As cores que me levaram á você
11 Falta de cores
Notas iniciais
Último ano do colégio. Nem posso acreditar que passou tão rápido. Foi mais fácil superar esse ano do que eu realmente havia pensado. Não estou dizendo que passei a gostar daqui, não. Apenas tenho ignorado todas as coisas que sempre odiei. Ter amigos e um namorado facilitou para isso. É Derek Hale fez amigos, e eles são legais. Mas em muitos momentos ainda aprecio minha solidão. Assim como agora.
Olho para o lado esquerdo de meu quarto, que antes tinha uma prateleira cheia de livros. Porém agora tem uma cama com roupas espalhadas, tênis jogados pelos cantos, e tive que substituir minha cama enorme por uma pequena também. Não tinha espaço suficiente para duas camas, uma sendo grande demais para esse pequeno cômodo. Essas são as consequências de ter um colega de quarto. Um colega de quarto aceito pela diretoria, não um que invadia meu quarto durante a noite e se jogava sobre mim. Encaro mais alguns minutos a cama do outro lado, ainda não estou satisfeito com isso. Preciso falar com Peter.
Aproveito mais alguns minutos de solidão, e começo a me retirar do quarto, ando mais lento e distraído que possa ser permitido. Quando chego, Peter parece estar à minha espera. Ele me olha e sorri, enquanto aponto para entrar em sua sala. Sigo seu rastro de azul e laranja que ele deixa enquanto anda.
"Diga querido sobrinho." Arqueio umas das sobrancelhas, porque tanto felicidade? Olho para os lados e á um cheiro diferente no ar. Viro meu corpo para meu tio novamente.
"De quem é esse cheiro de melancia." Falo. E o sorriso de Peter vacila um pouco. Ele realmente pensa que não percebi? Peter da alguns passos e se senta em sua cadeira. Faço o mesmo e me sento na cadeira enfrente sua mesa, repousando os braços na mesa.
"Melancia." Ele pronuncia a palavra, e eleva o nariz. "Não faço ideia."
"É claro que não." Continuo encarando ele com curiosidades. Ele limpa a garganta, e se meche desconfortável na cadeira.
"Derek, fale logo porque você veio aqui. Achei que esse ano não teria motivos para reclamar." Ele fala enquanto entrelaça os dedos.
"Tem duas camas em meu quarto." Falo sem rodeios.
"É isso que acontece quando você tem um colega de quarto." Peter sorri, e seu azul brilha mais forte. Como sempre ele está se divertindo as minhas custas. Minha família é uma mistura irritante. "E porque você esperou dois meses para vir reclamar, deve ser um novo recorde." Ele sorri mais amplo.
E a pouca paciência que existia em mim, não existe mais. Minha cor é um forte verde. “Eu achei que seria fácil suportar. Não está sendo. Quero minhas coisas de volta no lugar como antes.” Falo me inclinando na cadeira.
"Derek foi você que pediu por isso." Agora o azul está com leves bordas verdes.
"Eu não pedi por duas camas. Aquilo ocupa muito espaço." Peter recosta na cadeira, e suspira pesadamente.
"O que você esperava? Que eu permitiria você dividir o quarto com seu namorado, mas que deixaria você usando a mesma cama, assim com o ano passado." Sei que é uma pergunta retorica, mas não me seguro e a resposta sai antes mesmo que eu possa me impedir.
"Sim, eu esperava exatamente por isso." Ele passa os dedos sobre os olhos.
“Vocês têm que pelo menos manter a aparecia. Foi quase um milagre ninguém ter dedurado vocês antes." Eu tento falar algo, mas Peter não deixa. "Imagina se isso chega para os superintendes, poderia causar a expulsão de vocês dois, e meu afastamento da diretoria. Dois adolescentes dividindo o mesmo quarto, a mesma cama, sobre minha supervisão, e eu permitindo?!" Ele termina de falar pegando folego.
"Mas…" Tento falara algo, mas penso que ele realmente tem razão.
"Derek você tem mais um dos enormes privilégios que eu te dou, apenas aproveite. Uma cama pequena não vai te matar." Solto um suspiro pesado.
"Tudo bem. Não custava tentar, você me conhece." Peter passa os dedos pelo cabelo, e seu sorri reaparece, junto com o azul.
"Você deveria convida-la para sair." Falo enquanto me levanto para sair de sua sala.
"Quem?" Ele pergunta já sabendo a resposta.
"A dona do cheiro de melancia, que te fez brilhar em laranja." Falo me retirando.
Antes de chegar ao meu quarto, respiro fundo para saber se Stiles está muito longe. E fico feliz em saber que ele estar no dormitório. Ficou fácil de saber se ele está longe ou perto, posso dizer perfeitamente sua distância. Nossa ligação ficou mais forte com o tempo. Sempre o sinto, mesmo que esteja distante de mim. Por alguns momentos até dividimos o mesmo sentimento. Como agora. Posso sentir a agitação sendo liberada do corpo de Stiles, posso sentir o cansaço se estalando nele, e toda adrenalina que ele adquiriu no treino de lacrosse, ainda preso em seu corpo.
Quando passo pela porta, Stiles está jogado no chão, apenas com bermuda, e sua respiração esta levemente fraca. Quase não vejo seu peito subindo e descendo, corro o curto espaço entre nós e me jogo ao seu lado. "Stiles." Sussurro em seu ouvido, e dou pequenos beijos em sua orelha. Stiles estremece e vira o rosto para mim. "Porque você está deitado no chão?” Pergunto sem tirar os lábios de sua orelha.
"Cheguei muito agitado do treino, meu corpo estava cansado e não resiste a esse carpete." Ele responde espalhando os braços pelo carpete.
"Serio Stiles?" Falo sorrindo e me deitando ao seu lado. Jogo uma das pernas sobre as suas.
Ele se vira um pouco, e segura meu rosto, se inclina para frente e beija de leve meus lábios, acaricia meu cabelo e se afasta. “E onde você estava?” Stiles volta a inclinar a cabeça, olhando para o teto.
“Estava conversado com o Peter.” Falo sem tirar os olhos dele, e posso ver quando seu rosto se transforma em uma careta questionável.
“Não me diga que foi reclamar das camas.” Ele se vira para mim.
“Se eu disse que não?” Pergunto encolhendo os ombros.
“Saberei que está mentindo.” Agora ele está me encarando por completo.
“Então... sim eu fui falar sobre as camas.” E quando termino de fala, Stiles solta uma longa rajada de ar. Sua cor azul sempre tão brilhante. “Eu quero minha cama de volta, é desconfortável essa coisa pequena.” Falo apontando para o outro lado do quarto.
“Quando você vai parar de ser ranzinza.” Ele me pergunta se inclinando sobre mim, jogando os joelhos de cada lado de minha cintura.
“Quando você parar de ser um idiota.” Seguro sua cintura e o inclino para baixo, traço um caminho com a boca em seu queixo, ele sorri alegremente.
“Isso nunca vai acontecer.” Stiles cai por completo sobre mim, e beija meu pescoço.
“Então você tem sua resposta.” Aperto meus dedos em sua nuca, e ele suspira em meu ouvido. “Você está todo suado ainda.” Agarro seu cabelo e o puxo para trás, encarando seus olhos. Ele sorri mais amplo, o roxo percorrendo e brilhando sobre sua pele.
“Talvez eu devesse tomar um banho.” Seu sorriso é malicioso, e eu amo isso.
“Talvez você precise de ajuda para...” Ele não me deixa terminar de falar, Stiles já está de pé e se livrando de seu calção e me puxando para dentro do banheiro. Ele me empurra para parede e me beija firme no pescoço. Suas mãos atingem minha cintura e começa a retirar minha camiseta. Levanto os braços para facilitar. Logo seus dedos estão desabotoando minha calça.
"Acho que você precisa se lembrar de que duas camas não vão fazer diferença." Diz Stiles dando alguns passos para dentro do box, ligando o chuveiro. Ele me olha convidativo. E em segundos já estou nu e atingindo o espaço onde Stiles está. Jogo minhas mãos em sua cintura e o puxo para mais perto. Meus lábios percorrem seu pescoço. Ele geme sem se conter quando dou uma mordida em seu ombro.
Seus lábios percorrem a curvatura de meu ombro, dando pequenas mordidas, suas mãos abaixam lentamente sobre minha pele já molhada pela água quente, suas unhas curtas arranham lentamente minha bunda. E um gemido curto e falho se solta de meus lábios, quando Stiles acaricia minha entrada. Com a outra mão ele toma posse de minha ereção, e o acaricia com vontade, dando aperto firmes na ponta de meu pênis.
Começo a fazer movimento com o quadril com o mesmo ritmo que Stiles me aperta. Os gemidos que escapam de minha boca começa a ficar mais auto, então Stiles me silencia com um beijo, e dois dedos se mostram ativos dentro de mim. Não resisto por muito mais tempo, e perco a forças das pernas no mesmo momento que em que meu orgasmo me atinge.
“Então ...” Ele sussurra em meu ouvido. “Por que se preocupar com duas camas, quando ainda podemos fazer isso.” Ele termina de falar e beija minha bochecha.
Não respondo a isso, apenas me inclino e o beijo com todo amor em agradecimento, tanto quanto posso transmitir em um beijo. E parece funcionar.
Terminamos de tomar banho e caminhamos de voltamos para o quarto, com um Stiles muito calado e sério. Olho para ele enquanto está secando o cabelo, seu olhar meio distante, e sua cor tremendo. “Fale Stiles.” Eu digo enquanto me visto.
Ele me olha, e sua cor é um leve tom de lilás e azul. “Sabe o jogo do próximo mês?”
"Sim, Laura e Cora estão animadas para vê-lo jogar." Falo e me aproximo dele.
"Então… Tem mais uma pessoa animada para me ver jogar." Não faço ideia para onde essa conversa vai levar, mas não falo nada, deixo Stiles continua. "E essa pessoa é meu pai." Ele termina de falar e abre um grande sorriso. "Ele não para de falar que já passou da hora de te conhecer, que está curioso para saber quem é a pessoas que está me roubando dele. Ele está muito animado com isso na verdade, bem mais do que me ver jogando. E…" Ele para de falar quando seus olhos encontram os meus novamente. "Derek, você está bem?" Ele passa os dedos sobre minha bochecha.
"Seu... Pai…" Começo a gagueja e limpo a garganta. "Seu pai, o xerife da cidade, que te porte de arma, que tem legalmente licença para matar." Falo mais assustado que devia.
"Derek, ele não é o 007. Porque você está assustado?" Ele parece mais animado agora, brilhando em azul se divertindo com o meu desespero.
"Ele acha que estou te roubando dele. Ele pode não gostar de mim, você já pensou nisso? Nem todo mundo me vê como você Stiles. Ele pode achar que não sou o suficiente para seu único filho. Que sou estranho, rude, eu não sei.” Essas últimas palavras saem um pouco estranguladas. “Não quero dar uma má impressão, você sabe ..." Não termino de falar porque Stiles está me calando com seus lábios. Quando ele se distancia, respiro fundo e me acalmo. "Quando foi que evertemos os papeis?" Seguro seu rosto entre minhas mãos.
"Quando você começou a surtar desse jeito, e disparou a fala como um doido." Stiles beija minha bochecha, e se joga na cama, ainda com a tolha enrolada sobre a cintura. "Ele vai te adora Derek, pare de se preocupar com isso. Agora, venha aqui." Stiles da dois tapas no espaço da cama me chamando para deitar com ele. E assim faço.
"Ainda não gosto dessa cama." Sussurro em seu ouvido. E meu deixo aconchegar em ao seu lado. Passamos mais alguns minutos em silencio. "Você tem certeza que ele não vai me odiar." Enterro meu rosto em seu pescoço.
"Derek, pare com isso, meu pai nunca odiaria o que eu mais amo." Stiles fala, e a cor vermelha toma conta de seu corpo. Paro de lado e me apoio sobre os cotovelos. E por agora volto a ficar tranquilo. Beijo todo rosto de Stiles, e ele sorri alto, e com gargalhadas, quando o aperto na cintura, percorrendo os dedos pela sua pele o causando cocegas.
••●
Dia do jogo, eu realmente queria dizer que estava calmo, mas não estou. Caminho pelos corredores, estralando os dedos. E meu coração está batendo tão forte que tenho certeza que qualquer um que esteja passando do meu lado pode ouvir.
Quando chego ao campo de lacrosse, sinto o cheiro de Stiles misturado aos outros. Ele me avista, e olha para todos os lados, e foge de perto de todos os outros jogadores, correndo mais perto de mim. Creio que o treinador não aceitaria uma espancada no meio do aquecimento, mas Stiles não e do tipo que obedece a ordens.
"Oi." Ele fala e envolvo meus braços em volta de ser corpo. "Meu pai ainda não chegou, então pode ficar mais relaxado durante o jogo. Provavelmente vamos só ver ele depois." Balanço a cabeça indicando que entendi. E ele me beija suavemente, o seguro mais próximo ao meu corpo, esquecendo como sempre que não estamos sozinhos. O que eu posso dizer, não resisto quando ele está vestido com uniforme de lacrosse. Stiles leva os dedos ao meu cabelo e aperta.
"Stilinkiiiiiiiii." O treinador grita, e Stiles pula com o barulho de apito seguido pelo seu nome. Ele sorri para mim, e começa a correr para o campo.
"Deseje-me sorte." Ele grita levantando as mãos.
"Boa sorte." Retribuo no mesmo tom.
Caminho até as arquibancadas, me desviando de alguns alunos e parentes que já estão espalhados por todos os lados. Os cheiros e as cores pulando na minha frente. Foco minha atenção somente em Stiles. E começa a ficar mais fácil de suportar. Me sento e reservo um espaço para minhas irmãs. Que por sinal estão atrasadas. Olho para todos os lados, e não as encontro, e nem seus cheiros estão por perto. Volto minha atenção para o campo, e para Stiles se aquecendo.
"Tem alguém sentado aqui?" Pergunta alguém com uma voz firme. Olho para cima e um homem mais velho com cheiro forte de grama, esta sorrindo para mim. Balanço a cabeça dizendo que não, e me afasto um pouco dando mais espaço.
Continuo olhando para o homem ao meu lado, quando o cheiro de lírio e violeta me fazer desviar. Vejo Laura e Cora se aproximando. As duas com cores azuis e um tom de verde claro. É obvio estavam discutindo.
"Vocês sabem que estão atrasadas, não sabem?" Falo um pouco indiferente, e as duas se sentam ao meu lado.
"Sim." Vêm uma resposta em conjunto.
"Se não fosse a Laura." Começa Cora um pouco irritada. "É um jogo de lacrosse não uma festa de gala, não precisava se arrumar tanto assim." Cora jogo os braços para o alto, antes cruzar sobre o peito.
"Serio Cora? Você levou mais de 40 minutos para escolher um perfume, e para que? Você já tem um cheiro próprio." Retruca Laura, e se vira para olhar o campo.
"Eu gosto de diferenciar." Cora olha para Laura mais irritada de quando chegou.
Laura pensa em abrir a boca, mais é interrompida quando o juiz abita indicando o começo do jogo. As duas se calam, e eu agradeço por isso. Olho em volta, para ver se ninguém está prestando atenção no escândalo familiar que as duas estavam fazendo, e aparentemente estão todos focados no jogo que acabará de começa. Localizo Allison, Lydia e Erica no ultimo banco da arquibancada, elas também estão me olhando nesse momento. Levanto a mão cumprimentando elas a distância, e elas respondem sorridente acenando também.
"Eu não consigo encontra-lo. Qual é o Stiles." Pergunta Laura, reviro os olhos.
"E o vinte quatro." Aponto para o meio do campo, mostrando Stiles. Ele está correndo para fazer um passe para outro jogador, que com muita facilidade pega e arremessa, fazendo o primeiro ponto do jogo. Em meio segundo todos estão pulando e gritando. Stiles se arremessa no ar comemorando. E quando ele nos olhos, seus olhos são enormes, um espanto de segundos percorre ele e depois o azul mais forte que eu já vi, atingi meus olhos. Ele acena para nossa direção, Laura, Cora e eu respondemos balançando os braços, e o homem ao meu lado também. Faço uma careta para isso, mas não falo nada. Volto a me sentar e prestar atenção ao jogo.
O jogo continua, porém mais aflito do que deveria, o time adversário conseguiu virar o jogo. Todos estão dando de tudo no campo, correndo o mais rápido e com mais acertos de lances. Mas tenho que admitir o outro time é bom, muito bom. Começo a ficar aflito, batendo os dedos no joelho, querendo algo a mais para segurar do que minha perna.
“Tenho que ser honesto. Eu não entendo nada de lacrosse.” Escuto alguém falar. Quando encontro o dono da voz, é o homem mais velho que está sentado do meu lado.
“Eu também não.” Acabo admitindo.
“Então você está aqui para torcer por alguém especial?” Ele fala e sorri. Quando os dentes passam a ser visíveis, eu os acho estranhamente familiares. Aceno com a cabeça dizendo que sim.
“E você também?” Pergunto sem saber o porquê.
“Sim, meu filho.” Sua voz é tão orgulhosa. O azul é tão forte que envolve de seu corpo. Dou um curto aceno.
“E quem é ele?” Não entendo a minha vontade de ser sociável com um desconhecido. Mas sinto uma sensação confortável em conversar com ele.
“O vinte e quarto!” O homem aponta para o campo, e seu sorriso é maior quando meus olhos se arregalam. Volto à atenção para o campo para ter a certeza se ele está falando do meu vinte quatro, ou do outro time. E seu dedo está em direção a Stiles. Oh meu deus, ele é o pai de Stiles. Volto a olha para lado, e ele está me encarando. “Prazer, John.” Ele estende a mão para mim, eu seguro firme sua mão, mas não falo nada. “E você é Derek.” Não é uma pergunta.
“Sim.” Enfim encontro minha voz. “É um prazer conhecer o senhor.” E percebo que ainda estou segurando a mão dele, e solto imediatamente. “E como o senhor sabe quem eu sou?” Ainda estou nervoso não vou tentar enganar ninguém aqui.
“Primeiro nada de senhor, apenas John. E eu seria um péssimo xerife se eu não soubesse que é o namorado do meu próprio filho.” Seu olhar é pura confiança.
Começo a querer falar algo, mas sinto o peso de Laura sobre minhas costas, e quando olho para ela, seu olhar curioso diz tudo. Reviro os olhos e suspiro fundo. “Laura esse é o senhor Stilin.. é quero dizer John pai do Stiles.” Laura quase pula sobre mim para pegar a mão estendida de John.
“Pai do nosso pequeno Stiles.” Ela toma meu lugar, e me distancia de John. Cora nos olhos estranhando os movimentos.
“Essa é a Laura minha irmã mais velha. E essa Cora a mais nova.” Cora reaparece atrás de mim dando tchauzinho. “Esse é John, pai do Stiles.” Falo para Cora, e ela sorri alegremente e toma meu lugar também, me distanciando ainda mais, enquanto ela pega a mão de John. Fico olhando para os três que conversam sem parar. Achei que era pra ser a minha apresentação para o pai do Stiles. Não das minhas irmãs.
Reconheço que é uma batalha perdida quando eles continuam rindo e falando, sobre mim e Stiles. Volto minha atenção para o campo. O tempo passa mais rápido depois disso, e o jogo termina antes mesmo que eu posso ver. O time da escola mais uma vez conseguiu uma vitória. Estão todos pulando, comemorando e gritando alto. Á papeis coloridos sendo jogados para cima com as cores do colégio, ter cartazes sendo sacodidos ao alto das cabeças. E o azul que percorre por cada um, chega ser bonito de se ver.
Quando a calmaria é estabelecida, e todos caminham para seus conhecidos em campo, fazemos o mesmo. E antes de chegar ao gramado, Stiles já está correndo em nossa direção, e seus passos não diminuem quando ele fica em frente ao seu pai, e joga os braços sobre o pescoço de John.
“Você conseguiu vir.” Ele fala alegremente.
“Cansei de perder os seus jogos garoto. Estou orgulhoso de você.” Responde John, ainda abraçado a Stiles.
“Foi um jogo emocionante.” Diz Cora.
“Você nem prestou atenção no jogo, ficou mandando mensagem o tempo todo.” Fala Laura. E mais uma vez começa uma discussão entre as duas. E Stiles apenas sorri.
“Devemos sair para comemorar.” Diz John se divertindo com a situação
“Concordo.” Falo. E os olhos de Stiles caem sobre mim, me olhando pela primeira vez depois que saiu do campo. Ele se aproxima e envolvendo os braços em minha cintura, e encostando os lábios levemente aos meus, dou um passo para trás me distanciando. “Stiles.” Ele me lança um olhar engraçado.
“O que?” Ele pergunta inocentemente. Inclino meu rosto no rumo de seu pai. Stiles seque meu movimento. E seu pai está nos olhando com um sorriso divertido.
“Eu não me importo.” John fala dando as costas para nós. “Vou conversa com o diretor pra sua liberação.” Ele fala se distanciando.
“Acho que tenho que fazer o mesmo. Também estou com saudades do tio Peter.” Diz Laura seguindo John, com Cora logo atrás dela.
Stiles segura meu rosto. “Ele não se importa.” Dou um passo para frente, e beijo seu rosto.
“Parabéns pela vitória.” Sussurro em seu ouvido. Dou vários beijos em seu rosto até alcanças seus lábios. Stiles me aperta mais perto e intensifica o beijo, levo os dedos ao seu cabelo e ele suspira em meus lábios. Quando o beijo começa a se intensificar, seguro o Stiles pela cintura e o distancio. “Acho que você deveria se trocar antes que eles voltem.” Falo ainda milímetros de distância de seus lábios. Ele concorda balançando a cabeça, e um leve beijo na bochecha é o que ele me dá antes de ir embora.
••●
Já estamos todos em uma lanchonete. Cora mandando mensagens pelo celular sem parar, Laura conversando com o John. Stiles em sua bagunça ao se alimentar, eu apenas olhando para todos eles. Que estão rindo e conversando alto.
“Ele sempre foi assim?” Em algum momento escuto Cora perguntar. Quando levanto o rosto, posso ver sobre quem ela está falando. Olho para Stiles, ele o vejo segurando um sanduiche em uma mão, e batata frita nas outras, olhando para todos os lados da mesa procurando por algo. Sem perceber estou dando um leve sorriso. Me aproximo e retiro as batatas de sua mão, e entrego o catchup para ele. Tenho certeza que as palavras mal pronunciadas que sai e de seus lábios cheio de batatas fritas, é obrigado. Fico olhando para seus olhos, e mesmo com a boca cheio de batatas, e mal conseguindo pronunciar uma frase inteira. É impossível não se perder olhando pare ele.
“Sim, ele sempre foi assim.” Diz John quebrando meu olhar para Stiles. “Fico feliz por ele ter o Derek, pelo tempo em que não estou por perto.” Ele continua com um sorriso. Stiles levanta os olhos percebendo que o assunto é ele. E a cor rosa é intensa em mim. Laura me olha e começa a rir. Então jogo uma batata frita em sua direção.
O restante da tarde passa tranquilamente. Agora preocupação que eu sentia em conhecer o pai de Stiles é quase ridícula. Quase. Ele deixou claro, por várias vezes nessa tarde o que sente por eu estar com Stiles. Aparentemente estou seguro de ser morto. A menos que eu machuque Stiles. Nesse caso teria uma cela me esperando na estação de sua delegacia, John deixou isso bem claro também, inúmeras vezes.
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Último ano indica para grande parte dos alunos, sofrer pressão, correria, desgaste físico e emocional. Com todos surtando para entrar em uma boa faculdade, ou apenas tentando descobrir o que fazer com o resto de suas vidas após sair por aquelas portas. E o assunto não poderia ser outro, em mais um dia sentando na cantina. Olho para todos em minha frente, falando e falando. Em algum momento eu parei de prestar atenção, estou mais focado na comida que não estou comento, por sinal.
“E você Derek?” Alguém me chama. Levanto a cabeça e vejo que é Boyd.
“Eu o que?” Estou totalmente alheio a qualquer assunto.
“Pra qual faculdade você vai?” Ele pergunta. Olho para ele e para todos os outros rostos familiares, que parecem estar tão interessados também. Stiles e Scott estão sorrindo para mim com olhares esperançosos. Levanto e subo os ombros.
“Ainda não tenho certeza. Tenho algumas em mente, mas não tenho certeza. Estou esperando as cartas de aceitação chegar.” Gaguejo um pouco. Porque eu estaria tão nervoso sobre isso. Stiles se aproxima mais e aperta minha coxa, e inclina a cabeça para deitar em meu ombro. A sim! Estou nervoso porque tem possibilidade de nos separar para sempre assim que o resultado chegar.
“Você ainda tem tempo.” Diz Allison enquanto se senta ao lado de Scott. Todos parecem concordar com ela, eles balançam a cabeça.
“Ainda assim não estou preparado para todas as provas que estão por vir.” Diz Isaac com uma cor tremula. E mais uma vez a vários acenos de cabeça e concordância sobre um assunto. Acho que todos estão mais preocupados em não conseguir passar pelo último ano no colégio.
“Tudo bem. Eu aceito ajudar vocês.” Diz Lydia enquanto admira seu reflexo no espelho, retocando o batom. Todos estão rindo alegremente. Parece que de alguma forma um anjo veio ao resgate deles.
“Poderíamos ir para a mesma.” Sussurra Stiles em meu ouvido. Ninguém escuta, todos estão mais preocupados marcando seus horários para ter ajuda de Lydia.
Olho para Stiles e minha garganta se fecha. “Seria perfeito...” Tendo ser o mais convincente possível. Até porque não é uma mentira. Mas pelo olhar de Stiles falhei.
“Mas?” Ele pergunta.
“Mas temos que esperar pela resposta.” Falo segurando sua mão. Stiles levanta uma das sobrancelhas, mas da de ombro, e volta a se concentrar no assunto à sua frente.
Todos começam a se levantar e Stiles também. Seguro seu pulso e o puxo para baixo. “Nos vemos no porão mais tarde. Não se atrase, você tem muito o que estudar.” Sussurro em seu ouvido.
“Estudar, ou...?” Ele segura meu queixo.
“Vamos ver o seu desempenho nos estudos. Se for um bom aluno, pode ser recompensado.” Seu azul brilha vitorioso, mesclando com um leve roxo.
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Estou no porão e Stiles está atrasado, mais uma vez. Me inclino encostando a cabeça na parede, repousando o livro sobre o colo. Respiro fundo para saber se ele está distante, mas sou atingindo com outro cheiro familiar, que está muito próximo. O forte aroma de maça verde percorre meu nariz. “Lydia.” sussurro, e é como se fosse um passe de mágica, assim que pronuncio seu nome ela parece na porta do porão, com vários livros nas mãos e com o grande sorriso.
“Lydia?” Pronuncio seu nome mais uma vez, mas com altura suficiente para ela escutar. Ela olha para baixo.
“Demorou mais tempo que eu queira admitir, mas enfim encontrei onde vocês se escondem.” Ela fala enquanto desce as escadas, olhando para todos os lados. “É mais acolhedor do que eu pensei.” Lydia fala e para alguns centímetros de mim.
Olho para ela meio atordoado, como ela descobriu. E porque ela estaria aqui. “Como você...” Começo a falar, e Lydia arqueia umas das sobrancelhas, coloca a mão na cintura e me lança aquele olhar. ‘Você não vai mesmo me perguntar isso, vai?’
“Não subestime minha inteligência Derek.” Ela fala e gira o corpo passando por todo lugar. “Você e Stiles são menos discretos que pensam, não foi difícil descobrir.” Meus olhos se arregalam, se ela sabe os outros podem saber, se mais alunos descobrir que me escondo aqui, tudo ira desmoronar, ou faram de tudo para eu ser expulso, por me manter escondido em uma ala do colégio, ou isso aqui se encheram de alunos desesperados por privacidade. E se for para pensar sobre isso, nenhuma das opções é aceitável. Lydia repara meu olhar, e se aproxima de novo. “Não e preocupe, duvido que outras pessoas tenham a mesma capacidade que eu. Esse local ainda será um segredo.” Ela joga seus cabelos, e se aconchega ao puff que pertence a Stiles.
“Às vezes esse seu jeito de descobrir as coisas antes mesmo que elas aconteçam me assusta.” Eu admito, e inclino a cabeça para encara-la. Lydia não me responde, apenas abre um de seus inumerados livros e começa a ler. Fico encarando ela a cada passagem de página. Ela pretende ficar aqui?
“Você vai ficar aqui?” Pergunto sem rodeios.
“E porque não?” Ela me responde com outra pergunta, sem tirar os olhos do livro.
“E porque você tem interesse em continuar aqui?” Continuo o roteiro de perguntas.
“Porque...” Lydia enfim fecha o livro, sua cor tremula um pouco com o rosa, mas ela nunca admitiria sentir vergonha com nada. “Aqui é silencioso, calmo, tem um cheiro bom. E eu preciso de um lugar assim para estudar, para as provas finais.” Ela termina de falar e volta sua atenção para o livro, mas sei que ela não está lendo de verdade.
“É para isso que existe a biblioteca do colégio. Sabe, lá é calmo, silencioso, perde apenas para o cheiro. E você dividi o quarto com Allison, tenho certeza que é calmo o suficiente, vendo em conta que ela praticamente passa todos os dias com Scott.” Falo sem prestar atenção se estou sendo rude. Então sua cor começa a se transformar em um leve marrom, e me dou conta que a magoei. Talvez não seja tão ruim assim tela por perto. Balanço a cabeça de um lado para o outro com os meus pensamentos, tentando elimina-los, mas minha boca não obedece minha vontade. “Mas tudo bem se você quiser ficar por aqui, não pode ser tão ruim assim.” E o azul de alguns minutos volta a brilhar. “Apenas não conte para ninguém.” Falo e volto a me concentrar em meu livro.
“Obrigada, não se preocupe, ninguém saberá. Eu só preciso de um lugar silencioso, às vezes cansa bancar a professora.” Lydia fala sorridente e volta a ler seu livro.
Como eu queria que essas palavras tivessem sido verdadeiras. Penso uma semana depois quando volto para o porão, e esta Scott jogado em um canto com Allison deitada sobre suas pernas, os dois concentrados em seus próprios assuntos. Enquanto Lydia e Stiles estão lendo alguns livros. Stiles levanta o nariz e seus olhos me encontram.
“Me desculpa.” Diz Lydia encolhendo os ombros, e Stiles segue em minha direção com fortes cores rosas e lilás.
“É só o Scott e Allison, você já está acostumado com eles.” Fala Stiles, segurando minha mão, e me olhando com aqueles grandes olhos de piedade que ele sabe que eu não posso resistir. Olho em volta, retorço os lábios em desgosto.
“Tudo bem. Mas que permaneça assim, sem mais convidados, entendido?” Falo o mais sério que posso.
“Sim, claro.” Ele responde. Lydia a distância concorda com um aceno e volta a prestar atenção eu seu livro, ela está deitada sobre um carpete que antes ali não tinha. Reviro os olhos para essa visão. E eu pensando que só Stiles era territorial. Stiles aperta mais forte meus dedos quando repara meu olhar.
“Derek.” Ele começa suavemente, mas não o deixo termina. Giro meu corpo para ficar frente a ele, seguro seu queixo entre os dedos, inclino e beijo seus lábios levemente.
“Tudo bem. São apenas mais três pessoas.” Quase sussurro. Não quero parecer mais estranho do que todos pensam, e tomar a atitude de expulsar todos daqui por uma vontade egoísta de ficar sozinho, não mudaria essa imagem. Ele parece satisfeito com isso. Caminhamos para o centro do cômodo, e me sento em meu puff, com Stiles seguindo meus passos e se deixando cair ao meu lado. Paro e observo em volta. Não se preocupe Derek, aqui não vai virar o ponto de encontro para todos conhecidos e mais chegados. Eu espero.
Duas semanas depois eu não poderia estar mais enganado. Caminho lentamente para o porão com mais livros que o de costume, essas provas finais vão me levar a loucura. Não é apenas Lydia que está bancando a professora, e isso é desgastante.
Quando chego mais perto, vários cheiros familiares atingem meu nariz com mais força do que esperado. Paro enfrente a porta, mão estendida sobre a maçaneta, e rezando para todos os deuses existentes que me nariz esteja errado. Quando enfim abro a porta, dou de cara com Stiles na mesma posição. Ele se assusta um pouco quando a porta se abre, e dá alguns passos para trás. Olho por cima de seus ombros, e volto a encarar seus olhos.
“Você só pode estar brincando.” Rosno para ele. Stiles recua um pouco, olho para o lilás em sua volta. Abaixo a cabeça e vejo o verde brilhando em meu próprio corpo.
“Derek, eu posso explicar.” Ele fala se aproximando. E seus olhos brilham em suplica.
“Não. Não faça esse olhar.” Digo apontando para seus olhos. “Comece a explicar, porque Boyd, Erick e Isaac estão aqui. Porque o acordo, começou com uma pessoa, que se transformou em cinco. Explique Stiles, porque estou tendo dificuldade de entender.” Termino de falar colocando o livros nos chão e cruzando os braços.
Ele olha para trás para ver se ninguém escutou. E pelo modo como eles ainda estão conversando sem parar e rindo, nenhum deles nem reparou que acabei de chegar. “Eles também precisam de um lugar para estudar.” Stiles fala mordendo os lábios.
“Ninguém desse colégio nunca ouvi falar da biblioteca.” Não resisto a vontade de revirar os olhos. Stiles não parece se abalar com essas palavras, até porque minha cor verde aos poucos está sumindo. Ele pega minha mão e me puxa para dentro do porão.
“Vamos rabugento.” Ele praticamente me arrasta para dentro. E agora estão todos olhando para mim, com enormes sorrisos.
“Obrigado por nos deixar ficar aqui.” Diz Isaac, se aproximando e me dando tapinhas nas costas. Olho pra Stiles por breves momentos quero estrangula-lo. Ele sorri descaradamente, e se enrosca em meu braço, dando leves beijos em meu ombro.
“Sem problemas.” Falo e me direciono para meu lugar de sempre.
“Ele é incrível não?” Fala Stiles, me seguindo. Solto um suspiro para tais comentários. Allison e Lydia suspiram, como se estivesse passando um filme de romance bobo na tv. Erica concorda com a cabeça, e abraça Boyd. Isaac e Scott trocam olhares, e um sorriso desconfortante.
“Stiles.” Sussurro seu nome. Quando seus olhos me encontram aponto para o meu lado, e ele anda alegremente até se sentar. “Se todos estão aqui para estudar, comecem.” Falo jogando um livro em seu colo. Ele faz um bico de desgosto, mas aceita.
••●
As semanas se passam assim, todos juntos no porão para estudar ou apenas se juntar e conversar. Como todas as coisas que comecei odiando, passe a gostar. Não vou dizer que não sinto falta de ficar aqui apenas com Stiles, ou quando era apenas eu. Mas eles são meus amigos agora, e tenho que aproveitar esse último ano para estarmos juntos.
“Eu não aguento mais.” Diz Scott jogando o livro longe e se levantando. “Isso é desumano.” Ele continua falando.
“Concordo com você bro.” Diz Stiles imitando Scott e jogando o livro longe.
“Isso não é uma rebelião galera. Agora voltem para seus lugares, e pequem os livros.” Diz Lydia com uma cor fraca de verde.
“Deus Lydia, nem todo mundo tem um cérebro ativo como o seu, ou do Derek.” Resmunga Stiles. Ele volta a se sentar ao meu lado. Depois de alguns minutos, sinto o olhar de Stiles em mim.
“O que foi Stiles.” Falo em tom baixo enquanto leio o livro. Ele não responde. Reviro os olhos e me viro para encara-lo. “Diga.” Tendo dar o melhor de meus sorrisos para esses olhos grandes. Sua cor brilha tão forte em azul.
“Minha carta de aceitação chegou ontem. Entrei para Berkley.” Ele fala com um orgulho, que esse mesmo sentimento me atinge. O pego pelas mãos o puxo para mais próximo a mim.
“Isso é ótimo, é tudo que você sempre quis. Estou tão orgulhoso de você. Porque só agora está me dizendo isso. Eu tenho sentido sua vibração alguns dias, mas como eu estava cansado para me concentrar não suspeitei de nada. E...” Eu não termino de falar e começo a beijar todo seu rosto, e por fim seus lábios. Me perco em seus lábios macios por um tempo, até que escuto alguém limpar a garganta.
“Arrumem um lugar privado.” Diz Isaac sorrindo para nós.
“Engraçado você falar isso. Esse lugar privado costumava ser aqui. Antes de todos vocês tomarem posse.” Falo um com tom sério e todos se calam por um minuto olhando para mim, o desconforto cai sobre todos. Sinto Stiles me cutuca levemente na cintura, olho para todos com suas cores marrons tremulas, e sei que falei besteira.
“Derek está apenas brincando. Não é Derek.” Stiles fala, e eu o olho. Com um suspiro fraco, logo vem uma risada que eu espero que convença.
“É claro, eu adoro vocês aqui, e adoro quando vocês trazem algo para comer.” Falo e me levanto, o clima parece voltar ao normal. Ando até uma mesa de canto, olho para todos os pratos com alimentos, mas não pego nenhum fico apenas encarando.
“O que está acontecendo?” Sinto uma mão apertar meu ombro, e um cheiro de menta vem em conjunto. Quando vejo que é Scott, solto mais um suspiro.
“Comigo? Nada.” Respondo tentando ser mais convincente.
“Cara, não é apenas Stiles que consegue te entender. Tudo bem que ele te compreende em um nível totalmente não questionável, mas...” Scott se cala quando levando uma das sobrancelhas para ele. “Tudo bem, o que estou tentando dizer é que, algo está te estressando e te deixando mal, e se você quer seu lugar de volta, entendemos.” Ele para de falar e me olha atentamente. Merda Derek você é uma péssima pessoa mesmo.
“É apenas o stress das provas finais.” Falo com um sorriso fraco nos lábios, sei que não estou enganando ninguém aqui mas por hora parece ser o suficiente. Scott me olha por uns segundos antes de balançar a cabeça concordando, sorrir e voltar para os braços da Allison. Stiles está junto a eles, e quando seus olhos se prendem ao meu, ele sorri amplamente e pisca para mim. Sua cor azul é tão brilhante e incrível, que dói ao olhar. Eu sinto orgulho dele, por conseguir o que tanto queria, mesmo que isso signifique... signifique ficar longe dele, que precise me separar dele.
••●
Volto para meu quarto depois das últimas aulas. Ando de um lado para o outro, batendo a resposta da faculdade em minhas mãos, sem coragem de abrir. “Merda Derek, é só abrir você sabe que conseguiu.” Esse é o problema. Passo a mão sobre os cabelos. Estou enlouquecendo. Olho para o envelope e respiro fundo. Repito esse processo mais vezes que eu posso contar.
Me sento na cama e passo alguns minutos encarando o envelope. Agora que sei que Stiles conseguiu entrar na faculdade, está na hora de encarar os meus resultados. Quando abro o envelope vejo a resposta de que fui aceito na faculdade de Berkley. Um sorriso cresce em meus lábios, e ele apenas aumenta quando sinto o cheiro de Stiles se aproximando. Estaremos juntos após o colégio, ele continuará comigo. Em menos de minutos ele entra em nosso quarto.
“Eu sei Bro, mas quando eu lhe dou esse sinal...” Stiles faz alguns movimentos estranhos com as mãos. “Você tem que ficar preparado para o meu arremesso.” Stiles da mais alguns passos, ele olha bem para mim e depois para o papel em minha mão. “O que é isso?” Ele pergunta já chegando perto e tirando o envelope de meu domínio. Ele sorri levemente enquanto me olha de canto dos olhos, antes de voltar à atenção para o papel. Posso ver seus olhos seguindo as linhas escritas, e seu sorriso aumenta consideravelmente. “Você conseguiu.” Ele grita e se joga sobre mim na cama.
Meu corpo bate no colchão, ao mesmo tempo que meus braços aperta o corpo de Stiles ao meu. “Sim.” Falo enquanto aperto mais firme seu corpo em mim. Seguro sua cintura e me embriago com seu cheiro.
“Vamos estar juntos.” Sua voz sai abafada e baixa, enquanto ele beija meu pescoço.
“Não poderia ser de outro jeito.” Ele sorri mais amplo, e afunda em beijo demorado. Se ele não tivesse tão feliz com fato de estaremos juntos na mesma faculdade, ele teria percebido minha cor tremer.
Em segundos ouvimos alguém limpar a garganta. “Eu vou deixar vocês sozinhos.” Scott sorri sem graça e começa a se retirar do quarto, fechando a porta atrás dele. Stiles nem perde tempo em tentar responder, ele começa a beijar meu pescoço e aperta minha nuca.
“Quer me fazer companhia no banho?” Stiles pergunta com um levantar das sobrancelhas, e um sorriso muito luxurioso. Sua cor brilhando em azul e roxo.
“Claro. Vá na frente.” Ele se arrasta longe de mim, e caminha lentamente para o banheiro. Dou uma última olha para a carta de aceitação de Berckley, e a coloco próxima a carta de aceitação de Columbia. Olho para as duas, e um sorriso triste se forma em meus lábios.
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Stiles suspira pesadamente enquanto estávamos sentados em nossas camas. Ele olha distraindo pela janela com os olhos pedidos. Me levanto e caminho lentamente até ele, Stiles desvia o olhar da janela e me olha, e um leve sorriso aparece em seus lábios. Me sento em seu colo e acaricio seu cabelo.
“No que você está pensando?” Ele percorre os dedos pelas minhas pernas e as aperta, me firmando mais perto de seu corpo.
“Nesse último ano, em nós. Scott.” Ele pôr fim fala, depois volta com seu olhar perdido para janela.
“Scott?” Pergunto, tentando desviar o assunto que tem por trás de ‘nós’. Olho para o armário atrás de mim, onde minha carta de aceitação de Columbia esta escondida.
“Ele e Allison vão estar longe no próximo ano. Scott está com medo de que a distância vá separa-los definitivamente.” Stiles me olha com curiosidade.
“Mas eles se amam acima de tudo. Acho que serão capazes de superar isso.” Minha voz treme um pouco. E caso ele pergunte sobre a cor esta marrom que percorre meu corpo, pode ser a desculpa de também estou chateado por Scott.
“Você acredita mesmo nisso?” Stiles arqueia uma das sobrancelhas, como se tivesse algo a mais por atrás da pergunta.
“Eu... porque isso é importante agora?” Ele sorri triste para mim, suas cores mesclando em leve azul e cinza. “Porque é importante Stiles?” Seguro seu queixo o fazendo olhar para mim.
“Apenas não quero meu amigo triste.” Ele me olha por mais uma vez e sorri. Tento perguntar o que mais tem por trás desse assunto, mas logos Stiles está me beijando com vontade. Ele segura meu rosto com as duas mãos me prendendo firme. Ele suspira entre o beijo e me solta. “Você sabe que eu te amo certo?!” Seus olhos estão brilhando de um jeito diferente.
“Stiles, o que...” Ele não me deixa terminar. E logo está me beijando outra vez, me emburrando levemente até que ele está sobre mim. Suas mãos deslizam em meu peito sobre a camiseta, até que ele já está tirando ela, seus dedos começam a brincar com minha pele e um suspiro escapa. Ele para e me olha por um tempo, procurando por algo. “Eu sei. E eu também te amo.” Ele afunda em eu corpo, beijando meu pescoço e peito. Apertando firme meu braço me mantendo preso a cama.
Ele me encara com intensidade e vontade, mas não prolonga a provocação. Stiles beija meu queixo, e deita sobre meu peito. “Gosto de como seu coração acelera sempre que está perto de mim. Às vezes é tão forte quanto o meu.” Ele pega minhas mãos e as guia até o meu peito e de seu próprio, fechando os olhos e sorrindo. “Por um tempo eu pensava que os batimentos pertenciam somente a mim, por serem tão fortes.” Ele fala e recosta sua cabeça em meu ombro.
“Meu coração sempre bateu forte por você Stiles. E mesmo não prestando atenção, eu sei que o momento em que ele se acelerou pela primeira vez, foi quando eu senti seu cheiro atravessar dessas paredes no seu primeiro dia no colégio.” Posso sentir um suspiro leve e seu sorriso se formando. Beijo o topo de seu cabeça e acaricio seu cabelo. Pegamos no sono minutos depois.
••●
Com a correria das provas finais e Stiles com os jogos de lacrosse. Temos nos visto apenas no horário de dormir ou quando estamos no porão estudando. E hoje eu já estou no porão quando Stiles, Isaac, Boyd e Scott passam pela porta. Com suas expressões de derrota em cansaço e suas cores tremulas em melancolia.
“Hoje foi horrível.” Stiles deixa escapar.
“Parecia que eu tinha pedras presas aos pés.” Scott complementa
“Eu não consigo dar mais nenhum passo.” Isaac suspira e cai no tapete dramaticamente. Boyd não diz nada, apensa se joga em um puff e por ali fica.
Stiles me olha como um cãozinho abandonado. “Senti sua falta.” Ele fala. E logo deita a cabeça em meu ombro.
“Foram apenas três horas de distância.” Falo brincando. Até porque também já estava sentindo sua distância desconfortável. “Senti sua falta também.” E ele sorri.
Hoje não tem estudo, estamos apenas passando o tempo conversando sobre tudo e todos. Cada um contando histórias de quando se conheceram, histórias engraçadas de pessoas que nunca ouvi falar, mas isso não me impede de rir.
Até que... “Todos estão indo embora.” Scott fala em algum momento, tomando toda atenção para ele. “Logo estaremos todos distantes.” Ele conclui. Seu olhar se perde em Allison. Chego mais perto de Stiles e segura sua mão, feliz que os anos seguintes ainda estaremos juntos. Stiles faz o mesmo. Mas não olha para mim, fica apenas encarando nossas mãos unidas, me acariciando com o polegar.
“Allison e Isaac vão para Paris...” Lydia fala e segura a mão de sua melhor amiga.
“Stiles vai para Inglaterra.” Scott deixa escapar. Ele ainda está olhando para Allison. E então ele só percebe que falou algo errado quando os olhos grandes de Allison em surpresa lhe chama atenção. Ele olha em volta e vê que estão todos olhando para ele com a mesma expressão.
“Como? Não, Stiles vai para Berkley. Aqui na Califórnia.” Falo olhando diretamente para Scott, e depois volto o olhar para Stiles. “Não é?” A cor de Stiles treme e ele sorri para mim.
“É claro, Scott não sabe o que fala.” Ele diz e encara Scott com raiva. Suas cores brilhando em verde e lilás, e tremem violentamente. “Eu ficarei aqui com você.” Ele sorri para mim, mas sua cor não mente, ele está me escondendo algo.
“Sim, isso mesmo, ele ficará aqui com você. Isso de Inglaterra foi besteira, Stiles já recusou a bolsa para Oxford.” Scott tenta melhorar a situação.
“Você o que?” Falo com mais raiva do que pensei.
“Merda. Eu vou me cala agora.” Scott diz e abaixa a cabeça, seu tom de cores fluindo em rosa forte.
“É melhor mesmo. Derek...” Ele começa mais logo o interrompo. Me levanto e sigo para os dormitórios, ignorando seus chamados atrás de mim. Porém Stiles não me segue, não de imediato. Somente a noite que nos vemos novamente.
“Der, podemos conversar.” Ele chega mais perto de mim na cama e se senta ao meu lado.
“Eu não sei, você vai esconder mais alguma coisa?” Falo se nem mesmo olhar para ele. Sinto seu corpo tremer perto de mim, e tudo que eu quero e me virar abraça-lo. Stiles fica em silencio por tempo demais. “Aquela conversa, não tinha nada a ver com Scott e Allison. É porque você vai embora.” Por fim me levanto.
“Não.” Ele diz com toda honestidade
“Porque não? Oxford é ótima, e você conseguiu uma bolsa. Porque não aceitaria.” Eu olho esperando respostas.
“Porque é longe de você.” É tudo que ele fala.
“Você recusou uma chance dessas, de um futuro como esses, por mim?” Pensando bem, eu faria o mesmo. Eu estou fazendo o mesmo.
“Meu futuro é com você.” Ele segura meu rosto e sorri para mim. “E não vamos mais falar sobe isso, tudo bem?” E assim eu faço, não toco no assunto, não falo mais sobre ele ir embora. Não até que o seu telefone está tocando sobre a cama, duas semanas mais tarde.
“Stiles, seu pai está te ligando.” Falo pela segunda vez, deixando meu violino de lado e apenas observando com atenção em que momento ele vai resolver me escutar e atender o telefone.
“Sabe, é apenas deslizar esse círculo verde para direita que você atende, não é tão difícil Der.” Ele grita do banheiro.
“Folgado.” Eu grito de volta antes de atender o telefone. “Alô, senhor Stilinski.” Me sento na cama.
“Você é um caso perdido Derek, já falei que é John.” Ele responde, e posso ouvir seu sorriso do outro lado da linha.
“Desculpe, senhor John.” Outro sorriso. “Stiles está tomando banho, eu posso falar para ele te ligar depois.” Olho para trás para certificar se Stiles não está prestes a sair, e pela forma como ele está cantando, tenho certeza de que ainda vai demorar.
“Na verdade, é bom que tenha sido você a atender o telefone.” Ele diz um pouco baixo. “Eu preciso que você converse com ele, sobre essa oportunidade que ele está perdendo. Eu preferia mil vezes meu filho aqui perto de mim do que longe, e eu sei que é golpe baixo te usar para isso, porque também sei que você preferia ele aqui do que na Inglaterra.” Até aquele momento eu já até tinha esquecido sobre a bolsa de estudos de Stiles. Achei que já fazia parte de um passado intocável. “Olha ele sempre quis ir para essa faculdade, foi onde a mãe dele se formou, lá tem ótimo professores que são como vocês e que ajudou muito a Claudia.” Mais alguns segundos de silencio. “Eu só quero o melhor para Stiles, e eu sei que você também quer. Então por favor tente convence-lo.” Ele fala, e o silencio se prolonga, então percebo que não dei nenhuma resposta para ele.
“Sim claro, eu farei que for possível.” Depois disso não presto muita atenção no que ele fala, sei que pode ser algo importante ou não, mas minhas respostas são automáticas e rápidas. Logo estou desligando o telefone, e Stiles vem me abraçar, com o corpo ainda quente e um leve cheiro de banana no ar.
“O que meu pai queria?” Ele pergunta, enquanto caminha para o meio do quarto.
“Só saber se você precisa de alguma coisa.” Falo e sinto que isso não é uma mentira, talvez John tenho perguntando isso para mim em meu momento de meu devaneio, e meu subconsciente lhe deu alguma resposta. Porque minha cor não treme e nem falha, e Stiles da de ombro enquanto se veste.
Eu não falo com ele sobre a faculdade. Sei é egoísmo, mas ele é meu, me pertence. Não quero que ele se vá. Mas também, não posso prendê-lo a mim para sempre.
Depois da conversa com John eu começo a me recordar de alguns momentos. Deus como eu fui tão cego, Stiles sempre quis ir para Oxford, por muito momento ele sempre disse que era o sonho dele. Mas depois algum momento ele parou de falar sobre isso, de desejar isso. Depois que nós começamos a namorar. Merda Derek. Stiles tem que ter o melhor. E é por isso que uma semana depois eu mudo meus pensamentos.
“Qual o motivo de você estar indo para Berkley?” Pergunto em algum momento que estamos sozinhos no porão. Um raro momento hoje em dia.
“É perto de meu pai, é perto de você.” Não a falhas em sua resposta.
“Apenas por isso?” Não resisto a pergunta.
“Como assim apenas?” Ele larga o psp no chão e então tenho toda atenção dele.
“E os estudos, seu futuro. Você não se importa?” Ele solta um pouco o ar e volta pegar o jogo abandonado.
“Já conversamos sobe meu futuro Derek.” E isso me irrita mais do que deveria. Me levanto e vou em sua direção. Tirando o jogo de sua mão e recebendo um grito em protesto.
“Se eu não existisse em sua vida?” Ele parece em choque com a pergunta.
“Mas você existe. Lindo e perfeito bem aqui na minha frente.” Ele toca meu rosto e sorri. Mas o verde ainda está em sua volta.
“Mas e se não?” Seguro sua mão, retirando de meu rosto e ele me olha com tristeza.
“Isso não é uma possibilidade. Por favor, esqueça essa história. Eu não vou embora, eu não vou lhe deixar apenas por uma bolsa de estudos.” Então percebo na besteira que ele acaba de falar.
Depois desse dia tudo se transforma. Nós brigamos com mas frequência. Ele teimoso como sempre, e eu mais. Não entramos em acordo nunca no que conversamos, estamos sempre gritando um com outro, com pessoas por perto ou não.
Tem dias que usamos nossas ancoras, porque não aguentamos olhar para cor um do outro, elas não são mais coloridas e cintilante, é tudo tão opaco e triste. E tem os dias que eu estou sempre fugindo para algum lugar. Mas tem os dias que ainda nós olhamos nos olhos e vemos que nada que acontece entre a gente vai nos separar, ou quebrar o que sentimos. Ainda nos amamos, ainda queremos um ao outro, sempre. Mas eu ainda quero o melhor para ele, eu ainda o quero bem e feliz. Mesmo que a felicidade dele seja longe de mim.
••●
Estou deitado sobre o tapete que Lydia trouxe, é como deitar em uma nuvem. Sinto a macies e leveza abaixo de minhas costas. Abro os braços e as balanço para cima e para baixo, como se estivesse fazendo um anjo na neve. Esse pensamento me causa um ataque de risos. Não sei se o tapete que foi forjado pelos deuses, ou é o efeito dos cogumelos que acabei de comer. Escuto uma outra risada alta do meu lado, levanto a cabeça e vejo Isaac deitado próximo a mim, e seu cheiro se torna forte de mas, por um momento eu havia esquecido de sua existência. Mas agora que tomei a consciência de sua companhia bem ao meu lado, seu cheiro de canela invade todos o espaço, mas não dura muito tempo.
Quando respiro fundo, sinto o cheiro de Stiles se aproxima rápido. Me levanto com dificuldade e caminho até as escadas.
“Onde você vai?” Pergunta Lydia.
“Stiles estar chegando.” Sem tirar os olhos da porta eu respondo. E no mesmo momento Stiles atravessa a porta correndo. Ele corre as escadas e se joga em meus braços, o seguro firme em meu braço e o giro. Levo meu nariz em seu pescoço e respiro fundo, deixando o cheiro perfeito de Stiles me envolver.
“Sabia que eu poderia correr o mais rápido que fosse, você estaria aqui para me pegar aos seus braços.” Ele sorri amplamente, e eu fico um pouco confuso. “Só queria saber o quão forte seus poderes são para perceber quando estou chegando.” Dou uma risada leve, enterro meu rosto na curvatura de seu pescoço. “Você está chapado.” Afirma Stiles, e sua cor é estranha aos meus olhos. Balanço a cabeça concordando. Ele sorri, e beija minha bochecha. Segurando meu rosto por alguns segundos, me olhando com tanta intensidade que posso sentir quando minhas cores começam a mudar para vermelho.
Caminhamos para o meio do porão, quando Scott e Allison aparecem, com os dedos entrelaçados. Desde que Allison aceitou o fato de que ela realmente terá que ir para Paris, os dois são mais inseparáveis, se isso fosse possível. Scott diariamente fica com o olhar perdido de triste, suas cores cada dia mais fracos pela ausência futura de sua namorada, e Allison combina com ele nas cores.
Dói vê-los assim, e dói quando paro para pensar sobre isso, e percebo que estarei enfrentando o mesmo, que em algum momento eu e Stiles não estaremos mais juntos, que ele estará tão distante de mim, que logo serei apenas uma lembrança vaga do que um dia fui em sua vida. Ao pensar nisso o verde e cinza percorrem meu corpo. E ignoro os olhares de Stiles para mim.
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“É nosso último ano, eu pensei que você estaria mais feliz, animado por sair daqui. Mas por alguma razão você está mais ranzinza que do que nunca.” Stiles começa a ficar sério e me encara. Em algum momento, em ignorar os olhares de Stiles, e não querer falar sobre o motivo por trás das minhas cores. No meio da tarde de uma quinta feira, Stiles e eu começamos a brigar. “O que está acontecendo?” Ele se aproxima.
“Eu não sei do que você está falando.” Não olho para ele. Continuo encarando a cama do outro lado do quarto.
Stiles solta um suspiro pesado. “Uma dica, quando for mentir para mim use sua ancora. Fica mais fácil para esconder suas cores tremulas.” Stiles suspira. “Suas cores tem falhado a dias. Eu apenas deixei pra lá, esperando que você fosse sincero comigo. Sincero pelo motivo por trás de tudo isso.” Ele termina de falar e fica me olhando esperando alguma resposta, e quando não falo nada, ele balança a cabeça em decepção. Stiles passa as duas mãos pelo cabelo e começa a andar de um lado para o outro.
“Eu só precisava ficar um tempo sozinho.” Falo repousando a mão na nuca.
“É sempre isso, você sempre precisa ficar sozinho. Eu achei que já tínhamos passado dessa fase. Eu pensei que você tinha mudado, se adaptado. Mas você se fechou, e se distanciou. Você nunca vai mudar.” Stiles joga as mãos para o alto, e balança elas de um lado para o outro, fica difícil de saber o que mais predomina o verde ou marrom que brilha em seu corpo.
“Não Stiles, eu nunca vou mudar, eu sou assim, você me conheceu assim. O esquisito da escola, o excluído, o recluso. E eu estava bem sendo desse jeito, mas ai você apareceu e me fez acreditar que tudo bem eu ser eu mesmo, porque você me amaria de qualquer forma.” Paro de falar e dou uns passos para trás. Parecendo que a distância entre nós dois ainda não é o suficiente.
Stiles parece ser atingido pelas palavras. Ele abre e fecha a boca se preparando para dizer algo, porém nada sai. “Mas eu te...” Ele se cala quando Scott entra no quarto sem nenhum aviso prévio. Suspiro pesado e dou as costas para os dois.
“Stiles estamos atrasados. Vamos.” Ele fala, mas não faz nenhum movimento para se retirar. Fica apenas ali parado olhando para nos dois como se nada tivesse acontecendo. Stiles suspira, eu suspiro, Scott nos olha. Olha mais uma vez. E então. “Eu atrapalhei alguma coisa não foi?” Por fim ele parece perceber. “Eu vou te esperar no corredor.” É tudo que Scott fala, antes de sair pela porta com um leve tom de rosa.
“Derek...” Stiles começa.
“É melhor você ir. Vai chegar atrasado ao treino.” Começo a caminha para o banheiro. E escuto meu nome outra vez, e reúno toda coragem que tenho para sorri e encarar Stiles. “Está tudo bem. Estamos bem. Conversamos quando você voltar.” Dou um pequeno passo em sua direção e lhe dou um beijo seco em sua bochecha. E faço meu caminho para o banheiro.
Se passa alguns segundos demorados antes que eu posso escutar a porta do quarto sendo fechada e Stiles sair.
Eu saio assim que sinto seu cheiro longe o suficiente, olho para nosso quarto e sua bagunça. Sorrindo para tudo que vivemos aqui, e chorando para tudo que não viveremos mais. Pego minha ancora e a coloco. Guardo alguns pertences em minha mochila e espero por Stiles voltar. Mal me movimento na cama enquanto ele não vem.
“Derek?” Ele entra e acende a luz. “Porque você está no escuro?” Ele se aproxima de mim, fazendo uma pausa quando não vê minhas cores, porém não fala nada apenas volta a andar. Ele abre a fecha a boca algumas vezes antes de falar algo.
“Acho melhor a gente terminar com isso logo.” Eu começo a falar antes de perder a coragem. Ele balança a cabeça.
“Não gosto de brigar com você.” Ele volta a caminhar em minha direção. “Eu quero ficar bem.” Stiles pega minha mão, mas me esquivo.
“Eu não estou falando da briga. Eu falo de nós.” Minha garganta fecha, e meus olhos ardem.
“O que?” É tudo que sai de seus lábios depois de um tempo.
“Acabou Stiles. Foi bom, ótimo. Mas se desgastou, essas brigas, discussão, estão me trazendo um desconforto que eu não queria para minha vida. Eu sou melhor sozinho, e você é melhor sem mim.” Começo a caminha direção porta mas sua mão segura meu pulso.
“Você só pode estar brincando. Não se atreva a dizer o que é melhor para mim ou não. Somente a mim cabe esse direito.” Seu aperto em meu pulso se intensifica.
“Stiles pense em tudo que passamos, acha mesmo que isso ia durar. Eu sou uma pedra que você não precisa mais carregar. Eu não preciso me preocupar constantemente se algo que eu falo ou faça venha a te magoar ou envergonhar.” Retiro minha mão de seu aperto.
“Derek não faça isso. Eu amo você, e você me ama.” Seus olhos brilham em dor, e me dói ainda mais ver sua cor.
“Somos apenas adolescentes Stiles, o que entendemos sobre o amor. Precisamos seguir caminhos diferentes.” Dói mentir, dói deixa-lo. “Sua cor vermelha que brilha por mim, um dia vai brilhar por outro, e eu serei apenas uma cor opaca de seu passado.
“Tire seu ancora e fale isso pra mim, diga que não me ama e nem me quer em sua vida.” Ele grita. Já estou na porta a essa altura. “Faça isso Derek.” Olha pra ele e para o quarto.
“É por isso que eu nuca gostei de um companheiro de quarto.” Falo e saiu pelos corredores, deixando Stiles para trás. Indo direto para diretoria. Não ligo se estou chamando a atenção de alguns alunos enquanto ando, e se choro sem parar. Meu peito dói e se desmancha. Meus olhos ardem sempre que limpo as lagrimas.
Não precisa nem de uma frase completa minha para Peter estar ligando para meus pais virem me buscar. Mas quando o carro chega é Laura dirigindo. E pela primeira vez, ela não tem um sorriso, ela não me provoca, ela apenas beija o topo da minha cabeça e dirige em silencio.
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Fico por três dias apenas em meu quarto, não falo com ninguém, não vejo ninguém, se não fosse por minha mãe ou meu pai trazer comida para mim, provavelmente não estaria me alimentando também. Eu sei, eu sei, pode ser exagero, poder ser de mais, mas meu animo se foi, minha vontade então nem se fala. Tudo que eu sinto vem em dobro, a tristeza de Stiles é a minha, e a minha é dele. Então sim, estou miserável, triste e acabado. E não facilita quando tudo que eu olho me faz lembrar dele.
No quarto dia me deito próximo a piscina, olho para meu jardim e posso sentir de leve o cheiro de rosas a distância. Talvez essa não tenha sido a melhor escolha. Estava mais seguro em meu quarto, mesmo com lembras dolorosas de braços fantasmas em meu corpo. Então quando penso em voltar para casa, dou de cara com Laura e Cora me encarando e de braços cruzando. Tento me esquivar delas mas a duas não me dão oportunidade. Logo elas estão me emburrando para sentar outra vez.
“Vamos conversar maninho.” Laura diz com cautela, sua cor está fraca, mas não triste. Cora balança a cabeça concordando, porém não sei ao certo com ela sente. Não depois de Stiles ter gastado dois finais de semana para ensina-la a esconder suas cores. Olho para seu dedo indicador e vejo o anel que pertencia a nossa avó, que agora é a âncora de Cora.
“Não temos nada para conversar. Eu quero apenas dormir.” Não dou nem dois passos antes que Cora está me puxando outra vez.
“Quando vai voltar para escolar? Tio Peter não para de ligar.” Cora logo pergunta.
“Não se preocupe com isso.” Desisti de tentar fugir delas, se elas querem respostas, darei. Mesmo que eu tenha que ser o Derek de sempre.
“Stiles também ligou. Quando vai responde-lo.” Tudo bem, essa não é uma pergunta que eu queira responder.
“Ele está sofrendo Derek, e você também.” Laura diz.
“Ele vai superar isso, acredite.” Não entendo o porquê de não acreditar em minhas palavras.
“E quanto a você Derek.” Cora diz e aperta minha mão.
“Vocês precisam conversar. Essa não vai ser a última briga que vai acontecer entre vocês.” Laura me olha com expectativa e sua cor treme com amarelo.
“Seja lá que aconteceu. Stiles vai te perdurar.” Cora sorri com um leve deboche.
“O que te faz pensar que a culpa foi minha.” Saio de minha posição confortável e encaro as duas.
“Stiles sabe o quanto o amor de vocês é importante. Ele nunca terminaria com você. Sabe que seria inútil.” Cada palavra que sai da boca de Laura me assusta. Ela as fala com tanta calma e seriedade.
“Do que você está falando.” Por fim pergunto. Cora e Laura se olham.
“Você realmente não sabe?” Laura pergunta. Apenas dou um leve aceno que não com a cabeça.
“Eu não acredito. Ele é inacreditável.” Diz Cora
“Eu?” Pergunto já totalmente perdido.
“Não, Stiles.” Ela afirma.
“Da pra alguém me explicar do que vocês estão falando.” Me levando já perdendo paciência. Que na verdade não existia até agora.
“Der, maninho. Vamos voltar a alguns anos atrás, quando nossos pais nos contava as histórias de como eles se conheceram, de como sabiam que eram feitos um para o outro através do cheiro”. Laura me olha com expectativa agora.
“Eu não me lembro dessas histórias.” Por fim falo.
“É claro que não, estava preocupado demais com as inúmeras poções, e ervas, para se preocupar com amor.” Cora diz enquanto cruza os braços sobre o peito.
“Isso era mais importante para mim na época. E o que as histórias dos nossos pais tem a ver comigo e Stiles.” Assim que termino de falar, sinto que foi a coisa mais estupidas que eu já disse.
“Lembra quando você me disse sobre o cheiro do Stiles, a primeira vez. Que era um tormento para você?” Laura sorri.
“Sim, ele tem cheiro de doce, ácido, amargo.” Olho para minhas irmãs e uma leve cor laranja se encontra por todos seus corpos.
“E você tem que se lembrar o que isso significar. Eu sei que essa informação está bem ai dentro.” Laura sorri e seus olhos brilham em expectativa.
Continuo encarado ela, até que um flash de várias histórias de meus pais me vem à cabeça. Me lembro de meu pai acariciando o rosto pequeno de Cora, de minha mãe trançando os longos cabelos negros de Laura, e um eu pequeno com vários livros que mal sabia ler no colo. Palavras de minha mãe sobre como ela enlouqueceu ao sentir o cheiro de meu pai pela primeira, de que ela pensou que de alguma forma seus poderes estivesse fora de sincronia. Assim como eu me senti no primeiro dia de aula. E tudo começa a fazer sentido.
“Que cheiro Stiles tem pra vocês?” Recebo um grande sorriso das duas em resposta.
“Chocolate.” A duas falam ao mesmo tempo. Meus olhos se ampliam, sinto meu corpo tremer, e minha respiração começa acelerar.
“Stiles é minha alma gêmea?” Eu nem sei porque ao certo fiz essa pergunta, era obvio a resposta. “Porque nunca me disseram?” Por fim falo depois do que se parece uma eternidade calado.
“Quem tinha que lhe contar era Stiles. Então agora você entende porque não importa o quanto vocês briguem, sempre vão voltar para os braços do outro.” Um leve tão de ouro velho brilha em sua volta. Arqueio umas das sobrancelhas, e o rosa começa a percorrer seu corpo. “Der, as pessoas levam a vida toda para encontrar alguém que as ame incondicionalmente. E você maninho, o encontrou. Então é de causa um pouco de ciúmes e inveja.” Laura sorri para mim e se levanta. “Sei que precisa processar toda essa informação, mas não demore para ir atrás dele.” É tudo que ela diz antes de voltar para casa. Cora está me olhando ainda quando volto minha atenção para ela.
“Eu sei, eu sei. Sou um idiota, deveria prestar atenção nos detalhas, eu já entendi. E pensando melhor agora tudo faz realmente mais sentido.” Meu coração começa a bater tão forte que é como se fosse dois.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!“Ligue para ele.” É tudo que a Cora fala quando a cor vermelha se ilumina em minha volta. Então ela segue a caminho de Laura.
Eu não ligo de imediato, fico na varanda de casa por mais tempo que eu possa contar, olho para piscina e tudo volta com muita força, a sensação de estar com Stiles, e de não estar com ele, e eu não gosto desse sentimento de perda e dor. Eu não posso mais ficar longe dele, da sensação de se sentir completo quando Stiles me beija.
Quando por fim me levanto para tomar uma atitude já passa das 3:00 da manhã. Minha mente não parou de funcionar em nenhum momento. Minha preocupação de estar longe dele nos próximos anos, parece besteira agora. O medo de que ele poderia me esquecer por completo, é estupido tenho vontade de me bater. Preciso ligar para ele, ou melhor voltar para o colégio e resolver tudo isso.
No próximo dia já estou me preparando para sair quando sinto meu coração acelerar, levo a mão ao peito eu fecho os olhos, inclino a cabeça e respiro fundo, posso sentir o cheiro de Stiles se aproximar. Pela primeira vez em dias eu dou um sorriso verdadeiro. Não perco mais tempo e saio correndo, não demoro e já estou nas escadas da entrada de casa. De repente algo azul se torna visível, é velho e barulhento, dentro dele consigo ver o Stiles. Seu olhar é triste, e um leve tom de cinza. Eu sou um idiota.
Stiles estaciona à frente de casa, e agora posso ver melhor o jeep mal tratado que ele dirige, arqueio umas das sobrancelhas, mas deixo pra lá. Tenho assuntos mais importantes para tratar agora do que o carro ‘novo’ de Stiles. Dou alguns passos em sua direção e ele sai do jeep com cabeça baixa e sem jeito. Respiro fundo e caminho rápido em sua direção, seguro seu rosto entre minhas duas mãos e lhe beijo antes mesmo de dar tempo para Stiles se assustar com o meu movimento. Ele se entrega por completo e me beija com vontade e saudade. Deslizo minha mão e sua cintura e seguro firme seu corpo ao meu, ele envolve seus braços em meu pescoço e se afunda mais no beijo.
“Eu senti sua falta.” Me distancio do beijo apenas para dizer essas palavras, e volta a aproveitar da macieis dos lábios de Stiles.
“Deus eu também, senti muita, muita mesmo.” Ele sussurra entre o beijo. E descansa sua testa a minha. Depois me olha com tristeza e se afasta um pouco.
“Stiles me desculpe, eu não sabia...” É tudo que eu falo, e ele me olha um tanto confuso. “Precisamos conversar, podemos ir para outro lugar?” Pergunto quando percebo que tem uma pequena plateia na sacada de casa, apenas para nos assistir. Ele balança a cabeça concordando e começa a caminhar para dentro do jeep, quando ele entra e já vai ligar o motor eu ainda estou parado olhando para ele.
“Não vai entrar.” Ele pergunta, destravando a porta pelo lado de dentro.
“Nisso e com você dirigindo.” Falo sem perceber.
“Eiiii, respeito meu baby, e eu sou um ótimo motorista.” Ele sorri com confiança. Como senti falta desse sorriso.
Já estamos andando a cinco minutos e nenhum falou nada, estamos indo cada vez mais distante de casa, mais para dentro da floresta. “Afinal de quem você ganhou isso.” Pergunto enquanto olho para todo veículo. Ele me olha nenhum pouco feliz, um leve verde se torna presente. “Desculpe.” Falo vergonhosamente.
“Meu pai achou melhor eu ter meu próprio veículo depois de terminar a colégio. Ele tem guardado a anos apenas esperando eu ter idade e me presentear.” Stiles brilha tão azul quanto a cor de seu carro. “Mas não é por causa de meu carro que precisamos conversar.” Ele desliga o motor e olha para frente.
Eu penso e penso, tudo que vem e minha mente é pedir desculpas por tudo que foi dito naquele dormitório. Então escolho começar com o que minha mente ficou ocupada na última noite. “Stiles, eu não vou para Berkley, eu vou para Nova York. Eu sinto muito ter demorado tanto tempo para falar que eu tinha sido aceito em outra faculdade, eu queria ter dito assim que fiquei sabendo. Sabe sempre foi meu sonho fazer faculdade Columbia, e quando eu consegui, eu não sabia se ficava feliz ou triste. Mas quando Berkley me aceitou, foi como se o mundo estivesse me dando uma chance para nunca sair de perto de você. Eu não queria te deixar aqui, e que você pensasse que estava te abandonado. Então você foi aceito em Oxford e tudo parou de fazer sentido.” Respiro fundo e olho para o lado, Stiles está me olhando um pouco assustado, mas a um leve sorriso em seu rosto.
“Eu vi sua carta de aceitação Derek. Depois que você foi embora, está louco para saber o verdadeiro motivo. Revirei nosso quarto, e encontrei.” Stiles se mecha um pouco no banco, e vira todo o corpo para mim.
“Você estava mexendo nas minhas coisas?” É a primeira coisa que pergunto. Stiles faz uma cara engraçada. “Você sempre está mexendo nas minhas coisas, certo.” E não posso conter o sorriso, e um pouco de alivio. “Você não está raiva porque?” Enfim pergunto.
“Porque eu vou para Oxford.” Sua mão atinge a minha. “Porque precisamos estar juntos, mas precisamos viver nossas vida. Eu tive um momento para pensar sobre isso, acho que assim como você.” Suas palavras saem em um sussurro. “Você é minha vida, e eu preciso te deixar respirar.” Ele abaixa a cabeça e aperto mais firme sua mão.
“Eu não queria ficar tanto tempo longe de você, não queria correr o risco de você me esquecer aos poucos, então fiz a burrice de te cortar de vez do meu mundo.” Entrelaço nossos dedos.
“Derek, ainda vamos nos ver. Logico que vou sentir sua falta, e que eu preferir te ver todos os dias, e estar mais perto de você, mas não é isso que vai no separar. Você não tem que se preocupar. Porque...” Ele para de falar. Stiles abre a boca para continuar, mas e tomo a frente.
“Porque somos almas gêmeas.” Fala com o maior sorriso que posso dar. Stiles me olha um pouco assustado. “É eu descobri, um pouco tarde. Mas agora tudo faz mais sentido.” Ele sorri aliviado. “Eu só não entendo porque você nunca me disse nada.”
“Eu tive medo.” Ele sussurra. Pego o queixo de Stiles e inclino para beijá-lo suavemente. Quando nossos olhos se encontram novamente, ele parece meio tremulo. “Isso não te assusta?” Não entendo a pergunta. “Eu para sempre estarei ao seu lado, sempre será apenas eu em seu caminho. Não importa se vamos brigar ou não, eu sempre vou voltar para sua vida.” Seus olhos nunca perdendo o foco de meu rosto.
Faço uma cara questionável, levando os dedos ao queixo. “Pensando por esse lado.” Finjo questionar. E recebo um soco no braço em resposta.
“Seu idiota.” Diz Stiles enquanto me dá outro soco.
Seguro seu pulso quando ele se prepara para me dar o terceiro, e levo sua mão ao meu rosto, e faço o mesmo acariciando sua bochecha. “Eu nunca me sentiria assustado por ter você para sempre em minha vida. Como eu poderia você é o que me fez enxergar as verdadeiras cores. E eu te amo além do que simples palavras. E sempre será assim. E quando me assustei, foi por imaginar uma vida em que você não fazia parte dela.” Os lábios de Stiles se contraem em um sorriso maravilho. Seu jeep já não se vê azul, são apenas explosões de vermelhas.
“Desculpa não ser sincero com você, não ter dito sobre o que éramos. Mas no fundo eu sempre achei que você soubesse, bem no fundo. Eu te amo desde momento em que senti seu cheiro, eu tive meu momento para surtar e realmente ver que eu tinha encontrado meu complemento eterno, mesmo que ele estava escondido atrás de tanto verde.” Ele faz uma pausa e acaricia meu rosto. “Verde que eu tanto amo.” Stiles me dá um leve beijo nos lábios e aconchega na curvatura de meu pescoço.
“Vamos ficar bem, longe ou perto, sempre estaremos juntos. Minha cor nunca vai ser outra quando eu tiver pensando em você, ela sempre te pertencerá. Seguro seu queixo para me olhar. “E sua sempre será a minha. Mesmo que tenha sido a falta dela que nos uniu.” Stiles sorri antes de me beijar.
Com o tempo tudo voltou ao normal. Não nos separamos para mais nada, estamos aproveitando todos os dias que podemos mais unidos e felizes, deixando de lado que daqui algumas semanas iremos nos separar.
O último dia do colégio chega, a colação de grau e o baile de formatura. Tenho que admitir foi tudo perfeito, colorido, feliz e triste. Dançamos todas as músicas, Stiles é ótimo dançarino e eu sou aquele desastre esperado. Mas sempre que eu pisava em seu pé ele apenas sorri e olhava apaixonadamente. Allison e Scott foram o rei e a rainha do baile, quem diria. E eles estavam realmente felizes. Mesmo não podendo sentir seus cheiros e identificar que são almas gêmeas, eu tenho certeza de são, e que para sempre estarão juntos.
Os dias se passam mais rápido que esperado. Estou na casa de Stiles, olhando pela janela e esperando para poder levá-lo ao aeroporto. Seu pai já está na Inglaterra ajustando as últimas pendencias na universidade e dormitórios. Não está sendo fácil, não mesmo, para ninguém.
“Então, qual você prefere?” Ele pergunta quando entra em seu quarto com duas camisetas, uma preta com estampa do Batman, e outra cinza com estampa de Star Wars.
“Não vou ficar entre seus dois amores.” Dou uma última olhada e volto a deitar na cama.
“Der, preciso de sua ajuda.” Ele choraminga enquanto se joga sobre mim na cama.
“Star Wars.” Por fim respondo.
“Tem certeza? Acho que meu humor hoje está mais investigativo, vou usar do Batman.” Reviro os olhos e o impeço de sair de meu aperto.
“Você sempre faz isso.” Fala fingindo uma raiva.
“E ainda assim você me dá sua opinião.” Ele começa a beijar meu pescoço, e logo está mordendo minha orelha. Um gemido falho se solta, e eu aperto sua bunda firme ao meu corpo. “Já estou com saudades, porque você não pode ir comigo, ficar alguns dias e depois voltar com o meu pai.” Seus olhos brilham em suplica.
“Já conversamos sobre isso Stiles, minhas aulas começam primeiro que as suas.” Aperto sua cintura com firmeza.
“Mas vou me sentir tão sozinho.” Ele choraminga eu me pescoço.
“Seu pai está lá, e...” Não termino de falar e Stiles começa a se esfregar em mim, e a gemer em meu ouvido quando agarro seu cabelo com força. Ele começa a desabotoar minha calça e não perde tempo em tirar tudo com delicadeza. Stiles puxa com forma minha roupa fora, e antes que eu possa estar tirando minha camiseta, ela já está nu sobre mim.
Ele vasculha sua mesa de canto procurando o lubrificante, e paro bem atrás dele. Começo a beijar suas costas, até a curvatura de sua bunda. Ele empina mais para mim, e loco estou com a língua em sua entrada. Stiles por um momento esquece o que estava procurando, gemendo mais alto e com força. Faça movimento de vai e vem com a língua, e vejo quando Stiles se agarra aos lençóis da cama.
“Merda Derek.” Ele meio geme, meio lamenta. Me afasto um pouco, e o troco de posição para ficar abaixo de mim. Vou até a sua mesa de canto e encontro o que precisava. Ele sorri e tudo se ilumina em roxo. Seu cheiro fica mais forte e minha ereção endurece mais.
Despejo um pouco em dois dedos e não demoro para introduzir na entrada de Stiles. No primeiro contato ele arqueia as costas e suspira alto. Seus lábios rosados entre abertos me fazem querer mais estar entro dele. E é isso que eu faço, guio meu pênis para entrada de Stiles sem anunciar, os olhos que estavam fechados agora estão bem abertos me encarando. Fico parado apenas olhando ele nos olhos, até que eu possa começar a me mover.
Stiles cruza as duas pernas e minha cintura, segura minha nuca com firmeza, e começa a se mexer, não tirando os olhos dos meus. Logo eu estou me movendo com mais força e rapidez. Beijo os lábios de Stiles quando nossos gemidos ficam alto demais.
Não demora muito pra eu começar a sentir o orgasmo percorrer meu corpo, e atingir o de Stiles. Minha pele treme quando derramo tudo dentro de Stiles e ele goza entre nossos corpos, sem ao menos ter sido tocado.
Permaneço ainda dentro dele, sobre ele, junto a ele. Descanso minha testa na dele, e antes que eu perceba uma lagrima desliza, e está caindo no rosto de Stiles. O olho um pouco assusto, mas ele está olhando para mim também cheio de lagrimas em seus olhos, um sorriso triste e uma promessa não dita de que essa não foi nossa última vez. Beijo o topo de seu nariz e deito ao seu lado.
Minha respiração começa a ficar uniforme, e é quando a realidade me bate com força, e me toco que daqui algumas horas estarei dizendo adeus a pessoa que eu amo, por tempo indeterminado. Com isso não seguro mais as lagrimas, e elas escorrem de meu rosto enquanto encaro o teto. Sinto Stiles se mexer ao meu lado, mas não olho para ver o que ele está fazendo. Fecho os olhos e deixo a realidade se despedir.
Sinto mãos acariciar meu rosto, lábios beijando meu rosto, e algo sendo colocando em meu pescoço. Nisso eu abro os olhos e vejo um Stiles não muito diferente de mim. Seus olhos estão vermelhos de choras, ele morde os lábios e sorri. Quando vejo o que está em meu pescoço, me surpreendo. É o colar a mãe de Stiles.
“Você precisa de algo meu que seja concreto, que você segure, e saiba que nosso amor é tão forte quanto minha ancora.” Mais lagrimas saem de meus olhos. Agarro firme o pingente do colar. Vou até minha mochila sem dizer nada e pego minha ancora, e coloco em seu pulso.
“Eu sempre carregarei a sua água, e você minha terra.” Ele sacode a cabeça em concordância e se joga eu meus braços, beijando todo meu rosto. Beijo seu rosto salgado por conta das lagrimas.
“Eu te amo Derek.” Seguro seu rosto.
“Eu te amo Stiles.” Ele me beija.
Vai doer quando essas palavras seguirem de um adeus. Mas ela sempre vai ser sincera e forte. Nenhuma distância vai quebrar esse sentimento, essa verdade. Nada pode quebrar as cores reais do nosso amor.
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