Notas iniciais
Hey! Com espaços nos parágrafos dessa vez. Desculpe a falha no capítulo anterior, já arrumamos. Esse capítulo é curtinho e sem muitas respostas, até que ficamos arrependidos de não ter postado junto com o primeiro, mas tudo bem... Só pra aliviar um pouco estamos postando.

— Hã... O que devemos fa...

Sherlock levantou a mão pedindo silêncio. Ele estava plantado no mesmo lugar do corredor fazia alguns minutos. É claro que John compreendia que ele deveria visitar um pouco seu palácio mental para armazenar já as informações que tinham, mas aquele momento parecia ser um pouco inapropriado. Já estava ficando sem saber o que fazer.

No final do corredor John reconheceu a silhueta de uma criada vindo na direção dos dois com duas malas, em curtos passos apressados.

— A criada está voltando. Porque as malas? — Tentou mais uma vez despertar Sherlock.

— Não acha que ela simplesmente nos largaria num corredor deserto e sem saída, acha? Também não é a mesma criada. A outra era mais pálida. — Respondeu Sherlock, já saindo do transe e balançando a mão na direção da moça. — As malas são nossas. Todos que prestam serviço nessa mansão moram aqui. Admita. É um lugar bem confortável.

John estava perplexo. Ele nem queria estar ali. Quem é que havia feito sua mala, afinal? Suspirou. Teria que se explicar mais tarde com Mary.

— Suas malas, senhores. — Disse a criada fazendo uma curta reverência. — O quarto de vocês é por aqui.

Ela os guiou a uma porta branca à esquerda do corredor, pouco afastada dos quartos dos supostos adolescentes. Tirou uma chave prateada do bolso do uniforme preto e destrancou a fechadura em um clique baixo.

A criada entrou primeiro, acendendo a lâmpada ao passar pelo batente, posicionando cuidadosamente as malas no chão enquanto eles observavam o local. Era um quarto pequeno em comparação ao que imaginavam para uma mansão. Bem conservado, porém velho e cheirando a produtos de limpeza, indicando uma recente faxina. O chão era idêntico ao do corredor, de um mármore branco reluzente impecavelmente limpo, além das paredes simples e brancas, sem nenhuma janela a vista, só uma saída de ventilação no teto. Duas poltronas aparentemente macias emanavam uma atmosfera de aconchego e familiaridade ao local. Só havia uma cama lá, um problema, por ora.

— Desculpem-nos por isso, mas nunca tivemos mais de uma babá ao mesmo tempo nesta casa, então vamos ter que colocar outra cama ainda nesse quarto. O senhor Grint não permite que possamos ceder outro quarto dedicado a esse tipo de serviço. — Se desculpou falando extremamente rápido e fazendo gestos exagerados com as mãos. Parecia bem enérgica — Caso precisem de ajuda, chamem por Cristina, ela que é normalmente a responsável por esta área. Vocês já devem tê-la conhecido. Com licença, irei chamar as crianças para que possam se conhecer.

Após encerrar, saiu rapidamente do quarto os deixando sozinhos. John ainda tinha uma grande dúvida a ser tirada.

— Não foi você que fez a minha mala. Foi?

— Não. Tive tempo suficiente para pedir isso a Mary. — Respondeu Sherlock distraído, arrumando a gola do casaco.

John suspirou aliviado. Espere um minuto. Ele fora mesmo o último a saber?

Alguns poucos minutos se passaram antes da criada que os apresentou o quarto bater algumas vezes de leve antes de colocar a cabeça para dentro do mesmo.

— Venham comigo. As crianças os esperam.

Sherlock e John ajeitaram um pouco as roupas antes de saírem de lá, queriam dar uma impressão autoritária e controladora, para que pudessem tomar as rédeas da situação. Enquanto seguiam a criada por um completo labirinto de corredores e escadas, Sherlock não se controlou. Sentia falta de desabafar para o substituto do seu antigo crânio.

— Ela trabalha aqui há bastante tempo. Viu como ela se dirigiu aos adolescentes? “As crianças os esperam.” — Imitou uma voz feminina irritante aos sussurros.

John riu da imitação horrível, deixando a criada à frente deles um pouco incomodada com o movimento atrás de si.

— Não era pra ser engraçado — Sherlock resmungou no mesmo tom de sussurro usado anteriormente.

A criada parou na frente de uma grande porta de madeira e a empurrou, deslocando com muita facilidade o que assemelhava-se a uma madeira maciça pesada.

Eles entraram no que parecia ser uma sala de estar, pouco maior que o quarto onde se encontravam poucos minutos atrás. Só havia dois sofás pretos de três lugares e uma mesa de centro, com algumas revistas empilhadas de modo desorganizado. Era bem iluminado e um vidro ocupava o lugar de uma parede, deixando à mostra uma recém erguida lua cheia e um céu nublado.

— Aqui, as crianças. — Disse a criada se dirigindo a três pessoas no sofá. A garota mais velha parecia ser maior de idade, vestia um vestido azul delicado e brincos da mesma cor sob os médios cabelos castanho claros lisos. Parecia estar um pouco temerosa pelo fato deles não serem mulheres, como de costume. Provavelmente Hylla, a garota melancólica. Seu modo de vestir deixa claro sua personalidade. Ela remexia e apertava as próprias mãos, parecia bastante distraída e nervosa.

Ao seu lado, no meio, estava um garoto mais velho, da mesma altura que Hylla, apesar da aparência mais nova. Roger, o único garoto. Parecia estar ligeiramente deslocado entre as duas garotas, digitando furiosamente com seus polegares algo em seu celular. Não parecia ser muito do tipo “bad boy”, como o vizinho relatara, ao contrário, parecia bem comportado no momento, e, contradizendo outra vez os boatos, nenhuma tatuagem à vista. Vestia uma camisa branca e jeans, acompanhado do cabelo totalmente despenteado em um loiro esbranquiçado demais para ser natural. Seus traços eram contrários de Hylla, angulares e um queixo estreito e quadrangular, fazendo jus aos genes do pai. Já na outra extremidade do sofá estava provavelmente Adrianna, a mais nova. Enquanto seus irmãos estavam distraídos em suas próprias órbitas, ela parecia estar totalmente presente, analisando com uma expressão neutra as novas babás da cabeça aos pés. Se estivesse incomodada, não demonstrava. Também bastante confortável, a julgar por sua posição no sofá. Tão logo a viu, Sherlock notou que não era Roger quem fugia de casa durante a noite, e sim, Adrianna, pois apesar da temperatura natural na casa, vestia um casaco grosso. Quebrando o padrão da cabeleira loira nos irmãos, os seus eram totalmente negros.

A criada que os levou até ali, os olhava com expectativa, esperando alguma reação, quando percebeu que Sherlock não era do tipo que se manifestava e abriu a boca pra falar algo, sendo interrompida pelo próprio.

— Qual o seu nome, por favor? — Perguntou ele, diretamente a ela.

— Natalia, senhor.

— Muito bem, Natalia. Creio que você já fez seu trabalho.

A criada ficou ligeiramente confusa antes de Sherlock apontar a porta no outro lado do cômodo. Assustada e sem graça, deixou o recinto em seus passos curtos e rápidos, batendo involuntariamente a porta antes de sair.

Já sem sua presença, Sherlock se achou confortável o bastante para falar o que queria. Pensativo, em um gesto comum, colocou as mãos juntas na frente de seu nariz.

— Com quem começo? — Perguntou a si mesmo.

Olhou para Hylla, que havia acordado de seus próprios pensamentos momentos atrás, ao ter expulsado a criada do cômodo. Logo passou a observar Roger, que não tinha tirado ainda seus olhos do aparelho celular.

— Garoto! — Gritou.

Ao mesmo tempo, o jovem acaba deixando o celular cair no chão antes de levantar a cabeça para encarar o seu mais novo inimigo. Ligeiramente intimidado pela altura de Sherlock, acaba recobrando a postura comportada, sentado no sofá.

— Sim. Comecemos com você. Por que dizem que foge de casa durante à noite? Ninguém ao menos sabe sua idade. Por acaso, quantos anos tem?

— Dezessete, senhor. — Respondeu com um olhar defensivo e ainda amedrontado pela cena anterior.

Sherlock balançou a cabeça em negação algumas vezes e bufou.

— E você, garota? — Disse apontando para a mais velha.

— Dezenove. — Prontamente respondeu Hylla, estranhando aquela atitude.

Dessa vez Sherlock começou a andar de um lado ao outro com as mãos à cabeça. Simplesmente não fazia sentido algum. Parou ao perceber que isso não ajudaria em nada. Teria de manter sua mente limpa. Então mesmo sob todos os olhares sobre ele, simplesmente fechou os olhos e entrou em seu palácio mental. Paz, silêncio, luz...

Notas finais
Bem, pelo menos agora sabem a idade de todos: dezenove, dezessete e quatorze. Grandinhos demais para terem babás, não? Pois é. Mais uma dúvida pra cabeça de vocês, kkk. Se estivermos deixando-os com mais questões do que respostas, desculpe, mas é meio que inevitável. O que acharam da Natalia? Ela parece ser um pouco simpática demais pra trabalhar ali, mas tudo bem né, os palpites são com vocês. O que é que o senhor Grint esconde em tantos quartos que nem pode ceder sequer um pra uma babá a mais? E porque tanta obsessão por limpeza, se ele sequer tem tempo para sair andando pela imensa casa ? Qual a verdade por trás dos três adolescentes? Pelo que parece, tudo o que ouviram do vizinho, foram boatos mal contados... E pra terminar... O que deixa Sherlock tão nervoso em relação à tudo? *** Bem, o próximo capítulo basicamente vai consistir na passadinha ao palácio mental do Sherlock. Várias respostas vão ser dadas. Mas antes... Que tal fazerem suas apostas? Estamos abertos a opiniões :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.