As Sete Jóias de Uaset

25 Capítulo 25: Uma nova chance


Templo de Seth

Estavam todos aguardando o desfecho, já havia passado algum tempo e nenhum dos três se mexia. Kanon andava de um lado para o outro. Queria que Ishitar voltasse, mas pensava na segurança do irmão. Passou a mão de forma nervosa pelos cabelos, tinha um mau pressentimento. Voltava para perto dos outros quando sentiu uma dor no peito.

- Saga...

Olharam para ele e depois para o geminiano, Saga continuava na mesma posição, contudo... uma mancha vermelha apareceu na altura do coração.

- O que é essa mancha? — Aldebaran aproximou. — o que... — empalideceu. — sangue?

- O que? — Kanon passou a frente de todos. — o que disse?

Não precisou de resposta, Saga foi ao chão. Seu cosmo desapareceu por completo.

- Saga... — Kanon não acreditava.

- Saga. — Atena aproximou, ao tocar no braço dele... — está gelado...

Shaka ajoelhou ao lado dele e tomou seus pulsos, não sentiu nada.

- Saga...

- É mentira! Meu irmão não morreria assim. Ele só foi buscá-la, ele...

- Sabe que não Kanon. — respondeu de forma fria.

- Quantas pessoas ainda vão morrer? — Ank tentava não chorar.

Asmara andou lentamente até o geminiano. Olhou para ele, olhou para Ishitar ainda imóvel.

- Estou sozinha...

Cidades dos mortos

Saga foi ao chão. Isis, Osíris, Toth e os outros olhavam estarrecidos para o corpo a frente.

- Saga! — se livrando, Ishitar correu até ele. — Saga. Saga. Osíris traga-o, por favor.

O deus não sabia o que dizer.

- Saga. — uma onda de revolta abateu sobre ela.

Anúbis deu um suspiro, era pena que a história terminara daquele jeito. Ajeitando o elmo voltaria para seu templo, onde com certeza veria o cavaleiro. Dava meia volta porem...sentiu um cosmo poderoso emergir.

- Esse cosmo... — olhou para trás.

O cosmo de Ishitar queimava ao redor, era o mesmo cosmo maligno. Isis a olhava perplexa, não tinha como ela usar seu cosmo no Amêntis. Osíris recuou um passo, aquilo não era possível. Chu e Hórus igualmente surpresos tomaram posição protegendo a si e a Hathor e Maet. Toth não acreditava que o cosmo sith ainda existia. Ré permaneceu na mesma posição.

- Não vou perdoá-los por isso. Vão pagar caro pela morte dele.

O cosmo de Ishitar preenchia o recinto, no estado que ela estava, qualquer um estava ameaçado.

- Senhor, é melhor sair daqui. Ishitar pode tentar algo contra vós. — disse Chu.

O deus supremo continuou parado, fitando-a intensamente.

Ishitar não parava de queimar seu cosmo, seus olhos ficaram vermelhos e a mesma sede de sangue voltou. A portadora fitou o rosto de Saga.

- \"Saga... — derramou duas lagrimas. — por causa desse cosmo que está morto.\" — seu cosmo foi diminuindo, até desaparecer, seus olhos voltaram ao normal.

- \"O cosmo dela...\"

- \"Ela o desfez?\"

Ré deu um leve sorriso.

- Saga. — deitou o rosto sobre ele, chorando copiosamente.

Anúbis deu meia volta. Deu um passo e no seguinte já estava em seu templo.

Fitou o homem deitado na bancada.

- Pensei em fazê-la minha deusa dos mortos, mas seus destinos estão entrelaçados.

Anúbis colocou seu elmo, logo iniciaria a cerimônia de abertura da boca em Saga.

Na sala o único som ouvido era o choro de Ishitar, o “corpo” de Saga havia desaparecido, restando apenas adaga suja de sangue. Isis aproximando ajoelhou ao seu lado.

- Ishitar.

- Tari. – a olhou. – ele...ele... – abraçou-lhe. — por que todos são tirados de mim.

- Vai ficar tudo bem.

Ré desceu, parando ao lado de Toth.

- Saga não está morto Ishitar.

- Como! – exclamaram Osíris e Toth.

- Anúbis entre.

O deus da morte apareceu, ao seu lado Saga. Seus olhos estavam opacos, mas logo ganharam a coloração verde.

Ishitar nos braços de Isis, olhou na direção da porta.

- Saga?

O geminiano escutando seu nome olhou.

- Ishitar.

- Saga. – saindo correndo o abraçou.

Ele ficou surpreso, por está perto dela e ver essa demonstração por sua parte.

- Você está bem?

- Estou e você? Não está ferido?

- Não...

- Os ferimentos feitos pela adaga e os provocados por Hisoka e Seth foram curados.

- Mudou de idéia. – Saga passou a frente de Ishitar.

- Não mudei. Você e Ishitar estão livres para ir.

- O que?

- Isso é verdade pai?

- Sim Osíris. Não há motivo para Ishitar ficar aqui depois de tudo que fez. Isis acompanhe Saga, Ishitar você irá daqui a pouco.

Os dois sorriram.

- Obrigado. – agradeceu o geminiano.

- Obrigado Ré. – disse a portadora.

- Saga. – Isis o chamou.

- Até breve. – deu um beijo na fronte dela.

- Até.

Saíram.

- Chu.

- Sim senhor.

- Acompanhe Ishitar e Osíris até onde está Huni e Akin.

- Akin.. ? – murmurou a portadora.

- Minha mãe está aqui?

- Está Akhenaton. Vão.

Os dois foram levados por Chu.

- Quantos aos outros podem ir.

Anúbis saiu sem dizer nada. Osíris e Ishitar seguiam em silêncio.

- É aqui. — disse Chu parando numa porta. — vocês não têm muito tempo.

Chu deu passagem, a portadora abriu a porta lentamente. Queria muito voltar a ver Akin, mas quanto a Huni...

Viu no meio da sala duas pessoas, uma vestia roupas brancas e a outra negra.

- Pai. — chamou.

Era um homem que vestia as roupas negras, escutando o chamado olhou para a porta.

- Ishitar.

- Pai... — os olhos encheram de água. — pai... — foi caminhando, mas depois passou a correr. — pai!

- Filha. — ele a acolheu nos braços.

- Pai!

- Ishitar você foi formidável. Devolveu a paz a esse mundo.

- Não teria conseguido sem sua ajuda.

Akhenaton olhou para a outra pessoa.

- Mãe.

- Como você cresceu e se tornou tão forte.

- Senti sua falta. — a abraçou.

- Eu também. Estou muito orgulhosa de você.

Akhenaton a soltou voltando o olhar para a irmã nos braços do pai.

- Ishitar. — Huni a olhou.

- Oi.

Akin a soltou. A portadora parou diante da princesa.

- Vejo que está bem Huni.

- Como está bonita... e os olhos iguais ao de Akin.

Ela deu um meio sorriso.

- Sei que deve ter raiva de mim. Era a sua mãe e não fiz nada por você. Ao invés de defendê-la preferi ficar submissa a Maneton.

Ishitar virou o rosto.

- Agi muito errado, sei que não mereço seu perdão, mas... — a princesa começou a chorar.

A toth tentava permanecer indiferente.

- Juro que se pudesse... mas são águas passadas e só me resta... eu quero que saiba que mesmo não estando perto de você, eu sofri. — a voz saia embargada. — queria poder aliviar suas dores, mas não podia...

Ishitar ainda com o rosto virado deixava algumas lagrimas escaparem.

- Perdoe-me por tudo o que te fiz passar. Eu... eu...

Huni aproximou para abraçá-la, contudo Ishitar recuou um passo, mas a princesa não desistiu, deu mais um passo e a abraçou.

- Sempre amei você. — disse.

Ishitar relutou um pouco, mas acabou cedendo.

- Eu também, mesmo não sabendo que era minha mãe.

- Pode me perdoar?

Apenas balançou a cabeça afirmando. Akin uniu-se a duas. Osíris contemplava-os sorridente. Seth não conseguira separa-los.

Templo de Seth

Um silencio sepulcral foi quebrado pelo grito de Kanon.

- Saga!

Atena estava inconsolada, perdera um cavaleiro e Ishitar ainda continuava ameaçada. Para piorar Akhenaton estava a muito tempo no Amêntis e isso era perigoso.

- Saga... — Kanon não segurou as lagrimas. — Saga...

Nefertari mexeu.

- Tari. — MM a ajudou a levantar.

- Nefertari. — Kanon foi até ela. — o que houve com meu irmão?

- Ele trocou sua vida pela de Ishitar.

- Quer dizer que...

Ela não respondeu indo até o corpo do geminiano.

- Nefertari e Akhenaton?

- Está vindo com Ishitar, Atena.

A portadora tocou com o dedo a testa do geminiano. Uma luz amarelada saiu do corpo dela passando para o dele. O corpo de Saga brilhou em seguida todos os seus ferimentos foram curados.

- Ré reconsiderou, ele e Ishitar voltaram juntos. Volte vida.

Saga continuou imóvel porem as cores foram voltando para sua face, segundos depois ele mexia com os dedos.

- Saga.

O geminiano abriu os olhos, fitando ao redor.

- Kanon...? — disse ao ver o irmão.

- Seja bem vindo. — disse Atena.

Ele levantou ainda se sentindo um pouco zonzo.

- Saga!

Asmara pulou sobre ele.

- Estou bem Asmara.

- Você voltou.

- Sim.

- E Ishitar?

Ele olhou para a portadora, seu corpo ainda continha os ferimentos.

- Nefertari..

- Tenha paciência Saga. Ré sempre cumpre suas promessas.

Cidades dos mortos

Toth ao lado de Ré fitava os deuses saindo.

- Fiquei surpreso com a sua decisão.

- E eu surpreso porque não se intrometeu. – disse a Toth começando a andar.

- Sabia que no final iria relevar. Só não entendi uma coisa.

- O que?

- Se iria revivê-la, por que fez Saga se matar?

- Queria ter certeza de duas coisas.

- E como seu conselheiro, posso saber?

- Claro. – o deus sorriu. – a primeira condiz respeito a Ishitar. Essa garota, não imagina o poder que tem. Por isso fui tão cauteloso na escolha dela.

- Poder?

- Sim. Acha que ela conseguiria lutar contar Seth, sozinha?

- Não estou entendendo Ré.

- A sua portadora tem um poder extraordinário. Os encantamentos que ela usou contra Seth, só deuses, ou pessoas com poderes de quase deuses conseguiriam executa-los. Ela conseguiu controlar as sete jóias, o djed de Osíris, trazer de volta as pessoas mortas, tirar a imortalidade de Seth e sela-lo. Tirando ela só Isis conseguiria tais atos.

- Então ela se equipara a Hisoka? Por isso ia transformá-la na guerreira de Osíris.

- Ela não se equipara a Hisoka.

- Não? - parou.

- O poder dela supera o dele. - também parou.

- Supera?

- Na época em que Seth me servia ele tinha sete guerreiros que o defendiam. — o olhou voltando a andar. — Dentro desses sete um se destacou por ter um grande poder. Esse guerreiro era Hisoka que era o guerreiro da guerra. Ele se destacou tanto que resolvi transforma-lo no guerreiro da tempestade, aumentando seus poderes e dando-lhe uma parte de imortalidade. Na conspiração, Seth o usou e tive que sela-lo. Ishitar foi diferente. Enquanto Hisoka adquiriu novos poderes Ishitar nasceu com eles. Ela pode fazer o que quiser com o mundo. Por isso temi. Sendo sua portadora ela teria acesso a sua sabedoria, sendo descendente de Amen-hotep poderia usar o caos, sendo sith... é uma bomba.

- Por que nunca me contou isso?

- Se eu te contasse mudaria de opinião sobre ela?

- Não...

- Um grande poder nas mãos de uma sith. Seth sabia disso e queria usá-la, ele só não contava, alias todos nós, não contávamos que ela se voltaria contra ele. O sangue inflamou de tal maneira que o próprio deus perdeu o controle.

- Então...

- Imagine se ela fosse agraciada como guerreiro semi-deus.

- E de que queria ter certeza?

- Que ela era capaz de controlar seu sangue. Expondo-a numa situação extremamente dolorosa teria que ser capaz de ver que a fúria não levaria a nada. Foi o que aconteceu. Ela se enfureceu pela nossa indiferença perante a morte de Saga, mas soube controla-la percebendo que ela não o traria de volta.

- Era um teste?

- Cruel, diriam, mas necessário. Se permitisse que ela voltasse ao mundo dos vivos sem controlar seu sangue, ela se tornaria um novo Seth.

- E a outra certeza?

Ré respirou fundo.

- O motivo que Saga conseguia detê-la.

- Por que os dois se amam.

- Não é só por isso. Há mais um motivo. Hathor agiu por impulso, queria mais um casal formado em Uaset, mas o capricho dela foi providencial.

- Como assim?

- Vou lhe contar.

A medida que ouvia Toth ficava perplexo.

- Mas Ré...

- Se isso acontecesse as conseqüências seriam terríveis. O final da luta seria outro.

- Jamais imaginei que Saga fosse...

- Sua portadora está ali. Leve-a de volta.

- Está na hora Ishitar. — disse Chu vendo Ré e Toth aproximarem.

- Cuide-se filha. — Akin beijou-lhe a fronte.

- O que lhe vai acontecer?

- Voltarei para o TepetehCometi muitos pecados, aguardarei meu julgamento. Se o meu arrependimento me conduzir aos juncos, passarei a eternidade ao lado de Huni — olhou para ela. — se não...

- Vai dá tudo certo.

- Sentirei falta de vocês.

- Estaremos sempre com você filha.

Abraçaram-se com a certeza que se encontrariam novamente.

Templo de Seth

Saga andava de um lado para o outro, já havia passado algum tempo e Ishitar e Osíris não tinham voltado.

- Estão demorando.

- Tenha calma Saga. — disse Akya.

- Saga como é o Amêntis? — indagou Ank.

- Tem construções muito belas, especialmente a morada de Ré.

- O conheceu? — perguntou Tite.

- Sim, não só ele. Anúbis e seus deuses protetores.

- Viu a Hathor? Como ela é?

- Muito bonita.

- E Tefnut?

- Maet?

- São bonitas.

- Saga... — chamou Dohko fitando o corpo de Ishitar.

- Sim?

Ficou preocupado ao ver o corpo dela brilhando.

- Será que...

Deixando-os surpresos o corpo dela desapareceu.

- Ishitar?

- Para onde ela foi?

- Não acredito que Ré... — cerrou o punho.

- Meu pai sempre cumpre as promessas. — Osíris saiu de sua posição. — sempre. — Akhenaton levantou.

- Então cadê a Ishitar?

- Nunca escutei tantas vezes o meu nome.

Todos olharam para trás.

- Ishitar? — todos disseram.

- A única.

A portadora de Toth estava parada na porta, sem armadura e ferimento algum. Ank chorando correu até ela abraçando-a.

- Ishitar. — disparou a chorar.

- Ank...? — ficou desconcertada.

- Ishitar. — Nefertite também correndo a abraçou. — que bom que voltou.

- Ishitar! — gritou Hatshe também a abraçando.

Ishitar as olhava surpresa.

--------------------------------------------FLASHBACK---------------------------------

O dia estava agradável, em um dos jardins do palácio duas garotas sentadas num banco conversavam.

- Que demora.

- Fique calma Ishitar, elas já vêm.

- Paciência é uma virtude que só você tem Nefertari.

- Ola!

Do nada apareceram três garotas. Nefertari sorriu e Ishitar fechou a cara.

- Ola, creio que são as novas portadoras. Meu nome é Nefertari. Sou a futura portadora de Ísis.

- Eu sou Nefertite. — sorriu a de olhos verdes. — serei a portadora de Hórus.

- Sou Hatshepsut. — sorriu a de olhos azuis. — represento Maet.

- E eu sou Ankhesenamon. — sorriu a de olhos roxos. — vou ser a portadora de Tefnut. Prazer.

Ishitar ficou calada.

- Ishitar. — Tari a olhou.

- Ishitar de Toth. — respondeu.

Ank aproximou dela fitando seus olhos deixando-a incomodada.

- O que foi?

- Seus olhos.

- O que tem?

- São lindos. — sorriu.

- Lindos?

- São mesmo. — Nefertite junto de Hatshe aproximaram. — nunca vi uns assim.

- Só Ishitar tem. — disse Tari.

- Que legal. Como seremos portadoras, seremos amigas. — sorriu Tite.

- É sim. — afirmou Ank.

- Com certeza. — disse Hatshe.

- Seremos sim. — Ank abraçou Ishitar.

Tari ficou receosa, pois conhecia o jeito dela. Surpresa com o gesto, Ishitar sorriu.

- Vamos ser amigas. — disse.

---------------------------------------FIM DO FLASHBACK-------------------------------------------

Nefertari começou a andar calmamente até elas, mas foi acelerando o passo, até correr abraçando as quatro.

- Graças a Ré que voltou — disse em meio ao pranto. — fiquei com medo.

Ishitar a fitava sem entender.

--------------------------------------------FLASHBACK---------------------------------------------------

- Oi.

- Oi Tari.

Nefertari sentou ao lado de Ishitar.

- O que foi? Por que está com essa cara?

- Nada. — disse ríspida.

- Ishitar te conheço há 13 anos.

- Nossa, quanto tempo hein? — disse irônica.

- O suficiente para saber que não está bem.

- Já disse que não é nada.

- Os sacerdotes de Toth ainda não confiam em você.

Ishitar a olhou imediatamente.

- Como...

- Eu sei? Ninguém aqui a vê com bons olhos.

- É...sou uma sith. A raça amaldiçoada. Todos me odeiam.

- Eu não. — sorriu. — mesmo não sendo irmãs, considero como se fosse.

- Está dizendo isso apenas para ser simpática.

- Sabe que não. — Tari a abraçou. — tanto eu como Akhenaton gostamos muito de você. Pode contar sempre conosco.

- Obrigada.

------------------------------------------FIM DO FLASHBACK---------------------------------------------------

Akya fitava Ishitar, começou a andar na direção dela.

- Oi Ishitar.

- Oi.

A portadora de Chu num gesto que não parecia com ela, a abraçou e chorou. Isi as olhava, quando se conheceram deram-se até bem, mas depois da invasão sith as relações ficaram abaladas.

----------------------------------------------FLASHBACK-----------------------------------------------------------

Os números eram alarmantes, dezenas de uasetinos feridos e vários mortos, incluindo a família das portadoras de Hathor e Chu. No palácio, Ishitar estava conversando com Akhenaton quando Isi entrou de repente, aproximando de Ishitar deu lhe um soco. Ela foi ao chão.

- Sua maldita! — gritou.

- Isitnefert? — Akhenaton ficou pasmo diante do gesto.

- Miserável.

- O que eu fiz?

- Meus pais estão mortos! Vocês sitis mataram-os. Meus pais e meus irmãos! Vou acabar com você!

- Isi pare. — Akhenaton entrou na frente, atraídas pelos gritos as demais portadoras apareceram. — está alterada. Sabe que Ishitar não tem culpa.

- Tem sim! Não deveria estar aqui! Seu lugar é em Menefer! Junto com aqueles sitis miseráveis! Eu vou matar você!

- Isi. — Akhenaton a segurou.

Ishitar ainda no chão a olhava. Mais uma vez era julgada por seus olhos. Odiava Isi, odiava os sitis, odiava Menefer, odiava Uaset, odiava a si mesma, odiava a todos.

- Eu não tenho culpa. — começou a chorar. — não pedi para vim assim.

- Eu te odeio! — gritou. — odeio! — saiu.

Akya que observava tudo saiu logo atrás. Também odiava Ishitar.

-----------------------------------------------FIM DO FLASHBACK---------------------------------------------

Isi lembrando começou a chorar. Deu um passo em direção a ela.

--------------------------------------------------FLASHBACK------------------------------------------------------

Numa manha saíram para treinar. Teriam que ir a ruína e encontrar um artefato, mas não podiam usar seus poderes. Isso foi três meses depois do ocorrido da morte dos pais de Isi. O clima ainda era tenso entre elas. Na frente seguia Isi e Akya e as outras atrás. Entraram e seguindo as orientações de seus mestres logo acharam o objeto. Tudo estava indo bem até que num momento acabaram separando. Isi, Akya, Ishitar e Tite e no outro grupo Tari, Ank e Hatshe. Tite tentava amenizar o clima entre elas, mas não dava muito certo. Andaram por um tempo até encontrarem uma sala, que recebia um fraco raio do sol através de uma janelinha no teto.

- Estamos perdidas. — disse Tite sentando.

- Vamos sair daqui. — disse Ishitar.

- Vindo de você, eu duvido. — Isi a olhou atravessado.

- Concordo. — disse Akya.

- Vamos arrumar um meio para sair. — Tite caminhou para o meio delas.

- Vamos é ficar presas aqui, ainda mais com uma sith.

- Akya. — disse Tite.

- Pode deixar Nefertite. Já estou acostumada.

Akya e Isi sentaram, enquanto Ishitar tentava arrumar um jeito para sair.

- Sinto muito, mas não vou ficar aqui.

Elevando seu cosmo deu um soco na parede abrindo uma pequena passagem.

- Pronto.

- Foi contra as regras. — Isi levantou. — será punida.

- Estamos livre.

- Só podia ser uma sith.

Ishitar ia retrucar, porem escutaram um grito.

- Akya.- Nefertite ajoelhou ao lado dela. — o que foi?

- Akya. — Isi aproximou.

- O que foi? — foi a vez de Ishitar.

- Algo me mordeu. Está doendo muito.

Akya tinha a marca de presas no pé.

- Serpente. — disse Ishitar olhando ao redor.

Localizou num canto uma serpente.

- Odeio serpentes. — lançou chamas nela. — vamos ver isso.

Ishitar ajoelhou ao lado de Akya que estava amparada por Isi.

- Me deixe ver. — fez menção de tocá-la.

- Não toque em mim!

A Toth a olhou.

- Tite, procure a Tari ela tem o poder de curar. — disse Isi.

- Tá...

- Vai rápido!

- Sim.

Nefertite passou pela passagem.

- Deixe eu ver o ferimento.

- Não vai tocar em mim.

- Então vai morrer. — Ishitar levantou.

Isi a fitou com raiva, mas não disse nada. Alguns minutos passaram, Nefertite não voltava e para piorar o local da picada começou a inchar.

- Tite já vai voltar. — Isi tentava acalma-la.

- Sinto frio.

Ishitar andava de um lado para o outro, Nefertite estava demorando.

- Tite... anda logo.. — olhou para Akya. — droga. — voltou. — escuta aqui, — ajoelhou ao lado dela. — fique calada e me deixe ajuda-la.

- Mas...

- Calada Isi.

Não disse nem uma palavra.

- O veneno já deve ter espalhado não sei se vai funcionar.

- Como pode ser tão fria? — indagou Isi.

- Tenho motivos de sobra para deixá-la morrer, mas estou tentando salva-la. — Ishitar carregou uma pedra. — não vou deixá-la morrer aqui.

Isi e Akya ficaram surpresas.

- Por que...? — murmurou a Chu.

- Porque só a aparência é sith. Venha, sente-se aqui — Ishitar a carregou para um lugar mais alto. – deixe sua perna no baixo, dificulta a circulação.

. Logo graças aos poderes de Tari Akya foi salva.

- Como está? — indagou Tite.

- Bem. Ishitar...

- Sim.

- Obrigada.

- Desculpe pelas palavras daquele dia. — disse Isi. — a magoei.

- Já passou.

O alivio durou pouco, o chão começou a tremer.

- O que...?

- Não é nessa parte que...

- Terremoto.

- Vamos. Você vem comigo. — Ishitar amparou Akya. — vamos.

O teto começou a ceder, andavam com dificuldade por causa das pedras.

- Eu mato meu mestre. — disse Akya. — nos fez vir aqui.

Pela passagem passaram primeiro Hatshe, Ank, Tite, Tari e Isi. Como estava levando Akya, elas andavam mais lentas.

- Anda logo! — gritou Tite. — a abertura vai fechar.

As duas estavam quase chegando quando algumas pilastras ruíram bloqueando a passagem delas.

- Droga. — disse Ishitar.

- Me deixe aqui Ishitar e vai.

- Falei que não ia deixá-la morrer. Tari segura!

- Anda!

- Me desculpe por isso Akya.

- O que..?

Ishitar jogou Akya, antes que a passagem se fechasse.

- Ishitar!

A passagem fechou.

- Ishitar! Ishitar! — gritava.

- Droga. — Isi tentava tirar as pedras. — Ishitar.

Akya olhava pasma para os escombros.

----------------------------------------FIM DO FLASHBACK---------------------------------------------------

A medida que andava as lagrimas ficavam mais grossas. Isi parou em frente a ela.

- Ishi...

A portadora a olhou surpresa.

- Ishitar...

Isi a abraçou. Estavam todas abraçadas a ela chorando. Ishitar ainda surpresa as olhava, não imaginava que elas sentiriam a sua falta. Não demonstrava, mas adorava todas, elas eram sua família.

- Vai ficar tudo bem. — disse derramando duas lágrimas.

---------------------------------------------------FLASHBACK-------------------------------------------------

- Ishitar! — gritou Hatshe.

- Me ajude aqui Ank. — Isi tentava tirar as pedras.

- Não vamos conseguir.

- Não diga bobagens. — Akya apareceu ao lado de Nefertite. — ande logo.

Um novo tremor, contudo só as pedras que tampavam a passagem é que se mexeram.

- Afastem-se. — disse Tari.

Obedeceram. Aos poucos uma luz vermelha passava por entre as frestas. Usando seu cosmo Ishitar abriu um buraco.

A portadora caiu de joelhos, ainda não controlava bem seus poderes.

- Ishitar. — Ank foi até ela. — está bem?

- Sim. — respirava ofegante.

- Está com o braço cortado.

- Não é nada.

- É sim. — disse Isi aproximando, ajoelhando. — tem que ser tratado.

Hathor cortou uma tira de seu vestido envolvendo o machucado. Ishitar a olhava sem entender.

- Depois de ter nos ajudado era o mínimo. — disse vendo o olhar dela.

- Obrigada.

- Vamos sair daqui, tenho um mestre para esganar. — disse Hatshe.

- Venha Akya. — Ishitar a segurou de um lado.

- Eu ajudo. — disse Isi segurando do outro.

Na frente Tari, Ank e Tite. As três sorriram, finalmente eram uma família.

------------------------------------FIM DO FLASHBACK------------------------------------------

Ficaram abraçadas por um longo tempo. Akhenaton foi aproximando limpando o rosto. As meninas a soltaram e sorriam.

- Vocês se preocupam de mais. — Ishitar limpava o rosto. — e ainda me fizeram chorar.

Saga ainda a olhava estático.

- Ishitar. — disse Akhenaton. — Shi. Pensei que tivesse te perdido.

- Nem me conhece...

Nem terminou a frase, Akhenaton a abraçou forte.

- Shi...pensei que...não faça mais isso minha irmã.

- Desculpe.

- Está bem mesmo? — a soltou.

- Estou. — sorriu.

- Que bom.

- Ishitar.

Ishitar olhou. O geminiano veio na direção nela e a abraçou forte, muito forte.

- Desculpe tê-lo feito passar por isso. Eu sinto muito.

Ele não disse nada continuava abraçado a ela.

- Não queria...

- Acabou. Seth não existe mais, viveremos tranqüilos.

- Ishitar!

- Asmara?

- Ishitar! — a garota a abraçou. — que bom!

- Estou muito feliz por vê-la.

Os demais sorriam satisfeitos, tudo tinha acabado bem.

- Hatshe.

- Sim.

- Pode me perdoar por tudo que fiz a você? Alias a todos. Agi mal com todos a ponto de...

- Passou. — Hatshe a abraçou. — aquilo faz parte do passado.

- Obrigada.

- Tudo terminou bem. — Toth se fez presente.

- Toth.

- Parabéns minha portadora. — colocou a mão no ombro dela. — conseguiu derrotar Seth e a si mesma.

- Sim.

- Obrigado Toth. — agradeceu Saga. — sua ajuda foi imprescindível.

- Sei que pareceu negligencia minha, mas estava pronto para agir caso Ré dificultasse as coisas, ouviu Osíris?

- Em alto e bom som. Agora pode me contar o que Ré quis dizer com não há descendência egípcia em seu sangue.

- Você escutou? — fez de desentendido.

- Ouvi. Sei que sabe mais segredos de Ré que eu próprio.

- Tudo é muito simples Osíris. — disse Toth. – Ré queria tirar uma duvida. — olhou para os geminianos. — Saga e Kanon, vocês dois conseguem mandar uma pessoa ou grupo de pessoas para outra dimensão, não é?

- Sim. — respondeu Kanon. — eu uso o \'triangulo dourado\' e Saga \'outra dimensão\'.

- Pelo que sei aprenderam essas técnicas sozinhos.

- Isso mesmo. — confirmou Saga.

- Já se perguntaram o porquê disso?

- Eu não estou entendo Toth. — disse Akhenaton.

- Vou contar uma historinha. Haru descendente de Amen-Hotep teve dois filhos: um egípcio de Thebas e um de Mênfis. A filha, que era de Thebas não passou o ensinamento para seus filhos e em conseqüência a técnica se perdeu, já o de Mênfis passou. Na época da emigração alguns egípcios sitis não voltaram, permanecendo na Terra, com o fim do Egito eles deslocaram para outras regiões, inclusive alguns descendentes de Haru.

- Está dizendo que alguns sitis não voltaram para Uaset?

- Isso mesmo. Migraram para outros lugares. Por estarem inseridos em novos costumes, o ensinamento se perdeu. Com o passar dos séculos, a história de Uaset, os ensinamentos e o próprio sangue sith se esvaiu. Pelo menos éramos o que pensávamos.

- Está dizendo que existem pessoas na Terra que sabem sobre o caos?

- Mais ou menos. A técnica chegou até os dias de hoje, tanto para Ishitar e Akin tanto para a Terra, mas como foi se perdendo ao longo dos séculos apenas a essência dos ensinamentos permaneceu. Ficaram gravados no inconsciente dos descendentes de Amen.

- Dos? Quer dizer que há muitas pessoas?

- Tenho conhecimento de apenas dois que desenvolveram a técnica.

- Há pessoas que podem recriar meu golpe? — indagou Ishitar.

- Sim.

- E onde entramos nessa história? — indagou Kanon. — o que os nossos golpes tem haver?

- Lembra Ishitar, que me disse que Saga conseguia abrir fendas dimensionais e eu lhe disse que não era a mesma coisa do que enviar para o caos?

- Lembro.

- O triangulo dourado e outra dimensão, são versões incompletas do destruição do caos.

- Como! — exclamaram todos.

- Vocês são descendentes de Haru.

- Nós? — Saga o fitava incrédulo.

- Como assim? — Kanon também não acreditava.

- Um dos lugares escolhidos foi a Grécia. Claro que durante séculos, o sangue foi se misturando, acredito que deve corresponder 99, mas esse 1 ou até 0,5 que restou é sangue sith, mesmo sem consciência tem os ensinamentos nas suas mentes. Enquanto treinavam para se tornarem cavaleiros por algum motivo, ou até mesmo por causa do sangue sith, tiveram acessos a esses preceitos desenvolvendo a técnica, mas como não foram devidamente orientados desenvolveram versões incompletas do golpe. Ishitar por ter mais sangue sith aprendeu rapidamente e de forma completa.

- Quer dizer que o outra dimensão é uma versão incompleta do destruição do caos?

- Isso mesmo Saga.

- Tivemos uma grande sorte de Seth não imaginar isso, se ele descobrisse que vocês dois são 0,5 sith o final dessa guerra seria outro.

- Isso é fantasioso Toth. — disse Akhenaton. — como não me contou? Eu tinha que saber. É uma informação muito séria.

- Fiquei sabendo agora pelo seu pai. Quando Saga e Kanon lançaram seus golpes, a noticia chegou aos ouvidos de Ré, ele desconfiou, mas só conseguiu provar agora.

- Como o mundo é pequeno. — disse Miro.

- Toth. — chamou Ishitar.

- Sim?

- É por isso que ele conseguia me \'controlar\'?

- Por ele ter sangue sith. Um sith pode controlar o outro para o bem ou para o mal. Seth a \'controlava\' para o mal. Saga a \'controlava\' para o bem. Poderia acontecer o contrario. A medida que Seth despertava seu outro lado poderia interferir em Saga. As conseqüências poderiam ser desastrosas. Mas graças a Hathor, que agiu de forma imprudente, mas providencial, tudo se resolveu.

- Hathor? Em que ela se meteu? — Akhenaton estava indignado, todos os deuses colocavam os dedos em seus assuntos.

- Bom... você sabe a especialidade dela.

- Interferiu.

- Pois senhor Akhenaton foi graça a essa intervenção que tudo acabou bem. O que anulou a influencia de Ishitar nele foi o amor que sentiam um pelo outro.

Saga ficou vermelho, Ishitar abaixou o rosto até não poder mais.

- Não notou que os olhos dele ficaram vermelhos?

- Notei.

- E voltaram ao normal por causa de Kanon, um sith . Imagina se ele tivesse se aliado a ela naquele momento. Você estaria decapitado, eu estaria decapitado, todos estariam decapitados.

- Exagerado. — disse Tari, nos braços de MM, a Toth.

- Não seria má idéia. — disse MM. — cabeças de deuses na parede.

Tari o olhou arqueando a sobrancelha.

- É... estou brincando... — sorriu sem graça. — cabeças na parede... que maluquice.

Os dourados mais Atena começaram a rir. Os outros não entenderam nada.

- Nossa, Saga e Kanon serem sitis. — disse Ank. — quem podia imaginar.

- Quem podia imaginar essa viagem. — disse Miro. — morri, voltei a vida, Saga ser sith... quantas coisas.

- Está entregue Ishitar. — Toth colocou as mãos no ombro dela.

- Obrigada por tudo.

Sem que ela esperasse o deus a abraçou.

- Cuide-se minha portadora.

- Sim.

- Cuide dela direito. — disse a Saga. — ou a ira de Toth cairá sobre você. — sorriu.

- Pode deixar.

- Isis, Osíris até o dia do regresso. — acenou desaparecendo.

- E agora? — indagou Tite.

- Vamos voltar para casa. — disse Ishitar estendendo a mão para Asmara.

As estrelas ainda brilhavam no céu quando voltaram para Uaset.