As Três Graças de Winston
1 Capítulo Único
A pequena cidade de Winston parece esquecida no tempo. Todos os seus vinte e dois mil habitantes eram pessoas muito simples e raramente presenciam algo muito hermético. A maior parte de seus moradores é bastante religiosa e, toda estrutura da cidade fora construída em torno da Igreja de São Francisco, a qual se localiza na praça central, cenário do acontecimento mais assombroso visto pela população obtusa.
Por ser uma cidade pequena e simples, possui apenas uma delegacia, cujos policiais trabalham ao lado do investigador mais famoso daquela circunvizinhança. Thomas Harrison era um exímio detetive. Ninguém duvidava daquilo. Pelo contrário, era comparado a Sherlock devido à sua tamanha facilidade em solucionar os crimes a ele encaminhado. Porém em seus trinta e cinco anos de experiência, Harrison jamais havia visto algo como aquilo.
As três filhas dos Stenfield, Sarah, Hannah e Ruth eram conhecidas em toda cidade. Foram as primeiras trigêmeas idênticas nascidas em Winston nos últimos duzentos e trinta anos. Um dia simplesmente desapareceram, sem rastros, sem avisos, o que já era estranho, pois as adolescentes de treze anos não passavam despercebidas com seus cabelos claros em caracóis.
Duas semanas depois, Harrison foi chamado à praça central, onde um suposto milagre havia acontecido. As três irmãs, debruçadas uma sobre as outras, cobertas de gesso foram colocadas ali, sem vida, como um monumento sagrado, uma escultura grega. As carolas chamaram aquela cena de “O milagre das Três Graças”.
Os pais estavam desolados. Apesar de terem outros três filhos – um rapaz mais velho e um casal mais novo que as meninas –, perder três filhas de uma só vez era avassalador dadas as circunstâncias, e as informações que Harrison havia recebido do único legista da cidade não lhe davam embasamento algum. Não foram identificadas marcas de corte ou de balas, muito menos sinais de luta. Era quase como se as moças tivessem sido atraídas por seu algoz e posado para ele como suas musas.
A cena parecia artística demais para qualquer morador de Winston, ou até mesmo das cidades vizinhas. Estavam lidando com alguém realmente muito bom. Aquilo perturbava sobremaneira a mente de Harrison. Como três meninas tão conhecidas poderiam desaparecer de modo tão misterioso sem serem notadas? Harrison estava determinado. Ele não dormiria enquanto não encontrasse o que havia acontecido. E não dormiu. Quanto mais investigava, mais perguntas lhe surgiam. A que horas saíram? Quando foram vistas pela última vez? A que horas foram postas no centro da praça? Onde estava o padre? Onde estavam seus pais? Seus irmãos? Quando deram falta delas? E na escola, com quem falavam? Com quem saíam? Para onde saíam? Ninguém noticiou nenhum evento estranho? Todos apenas se contentavam em aceitar que aquilo havia sido um milagre.
Thomas Harrison era ateu. Para ele nada daquilo fazia sentido. Mas a cidade era tão alienada que contra aquilo nada poderia fazer a não ser investigar. Por três meses ele investigou arduamente de casa em casa, de estabelecimento a estabelecimento; do padre ao coveiro, da professora à parteira, do médico ao pedreiro, do policial ao prisioneiro, todos os dias sem pausa.
Ele estava focado naquilo, não fazia nada além de investigar e, estava certo de que estava chegando a bons resultados. Foi quando após um dia fatídico de investigações notou que a porta de seu escritório estava aberta, porém ele se lembrava bem de tê-la trancado bem. Sua destra tocou o revólver em sua cintura, enquanto a canhota tocou a maçaneta. Lentamente ele avançou para dentro, porém antes que Harisson pudesse dar dois passos, sentiu uma pequena picada, quase como a de um mosquito, fazendo-o rapidamente cair diante dos pés de alguém de quem ele pode reconhecer o rosto. Seu último suspiro foi um balbucio que escapou de seus lábios:
— Você...
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