As Viagens De Lucy Heartfilia
1 Não Sei Mais Quem Sou
Notas iniciais
"Só merece a felicidade quem acorda todos os dias disposto a conquistá-la".
~✈~
"Lucy Heartfilia é sem dúvida alguma, uma das escritoras com maior influência na atualidade. Seu romances encantam pelo deleite dos casais e pelo o enredo com final feliz que todos esperamos que eles tenham. Porém, parece que a vida amorosa de nossa escritora não se parece nem um pouco com seus Contos de Fada. Ao que parece, seu casamento com o grande empresário Sting Eucliffe está indo de mal a pior! Depois de um ano sem lançar nenhuma nova obra, Heartfilia demonstra estar perdendo o seu brilho. Seria seus livros uma maneira de mostrar a todos seus mais profundos sonhos de uma vida amorosa? Descubra aqui, no Almanaque das Fofocas"!
Arranquei a página da revista, raivosa. A amassei até virar uma pequena bola de papel e a joguei no lixo. Passei a mão pelos cabelos frustrada e fechei os olhos tentando por em ordem meus pensamentos.
– Que desperdício de árvores Lucy... — Uma voz feminina falou. Abri meus olhos e encontrei uma mulher de baixa estatura, com curtos e repicados cabelos azuis. Era Levy, minha melhor amiga.
– Você viu o que aquela imbecil escreveu sobre mim?! Fique satisfeita de eu jogar apenas uma folha. Minha vontade é de jogar a revista inteira! — Falei raivosa e bati minha cabeça sobre a mesa a minha frente.
– Tão jovem e já está irritada assim? — Levy disse rindo e senti ela se aproximar. Levantei minha cabeça lentamente e a olhei, suspirando cansada.
– Não sei mais o que eu faço. Essa... Desgraçada da Lisanna! Ela nunca foi com a minha cara, desde a faculdade!
– Eu sei, eu sei... — Levy falou calma e sentou-se na cadeira em frente a minha mesa. — Mas então, como você está?
– Na medida do possível... Mas me sinto cansada... — Falei massageando minhas têmporas.
– Cansada demais para um almoço com a melhor amiga?
– Isso nunca. — Falei sorrindo de leve e levantei da cadeira indo até ela.
– Ótimo! Então vamos, nosso restaurante favorito já vai fechar. — Ela disse já indo até a porta da minha sala. Peguei um casaco e saímos correndo porta a fora, pelas ruas de New Jersey.
~✈~
Caminhamos apressadas entre as pessoas até pararmos em frente a uma pequena porta com um letreiro quase que imperceptível: Savoy.
Olhei para Levy sorrindo e ela retribuiu o cumprimento. Abrimos a simples, mas sofisticada, porta de madeira e entramos no recinto.
O local era bastante rústico, mas simples e belo á sua maneira. Sentamos na nossa mesa de sempre e logo nosso amigo, dono do Savoy, veio nos saudar.
– Garotas! Que alegria tê-las aqui! — A voz forte e alegre dele falou.
– Gildartz! — Falamos juntas, animadas.
– Como estão moças bonitas? — Ele falou brincalhão.
Gildartz era um homem já se encontrando na casa dos quarenta anos. Possuía cabelos ruivos de comprimento mediano e seus olhos escuros estavam sempre transbordando bom humor.
– Ah, está tudo bem... — Falei suspirando cansada.
– O que foi pequena? — Gildartz falou com a expressão preocupada e sentou-se conosco. Como o restaurante praticamente já fechara, não havia problema em conversar um pouco.
– Só o trabalho está... Cansativo demais. Eu acho que estou precisando tirar umas férias, hehe. — Falei rindo sem graça. Não era totalmente mentira. Eu realmente precisava sair do meu ambiente de trabalho.
Gildartz me observou desconfiado por mais alguns segundos, mas depois pareceu ter se conformado.
– É sempre bom sair em pouco da rotina da nossa vida. — Disse sorrindo humorado e afagou meu ombro amigavelmente. — O de sempre meninas?
Assentimos e Gildartz pediu licença para preparar nossa refeição. Soltei mais um audível suspiro quando ele retirou-se e olhei para Levy.
– Lucy, eu sei que tem algo lhe incomodando e não é a bisbilhoteira da Lisanna. Por favor, me diga... — Levy pediu com a testa franzida de preocupação.
– Ah Levy... Não sei mais o que eu faço com Sting. — Confessei passando a mãos pelos meus cabelos desconcertada. — Não é mais a mesma coisa entende? Aquela paixão que eu sentia... Nós nos distanciamos aos poucos, e mesmo sem perceber, Sting está focando demais no trabalho e esquecendo de mim. — Suspirei triste. — Puxa... Nem... Sexo fazemos mais. — Sussurrei a última parte envergonhada.
– Entendo... — Falou Levy. — E você já tem alguma solução em mente para isso?
Ah, perguntinha complicada, minha amiga.
Eu tinha diversas soluções passando pela minha cabeça constantemente. E a ideia de uma delas me apavorava demais.
Eu gostava de Sting. Mas, de uma maneira diferente daquela que eu sempre imaginei, era mais amizade do que qualquer outra coisa, e isso era confuso demais.
– Ainda não. — Respondi por fim. A resposta gritava na minha mente e eu decidia ignorá-la. Pelo menos por enquanto.
– Bom, precisando de algo, sabe que estarei aqui. — Levy disse de modo gentil e segurou minhas mãos sobre a mesa.
Apenas sorri agradecida e mudamos de assunto até Gildartz trazer nosso almoço.
Comemos a maravilhosa refeição feita pelo nosso amigo, pagamos e nos dirigimos a saída do restaurante, prontas para mais um turno de trabalho.
Estava caminhando para fora do estabelecimento quando uma mão de tato áspero segurou meu braço delicadamente.
Virei-me e encontrei Gildartz olhando-me com atenção.
– O que foi Gil? — Perguntei incerta.
– Gostaria apenas de lhe dar um conselho, querida: Não seja alguém que você sabe que nunca será. Seja aquilo que quiser. Faça o que quiser. E não deixe a vida passar diante dos seus olhos como um borrão. Viva.
O encarei extasiada pelas suas palavras. Eram sinceras e continham preocupação.
Gildartz me puxou para um abraço e passei meus braços seu redor, sentindo seu acolhedor gesto.
– Obrigada Gil. — Falei sorrindo e me afastei. Despedi-me e segui Levy para fora do Savoy, indo até o nosso trabalho.
– O que ele disse a você? — A azulada perguntou curiosa.
– Nada de mais. Foi apenas uma solução. — Falei olhando para o céu azul pincelado pelas nuvens fofas e brancas.
Eu sabia o que precisava fazer.
~✈~
Já era noite quando eu cheguei em casa.
A primeira coisa que fiz foi tomar um banho relaxante de banheira, coisa que eu nunca fazia, mas me permiti dar esse luxo ao menos uma vez.
Saí da água quando esta já estava gélida demais para o meu gosto e meus dedos estavam enrugados. Por alguma razão, a visão não me agradou.
Coloquei um roupão e no caminho do quarto parei de frente ao espelho do banheiro e suspirei ao olhar meu reflexo.
Ergui minha mão e toquei minha face refletida no espelho.
Grandes e castanhos olhos sem brilho algum. Expressões sérias e sem ânimo.
Quem é você e o que fez com Lucy Heartfilia?
Era o que eu gostaria de saber.
Sem mais o que fazer, rumei para meu quarto colocando uma camisola e desci as escadas em direção a cozinha para preparar meu jantar. Sem Sting.
Depois de poucos minutos, eu estava sentada de frente para um grande prato com comida, e olhei ao meu redor.
A televisão estava ligada em um canal qualquer, sendo esse o único som existente na casa, fora os cachorros latindo na rua e a vizinhança que costumava ir dormir tarde.
Ainda em silêncio, tive minha refeição e entediada, sentei no sofá e olhei para a TV sem interesse.
Apertei o controle na minha mão apreensiva. Olhei para o relógio e vi que ainda faltavam duas horas para Sting chegar. Droga.
Eu estava decidida a falar com ele sobre aquilo. Não seria fácil para ambos os lados, mas eu sabia que era a escolha certa a se fazer.
~✈~
O tempo passara demasiadamente devagar. Eu estava quase desistindo e indo dormir, quando eu ouvi o barulho do carro de Sting.
Engoli em seco e abracei uma almofada. O momento estava se aproximando e eu não sabia se estava preparada para isso.
A porta se abrira e a figura cansada do meu... Marido, entrou dentro de casa.
– Boa noite Sting. — Falei calma.
O belo homem loiro olhou imediatamente para mim, surpreso.
– Lucy? O que está fazendo acordada?
– Estou sem sono. — Falei. Não era mentira.
– Entendo. — Sting disse e sentou-se ao meu lado no sofá, suspirando profundamente e coçando a cabeça. — O trabalho estava um inferno hoje, pensei que fosse enlouquecer!
Sorri solidária, mas logo meu sorriso se desfez ao lembrar-me o que eu queria falar.
– Sting...? — O chamei.
– Hum. — Murmurou.
– Eu sei que está cansado, mas eu preciso conversar com você.
Isso pareceu espantar momentaneamente seu cansaço e seus limpos olhos azuis se encontraram com o meu olhar ansioso.
– Bem, então fale.
Inspirei e expirei antes de soltar a bomba.
– Sting. Eu quero divórcio.
Fale com o autor