As aventuras do Titio Flash - II
4 Shhh!
Enquanto na suíte Diana dormia com Dara em um berço ao lado da grande cama de casal, Flash e Batman estavam imersos na escuridão que predominava na mansão. Estavam, mais precisamente, no grande saguão, só esperando o ladrão cair na armadilha.
A porta principal da Mansão Wayne se abriu lentamente, dando a entender que quem entrava o fazia cautelosamente. Um homem esguio, de estatura mediana e trajando um collant preto adentrou o local com o máximo de cuidado. Pé ante pé, olhava para cada parede do recinto enquanto avaliava quanto poderia valer cada objeto ali que lhe interessava.
Realmente, a Mansão Wayne era a mais abastada que já vira em toda a sua vida. Aquele empresário playboy e bon vivant era realmente podre de rico.
Pegou de sua mochila um aparelho que verificava a presença de lasers e quaisquer outros mecanismos sofisticados de segurança e, após localizá-los, o desativava como se usasse um simples controle remoto.
Estava de touca preta, porém era possível ver uma franja loira e seus olhos estavam cobertos por um visor feito para ver no escuro. Ali no saguão não encontrou nada que lhe interessasse tanto e pensou na possibilidade de o dono da mansão ter, em seu quarto, alguma joia de família.
Com seu aparelho, burlou todo o sistema de segurança e chegou até a suíte presidencial. Batman seguia o sujeito discretamente, enquanto Flash não saía de onde estava. Só estava esperando o sinal do Homem-Morcego para entrar na história. Era preciso jogo rápido, literalmente, e para isso o velocista teria que agir.
Dentro do quarto, o ladrão revistou bem discretamente o local, a fim de não fazer barulho. Porém, algo lhe chamou a atenção ali. Sobre a cama, não estava o proprietário, mas uma mulher e, ao lado, um berço. De fininho, chegou ali perto e viu a criança.
Uma menina.
Raciocinou: “Cara, hoje é o meu dia de sorte! Se eu pegar essa pirralhinha e pedir um resgate, vou faturar muito alto!”
Com muito cuidado, pegou Dara, a fim de evitar que ela chorasse. Para sua sorte, a menina estava com um sono bem pesado.
Quando rumava para a porta da suíte, ele sentiu um forte vento passar por perto. Quando viu, deu de cara com ninguém mais, ninguém menos do que Flash.
— Essa não...! – Flash cochichou pelo comunicador auricular. – Temos encrenca à vista!
— Ora, se não é o Flash! – o ladrão disse. – Se você se mexer, eu grito e acordo todo mundo!
— Calma aí, meu chapa! – o homem mais rápido do mundo continuava em tom de cochicho. – Não vamos nos precipitar... Deixa a menina no berço.
— E pra que vou fazer isso? Vou faturar alto com o resgate e você não vai me impedir!
— Eu não vou deixar!
“Jogo rápido, Flash! Jogo rápido!”, ele pensou. Fez alguns cálculos mentais até que correu tão rápido a ponto de mal tocar os pés no chão, pegando ladrão e bebê e levando dali para o saguão.
Ali, Flash jogou o ladrão no chão e segurou Dara nos braços. O ladrão estava sentado no chão e viu uma sombra se mover para bem perto dele. Dela, emergia o vigilante de Gotham. Estava cara a cara com Batman.
— Me entregue a menina. – o Homem-Morcego sussurrou de forma pavorosa.
Quando fez menção de dar um grito apavorado, Flash foi mais rápido e tapou a boca dele. E ainda encostou o indicador nos lábios, soltando um “Shhh!”.
— A gente não pode acordar ninguém na casa.
— Mmmmfmmmm mmmmfffff mmm!!
— O quê? – Flash perguntou. – Ai!!
Ele acabara de receber uma mordida do ladrão, que se desvencilhou dele e saiu correndo pela mansão com Dara, que inacreditavelmente estava num sono bastante profundo. Flash não perdeu tempo e foi atrás do sujeito. Chegou à frente dele e esticou o pé, fazendo com que o invasor caísse de cara no chão e, ao mesmo tempo, pegou Dara.
Por mais que tivessem tentado, não conseguiram evitar que Dara abrisse o maior berreiro. Não porque ela estivesse assustada, mas porque era hora de mamar.
— Morcegão, como é que eu faço pra ela parar de chorar? – Flash estava assustado e botou a menina nas mãos dele.
— Eu é que sei?
O homem mais rápido do mundo quase disse “Deveria saber, porque a filha é sua!”, mas conseguiu fechar a boca antes. Porém, antes que desse outra resposta, o ladrão se levantou para tirar a criança dos braços de Batman. Mas...
... Antes que conseguisse fazer qualquer outro movimento, o ladrão tomou um forte soco na cara e caiu duro no chão. A pancada o nocauteara instantaneamente.
— Você foi rápido, hein, Morcegão?
— Não fui eu que o acertei. A Diana está bem atrás de mim, não está?
— Tá, sim.
Diana, de fato, estava bem atrás de Batman e sacudindo a mão que usara para desferir um soco no ladrão que tentava pegar a sua filhinha.
— Eu não sabia que doía tanto dar um soco em alguém sem ter superpoderes...! – ela disse enquanto continuava a sacudir a mão para passar a dor.
— Você deveria ficar de repouso.
— E eu vou deixar que encostem a mão na minha filha? Mas nem pensar, Bruce!
— Você pode estar sem superpoderes, princesa, mas seu cruzado de direita foi sensacional! – Flash comentou.
O Homem-Morcego estreitou os olhos quando encarou Flash, que questionou:
— O que eu disse de errado?
Nisso, o homem recobrou a consciência e foi pra cima de Diana, mas desta vez, Batman foi quem agiu rápido. Com um simples golpe na nuca, ele fez com que o bandido caísse de cara no chão.
— Flash, leve esse cara pra delegacia.
— ‘Xá comigo, Morcegão!
*
O dia amanheceu e Flash acabava de chegar à Mansão Wayne, já como Wally West. Abriu a porta desvendando instantaneamente a senha nova e entrou.
— Bom dia, Jarbas! – ele cumprimentou o mordomo.
— Não é Jarbas, é Alfred.
— Mas você sabia que o nome “Jarbas” é mais a sua cara?
Alfred não comentou, e nem teve chance, porque Wally já estava na sala de TV. Ligou no noticiário, onde se viu dando uma entrevista há pouco.
— Estamos aqui com o Flash, que veio pessoalmente à Delegacia de Gotham entregar o “Robin Hood às avessas”. Flash, foi difícil pegá-lo? Onde ele estava agindo esta noite?
— Ele tava na Mansão Wayne enquanto eu tava dando uma passada por lá. Na verdade, quem o pegou foi o Batman, eu só o trouxe para cá, pois ele teve mais uma missão a fazer.
— Sabe me dizer se algo foi roubado da mansão do empresário Bruce Wayne?
— O Batman me disse que nada foi roubado. Ah, mudando de assunto, Srta. Michelle Preston, o que acha de combinarmos um jantar juntos para trocar ideias?
— Eu sou casada.
— Sério? Então, fui!
— Você não tem jeito, Wally! – ele ouviu a voz de Diana, que se divertia com o que vira na TV.
— Vou fazer o quê? Não consigo resistir a uma beldade! Bem, meu trabalho tá feito. Além do mais, tenho que cumprir o combinado. Já tá dando dois dias aqui.
Bruce deixou aparecer um sorriso quase imperceptível por seus lábios. Mal podia esperar para ficar em paz em sua própria casa, coisa que não tinha há um bom tempo. E isso logo aconteceu, porque em dois minutos Wally já estava de mala e cuia, pronto pra ir embora.
Mas, antes de partir com as suas malas para Central City, pediu para pegar Dara no colo mais uma vez. Já com a bebezinha nos braços, disse:
— Bebê-Maravilha, da próxima vez eu vou ficar aqui por uma semana e te ensinar muita coisa legal pra você crescer como uma menina descolada!
— Sem chance! – Bruce logo protestou.
— Deixa de ser estraga-prazeres, Morcegão!
Devolveu a criança a Diana, pegou suas malas e partiu, dando fim a mais essa aventura.
— Fui!
Assim, Wally West foi embora para casa, de mala e cuia, para alívio de Bruce e Diana, pelo menos por algumas horas...
... Porque com certeza ele apareceria só pra ver Dara e bancar o “Titio Flash” sempre que pudesse, e não seria surpresa alguma se ele passasse lá todo santo dia.
Fim!
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