As Tears Go By
4 Manias Estranhas
Dei um longo suspiro e tentei manter-me calma. Era praticamente impossível com Anna tagarelando sobre ter coragem para ir falar com Axl. Na verdade, fingia prestar atenção no que ela falava. Mas única coisa, melhor dizendo pessoa que conseguia estar em minha mente não me deixava ouvir o que ela dizia. Duff. Minha cabeça podia atingir várias hipóteses do que ele estava fazendo. Tocando, bebendo, se drogando ou até mesmo se agarrando com qualquer stripper de Los Angeles. Esse última hipótese me fez estremecer um pouco. No que estava pensando? Por um acaso estava imaginando com um cara daqueles estaria fazendo um voto de castidade por minha causa? . Meneei minha cabeça afastando todas as hipóteses e pensamentos que podia conter Duff.
- Meus ouvidos estão sangrando, não agüento mais ouvir o nome Axl. – Cantarolei enquanto caminhávamos pela rua, rumo a minha casa. – Podemos mudar de assunto?
- Não! – Exclamou, desesperada. – Preciso desabafar, ele nunca mais vai querer me ver. – Sua voz soava tão alta que as pessoas olhavam para nós furiosamente ou até com certa curiosidade. – Maldita hora em que traí Axl com o Steven.
- Quem é Steven?
- Baterista da banda. – Respondeu, dando um longo suspiro. – Ele estava com raiva porque o Axl transou com a namorada dele para gravar algo para uma música, então para ajudar o Steven acabei transando com ele.
- Ajudar?Anda transando por caridade agora?
- Bom. – Ela sorriu como se lembrasse de algo bom. – Vai entende quando conhecê-lo. – Sugou um pouco do milkshake. – Bom, foi culpa da Adriana.
- Ah, Adriana, claro, não faço a porra de idéia nenhuma de quem é ela, mas claro que é culpa dela!
- Você está muito engraçadinha hoje, Lilly. – Repreendeu. – Algum motivo especial?
- O quê? – Suguei um pouco do meu milkshake e deslizei meus olhos dando graças a Deus por enxergar meu prédio. – Bom, é aqui que eu fico
- Mas...
- Tchau, Ann!
- Tchau, Lilly... – Ela acenou fracamente me vendo entrar.
A rotina estava acabando comigo. Era sempre a mesma coisa para fazer, acordar, trabalhar, lanchar com Anna depois de o trabalho e depois ir para casa. Onde sempre estava sozinha, onde ninguém me esperava. Raras eram às vezes em que Anna saia de sua casa para vir dormir na minha, fazer uma noite do pijama que deveria ser mais uma noite do tormento, onde ela fazia questão de tagarelar no meu ouvido até altas horas da madrugada. Mas eu gostava. Anna tornava meus dias menos chatos com sua presença irradiante e sua tagarelice. Sua vida amorosa complicada e cheia de erros arrancava boas risadas de mim.
Saí do elevador assobiando o solo inicial de Satisfaction com o copo na outra mão, com o cigarro na boca, apesar de estar burlando uma das regras do prédio sobre fumar no elevador. Se bem que estava sozinha. Não havia necessidade para ser chamada atenção por uma bobagem como aquela. Logo que sai notei que havia alguém sentado ao lado da porta do meu apartamento, a garrafa de Jack Daniel’s ao lado me deu uma breve esperança que neguei a principio, mas depois tive certeza de quem era.
- Boa Noite. – Ele murmurou assim que sentiu minha presença sentada ao seu lado. – Perdão por invadir a porta da sua casa.
- Sem problemas. – Sorri largando o copo de milkshake e trocando pela garrafa de uísque.
- Boa Troca.
- Com certeza. – Respondi. – Então, por que invadiu a porta da minha casa?
- Vim fazer um convite, algum programa para hoje a noite?
- Além de provavelmente assistir pela milionésima vez a fita de Labirinto, acho que não tenho nenhum programa. – Encolhi meus ombros, minha resposta o fez rir. – O que foi? David Bowie faz qualquer filme infantil ficar legal, certo?
- Mas eu não disse nada, Lilly!
- Mas pensou.
- Ótimo, você lê pensamentos? – Perguntou, cético. – Você gosta de David Bowie, gosta de filmes infantis, é recém fumante, mas alguma coisa que eu deva saber?
- Muitas coisas,mas vai ter que descobrir aos poucos.
- Ok. – Disse. – Bom, queria chamar você para ir comigo beber com os caras da banda?
- Eu, você e um bando de homens?
- Qual é? Os meninos vão estar com as namoradas, você não vai me trocar pelo Rei dos Goblins não é?
- Não, claro que não. – Selei meus lábios de leve nos dele. – Eu vou me trocar, já volto.
- Claro.
- Tem mais uma coisa para você acrescentar nas suas informações. – Voltei da porta. – Eu sou cheia de manias estranhas.
- Não trouxe meu bloquinho de notas. – Duff brincou e entrou em casa junto comigo.
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