A situação não mudou no dia seguinte. A minha vontade de estrangular Alec é grande. Maior que —

“Anda logo, não temos o dia inteiro”

“Quem teve a ideia brilhante de ir embora de manhã mesmo?”

“Cala a boca, você concordou também” Alec disse concentrando na estrada à frente.

Abri minha boca para revidar mas não havia argumentos. Ele estava certo, eu havia concordado com seu plano e não tinha como voltar atrás.

A cidade continuou do mesmo jeito. Até Alec tentou conversar com algumas pessoas e fazendeiros, mas ninguém queria abrir a boca, e não podemos forçá-los.

Ontem foi o último dia da lua nova. Tínhamos poucos dias para achar o nosso lobo.

“A maioria dos ataques são nos campos rurais. Metade do rebanho morto e o resto vivo. Você verificou os animais vivos?”

“Alec, se você me perguntar isso novamente eu vou cortar sua cabeça”, ele apenas sorriu torto. “Eles estavam normais, apavorados, mas passam bem. Por que insiste em saber?”

“Algo não está certo. Depois de anos, ele aparece e só mata animais como se…

“Se…

Alec não se deu o trabalho de me responder, ele estava muito envolvido em seus pensamentos.

A nossa caminhada no rural demorou mais do que eu imaginaria. Os carros passavam sem importarem muito com nossa presença incomum. Alec largou seu guarda-chuva horas atrás logo após o sol ser tapado pelas nuvens, mas continuou com seu capuz fixado em sua cabeça. Aproveitei o dia nublado e tirei minha jaqueta preta de couro deixando meus braços sentirem o ar.

Não havia muita coisa para ver, somente verde. Quilômetros e mais quilômetros de grama, colinas, e terra. Nenhum animal a vista.

“Alec, olha que paisagem linda. Não vemos isso todo dia, principalmente em Vo-”

“Shiu”

Ao vê-lo irritado, iluminava meu dia. Não era normal ele perder a linha, Alec é um ser frio mas atencioso. Vim junto comigo e não terminar isso tão cedo deve está ajudando a mudar seu humor.

No mesmo instante parei quando vi sua cabeça se mover lentamente para minha direção. O som dos ventos ruindo no silêncio. Alec e eu paramos quase imediatamente, exceto meus peitos movendo para cima e para baixo sinalizando que eu estava viva. Alec começou a andar, suas mãos no bolso da calça como se nada tivesse acontecido.

“Você fala demais.”

Minhas bochechas queimaram e andei até estar na posição exata.

Os próximos segundos foram rápidos e mortais. Algo que ninguém em circunstância nenhuma deve fazer ou pensar, principalmente se não for forte para enfrentar as consequências. Então nunca em circunstâncias nenhumas, me faça raiva.

O tapa ecoou pelas colinas próximas. A cara de desacreditado e a mão na nuca. O sorriso torto formando em meus olhos seguindo pelo seu olhar mortífero.

Sombras me tornavam agressivas querendo me ver. Os raios de minha mão estalando em resposta. Encaramos um ao outro esperando quem iria começar.

As sombras encolheram voltando para seu dono. Alec apenas balançou a cabeça dizendo que já estávamos atrasados com a missão.

O caminho nunca foi tão silencioso. Nem eu ou Alec atreveu abrir a boca ou olhar para o outro. Eu estava quilômetros longe de sua presença, sua aura azulada me irritava só de tentar avaliar dominância. Nossa sorte que não duraria por muito tempo, depois disso eu nunca mais veria ele.

De vez em quando, involuntariamente, meus olhos passavam de raspão sem que ele percebesse. Alec mantém a mesma expressão , neutra. Mesmo com seu rosto belo congelado para sempre nos seus quinze anos, sua forma angelical negava demonstrar qualquer dica do que sentia. Sua mente fechada calcula todos os segundos.

Alec estendeu seu braço me impedindo de continuar. O sol já havia descido, e a lua quase no pico pela metade tinha tomado seu lugar. O ar crespo preenchido pelo o sereno. Tudo estava quieto demais.

Uma poça de sangue tocou meu nariz. Meus olhos foram direto para Alec, desde que nos juntamos eu não o vi se alimentar.

Suas mão grudada no capuz. Ele estava lutando contra o cheiro. Seu orgulho não o deixava correr e deixar sua fome o controlar, beber sangue de animal é uma vergonha para os Volturis. Passei a língua pelos meus dentes. Essa era minha hora de brilhar.

"Hem mas que aroma. Os pomares devem estar quase maduros, as flores brotando. Dá até fome.”

Os gruminhos iam aumentando de acordo que eu me aproximava.

Ho ho ho ho.

Então percebi seu olhar mortífero acalmar e não olhando para mim mas para trás.

Devagar eu fui virando com cautela. Senti minha pupila arregalar ajustando a escuridão, tornando minha visão perfeita nesse nevoeiro.

Havia nada. Simplesmente nada.

Ao voltar minha cabeça para Alec confusa, ele segurava sua barriga rindo enquanto ia em direção a luz da cidade.

“Você precisava ver sua cara.”

Gritei seu nome correndo atrás dele.

A luz foi se expandido me cegando por segundos. De imediato coloquei minha jaqueta para me proteger contra os ventos gelados.

Levantei meus olhos para o céu. Um pedaço da lua começou a aparecer.

Alec seguiu para onde eu olhava e acenou com a cabeça. Tínhamos pouco tempo.

Minhas pernas ficaram exausta por conta da caminhada que durou dias. Tudo que queria era somente uma noite de descanso.

Havia poucas pessoas na rua. Algumas saiam do cinema ou do teatro. Outras de bares e etc…

Com toda a certeza devia existir um hotel por perto. Alec ia atrás onde eu ia. Perguntei às pessoas sobre a direção e onde havia uma hospedagem.

Meus olhos brilhavam com o grande e brilhante hotel. Pulei batendo palmas e entrei sem pensar duas vezes.

“Um quarto por favor.”

“Ahem.”

“Dois na verdade.”

O moço bateu teclas no computador procurando pelos nossos quartos.

"Desculpe, mas só temos um quarto king.”

Grunhi me espalhando no balcão, Alec revirou os olhos e aceitou o quarto mesmo assim.

“A cama é minha.”

“Onde eu já ouvi isso mesmo?”

Ri de leve e abri a porta do quarto.

A cama enorme no centro do quarto. A cama tinha quatro colunas e uma cortina translúcida sobre ela. Os lençóis na mistura de creme, branco e dourado.

O colchão balançou e me abraçou. Meu corpo afundando cada vez mais.

Alec coçou a garganta querendo atenção.

“Te vejo amanhã,” ele hesitou, “boa noite.”

Nem me preocupei em responder, meus olhos fecharam e minha consciência já havia partido.

Alec já me esperava na calçada do lado de fora do hotel. Seu humor é totalmente diferente.

Nosso objetivo de hoje é ir para onde nosso pequeno lobo possa estar escondido, nas áreas mais afastadas perto de acordo com seus ataques anteriores. Diferente de outros, surpreendente, o lobo não atacava pessoas. Alec suspeita que ele possa estar mandando uma mensagem ou não quer tanta atenção. Mas isso não fazia sentido na minha cabeça.

Ao chegar na área mais distante, o que não levou tanto tempo, Alec sinalizou que iria procurar pelo o lado direto e para eu ir do lado oposto.

Alec vai se perder. Eu tenho total certeza.

Seguir seus passos.

Até onde fomos estava normal, nada de anomalia ou sobrenatural.

Era ainda de dia, poucas pessoas andavam na rua cuidando da suas próprias vidas, nem olharam para nossa direção. Notei que não sabia qual cidade estávamos, nem iria perguntar, não importa também.

“Alecccccc”

“Sim?”
“Onde está indo?”

“Ver se existe algum lugar que o posso trazer aqui, algo com animais.”

“Passamos por um petshop agora mesmo.”

Ele virou na hora apavorado. “O que? Como?”
Essa cidade era grande, não ficaria surpresa se tivesse apenas um pet shop. E nem havia tantos animais nela.

“Vamos para a próxima cidade?”

“Não desista ainda.” ele olhou um gato preto e nenhum dos dois piscavam.

Os dias se passaram e nada.

Nada e mais nada.

Alec bateu o pé em não sair. Ele insistia que iríamos encontrar o lobo aqui, seus instintos o contava.

O nosso dia ou melhor noite, tinha a mesma rotina. Vigia cada rua e canto da cidade alegre. De vez enquanto eu aproveitava o que me causava algumas cenas de vergonha vindo de Alec.

Hoje não seria diferente, ou eu pensava.

A noite brilhava mais que o normal comparando os outros dias. Olhei diretamente para o céu.

Era lua cheia.

Eu tinha que achar Alec. Agora! Sua aura estava distante mas ainda é rastreável. Senti Nesrin se mover nas sombras indo na mesma direção. Quando mais eu ia atrás mas longe do centro da cidade ficava. As luzes dos postes iam diminuindo. Ouvi uivos que aumentavam enquanto eu chegava onde Alec estava.

O lobo rosnou contra o vampiro na sua frente. Seu braço pingando sangue.

Alec pulou e atacou o lobisomem na sua frente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.