As Súplicas De Um Vagabundo
3 EU NÃO SOU GAY!
Notas iniciais
E ali estava eu, com um desejo súbito de socar o desgraçado à minha frente. Sorte o pai do garoto não ter chegado ainda.
Nem Yuuri, senão já havia o socado enquanto eu tentava explicar para o sorridente e idiota diretor:
- Mas eu não sou gay!!!
- Eu entendo que vocês gostam de outras coisas — sorria idiotamente ele — Como dizem os jovens, gostam de "levar por trás" hahahaha mas lembre-se que está aqui por uma bolsa de estudos e que os ricos podem te fuder por isso, mas não do jeito que você gosta.... — Ele ria, tentando parecer um adolescente.
"CLARO QUE NÃO É DO JEITO QUE EU GOSTO! O PAI DO MOLEQUE NÃO TEM VAGINA!"
Eu só estou me fodendo aqui!
- Eu... Não... Sou... GAY!
- Eu sei que existem outros homossexuais — disse ele não notando minha existencia.
- Eu caí!
- É. Eles falam de cair de boca... Mas não te culpo — sorriu ele.
Se não fosse meu pai morrer pra eu estar aqui, juro que já estaria quebrando aqueles dentes amarelos do diretor!
- Com licensa... — disse um homem alto, forte, de causar arrepios entrando com Yuuri. Este... Era o pai dele?
Eles se sentaram e eu me sentei também, me escondendo no pufe.
- Você devia saber que por causa disso, minha empresa já me condenou e o tempo que estou gastando aqui por sua causa — ele apontou para mim — Perdi muito dinheiro. Com certeza já perdi uns três bilhões de ações e negócios! Estou envergonhado or vocês dois!
- EU NÃO SOU GAY! — me descontrolei e recebi um tapa.
- PARE DE ENSINUAR QUE MEU FILHO TE ATACOU! VOCÊ QUE ESTAVA POR CIMA, SEU BIXA!
Quis me matar. Ninguém me batia assim e eu não podia me defender.
- Foi... Um acidente! Eu escorreguei!
- ACIDENTE NO ESCURO? EM UM LABORATÓRIO?
- Acalme-se, senhor. — disse o diretor para minha salvação — Não é assim que vamos resolver! Ambos já disseram que foi um acidente, embora surjam certas dúvidas, mas...
- Eu não sou gay!
O pai do garoto ia me bater quando fechei os olhos e Yuuri agarrou o braço do pai.
- É verdade, pai! Foi um acidente... Por favor?!
- Hunfs!
ATÉ QUE ENFIM, MOLEQUE INÚTIL!
ME SALVA DO INFERNO QUE ME METEU!
- Você! — ele apontou para mim e eu pulei para trás no pufe — Vai dizer a imprensa que atacou meu filho! Não podem pensar que ele é gay!
Não suportei...
- NÃO! NÃO VOU FAZER ISSO! FOI UM ACIDENTE! NÃO VOU MENTIR!!!
- Então fecharemos o Host Club! — disse ele calmo, me assustando.
- NÃO! — se fecharem... Gabriel vai me matar... Foi a única coisa boa que conseguimos lá... Nosso refúgio. Tentei me salvar, virando para o diretor, mas ele fez uma cara de "eu lamento".
Pensei se doeria me atirar da janela do segundo andar e se morreria lentamente ou rápido...
Mas ao lembrar que poderia ter problemas mentais e viver, desisti. Baixei a cabeça e falei:
- Ok.
- Ótimo! Publiquem tudo até amanhã, diretor!
- Sim, senhor!
- Vou lá antes que perca mais algumas ações da empresa. Boa aula, Yuuri.
Depois que ele saiu, olhei bravo para o diretor e para o moleque e saí sem dizer tchau.
- Aonde você vai...?!
Bati a porta e corri para o Host e fiquei na sala da depressão...
Mia tarde, depois de socar toda minha raiva, saí e vi um círculo de menininhas gritando fofo, lindo, gato... Já era ótimo sair dali, mas sempre algo pode piorar minha vida! Lá estava ele... Yuuri com a roupa do clube, todo envergonhado com as meninas que ficavam apalpando-o.
- POR QUE ESTE PIRRALHO ESTÁ VESTIDO ASSIM?!
- Este "pirralho" tem três meses a menos que você! E por ordens do diretor ele é novo aqui! — falou Gabriel.
- Dá um beijinho nele? — perguntaram as meninas me empurrando, mas ergui o menino do chão e o atirei com força.
- SAIA DO MEU CAMINHO, SEU VADIO!
Saí em passos largos e fui para casa.
Mizuki veio correndo dos valentões e parou do meu lado, contando com minha ajuda.
- Pe-pe-dro! O-o que aco-aconte-ceu?
- Esse gay vai te ajudar, florzinha?
Não olhei para trás. Estava a ponto de matar um.
- Pe-pedro? — perguntava ele entre lágrimas.
Não consegui ajudá-lo. Aquela voz gay era insoportável. Ninguém ia fazer nada...
- Po-por fa-fa-favor?!
- FODAM-SE TODOS VOCÊS! NÃO OS SUPORTO, SEUS DESGRAÇADOS! EU NÃO SOU GAY, SEUS PUTOS!
Começei a correr e tosod ficaram parados boquiabertos.
Ouvi um gritinho afeminado de Mizuki, mas ele tem que saber se defender.
Ninguém conseguiu me alcançar e em minha cabeça vinham idéias de Gabriel me trocando por ele no clube, as meninas agarrando ele...
VADIO DOS INFERNOS! MORRA NA SUA PODRIDÃO!
Deitei na cama e adormeci.
(...)
A porra do meu celular me acordou... Meia noite e meia...
- Alo?
- Pedro? — uma voz preocupada falava.
- Senhora Haruhi? — era a mãe de Mizuki.
- Sabe onde está Mizuki? Estou preocupada! Ele não voltou para casa!
- Não sei...
- Por favor, me dê uma luz?! Ninguém o viu sair da escola! Estou muito preocupada! Você sabe o que pode ter acontecido?
- Não, senhora... — mas de repente me veio uma luz — Ou melhor! Acho que sei! Vou procurá-lo! Ele deve estar bem!
Mas pelo que eu pensei talvez não estivesse... Os brutamontes! Como pude ser tão trouxa?
Corri pra escola desesperado, saltando as grades e correndo até uma entrada secreta. Me escondi do vigia e iluminei o lugar com a lanterna do meu celular.
Assim que entrei, corri até o corredor do primeiro andar, perto de onde nos separamos. Nada! Procurei, procurei, chamei, mas nada! Corri até ouvir ele me chamar.
- MIZUKI?
Acendi a luz de uma sala e lá no fundo estava ele, sem roupa, caído, espancado, com a cabeça sangrando demais e um taco de basebol do lado.
- O QUE ACONTECEU?
Ele sorriu! O PUTO ESTÁ MORRENDO E AINDA SORRI!
- O QUE FIZERAM COM VOCÊ? — chorei sem querer,
- Es-estou cura-cura-do — ele riu.
- FILHO DA PUTA! POR QUE? COMO?
Ele pegou o taco.
- Eles... Me-me abusa-saram e-e eu eu qui-quis me-me es-esque-ce-cer.
- Os brutamontes? — perguntei chorando e o pondo com a cabeça no meu colo.
- Si-sim. Me-me... Qua-quase me ma-mataram...
- SEU PUTO, PARA DE RIR!
- E-eu nã-não es-que-que-ci.
- Vou te levar daqui!
Mas na hora que peguei ele vi a cabeça lascada e vi seu... ECA! CÉREBRO! SAI SAI SAI! LIMPEI A MÃO NA CALÇA.
- Na-não adi-an-anta... Vo-vou mo-morrer... Entre-tregue à ma-mae...
Ele me estendeu uma carta...
- Eu-eu fi-fiz an-ante-tes de me-me bate-ter...
Peguei a carta e a apertei em minhas mãos sangrentas.
Abraçei-o e tentei pegá-lo, mas já era tarde... Ele estava pálido, morrendo... Já não havia tempo. Chorei desesperado.
- FOI TUDO MINHA CULPA!!! EU ME ODEIO! Se eu tivesse te salvado...
Ele fez que não com a cabeça e pôs a mão no meu rosto, me olhando.
- Po-por fa-favor... Ame o garoto!
- QUE? VOCÊ FALOU UMA FRASE SEM GAGUEJAR! E COMO AMAREI ELE? NÃO SOU GAY!!!
- Pe-Pedro... E-ele te am-ama... E-eu con-conversei co-com ele...
- NUNCA! Não vou virar gay! — meu coração disparava.
Ele riu! Filho de uma porca! Ele ainda me irrita até agora?
Ele fez um último esforço e se levantou até mim, tentando sentar. Abraçei-o, pois era meu segundo melhor amigo. Sempre estivemos juntos e ele me livrou de muitas. Até por falta de dinheiro...
Mizuki colocou o dedo na frente da minha boca em sinal de silêncio.
- Shiiiiiu! Eu vo-vou morrer...
Ele alcançou meus lábios num último esforço e eu paralisei.
Senti nojo do sangue no começo, mas não conseguia pensar que era a última vez que o veria. E pensar que só parei de ser tão amigo dele depois que ele falou...
- Eu... Te a-amei se-sempre.
Aquele selinho de sangue terminou e eu baixei minha cabeça, chorando enquanto ele escapava de perto do meu rosto e caía lentamente, rolando meu peito, até o chão, morto.
Agachei e encostei a cabeça no peito dele, batendo-lhe com os punhos.
- SEU PUTO! NÃO ME DEIXE SOZINHO NESTA MERDA!
(...)
*Casa do Mizuki, 3:40 da madrugada.
(...)
E lá estava eu, olhando a senhora Koretsu lendo a carta e chorando. Meu rosto manchado de sangue e meus lábios com aquele gosto metálico...
Ela soluçou ao terminar a carta e baixou-a, me abraçando forte e ficamos ali um bom tempo deste jeito, até ela perceber que eu precisava ir.
No outro dia a polícia cuidaria do corpo...
- Pedro... — soluçou ela no último abraço — Obrigado... Ele... Te amava...
- Sim... — falei baixando minha cabeça.
- Você... Salvou ele do preconceito. Obrigado...
Sorri e sai dali... Tinha coisas importantes para fazer, como enxugar as malditas lágrimas.
Fui até um local onde estava ocorrendo uma festa. E lá estavam eles... Os três brutamontes, bêbados, brigando no meio de todos.
Fiz um barulho do lado da casa e ele veio ver o que acontecia, cambaleando.
Assim que se aproximou de mim, me revelei.
- Lembra-se de mim? — sorri chorando.
- Pedro?!!
Mas era tarde. Em questões de segundos alcançei minha faca e lá descarreguei minha raiva. Em segundos estava ele, o primeiro dos três que me vinguei, caído com uma expressão de terror e uma facada na barriga e outra no coração.
Logo que terminei o primeiro, os outros dois vieram buscar o chefe e eu saí do escuro quando eles agacharam perto do major deles, com facas do lado de seus pescoços. Não sabia porque, mas estava alterado...
- VOCÊ!!!
Mas em menos de segundos estavam eles lá, caídos no chão, com a jugular partida, morrendo lentamente enquanto eu sorri cínicamente, jogando as facas e tirando as luvas enquanto dizia saboreando o sangue fresco e via todos pensarem que eles mesmos se mataram...
- Mizuki, sua morte foi vingada!
Notas finais
^^
O/
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