As básicas aventuras no mundo espiritual
1 O brilho
Era um dia chuvoso, monótomo e lento. Na cidade de Felutth, normalmente todos os dias eram assim, pois ela não era o tipo de lugar turístico, não tinha coisas importantes acontecendo e quase tudo lá se resumia em estudar, trabalhar e reclamar que tudo parecia não mudar nunca. Há um boato que diz que os moradores de Felutth eram os mais reclamões do mundo, e isso se enquadrava perfeitamente a Wing.
Esse dia em específico, estava sendo uma porcaria, Wing teve que fazer 30 minutos extras em seu trabalho estressante, o que fez com que ele perdesse seu programa favorito. Esse programa se resumia em dois aliens procurando planetas para fazerem sua moradia, não era diferente do próprio Wing, que sempre quis um lugar pra chamar de lar. Mas voltando ao péssimo dia, Wing havia levado ordem de todos no trabalho e por mais que ele odiasse cumpri-las, era necessário, já que ele não podia perder o seu emprego.(Wing era um repositor de mercadorias em um super mercado velho).
O dia foi ruim, e cada dia que passava Wing perdia mais de sua personalidade. Ele já não via mais sentido na vida, tudo era tedioso e isso o deixava desesperado. As pessoas eram mandonas, as notícias eram desanimantes, os programas de Tv eram sempre iguais e nada disso parecia que mudaria um dia.
Era isso, uma crise existencial tomava conta dos pensamentos de Wing, e nesse dia em específico ele estava muito irritado, afinal perdeu uma de suas poucas diversões, e sabia que quando chegasse em casa tudo que veria era um vazio, já que ele morava com seu primo mais velho que nunca parava em casa. (Os país de Wing morreram em um acidente).
Foi então que tudo desabou, Wing já estava exausto e triste demais, seus pensamentos faziam um barulho mais alto que uma população de motosserras, e a tristeza já o sufocava. Ele abriu as portas de casa, andou depressa até seu minúsculo quarto, tirou os tênis e deitou no colchão jogado no chão no qual ele usava como cama. Ele tentava manter a calma, mas era um sentimento asfixiante e quando as lágrimas começaram a correr sobre o rosto do pobre garoto de 18 anos, a chuva aumentou e miados começaram a ser ouvidos. Nesse momento as lágrimas cessaram e o jovem se levantou do colchão rapidamente. Wing cassava os miados que pareciam cada vez mais aumentarem, ele olhava por todo lado e sentia que estava se aproximando do som, até que foi até o quarto do seu primo e abrindo as janelas viu dois gatinhos pequenos e azuis, um pouco brilhantes, miando como se tivessem chorando.
Então o garoto sem sequer reparar a cor estranha dos felinos, pegou-os, com certo dó e desespero, os levou para dentro de sua casa. O brilho deles estavam cada vez mais se enfraquecendo e Wing não sabia o que fazer, ele tentou dar comida e leite, mas não adiantou. Pensou que talvez fosse o frio, então colocou coberta por cima deles, mas também não causava efeito. O brilho foi diminuindo e os gatinhos ficavam cada vez mais cabisbaixos, já não miavam mais...parecia o fim. Wing os agarrou e colocando-os em seu colo, começou a pensar em como o mundo era uma droga, por que coisas ruins tinham que acontecer com animais inofensivos?
—Tudo que eu queria era um mundo diferente.-Disse chorando. -Eu queria viver fora de tudo isso!
Nesse momento as lágrimas de Wing caíam sobre os gatinhos, que inesperadamente voltaram a miar e a brilhar mais forte do que antes.
Wing se espantou, e quando finalmente achou estranho que gatos azuis e brilhantes estavam no seu colo, uma voz grave agradeceu:
—Obrigado meu jovem.-Apareceu um velhinho corcunda e sorridente, flutuando pela janela do quarto de seu primo.- Esses são gatos espirituais da Blue City, quando estão doentes são curados somente por lágrimas humanas, isso quer dizer que você salvou a vida deles.
—Mas o quê? Gatos o quê? E blue o quê?.-Perguntou adoidadamente o pobre garoto.
Com um baita sorriso no rosto o velhinho respondeu:
—Não se preocupe meu jovem, eu lhe responderei tudo. Você sempre desejou fugir desse mundo não eh? Pois então, eu posso realizar esse seu sonho. O que acha de ir para meu mundo? O mundo espiritual!
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