As conversas da meia noite
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Hermione — Capítulo 1
Foi um dia agitado no Grimmauld Place. A Sra.Weasley convocou todos da casa para uma faxina pelo local. Já que tudo era muito sombrio e perigoso, e de um certo modo, feio.
Eu queria ajudar na biblioteca, mas lá seria um dos últimos locais a serem limpos, e também, Sirius explicou que alguns livros tinha maldições contra nascidos trouxas, e não seria seguro pra ela, infelizmente.
Acho que eles escolheram limpar a biblioteca por último por minha causa, pois sabiam que eu iria me distrair e acabar lendo alguns livros, mas no final, eu entendi e concordei.
Felizmente hoje foi um dia produtivo e cansativo, o que fez com que todos os moradores do Grimmauld Place fossem dormir mais cedo. O que de certa forma era muito bom pra mim.
Desde que cheguei aqui passei algumas noites com o Professor Lupin. Conversando na biblioteca. Lá meio que se tornou nosso cantinho. Era a melhor parte do meu dia. Ele é uma pessoa incrível, brilhante, inteligente, bondoso, gentil, compreensivo, engraçado, charmoso e de certa forma, bonito.
Eu não sei quando, mas sei que me apaixonei por ele, e eu não quero dizer nada a ele, pois tenho medo de estragar a amizade que construimos.
Ele pensa que ninguém merece estar com alguém como ele, um monstro não merece ser amado. Ele pensa que não é digno de amor. Só porque ele é um lobisomem.
Eu queria tanto mostrar a ele, que alguém o amava e o admirava, que dizer a ele, que ele é incrível, e que eu o amo, mas não posso. Então, sempre mantenho tudo em uma zona amigável, sempre fazendo pequenas ações para deixa-lo feliz.
Como falta meia hora para a meia noite, resolvo descer e preparar um pouco de chocolate quente pra nós, então o mais silenciosamente que eu consigo, saio da minha cama. Tento não fazer barulho, mas assim que meus pés tocam o chão de madeira, a tábua range, nervosamente olho na direção onde está a cama de Gina. Felizmente ela não se move, respiro aliviada. Fico feliz ao lembrar que a família Weasley tem um sono profundo.
Pego minhas botas felpudas e jogo um feitiço silenciador nós meus pés e saio do quarto.
A casa está escura e gelada, mas não lanço um lumus, porque fiz essa rota tantas vezes que já me acostumei. Passo direto pela biblioteca e faço meu caminho até a cozinha.
Entro na cozinha, e de maneira trouxa começo a fazer o chocolate quente, com duplo chocolate para Remus, seu favorito. A lua cheia foi a dois dias e ele ainda teve uma missão de campo hoje, então ele deve estar exausto.
Pego a caneca especial do Remus e derramo o chocolate. A caneca foi meu presente de aniversário, era o dobro de tamanho de uma caneca normal. E tinha um lobo, um veado e um cachorro na estampa da caneca.
Olho para o relógio e vejo que falta 5 minutos para meia noite e com isso começo a ir até a biblioteca.
Ao entrar na biblioteca, Hermione observou Remus sentado no sofá, olhando para o fogo na lareira, parecendo perdido em pensamentos. Ela parou na porta por alguns minutos apenas observando a forma de Remus. Ele estava curvado, com os braços apoiados nos joelhos, seu cabelo despenteado e bagunçado, de certa forma, o deixava mais jovem, seu rosto tinha um leve rubor nas bochechas, possivelmente pelo calor que vinha do fogo, suas cicatrizes estavam rosadas e pareciam que foram abertas novamente, a lua cheia foi a dois dias, então talvez elas tivessem sido abertas novamente, seus lábios estão entre abertos e seus olhos, oh seus olhos estavam brilhando, tão quentes e convidativos, seus olhos eram castanhos com um pouco de verde salpicados pela íris e quando estava perto da lua cheia, eles se tornavam dourados, parecia fios de ouro que se espalhavam até a íris estar totalmente dourado, eu adoro ver quando isso acontece e praticamente é uma das minhas coisas favoritas de se fazer e acho que ele sabe que adoro encarar seus olhos.
"Olá Remus, quer chocolate quente?" Perguntei suavemente para alerta-lo da minha presença, e tentando não assusta-lo
"Oh, Olá Hermione, está parada aí a muito tempo?" Ele se virou e procurou o meu olhar "E eu adoraria o chocolate, obrigada"
Remus aceitou a caneca que Hermione que estava oferecendo e inalou o cheiro do chocolate, para ele, o chocolate era como uma poção calmante, era algo que lhe trazia felicidade, e Hermione sabia disso. Seus olhos sempre brilham ao ouvir a palavra chocolate, era bem fofo.
"Como você está?" Hermione se sentou ao seu lado no pequeno sofá e se acomodou nas almofadas e procurou mais algumas cicatrizes, procurando pelos braços ou pescoço que era visível pela camisa que ele usava. Olhando um minuto a mais que o necessário para seu peito, onde a blusa se ajustava melhor, marcando seu físico, que aparentemente era perfeito.
"Estou bem, Moony não foi tão ruim do que o normal, a poção mata-cão ajuda muito, mas ainda sim, nunca irei me acostumar com o sabor" Remus estremeceu ao lembrar o sabor da poção. "As vezes me pergunto se nenhum ingrediente poderia ser colocado pra amenizar o sabor, mas temo não tentar prepara-la, como sabe, eu era péssimo em poção e não mudou até hoje, infelizmente"
"Bem, o que falta em você talento pra poções, você compensa em DCAT, já disse e repito, você foi o melhor professor que tivemos" Hermione bebeu um gole do seu chocolate olhando pra ele e pensando como seria se ele tivesse continuado como professor
"Obrigado Hermione, isso significa muito vindo de você, a bruxa mais brilhante da sua idade" Remus disse divertido, enquanto ouvia o bufo de Hermione.
Ambos ficaram em silêncio, aproveitando o chocolate, e a companhia um do outro.
Remus gostava desses momentos com Hermione, por que além de ele estar apaixonado por ela, ele se sentia como um cara normal que adorava passar um tempo conversando com uma garota bonita e inteligente, naquelas momentos eles não pensavam na guerra que se aproximava, eles não pensavam na dor da perda, nem nada relacionados a isso. Era apenas Hermione e Remus ali.
Hermione gostava dessas conversas, não apenas por que estava apaixonada por ele, mas ela se sentia normal, não sentia o cérebro do trio de ouro, melhor amigo de Harry Potter, ou a bruxa mais brilhante da sua idade, como todos carinhosamente a chamavam, ou a pressão que todos colocavam nela querendo repostas ou estabilidade. Com remus ela podia contar qualquer coisa, podia chorar e não pensar na guerra. Ela sabia que teria um papel importante nela e isso a assustava muito.
"Sabia Hermione que seu chocolate quente, me lembra o da minha mãe? Ela costumava preparar pra mim depois de uma lua cheia. Ela sempre fazia com duplo chocolate." Ele suspirou e voltou a olhar pra chamas da lareira "Quando eu voltava pra cama, sempre tinha uma caneca ali. Meus pais sabiam que eu não gostava que eles me vissem depois da lua cheia. Não queria ver o olhar de dor nos olhos dele, e nem a culpa. Eu sinto falta deles."
Tudo que eu mais queria era abraça-lo e tirar a dor dele. "É uma honra saber que meu chocolate te trás boas lembranças." Eu olho pra ele ao ouvir isso. "Você sabe que meus pais são dentistas, o que significa que tudo em nossa casa era sem açúcar, mas sempre que eu estava triste, meus pais me levavam a uma cafeteria perto da nossa casa e pedimos um chocolate quente. Ficávamos em silêncio até eu começar a me sentir melhor. Sinto falta deles também" Suspiro e fecho meus olhos e sinto uma lágrima solitária descer pelo meu rosto.
Remus era o único que sabia o que eu tinha feito. Assim que eu voltei pra sede, depois do que fiz, Remus sabia que algo estava errado, então quando não tinha ninguém por perto, ele me perguntou o que tinha acontecido e eu desabei. Em lágrimas, contei o que eu tinha feito. Contei que apaguei a memória dos meus pais, fazendo com que não se lembrasse de mim e os mandei para a Austrália. Contei que eu estava sentindo tanta dor. Contei que estava com medo do feitiço não puder ser desfeito, eu contei que estava com medo de nunca mais vê-los.
Foi a primeira vez que nos abraçamos e lembro sempre do seu perfume que me acalmou tão bem. Um cheiro fresco, como o ar limpo da floresta. Livros antigos, como o lugar onde passei boa parte da minha vida, a biblioteca. Chocolate, ele sempre tinha chocolate nos bolsos. E o cheiro dele, era uma mistura de todas as minhas coisas preferidas.
Quando já me sentia mais calma, não queria solta-lo, então ele não me afastou. Ficamos assim até que alguém no chamou.
Ficamos bebendo o chocolate em silêncio, perdidos em memórias. Estava tão cansada, que depois de um tempo, me senti pegando no sono, com a cabeça escorada no ombro de Remus, a última coisa que eu me lembro, foi de sussurrar "Remus".
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