As Sete Despedidas
5 Capítulo cinco: Enquanto Seus Lábios Continuarem Vermelhos
Notas iniciais
Eu costumava pensar que tinha visto você ir embora muitas vezes
Agora eu sei que você está aqui para ficar, e agora somos nós que vamos embora
Pov: Luna Lovegood
– Harry, você já sentiu como se precisasse muito de alguém? – Inquiri ao rapaz, escorado ao meu lado numa pequena ponte que ficava nos arredores da escola. Ele arqueou a sobrancelha. – Com se quisesse estar com essa pessoa o tempo todo, sabe?
– Ah – ele riu e balançou a cabeça. – Já sim. Quer dizer, tem alguém que sinto que preciso muito atualmente, só que, infelizmente, só percebi o quão especial essa pessoa era tarde demais.
– Por quê?
– Ela tem outra pessoa agora – disse ele, desapontado. – Luna, se você gosta mesmo dessa pessoa, deveria ir atrás dela.
– E se ela não gostar de mim? – Nunca fora realmente insegura, mas aquela situação me deixava nervosa. Embora não tentasse esconder nenhum pouco, Harry deu de ombros.
– Se nunca tentar, nunca vai descobrir – disse ele, em seguida, olhou para o relógio em seu pulso. – Eu tenho que ir, de qualquer forma. Ron e Hermione devem estar me procurando. Tínhamos combinado de ver Hagrid às quatro horas, e já faltam apenas quinze minutos.
– Tudo bem – sorri. – Obrigada.
Três longas semanas se passaram desde então. Procurei evita-lo ao máximo. Nunca havia permitido que ninguém se aproximasse de mim de tal forma, e achava tudo aquilo muito estranho. Não o culpava, de forma alguma. Eu era imatura demais para aceitar que, pela primeira vez na vida, queria estar perto de alguém. Todas as vezes em que cruzava com Tom Riddle nos corredores, fazia o máximo possível para evitar seus olhos negros, que sempre desviavam-se para mim. Vez ou outra, ele até parava, e eu podia sentir seu olhar me acompanhando até dobrar em algum corredor qualquer.
Era uma tarde fria de novembro quando resolvi passear pelo castelo. Harry estava com Ron e Hermione na Dedosdemel. Certamente estavam se divertindo. Cho passava o tempo com Cedrico. Os dois estavam mais grudados que o normal, mas eu achava o casal bonito, na verdade. E eu estava sozinha, como sempre. Passando pela porta d’O Grande Salão, eu o vi. Caminhava ao lado de um garoto cujo qual eu não fazia a mínima ideia de quem era, mas já o tinha visto algumas vezes, e uma garota: Bellatrix Lestrange. Embora eu a conhecesse apenas de vista, sempre ouvia comentários sobre a mesma. Ela parecia ser popular. E era bonita. Agarrava o braço dele, como se ele por inteiro a pertencesse. Senti algo estranho, como uma fisgada no peito. Quando nossos caminhos se cruzaram, ele olhou para mim, e eu, como sempre, ignorei.
Ignorar por quê?
Por que eu estava fazendo aquilo, afinal? Ele não fizera nada de errado. Eu estava com medo? Medo de que algo mudasse drasticamente na minha vida? Não vou negar: Gostava da mesmice. Gostava das coisas fossem como sempre foram, porque, assim, não precisaria acostumar-me com nada novo. Mas ele chegou de repente, tão de repente quanto aquela manifestação dentro dos meus próprios pensamentos, que buscavam qualquer outra coisa, mas que sempre acabavam com a imagem dele surgindo na minha mente. Eu estava apaixonada, afinal.
Na noite daquele mesmo dia, ignorei o toque de recolher novamente. Precisava de um tempo sozinha, para pensar, e tudo mais. Pensei em ir à biblioteca, mas queria ver a lua, o que não era possível de lá. Pensei na Torre de Astronomia, mas não queria encarar todos aqueles lances de escada. Talvez fosse mais fácil ir até o jardim. As portas pesadas de madeira sempre eram trancadas à noite, então, pulei a janela. Me arrependi de não ter levado um casaco comigo. O frio fazia meu corpo tremer, por mais que eu tentasse controlar. Andei calmamente pelas pedras simetricamente encaixadas no chão, que formavam o caminho até o portão, e foi nesse momento em que virei para o lado e o vi, deitado na grama, próximo a uma árvore. Eu queria sair dali, continuar meu caminho, mas meu corpo não deixava, ao invés disso, me prendia ali, com os olhos fixos na figura dele.
– Boa noite, Luna – disse ele. Seus olhos estavam fechados, a cabeça apoiada sobre os braços cruzados.
– Olá – murmurei.
– Achei que nunca mais falaria comigo – para ser sincera, eu também achava. – O que faz aqui à uma hora dessas?
– Não sei – disse eu. – A noite é bonita.
– Sempre é.
Ele não movera um músculo desde o momento em que o vi. Aproximei-me dele e deitei-me ao seu lado. Um longo silêncio instalou-se ali, sendo quebrado apenas pelo som das cigarras, e dos galhos das árvores que vez ou outra balançavam com o vento. Percebi que ele me encarava, e, no mesmo instante, comecei a ficar nervosa.
– O que vai fazer depois que terminar os estudos? – Inquiri, tentando deixar o clima menos tenso para o meu lado. Tinha certeza de que era tudo coisa da minha cabeça, mas eu estava realmente começando a me sentir mal, e meus momentos com ele foram tão poucos, que não ousava permitir que uma paranoia os estragasse.
– Eu tenho medo – murmurou ele.
– Medo?
Ele suspirou e ficou em silêncio novamente. Desta vez, virei-me para ele. Nossas mãos se chocaram, e, quando tomei a iniciativa de afastar a minha, ele a segurou, sem desviar os olhos dos meus. Não manifestei nenhuma objeção quando vi seu rosto aproximando-se do meu. Ele parou tão próximo que pude sentir sua respiração contra as minhas bochechas.
– Não queria que ficasse longe – sussurrou ele.
– Fiquei com medo de que nunca mais pudesse voltar – sussurrei de volta. – Não queria te afastar, eu...
– Sh – sussurrou.
E então senti seus lábios unirem-se aos meus. Eles eram macios, e seu beijo tinha gosto de menta. Nossos dedos se entrelaçaram, enquanto sua outra mão acariciou minha bochecha – que ficava cada vez mais vermelha. Enfim, nos separamos. Um meio sorriso estava em seu rosto.
Ele cercou meu corpo com um dos seus braços, puxando-me para perto de si. Passou a brincar com uma das minhas mãos enquanto eu encarava a cena. Seu perfume impregnava-se nas minhas roupas – e eu agradecia por isso, pois adorava aquele cheiro.
– Vamos viajar? – Murmurou.
– Viajar?
– No natal. Para um lugar bem longe. Apenas você e eu.
– Tudo bem – sorri. – Acho que meu pai não irá se importar.
– Vai ser nosso segredo, está bem? – Disse ele.
– Certo – disse eu.
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