― Vocês não vão deixar o “Titio Flash” de fora dessa festa, vão?

Batman estreitou os olhos enquanto encarava o rosto triunfante de Flash:

― Devia saber que você estava nos espionando, Wally.

― Acho que “espionar” é um verbo muito forte.

― Sim, porque “bisbilhotar” é a palavra mais apropriada.

― “Bisbilhotar”, não! Fica parecendo que sou uma velha fofoqueira... Eu diria que apenas estava “buscando satisfazer a minha incômoda curiosidade referente a assuntos de meu interesse”.

― A curiosidade matou o gato, Wally.

Diana apenas observava os dois homens discutindo. Aquilo estava virando rotina, então nem se dava ao trabalho de interferir antes do que julgasse necessário.

Sem contar que, no fundo, e sem demonstrar, ela se divertia com essas discussões.

― Ora, Morcegão – o Velocista Escarlate continuava. – Eu só queria saber o que vocês estavam planejando, parece que estão lidando com segredo de Estado!

― Agora já sabe.

― Eu adoraria ajudar nessa festa de alguma forma, e...

― Não.

― Ah, mas só numa coisinha, e...

― Já satisfez a sua incômoda curiosidade referente a assuntos que NÃO são de seu interesse, então pode sair.

― Mas, Morcegão...

― Caia. Fora.

― Mas...

― Não vai querer que eu atinja seu ponto fraco, vai?

― Tá bom, tá bom... Saindo! Fui!

Wally logo se retirou e, com o baralho na mão, caminhou sem pressa rumo à sala de comando da Torre para iniciar seu turno. Poderia muito bem jogar Paciência em um computador, mas com o baralho seria menos rápido.

Era estranho alguém impaciente como ele jogar Paciência, mas num turno que costumava ser um pouco mais tranquilo, havia mais ocorrências corriqueiras, que pouco ou nada precisavam de sua interferência como membro fundador da Liga.

Ou seja, a chance de ficar entediado seria bem grande... Ainda mais sendo com um sujeito que fazia quase tudo muito rápido.

O que não o entediava era entrar em ação, não importava como.

Entretanto, havia algo em que ele não parava de pensar... A festa de Dara! Ele fazia questão de fazer algo pela sobrinha por consideração. Precisava fazer algo!

E ele faria, pois uma ideia estava brotando em sua mente...

― Claro! – estalou os dedos enquanto sorria satisfeito com a ideia que acabara de ter logo que avistou quem tanto queria encontrar naquele momento.

― Que bicho te mordeu, Wally? – o Lanterna Verde indagou ao ver Flash estalando os dedos.

― John, preciso que me quebre um galho!

John o encarou com um olhar desconfiado.

― O que você vai aprontar?

― Nada de mais, só que preciso que alguém troque de turno comigo. Me quebra esse galho?

― Amanhã já vai ser meu plantão na Torre, durante o dia!

― Só emendar! Depois eu cubro seu próximo turno!

― Por que essa urgência toda em trocar de turno?

― Depois te conto, Lanterna! Mas e aí, vai me quebrar esse galho? Por favor, diz que sim, vai? O que é que custa?

― Wally...

― Não seja mau, me quebra esse galho, te pago o seu próximo turno!

― Tá bom... – o Lanterna, sem alternativa, revirou os olhos. – Eu assumo seu turno hoje. Mas depois quero saber o que você está aprontando.

― Confia em mim, é por uma boa causa!

Após agradecer, Flash saiu disparado rumo à sala de teletransporte, deixando John coçando o queixo de forma bastante desconfiada.

― O que será que o Wally tá aprontando e por que tenho a sensação de que isso tem a ver com Bruce e Diana?

*

As horas da madrugada se arrastavam muito mais lentamente do que deveriam. Wally não conseguia dormir, tamanha a ansiedade para levar sua ideia adiante. Sim, fazia tempo que havia bolado um plano para poder ajudar a fazer a maior festa que uma criança de um ano de idade poderia ter. Adorava aquele pinguinho de gente, a quem considerava sua sobrinha, mesmo não sendo necessariamente sua parente.

Wally tinha um carinho imenso por aquela menina.

As horas continuaram a passar lentamente para o ruivo. Já havia jogado paciência umas dez vezes, lido quinze revistinhas capa a capa, zapeado a TV no controle remoto umas dezoito vezes e o tempo passava muito, muito devagar.

Wally não estava com um pingo de sono. Estava treinando tudo o que iria falar ao Morcegão sobre sua ideia de como incrementar a festa de aniversário de Dara, para que fosse inesquecível a todos. Afinal, ela merecia algo incrível.

― Chato. – zapeava mais uma vez pelos canais de TV. – Chato. Chato. Chato. Chato... Cara, por que a madrugada tem uma programação tão chata?

Estava tão pilhado, tão ligado, que não conseguia pensar em ter sono. Queria ir até Gotham tão logo surgissem os primeiros raios de sol. Era uma oportunidade perfeita, pois o Morcegão e a Princesa estariam tirando um dia de folga.

Por isso, a troca de turno de vigília da Torre da Liga com o Lanterna Verde.

Wally West não era apenas mais um rostinho bonito na Liga da Justiça. Nada disso... Era rápido para correr e rápido também para pensar.

Esse era o Flash!

Wally acabou se rendendo a uma soneca, da qual acordou por volta de sete e meia da manhã. Dormira mais de tédio do que de sono. A madrugada era realmente entediante quando não tinha muito o que fazer. Era pior do que um plantão tranquilo demais na Torre da Liga.

O ruivo rapidamente tomou uma ducha, se trocou, tomou café e pegou um dos seus anéis na gaveta da cômoda. Tão logo se viu fora de casa, certificou-se de não estar sendo visto e correu na direção de Gotham City vestido à paisana mesmo.

Ninguém conseguiria ver Wally West correndo a toda velocidade.

E, como previsto, levara uns poucos minutos para chegar a Gotham, mais especificamente à Mansão Wayne. Porém, ao invés de se anunciar, esperou o portão eletrônico se abrir para entrar o carro do jardineiro e, enquanto o portão se fechava, Wally adentrou o local sem qualquer dificuldade.

Queria fazer uma surpresa naquela manhã ensolarada e de clima ameno, em que certamente a família Wayne faria um desjejum em um dos jardins. Passou os dedos pelos cabelos cor de fogo, para deixá-los um pouco mais arrumados e caminhou até o local.

Entretanto, a mesa ainda seria posta. Uma das empregadas ainda estava preparando tudo, o que significava que ainda estava relativamente cedo.

― Parece que quebrei meu recorde de tempo para vir até aqui! – murmurou. – Ótimo, dá pra eu conversar com o Morcegão o quanto antes!

Rapidamente, como se um vento adentrasse a mansão, Wally entrou sem dificuldades e procurou Bruce no saguão, na sala de jantar, na biblioteca, até chegar ao escritório. Viu a porta entreaberta e a adentrou sem fazer qualquer barulho e sem fazer qualquer cerimônia, flagrando o magnata segurando uma caixinha aberta e admirando pensativo seu conteúdo.

― O que é isso, Morcegão? Um presentinho pra Princesa?

Bruce empalideceu e fechou rapidamente a caixinha, para encarar o recém-chegado com uma expressão que misturava surpresa com desagrado.

― Você não deveria estar no plantão da Torre? – questionou enquanto tentava se recompor.

― Troquei meu turno.

― Desde que hora você está aqui e o que você quer?

― Cheguei na hora em que você estava admirando essa joia que tem cara de que custou uma nota preta! É pra Diana? – fez cara de pensativo. – Ah, saquei! Você vai...

― Isso não é da sua conta, Wally! – Bruce se adiantou. – O que você veio fazer aqui?

― Vim ajudar nos preparativos da festa da minha sobrinha favorita! – o ruivo respondeu com um sorriso de orelha a orelha.

― Não preciso de sua ajuda. Cai fora.

― Ah, Morcegão, qual é? Só quero ajudar!

― Muito ajuda quem não atrapalha!

― Por favor, me deixa ajudar! Se me deixar ajudar, eu não conto à Princesa o que você pretende fazer!

― E se eu não deixar?

― Bom, as notícias voam, não é? – Wally deu um sorriso debochado.

― Você não seria capaz...

― Mas, e se por um acaso ou dois, deixasse escapar sobre isso? Se aceitar minha mãozinha eu vou me policiar um pouco mais. É pegar ou largar.

Notas finais
CONTINUA...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.