Notas iniciais
(Esse capítulo, assim como os próximos, serão descritos pelo ponto de vista do Derek e do Stiles.) “Desculpe. Só estava tentando descobrir no que você está pensando.” Eu falo sem nem perceber as palavras escaparem da minha boca. Ele não me olha, sua respiração parece um tanto curta e ele está meio tenso. “Então, no que estava pensando?” E me inclino mais próximo a ele.

(Stiles)

Acordo para mais um dia. Antes que eu possa abrir meus olhos, já sei que Derek está ao meu lado sentado em sua cadeira, lendo mais um de seus inúmeros livros. Tenho roubado seu espaço com muita frequência. Não posso evitar, a cama dele é melhor que a minha e mais espaçosa também.

“Você tem que parar com isso.” Ele diz, quando me observa levantar. “Preciso da minha cama às vezes, e até onde eu sei o seu quarto tem a mesma dimensão que o meu.” Ele me dá aquele olhar franzindo a testa. Sei que ele não está nervoso de verdade, apesar de sua falta de cor. Derek passou a ser mais fácil de se ler.

“Desculpe.” Levo os dedos aos olhos. “Na verdade, não. Você nem usa essa cama perfeita. Passa todas as noites em claro lendo.” Falo enquanto me jogo mais uma vez na cama.

Ele se levanta e puxa o meu pé. “Saia da minha cama.” Me olha sorrindo, e segue para o banheiro. Solto um resmungo em protesto.

“Não. Hoje é sábado, sem necessidade de pressa.” Olho para o relógio que marca 10:00. Acho que dormi demais.

“Pensei que aquele jogo que você tanto fala fosse acontecer hoje.” Ele reaparece na porta do banheiro, sem camisa. Me perco olhando para o corpo dele mais uma vez. Se concentre Stiles.

Merda, o jogo! Com um pulo saio da cama, agarrando meus tênis. “Como pude esquecer! Ande! Coloque uma camiseta, banho fica para depois.” E já estou na porta do quarto de Derek, quando reparo que ele não está me seguindo e muito menos se vestindo. Giro meu corpo e vejo a confusão em seu rosto. Por que ele não se move? “Derek, vamos?”

Ele abre e fecha a boca. “Stiles, eu não vou ao jogo com você.”

“Porque não? Vai ser divertido. Vamos.” Paro próximo a ele com o olhar de súplica.

“Jogo de lacrosse com vários humanos ao redor, pulando e gritando com suas cores fortes e exageradas, onde a maioria me acha um esquisito, não é o meu tipo de divertimento.” Ele faz uma pausa. “Mesmo que você esteja lá.” Não posso disfarçar minha decepção, mas não vou tentar convencê-lo a fazer algo que não goste.

Solto um suspiro e falo. “Tudo bem. Nos encontramos no porão mais tarde então.” E me retiro de seu quarto. Não será a mesma coisa sem Derek lá comigo, mas posso me divertir e de qualquer forma, e iremos nos encontrar mais tarde.

Para um tempo frio e chuvoso como hoje, tem muitas pessoas na arquibancada, pulando e aplaudindo nosso time. No próximo ano eu estarei naquele gramado, competindo e lutando para trazer vitória a nossa escola.

Derek tinha razão, são muitas cores e cheiros diferentes. Imagino que possa ser mais difícil controlar nossos dons quando se é uma pessoa tão intensa, e com pouco convívio com humanos como ele. Como sou mestiço e minha linhagem veio da água, tudo que meu corpo absorve é mais leve. Menos quando olho para Derek. Tudo nele é chamativo e acolhedor. Suas cores sempre foram as mais vivas e o seu cheiro... É o cheiro mais forte que já senti. Sinto falta das cores que radiavam seu corpo.

“Stiles, acorde!” Scott grita enquanto me sacode. Me perdi pensando em Derek mais uma vez e posso ver o quanto ele está se divertindo com meu devaneio.

“O que foi... Ganhamos?” Pergunto, enquanto levanto para comemorar algo que ainda não aconteceu. Scott e Alisson, estão rindo histericamente.

Eles se olham por um minuto e Scott se vira pra mim. “O jogo mal começou. O que você estava pensando?” Ele pergunta mesmo já sabendo a resposta, mas parece gostar de ouvir da minha boca.

“Não o que, e sim em quem.” Diz Allison, olhando para mim e jogando os braços no pescoço de Scott. “Por que ele não está aqui com você?”

Não posso dizer toda a verdade então... “Lacrosse e multidão não é o seu tipo de diversão.” Não chega a ser uma mentira.

“É por esses motivos que todo mundo chama ele de estranho.” Fala meu amigo, enquanto vira sua lata de refrigerante na boca. Allisson repara meu olhar e dá uma cotovela na costela do seu namorado, o fazendo engasgar. “Desculpe, brother.” E coloca uma mão em meu ombro. Sei que ele não quis dizer que Derek é estranho. Ele sabe o quanto odeio esses insultos desnecessários ao Derek. Ele não é estranho, nem esquisito ou aberração. Derek é pessoa mais incrível que já conheci.

“Tudo bem, só nunca mais o chame assim.” E volto a me concentrar no jogo. Scott e Allisson se calam.

Após alguns minutos de silêncio, Alisson é quem fala primeiro. “Ei, você tem que contar a ele como se sente.” Agora quem está falando besteira é ela. Como posso falar pra ele como me sinto? Que sou apaixonado por ele. Isso estragaria tudo.

“Não posso. Ele me vê apenas como amigo.” Abaixo a cabeça forçando um breve sorriso.

Allison sorri para Scott e me olha outra vez. “Stiles, acredite em mim quando falo que já passou da hora de você falar com ele sobre isso. O que você tem de esperto, tem de cego.” Fico pensando sobre por um tempo.

Sou tirado de meus pensamentos quando o jogo termina e nosso colégio vence. É quando acontece uma explosão de cores e felicidade. Eu não me seguro na alegria contagiante. Estamos todos pulando e festejando.

Scott me arrastou para ‘festa particular’ atrás do colégio onde a vigilância é pouca. Para um começo de tarde, os alunos estão aproveitando ao máximo, todos gritavam e pulavam de felicidade.

Nas próximas horas, estamos todos bebendo e comemorando. Tenho que me encontrar com Derek, o que estou fazendo aqui ainda? Todas essas pessoas já estão bêbadas o suficiente, mal se aguentando em pé... Posso dizer o mesmo sobre mim.

“Scott.” O chamo. Onde ele está? Os cheiros estão muito misturados para focar somente nele. E eu não estou em meu melhor estado.

Estou atrasado para encontrar Derek. Deus, ele vai me matar. Após alguns minutos, me convenço que meu colega de quarto, já tenha saído da festa e está se divertindo com Allison. E eu estou aqui perdendo meu tempo.

Atravesso os corredores do colégio, cambaleando pelas paredes. Não me lembro quando foi a última vez que bebi tanto assim. A cada passo que dou, o cheiro do Derek fica mais forte. E me pergunto se realmente está na hora de conversar com ele sobre como me sinto. Me convenço que sim. Derek precisa saber, eu preciso falar, isso não vai acabar com nossa amizade, ele não vai me odiar. Oh Deus, realmente espero que ele não me odeie.

Quando chego no porão, tenho certeza de vi um deslumbre de verde em volta dele. “Eeeeei!” Digo cantarolando. Ele não sorri, só se levanta e coloca o livro que estava lendo em um canto. “Me desculpe pela demora. Teve uma comemoração, depois que terminou o jogo.” Faço uma pausa. “E nós ganhamos.” Levanto os braços e com esse movimento quase perco o equilíbrio.

Derek dá um leve sorriso. Já é mais uma vitória para hoje. “Quando você disse que teve uma comemoração, suspeitei disso.” Ele faz uma pausa e me olha. “E eu escutei e senti a agitação atrás do colégio.” Ele levanta uma garrafa de cerveja para mim, me convidando a sentar, e assim faço.

Sei que estou longe de um equilíbrio aqui, meu cérebro está fora do eixo. Caio como uma pedra no puff ao lado de Derek e ele me lança um olhar divertido. “O que?” Pergunto, enquanto levo a cerveja a boca. Deus eu não deveria estar bebendo mais nada por hoje.

“Você parece meio atordoado.” Ele diz, devo estar mesmo. Exalo um suspiro pesado e aceno que sim com a cabeça.

Me aconchego mais no meu canto observando Derek, enquanto ele olha para o nada. Adoro esse seu olhar perdido, tão pensativo, tão distante e tão lindo. Tenho certeza que ele pode passar horas assim, sem falar nada, só imóvel. Pensando em... Não sei em quê.

“Stiles.” Eu pulo. “Pare de me encarar.” Diz Derek, sem tirar seus olhos do nada. Estava encarando ele outra vez.

“Desculpe. Só estava tentando descobrir no que você está pensando.” Eu falo sem nem perceber as palavras escaparem da minha boca. Ele não me olha, sua respiração parece um tanto curta e ele está meio tenso. “Então, no que estava pensando?” E me inclino mais próximo a ele.

Ele morde o lábio inferior e me encara. Deus esses olhos, são de um verde tão forte e intenso. Por que eles são tão verdes? Por que minha cor favorita tem que ser esse maldito verde? E por que ele me olha assim? Tudo fica mais difícil quando ele me olha desse modo. Como posso resistir? Tem sido meses de tortura. Eu tenho que falar pra ele como me sinto. Ou posso beijá-lo aqui e agora.

Ele abre e fecha a boca. “Eu... estava pensando...” E não termina. Volta a sua posição antiga, ereto e sério. Agora com as mãos colocadas sobre a nuca.

“Derek.” Levo minha mão ao seu ombro e viro “O que foi?” Pergunto. Não consigo focar totalmente o seu rosto, mas sei o quanto ele está nervoso. Ele me olha, me olha de verdade, como se pelo olhar pudesse desvendar meus pensamentos. Ele gira o corpo todo para mim. Deixo minha mão deslizar até a curva de seu pescoço. Não sei se é o álcool me incentivando, mas me permito e ele fecha os olhos e inclina a cabeça, na direção de minha mão.

O puxo mais próximo e ele me olha, parece assustado. Eu devo fazer isso. E se ele me odiar, e se tudo desandar, e se eu perder ele como amigo? Fecho os olhos, não estou pensando direito, o álcool está me deixando fraco. Abro os olhos e Derek ainda está me olhando, assustado e perdido.

Fecho o espaço que ainda tem entre nós e o beijo, finalmente faço, ele se assusta e inclina para trás, mas sem separar nossos lábios. Deus isso está realmente acontecendo. Por quanto tempo eu esperei, desejei seus lábios sobre os meus. Ele se curva para ficar mais perto e desliza uma das mãos e minha própria, tirando a garrafa de cerveja, que eu ainda estava segurando.

Eu suspiro no beijo, abrindo minha boca ainda mais como um convite para que ele possa mergulhar mais fundo. Eu posso sentir onde a língua é suave e onde é duro contra a minha. Posso sentir o gosto fraco da cerveja em sua língua.

Ele quebra o beijo, com um movimento, me puxa e me posiciona em seu colo. Suas mãos estão em minhas coxas, me segurando e olhando de baixo. Estamos ofegantes. Me inclino mais, traçando alguns beijos em seu pescoço. Derek solta um gemido curto e segura firme meu quadril. Posso sentir sua ereção crescendo por baixo do jeans e tenho certeza que ele sente a minha. Como um simples beijo pode causar tal excitação. Simples? É uma blasfêmia pensar assim.

(Derek)

Isso está mesmo acontecendo. Enfim tenho Stiles em meus lábios, em minhas mãos.

Sinto seus lábios percorrendo cada centímetro de meu pescoço. Passo minha mão por baixo de camiseta e posso sentir cada parte de seu corpo. Ele se contrai ao toque e geme quando o aperto mais próximo de meu corpo. Ele está suado e gasto. Meio trêmulo. Posso sentir sua ereção conta a minha.

Não aguento mais à vontade de ver seu corpo. Retiro sua camiseta, sem nenhuma relutância de Stiles. Deus ele é lindo, cada traço de seu corpo implora pelos meus lábios. Traço um caminho com a língua na curvatura de seu ombro e lá planto uma mordida de leve, ele xinga bem baixo e aperta a mão em meu cabelo.

Sinto suas mãos pressionando minha pele. Os pêlos em minha nuca se levantam com o toque. Logo Stiles começa a desfazer o meu jeans e sua mão encontra a curvatura dentro da minha cueca, e não posso mais suprimir o gemido que estava preso em minha garganta esse tempo todo. Seus dedos em movimento dentro de minha calça, a cada toque posso sentir que cresço mais.

Ele sufoca meu gemido quando encontra meus lábios mais uma vez, sua língua tão funda em minha boca. E tem algo errado. Não é o seu cheiro, nem seus toques.

Oh merda, seu gosto.

Álcool. Está tão forte, agora que tomei consciência do que possa estar errado. Stiles está bêbado, e muito. Deus eu devo impedi-lo de continuar. Não posso me deixar levar.

“Stiles.” Tento pará-lo. Ele sussurra meu nome, interpretando errado quando seu nome foi pronunciado.

“Espere...” Sou interrompido por seus lábios em meu ombro, ele quase rasga minha camisa. Seus dedos ainda trabalhando em minha ereção, e começa a ficar difícil resistir ou até mesmo pensar normalmente.

“Stiles.” Por fim, minha voz sai no tom certo, pego seus ombros para impedir de continuar, e conseguir um contato visual.

“Você está bem?” Ele pergunta. Estamos ambos ofegantes. Seus olhos estão vagos e distantes.

“Eu estou...” Ele não me deixa terminar e se afunda mais uma vez em mim. “Você que não está em seu juízo perfeito.” O seguro novamente em minha frente.

Stiles suspira indignado, antes de abaixar mais uma vez. E ignorar por completo minhas palavras.

“Stiles, por favor.” Agora imploro na tentativa de conseguir sua atenção.

Ele se endireita e olha envolta e depois para mim. “Oh merda. Derek, desculpe.” Agora o seu corpo se distancia do meu. Ele me olha perplexo.

Não se desculpe, eu quero isso, sempre quis, mas quero em um momento onde você não esteja completamente bêbado e fora de seu controle.

“Stiles.” É a único som que sai de minha boca. Preciso acalmá-lo.

“Deus, Derek. Me desculpe, por favor.” Ele anda de um lado para o outro. “Eu entendi tudo errado. Me desculpe.”

“Stiles, calme-se. Não precisa surtar.” Merda Derek, você estragou tudo.

Ele enfim para, ainda sem camisa e ofegante. “Podemos apenas esquecer o que acabou de acontecer?” Stiles pergunta balançando suas mãos em grande agitação, em nenhum momento faz contato visual. “Me desculpe.” E sai quase correndo do porão. Me deixando aflito em minha estupidez.

Parabéns, Derek. Você destruiu sua chance. Estúpido.

Notas finais
(Me desculpem por isso >< )