As cartas que eu escrevi para você
1 Capítulo 1 - Sobre os olhos mais doces...
Notas iniciais
Para você que tem os olhos mais doces que eu já vi na vida,
Toda vez que eu abro a minha galeria de fotos recebidas do whatsapp eu vejo aquela foto sua com carinha de sono. Eu já tinha apagado essa foto há algum tempo, mas ela voltou recentemente para o meu celular por causa de um backup acidental que eu nem queria fazer.
Mas sim, toda vez você está lá e toda vez que eu vejo aquela foto eu dou um sorriso bem nostálgico. No momento que você me mandou, a gente nem era mais um casal, mas, ainda assim, ela é carregada de memória emocional. O motivo é bem claro para mim: eu costumava ter aquela visão todos os dias. Era essa a primeira coisa que eu via pelas manhãs.
Só para deixar claro do que eu estou falando, na foto você está deitado na sua cama, com os olhos apertadinhos e um sorriso meia lua que faz meu coração disparar a uns trezentos batimentos por segundo. E era exatamente assim que nós começávamos o nosso dia. Essa carinha de sono seguida de uma espreguiçada e um “bom dia, mômô”, que me fazia ser a mais melosa de todas as apaixonadas.
Você ficava de preguiça na cama, me abraçando e eu em contrapartida acordava toda elétrica te animando para irmos à praia!
“Vamos lá, é sábado!” – Eu dizia tentando fazer você acordar de verdade.
Mas você sempre se enrolava mais em mim e me apertava, querendo permanecer naquele carinho durante a tarde toda. Só que eu sempre fui muito manhosa e conseguia te fazer levantar pra tomar o seu sagrado café com leite e seguirmos com o dia.
E enquanto a gente comia, você olhava pra mim e sussurrava um “te amo” no meio de uma mordida e outra no pão doce. Eu ria com vergonha, mas respondia de volta, mandando um beijinho por cima do meu prato de papa de aveia.
A sua mãe não entendia nossa fixação por praia, mas ela se alegrava por nos ver felizes e animados para curtir o sabadão. Saíamos no carro cantando desafinadamente que “Can’t Stop The Feeling”* até chegar no nosso refúgio azul. Aquele mar de Ipioca, você e uma coca-cola gelada era a idealização do paraíso para mim.
Ai, ai, mômô. Eu sinto falta de tudo aquilo e agora todas as vezes que eu vou enviar uma foto para alguém eu me lembro do que era nosso e do que dividimos. Lembro das manhãs preguiçosas e de todo o amor que a gente tinha um pelo outro. E guardo tudo isso com carinho, sorrindo e enxugando aquela lágrima teimosa da saudade.
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