laura e Cora implicando Derek com fatos de sua infância, que me fazem gargalhar e Derek suspirar pesado em raiva. Assistimos a filmes. Me comportei na hora de comer. Talia sempre dizendo o quanto está feliz por eu estar em sua casa. O pai de Derek está em uma viajem, por isso não pode estar aqui esse final de semana, mas terei outras oportunidades de conhece-lo. Eu me sinto confortável e em casa, sinto que pertenço a esse lugar.

Aos poucos todos vão se retirando da sala para ir ao seu quarto. Cora diz ter que treinar, ela estuda em escola preparatória para alunos atletas. Aparentemente ela é boa em tudo que faz. Laura, se retira quando recebe um telefonema, para ir em uma festa com seus amigos da faculdade. Talia beija o topo da cabeça de Derek e a minha, e sai com um livro nas mãos.

A noite chega e sono também. Me mecho um pouco no sofá e deito no peito de Derek, que já está quase dormindo. A respiração dele cada vez mais leve, seus braços envolvendo meu corpo, me aquecendo. Não sei o que se passa na tv, está tudo desfocado e o som está longe. E acabo deixando o sono me atingir por completo.

Acordo algum tempo depois, quando o filme recomeça e a música de abertura parece muito alta para meus ouvidos. Olho para todos os lados, forçando a enxerga algo, mas tudo que vejo e me importo, é Derek deitado abaixo de meu corpo. Tão sereno e lindo. Me perco com essa visão, minha mão atinge a lateral de seu rosto. Não quero acordá-lo, mas sua respiração fica mais pesada e ele segura minha mão, ainda com os olhos fechados e sorri.

Retiro meu peso dele e me sento ao seu lado. Fecho os olhos e respiro fundo. “Parou de chover.” Minha voz sai engasgada.

Derek também se senta. “Você quer nadar agora?” Ele pergunta incrédulo, olhando para o relógio, que marca 1:00 da manhã.

“Porque não? Eu não vou voltar a dormir e duvido que você também.” Mordo o lábio inferior. E me levanto, puxando ele. “Vamos! A água não deve estar tão fria.” Derek se rende.

Estamos do lado de fora, tudo tão escuro, e ainda assim brilhante. Me aproximo da água, e sim ela está muito gelada. Olho para Derek um pouco decepcionado. “Ela é aquecida.” Diz ele. E sorri.

Nós sentamos no chão esperando por um tempo para a piscina aquecer. Olho para frente, é tudo tão grande, flores, árvores. Derek tem sua floresta particular, em seu quintal. É tudo lindo e maravilhoso. Estou perdido no espaço em minha frente, quando sinto as mãos de Derek em minha nuca. Ele se aproxima e beija minha orelha. “Obrigado, por ter vindo.” Ele sussurra.

“Eu nunca recusaria.” E beijo seus lábios, leves e com ternura. Seguro seu pulso, e retiro sua âncora, ele se afasta poucos centímetros, e sua outra mão atinge meu pescoço, retirando meu medalhão. E tudo brilha entre nós. “Senti falta de sua cor.” Nossos amuletos então no chão, próximo a nossos dedos entrelaçados.

“E eu senti falta da sua. Eu amo minha cor quando estou com você.” Nossos rostos próximos. “Acho que já está quente o suficiente, pode ir se quiser.” Derek beija todo meu rosto e respiro fundo quando seus lábios atingem meu pescoço.

Me levanto e retiro a camiseta. Estou na borda da piscina, e Derek ainda está vestido e sentado no mesmo lugar, me olhando com um leve sorriso. “Você não vem?” Pergunto, dando volta a borda.

“Depois.” Ele fala se encolhendo e sua cor é um pouco trêmula. “Não faça muito barulho.” Ele diz sorrindo, levando o dedo a boca.

Concordo e desisto de dar um pulo exagerado na água. Vou até a escada e desço lentamente. A água quente atinge meu corpo. Eu amo a água, a sensação de leveza que ela proporciona. Tudo é tão claro e limpo. Fecho os olhos e me afundo, os abro novamente e as luzes nas paredes da piscina iluminam tudo. Fico vários minutos nadando de um lado para o outro. Estou novamente submerso e posso ver a silhueta de Derek. Me impulso para cima e ele está sentado, rindo e me olhando. Nado mais próximo, e com os braços me seguro a borda.

“Não vai mesmo entrar? Estou tão sozinho aqui.” Derek balança a cabeça.

Ele se aproxima mais um pouco. “Prefiro ficar te olhando.”

Mas eu não quero ele me olhando, quero ele aqui dentro comigo. Pernas do Derek atingem a água e eu seguro seus pés, com um movimento rápido, puxo Derek para dentro da água, ele escorrega com facilidade. Seu corpo se choca com a água, e ele está se debatendo, e posso ver sua cor brilhando em lilás. Mergulho mais fundo e o seguro, com uma das mãos batendo na água para atingir a superfície, nado com o ele para a parte rasa e ele se senta na escada. Ofegante e tremendo.

“Derek, olha pra mim.” Seguro seu rosto entre as mãos. E ele faz, me olha assustado. “Você está bem?” Pergunto sabendo que ele não está, mas quero que ele me responda.

“Sim...” Mas ele ainda está lilás. “É só que...” Ele não termina de falar.

“Me desculpe. Achei que você soubesse nadar, ou não sei... merda.” Derek me olha e segura minhas mãos que estão sacudindo no ar.

“Eu só me assustei. É que eu não sou muito fã de água, ou muita água.” Ele aponta para piscina enorme.

“Por que não me disse? Deus desculpe, eu nunca faria isso se eu soubesse, é que você tem essa piscina enorme, e parece não ter medo de nada, é sempre forte, e...” Sou calado quando Derek me beija. Isso tem acontecido com muita frequência, eu sempre falando demais e ele me calando com seus lábios, mas eu amo quando ele o faz. Ele me solta lentamente. “Entendi, Stiles você está falando demais.” Falo imitando o jeito de Derek. Ele se inclina e me beija novamente, com mais desejo.

Me inclino mais para frente, fazendo Derek se sentar, e eu me posiciono em cima de suas pernas, passando minhas mãos por todo seu corpo molhado. Seguro sua cintura e deslizo mais para frente, meu peito nu contra o seu peitoral, separados pela sua camiseta molhada. Mordo seu lábio inferior e ele desliza as mãos em minhas costas, descendo cada vez mais até chegar à minha bunda, apertando-a com força. Meu corpo todo treme com cada toque dele. Levo minhas mãos em seu cabelo, entrelaçando os dedos ali, nunca quebrando o beijo. Derek começa a se desfazer o laço da minha bermuda. E acaricia meu pênis por cima da minha cueca com vontade, um gemido baixo sai de meus lábios, de encontro o do Derek. Inclino a cabeça pra trás, dando acesso ao meu pescoço pra ele, Derek morde minha pele, e continua a mover os dedos em minha ereção.

Estamos sufocados em desejo, quando as luzes da sala se acendem. Derek me solta, e olhamos em direção a sala, podemos ver Laura chegando toda feliz. Ela apaga as luzes novamente e segue para as escadas, em direção ao seu quarto.

Olha para o Derek sorrindo e ofegante. “Vamos para o quarto.” Ele fala em um sussurro. Não preciso responder, me levanto, e seguimos para dentro da casa. Subimos as escadas sorrindo e correndo, fazendo o mínimo possível de barulho. Deixamos um rastro de água atrás de nós.

Derek entra primeiro. Quando passo pela porta, ele rapidamente me puxa pelo pulso e me joga contra a parede, pressionando seu corpo contra o meu. Sua boca vai de encontro a meu ombro, começando a me dar chupões, intercalados com mordidas gostosas, para deixar marcas. Toda aquela sensação causavam efeitos que iam diretamente para dentro de minha cueca, seus dedos entram em contado novamente com meu pênis e eu não seguro o gemido que sai de minha boca.

Ele leva a mão a meus lábios e me olha com os olhos bem abertos. “Shhh, não podemos fazer barulho.” Ele sussurra com um tom malicioso. Apenas faço que sim com a cabeça e ele começa a retirar a mão de meus lábios, mas a seguro e levo dois de seus dedos até minha boca, lambendo cada um deles de forma obscena.

Derek se afasta e corre até minha mochila, pegando o pote de lubrificante e preservativos, e sorri para mim. “Só senti que precisava estar preparado.” Falo enquanto caminho até ele, e retiro sua camiseta e bermuda molhadas. Faço o mesmo com minhas peças de roupa. Vou chegando mais próximo e o pressiono na mesa, minhas mãos sengue as laterais de suas coxas com firmeza, e me encaixo entre elas.

Deslizo minha língua pelo seu peito e vou descendo pelo seu abdômen, deixando um rastro de saliva, sem desviar meu olhar do dele. Aperto o pênis de Derek entre meus dedos e fico de joelhos em sua frente. Com uma mão envolvida ao seu pênis, a outra levo de encontro a sua bunda. Derek sufoca o gemido com uma das mãos, com a outra joga em meu ombro e o aperta quando começo a lamber e sugar seu pênis. É incrível sentir seu membro pulsando em minha boca, e a eletricidade que provoca em seu corpo.

“Stiles...” Quase não escuto seu gemido. Ele aperta meu ombro. E paro por um momento, olhando de baixo. Me levanto lentamente e o jogo na cama, o roxo que invade nosso corpo, é a única cor que se pode ver nesse momento.

Derek deitado na cama, pega o preservativo, e desliza em seu pênis. Pego o pote de lubrificante, despejo em seus dedos. Me posiciono em cima dele, minhas pernas cada uma de lado de seu corpo, Derek me olha e seu sorriso é enorme, e hipnotizante.

Seus dedos se aproximam entre minhas pernas, e um dedo desliza delicadamente para dentro, meu corpo treme ao toque, ele faz movimentos rápidos, e desliza outro dedo. Arqueio as costas quando ele faz, e um gemido se prende em minha garganta. Meu pênis está pulsando e pingando, próximo ao rosto de Derek.

“Derek...” Seu nome sai como um gemido de meus lábios. E retiro seus dedos dentro de mim. Ele me olha, seu peito subindo e descendo pesadamente. Derek segura meu quadril, e me posiciona rumo ao seu pênis. Vou descendo bem devagar, deixando seu membro me penetrar, mordo o lábio e agarro seus pulsos. “Perfeito...” Falo e minha boca está entreaberta, atinjo a base de sua virilha e sou preenchido pelo pênis de Derek, me acostumando com a sensação de prazer que me causava.

Ele se movimenta, me subindo e descendo. A dor inicial é prazerosa, meu corpo todo está elétrico, e arrepiado. Quando o movimento se acelera, não aguento segurar mais o gemido preso em minha garganta, e sem permissão ele se solta. Derek crava as unhas em minhas pernas, e se senta. Envolve os braços, me abraçando. Gemendo baixinho em meu pescoço.

Agarro seu cabelo quando ele pousa a testa e meu ombro, e ele segura meu pênis, deslizando com o polegar na fenda, pingando em uma pré-ejaculação. Esquecemos onde estamos e do que tínhamos combinado, Derek geme alto e gago, e eu não resisto. Agarro seu queixo e o beijo, sufocando o som que persiste em sair de nossos lábios.

Não duramos muito tempo assim, meu corpo começa a tremer, o calor percorre sobre minha nuca, sinto meu pênis pulsando, retiro a mão de Derek de meu membro, e eu continuo a me masturbar, permitindo que ele se agarre com as duas mãos ao meu quadril novamente, me abaixando e subindo com mais força.

O roxo se expande como uma explosão, quando nossos orgasmos nos atinge. Respiro trêmulo sobre os braços de Derek. Caímos um ao lado do outro. Minha pele está toda sensível, mesmo os lençóis finos da cama, me fazem cócegas. Estou extasiado, e não reparo quando Derek, reaparece no quarto. Não tinha nem reparo que ele saiu.

Derek deita ao meu lado. Ele beija meu ombro. E começo a tremer de frio. Ele se senta e puxa a coberta para meu corpo. Me abraçando, e deslizando os dedos sobre minha pele. “Quero sempre dormir e acordar do seu lado.” Derek sussurra em meu ouvido, com os olhos pesados de sono.

“Eu também.” Enterro meu rosto em seu peito, sorrindo. E jogo uma das pernas sobre seu corpo. Por muito tempo, me esqueci o que era ser feliz de verdade. Até conhecer Derek. É fácil estar com ele, se sentir livre e tranquilo ao seu lado. Minha respiração pega o ritmo de Derek. E cai no sono.

A claridade toma conta do quarto, e sinto os braços de Derek em minha volta. Me sinto protegido assim. Giro meu corpo e olho para ele, passando os dedos em seu cabelo. Dou um leve beijo entre seus olhos, e ele suspira em um sorriso. “Bom dia.” Ele fala, me abraçando mais apertado.

“Bom dia.” Falo, enquanto me sento. “É normal acordar com tanta fome?” Pergunto passando a mão sobre a minha barriga que está roncando. Derek abre apenas um olho, e fecha novamente, se virando e cobrindo seu corpo outra vez.

“Você sempre está com fome.” Ele sussurra.

“Não é verdade!” Falo e me jogo em suas costas. Fico deitado, olhando para o teto, com nossas costas unidas. Me mexendo, sem parar.

“Stiles...” Derek resmunga. “Pare de se mexer, eu quero dormir mais um pouco.” Ele gira o corpo, me fazendo cair ao seu lado, sua mão percorre novamente para minha cintura, voltando a posição antiga.

“Desde quando você dorme tanto assim?” Pergunto me virando para ele mais uma vez.

Ele respira fundo. “Quando estou em casa me sinto mais confortável, então eu durmo melhor aqui.” E em nenhum momento ele abre os olhos para me responder.

“Isso faz sentido, sentimos mais confortáveis em nosso ninho, nossos cheiros. Eu entendo você, quando estou em ca...“ Sou interrompido com a mão de Derek em meus lábios. Quando não tendo falar mais nada, ele retira a mão.

Me seguro por mais dois minutos sem falar nada, olhando para todos os lados. “Prefiro quando me cala com um beijo.” Com isso Derek abre os olhos, e suspira pesado. “Ainda estou com fome.” Resmungo.

“Desisto.” Ele se levanta. E começa a sair do quarto.

“Onde você vai?” Pergunto tentando alcançá-lo.

“Tomar um banho, para depois fazer seu café da manhã.” Ele continua caminhando.

“Você é tão bom para mim.” Falo inocentemente. E volto para o quarto sorridente.

Descemos as escadas. Eu saltitando e contente, e Derek com seu jeito sério, e que tudo para ele é entediante. Quando chegamos a cozinha sentimos os aromas, de Laura, Cora e Talia.

No sentamos a mesa. E Talia se aproxima sorrindo e apertando o rosto sonolento de Derek. “Ainda bem que voltou ao normal.” E beija sua testa. “Você também.” E aponta para mim, que estou brilhando em rosa. Ela volta para o balcão e pega café para Derek. “Stiles querido, café, chá ou leite?” Mãe de Derek me pergunta.

“Café.” Olho para frente, Cora e Laura estão sorrindo alegremente.

“Vocês nunca vão se cansar de sorrir assim?” Derek pergunta, franzindo a testa.

“Não.” A resposta é como um coral.

“Der, não tente disfarçar, sabemos que você está feliz. Na verdade, nunca vimos suas cores tão brilhante.” Diz Cora. Derek olha para as mãos e revira os olhos.

“É bom saber que você tem cor, Stiles.” Laura tem um sorriso travesso. Olho para o Derek que esta esticado na cadeira, tomando seu café. Ela olha para Derek e para mim, pousa as mãos sobre a mesa. “Então... eram vocês na piscina essa madrugada?” Essa pergunta faz Derek engasgar, e Talia se mover mais próximo ao seu filho.

“Tudo bem, querido?” Ele acena com a cabeça que sim, mas Talia não sai do seu lado, acariciando seu cabelo. Isso me faz pensar em minha mãe.

“Pensei que você nunca mais entraria nela. Ou em qualquer outra novamente.” Diz Laura. Começo a me lembrar do que aconteceu ontem, e meu corpo se arrepia. Olho para todos e o que era azul cintilante, está muito fraco, e Derek como sempre verde.

“Porque ele não entraria?” Pergunto sem nem notar.

“Derek quase se afogou há alguns anos, desde então, ele não gosta de água. De muita água.” Diz Cora. “Mas parece que você mudou até isso nele.” E seu azul volta a brilhar.

Todos olham para mim, e me encolho um pouco. O rosa nunca me abandonando. Maldição onde deixei minha âncora. Ah é, na piscina. O verde do Derek aos poucos vai sumindo, e ele se estica para pegar minha mão.

“Por que você não me disse?” Pergunto.

Derek dá os ombro. “Se eu falasse você não entraria, e eu sei o quanto você ama e precisa da água, assim como eu preciso da terra em alguns momentos.” Ele aperta meus dedos. E sorri.

Começo a me mover para chegar mais próximo e beijá-lo, quando escuto Cora. “Tudo bem, pombinhos, vamos deixar vocês sozinhos.” Porém não é necessário. Derek e eu nos levantamos e caminhamos para fora.

“Vamos caminhar ou correr, como você queria, o tempo está melhor hoje.” Ele concorda. E saímos para o quintal enorme de sua casa.

Tenho que admitir, sentir a terra entre os dedos do pé, é relaxante. Agora que está claro, posso observar todo o local. É tão cheio de vida, colorido. Os aromas são os mais incríveis. Tudo brilhante em sua esplêndida beleza. Andamos um ao lado do outro. Derek aponta para cada flor, planta, e ervas, dizendo a imensas possibilidades que elas possuem. Algumas curativas, venenosas, outras alucinógenas, essas ele conhece bem. Mas posso ver o quanto seu corpo está relaxado, suas palavras são ditas com tanto amor... Que invejo um pouco esse lugar.

Chegamos ao centro de tudo, e Derek aponta para eu me sentar em uma pedra, e eu faço. Estamos sentados conversando. E eu implorando para quando voltar para sua casa, ele toque alguma música no violino para mim.

Derek está encarando o nada como sempre. E minha curiosidade fala mais alto quando ele está assim. “No que está pensando?” Pergunto.

Ele inclina a cabeça para trás. “Que esse ano realmente foi diferente. E que tudo mudou.” Ele olha para mim. “Você mudou tudo.”

“Mudei para melhor?” Pergunto, mesmo não fazendo ideia do que ele está falando.

“Sim.” Ele volta a inclinar a cabeça para trás.

“Espero que minha mudança dure para sempre.” Digo as palavras sem perceber.

“Se durar para sempre, eu nunca sairia do seu lado, e você nunca se afastaria de mim. Estaríamos eternamente juntos.” Ele faz uma pausa. “Como almas gêmeas.” Seu sorriso se espalha.

Me endireito e olho para ele, com a boca aberta. Me pergunto se no fundo ele sempre soube. “Gostei dessa ideia.” É só o que eu falo.

Ele me olha e abaixa a cabeça. E começa a encarar as flores no chão. Derek respira fundo, e se vira novamente para mim. “Espere ai, eu já volto.” E some entre as folhas.

Enquanto espero ele aparecer, coloco os braços para trás, e inclino a cabeça, fechando os olhos, e sentindo cada cheiro maravilhoso. Escuto os passos de Derek se aproximando, e respiro fundo. Porque nenhum cheiro se compara com dele.

Ainda de olhos fechados, sinto um outro aroma familiar invadir meu nariz. Abro os olhos, e Derek está parado em minha frente segurando uma rosa vermelha. Ele me entrega timidamente, e meus dedos tremem ao pegar o galho da flor.

Respiro fundo, com a rosa em meu nariz. Sempre evitei sentir esse cheiro, me dói lembrar de minha mãe, e saber que ela não está mais aqui, mas descobri que me dói mais ficar sem sentir o cheiro dela, porque pelo menos eu ainda tenho isso, ainda tenho seu aroma. Meus olhos começam a pesar, e lágrimas a se formam. Pisco várias vezes tentando eliminar elas. Mas falho.

Sinto os dedos de Derek percorrerem minha bochecha e limpar com o polegar a lágrima que escorreu. “Sinto muito, não queria causar essa reação em você.” Por um momento o marrom atinge seu corpo.

“Derek não, eu adorei. Eu só sinto muita falta dela, mas eu estou bem, acredite.” E beijo a palma de sua mão.

“Eu lhe daria todas as rosas, se isso lhe fizesse feliz. Se isso lhe fizesse sentir mais perto de sua mãe.” Não seguro meu sorriso, e nem a lágrima que escapa.

“Eu sou feliz, por amar, e por estar com a pessoa mais incrível que eu já conheci.” Seus dedos tremem em minha pele. Os olhos de Derek estão arregalados.

“Você me ama?” Ele pergunta. E eu não entendo, pensei que fosse óbvio.

“É claro, você viu minha cor quando estou com você.” Falo e me levanto, ficando mais próximo a ele.

Ele limpa a garganta, e me olha. “Eu sei, mas... é diferente quando escutamos pela primeira vez.” Ele olha para baixo.

Passo minha mão em seu pescoço, entrelaço meus dedos em seu cabelo. “Eu te amo, Derek.” Sussurro próximo a sua boca.

Ele sorri e aproxima mais seu rosto do meu. “Eu te amo, Stiles.” E com essas palavras em sussurro, ele fecha o espaço entre nós dois, e toca nossos lábios, me beijando com vontade e amor.

Derek me segurando pela nunca, e anda alguns passos para frente, e eu para trás, tropeçando e tropeçando, quando sinto meu corpo se chocar contra uma árvore. Sinto o toque macio e molhado de sua linguá acariciando meu lábio inferior. Nossos corpos unidos, e quentes. Nem nos demos conta do momento em que tudo em nossa volta se esfria. O céu sobre nós se fecha. E sentimos as primeiras gotas da chuva nos tocar. O céu parece desmoronar nesse momento.

A chuva cai pesada envolta de nós, atingindo o chão coberto por terra. Criando a combinação perfeita de dois elementos, que foram criados para viverem sempre unidos.