As Sete Jóias de Uaset

6 Capítulo 6: O inimigo aparece


Já completava três dias que estavam em Uaset. No quarto azul Kamus rendia graças a Zeus.

- Vou ficar livre desse calor.

- Gostei daqui. — disse Dohko.

- Pois eu não vejo a hora, para voltar para as minhas amazonas. — sorriu Miro.

- Idiota. — Kamus saiu.

No quarto bege, Shaka recolhia os cacos de vidro.

- Kanon não tem jeito. — disse Saga saindo do banheiro. — ele deve ter te acordado quando jogou o copo na parede.

- Não foi ele. — disse sem graça. — fui eu.

Saga ficou surpreso. Shaka embrulhou-os no papel e jogou no lixo.

- Vou meditar.

MM acordou com muita dor de cabeça, saiu do quarto a procura de algo que pudesse tomar. As portadoras já tinham levantado e ido realizar suas tarefas. Os demais já tinham ido para a sala de refeições tomar o café da manha.

Aproveitando que tinha algum tempo antes da partida Shaka foi até a um dos jardins meditar. Queria distância de qualquer templo dedicado a Hathor. A presença dela o incomodava e muito Estava em sua tradicional posição de lótus já algum tempo.

- Por que não escolheu o abrigo do meu templo?

- Prefiro ao ar livre. — respondeu seco com os olhos fechados.

- Entendo.

- Não terá mais ninguém para incomodá-la.

- Incomodo? Claro que não, só acho uma pena você ir embora. — ela sentou na mesma posição que a dele na frente.

- Por quê?

- Porque não me mostrou seu verdadeiro ser.

- Já sabe como sou.

- Parece que a conversa com a Tari foi proveitosa.

- Foi sim, é uma excelente pessoa, conhece perfeitamente seu papel. — disse perdendo a paciência.

- A de servir Ísis? — Isi tinha notado.

- Isso mesmo.

- Talvez tenha razão. Vocês dois não passam de fantoches.

- Como disse? — Shaka ficou surpreso.

- O que ouviu dois bonecos sem vida própria.

- Não sou fantoche de ninguém senhorita Hathor. — frisou bem o Hathor.

- Então prove. — Isi ficou de joelhos e aproximou do rosto dele. — pois para mim parece. Vocês dois só obedecem.

Isi aproximou mais, Shaka continuou imóvel.

- Esquecem que por baixo dessa aura divina corre sangue nas veias. — chegou mais perto a ponto de sentir a respiração dele. — você é um homem Shaka e como um, tem suas vontades... Seus desejos. — ela acariciou o rosto dele que permanecia imóvel.

- Eu não tenho desejos.

- Tem sim... — ela sorriu. — tem porque minha presença o perturba.

Shaka abriu os olhos, fitaram-se por um longo tempo.

- Esta enganada.

- Não estou, vejo isso em seus olhos. Por isso os mantêm sempre fechados para que ninguém veja o que realmente sente.

Isi aproximou ainda mais, a distancia era milimetrica. Shaka não se mexeu, mas sua respiração alterara um pouco, porém imperceptível aos olhos de alguém. Ela não desviou o olhar um minuto sequer, tinha certeza que aqueles olhos azuis seriam dela. Shaka tentava permanecer indiferente, mas estava sendo atraído pelas esmeraldas. Isi roçou levemente seus lábios nos dele provocando — o ainda mais. O perfume que ela usava era afrodisíaco e estava quase cedendo a vontade de beijá-la quando...

- Isi! Isi!

Shaka fechou os olhos, Isi olhou para o lado visivelmente contrariada, era Ank

- Ank... — vibrava de ódio.

- Akhenaton está nos chamando. Oi Shaka.

- Oi Ankhesenamon

- Vamos logo — Ank agarrou o braço dela.

- Estou indo. — ela levantou olhando-o mais uma vez.

Shaka suspirou aliviado agradecendo a Buda por ter mandado Ank no último segundo.

Kamus voltava para o palácio, contava os minutos para a hora de partir, andava despreocupado quando viu Nefertite sentada em um banco. Parou, não tinha como mudar o caminho tinha que passar por ela. Respirando fundo andava apressado na esperança que ela não o visse mas...

- Bom dia Kamus. — cumprimentou sorridente.

- Bom dia. — disse frio e continuando a andar.

- Quando parte?

- Daqui a pouco.

- E gostou daqui?

- Não. — ele parou, irritado com o interrogatório. — não gostei, aqui é muito quente e não suporto calor. Do mesmo modo que não suporto você. — arrependeu-se por ter dito, mas não podia recuar.

Tite o olhava incrédula.

- O que foi que te fiz? — seus olhos brilhavam num misto de indignação e tristeza.

- Simples. Não suporto tipinhos como você, fáceis. — lembrou de como ela conversava com os outros dourados, ficou com ódio — Eu vi seu comportamento ontem na festa.

Tite não tinha entendido a colocação até que seus olhos encheram de água.

Afrodite andava pelo jardim a procura de Tite, já que ela prometera na noite anterior que lhe daria uma muda de uma flor muito especial, quando ouviu vozes. Reconheceu uma, sendo a de Kamus. Aproximou devagar e testemunhou a última frase dita pelo amigo. Ficou indignado. Tite olhava descrente para Kamus. Ele fitava aqueles olhos e se sentiu mal mas era melhor daquele jeito.

- Até nunca mais. — disse.

Saiu deixando-a perplexa. Afrodite aproximou e sentou ao lado dela.

- Não ligue para o que ele disse.

- Dite... — ela o abraçou. — eu...não entendo... por que ele me disse isso?

- Nem tente. Kamus não passa de um grosso, não merece suas lágrimas. Vem, vamos procurar a flor que você ia me dar.

Afrodite levou Tite, não iria perder o controle na frente dela, mas quando visse Kamus... No mínimo iria surrá-lo, ele havia passado dos limites e sem um motivo. A troco de que falara aquilo? Afinal eles iriam embora.

Miro seguia para a sala de refeições, sorriu ao ver Hatshe.

- Bom dia Hatshe.

- Bom dia. — passava direto.

- O que foi? — ele segurou o braço dela.

- Nada. — ela se soltou. — a noite deve ter sido boa, deve ter se divertido muito com a Isitnefert.

- Sim, ela é uma pessoa encantadora. — sorriu sem se dar conta de suas palavras.

- Que bom. No santuário devem existir muitas pessoas encantadoras como ela, Miro de Escorpião.

- Várias.

- Ótimo. Tenho que ir.

Passou por ele. Miro deu um suspiro.

- \" Minha fama chegou até ela.\"

MM entrou num cômodo, achando um armário começou a mexer.

- O que esta fazendo?

- Procurando algo para a minha cabeça. — respondeu sem ligar para voz até que... — a santinha. — virou dando um sorriso debochado.

- Tem prazer em entrar nos lugares proibidos.

- O que posso fazer? — sorriu aproximando.

- Saia já daqui.

- Já estou indo, o ar ficou puro demais para meu gosto.

- Seu grosso.

- Sua arrogante. Ai. — MM levou a mão a cabeça a dor aumentou. — \"maldita bebida.\"

- O que foi? — Tari segurou no braço dele preocupada.

- Nada não. Não se preocupe. — a voz saiu suave.

Os dois se olharam, MM olhava ora os olhos dela ora sua boca. Tari encarava aqueles olhos azuis que pareciam devorá-la. Recuperando-se soltou o braço dele.

- Não tem noção com que está lidando.

- Tenho sim. — saiu do estado de encantamento. — uma pessoa que se acha estar acima de todos. — ele foi saindo. — até nunca mais portadora de Ísis.

- Com certeza! — gritou.

Afrodite distraiu ao máximo Tite fazendo-a rir e esquecer que aquele cubo de gelo existia. Depois de deixá-la junto com as outras foi atrás de Kamus, encontrou-o junto com os demais.

- Oi Afrodite! — disse Shura.

- Seu desumano! — gritou apontando para Kamus nem dando ouvidos a Shura e ignorando os outros.

- Posso saber por que está gritando comigo?

- Ainda é cínico! Insensível eu sei que você é, mas burro não.

- Como?

- Como tem coragem de chamá-la de desfrutável?

Kamus ficou calado.

- Para quem ele disse isso? — indagou Miro.

- Nefertite.

- O que?! — exclamou Aldebaran. — como teve coragem de falar isso!

- Logo com ela. — disse Mú.

- Ela foi tão gentil conosco. — disse Dohko.

- Por que disse isso, posso saber? — o pisciano estava nervoso. — nós vamos embora hoje, vocês mal trocaram duas palavras, nem conhece ela!

- Falei sem pensar.

- Você falando sem pensar? — disse Saga. — e desse jeito?

- Não se metam!. — ele levantou.

- Ei, eu ainda não acabei.

- Deixe-o Afrodite. — disse Shaka. — ainda bem que estamos indo, em dois dias olha só o estrago que causaram. — pensava em Isi.

- Vou dar mais uma volta pelo palácio, despedir das lindas garotas.

- Nós vamos com você. — disseram Kanon e MM.

- Eu também vou. — Aioria levantou.

- Sendo assim vamos todo mundo, será mais fácil para vigiá-los. — disse Shaka.

Atena em seu quarto olhava distraída para paisagem quando escutou uma batida na porta.

- Entre.

- Oi Atena.

- Oi Osíris. Sente-se. — ela apontou para duas poltronas.

Foram para uma salinha ao lado.

- Ansiosa para voltar para casa?

- Um pouco, me preocupo com o santuário, mas Uaset é um lugar magnífico.

- Fico feliz que tenha gostado daqui. Isso é para você.

Akhenaton entregou uma caixa para ela. Atena tirou o laço e abriu.

- Ton. — tirou uma pulseira de ouro que tinha o desenho de um olho.

- É o olho de Hórus. Aqui é considerado um símbolo de sorte e proteção. Claro que você não precisa de proteção, com Niké e os cavaleiros ao seu lado, mas nunca é demais.

- Obrigada.

Os dois se olharam.

- Foram os dois dias mais felizes dessa minha existência. — o deus pegou nas mãos dela. — sabe que vou sentir sua falta.

- Eu sei. Acho que não nos veremos de novo, pelo menos não nessa época.

- Infelizmente. — ele beijou-lhe. — sabe do meu sentimento.

- Do mesmo modo que sabe do meu.

Akhenaton a abraçou bem forte. Atena deixou se levar, a vida de deusa Atena exigia muitos sacrifícios e esse era um deles: não podia exteriorizar o que sentia por Akhenaton, ou melhor, Osíris. Desde que o conhecera era obrigada a esconder o sentimento que nutria por ele. Osíris também estava na mesma situação. Como um deus protetor não poderia abandonar suas obrigações apesar do que sentia.

- Será que algum dia poderemos ficar juntos? — Akhenaton não queria solta-la.

- Quem sabe. — ela sorriu, soltando-se dele. — chegou a hora.

- Sim. Vamos reunir todos na porta do palácio.

Estavam no salão Ishitar, Ank, Hatshe, Isi, Tite e Tari esperando por Akhenaton e Athena. Estavam todas em silêncio mergulhadas nos próprios pensamentos, apesar de estarem achando bom a partida deles, no fundo queriam que eles ficassem um pouco mais. O silêncio que reinava foi quebrado pelo som de uma sirene.

- Sitis. — disse Ishitar despertando do transe.

Os dourados davam uma ultima volta pelos jardins, conversavam sobre o que fariam quando voltassem para o santuário e as impressões que levariam daquele lugar quando escutaram uma sirene bem alta.

- O que está acontecendo?! — exclamou Aioria assustado.

- Sei lá esse povo é doido, deve ser sirene de polícia. — respondeu Miro.

- Não diga asneiras. — Shura deu um pedala em Miro.

Olhavam ao redor tentando entender, logo testemunharam um pandemônio. Dezenas de soldados saíram do palácio, os portões foram abertos e dezenas milhares de pessoas entravam correndo, desesperadas como se fugissem de algo.

- De que estão fugindo? — Mú via as expressões assustadas das pessoas.

- Não faço idéia. — respondeu Dohko.

O cenário era de caos, os dourados ficaram sem saber o que fazer. No palácio...

- Cadê a Akya? — Tari vestia sua armadura.

- Deve estar lá fora. — respondeu Ank.

- Vamos para os obeliscos ela nos alcança. — disse Ishitar.

Do lado de fora... Akya corria desesperadamente para o portão principal do palácio, sabia que quanto mais tempo perdesse mais a cidade seria destruída, passava correndo por entre as pessoas quando avistou os dourados parados olhando assustados para os lados.

- “Só o que me faltava”. Ei vocês.

- Akya. — Shura tomou a frente.

- Não fiquem aí parados, nos ajude a por essas pessoas para dentro.

Não foi preciso um novo pedido, dividiram-se e foram para fora. Vendo que eles ajudavam Akya chegou ao portão principal.

- Akya chegou.

- Então vamos, não podemos deixar os sitis avançarem.

- Sim.

As sete dividiram indo cada uma para um ponto da cidade, sendo que Ishitar ficara no portão principal do palácio. Enquanto as pessoas eram abrigadas nos jardins e dentro do palácio. Atena ajudava as pessoas feridas, seus cavaleiros traziam as ultimas pessoas.

- Que bom que estão ajudando. — sorriu Atena ao ver seus cavaleiros.

- Sabe o que esta acontecendo Atena? — indagou Aioria.

- São os sith.

- Os servos de Seth?

- Isso mesmo. — Akhenaton aproximou. — Costumam invadir a cidade, soldados comuns não conseguem detê-los porque eles usam magia vinda de Seth. Quando tinha o djed conseguia mantê-los fora, mas agora... -o rosto de Akhenaton ficou sombrio parando de falar.

- O que foi Ton? — Atena soltou sem perceber.

- Ele esta aqui.

- Ele quem?

- Seth.

Olhando do alto a posição das seis era um hexágono, sendo Ishitar no meio. Ao mesmo tempo as sete começaram a elevar seus cosmos.

- Balança de Maet. — a balança que Hatshe carregava emitiu um brilho verde e uma torre de luz subiu até os céus.

- Sistro de Hathor — Isi balançou o sistro, uma torre de luz subiu.

- Cetro de Hórus. — Tite ergueu seu cetro, este emitiu uma luz preta.

- Báculo de Ísis. — Tari bateu-o contra o chão, ele emitiu uma luz amarela.

- Estrela de Chu. — Akya segurou a estrela com as duas mãos e a ergueu, subiu aos céus uma luz dourada.

- Espelho de Tefnut. — Ank apontou o espelho para o céu, saindo dele uma luz azul.

A ultima torre apareceu nesta hora elas se uniram por linhas formando um hexágono.

Da varanda, Akhenaton, Atena e seus cavaleiros observavam.

- O que elas estão fazendo? — MM estava surpreso.

- A barreira. — Akhenaton respondeu sem tirar os olhos do obelisco que jazia em frente ao palácio.

Na frente do palácio...

- Ankh de Ré.

Viram uma torre de luz vermelha aparecer, que atravessava exatamente o meio do hexágono. Nesta hora uma barreira dourada começou a envolver a cidade.

- Com essa barreira a cidade está a salvo. — disse Aioria.

- Não teria tanta certeza.

- Por quê?

- Elas não vão agüentar por muito tempo. — ele cerrou os punhos. — um deus que não pode fazer nada.

Nos limites da cidade, uma figura imponente andava a passos lentos, tendo ao lado um homem de armadura negra.

- E agora mestre? — perguntou o homem.

- Acha que isso vai me deter? O grande Seth? — sorriu sarcástico.

O homem deu um passo, seus olhos amarelos brilhavam intensamente, começou a liberar seu cosmo que ao entrar em contato com a barreira a fazia recolher. A cada passo seu, a barreira regredia.

- A barreira... — Tite ficou preocupada.

- Mantenham a concentração. — Ishitar segurava firme a ankh, mas sabia que elas não iam agüentar por muito tempo. Sem o djed, seus poderes haviam diminuído e muito.

Seth avançava implacável. No palácio Osíris ficava preocupado.

- Seth... seu maldito...

Seth já avistava o primeiro obelisco.

- Minha primeira jóia.

Ank tentava manter a concentração porem dois cosmos chamaram a atenção dela.

- “Seth...?”

- Ora se não é a portadora de Tefnut.

- O que quer? — Ank recuou um passo

- Seu espelho.

- Jamais o entregarei.

- É o que veremos.

Ank não teve nem tempo, foi atingida por Seth. Neste instante a barreira se desfez.

- Ank! — Isi perdeu a concentração.

- Ankhesenamon! — gritou Osíris.

- Droga, meninas vão ajudar a Ank, com certeza Seth esta vindo para cá, vou segura-lo.

- Esta bem Ishitar. — comunicou por cosmo Nefertari.

- Sim. — concordou Akya.

Osíris entrou, sabia que Seth tinha pegado o símbolo de Tefnut. As pessoas que estavam no salão olhavam-no assustadas. Athena notou isso.

- Acalma-se Osíris, esta as assustando.

Os dourados olhavam um para os outros sem saber o que fazer.

Akya foi a primeira a ver Ank caída.

- Rápido Ishitar não vai agüentar segura-lo.

Elas a pegaram e voltaram para o palácio.

- Ankhesenamon. — disseram Akhenaton e Mú.

- Ela só esta desacordada, mas perdemos o símbolo. — disse Isi.

- Ai...- a portadora acordou.

- Ank? Você esta bem?

- O símbolo! Seth o pegou.

- Já sabemos. — disse Nefertari bastante preocupada.

- E Ishitar? — indagou o deus sentindo a falta dela.

- Esta segurando uma barreira para evitar que Seth chegue aqui.

- Deixaram na sozinha?! — gritou Osíris, assustando-o a todos. — ela não pode lutar contra Seth!

Osíris saiu em disparada para porta porem...

- Por que... Não consigo abrir-la?

- Ishitar deve ter criado uma magia para nos isolar. — Nefertari aproximou.

- Temos que ajuda-la, se não Seth vai matá-la. — Hatshe tentou abri-la.

- Ele não fará isso. — a voz dele saiu fria.

- Como... ? — desta vez Atena que ficou surpresa.

- Ishitar é preciosa demais, ele nunca fará isso.

Ishitar segurava firme o ankh porem foi sentindo que seu cosmo diminuía sozinha não conseguia manter a barreira.

- Ishitar de Toth.

Ela olhou para o lado.

- Seth?

No palácio sentiram o cosmo de Ishitar diminuir e o cosmo de Seth.

- Vejo que se tornou uma poderosa sacerdotisa.

- Devolva o espelho.

- Devolver? — ele soltou uma gargalhada sarcástica. — Acha que eu faria isso?

- Não. — ela sorriu. — vou ter que pegar a força. — suprema...

Ishitar foi surpreendia, Seth estava bem a sua frente. Segurando o rosto dela, fez que se aproximasse mais. Os olhos dele brilhavam de maneira maligna.

- Solte-me.

- Quem esta no controle agora?

Ishitar estreitou o olhar.

- Não vou matá-la, não uma Sith.

- Notou isso pelos meus olhos? — indagou irônica.

- Não, pelo poder que tem e que está escondido.

Os olhos de Seth brilharam momentaneamente num tom avermelhado, em seguida os olhos de Ishitar.

- Até mais querida.

Ele a soltou e sumiu. Ishitar ainda ficou um tempo parada, olhando para o nada, ate que voltou para o palácio.

- Ishitar você esta bem? — Akhenaton foi ao encontro dela.

- Sim. Como esta a Ank?

- Estou bem. Seth não me fez nada. E você? Seth não pegou seu símbolo?

- Não. — murmurou.

Tari e Osíris trocaram olhares. Shaka, Atena, Saga e Afrodite notaram-na diferente.

- Estou bem. Temos serviço.

As sete sacerdotisas espalharam pelo salão ajudando as pessoas machucadas. Os dourados afastados observavam o trabalho. Havia varias pessoas machucadas, umas ainda em estado de choque. Passaram a observar cada uma, a primeira era Tari: ajudava com paciência, MM ficou fascinado. Hatshe com total devoção, fazendo Miro sorrir, Tite e Ank com palavras de encorajamento, Mú ficava ainda mais fascinado e Kamus arrependido por tudo que tinha dito, Isi fazendo-os corar pelas coisas que dizia, Shaka reprovava o jeito dela, mas a achou encantadora por isso, Akya sempre fria, mostrava compaixão o que dava esperanças a Shura e Ishitar com determinação, fazendo Saga admira-la ainda mais.

- “ Rapazes... “- chamou Mú pelo cosmo.

- “ Sabemos” — respondeu Dite.

- “ A situação deles é critica, se só a aparição dele fez esse estrago..”

- “ Tem razão Dohko.”

- “ Não podemos ir e deixa-los assim.”

- “ Eles precisam da nossa ajuda.”

- “ Vamos ficar então.” — sorriu Miro.

- Todos concordam?”

- “ Sim.” — disseram todos.

- Senhores me perdoem, prometi que hoje iriam embora, mas estão vendo a nossa situação, alem do mais Ishitar não conseguirá abrir o portão.

- Nós não vamos embora.

Ank, Ishitar, Hatshe, Tite, Tari, Isi e Akya os fitaram surpresas.

- Não vão... ? — Osíris estava tão surpreso quanto elas.

- Se Atena permitir gostaríamos de ficar e ajudar.

Atena sorriu. Seu desejo fora atendido.

- Se Osíris não se importar.

- Claro que não. Será um prazer. — Osíris olhou para suas guardiãs.

Elas olharam entre si.

- Toda ajuda é bem vinda. — disse Ishitar.

- O que posso fazer é agradecer. -sorriu Osíris.

Os dourados juntaram a elas. Com ajuda deles, faltavam poucas pessoas para ajudar.

Ishitar estava com a mão sobre o braço ferido de uma senhora. Estava quase no final quando começou a sentir uma tonteira, desconcentrou, a senhora sentiu dor.

- Ai.

- Desculpe.

- Tenha mais cuidado.

- Desculpe. — ela aumentou a voz.

- Pode deixar que eu termino. — Tari aproximou.

- Ta. — ela sentou encostando-se a uma pilastra.

Tari fitou Osíris.

- Esta terminado.

- Obrigado sacerdotisa Nefertari.

- De nada.

A ultima pessoa deixou o salão, Ishitar estava com os olhos fechados. Isi a olhou, a culpa da cidade estar destruída, dos problemas intermináveis contra os Sitis e Ank estar sem o espelho era dela. A sith.

- A velha mania de resolver tudo sozinha. — disse Isi.

- Resolver o que?

- Quer fazer tudo ao mesmo tempo, depois mal consegue se manter de pé, sabe que isso pode prejudicar o grupo. O que aconteceria se Seth nos atacasse agora.

- Aonde quer chegar?

- Na sua arrogância. Na mania de achar que é superior a nós. Somos tão portadoras quanto você.

- Isitnefert. — disse levantando, mas deu uma cambaleada.

- Esta vendo, essa pose toda e nem consegue ficar de pé.

- Pare Isitnefert. — a voz de Osíris saiu autoritária. Não era Akhenaton e sim Osíris falando.

- Por quê? Por dizer a verdade? Tem a péssima mania de defendê-la, nem a sua irmã você faz isso.

- Chega Isi, não fale mais nada. — disse Tari intervindo, a conversa poderia ficar perigosa demais.

- Ate você Tari?

- Sim. Estamos cansadas é melhor nos recolher.

- Esse tratamento todo é porque ela é uma sith?

Ishitar a olhou com ódio.

- Pois por culpa deles, é que Uaset esta assim. Por sua culpa.

Ishitar cerrou os pulsos. Osíris estava pronto para segura-la, mas não foi preciso.

- Não vou discutir com você.

Ishitar saiu.

- Isitnefert passou dos limites.

- Só porque falei algumas coisas a sua protegida?

- Ela não é protegida dele, é irmã dele. — disse calmamente Tari.

Isi a fitou imediatamente, os outros olhavam para Osíris.

- O que?! Irmã? Como assim?! — indagou Tite.

- Ishitar é minha meia irmã.

- Mas... ela é uma sith. — Isi não acreditava.

- Meia sith. — respondeu seco.

- Senhor Osíris explique-se melhor. — pediu Hatshe.

- Logo depois que eu nasci, minha mãe se envolveu com um sacerdote sith, meu pai descobriu. Sabem a punição para isso.

- A morte.

- Mas seria um escândalo a rainha ser declarada traidora e morrer por isso. Meu pai relevou. Ele ia matar a criança, mas viu o símbolo de Toth. Ela era uma portadora. Diante disso ele não a matou, pois temia a ira dos deuses, mas a entregou a uma serva do palácio. Com isso Ishitar foi criada aqui dentro. Mesmo recebendo as mesmas regalias que eu, por intermédio de minha mãe, era foi discriminada, era uma sith. Na época do nascimento dela, alguns boatos apareceram de uma suposta gravidez da rainha. Meu pai conseguiu abafar o caso por três anos, quando não dava mais o rei adotou uma menina que perdera os pais ainda bebê.

- Esse bebê era eu. — disse Tari.

- E assim Nefertari passou a ser minha irmã. Ishitar sempre foi jogada para o segundo plano. Sempre odiada e não sabia por quê. Meu pai morreu e alguns anos, minha mãe, no leito de morte contou a verdade a nós três.

Sem entender o motivo, Saga abandonou o recinto a procura de Ishitar. Encontrou-a sentada numa varanda.

- O que faz aqui?

- Tomar ar.

- Osíris já deve ter contado tudo.

- Sim contou.

- Não queria que falasse nada.

- Por quê?

- Não é algo que venha acrescentar.

- Mas é seu passado e querendo ou não tem que aceita-lo. Desde que me tornei cavaleiro de Atena fiz diversas coisas erradas. Hoje me arrependo por tudo e queria esquecer meu passado, mas isso não é possível. Só me resta conviver com ele e aceita-lo.

Ishitar o olhou.

- Pode ter nascido Sith, mas necessariamente não tem ser um. Já provou isso, é só continuar no caminho que está.

- Por que esta sendo gentil comigo?

- Por que temos os mesmos objetivos.

- Quais?

- Proteger quem se ama.

Ishitar o fitou por um longo tempo, depois levantou.

- Obrigada.

Passou por ele, mas Saga segurou sua mão.

- Aonde vai?

- Andar.

- Ishi...

- Não vou me aliar a Seth. — ela entrou.

Akhenaton tentava se acalmar, Isi estava sentada num canto as demais portadoras falavam sobre o ocorrido com os dourados. Foi quando Ishitar apareceu, no recinto ninguém disse nada. Ela andou até Osíris parando na frente dele.

- Fique com isso. — ela entregou o ankh e estava saindo.

- Ishitar. — chamou Isi. — eu.. não queria ter dito aquilo.

- Eu sei. — disse parando, mas não virando para ela. — não disse aquilo para mim e sim para a raça que pertenço. — saiu.

Tite fez menção de segui-la, mas Akya a impediu.

- Ishitar se referia aos meus pais. — Isi começou diante dos olhares confusos dos dourados. — numa invasão ocorrida a alguns anos os sitis mataram meus pais e os de Akya.

- Não se preocupe Osíris, ela voltará. — disse Atena. — posso conversar com você?

- Claro. Nefertite leve-os de volta, Ank vá descansar e vocês já sabem o que fazer.

- Sim. — responderam Akya, Tari, Isi e Hatshe.