As Três Faces do Medo.
18 Capítulo 17: Entre o Sombrio e o Sorridente
Notas iniciais
Pois é... Dessa vez não bati um recorde de velocidade, mas é que eu, antes de dar continuidade a história, resolvi lê-la outra vez... Precisava confirmar que tudo estava indo como o planejado! hehehe
Mas agora estou aqui outra vez!
Eu posso até não ter batido o recorde de velocidade, mas o capítulo anterior foi o mais comentado até agora! (Kyuubi você rendeu assunto! O.O)
Eu quero dar as boas-vindas aos novos leitores, agradecer a todos os comentários e também a quem favoritou! ^^
Um agradecimento especial a:
- Mika Uchiha (que recomendou a FIC);
- Sabrinanbc (que também escreveu uma linda recomendação, mas que não foi "ao ar")
- Little fox (que fez uma capa para a ATFDM).
- Killua (que deixa aqueles comentários lindos que fazem o ego inflar xD)
Muito obrigada a vocês! o/
Agora chega de enrolação e vamos ao capítulo! o/
Ps: Não betado (como sempre, qualquer erro me avisem, por favor).
Sasuke parou em frente ao espelho, já de banho tomado e com uma toalha branca amarrada na cintura, limpou o vapor do vidro e passou a fitar atentamente seu próprio reflexo.
Avaliou cada marca deixada por Kyuubi, incluindo o pequeno corte que havia entre o pescoço e o ombro. Nenhuma daquelas marcas deixaria cicatrizes, logo sua pele voltaria a ser branca e lisa. E àquilo o deixava frustrado.
Ele não se importava com as cicatrizes no corpo de Naruto, mas não aceitava o fato de que alguém era capaz de machucar tanto uma pessoa ao ponto de deixar tantas cicatrizes, tanto física quanto psicológicas.
E na época ele era apenas uma criança...
Ao pensar sobre isso sentiu uma agonia e um denso ódio crescerem, o coração disparou e ele soltou um ofego sofrido. Parecia prestes a sufocar por causa desses sentimentos...
- Morreu aí dentro donzela? Eu preciso tomar banho também. — O tom alto e debochado de Kyuubi, o fez voltar à realidade.
- Já to saindo. – Respirou fundo, tentando controlar os sentimentos conturbados. Ainda não era o momento de se deixar levar por eles.
Olhou em volta e encontrou dois roupões de algodão pendurados lado a lado em ganchos. Tirou a toalha branca da cintura, jogou-a sobre os cabelos e vestiu um dos roupões. Saiu do banheiro.
- Finalmente. — O loiro resmungou e passou por ele, fechando a porta em seguida.
O moreno soltou um suspiro e olhou em volta, encontrando sua mochila jogada ao lado da porta, depois lançou um olhar para a janela, vendo que já era noite...
- Será que vamos ainda hoje? – Sussurrou.
Foi até a bolsa, pegou-a e abriu, só dando-se conta naquele instante que não havia pegado roupas leves para dormir. Mas também não sabia se iria para Konoha ainda naquela noite...
Ficou parado com a mochila nas mãos, encarando o interior dela, percebendo que o envelope com a carta de Naruto estava ali e então se deixou levar por um mar de dúvidas.
Como iria agir com Naruto quando ele voltasse? Será que seria julgado? Naruto considerava Kyuubi como parte si ou como alguém completamente diferente? Ele se sentiria traído?
Ele gostava de Naruto, não tinha dúvidas sobre isso, e queria estar com ele. Havia passado tempo demais sem uma motivação, sem algo que o intrigasse e o arrancasse de sua zona de conforto, agora que tinha não deixaria escapar.
Por isso tinha se deixado levar e se declarado a Naruto na festa, poderia ter sido algo rápido, mas nem por isso menos verdadeiro. Ele não era a mais paciente das pessoas e nem gostava de ficar muito tempo pensando e repensando em seus atos. Se tivesse feito isso, teria desistido.
Mas então tudo aconteceu rápido demais. A fuga de Naruto – que ele chegou até a pensar ser por sua causa -, as descobertas sobe sua família e por fim toda aquela situação com Kyuubi.
Sasuke não seria hipócrita a ponto de dizer que havia odiado, sentido asco e vontade de vomitar! Nada disso! Era jovem, cheio de hormônios e sentia-se atraído por ele, tanto fisicamente quanto por seu jeito. Kyuubi era agressivo, mas também tinha aquele jeito protetor e pareceu realmente receoso quando mostrou as cicatrizes...
E se Naruto aceitasse tudo normalmente? E se ele quisesse que Sasuke mantivesse relações com aquela personalidade sádica e um tanto perversa? Afinal o cara havia praticamente afirmado que tinha atacado Kiba e sua turma.
- “... algumas que são de brigas que eu tive.” – A frase ecoou na sua cabeça como um mau agouro. Cicatrizes adquiridas em brigas...
Pensando bem. Será que Kyuubi poderia acabar o agredindo de verdade? Estar com Naruto era sua vontade, mas confiar em Kyuubi seria certo?
Sentia-se completamente perdido e esses pensamentos contraditórios o estavam deixando com dor de cabeça. Precisava conversar com Itachi e entender melhor o que Naruto tinha, assim achando o melhor jeito de agir...
- O que tem de tão interessante dentro dessa bolsa? – Sasuke quase pulou ao escutar o sussurro tão próximo a sua orelha. Quando o outro havia saído do banho?
- Nada... Eu só... – Largou a bolsa e virou-se para o loiro, que o fitava com um sorriso de lado, ele estava com os cabelos úmidos e bagunçados, e usava apenas o roupão felpudo. – É... Na verdade...
- Eu não me importo realmente. – O loiro balançou os ombros e se jogou na cama, que era uma Queen Size. – Vamos amanhã de manhã, estou cansado demais pra viajar hoje. – Resmungou olhando para o teto.
O Uchiha apenas se livrou da toalha que estava sobre sua cabeça e ficou parado no mesmo lugar, olhando em volta, um tanto perdido. Até que Kyuubi o encarou...
- Você vai ficar em pé até amanhã? Pode deitar aqui na cama, prometo não te agarrar. – A voz saiu fria.
Sasuke se aproximou lentamente da cama, sob o olhar atento do loiro, e se deitou na mesma posição que o outro. Os dois ficaram em silêncio por minutos angustiantes, fitando o teto do quarto...
- Eu pensava que os quartos teriam tatames e não camas. – Sasuke sussurrou.
- Eu escolhi um com cama, mas existem os mais tradicionais. – Respondeu secamente.
Mas um tempo em silêncio e Sasuke virou o corpo, deitando-se de lado e passou a analisar o perfil do outro, que estava de olhos cerrados.
- Kyuubi? – Sussurrou. Precisava saber se o outro era tão perigoso quanto dizia e aparentava.
- Hm? – Nem se dignou a abrir os olhos.
- Você disse que ganhou algumas dessas cicatrizes em brigas... – O loiro abriu os olhos e virou a cabeça. Sasuke tomou isso como um incentivo a continuar. – Como foi que elas aconteceram?
Kyuubi soltou um suspiro resignado. Ninguém se interessava por suas brigas, na verdade, era a primeira vez que lhe faziam uma pergunta daquelas.
- Quando Naruto completou dez anos começou a estudar em um internato, que fica em Suna, País do Vento. Lá ele conheceu Gaara e Juugo, eles dois são extremamente calmos na maior parte do tempo, mas quando se descontrolam é difícil pará-los. Eu já briguei com eles algumas vezes, até chegarmos à exaustão ou até alguém conseguir nos sedar. – Soltou uma curta risada.
- Eu conheci o Gaara, mas não imaginava que ele era assim. – O moreno comentou pensativo
- Ninguém imagina. Eu sempre encarei nossas brigas como um tipo de diversão um tanto sórdida, mas despreocupada. Os quatro primeiros anos naquele lugar foram até divertidos. – A fala nostálgica surpreendeu o Uchiha, mas este não comentou nada. – Mas existiram outras brigas, estas sendo marcantes e nada divertidas. – A fala ficou sombria e o olhar tornou-se opaco.
- Como assim?
- Eu estava no meu quarto ano naquele lugar, quando um dos subordinados de Madara começou a trabalhar no internato... – Sasuke arregalou os olhos. – Nunca contei isso pra ninguém e é melhor você também não contar. – O moreno assentiu. – Seu nome era Hiruko, foi contradado como médico e estava sempre disposto a se aproximar de Naruto. Até que um dia, quando teve a oportunidade, ele tirou Naruto do internato.
- Mas como ninguém percebeu? – Estava indignado.
- O homem era extremamente inteligente, sabia se virar. Mas no tempo em que ele trabalhava lá, eu nunca apareci e tudo que ele sabia sobre mim era o que estava na ficha de Naruto. Então Hiruko não esperava que no meio de sua viagem, eu acordasse...
Kyuubi ficou em silêncio, Sasuke esperou que ele continuasse, mas parecia que o outro não estava muito disposto. Então o moreno girou os olhos com enfado e desistiu de aguardar:
- O que aconteceu? – Tentou disfarçar a curiosidade.
- Quando despertei, eu estava em um quarto de hotel bem miserável e Hiruko estava ao telefone falando com Madara. Ele era inteligente, mas foi estúpido o suficiente para chamar o chefe pelo nome... Quando percebeu que eu estava acordado, rapidamente desligou o telefone e veio em minha direção com uma seringa. Aguardei sua aproximação e o chutei assim que ele ficou ao meu alcance.
Kyuubi silenciou, hesitando em continuar, mas o olhar compenetrado de Sasuke lhe passou confiança...
– Ele me atacou furioso com um bisturi em mãos e eu avancei com toda minha força, apanhei bastante, com um corpo magrelo de quatorze anos não se pode evitar isso, mas consegui vencê-lo. Ele me deixou alguns cortes no abdome e eu acabei o matando.
- Você o matou? – Sentiu um calafrio e o coração voltou a bater descompassado.
O loiro abriu um sorriso apagado ao ver a pele branca do Uchiha, ficar quase transparente, enquanto os olhos negros quase saltavam das órbitas. Até que foi uma reação bastante controlada, esperava que o moreno saísse correndo ou desmaiasse.
- Sim... E logo fugi deixando o corpo lá mesmo. Pelo que havia escutado da conversa, Madara estaria indo para lá encontrá-lo, então nem tive tempo de sentir culpa pelo que havia feito. – Voltou a encarar o teto. – Durante quase seis meses eu fiquei acordado e o mais longe possível do País do Vento, nesse meio tempo acabei me metendo em várias encrencas por ter encontrado mais alguns capangas de Madara.
- O que você fez com eles? – Seu tom tinha uma mistura perfeita de curiosidade e receio.
- Três tiveram o mesmo destino que Hiruko e outros fugiram, mas tenho certeza que estavam muito machucados.
- Ninguém descobriu o que aconteceu?
- Não... Os capangas de Madara estão ali para fazer todo seu serviço sujo, então eles tecnicamente não existem. – Soltou um riso falso. – Praticamente matei fantasmas...
Kyuubi fechou os olhos, evocando aquelas lembranças. Por vezes sentia-se sujo por ter feito àquilo, mas se não os tivesse enfrentado Naruto estaria morto agora. Ao menos havia se controlado ao afrontar aqueles adolescentes idiotas... Eles haviam sido a primeira ameaça real a ser deixada propositalmente com vida.
- Você se sente culpado? – Sasuke indagou o mais calmamente possível.
- Por ter sujado de sangue as mãos de Naruto sim, mas por tê-lo defendido jamais. – Voltou a fitar o Uchiha e deu um meio sorriso ao ver este relaxar ao escutar sua resposta.
- Então você não é tão perverso quanto eu pensava... – A voz foi diminuindo até o final da frase e logo o moreno soltou um longo suspiro. – Você não vai questionar como descobri o segredo de vocês?
- Vou deixar Naruto questioná-lo sobre isso. – Percebeu que o moreno ficou rígido ao mencionar o nome. – Qual o problema?
- Ele não vai se sentir traído por termos feito aquilo? – Sentiu o rosto ficar quente ao ver o loiro dar uma risadinha.
- Esse pode ser nosso segredo... – Malicia enchia sua voz.
- Eu não vou esconder isso dele! – Interrompeu indignado. – Olha, eu nem comecei a ter nada com Naruto ainda... Na verdade o que aconteceu entre nós foi apenas um beijo e eu nem sei se ele gosta de mim ou não... E agora um dia depois n... – Sua boca foi tapada pela mão do loiro.
- Ok cara... – O fitou diretamente nos olhos. – Eu sei o que aconteceu entre você e o Naruto, também sei o que ele sente por você e sei que o que fizemos aqui extrapolou um monte de condutas politicamente corretas...
Lentamente retirou a mão que cobria os lábios do outro, mas este permaneceu em silêncio apenas o encarando.
- Mas você é um adolescente, culpe os hormônios! – Sorriu com escárnio.
Sasuke ficou furioso e se o loiro não fosse rápido em segurá-lo, teria sido empurrado da cama.
- Como você pode dizer isso? – Trincou os dentes com raiva, sentindo um aperto no peito.
- Eu não faria nada que pudesse magoar Naruto, Sasuke. – Falou com seriedade. – Ele vai ficar chateado sim com você, mas prove para ele o que sente, assim como provou pra mim.
O Uchiha o olhou espantado...
- Você quer que eu o agarre? – Se sentou encarando o loiro.
- É claro que não! – Girou os olhos. – Você vai precisar provar pra ele que gosta dele, mas Naruto é diferente de mim e precisa ser convencido de maneira diferente.
- E o que eu posso fazer? – Enrugou as sobrancelhas.
- Se vira! – Balançou os ombros.
O moreno voltou a se deitar e fitar o teto, a mente trabalhando furiosamente em busca de uma solução...
- E se eu não conseguir? – Murmurou com voz pastosa e virou de lado.
- Você vai ter que conseguir! Disse que faria o possível e o impossível para protegê-lo de Madara, não pode fazer isso longe dele! – Também virou o corpo, ficando frente a frente com o moreno e estreitou os olhos em direção ao outro.
- É verdade... Eu vou conseguir convencê-lo! – Ao menos naquele momento não houve brecha para hesitação.
- É assim que se fala... – Murmurou.
Os dois ficaram se encarando em silêncio, até que Sasuke foi vencido pelo cansaço e adormeceu. Kyuubi passou a observar o sono do outro. E ali estava algo novo para proteger, alguém que estava disposto a aceitar e confiar plenamente em Naruto.
Sentiu-se relaxar totalmente e logo ele estava ressonando baixinho...
**********/////**********
Remexeu-se, sentindo a consciência voltar aos poucos, mas ali estava tão confortável. A cama macia, o travesseiro aconchegante, a brisa quente batendo em sua nuca... Virou corpo, mas não abriu os olhos, agora a brisa quente batia diretamente em seu rosto e algo passou a esmagar sua bochecha. Algo?
Abriu os olhos e ficou segundos tentando processar a cena diante de seus olhos: rosto pálido, cabelo bagunçado, olhos cerrados, boca entreaberta e braço magro jogado sobre seu rosto. Perto... Muito perto.
- O que?! — Empurrou o outro com toda sua força pra fora da cama e escutou um baque surdo, seguido de um gemido.
O loiro sentou-se na cama e ficou olhando com olhos arregalados para o moreno que levantava o tronco e massageava a nuca, enquanto fazia uma careta...
- Porque você me empurrou? – Sasuke perguntou raivoso, mesmo que a voz ainda estivesse um tanto mole.
- Sasuke?! O que você tá fazendo aqui? – Olhou em volta, percebendo que não estava em casa. – O que a gente ta fazendo aqui, dattebayo? Onde é aqui, ttebayo? – A voz estridente e o jeito inquieto fez o moreno resmungar.
- Naru? – Indagou tentativamente, mas já sabia quem era.
- Oe... Oe... Você bateu a cabeça com muita força, dattebayo? Não ouviu minha pergunta, datteba? – Desceu da cama e foi até o outro, que ainda estava sentado no chão com a mão na cabeça.
- Nós estamos em uma pousada, na Vila das Fontes Termais. – O respondeu. Franziu o cenho ao ver o loiro se agachar na sua frente e o analisar com olhos estreitos. – O que é?
Naru apontou o ombro exposto do moreno, Sasuke nem havia percebido que o roupão escorregara na queda...
- Quem fez isso em você, dattebayo? – Perguntou com tom estranho.
Sasuke puxou o pano, se cobrindo totalmente e tentou se levantar, mas Naru o segurou pelos braços e o manteve no lugar. Estreitou mais ainda os olhos azuis, ao perceber uma marca arroxeada no pescoço pálido...
- Me larga, dobe! – Vociferou.
- Né... Né... Sasuke. Quem fez isso com você, ttebayo? – Juntou as sobrancelhas.
- Foi o Kyuubi, tá bom! O Kyuubi! – Respondeu irritado, levantando-se nervoso e envergonhado.
Naru ficou no chão e abriu um enorme sorriso, mas logo se colocou de pé e se virou para o moreno...
- Você e ele são namoradinhos? – Parou na frente do outro e balançou as sobrancelhas sugestivamente.
- Não! – Rebateu prontamente, ficando profundamente irritado com aquele jeito bobo do loiro.
- Ohh... – Toda a expressão divertida se desfez. – Ele te forçou, Sasuke? Te machucou, dattebayo?
O Uchiha estacou, ficando muito surpreso... Tanto pela pergunta quanto pelo tom sério do outro. Mesmo sério, ele era completamente diferente de Kyuubi e Naruto, parecia que sua postura era sempre mais relaxada.
- Não... Ele não forçou. Eu fiz porque era preciso.
Naru o analisou com olhos estreitos, mas depois o sorriso gigante voltou ao seu rosto...
- Eu até to curioso, mas os assuntos do Kyuubi sempre são chatos! — Deu de ombros. – Ele só apronta, dattebayo!
- Você não se lembra do que ele fez? – O fitou entre confuso e curioso.
- Não... Eu não me lembro de nada que acontece com Naruto ou Kyuubi, eu só sei que eles existem porque o tio Nagato me explicou o motivo de eu ter a memória falha, dattebayo. – Falou gesticulando exageradamente.
- Memória falha? – Fez uma careta. Ele sempre foi considerado alguém muito inteligente, mas nos últimos dias estava acumulando informações demais. Sua cabeça estava começando a doer...
- É... – Colocou a mão no queixo, pensativo. – Eu sinto como se ficasse dormindo por um longo tempo, ttebayo. Se lembra do dia em que nos conhecemos lá na sua casa, dattebayo?
Sasuke assentiu...
- Eu pensei que estava no internato, mas acordei num lugar completamente diferente, dei de cara com um garoto estranho e não tinha ideia de como tinha ido parar ali, dattebayo. – Fez uma expressão teatral de sofrimento. – Foi terrível, principalmente porque o garoto era meio pálido... Tipo morto, dattebayo! – Soltou uma risada.
- Idiota! – O moreno grunhiu.
- Falando sério: foi muito estranho. Sorte que já estou acostumado a enfrentar situações estranhas... Kyuubi vive me colocando nelas, ttebayo.
- Se você não sabe o que acontece com eles, como pode saber quem estava lá antes de você? – Arqueou uma sobrancelha.
- Pelo que me contaram sobre eles eu aprendi a identificar os sinais... Naruto não é do tipo que faz isso – apontou o pescoço do moreno -, em alguém.
- Entendi... – Murmurou e puxou mais o roupão, tentando cobrir completamente as marcas.
Naru riu da atitude e olhou em volta do quarto, até seus olhos caírem sobre uma mochila puída que estava próxima a cama. Foi até ela, sob o olhar atento de Sasuke, a abriu e tirou de lá um Kit de primeiros socorros.
– Ele sempre traz com ele. Aqui dentro tem uma pomada pra hematoma e o que mais você precisar, ttebayo. – Lançou o kit para o moreno e se dirigiu ao banheiro, cantarolando uma música idiota qualquer.
O moreno ficou observando o kit, como poderia imaginar que o outro também andava com um desses? Soltou uma risada curta e resolveu usar o do loiro, ao invés de usar o que havia trazido. Não iria fazer essa desfeita.
Quando estava terminando de tratar os machucados e hematomas, viu Naru sair do banheiro vestindo uma yukata com o símbolo da pousada no peito. Ele estava sorridente... Sorridente demais.
- Onde você achou essa yukata? – O moreno indagou enquanto ajeitava o roupão, cobrindo-se.
- Ora! Tem algumas dobradas na prateleira do banheiro, perto das toalhas, dattebayo! — Abriu um sorriso daqueles que os olhos fechavam-se. – É meio óbvio já que estamos em um lugar desses! Provavelmente aqui tem uma terma e eu vou até lá, dattebayo! – Falou alto e fez um sinal de positivo com o polegar.
- Nem pensar! Você vai voltar pra Konoha comigo! – O moreno sibilou, mas o loiro nem se abalou.
- Eu volto! – Não desfez a pose. – Depois que eu tomar um relaxante banho, dattebayo.
- Não! – Apertou as mãos, se segurando para não bater naquele idiota sorridente.
Pelo visto personalidades diferentes evocavam comportamentos diferentes... Estava começando a se sentir ridículo!
- Ah bastardo, para de ser chato! Vamos comigo, dattebayo!
- Não! Nós vamos agora pra Konoha! – Disse entre dentes.
- Você parece um velho, dattebayo! Vamos lá Sasuke, prometo que não vamos ficar muito tempo! – Fez sua melhor expressão de pidão.
- Eu não vou! — Bateu o pé e cruzou os braços, sentindo-se subitamente infantil.
Vinte minutos depois os dois, após ter feito toda a higienização necessária, encontravam-se já imersos na água quente e relaxante, Naru parecia muito feliz e Sasuke tinha a expressão de quem estava prestes a cometer um assassinato.
Como aquele idiota o tinha convencido mesmo? Ah... Malditos olhos pidões que deveriam ser queimados e destruídos! Parecia que cada uma daquelas personalidades tinha uma forma de convencê-lo e isso não o deixava feliz.
Ao menos não havia mais ninguém no lugar, haviam acordado extremamente cedo...
- Né Sasuke! – O loiro se aproximou sorrindo sapeca. – Doeu tanto vir até aqui, dattebayo?
- Eu te odeio, nunca se esqueça disso! – Rebateu emburrado.
Naru riu...
- Mas você deve amar o Kyuubi! – Chegou perto do moreno e bateu seu ombro com o dele. – Hein? Hein?
- Você é um saco! Eu não tenho nada com o Kyuubi! – Bateu a mão na água, fazendo-a espirrar no rosto do outro.
- Bastardo! Não jogue água em mim! – Imitou o outro.
Logo os dois entraram em uma pequena batalha de água, parecendo duas crianças. Que terminou em risos, os alegres de Naru e os contidos de Sasuke.
Então o moreno, sem querer, se pegou olhando as cicatrizes do outro e a risada morreu aos poucos. Quando foram se lavar para poder entrar na terma, estava tão emburrado que até havia se esquecido delas.
Assustou-se quando água quente acertou seu rosto...
- Não fica me encarando desse jeito seu pervertido! Você já tem o Kyuubi e eu não quero ter problemas com aquele rabugento, dattebayo! – Fez uma falsa expressão de repreensão.
- Eu não tava te encarando, idiota! – O atacou com água.
- Tava sim! – Apontou o dedo no nariz fino do outro.
Sasuke girou os olhos e empurrou a mão morena.
- Né Sasuke... Para de olhar para as cicatrizes! Nem todos tem pele de princesa igual a você, dattebayo! – Riu com deboche.
- Quem tem pele de princesa? – Rebateu indignado e viu o outro cair na gargalhada.
- Você, dattebayo! – Mostrou a língua.
- Você é um idiota... – Resmungou.
Eles passaram praticamente a manhã inteira ali, entre discussões e conversas, um momento sem tensão. Depois foram comer algumas comidas típicas do lugar. Sasuke não conseguia negar que tinha se divertido como há muito não se divertia, mesmo sabendo que todos deveriam estar preocupados com eles.
Quando a tarde chegou os dois tomaram um ônibus para voltar a Konoha...
Notas finais
Madara mostrando que sempre esteve lá... ¬¬
Como Sasuke aguenta toda essa informação sem surtar?
É um dom Uchiha ou ele ainda não entendeu direito a situação?
E agora? Naruto vai voltar?
Como Sasuke vai provar que gosta dele?
Vish... Só mistério! .-.
Espero que tenham gostado! o/
Comentários?
Beijos Beijos
Fale com o autor