As Tragicomédias da Vida Privada
3 As duas metades de Inês - Parte Final
E Inês fica indecisa entre trair o marido e se aproveitar dos anos de aurora do garoto.
Eis que Lécio adentra a sala. Inês tenta conversar com o marido, que é rispido.
A voz alterada de Lécio chegam a Inês como um sinal de liberdade e emancipação.
Descendo para ir ao mercado Inês cruza com Murilo. Parecia que seus pensamentos o atrairam até ela, de forma que seu olhar estivesse de certa forma preparado para cruzar com o dele.
Alice sussurava nos ouvidos de Inês "Não se preocupe, o pecado é o alimento da alma!"
Murilo então convidou Inês para ir a sua casa no dia seguinte.
Ao chegar em casa Inês vestia sua melhor roupa, queria impressionar na visita.
Mas uma duvida a atormentava: "O que o garoto via de tão interessante em mim? Porque me observava?"
Mas pouco importava, no dia seguinte Inês estaria lá!
As duas estava lá na casa de Murilo. Inês tremia, lacrimejava, mas ardia! Murilo a atendeu com um sorriso de recompensa, Inês entrou rapidamente com medo de ser vista.
Durante horas conversaram, ele contou que morou em Portugal durante alguns meses, é escritor, publicou recentemente um livro. Ela não tinha muito o que contar, sua vida era tão básico quanto azuleijo branco e tão parada quando as águas de um aquário.
Murilo pediu licença e foi até a cozinha, Inês viu seu livro sobre a mesa "Sobre o que o encantador autor escreveria?", Inês abriu o livro e leu a frase: "E Danem-se os moralistas, o pecado alimenta a alma".
Aquela frase não lhe era estranha. Inês folheou o livro. Nas páginas via uma história cuja a protagonista era Iná, que conversava com duas outras mulheres que só existiam em sua imaginação.
Como ela podia se aproveitar de Inês aquele ponto. Parecia tudo muito louco, mas olhando pela janela Inês percebia que era capaz de se ouvir toda e qualquer barulho de sua casa do apartamento de Murilo.
Inês mantinha o péssimo habito de conversar em voz alta com Alice e Ângela.
Sua indignação era tamanha q acabou esbarrando no computador de Murilo e lendo a seguinte fraes "Os novos dilemas de Iná". A dona-de-casa se sentia roubada, violada com sua intimidade maquiadamente escancarada, eis que surgem Alice e Ângela.
Alice fuma e depois de ouvir o lamento de Inês, pergunta a sua Matrioskha: "E você? Sente-se usada? Mas para que você quer o garoto, quer ama-lo?".
Inês então, deu-se conta. A vida não passa de um jogo de interesses. Tanto faz a ela que Murilo roubasse sua vida, contanto que ela sana-se sua carência.
Murilo volta da cozinha com duas taças de vinho, eles brindam.
Inês então olhando para Murilo dedica o brinde: "Ao uso descriminalizado da razão como guia dos sentimentos!"
Murilo pergunta da onde saira a tão bela e inteligente frase.
"De um futuro livro!", exclama Inês, com um sorriso no canto da boca.
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