As You're Falling Down

1 As You're Falling Down


Sirenes ecoando em meus ouvidos, luzes dos carros de polícia dando contraste á noite. Minhas mãos, ainda manchadas de vermelho, foram levadas ás minhas costas, sendo presas logo em seguida.

Meus olhos se abriram, tentando esquecer a cena de segundos atrás.

- Então, Sr. Radke. Curtindo a hospitalidade?

- Ah, é claro. – Cinismo enfeitou meus lábios. É claro que eu estava gostando daquilo: Eram 2:30 da madrugada e eu estava algemado a uma mesa de uma delegacia qualquer.

- Eu sei o que você fez, Sr. Radke, então vamos direto ao assunto. O que realmente aconteceu lá?

- E porque eu te contaria?

Ele andou de um lado para o outro, passando as mãos em seus cabelos oleosos. Idiota.

Deixei um riso baixo escapar, o que foi o suficiente para ele se estressar. Voltou á mesa onde eu estava algemado e sentou-se á minha frente.

- Você sabe quando é a pena para homicídio?

Balancei a cabeça negativamente.

- De 6 a 30 anos!

Arregalei os olhos.

- É, isso mesmo! E se você confessar que matou o garoto serão apenas 5 anos e eu poderei voltar pra casa e dormir, o que acha?

Fechei os olhos e respirei fundo. Era, realmente, uma idéia tentadora. Mas será que valia a pena relembrar tudo?

Fitei o teto da delegacia, tentando relembrar das horas passadas:

-Deviam ser umas 4 horas da madrugada quando eu e Max estávamos voltando á pé da casa de um amigo nosso...

-Omar? – me interrompeu, ainda com aquele sorriso esperançoso de que voltaria logo para casa.

-Isso. – continuei – Max ia dormir na minha casa, como nós tínhamos combinado. Sabe, eu odeio ser o que carrega as notícias mas, eu finalmente me apaixonei e não podia negar aquilo...

Passei a mão em meu rosto, tentando enxugar as lágrimas que teimavam em cair.

“ – Saca só isso! – mostrei a ele uma pequena caixinha de remédio

- Dor de cabeça, querido?

Ele riu, enquanto eu abria a caixinha e tomava um comprimido junto á vodka.

- Cara, você é loco. – Max disse.

- Que nada, você que é medroso.

- Ah é?!

Ele agarrou a droga da minha mão, engolindo uns 5 comprimidos com goles de Ice.

- Tu é maluco, pequeno.”

- E depois? – o policial já estava ficando impaciente.

- Estava dormindo quando ouvi um barulho estranho vindo do banheiro. Levantei-me cambaleando e fui até lá. Max estava com a cabeça encostada no vaso e sua blusa estava manchada de sangue.

“ -Roonie, me ajuda – Meu corpo pareceu congelar. Não sabia o que fazer. Ele vomitava sangue sem parar.

Até que ele parou e caiu no chão. Seu corpo pareceu ter tido um curto circuito.

- Max – o abracei, tentando repetir os procedimentos que teria aprendido nas aulas de ciências – Max, calma!

Tudo o que eu conseguia enxergar eram manchas de cor avermelhada, sendo que meus olhos tinham sido consumidos por lágrimas. ”

- E foi isso?

Abaixei minha cabeça, fitando minhas mãos ainda ensangüentadas.

- Foi. Eu simplesmente matei uma parte de mim.

Fim.

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