As Três Faces do Medo.

9 Capítulo 8: Caso Arquivado


Notas iniciais
Olá pessoas, como estão?
Espero que bem!
Aqui vai mais um capítulo, espero que gostem.
Capítulo não betado, qualquer erro, por favor, me avisem! :)

Minato havia pensando que Naruto não iria à consulta daquele dia, pois o jeito esquivo e silencioso do filho durante o resto da manhã e parte da tarde deu a entender que ele não queria falar nada com ninguém. Foi surpreendido quando o jovem foi ao seu escritório avisar que estava indo a clínica e depois saiu sem nem esperar o pai dizer alguma coisa.

Naruto não quis que seu pai o levasse, não queria ter que responder as perguntas dele, havia sido difícil ficar àquelas horas se contendo para não dizer besteiras, precisava conversar com seu psiquiatra antes de tomar qualquer decisão!

Chegou ao consultório rapidamente, no entanto quando ficou frente a frente com Itachi, as palavras que diria desapareceram de sua mente, restando no lugar apenas a dúvida e a insegurança. Estavam em total silêncio há quinze minutos, Itachi observava atentamente cada ação de seu paciente e Naruto fazia de tudo para não encarar o moreno.

- Eu sei que o mais fácil é ficar em silêncio, Naruto-kun, mas você sabe que isso não irá ajudá-lo em nada. – Recostou-se a poltrona, adotando uma postura relaxada.

- Tudo que eu disser aqui ficará aqui, certo? – A voz saiu baixa, um tanto tremida.

- Sim, eu lhe disse isso na primeira consulta, essa condição não mudou e não mudará.

- Mesmo se o que eu disser estiver relacionado a um crime?

Itachi ficou algum tempo em silêncio, a expressão neutra. Mas sua mente se enchia de possibilidades e teorias. Será que Naruto havia se lembrado daquele período? O moreno ainda achava muito cedo, mas como não sabia exatamente que tipo de efeito o tratamento de regressão poderia ter em uma paciente igual a Naruto, a possibilidade dele ter lembrando existia.

- Itachi-san... – Naruto encarou o médico pela primeira vez no dia.

- Você pode contar o que quiser tudo que você disser ficará aqui e só será revelado quando você permitir. – Falou calmamente e se endireitou.

- Eu já te contei sobre o que aconteceu quando Kiba, Suigetsu e Sakon me atacaram, não é? – Naruto viu o moreno assentir. – Pelo que eu sei pouco antes deles conseguirem fazer o que queriam, Kyuubi apareceu, eu sei que ele apareceu.

- Como você sabe disso? – Itachi sabia pouco sobre o que acontecia com Naruto no exato momento em que sua personalidade era sobreposta por outra, o garoto evitava falar sobre o que sentia.

- Quando ele aparece eu escuto uma voz grave, na verdade em alguns momentos parece uma espécie de rugido. Como se tivesse um animal enjaulado dentro da minha cabeça. – Fechou os olhos e colocou as mãos na cabeça, como se sentisse dor. – Então sinto um calor me envolver e depois tudo desaparece.

- É sempre assim quando Kyuubi aparece?

- Sim, sempre. – Abriu os olhos. – Quando Naru aparece é como se eu escutasse risos altos, muito altos, depois o mesmo calor me envolve e perco a consciência.

- Então naquele dia Kyuubi apareceu... – Itachi incentivou o loiro, que ficou tenso.

- No dia seguinte os garotos que me atacaram foram encontrados em um beco, muito machucados e um deles até ficou um tempo em coma. – Um soluço escapou pelos lábios do Uzumaki e depois lágrimas começaram a escorrer por suas bochechas. – Hoje eles voltaram a escola...

A intensidade do choro aumentou, o médico pegou uma caixa de lenços sobre sua mesa e entregou ao adolescente, depois voltou a sentar-se na poltrona ao lado do divã e esperou silenciosamente o garoto se acalmar.

- Eles voltaram à escola e insinuaram que foram agredidos por mim, disseram que não irão bater em mais ninguém porque não sabem dos que as pessoas são capazes. – A voz de Naruto foi se acalmando. – E por fim Suigetsu disse que meu segredo iria morrer com eles.

Novamente Itachi ficou sem palavras, se o que esses garotos disseram for realmente verdade, o destino de Naruto seria um reformatório ou então voltaria a viver em regime de confinamento por ser considerado uma ameaça para a sociedade.

- E porque eles não disseram a polícia?

- Porque eles acham que mereceram a surra que levaram. – O jovem cruzou os braços. – Eu não sei o que eles iriam fazer comigo aquele dia no vestiário, mas pelo que disseram era algo que se igualava ao que eles sofreram.

- Não há nada que você possa fazer sobre isso, Naruto-kun. – A calma na voz de Itachi, assustou o loiro.

- O que? Como assim?

- Você não se lembra de ter os agredido e eles se recusam a falar quem é o agressor ou os agressores. – Apoiou os cotovelos nos joelhos, cruzou as mãos e sustentou o queixo sobre elas. – Eu soube algumas coisas sobre essa investigação e de acordo com a polícia não seria possível que apenas uma pessoa sozinha conseguisse machucá-los daquela forma.

Silêncio. Naruto estava de olhos fechados, o moreno estranhou, mas antes de conseguir falar alguma coisa...

- Eu já bati em caras maiores. – Um sorriso presunçoso surgiu na face do loiro. – Tenho certeza que Juugo, mesmo calmo, é mais forte que aqueles pirralhos!

O moreno voltou a expressão neutra, os olhos negros avaliando a postura e expressão do outro.

- O que foi Itachi-chan? – Arqueou uma sobrancelha loura.

- Itachi-san. – Disse friamente.

- Como é? – O sorriso ladino e o desdém na voz, Itachi sabia quem ele era.

- Me trate por Itachi-san, não dei intimidade para me tratar de forma diferente. – Sorriu de lado.

- Como você quiser, Itachi-san. – O sorriso de Kyuubi tornou-se maior e mais natural.

- Não posso perder a oportunidade, afinal talvez seja a única. – Inclinou-se em direção ao jovem. – O que você se lembra sobre o período do sequestro?

Kyuubi soltou uma pequena risada...

- Eu me lembro de tudo, do começo ao fim, digamos que eu tenha ficado com a parte ruim das memórias de Naruto. – Apoiou o rosto em uma das mãos e deu um sorriso maroto. – Também sei sobre você, só não sei o que pretende.

- Você saberá um dia.

- Itachi-san o que será que vai acontecer quando a família de Naruto souber quem você é? Talvez você seja jogado aos lobos depois disso.

- Depois de alcançar meu objetivo eu não me importo de ser jogado aos lobos.

- Só espero que você não prejudique Naruto.

- Não vou machucá-lo, estou aqui para fazê-lo superar seus traumas e unir sua mente fragmentada.

- E quando ele se lembrar de tudo?

- Não importa agora. – O moreno deu um pequeno sorriso. – O que importa é o que aconteceu com aqueles garotos do Instituto.

- Ensinei à aqueles pirralhos que o mundo está muito além da escola deles, que existem coisas e pessoas inexplicáveis. Os ensinei que sempre haverá alguém disposto a fazer com eles o que eles fizeram com outros. – A voz de Kyuubi soou extremamente séria, fazendo o rosto do jovem loiro parecer alguns anos mais velho.

- Ao que me parece aqueles jovens não foram apenas espancados, se fosse apenas isso vingança seria o mais apropriado, ou então um comportamento aterrorizado. No entanto eles não agiram nem de uma forma e nem de outra.

- Eu também sei conversar, Itachi-san, e sou muito persuasivo. Raramente alguém discorda do meu ponto de vista. – Os olhos azuis se estreitaram.

- Sua forma de persuasão pode custar muito caro. – Voltou a cruzar as mãos e apoiar o queixo sobre elas.

- Mas pode não custar nada, os garotos não vão acusar o Naruto, porque eu não sou o Naruto. Vocês podem ficar tranquilos. – Sorriu ladino. – Pelo visto você está fazendo seu trabalho direito.

- O que quer dizer com isso? – Arqueou uma sobrancelha.

- A consciência de Naruto está voltando, só porque a conversa estava interessante. – O loiro fechou os olhos, deitou-se no divã, seus músculos relaxaram e por fim um curto suspiro deixou seus lábios.

- Naruto-kun. – Itachi perguntou suavemente.

O adolescente abriu os olhos assustado, sentou-se e olhou em volta tentando situar-se. Sua respiração acelerada e o corpo tenso.

- O que aconteceu?

- Tivemos uma visita de Kyuubi. – O psiquiatra viu os olhos do jovem se abrirem ainda mais.

Naruto o fitou de cima a baixo, procurando qualquer sinal de agressão, mas Itachi estava exatamente como antes.

- Ele não fez nada a você? – Indagou impressionado.

Naruto nunca ouviu falar de alguém que havia saído ileso de uma conversa com Kyuubi, o outro adorava perturbar as pessoas e parecia ser mestre nisso. Quando a pessoa não ficava fisicamente machucada, ficava psicologicamente abalada de alguma forma. Seus familiares lhe diziam que a presença dele era forte demais para passar em branco.

- Não, nós apenas conversamos e ele disse para você ficar tranquilo. – Itachi torcia para que nada de ruim acontecesse a Naruto.

O loiro suspirou, não escondendo seu alivio, toda a postura tensa desaparecendo em alguns segundos. O psiquiatra franziu o cenho diante da reação.

- Você confia tanto assim em Kyuubi?

- Apesar de aprontar muito, ele nunca permitiu que nada de ruim me acontecesse, não acho que agora seria diferente. – O Uzumaki respondeu calmamente.

- Sabe Naruto: “ele” – fez aspas com os dedos -, é parte de você.

- Eu não consigo me sentir assim, quando as pessoas o descrevem parece que é uma pessoa totalmente diferente, dizem que minha fisionomia muda. – Murmurou.

- Suas expressões mudam, mas sua fisionomia é a mesma. Muito do que ele é você também pode ser, basta confiar em si mesmo tanto quanto confia “nele”. – Novamente fez o sinal de aspas.

- Não é tão fácil! – A voz saiu um tanto irritada.

- Nada é fácil, eu já lhe disse isso. Tudo demanda tempo, paciência e persistência. — Itachi sorriu e olhou o relógio. – Nosso tempo acabou.

- Sempre passa rápido. – O jovem tentou dar um sorriso e se levantou indo em direção a porta, mas parou em frente a mesa do médico e arregalou os olhos.

- O que foi? – O Uchiha parou ao lado do jovem.

- Quase ia me esquecendo. – Viu o moreno gesticular incentivando-o a falar. – Eu estou pensando em contar a Hinata-chan minha condição.

- É bom que você esteja ampliando seus horizontes e confiando em pessoas que não fazem parte de sua família. – Sorriu. – Você disse que ela é uma ótima amiga e uma boa pessoa, só me resta lhe desejar boa sorte.

- Obrigado, Itachi-san. – O sorriso antes um tanto forçado, tornou-se verdadeiro, ainda que pequeno.

- Por nada e até quarta-feira. – Estendeu a mão ao jovem e ficou feliz ao vê-lo aceitar o cumprimento, aceitar o toque de outras pessoas era algo positivo, mesmo que fosse apenas esse pequeno gesto.

- Até quarta e bom descanso. – Saiu da sala.

Itachi pegou o bloco de anotações e fitou por alguns segundos o que estava escrito ali, em seguida foi até a mesa, pegou o celular que estava dentro de sua bolsa e fez uma ligação.

- Ele se lembra de tudo... – Murmurou enquanto esperava a pessoa do outro lado atender. – Shisui eu preciso de sua ajuda. – Disse assim que a voz do outro lado soou.

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Sasuke estava relendo a carta pela quinta ou sexta vez, sua mente parecia não conseguir registrar completamente todas aquelas informações, um lado dele teimava em acreditar que tudo aquilo era uma piada, mas seu lado racional sabia que não era.

Ele havia presenciado duas mudanças bruscas no comportamento de Naruto, na época não havia compreendido, mas agora tudo se encaixava com o que estava escrito naquele pedaço de papel em letras bem desenhadas.

O loiro era sim outra pessoa quando ficou um tempo em sua casa, naquele dia ele havia pedido para Sasuke o chamar de Naru, o moreno estranhou o pedido e o ignorou, porém agora sabia que Naru e Naruto eram diferentes um do outro.

Havia ficado comovido com a forma que o garoto descreveu sua amizade com Hinata, era horrível admitir, mas sentiu até uma pontada de inveja da jovem Hyuuga. Ela teve coragem para se aproximar, para estender a mão, enquanto ele guardou a própria vontade a sete chaves.

Logo quando Naruto chegou ao Instituto, Sasuke sentiu uma estranha curiosidade em relação ao Uzumaki, no entanto nunca soube o motivo. Era como se ele já tivesse o conhecido antes, só que não lembrava onde e nem quando. Acabou abandonando essa curiosidade quando Fugaku o ordenou que se afastasse do menino.

Ficou impressionado com o jeito que Naruto o descreveu, ele sabia que não era a mais amigável das pessoas, nunca tentou ser. Mas não queria passar essa impressão de arrogância, ele apenas não gostava de conversar muito. Aprendeu desde pequeno que o silencio e a distancia eram a melhor forma de manter-se intacto e se proteger das outras pessoas.

Acabou rindo quando leu sobre os Preciosos e suas fãs, apesar de tudo Naruto ainda conseguia usar senso de humor e tinha que concordar com ele em relação ao histerismo daquelas garotas. Era realmente irritante.

Sim ele estava tentando se focar na descrição que o loiro fez da escola, tentou ignorar ao máximo o transtorno do outro e as suposições que sua mente criava para explicar a causa de sua condição. Mas ele não conseguia mais ignorar o fato do outro ter passado por algo tão traumático ao ponto de simplesmente nem se lembrar.

Também não podia ignorar o aviso de Fugaku e queria entender o porquê disso. Sempre havia aceitado passivamente as ordens do pai, porém estava sentindo-se cada vez mais sufocado e não suportava mais isso.

Estava disposto a se aproximar do loiro, iria dar uma chance para seu lado mais curioso e desta vez ia descobrir pessoalmente quem é Uzumaki Naruto.

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No dia seguinte Kiba, Suigetsu e Sakon estavam na delegacia acompanhados de seus respectivos responsáveis.

- Caramba não podia ser outro dia não? Voltamos ontem para escola e já vamos faltar hoje! – Suigetsu resmungou revoltado.

- Adiamos isso por tempo demais, Suigetsu. Hoje finalmente vocês darão seus depoimentos oficiais e poderão ficar livres e descansar o quanto quiser. – Mangetsu, que estava como responsável do irmão, disse severamente.

- Que saco! – Foi a vez de Kiba reclamar, sendo totalmente ignorado por sua mãe, Tsume.

- Inuzuka Kiba! – Tenzou caminhava até eles, parando em frente ao grupo.

- Eu! – O moreno levantou o braço sadio.

O homem foi até a cadeira de rodas, se posicionou para empurrá-la e encarou a mãe do jovem.

- Me acompanhe, por favor. – Caminhou em direção ao local onde seriam feitos os depoimentos, sendo acompanhado por Tsume.

Chegaram a uma sala, nela havia duas mesas, algumas cadeiras e tinha um grande espelho em uma das paredes. Um computador estava sobre uma das mesas, Kotetsu estava posicionado em frente a ele, e sobre a outra mesa havia um gravador e uma pasta.

Tenzou posicionou a cadeira de rodas em frente a mesa onde havia a pasta, em seguida saiu da sala acompanhado de Tsume.

- A minha mãe não vai ficar comigo? – Kiba indagou receoso.

- Não, mas ela estará vendo o depoimento. – Kotetsu apontou para o espelho.

- Tem outra sala atrás desse espelho? Igual nos filmes? – O receio deu lugar a curiosidade típica de um adolescente. Kotetsu assentiu, mantendo a expressão séria. – Cara que legal!

Ibiki estava na sala ao lado da sala de depoimentos, tinha a expressão fechada e encarava o jovem que estava do outro lado do vidro como se quisesse invadir a mente dele e arrancar de lá toda a informação que precisava. Ele estava perdendo completamente a paciência com aqueles moleques, tinha conversado com eles antes e não havia conseguido nada de útil.

Esperava que agora, no depoimento oficial, pudesse conseguir ao menos uma pista concreta sobre aquele caso. No entanto, graças a Minato, não poderia tomar o depoimento deles sem a presença de um advogado e este até agora não havia aparecido.

Escutou a porta se abrir e virou-se para fitar Tsume e Tenzou.

- Onde está seu advogado, Tsume-san? – Ibiki não conseguiu disfarçar a irritação no tom de voz.

- Ele teve alguns contratempos e mandou um substituto. – A mulher o fitou, sem se abalar com a expressão nervosa do homem.

- Estarei esp...

- Chefe ele chegou! – Izumo disse ao abrir a porta de supetão.

- Então vamos. – Virou-se para seus dois subordinados. – Vocês ficam aqui com ela.

Ao sair da sala o delegado deparou-se com um homem jovem, não deveria nem ter trinta anos ainda, olhos escuros e cabelos negros curtos. Ele estava com o rosto corado e ofegava, no mínimo havia corrido até ali, ao ver de Ibiki não era alguém que tinha a postura de um advogado.

- Eu sou o Delegado, Morino Ibiki. – A voz austera do homem, fez o jovem se empertigar.

- Eu sou Uchiha Shisui. – Estendeu a mão em cumprimento, adotando uma postura completamente rígida e encarando Ibiki nos olhos.

- Um Uchiha que não se interessa só por problemas da Corporação Uchiha? Isso sim é uma novidade. – Aceitou o cumprimento e arqueou uma sobrancelha quando percebeu a expressão do mais jovem se fechar.

- Apesar do sobrenome eu não tenho mais relação alguma com aquela família e espero que o senhor leve isso em consideração.

- Sem problemas, não é como se eu realmente me importasse com isso.

Com certeza ele se importava, afinal havia histórias de que nos últimos vinte anos quatro Uchihas ligados a família principal foram expulsos do clã sem, aparentemente, motivo algum. E quando coisas assim acontecem em famílias como aquela algo está muito errado.

- Você está ciente dos principais dados sobre o caso, ou preciso te situar? – O delegado voltou ao tom austero.

- Sim e também sei que estou aqui para evitar que o senhor seja muito ofensivo em seu interrogatório. – Sorriu de lado.

- Coisa do Minato, certo?

- Eu trabalho com o advogado que ele indicou para as famílias, obviamente essa foi minha principal orientação.

- Então vamos logo com isso! – Entrou na sala, sendo seguido pelo advogado e indicou a cadeira ao lado de Kiba para ele sentar.

- Você é Inuzuka Kiba, certo? – O castanho assentiu. – Eu sou Shisui seu advogado.

- Ok.

- Kiba descreva pra mim o que aconteceu antes de você ser atacado no beco. – Ibiki sentou-se em frente ao jovem e se inclinou em direção a ele.

- Eu saí do Instituto junto com Suigetsu e Sakon, nós fomos atrás de Naruto. Queríamos dar uma lição nele. – Encarava o delegado diretamente nos olhos.

- Por quê?

- Por causa dele havíamos sido obrigados a aceitar fazer serviços comunitários por alguns meses. – Mordeu o canto do lábio, desviando momentaneamente o olhar. – Na verdade a culpa foi toda nossa, nós o perseguíamos na escola e fazíamos brincadeiras um tanto pesadas e por isso fomos mandados a fazer os trabalhos.

- Certo, então por sentirem raiva foram atrás dele na saída? – O jovem assentiu. – E o que aconteceu depois?

- O seguimos durante um bom tempo até que ele começou a correr, provavelmente estava com medo. O perdemos de vista por alguns segundos, foi quando passamos pelo beco e vimos alguém lá no fundo, pensamos que fosse ele. – O garoto respirou fundo. – Mas não era.

Shisui fitou seu jovem cliente, pode perceber certo temor na voz dele, mas era algo quase imperceptível. No geral o garoto estava muito calmo, sempre fitando o delegado diretamente nos olhos e a voz em um tom contínuo. Na opinião do Uchiha, o adolescente estava calmo demais para alguém em situação tão complicada.

- Você se lembra da fisionomia dele?

- Não, só sei que ele era muito assustador.

- E porque ele os atacou?

- Entramos no beco, ainda sem enxergá-lo direito, pois o lugar onde ele estava era um tanto escuro. Só conseguíamos reparar que era alguém de costas para nós e acabamos falando algumas besteiras. Ele se virou furioso e veio pra cima de nós, como um animal! Tentamos nos defender, mas ele era bem mais rápido, tinha uma força anormal e usou uma barra de ferro para nos ferir.

- Era assustador, tinha muita força e extrema velocidade. – Ibiki tentava controlar a voz para não sair em tom debochado ou irritado. – Mas e características? Cor dos olhos, cabelos, altura, alguma marca! Você não se lembra de nada disso?

- A única coisa que sei é que seus olhos eram muito assustares e só de encará-lo de frente me senti paralisado de medo. Cor do cabelo, altura, cor dos olhos! Isso não me importou na hora, só me lembro do sorriso estranho e da expressão insana, seu rosto estava desfigurado por causa do ódio, ele parecia um monstro! – Estremeceu.

- Não existe possibilidade de Uzumaki Naruto ter mandado esse “ser” – fez aspas com os dedos – atacá-los?

- Se Naruto tinha medo da gente, com certeza desmaiaria só de olhar para aquela coisa! – Torceu os lábios. – Não acho, na verdade, tenho certeza que Naruto não ordenou nada daquilo. Aquele perdedor não teria coragem pra fazer isso.

Ibiki ainda insistiu em tentar fazer o Inuzuka lembrar-se da fisionomia do agressor, o fez repetir mais algumas vezes o que aconteceu no beco e Kiba começou a ficar nervoso, cutucava os hematomas que tinha no rosto, cada vez sua voz saia mais temerosa.

- Acho que já é suficiente Ibiki-san. – Shisui interferiu. – Talvez os outros dois possam lhe esclarecer melhor o ocorrido. Fazer Kiba ficar recordando o acontecido não vai ajudá-lo, só vai fazer o garoto ficar mais traumatizado.

O delegado suspirou, tentando liberar um pouco da tensão que sentia. Não podia acreditar que o garoto não se lembrava do rosto do agressor, isso era algo praticamente impossível de acontecer! Sentia-se perseguindo um fantasma.

- Tudo bem, por hoje chega. – Se levantou.

- Hoje? – Kiba, que antes olhava o advogado de forma agradecida, virou-se para Ibiki surpreso. – Pensei que essa seria a última vez que eu seria obrigado a lembrar daquele dia! Eu não aguento mais ficar contando sobre aquele dia!

- Kiba-kun você terá que voltar aqui apenas se novas evidências surgirem, caso isso não aconteça o caso será arquivado. – Shisui disse calmamente, reparando na expressão de desagrado do delegado.

- Se o caso for arquivado, obviamente quem os agrediu não será encontrado e nem preso. – Disse apenas para ver a reação do jovem, mas este permaneceu parado o encarando.

Shisui acompanhou os outros dois depoimentos, mesmo o relato sendo feito de maneiras diferentes, no fim eles disseram exatamente as mesmas coisas: homem, extremamente forte, extremamente violento e sem rosto! O Uchiha quase se compadeceu ao ver a expressão cansada e frustrada do delegado.

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Os três investigadores estavam reunidos na sala do delegado, haviam acabado de escutar pela segunda vez os depoimentos dos três adolescentes e sentiam-se totalmente de mãos atadas.

- Dois meses e nenhuma evidência concreta. Até parece que estamos lidando com um fantasma! – Kotetsu disse frustrado.

- As próprias vítimas parecem não querer contar quem é o agressor. – Tenzou passou as mãos nos cabelos.

- Não querem contar ou realmente não se lembram. – Izumo virou-se para o delegado, que fitava a parede, parecendo alheio a presença dos outros três. – O que acha chefe?

- Por falta de evidências teremos de arquivar o caso. – A voz soou neutra.

- Mas faz apenas dois meses desde o ocorrido. – Tenzou franziu o cenho.

- E nesses dois meses o que tivemos? Nada! – Apoiou os cotovelos sobre a mesa e entrelaçou os dedos em frente ao rosto. – Não temos evidências que comprovam a existência de uma quarta pessoa no local do crime, aqueles garotos disseram que havia alguém, mas a pessoa não tem rosto.

- Mas chefe... – Kotetsu ainda tentou protestar.

- Caso surja alguma nova pista eu irei reabrir o caso, no entanto não podemos ficar presos a isso durante tanto tempo.

Os três policiais se entreolharam e depois assistiram em silêncio seu chefe reunir em uma caixa todo o material referente a aquela investigação. O caso estava arquivado.

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O homem tocou a campainha novamente, já estava quase desistindo de esperar, quando a porta do apartamento foi aberta, dando visão para um homem vestido apenas com uma calça de moletom e uma toalha jogada na cabeça.

- Pensei que você havia saído Itachi! — Resmungou e entrou sem cerimônia.

- Eu estava no banho e disse pra você vir só amanhã, Shisui. — Fechou a porta e virou-se para o outro, enquanto esfregava a tolha nos cabelos.

- Hoje eu descobri o quanto adolescentes podem ser incríveis e por isso não pude esperar mais. – Sorriu e sentou-se no sofá, mexendo no celular até tirar do aparelho um cartão de memória. — Consegui gravar ao menos o primeiro depoimento, os outros não foram muito diferentes deste.

- Você gravou o depoimento? Que espécie de louco é você, Shisui? — Parou em frente ao amigo, com os olhos ligeiramente arregalados. — Eu só pedi pra que você fosse lá ter certeza de que eles não acusariam o Naruto.

- Eu fui e ainda fiz um trabalho extra! — Piscou um olho e estendeu o cartão ao amigo. — Você sabe que não ficaria em paz se não confirmasse pessoalmente que o garoto não seria acusado, além disso, você agora pode trabalhar sem preocupações.

- Mesmo assim... — Murmurou.

- Itachi já fizemos coisas piores, essa gravação não é nada. — Sorriu. — Concentre-se no objetivo final, certo?

- Ok. — Retribuiu o sorriso.

Itachi sabia que poderia contar com Shisui, eles cresceram juntos e teceram caminhos semelhantes, por pensarem da mesma forma, um sempre iria estar ao lado do outro, sempre.

- Agora que fiz minha parte, que tal me convidar pra jantar?

- Se vira, você sabe onde fica a cozinha. — Shisui o olhou indignado. — Aproveita e faz a comida pra duas pessoas, eu tenho um depoimento pra escutar. — O de cabelos longos foi em direção ao quarto e riu ao escutar os resmungos de protesto do amigo.

Notas finais
Shisui?
Sasuke disposto a se aproximar?
Qual vai ser a reação da Hinata quando Naruto contar?
E quem é Itachi?
Reviews?
Beijooooo