As Três Faces do Medo.
16 Capítulo 15: Precisamos falar sobre o Itachi!
Notas iniciais
NARRADO PELO ITACHI!
E tá enoormeee! Espero que vocês não fiquem entediados quando chegar na metade, mas é que não deu pra ser menor!
Avisem se surgirem dúvidas, por ser grande posso deixar ter passado algo, sabe... Ainda não tenho beta! kkkkk
Eu dei uma verificada no capítulo "por cima"... Só pra não perder o costume!
Recado 2: Um agradecimento especial a Walker Sophia e Biah Fernanda por terem recomendado a FIC... VALEUZÃOO! *.*
E obrigada a quem está me acompanhando nessa trajetória! o/
Espero que gostem... Vamos ao capítulo! :)
Eu tinha apenas quinze anos na época, era sábado e lembro que eu brincava com meu irmão, nós estávamos montando um navio usando Lego. Apesar de já ser um adolescente, eu buscava sempre estar presente na vida de meu irmão, pois ele era uma criança solitária.
– Aniki o azul não! Vai ficar da cor do mar? Coloca o amarelo. – Sasuke fez uma careta.
– Tudo bem otouto. – Dei um peteleco em sua testa e depois troquei a dita peça por uma amarela.
Naquele período amarelo e azul eram as cores preferidas de Sasuke, claro que eu não me importava com isso ele vivia trocando de preferências, o que me intrigava é que seus olhos brilhavam ao ver algo com aquelas cores.
– O que tem de tão legal no amarelo e no azul?
– É que essas cores me lembram do meu amigo secreto. – Sasuke abriu um belo sorriso, ele sempre fazia a mesma expressão ao falar do amigo. – O tio disse que quando tiver mais tempo, ele vai me levar pra ver ele outra vez.
Não pude evitar sentir-me incomodado, como em toda vez que alguém fazia menção a ele. Uchiha Madara, a quem Sasuke chamava carinhosamente de tio, era praticamente venerado por todos de nossa família. Mas eu sempre ficava desconfortável com sua presença, algo em seus olhos e postura fazia meu “sexto sentido” vibrar em alerta. A meu ver ele sempre foi uma ameaça, mas apenas eu o enxergava dessa forma.
No entanto Sasuke o adorava, o homem às vezes o buscava para passear em um parque que havia do outro lado de Konoha e foi em um desses passeios que meu irmão conheceu seu querido amigo secreto. Eu tentei descobrir ao menos o nome desse tal garoto, mas meu otouto sempre foi bom em guardar segredos, mesmo desconfiado, resolvi esperar que ele me contasse. Não achava que Madara fosse capaz de fazer mal a meu irmão.
Mas fazia mais de um mês que Madara não levava Sasuke ao tal parque, dizia que estava muito ocupado com coisas do trabalho. Essa era o maior motivo para eu estar ali sentado, rodeado de peças coloridas e com um alegre Sasuke diante de mim. Ele andava tão triste, que não pude resistir ao seu pedido de companhia pra brincar.
– Itachi. – A voz austera de meu pai soou atrás de mim. A minha frente Sasuke sorriu e abriu a boca, provavelmente iria comentar sobre o navio, mas nosso pai o interrompeu. – Irei encontrar-me com Madara e ele me pediu para leva-lo, afinal está na hora de você conhecer o lugar que ele considera como seu escritório principal. – Sem esperar uma resposta meu pai se vai, alheio ao olhar chateado de Sasuke.
– Ele nem me deixou falar... – Murmurou largando a peça que segurava. Odiava vê-lo daquele jeito, ele acabava parecendo menor do que já era e me sentia frustrado por não conseguir protegê-lo daquelas pequenas decepções.
– Não fique assim, a mãe vai adorar quando ficar pronto. – A expressão chateada dele ainda permaneceu, eu baguncei seus cabelos e ele bufou.
– Mas você vai sair...
– Sim, mas você pode continuar e quando eu voltar te ajudo a terminar. – Não obtive nenhuma reação positiva. Eu sempre fui considerado um gênio, mas Sasuke conseguia facilmente me dobrar. – Podemos até tirar uma foto, para você mostrar ao seu amigo misterioso.
– É secreto! – Sorriu. – Podemos mesmo? Ele vai achar muito legal.
– Com certeza vai. – Acertei um peteleco em sua testa e depois fui me arrumar.
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O tal lugar ficava quase fora da cidade, eu estranhei, pois como meu pai havia dito escritório pensei que iríamos ao centro. Ficamos o caminho todo em silêncio, foram vinte minutos de tédio total. Quando o carro estacionou olhei pela janela e me deparei com um grande e velho galpão, cercado por um matagal mal cuidado e algumas árvores feias.
Senti muito receio ao olhar para aquela construção, parecia estar abandonado e prestes a cair. A perspectiva de descobrir o motivo de Madara usar um lugar daquele para ser seu escritório me deixava ansioso. Eu não gostava dele, mas sentia admiração por sua genialidade inquestionável.
– Finalmente chegaram. – Madara apareceu sorrindo jovialmente. Sua personalidade era o que mais me incomodava, todas as suas ações eram descontraídas, mas seus olhos pareciam estar sempre analisando constantemente tudo ao redor. Ele tinha olhos traiçoeiros.
– Chegamos exatamente no horário combinado. – Meu pai retrucou de um jeito rude. Talvez minha implicância com Madara, na época, fosse justamente por ele ser completamente diferente de meu pai.
– Tanto faz. – Continuou descontraído. – Entrem logo, ainda tenho muita coisa pra fazer.
Eu era considerado por todos da família como o único que poderia ser capaz de superar Madara em genialidade um dia. E mesmo sendo o orgulho da família, jamais poderia ser considerado um exemplo de obediência, afinal uma grande inteligência vem sempre acompanhada de um excelente senso crítico, uma grande vontade de questionar e uma, ainda maior, curiosidade.
E lá estava eu em um lugar completamente desconhecido, cheio de coisas interessantes e o senhor Fugaku ordena que eu fique quieto e sentado em um banco até ele voltar. Madara até sorriu com escárnio diante da ordem dele, óbvio que nós três sabíamos que eu iria desobedecer.
Eu estava ali justamente para conhecer o lugar, certo?
Na primeira oportunidade que tive comecei a explorar o ambiente. Por fora parecia um galpão abandonado, mas por dentro tudo estava em perfeitas condições, mesmo que ainda um tanto sombrio e que, definitivamente, não se parecesse com um galpão. O lugar me lembrava de um laboratório, daqueles em que os cientistas loucos dos desenhos animados vivem: tubos de ensaio, seringas, alguns ratos brancos, computadores de última geração e, para completar, um forte cheiro de formol.
Caminhei pelo lugar olhando atentamente para cada coisa, mas sem tocar, isso seria arriscar-me demais. Estava tão concentrado na observação que acabei tropeçando em algo e imediatamente olhei para baixo, encontrando um alçapão. Fiquei parado observando por alguns segundos, enquanto minha curiosidade conflitava com minha sensatez, até que escutei um barulho vindo daquele lugar e a curiosidade venceu.
Abri fazendo o mínimo de barulho e silenciosamente a passagem foi aberta dando visão para uma escada precariamente iluminada. Respirei fundo e entrei, fechando a passagem em seguida.
Caminhei por um estreito corredor mal iluminado, minhas mãos começarem a suar e o coração a palpitar mais rápido. Aquele lugar parecia ter saído de um filme de terror, ratos corriam pelo chão úmido e uma variedade de insetos passeava por todos os lados, ao fundo havia uma porta de ferro e um cheiro horrível estava por todo o lugar. Era o cheiro de formol, misturado com o de urina, fezes e sangue. Formando uma estranha e horripilante combinação de odores.
Meu lado racional mandava-me dar meia volta e sair daquele lugar, mas algo muito mais forte me impelia a continuar indo em direção à porta, mesmo que muito vagarosamente. Na porta havia uma pequena abertura pouco acima de minha cabeça, novamente o receio me dominou, afinal o cheiro havia ficado ainda mais forte ali, fazendo-me sentir náuseas.
– Eu quero sair daqui... – Arregalei os olhos ao escutar o lamento e fiquei na ponta dos pés para finalmente conseguir enxergar o que tinha atrás daquela porta.
No primeiro momento não vi nada, a minha frente tinha apenas escuridão, mas segundos depois meus olhos se acostumaram e pude ver uma pequena silhueta encolhida contra parede. Afastei-me momentaneamente da abertura, passando a mãos pelos bolsos até encontrar meu celular, no aparelho havia uma lanterna. Voltei a posicionar-me em frente à fresta, agora apontando a luz em direção à silhueta e tive que me segurar para não vomitar.
A silhueta era na verdade um garoto em estado deplorável, ele estava nu e vendado, havia machucados por todo o corpo, os cabelos estavam sujos de sangue e terra, insetos caminhavam sobre ele. O pequeno corpo tremia e a criança mexia lentamente seus membros como se tentasse se encolher, mas acabasse sentindo muita dor ao fazer isso.
Fiquei enjoado e senti ódio, mas não poderia fazer nada naquele momento, então respirei fundo, ignorando o forte cheiro horrível.
Mantendo a calma, movimentei o celular, tentando enxergar o máximo que conseguia daquele lugar. Havia uma cama velha encostada na parede oposta a que a criança estava, o colchão estava manchado com algo que não consegui identificar, havia farrapos espalhados pelo chão e também fezes.
Alguns loucos planos passaram por minha cabeça, mas nenhum parecia bom o suficiente. Primeiro precisava ter certeza de quem sabia e quem não sabia daquilo, pois algo me dizia que muitos se fingiam de cegos, preservar a honra e glória era tudo que importava para meu clã. Voltei a encarar a criança, que deveria ter aproximadamente a idade de meu irmãozinho.
– Por favor, aguente mais um pouco... — Sussurrei e depois voltei quase correndo para o lugar onde deveria estar esperando meu pai.
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Consegui chegar ao banco antes da chegada de meu pai, deu tempo até de normalizar minha respiração e voltar à expressão de neutralidade. Provavelmente ninguém iria desconfiar que eu havia acabado de presenciar a cena mais marcante da minha vida.
– Demoramos muito, Itachi-chan? – Madara sorriu com jovialidade, assim que apareceu diante de mim, mas seus olhos eram frios. Meu antigo receio transformou-se em um denso ódio e nojo, porém, sempre fui bom em mascarar meus verdadeiros sentimentos.
– Só o suficiente para eu ficar completamente entediado, Madara-san. – Devolvi com a calma habitual.
– Então da próxima vez que você vier, irei te liberar para conhecer todo o lugar. – Piscou amigavelmente.
– Esperarei ansiosamente.
Logo meu pai e eu já estávamos no carro, fazendo o caminho de volta para casa. Eu tentei me concentrar no caminho, pois precisava guardá-lo, mas algo me incomodava muito.
– Pai? – Escutei um resmungo em resposta. – O senhor já andou por aquele lugar? – Ainda mantinha meu olhar preso no caminho.
– Você me desobedeceu, não é? – Pelo tom de voz, ele esperava por isso. – Não... Eu nunca andei por aquele lugar. – Limpou a garganta. – Escute, garoto: Madara tem os negócios paralelos dele e nós não interferimos, na verdade, procuramos não saber desses negócios.
– Mas... – Sou interrompido.
– Ele é um homem genial e muito importante para a Corporação. Precisamos dele tanto quanto ele não precisa de nós. – Eu apertei as mãos no colo e crispei os lábios. – Eu aceito os negócios dele por você e por Sasuke.
A imagem daquele garoto voltou a surgir diante dos meus olhos, mas logo não havia mais cabelos louros sujos, mas sim cabelos negros sujos e uma pele pálida toda machucada. Eu vi Sasuke no lugar dele.
– Tenho certeza que essa dependência toda não existe. – Não segurei o tom petulante. – Um clã inteiro a mercê das loucuras de apenas um homem? Patético.
– Olha o respeito, Itachi! – O mais velho praticamente sibilou. – Você não entenderia meus motivos para depender tanto de Madara. – O carro estacionou em frente a mansão.
– Realmente eu não entendo e espero nunca entender, Fugaku-sama. – Saí do carro, bati a porta com força e a passos pesados fui até minha casa.
Meu pai sempre foi um homem severo, de poucas palavras e quase nenhuma atitude gentil. Não me lembro dele me abraçando ou acalentando, mas isso nunca afetou o respeito e amor que sentia. No entanto, eu nunca esperei que ele fosse capaz de virar as costas para algo daquele tipo, jamais cogitei a possibilidade de meu pai ser cúmplice de uma atrocidade.
Entrei em casa ainda sentindo o gosto amargo da decepção, minha cabeça estava pesada e eu me segurava para não vomitar e nem chorar.
– Irmão! – A voz infantil de Sasuke encheu meus ouvidos e logo braços finos me prenderam pela cintura. A vontade de chorar tornou-se quase insuportável.
Deus e se fosse Sasuke naquele lugar? E se Madara resolvesse levar meu irmão também? Eu com certeza o mataria!
– Aniki nós vamos terminar de montar o navio? – Indagou empolgado e eu tentei sorrir.
– Não vai dar Sasuke, mais tarde. – O afastei delicadamente e o cutuquei na testa. Fiz o possível para ignorar o olhar triste que recebi como resposta.
Subi para o meu quarto, liguei o computador e comecei a buscar notícias sobre crianças desaparecidas. Havia várias delas nos últimos meses, todos os crimes eram atribuídos a uma mesma pessoa nomeada Ceifador de Anjos.
As crianças tinham por volta de seis a oito anos, desapareciam silenciosamente e eram encontradas mortas por volta de um mês depois. Fora isso não havia padrão. Menino, menina, branco, negro, loiro, ruivo, moreno, os locais de desaparecimentos diferentes, os locais onde os corpos eram encontrados eram diferentes e classes sociais diferentes.
Comecei a olhar as fotos das crianças, nenhuma delas parecia o garoto que eu vi. Continuei procurando até que um título chamou minha atenção.
“NAMIKAZE MINATO DIZ QUE NÃO VAI DESISTIR DE BUSCAR O FILHO. SERIA O JOVEM NAMIKAZE NARUTO MAIS UMA VÍTIMA DO CEIFADOR DE ANJOS?”
Mesmo após mais de um mês de buscas, o magnata do ramo imobiliário diz que não ira desistir das buscas pelo filho.
Cliquei na reportagem e a primeira coisa que vi foi a foto de um garoto que sorria e acenava. Loiro, olhos azuis, mais ou menos o porte de meu irmão. Arregalei os olhos. Era ele!
Obvio que o garoto preso naquela sala fétida, não era nem sombra do jovem de feições alegres, que se apresentava naquela foto. Mas sempre fui um bom fisionomista e, com certeza, o garoto que vi era Namikaze Naruto, filho de Minato.
Passei os olhos por essa e outras reportagens, descobrindo data e local de desaparecimento. Havia também reportagens que culpavam a avó do menino por seu desaparecimento e outras com assuntos fúteis, falando sobre os possíveis herdeiros de Namikaze, em caso da morte do jovem.
Ridículos...
Imprimi a reportagem que julguei mais útil, apaguei todos os dados de navegação e desci em direção à saída. Precisava de um plano de ação e também de ajuda. Não iria aguentar tudo sozinho.
– Filho aonde você vai? – Minha mãe indagou assim que abri a porta.
– Na casa do Shisui, mãe. – Ela se aproximou e me olhou com preocupação. – O que foi?
– Nada, querido. – Sorriu doce e beijou meu rosto. O que ela faria se Sasuke estivesse no lugar de Naruto? Como a mãe daquele garoto estava? – Mande lembranças minhas ao jovem Shisui, diga que estou com saudades.
– Tudo bem, mãe. – Beijei sua testa e sai.
Eu praticamente corri até a casa do meu amigo, que não era muito longe dali. Uchihas são vizinhos uns dos outros, transformando o bairro em um complexo particular.
– Oi, Itachi. – Cumprimentou sorridente, como sempre, assim que abriu a porta. O sorriso morreu ao ver minha expressão, Shisui me conhece melhor que qualquer um. – O que aconteceu?
– Podemos entrar, Shisui? Preciso falar com você.
– Tudo bem. Vamos pro meu quarto.
Seguimos em silencio pela casa vazia, o pai dele provavelmente estava trabalhando. Quando chegamos ao quarto sentamo-nos na cama. Lado a lado.
– E então? O que aconteceu? — Indagou verdadeiramente preocupado.
– Eu descobri uma coisa hoje... – E contei tudo que havia descoberto, sem esconder nada. Ao final do relato Shisui me encarava atônito.
– Itachi... Eu... – Passou as mãos nervosamente nos cabelos. – Se isso for verdade...
– É verdade Shisui! Eu vi o garoto e acho que nunca vou esquecer.
– Não estou falando disso Itachi, eu sei que você está falando a verdade. Mas se seu pai sabe, provavelmente, todo o alto escalão do clã também sabe e todos são cúmplices daquele... Daquele doente.
– Eu acho que meu pai não sabe exatamente o que Madara faz e provavelmente quando brigou comigo ele se referiu a outros tipos de negócios. Coisas ilegais, mas produtivas. – Após deixar as emoções de lado, fui capaz de raciocinar melhor.
– Que tipo de coisas? – Ele me encarou com o cenho franzido.
– Sei lá. Tráfico? Contrabando? Coisas que devem ser lucrativas e tudo mais. – Dei de ombros. – Que vantagens o clã leva em relação ao sequestro de crianças.
– Espera! – Arregalou os olhos. – Crianças? No plural?
Assenti...
– Você acha que Madara é o tal maníaco que todos têm falado por aí?
– Acho e é por isso que precisamos bolar um plano pra tirar o Naruto daquele lugar.
– Você enlouqueceu completamente. – Murmurou pasmo. — Ele mantém o clã inteiro em rédeas curtas, não acha que isso é indicador suficiente de extremo perigo? Você pode acabar no mesmo estado que o tal garoto.
– Shisui se você o tivesse visto, tenho certeza que estaria se sentindo da mesma forma que eu. – Novamente a imagem de Sasuke no mesmo estado que aquele garoto encheu minha mente. – Ou talvez não. – Murmurou.
– Você vai fazer as coisas do seu jeito, eu concordando ou não, certo? – Suspirou resignado a me ver assentir. – Tudo bem. Já tem ideia de como vamos agir?
– Algumas.
Começamos a planejar tudo o mais minuciosamente possível, pensava na possibilidade de entregar Madara à polícia, mas Shisui – que estava no primeiro ano de Direito na época – me alertou sobre certas brechas na lei que iriam simplesmente deixá-lo fora da prisão. Eu tinha visto Naruto preso no galpão que pertencia a Madara, mas nunca o presenciei fazendo nada a ele.
Durante esse tempo tentei disfarçar meu comportamento, obviamente, suspeito. Meu pai achou que minha reclusão e postura distante eram devido à discussão que tivemos. Ao menos foi isso que o escutei dizendo a minha mãe.
No entanto, ele me evitava quase completamente e não buscou tocar mais no tema da discussão.
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Era terça-feira, Shisui e eu estávamos no meu quarto discutindo partes no plano, Kisame havia nos entregado uma cópia da agenda do Madara e também uma escala com os horários dos seguranças que guardavam o galpão.
– Você vai precisar de um álibi, Itachi! – Meu amigo disse entre dentes.
Apesar de não ter nenhum familiar na casa, evitávamos falar alto.
– Eu sei e você vai ser meu álibi, eu estarei dormindo na sua casa. Lembra? Como fazemos todas as quintas-feiras. – Murmurei sem encará-lo, estava lendo a escala.
– Enlouqueceu? – Sua voz saiu fina devido à indignação. – Eu não vou deixar você ir sozinho até aquele lugar. E se o segurança novato não for tão idiota quanto o cara de peixe disse?
– Já disse para não insultar o Kisame. Além disso, o novato é considerado idiota se comprado a Kisame, Kakuzu e Hidan. – Suspirou.
– Ótimo ele só não supera o trio de ferro do Madara. De que maneira isso deveria me deixar mais calmo? – As folhas foram tomadas de mim e fui forçado a encarar a expressão severa de Shisui.
– Não temos outra opção Shisui, estamos em três e cada tarefa já foi designada. Ponto.
– Mas você ir até lá sozinho é muito perigoso.
Eu tinha consciência do perigo, mas não tinha mais ideias de como agir e nem outros em quem confiar... Meu circulo social se resumia a pessoas do clã Uchiha e o Kisame.
– Eu concordo com ele, Itachi-kun. – Uma voz calma, quase preguiçosa, soou no quarto e eu gelei de susto.
Shisui e eu viramos ao mesmo tempo em direção à porta, nos deparando com um homem negro, alto, de cabelos brancos e olhar entediado nos encarando sob a franja espessa. Seu nome era Darui, havia sido contradado há pouco tempo como prestador de serviços gerais na mansão Uchiha.
Um homem musculoso demais para passar despercebido, mas dono de uma personalidade tão peculiar que tornava-se praticamente invisível e por isso eu havia me esquecido completamente que as terças-feiras eram seus dias de trabalho.
– Você! – Shisui estreitou os olhos em direção ao homem. – Quem te deu permissão para ouvir atrás da porta?
– Garoto... Essas coisas nunca necessitam de permissão. – Sorriu de canto e adotou uma postura completamente relaxada, mas seus olhos negros transmitiam seriedade. – Vocês deveriam tomar mais cuidado, poderia ser Madara no meu lugar.
– Quanto você ouviu? – Indaguei baixo, quase sussurrei com medo de haver mais pessoas por ali.
– O suficiente pra decidir ajudá-los. – Adentrou o quarto e fechou a porta atrás de si, sem esperar uma objeção ou consentimento se sentou no chão, diante de nós. – Eu tenho que admitir: vocês são jovens surpreendentemente inteligentes. Mas ainda precisam de uma visão mais... Como posso dizer? Profissional. Para enxergar a amplitude do problema em que estão se metendo.
– Presumo que você tenha essa “visão”, certo? – Ele assentiu calmamente e eu estava prestes a bater a minha cabeça na parede. Não conseguia admitir que tivesse sido tão descuidado. – Me surpreenda. – Porém esperava que o descuido me rendesse um aliado e não um inimigo.
Para meu alívio, a sorte – ou Deus se você achar melhor – estava completamente ao nosso favor.
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Na noite de quinta-feira, entre às seis da tarde e às nove da noite, o plano foi colocado em ação. Madara estava dirigindo-se para um jantar de negócios, Kisame e Kakuzu iriam acompanhá-lo, Hidan estava de folga e às sete e meia haveria uma troca de turno entre os seguranças que guardavam o galpão, que estaria vazio nesse horário.
Na troca de turno o segurança que estava a serviço faz uma espécie de relatório oral ao que vai substituí-lo, no entanto, Kisame nos disse que isso é uma das excentricidades de Madara e que, na verdade, os seguranças só jogam conversa fora e isso os deixa mais distraídos.
Eu, como em todas as quintas-feiras, dirigi-me para a casa de Shisui. Fiquei lá me preparando – me vesti de modo a ficar irreconhecível — e esperando o pai dele adormecer – devido ao trabalho ele sempre dormia cedo -, depois sai pela janela e segui para uma rua próxima, onde Darui estava me esperando com seu carro.
Nunca vou me esquecer do olhar aflito que Shisui me lançou e nem de seus murmurados: “tome cuidado e boa sorte”.
O caminho até o galpão foi feito em silêncio, eu já havia passado as coordenadas do local para Darui. Eu estava nervoso, ansioso e ficava repassando o plano na cabeça. Quando chegamos o mais próximo possível do local, descemos e seguimos a pé até o galpão. O terreno cercado de mato alto e árvores facilitou que encontrássemos um lugar onde era fácil enxergar a entrada sem ser visto.
O lugar tinha apenas uma entrada, onde dois homens conversavam distraidamente, Darui fez sinal para que eu me mantivesse escondido e correu se embrenhando no matagal e pouco depois eu escutei um estrondo e vi uma claridade surgir: fogo.
Os dois seguranças correram em direção à claridade – armas em punho — e eu entrei no galpão. Fui diretamente para o local onde havia visto Naruto, sem olhar para os lados, sem pensar em mais nada.
Avancei pelo estreito corredor a passos rápidos até chegar à porta de metal, olhei através da abertura encontrando o corpo do jovem ainda mais maltratado que antes. Conter as lágrimas e a náusea era extremamente difícil.
Consegui abrir a porta, que rangeu alto no corredor silencioso, e adentrei o recinto. Eu carregava uma lanterna e um manto leve, com a lanterna pude olhar rapidamente o local: era sujo, tinha várias peças de roupas rasgadas espalhadas e manchas de substâncias que eu decidi não identificar.
Aproximei-me do garoto vendo-o tentar se encolher, seu pequeno corpo nu tremia e estava com vários machucados. O punho tinha um ângulo estranho, provavelmente estava deslocado e seu rosto estava marcado por seis cortes profundos.
– Não tenha medo. – Sussurrei e ele parou de tentar se afastar. – Eu vou te tirar daqui.
O cobri com o manto que carregava, tentei ser o mais delicado possível, afinal não havia um só lugar sem ferimentos, mas o menino ainda soltou um gemido de agonia.
– Terei de carrega-lo, por favor, não faça barulho. – Eu tremia, mas tentei manter a voz calma.
Não tive dificuldade em levantá-lo era tão leve quanto pena. Nessa posição vi seus olhos azuis abrirem brilhando em angústia, o corpo se contorcer levemente, os lábios rachados se abrirem num grito mudo e depois ele desfaleceu. Controlei meu desespero e corri para a saída.
Quando alcancei o ar livre vi que as chamas consumiam grande parte do matagal a direita do galpão e ainda não havia sinal dos dois seguranças por perto. Segui para o lado oposto as chamas, em direção ao local onde havíamos estacionado o carro e me surpreendi ao encontrar Darui já acomodado no banco do motorista, preparado para sair.
Eu me acomodei no banco de trás, mantendo Naruto no colo e encarei o homem. Ele não conteve a expressão de horror ao olhar o menino e nem a leve careta ao sentir o odor que exalava deste, mas sua pequena avaliação não demorou muito, logo ele acelerou em direção ao nosso destino.
Durante o caminho ficamos em total silêncio, Darui concentrado no caminho e eu concentrado em verificar se a criança estava respirando. Não houve comentário sobre como Darui conseguiu despistar tão facilmente os seguranças, na época eu não estava ligando realmente.
O carro parou em frente a um parque, que estava completamente vazio naquele horário mesmo que ele pudesse ser frequentado vinte e quatro horas. Aquele era o parque onde o jovem Namikaze Naruto havia desaparecido, as pessoas agora preferiam frequentá-lo até certo horário apenas.
Eu sai do carro tomando cuidado para não machucar Naruto e depois segui para o parque, Darui ficou me observando do carro. Caminhei até o local onde o loiro havia sido visto pela ultima vez e o deitei delicadamente no banco de madeira. O manto o cobria quase completamente, isso facilitava que ele passasse despercebido na noite escura.
Afastei-me lentamente, temendo estupidamente que Madara surgisse e nos matasse. Assim que alcancei o carro liguei para Shisui e este entrou em contato com a polícia, usando um telefone que não poderia ser rastreado e um modificador de voz, ambos cedidos por Darui.
Quando chegamos a uma rua próxima a casa de Shisui, finalmente o silêncio foi quebrado.
– Garoto. – A voz antes tediosa soava autoritária. – Destrua os dois aparelhos que entreguei a vocês, se perguntarem sobre mim diga que não sabe nada e por último... – Ele deu um leve aperto no meu ombro. – Boa sorte e até um dia.
Mesmo estando completamente confuso eu assenti e sai do carro, vendo-o desaparecer na noite.
Ele, a meu ver, é um homem sem passado ou futuro, não sei como conseguiu o emprego na mansão e também não sei pra onde fugiu depois de termos resgatado Naruto. E o que me intriga até hoje é que ele não se mostrou amedrontado em momento algum. Suas ações eram controladas e mecânicas, como um soldado bem treinado.
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Nos dias que se seguiram ao resgate eu praticamente não conseguia dormir, as noticias sobre Naruto estavam em todos os meios de comunicação e Madara não havia aparecido na mansão. Eu acabei até me distanciando um tanto do meu irmão, esquecendo-me completamente da promessa de ajudá-lo a montar o navio.
Mas eu não tinha ideia de que esta distancia iria aumentar ainda mais...
Era madrugada, eu havia ficado até tarde na casa de Shisui, o ajudando a estudar para um seminário. Não entendia quase nada do tema, mas sempre fui um bom ouvinte.
Entrei em casa sem fazer barulho, presumia que todos estavam dormindo, e segui para meu quarto. No entanto, quando passei pelo quarto de Sasuke a porta estava entreaberta e vi que meu irmão estava descoberto. Adentrei o cômodo e ajeitei as cobertas sobre ele, estava tão distraído que não percebi que tinha mais alguém no recinto.
Até que um corpo maior se encostou ao meu e me vi preso com os braços junto ao corpo, enquanto uma mão enluvada pressionava meus lábios.
– Não tente fazer nenhum barulho, Itachi-chan. Você não quer acordar o Sasu-chan, quer? – Aquela voz suave vez meu estomago revirar de ódio.
Balancei a cabeça, mostrando que não iria gritar e ele me soltou. Saímos do quarto e nos dirigimos ao meu.
– O que você tá fazendo aqui? – Sussurrei.
– Vim apenas visitar o Sasu-chan. Estava com pena, afinal não poderia mais levá-lo para encontrar o amiguinho, já que alguém o tirou de mim. – Fez uma expressão de puro pesar.
Pode parecer idiota até, mas só naquele momento eu me dei conta de que Naruto era o amigo secreto de Sasuke. Tinha ficado tão perturbado que aquele gritante detalhe foi esquecido.
– Ora... Quer dizer que o esperto jovem que conseguiu passar por meus seguranças e roubar meu pequeno tesouro, deixou algo desse tipo passar? – Ele acariciou meu cabelo. – Realmente adolescentes são muito desatentos.
– Do que você está falando? – Era inútil disfarçar, mas ao tentei.
– Você sabe do que eu estou falando. – Embrenhou a mão no meu cabelo e segurou com força os fios. Trinquei os dentes. – Eu só quero saber quem dos meus é o traidor e quem foi o maldito que matou meus dois seguranças. – Aproximou nossos rostos, seu hálito batia suavemente em minha face. – Diga-me Itachi... Quem o ajudou nisso? – A sua expressão calma ainda mantinha-se intacta.
– Ninguém me ajudou. – Murmurei.
– Então você com essas mãos de fada matou dois dos meus seguranças? – Sorriu com escárnio. – Itachi... Itachi... Itachi... Você não acha Sasuke um doce de criança? Quase um anjo. Ele é tão belo quanto o jovem Naruto.
Pela primeira vez em toda minha curta vida eu deixei meus sentimentos aflorarem a ponto de serem perceptíveis em minha expressão. Deixei todo o ódio sair...
– Não ouse encostar um dedo nele, maldito. – O empurrei com uma força anormal e ignorei a dor que senti quando meus cabelos foram puxados.
– Eu não irei fazer nada se você disser quem é o traidor. – Ele nem se abalou.
– Você não vai fazer nada porque eu sei quem é você.
Madara riu baixinho, parecia que eu tinha contado a melhor piada do mundo.
– Eu nunca escondi quem eu sou e é por isso que tenho mais aliados que você. – Fui empurrado contra a parede e fiquei preso entre ela e o corpo dele. – Nem todos me conhecem completamente, você conhece um lado, seu pai conhece outro e ele teme esse lado.
– E o que ele teme tanto, Madara? – O ódio é capaz de nos cegar para o perigo eminente.
– Ele teme que eu destrua sua amada empresa. Ele praticamente respira a Corporação Uchiha e a minha queda representa a queda de todos. – Acariciou meu rosto e sorriu gentilmente. Definitivamente ele não era normal. – O dinheiro que eu investi naquele lugar não foi conquistado por meios que nossa sociedade classificaria como correto, todos eles sabem disso.
– E isso é motivo suficiente para deixar você fazer o que quiser?
– Para Uchiha Fugaku isso é mais que o suficiente. Essa é a forma que a mente de um homem ganancioso, que enxerga o dinheiro como base de sua estrutura familiar, trabalha.
– Mas não é a forma que a minha mente trabalha e eu não vou descansar enquanto não te ver caído. Não me importo se você é um assassino, psicopata ou traficante. Eu vou acabar com você. – Sibilei.
– Eu gosto de você Itachi-chan, de verdade. Você lembra muito a mim mesmo. Nós dois temos um código de conduta pessoal que não é afetado pela opinião dos outros.
– O meu não envolve sequestrar e matar crianças.
– Eu não as mato, elas que não são muitos resistentes. Lindas e frágeis, como cristal. – Suspirou. – E a que durou mais tempo foi tirada de mim.
– Você é doente.
– Não diga isso jovem. – A mão que estava em meu rosto desceu para pressionar minha garganta. O sorriso gentil transformou-se em um maníaco. – Eu odeio que atrapalhem meus planos Itachi, odeio ser traído e odeio que mintam pra mim. Quem o ajudou?
– Eu não vou dizer. – A voz saiu abafada, meu pescoço era pressionado com cada vez mais força. – Vai me matar?
– Não. – Afrouxou o aperto ainda sorrindo. – Mas é bom que passe o máximo de tempo possível com o Sasu-chan. Cada momento pode ser o último, lembre-se que facilmente entrei no quarto dele hoje.
– Não encoste no meu irmão.
– Em três dias eu quero sua resposta. Você escolhe: uma pessoa qualquer ou seu amado irmão. – Aproximou seu rosto do meu novamente e, inesperadamente, roçou os nossos lábios. – E se contar isso para alguém você nunca mais verá Shisui. Até mais Itachi-chan. – Sussurrou contra meus lábios e saiu.
Eu sentei no chão e fiquei encarando a parede o resto da noite. Não podia entregar as pessoas que haviam me ajudado e não podia perder Sasuke.
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Os três dias passaram extremamente rápido, eu já estava ficando desesperado. Ninguém sabia pelo que eu estava passando e a única saída que me parecia plausível era matar Madara e aguentar as consequências. E só de pensar nisso me sentia cada vez mais parecido com ele.
– Itachi-kun? – Eu estava sentado no chão do quarto encarando a janela, quando escutei minha mãe chamando-me gentilmente a porta.
– Mãe... – Murmurei e fui até ela a abraçando com força. – Eu te amo.
– Eu também filho... – Ela acariciou meu cabelo. — O que aconteceu com você?
– Nada mãe... Só deu vontade de dizer isso. – Me afastei e tentei sorrir.
– Sei... – Arqueou uma sobrancelha e suspirou. – Seu pai está te chamando no escritório.
– Eu já vou.
Ela saiu e logo fui em direção ao escritório do meu pai. Era a primeira vez em dias que ele me chamava pra conversar, porém no meio do caminho fui abordado por um alegre Sasuke.
– Aniki! Aniki! – Ele veio correndo e me abraçou com força.
– Oi otouto. – Sorri verdadeiramente. – Porque está tão empolgado?
– O tio Madara vai me levar pra praia! – A voz infantil soou ainda mais fina devido a empolgação e meu sangue gelou.
– O que? – Me afastei dele e o segurei pelos ombros.
– Ele disse que vai me levar pra viajar, já que estou de férias. – Sorriu alegre.
– Você não vai Sasuke. – Apertei ligeiramente os pequenos ombros e o tom foi mais agressivo do que eu pretendia.
– Mas por quê?
– Depois conversamos. – Avancei a passos furiosos e entrei no escritório do meu pai. Abri a porta com tanta força que ela bateu na parede com um estrondo, o que fez meu pai arregalar os olhos.
– O que é isso, Itachi? – Falou irritado.
– Você não vai deixar o Madara levar Sasuke pra lugar nenhum! – Bati ambas as mãos na mesa e me inclinei em direção ao patriarca Uchiha.
– Deixe de implicância, moleque. E cuidado com o tom que usa comigo. – Sibilou e eu estreitei os olhos, irado.
– Não é implicância! Faça o que eu estou dizendo ou vai se arrepender! – Alterei o tom de voz.
– Me arrepender do que? O que você pode fazer contra mim? Eu sou seu pai! – Ficou na mesma posição que eu. – E você me deve respeito.
– Eu me recuso a respeitar alguém que é feito de fantoche por um louco! – Disse entre dentes.
Um alto som de estalo preencheu a sala e a exclamação horrorizada da minha mãe chegou a meus ouvidos, junto de um gosto metálico na minha boca e uma ardência na minha bochecha.
– Fugaku! – A voz da minha mãe estava alta, assustada.
– Não se intrometa, Mikoto. – Ordenou grosseiro.
Eu o encarei já mais calmo, o tapa que recebi me ajudou nisso e uma ideia idiota surgiu...
– Sabe pai... Sasuke gosta muito do Madara, não o culpo por isso. – Limpei o sangue que estava nos meus lábios. – Ele é melhor que você, mais louco, mais ousado... Provavelmente os acionistas também o consideram um presidente melhor que você.
– O que você está dizendo? – Pela primeira vez ele pareceu, verdadeiramente, ameaçado.
– Ele está dizendo exatamente o que parece. – Uma voz conhecida surgiu atrás de mim. – Madara está buscando um destaque maior na empresa, mas ele gosta de conquistar o posto e não tomá-lo.
Um homem pálido, com cabelos negros curtos e usando um sobretudo cinza, entrou caminhando calmamente na sala.
– Obito? – Meu pai lançou um olhar incomodado para o homem que parou ao meu lado.
Eu estava completamente surpreso de vê-lo ali, há alguns anos ele foi expulso do clã. Ninguém sabia o motivo, mas agora eu tinha uma vaga ideia.
– Você deveria rever suas prioridades, Fugaku. – Sentou-se calmamente na cadeira que havia em frente a escrivaninha onde meu pai estava. – Essa confiança e dependência toda, vão acabar matando você. Não estou dizendo isso do modo figurado.
– Madara jamais me trairia. Eu posso destruí-lo.
– Mas não o fará, porque vai acabar indo junto dele. – Não consegui me segurar e três pares de olhos me encaram surpresos. – Você e ele são igualmente desprezíveis, a diferença é que Madara é carismático e brilhante.
Obito estreitou os olhos em minha direção, seu olhar dizia “cale-se” e a sensação daquele olhar sobre mim foi tão intensa que silenciei. Sem questionar.
– Apesar de alterado, o garoto está certo Fugaku. Você não vai fazer nada contra ele, pois vocês estão presos um ao outro. – Sorriu de lado.
– E o que isso te importa? Você não tem mais ligação alguma com a Corporação ou com a nossa família.
– Eu me importo, pois minha irmã e meus dois sobrinhos são diretamente afetados por cada ação estúpida sua. Madara vai derrubá-lo e tomar seu lugar! – Fez uma pausa, parecia mapear cada reação de meu pai. – Mas você pode evitar isso, usando seu trunfo.
– Usar isso seria como declarar guerra abertamente.
– Não precisa ser abertamente, você sabe ser esperto quando quer. Apenas tire-o do caminho por uns tempos. Até você restaurar a confiança dos seus acionistas.
– Por que eu deveria seguir seus conselhos?
– Então pague pra ver Fugaku, mas não diga depois que eu não avisei. E não o deixe levar Sasuke para lugar algum, nunca podemos saber o que ele planeja. – Levantou-se, se virou pra mim e abriu um sorriso de alívio.
Eu não entendi na hora, mas me pareceu que um peso foi retirado de meus ombros. Obito passou por mim e saiu do escritório, por segui-lo com os olhos percebi que minha mãe estava parada a porta, me encarando com pesar. Então a voz de meu pai soou novamente.
– Você conseguiu Itachi... Eu tirarei Madara da empresa por uns tempos. – O encarei e vi que estava extremamente nervoso. – Mas quero você fora da minha casa!
– Fugaku, não! – Minha mãe ia até ele, mas eu a segurei pelo pulso e sorri minimamente. Sabia que ele não iria relevar minha afronta.
– Tudo bem, Fugaku. Eu nunca mais colocarei os pés nessa casa. – Não tinha ideia de para onde iria, Shisui não poderia me abrigar.
– Pegue o mínimo que puder carregar, tudo que está nesta casa pertence a mim. – Falou austero, assim que me viu caminhar para longe.
– Ele vai pegar o que quiser e se você tentar impedi-lo acabo com você! – Me surpreendi com a dureza das palavras de minha mãe e nem eu, nem meu pai a questionamos.
Ela, provavelmente, sabia que aquilo era o máximo que poderia fazer no momento.
Quando sai do escritório encontrei um choroso Sasuke me fitando, ele provavelmente havia escutado a ordem de meu pai. O abracei com carinho.
–Você vai partir, aniki? – Indagou com o rosto vermelho e banhado em lágrimas. – É por minha culpa? Eu juro que não vou mais pra praia!
– Não é por sua culpa, Sasuke. – O fiz me encarar. – Eu sou o culpado. Apenas cuide da mamãe, ok?
Ele assentiu e me seguiu para o quarto, me ajudando a preparar a mochila com as minhas coisas. Depois minha mãe se juntou a nós dois e quando menos esperava foi a hora da despedida e logo estava fora da casa, onde havia alguém me esperando, para minha surpresa.
– Pensei que ia demorar mais um século!
– Tio Obito? – Indaguei confuso.
– Você vai morar comigo, garoto. Sua mãe não me perdoaria se o deixasse por aí. – Sorriu e pegou a mochila que eu carregava. – Vamos pra casa.
– Tio... Você sabe que Madara... — Fiquei com receio de falar.
– Sei e também sei o que você andou aprontando. Presumi que teria problemas e resolvi interferir. Por sorte consegui a tempos.
– Como o senhor sabe?
– Madara tem seus contatos eu tenho os meus. – Disse presunçoso.
– Kisame ou Shisui? – Arqueei uma sobrancelha.
– Kisame. – Sorriu. – Aquele cara gosta muito de você e deu um jeito de me avisar.
– Você acha que ele tentará alguma coisa contra o Sasuke?
– Não... Não mais. Fugaku também sabe ser um homem muito ruim. Agora chega de falar isso. O que você vai querer para o jantar? Você está horrivelmente magro e sua cara tá péssima.
Notas finais
Tudo planejado nos mínimos detalhes... Tão Itachi!
E esse Madara seduzente? Fala sério! >.
Obito chegou, mas num falshback! kkkkk
Onde será que ele está?
E Darui? Quem é esse cara?
Como será que Nagato e Sasuke vão reagir ao ter escutado essa história?
Espero que tenham gostado! o/
Logo responderei os comentários!^^
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