As Três Faces do Medo.

5 Capitulo 4: Histórias de famílias.


Notas iniciais
Eae? Tudo bem pessoas? Aqui vamos nós com mais um capítulo... Um tanto pequeno eu sei, mas não consegui dar continuidade a ele...Vamos lá... [Capítulo Revisado e Repostado]

Pov Naruto on:

Ele estava ali, ajoelhado à minha frente e, os olhos negros, que à distância pareceram-me frios, transmitiam calma e serenidade. O pequeno sorriso em seu rosto passava confiança, mas mesmo assim não consegui confiar nele... Seu sobrenome é Uchiha, assim como o dele.

— Vo-Você é parente do Sasuke? — sim, isso foi uma pergunta um tanto estúpida. Eu não estou em condições de formular algo melhor, mas ainda quero saber que tipo de parentesco eles têm.

— Você conhece meu otouto? — irmãos! Deus, eles são irmãos!

— Ele estuda na mesma sala que eu — olhei para meus pais tentando mostrar que não queria ficar ali, não queria consultar-me justo com alguém tão próximo de um “conhecido”.

Eu sei que para alguns isso pode parecer besteira, mas para ter uma vida quase normal, acho imprescindível que as pessoas não saibam do meu problema. A sociedade não aceita o diferente. Obviamente eu não sofreria preconceito explicito, afinal, meus pais não me deixariam sofrer qualquer discriminação por causa da minha doença, só que ninguém pode evitar os olhares que lançam sobre pessoas como eu, apenas ao saberem do problema. Alguns expressam pesar, como se eu estivesse à beira da morte; outros receio, como se eu fosse atacá-los. Alguns, automaticamente, me olham com certo desprezo, me acham um inválido... e, por último, os piores: aqueles que demonstram pena.

Eu sou um adolescente quase normal, a única diferença é que, quando sou exposto a certos tipos de situação, minha mente reage de forma diferente e outra personalidade “surge”. É fato que tenho algumas paranoias, mas eu fui sequestrado aos seis anos... Como não iria desenvolver paranoias após isso? Além do mais, ainda não tenho lembranças sobre aquele período, sobre o trauma me fez bloquear aquelas memórias.

— Faz tempo que não o vejo... — será que fiquei muito tempo divagando? Itachi-san parece estar... Triste? — Sinto saudades dele.

Ele se endireitou, mas ainda permaneceu parado à minha frente, os olhos dele agora fitavam um ponto qualquer da parede branca atrás de mim. Não consegui refrear minha curiosidade.

— Porque vocês não se veem? — ele voltou os olhos para mim.

— Eu fui expulso da família Uchiha. Apesar de ainda carregar o sobrenome, não sou mais o herdeiro.

Meus pais pareceram surpresos ao saber disso e eu também fiquei. Quem expulsaria o próprio filho? Talvez seja por isso que Sasuke é frio daquele jeito.

— Você poderia me acompanhar até o consultório, Naruto-kun? — o médico colocou uma mão sobre meu ombro e, novamente, o pequeno sorriso estava em seu rosto.

Lancei um olhar para meus pais e ambos assentiram, me encorajando a ir. Eu ainda estava receoso, mas não poderia negar. Eu sei que eles também estão se sentindo assim. Meus pais, para evitar constrangimentos com a mídia e por medo de um novo sequestro, nunca permitiram que psiquiatras de fora da família tratassem do meu caso. Eu sempre me consultei com meu tio Nagato ou minha tia Shizune, só que agora ele estava no País do Vento e ela havia se especializado em outra área da psiquiatria.

Itachi-san ainda estava com uma das mãos em meu ombro e me encolhi um pouco. Não gostava que desconhecidos me tocassem durante muito tempo e ele pareceu perceber, pois afastou a mão de mim. Lado a lado, caminhamos em direção ao consultório dele.

Pov Naruto Off.

O casal olhava para a porta do consultório, agora fechada, uma pequena ansiedade perturbando suas mentes. O loiro passou um dos braços pelos ombros da ruiva, que se inclinou e aconchegou-se a ele.

— Você acha que Naruto ficará bem? — a pergunta saiu em um sussurro cansado.

— Eu contei a Itachi-san o que aconteceu com Naruto entre ontem e hoje e ele pareceu-me bastante disposto a ajudar nosso filho, mas sem deixar de agir profissionalmente. O rapaz, numa primeira impressão, pareceu confiável — Minato acariciava delicadamente os cabelos ruivos de sua esposa.

— Será que fizemos mal em deixá-lo nas mãos de familiares por tanto tempo? — puxou o marido para ambos sentarem no sofá da sala de espera. — Nós queríamos apenas protegê-lo, mas será que fizemos o certo? É óbvio que Nagato nii-san e Shizune-san, não conseguiam, muitas vezes, diferenciar o paciente Uzumaki Naruto, do sobrinho Naruto — os olhos verdes ficaram repletos de lágrimas.

— Pode ser, mas não se sinta culpada por isso. Nós não fizemos por mal — secou as lágrimas que molhavam a face da esposa. — Estávamos apenas com medo de expô-lo a outras pessoas e, sem saber, não demos margem para amenizar seu problema... — ele ficou momentaneamente parado, analisando suas próprias palavras e sentiu uma angustia esmagar seu coração.

— E o que mudou, agora? Nós desistimos de protegê-lo? — ela virou-se, para fitar os olhos do marido.

— Agora nós estamos realmente pensando em nosso filho e não apenas no medo de perdê-lo — Minato deu um sorriso apagado.

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Dentro do consultório, Naruto estava em pé, olhando nervosamente ao redor. A sala era a mesma que seu tio usava antes, não havia nada de diferente. As mesmas paredes brancas, a mesma mesa de madeira escura e trabalhada, a poltrona de couro negro atrás da mesa, no canto o divã cor creme e, ao lado deste, uma poltrona na mesma cor.

Itachi analisava o adolescente com olhos clínicos. A postura um pouco curvada, a cabeça baixa, os olhos vivos atentos ao redor, mas nunca presos ao moreno, as mãos rentes ao corpo e os lábios apertados. Ele sabia que o loiro não ia falar nada e nem sair do lugar; o garoto parecia amedrontado demais para ao menos se mexer.

— Você não gostaria de saber o porquê de eu ter sido deserdado? — os olhos azuis encararam momentaneamente os seus, mas se desviaram rapidamente.

— N-não precisa dizer se... se não quiser... — o menino apertou as mãos uma na outra, nervosamente.

— Bom, não me custa nada compartilhar um pouco da minha história com você, afinal, você também irá compartilhar a sua comigo, não é mesmo?

O moreno tirou o jaleco, caminhou até o loiro e colocou o traje sobre os seus ombros, em seguida foi até o divã e acomodou-se relaxado. Naruto encarava o homem, estático. A aparência dele o deixava inquieto, mas sua atitude não indicava nenhuma ameaça. Decidiu ter um pouco de coragem, vestiu propriamente o jaleco e começou a andar lentamente até a poltrona ao lado do divã.

— Você terá que me prometer uma coisa antes de começarmos, Naruto-kun — o adolescente parou, a voz séria o fez encolher-se ligeiramente. — Tudo que eu falar aqui, deverá ficar aqui. Você não deve contar sobre minha vida a ninguém, da mesma forma que eu não posso falar da sua. Você tem de prometer que tudo compartilhado neste consultório, irá ficar guardado sob sigilo profissional, ok?

— Nem os meus pais irão saber das coisas que eu contar para você? O tio Nagato sempre contava algumas coisas para eles — sentou-se na poltrona cor creme.

— Nem eles — balançou negativamente a cabeça. — Aquilo que quiser compartilhar com seus pais deverá ser contado por você e não por mim. Meu dever como médico demanda que eu deva passar relatórios a eles com relação a seu estado, assim como prescrição ou restrição de medicamentos, ou outras coisas clinicas. No entanto, os assuntos abordados nas consultas não devem ser repassados a eles, entendeu?

— Entendi — uma expressão confusa surgiu na face do loiro. — Itachi-san, você pode agir como meu paciente?

— Nunca soube sobre alguma regra que me proibisse de algo assim. Você só não poderá ordenar minha internação em um sanatório e nem prescrever medicamentos — sorriu para o jovem e este corou.

Será que o sorriso de Sasuke era daquele jeito? Ou era ainda mais bonito?

— Certo, vamos começar... — Itachi relaxou no divã. — Meu nome é Uchiha Itachi, tenho vinte e seis anos e aos dezessete ingressei na faculdade de medicina. Após sete anos de estudo, me graduei como médico especializado em psiquiatria.

— Você tinha minha idade quando começou a fazer faculdade? — o moreno comemorou internamente, ao perceber que o receio do jovem diminuía.

— Sim, eu concluí os estudos básicos um ano adiantado e sempre fui um aluno com notas excelentes. Minha família não aceitava menos que isso...

— Acho que ainda não aceita. Sasuke tem excelentes notas... — a voz de Naruto foi diminuindo até silenciar-se.

— Pelo que seu tio me contou, você também tem um desempenho escolar ótimo — tentou mudar o rumo da conversa.

— Tenho, mas é porque eu não faço muita coisa além de ler, assistir TV e estudar.

— Você poderia sair mais, talvez passear com seus pais ou seus avós... — levantou o tronco, apoiando-se nos cotovelos, para poder encarar melhor o adolescente.

— Eu sou muito estranho para andar com eles, não quero que passem vergonha — o loirinho fez uma careta.

— Se é isso que você acha... — o Uchiha voltou à postura relaxada. — Hoje não viemos falar de você e sim da mim, correto? — viu o menino assentir. — Eu tive uma infância relativamente normal. Minha mãe sempre foi carinhosa e presente, já meu pai nunca foi um homem afetuoso ou algo assim, mas isso nunca chegou a me afetar. Sempre convivi apenas com os Uchiha e todos agiam de forma quase igual, então não poderia sentir falta de algo que não sabia existir.

— Meu pai não pode estar comigo 100% do tempo, no entanto, em seu tempo disponível ele sempre está presente. Mesmo quando eu estava no internato ele ia me visitar regularmente, para saber como eu estava e para contar um pouco do seu dia-a-dia — um pequeno sorriso cresceu no rosto do Uzumaki.

— E sua mãe?

— Não tenho do que reclamar, ela é a melhor mãe do mundo — os olhos azuis brilharam, mas foi muito rápido. Em centésimos de segundos a opacidade retornou.

— Você é bem sortudo, então — deu um curto riso, não deixando de analisar cada reação de seu paciente. — Um dos melhores dias da minha infância, foi o dia do nascimento de Sasuke. Naquele dia eu jurei que sempre iria proteger meu irmãozinho, tão frágil e molenga.

O loiro que tinha ficado fascinado, acabou soltando um riso ao escutar o “molenga”.

— O que foi? — Itachi arqueou uma sobrancelha e o loiro voltou a ficar sério. — Vai dizer que você não era molenga quando nasceu? Todos, quando nascem, são carecas, banguelas, vermelhos e molengas — outro riso contido foi escutado na sala.

— Você queria proteger o Sasuke por ele ser molenga? Geralmente todos acham os bebês bonitinhos e delicados... Mas molenga? Perdoe-me, Itachi-san, mas isso é estranho.

— Eu nunca fui muito normal, mesmo — fez um gesto de descaso. — Meu otouto era tão pequeno... Minha mãe vivia dizendo, durante a gravidez, que eu deveria cuidar e guiar Sasuke, para ele se tornar um bom garoto, assim como eu. Eu fiz e faço o melhor que posso até hoje para cumprir meu papel, mesmo sem estar perto dele — Itachi fechou os olhos.

O silêncio caiu sobre os ocupantes daquela sala. O moreno parecia perdido em pensamentos e o Uzumaki tentava refrear a própria curiosidade, mas estava ficando difícil.

— Porque você foi deserdado? — perguntou baixo.

— A família Uchiha guarda um segredo. Quando descobri sobre ele, tentei fazer com que viesse a público, mas a única coisa que consegui, foi ser renegado por meu próprio pai — o Uchiha ficou inexpressivo.

— É algo muito ruim? — o homem o olhou, um pouco confuso. — O segredo. É algo muito ruim?

O médico encarou o menino e um sorriso fraco surgiu em sua face.

— Não se preocupe com isso, Naruto-kun — esticou o braço e bagunçou os cabelos loiros do outro, mas rapidamente encerrou o contato.

— Tudo bem — o garoto não pode evitar o temor que o dominou por segundos, quando sentiu o afago, e nem o suspiro aliviado quando a mão do moreno se afastou.

— Acho que por hoje concluímos a consulta, Naruto-kun — Itachi se levantou, esticou o corpo e depois sorriu. — Pode me entregar o jaleco?

— Ahn? — olhou a si mesmo e rapidamente retirou o jaleco, um tanto atrapalhado, e entregou ao mais alto — Desculpe... — murmurou.

— Não há o que desculpar, eu entreguei-o a você — balançou a cabeça e vestiu o jaleco.

— Agora você ira querer saber sobre mim? — indagou desconfortável.

— Não será necessário. Já descobri o suficiente sobre você por hoje.

— Mas eu não lhe disse nada!

— Disse sim... — cruzou os braços. — Você não sai muito, é um bom aluno e admira seus pais. Não gosta de ser tocado por desconhecidos, ainda consegue sorrir por coisas bobas e considera bebês fofos. Tem vergonha de expressar sua opinião e medo de ser um estorvo.

— Como você descobriu isso? — seus olhos estavam um tanto arregalados.

— Você me disse e demonstrou hoje — piscou um olho e colocou as mãos dentro dos bolsos da calça. — Relembre nossa conversa e você irá perceber.

— Hm... — Naruto ficou em silêncio, mas então seus olhos arregalaram-se. — A carta!

— Carta?

— Sim eu escrevi uma carta para entregar a você, minha avó pediu... Você a deve ter lido e descoberto isso.

— Eu não recebi carta alguma — o moreno franziu o cenho. — Na verdade, eu nem sabia sobre esse pedido de sua avó.

O loiro parou, seus olhos cravados no piso branco do consultório, mas sua mente distante. Itachi viu os olhos do garoto enxerem-se de lágrimas e seu corpo começar a tremer.

— Naruto-kun?

O loiro correu pra fora da sala, foi em direção a seus pais e pegou a mochila que estava com eles. O Uchiha o seguiu e assistiu em silêncio o desespero do jovem, que virava a bolsa de cabeça para baixo e derrubava todo o material no chão.

— Filho o que está acontecendo? — Kushina tentou ir em direção ao filho, mas Itachi a parou com um gesto de mão.

— Onde está? — perguntou entre soluços. — Onde está? — vasculhou os bolsos, folheou os cadernos e livros, remexeu em todos os papéis, mas quando não a encontrou, simplesmente congelou.

— Ela estava na sua bolsa, Naruto-kun? — o médico agachou-se ao lado do jovem e este assentiu, aéreo. — Quando você escreveu essa carta? — os olhos azuis, vazios, fitaram os negros do médico, sem realmente enxergá-lo.

— No dia que fui atacado — sussurrou. — Eles arrancaram a bolsa de mim naquele dia, ela deve ter aberto... — apertou os olhos e levou as mãos à cabeça.

— Eu não queria aquilo, eu não queria ser tocado, mas eles eram mais fortes! Eles xingaram meu avô e minha avó, mas eu sou fraco e nem os defendi! — começou a puxar os fios loiros com força. — Eu não queria! Eu nunca tinha feito nada para merecer isso, mas por quê? Por quê? Eu não queria ver o sangue, eu não os ataquei! Não sou o culpado! — gritou.

Os pais do loiro começaram a chorar também. Era pressão demais e eles sentiam-se esmagados por sentimentos conflitantes. Tinham raiva daqueles garotos por terem tentando algo tão hediondo contra seu pequeno, mas, ao mesmo tempo, sentiam-se penalizados por eles terem sido atacados tão horrendamente.

O médico encarou os três. O casal abraçado, tentando controlar o próprio sofrimento, enquanto o loiro, ajoelhado no chão, soluçava alto, tremia, puxava com cada vez mais força os cabelos e soltava lamentos, como se estivesse sentindo dor.

A cada soluço do adolescente ele via Kushina apertar mais forte o tecido da blusa do marido, enquanto este tentava esconder cada vez mais o rosto nos cabelos vermelhos da esposa.

Suspirou. Uma raiva intensa ressurgiu dentro de si, mas não poderia deixar-se levar, ou todo o esforço que fez teria sido em vão. Bipou uma enfermeira e, quando esta apareceu, pediu que trouxesse calmante e um sedativo.

A mulher voltou rapidamente e, junto dela, vinha Tsunade a passos rápidos. Quando a loira viu a situação, ficou pálida, mas apenas um olhar do Uchiha a fez se controlar e agir profissionalmente. Ela foi até o casal e os afastou do filho.

Itachi se reaproximou de seu paciente, mas, ao tentar tocá-lo, o menino começou a gritar e se debater. Com a ajuda da enfermeira, o imobilizou e aplicou o sedativo; em poucos segundos, Naruto estava calmamente adormecido.

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Risadas e conversas infantis enchiam o ambiente. Viu dois meninos correndo, pulando e rolando juntos na grama. Duas crianças felizes. Sentiu-se triste por não ter a capacidade de sorrir daquela forma inocente e despreocupada. Os dois sentaram-se no chão, um de frente para o outro. Ele não conseguia ver seus rostos, então se aproximou mais. Conseguiu ouvir a conversa deles, mas só podia enxergar parte de seus rostos. Especificamente suas bocas.

— Você promete? — um deles indagou, ansioso.

— Não precisa! — a risada cristalina do pequeno soou, mas o que perguntou ainda estava sério. — Eu prometo! E você, promete?

— Você sempre será o mais importante dos meus amigos. É uma promessa!

Os meninos uniram os mindinhos para selar a promessa, e foi aí que ele viu. O menino que havia perguntado primeiro abriu um sorriso singelo e tímido, mas extremamente belo. Sentiu um calor envolver seu coração.

Então uma sombra projetou-se sobre eles e arrastou uma das crianças para longe da outra. O pequeno se debatia e gritava.

Abriu os olhos e sentou bruscamente. Olhou em volta deparando-se com um quarto branco. As lembranças do porquê de estar ali encheram sua mente.

— Está melhor, Naruto-kun? — Itachi o encarava sério. Ele estava em pé ao lado da porta.

— Sim. Desculpe pelo ataque — a voz saiu tão baixa, que o Uchiha quase não escutou.

— Sem problemas.

— Onde estão meus pais?

— Tsunade-sama ordenou que eles fossem descansar em casa.

— Certo... Há quanto tempo estou dormindo?

— Apenas algumas horas.

— O senhor ficou aí esse tempo todo?

— Não, mas você ficou sob minha responsabilidade, então vinha verificá-lo regularmente.

— Obrigado.

— Não há o que agradecer. Você é meu paciente agora, isso é minha obrigação.

— Quando poderei ir para casa?

— Você está mais calmo?

— Estou.

Itachi percebeu que era mentira, mas não poderia insistir.

— Então irei apenas examiná-lo e você já poderá ir para casa.

O moreno examinou-o rapidamente. Não pode deixar de perceber que o garoto ficou tenso com sua aproximação, mas não havia outra opção. Dez minutos depois, Naruto estava a caminho de sua casa, junto de seus avós.

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Os pais de Naruto preferiram deixá-lo em casa pelo resto da semana. O garoto praticamente não saiu do quarto; estava envergonhado por ter feito as pessoas que mais amava chorarem outra vez. Além disso, a preocupação por ter perdido a carta que havia escrito a seu psiquiatra o afligia.

O que o deixava um pouco mais feliz eram seus sonhos. Fazia tempo que não sonhava com nada e nunca sentiu falta disso, afinal, tinha medo de ter pesadelos ao invés de sonhos. No entanto, durante esses dias, ficou esperando a noite chegar, para poder ver os dois garotos brincando e sorrindo. Principalmente o sorriso de um deles. A única coisa ruim era a forma como o sonho acabava: sempre com uma das crianças sendo arrastadas por uma sombra.

— Naruto? — a voz de seu pai soou do outro lado da porta. Era domingo e o mais velho dificilmente trabalhava aos domingos.

O menino abriu a porta e deixou o pai entrar no quarto. Ele sabia que não poderia mais evitar os pais e estava fazendo isso há quase quatro dias.

— Oi, pai — sentou-se à beira da cama, deixando um espaço para o loiro mais velho sentar ao seu lado.

— Oi, filho — beijou a testa do garoto. — Como você esta se sentindo?

— Bem, eu acho. E o senhor?

— Sinceramente, não sei — o homem suspirou. As rugas em seu rosto pareceram ficar mais evidentes, na opinião de Naruto. — Sabe filho, eu gostaria de te pedir desculpas.

— Por quê? — o mais novo arregalou os olhos.

— Por ter medo demais. Por não conseguir te ajudar quando você precisou e por não ter conseguido te proteger. Eu sinto muito, filho — Minato o encarou, os olhos repletos de culpa e com lágrimas prestes a transbordar.

Naruto ficou estático. O pai sempre se mostrou forte diante dele, sempre foi sua fonte de admiração e, mesmo agora, parecendo frágil e cansado, ele ainda era a pessoa que mais confiava e admirava.

— Você não tem culpa pai! — abraçou-se ao mais velho e deixou as lágrimas rolarem por sua face.

— Me perdoe, filho... — apertou seu pequeno, que nem era mais tão pequeno assim, enquanto tentava se controlar.

Sua atitude era errada, não tinha dúvidas disso. Como poderia deixar-se ser acalentado por seu filho? Naruto poderia entrar em crise por sua culpa, mas não conseguiu evitar. Sentia-se esgotado, culpado. Mais do que nunca, a frustração por não ter conseguido proteger seu filho o esmagava. Haviam tentando estraçalhar o que tinha sobrado da alma de seu pequeno, e ele não pôde fazer nada quanto a isso.

— Você não tem culpa pai, não tem...

O adolescente afastou-se, secando as próprias lágrimas. Lembrava-se de todas as vezes que o pai o consolara, cuidando de si em várias crises de choro. Agora era hora dele ser forte, ajudar o outro e não ficar chorando como uma criança.

Tocou delicadamente a face do mais velho, secando-lhe as lágrimas, e depois segurou o rosto dele, olhando o mais firme possível dentro dos olhos azuis, tão parecidos com os seus.

— O senhor não é culpado por nada, pai. Eu sei que, se o senhor pudesse, estaria sempre ao meu lado, me protegendo de tudo que pudesse ser ruim. Eu só não enlouqueci totalmente por você e pela mãe. Vocês sempre fazem o máximo para me ajudar e eu só dou trabalho a vocês dois — o mais velho o encarava impressionado. — Eu que lhe devo desculpas por não ser o filho que você merece, mas prometo que irei me esforçar daqui em diante para não lhe dar tanto trabalho... — tentou sorrir, mas ao invés disso um soluço escapou por seus lábios, enquanto teimosas lágrimas manchavam seu rosto.

Minato voltou a abraçar o filho, fazendo-o encostar a cabeça em seu peito.

— Você realmente não é o filho que eu mereço — Naruto soluçou mais alto. — Você é muito mais que isso. Obrigado, pequeno.

Após alguns minutos, os dois já estavam mais calmos. Naruto afastou-se do pai e fez uma careta.

— Pequeno? Eu estou quase da sua altura já! — cruzou os braços e fez bico.

— Você sempre será meu pequeno, Naruto — sorriu e bagunçou os cabelos do mais novo.

Kushina observava da porta a interação dos seus dois amores com um sorriso calmo nos lábios.

— Mãe — o menino foi até ela e beijou seu rosto, depois parou à sua frente e analisou a mulher. — Tudo bem?

— Sim, pequeno, tudo bem...

— Eu não sou pequeno. Sou maior que você! — o casal riu.

O domingo passou calmo. A família pareceu esquecer, por momentos, de todos os problemas, enquanto aproveitavam a companhia uns dos outros.

Notas finais
Itachi manipulador descarado, contando a história, mas na real tava era colhendo informações!!!! *abismada com a atitude* Quem achou isso muito Uchiha? o/ Minato não chore! T_T Justo no dia dos pais e eu faço isso com ele... Sou uma péssima pessoa! E aí? Gostaram? Merece comentários? Beijos Beijos Até mais! o/