As Sete Jóias de Uaset

2 Capítulo 2: Visitantes ilustres


Um ano se passou desde a batalha contra Hades, o santuário mergulhava numa tranqüilidade jamais vista. Todos os dourados haviam sido revividos e levavam uma vida normal. Atena abandonara um pouco seu lado de deusa e assumira a direção da fundação Graad, dividindo seu tempo ora na Grécia ora no Japão. Estava em Tókio quando recebeu um comunicado importante. Pegando o primeiro vôo, voltou para o santuário.

– Há quanto tempo.

– Continua linda como sempre. — disse um homem beijando a mão de Atena — essa roupagem ficou ótima em você.

– Não veio ate aqui só para me elogiar. — sorriu a deusa.

– Não. — o rosto ora alegre, se tornou sombrio. — problemas.

No Coliseu os dourados continuavam seus treinos. Essa era a rotina, treinos o dia inteiro.

– Chega por hoje. — Miro apoiava nas pernas. — já cansei.

– Chegou atrasado, não fez nada e já esta cansado? — exclamou Shura indignado.

– Não é desse cansaço que estou falando. Estou farto de treinos. Só treinar e treinar. Só temos folga nos domingos e é raro, raríssimo, Atena deixar a gente sair um dia à noite. Só mesmo quando ela está no Japão. Fora que não tem mulher nesse santuário, já conheço todas as amazonas. Antes uma guerra do que isso.

Por mais abobrinha que Miro falasse desta vez, só desta vez, ele estava certo. Era agoniante ficar sem fazer nada. Agradeciam o fato de estarem vivos mas...

– É Miro sou obrigado a concordar com você. — disse Dohko.

– Sério?

– Esse santuário está muito parado, não podemos fazer nada.

– Mas é melhor isso do que guerras. — disse Shaka. — antes treino do que mortos.

– Os dois estão certos. — disse Kanon. — vamos almoçar. — disse do nada.

– Vamos lá para casa. — Aioria caminhou para a saída.

– Mas o treino ainda não acabou. — Kamus protestou.

– Shion nem vai ver que saímos mais cedo iceberg.

A cada dia reuniam-se na casa de algum para almoçar ou jantar. E nessas reuniões, conversavam sobre os tempos de treinamento e outras coisas alem de brigarem, diga-se de passagem, muitas vezes.

– Já mandei ficar calado o caraguenjo.

– Vai ver quem vai ficar calado. — MM preparava para pular no pescoço de Kanon.

– Ei vocês dois! Na minha casa não! Se quiserem brigar vão lá pra fora, já limpei aqui.

– Pô Aioria que gororoba é essa? — Aldebaran olhou para a panela. — isso é comida?

– Não reclama.

– Nem Miro cozinha tão mal. — Mú tentava descobrir o que o amigo tinha cozinhado.

– Mais uma reclamação e os coloco para fora.

– Hum... o leãozinho ficou bravo. — debochou Afrodite.

– Ao respeito.

– Boa tarde rapazes.

Gelaram ao ouvir o cumprimento.

– Mestre?! — exclamou metade dos dourados mais branco que papel.

– O que faz aqui?!

Ficaram temerosos, ele aparecera sem avisar, encontrando um cenário de caos: Kanon e MM brigando, Saga e Aiolos tentando separar a briga, Aldebaran, Miro e Mú fazendo apostas para saber o que Aioria tinha cozinhado e o pior de tudo, tinham voltado mais cedo do treino.

– Por que me olham assim? Não vou castigá-los por terem saído mais cedo. — queria rir da cara que eles faziam.

– Ah... e que o trás aqui? — Aioria quis parecer simpático.

– Comunicado de Atena. É para vocês se apresentarem de armadura depois do almoço.

– Aconteceu alguma coisa Mestre? — perguntou Saga.

– Não sei. — ele sentou. — mas pela expressão do rosto dela acho que é algo grave. — ele pegou um petisco. — isso está bom. — Shion voltou à atenção para eles que o olhava sem entender, só então reparou que estava sentado e comendo — bom Atena espera por vocês não se atrasem.

Saiu.

– O que deu nele? — Mú ficou admirado pela postura do mestre.

– O que deu nele para falar que isso esta bom. — Shura pegou um e experimentou. — nossa, ta bom mesmo. — pegou outro. — Até que enfim fez uma coisa que presta.

– Não fiz... — Aioria disse baixinho todo sem graça. — eu comprei.

– Só podia. Deixe-me ver. — Miro pegou um. — é bom mesmo.

– Vamos comer rápido, não gosto de chegar atrasado. — disse Kamus.

– Fique tranqüilo iceberg.

– Deve ter acontecido algo grave. — começou Shaka. — para nos chamar assim e ainda de armadura.

– Que nada. Deve ter arrumado alguma coisa doida para nós. — disse Kanon.

– Não sendo uma guerra contra um deus doido, querendo dominar o mundo, ta bom. — brincou Aiolos.

Logo que almoçaram partiram rumo ao décimo terceiro templo. Na entrada sentiram um cosmo poderoso, tão grande quanto o de Atena. Logo estavam diante da deusa. Shina e Marin também estavam presentes.

– Mandou nos chamar Atena? — disse Saga com seu tom polido, olhando para o homem ao lado dela.

– Sim. Quero que conheçam um amigo meu. Akhenaton, esses são os meus cavaleiros de ouro.

– Então são eles que derrubaram o muro das lamentações. — ele olhou para Atena. — posso imaginar a cara de Hades. Como eu perco uns acontecimentos desses. — sorriu.- adoraria ter visto isso.

– Não brinque. — Atena ficou séria, mas depois sorriu.

Os dourados estranharam como ele sabia sobre o muro, como parecia conhecer tão bem Hades e o mais estranho, parecia que ele e Atena se davam muito bem.

– É um prazer conhecê-lo senhor Akhenaton. — Shaka fez uma reverência. — meu nome é Shaka, cavaleiro de ouro de virgem.

– O homem mais próximo de deus, o próprio Buda.

– Sim... — respondeu sem graça.

– Já ouvi falar de você. Bem, como Atena disse meu nome é Akhenaton e sou a reencarnação do deus egípcio Osíris.

O homem era alto, pele morena, cabelos curtos pretos. Trajava uma túnica alva e um colar dourado, em cada mão usava um bracelete também dourado. Seus olhos eram roxos realçados pelo delineador que contornava os olhos dando o aspecto de puxado. Realmente tinha porte de um deus, o rosto tinha feições suaves e era ao mesmo tempo sedutor e recatado. Mas o que mais impressionava era seu cosmo.

Shina e Marin que estavam no recinto secavam-no, imaginado o corpo bem trabalhado por baixo da túnica, o que foi notado pelos dourados.

– Osíris veio ate mim, pedir minha ajuda.

– Com essa maquiagem? — Miro cochichou a Aioria. — Devia pedir ajuda para o Dite.

Shaka deu um cutucão nele.

– “Tenha mais respeito! Não sabe com quem esta lidando.” — disse Shaka através do cosmo. — perdoe-me Atena, deus egípcio?

– Sim. — respondeu o próprio. — assim como existe os deuses gregos há os deuses egípcios. Saori é a reencarnação da deusa Atena e eu de Osíris. Estou enfrentando alguns problemas e vim pedi auxilio a ela.

– Deve ser: ‘ será que roupa eu uso...’ — brincou Miro.

– É... — riu Kanon.

– Para sua informação, cavaleiro, que suponho ser de escorpião, isso não é maquiagem de viadagem. — Akhenaton o olhou frio. — é uma tradição do meu povo.

Os dourados seguravam para não rir.

– Perdoe-me Atena.

– Eu é que peço desculpas Akhenaton. Miro às vezes gosta de fazer comentários fora de hora.

Miro estremeceu com olhar da deusa.

– Pensei que não existiam na Terra deuses egípcios, já que a civilização desapareceu. — disse Shaka querendo entender o que se passava.

– Realmente Shaka, na Terra não reencarnamos mais. E nem é necessário, esse planeta esta em boas mãos. — ele olhou para a deusa.

– Parece que vocês se conhecem há muito tempo. — disse Dohko.

– A alguns milhares de anos.

– Não seja exagerada Atena. — Akhenaton sorriu. — desse jeito vão pensar que sou velho.

– Estou brincando.

Ficaram estupefatos com o excesso de gentileza da deusa. Ela sempre fora enérgica com eles.

– Por favor, apresentem-se, eu não ouvi falar todos.

– O meu nome é Shion, sou mestre do santuário. É uma honra conhecê-lo.

– Igualmente.

– Sou Mú de Áries. — o ariano reverenciou.

– Aldebaran de Touro. — fez o mesmo.

– Saga de Gêmeos.

– O homem que enganou um deus?- o fitou curioso.

– Sim.. — Saga ficou meio sem jeito.

– Realmente é um prazer conhecê-lo.

– Sou Kanon, dragão marinho.

– O que enganou o Poseidon? — ficou ainda mais surpreso.

– É.

– Impressionado.

– MM de Câncer. — disse ríspido.

– Aioria de Leão.

– Dohko de Libra.

– Aiolos de Sagitário.

– Miro de Escorpião. — ele nem o olhou.

– Shura de Capricórnio.

– Kamus de Aquário. — continuou indiferente.

– Afrodite de Peixes.

– Realmente é a elite.

Ficaram lisonjeados com o elogio.

– Sendo um deus veio sozinho? — Shaka perguntara sentido de leve um outro cosmo, Saga também sentira.

– Não. Trouxe uma guardiã. Assim como vocês protegem Atena, tenho quem me proteja. Elas são chamadas de portadoras das jóias. São sete no total.

– Até imagino... aquelas mulheres musculosas e enormes. — comentou Miro com os amigos.

– Ishitar apresente-se.

Começaram a sentir um poderoso cosmo hostil e destemido.

– “ O cosmo que senti.” — pensou Shaka e Saga.

Os outros nem tinham sentindo.

Apareceu diante deles uma jovem trajando uma armadura, semelhante à de Sagitário, porem sem as asas, na cor vermelha com detalhes em preto. Seu elmo era diferente parecendo o elmo da armadura de cisne porem na cor vermelha. Usava uma capa alva. Os cabelos pretos desciam em onda até a cintura. A jovem retirou a máscara que usava similar a das amazonas, contudo os olhos eram contornados por duas faixas preta e vermelha. Era morena, tinha os traços finos, mas o mais impressionante eram seus olhos: cor de âmbar torneados de preto. Eles expressavam firmeza, mistério, autoridade.

Os 14 a fitavam completamente desnorteados, apesar da cara de poucos amigos ela era linda.

– “ Que gata!” — pensou Miro examinado-a de baixo a cima.

– “ Uau..” — MM a secava.

Até Shaka ficara impressionado.

– Essa é Ishitar de Toth. Ishitar, esses são os cavaleiros de Atena.

Limitou-se apenas a acenar com a cabeça.

– Rapazes. — disse Atena vendo o estado de encantamento deles.

Um a um se apresentaram.

– Espero contar a ajuda de vocês.

– Claro senhor Akhenaton. — Miro deu um passo a frente, todo empolgado. — pode contar conosco.

– Acho que podemos ir então. — disse satisfeita, apesar de saber que Miro, Shura, Kanon e MM só iam por interesse e os outros por que não tinham opção.

– Posso usar o teletransporte? — perguntou Akhenaton. — ou teremos que pegar um avião ate o Egito?

– Pode nos teleportar? 16 pessoas? — Mú ficou surpreso.

– Claro.

Ishitar deu um sorriso debochado, alguns dourados notaram.

– Shion, Shina e Marin tomem conta do santuário, os bronzes não devem demorar a chegar.

– Conte conosco Atena.

– Vamos?

Em segundos estavam no Egito. Os dourados e Atena ficaram maravilhados com que viram a suas frente: estavam diante de uma magnífica construção egípcia.

Uma rampa dava acesso à entrada do templo feito diretamente na rocha, composto por dois andares, adornados por colunas e estátuas dos deuses egípcios, o deserto que o contornava dava-o um beleza singular.

– Bem vindos ao templo mortuário de Hatshepsut. Vamos? — Akhenaton tomou o braço de Atena.

Os dois subiam a rampa que levavam até o templo, seguido pelos dourados e Ishitar que vinha atrás.

– Que lugar quente. — reclamava Kamus pela décima vez.

– Gostei da temperatura. — Miro admirava a paisagem.

– Vou assar aqui.

– Não reclama iceberg, poderia ser pior. — sorriu Kanon.

Na frente Atena e Akhenaton conversavam animadamente.

– Os problemas de sempre. Tem sempre um deus querendo dominar o mundo.

– É. — ela sorriu.

– Certas coisas não mudam nunca, querida.

– Tem toda razão.

– Como esta o poderoso Zeus? Faz séculos que não o vejo.

– Esta bem. Com aquele jeito dele.

– Nossos pais sempre se deram bem.

– Acho que é por isso que somos tão amigos. — ela sorriu.

Os cavaleiros que seguiam atrás estavam pasmos.

– Isso esta esquisito. — Aiolos murmurou.

– O que irmão?

– Esse deus que aparece do nada, essa súbita mudança no comportamento de Atena.

– Não deve ser nada. — disse Dohko. — a única coisa que me preocupa é essa daí atrás.

– O que tem de esquisita tem de bonita. — completou MM. — mas ela dá medo.

– O mais impressionante é o cosmo dela. Tão grande quanto o nosso. — Mú entrou na conversa.

– Acho que ela não foi com a cara da gente. — disse Aldebaran.

– Também acho. — concordou Miro.

– Você acha? Eu tenho certeza. — disse Shura.

Os seis olharam para trás, Ishitar os fitava com indiferença, eles viraram logo.

– Não to falando.

– Estão com medo dela? — Kanon aproximou passando o braço em Miro. — seus trouxas. Aquilo é só pose. Vamos ver se eu não consigo dominar a fera.

– Ao respeito. — Saga deu um pedala no irmão. — não fale assim.

– Já vem o cavalheiro querer defendê-la. — brincou Shura.

– Não é isso. Se é uma guardiã de um deus merece nosso respeito.

– Saga tem razão. — continuou Shaka.

Ishitar que acompanhava os atrás queria escutar o que eles tanto falavam.

– “Não sei por que eles vieram. Só nos sete seriamos capazes de proteger Osíris e Atena.”

Chegaram a entrada do templo. Avançavam, estava escuro, mas à medida que Akhenaton dava um passo uma tocha de fogo era acessa.

– Senhor Akhenaton.

– Sim Afrodite.

– Pelo que sei a civilização egípcia desapareceu a algum tempo.

– Sei aonde quer chegar. Tudo será esclarecido a vocês no momento certo, mas o que posso adiantar é que eles não desapareceram e sim voltaram para o lugar de origem.

– Lugar de origem?

– Digamos que os egípcios não eram daqui da Terra. Pronto chegamos.

Pararam diante de uma enorme estátua de um homem com a cabeça de falcão com os braços cruzados segurando numa mão um ankh e na outra o cetro uase.

– Esse é o portão do céu, guardado pela estátua do deus Ré.

– Eu não vejo nada.

– Fique calado. — Kamus deu um tapa em Miro.

– Mas Akhenaton. — Atena o olhou. — pensei que ele estava lacrado. Pode abri-lo?

– Não.

– Deixe conosco. — MM deu um passo. — vamos derrubá-lo.

Os doze o olharam incrédulos.

– Não será preciso, MM. É só usarmos a chave de Ré.

– Então a use.

– Eu não a tenho.

– Então?

– Nem eu o grande Osíris, tenho a permissão de usar a chave de Ré. Só a uma pessoa em todo mundo que tem essa permissão.

– Quem?

– A portadora de Toth.

– Então trás ela aqui. — estava ficando impaciente.

– Ela já esta aqui.- Akhenaton olhou para o fundo.

– Sou eu seu idiota.

Ishitar passou por eles. Akhenaton lançou um olhar de desaprovação para ela.

– Desculpe. — pediu a ele e não a MM.

– Ishitar.

Ela estreitou o olhar, mas obedeceu.

– Desculpe.

– Tudo bem. — respondeu MM sabendo que ela falara por falar.

Ishitar posicionou a mão direita sobre o peito, sua mão começou a emitir um brilho dourado. A área sob a mão reagiu emitindo o mesmo brilho. Um objeto saiu: uma espécie de cruz.

A portadora de Toth esticou o braço com a mesma mão aberta. A cruz levitava sobre ela, girando lentamente.

– Essa é a ankh, a chave de Ré. — disse Akhenaton diante dos olhares curiosos. — somente Ishitar pode utilizá-la.

A ankh girava e emitia um brilho dourado.

– Ankh Ré, ta-netjeru. — disse em uma língua que os dourados não entenderam.

Os olhos da estátua brilharam, a ankh partiu da mão de Ishitar indo em direção a estátua. Na altura do peito, ela encaixou. Os olhos pararam de brilhar.

Um barulho indicava algo arrastando. A estátua partiu-se em duas, um clarão impedia a visão de todos.

– Atena e cavaleiros sejam bem vindos a Uaset.


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Templo mortuário de Hatshepsut – Templo onde a rainha faraó Hatshepsut foi enterrada.

Ré - É conhecido como Ré ou Amon-Ré, deus supremo do sol, os egípcios lhe deram a supremacia porque reconheceram a importância da luz do sol na produção de alimentos. Sua esposa é a deusa Ret (versão feminina do nome Ré) tem como supostos filhos os deuses Hathor, Osíris, Ísis, Seth, Hórus e Maet, nessa fic usarei que Osíris é filho de Ré.

Ankh– conhecida também como cruz ansata, era na escrita hieroglífica egípcia o símbolo da vida. Conhecido também como símbolo da vida eterna. Os egípcios a usavam para indicar a vida após a morte, também é conhecido como a chave de Nilo pois representa a união de Ísis e Osíris.

Ankh Ré ta-netjeru – chave de Ré terra dos deuses