As Relíquias Sagradas

1 Capítulo 1 - Um dia tranquilo no parque.


Notas iniciais
Olá. Estou pegando as histórias que narrei em minha mesa de RPG com um grupo antigo, e reescrevendo-as como uma narração direta. Isso é mais um teste, se der certo, continuarei, até o momento em que os Logs acabem. Espero que gostem, e boa leitura.

Era um dia claro e pacífico na cidade de Piltover. Os pássaros cantavam e voavam tranquilamente pelo céu azul e com poucas nuvens, e mesmo com a constante ameaça de ataques vindos da terrorista local, a cidade parecia calma. Calma demais. Pessoas seguiam suas vidas normalmente, estabelecimentos hextech estavam abertos como de costume, padarias e outros tipos de lojas de bugigangas também estavam funcionando sem muitas preocupações. Mesmo assim, na delegacia local, o clima era tenso no departamento de Vi e Caitlyn. Vi era uma mulher baixa, com cabelos cor de rosa, e tinha um estilo bruto, seu cabelo era raspado nos lados, e as mexas rosas que desciam por seu ombro davam um toque de beleza em seu corpo malhado, ela tinha algumas tatuagens, mas a que normalmente mais chamava a atenção era a de um número romano em seu rosto, ‘’VI’’, cravado em seu rosto. Algo que já havia sido alvo de perguntas por muitos, mas ninguém sabia dizer com certeza o que significava. A garota, agora caminhava impacientemente, de um lado a outro, encarando um mural na parede, onde todas as informações sobre o possível paradeiro da tal terrorista se encontravam, enquanto Caitlyn, a mulher alta e esbelta, com longos e lisos cabelos negros, juntamente de seus olhos castanho-escuro e seu rosto belamente esculpido estava sentada, preenchendo formulários com calma e paciência, tomando uma pequena xícara de café meio morno. O clima quente lá fora junto com a clara irritabilidade de Vi dava um ar quente e desconfortável no escritório.

Mesmo com a calmaria que a terrorista dava a cidade, o clima estava tenso por todo o continente, uma nova guerra entre Demacia e Noxus parecia estar prestes a explodir, a qualquer momento, e o prefeito exigiu ainda mais patrulhamento, tanto nas fronteiras da cidade quanto nas ruas da mesma. Cada vez mais o trabalho dos policiais era necessário em meio ao caos de Runeterra. O reforçamento nas bordas da cidade era grande, mas talvez não fosse o bastante pra segurar um exército de brutamontes querendo lutar contra outro exército de brutamontes, e o prefeito sabia disso. Mesmo assim, a cidade progresso não podia parar, o progresso não podia parar. Muito menos por causa de uma guerra de interesses qualquer, por causa de povos cabeça dura, que só pensam com as armas. Esse era um pensamento compartilhado por boa parte do povo de Piltover, e Caitlyn era um exemplo perfeito disso.

Além das duas no escritório, outro rapaz se encontrava escorado na parede, Marshall era um rapaz robusto, alto e com tatuagens por todo o corpo, cabelos longos e também raspados no lado, tinha uma barba cortada em forma mandibular, realçando seus traços marcantes, e olhos castanho-claros penetrantes, o mesmo poderia ser considerado por qualquer um, uma pessoa bonita, se não fosse por uma longa cicatriz sobre seu olho esquerdo, mesmo assim, o rapaz nunca se deu muito ao trabalho de tentar esconde-la, ou mesmo de ligar para tal. Seu estilo poderia facilmente confundido por um punk qualquer zaunita, principalmente por sua total negação na hora de vestir o uniforme da corporação, e hoje não havia sido diferente. O mesmo se encontrava de braços cruzados, e tão impaciente quanto Vi com toda aquela situação. O jovem havia entrado há algum tempo na corporação, e desde seu primeiro dia, sempre fora apaixonado pela xerife, algo que quase todos na corporação já sabiam, menos a própria xerife. A única coisa que o mantinha calmo, era o deleite de observa-la séria e trabalhando. O sangue do jovem Marshall fervia quando se lembrava de suas viagens, comandando grupos móveis de pesquisa, salvando necessitados, ajudando aqueles que realmente precisavam. O tédio e a impaciência estavam entalhados na expressão de desdém do homem, e toda vez que a mulher de cabelos rosa esbarrava no ombro do mesmo, na sua caminhada de raiva, o rapaz expelia algo semelhante a um rosnado. Após um longo suspiro, o mesmo decidiu quebrar o silêncio da sala.

— E qual será nosso posicionamento em relação à guerra? Devo seguir com grupos de patrulha para resgatar feridos? Preciso de uma resposta, xerife. — O mesmo indagava o título de Caitlyn como quem saboreia as palavras na boca.

— Nossa posição é exatamente aquela que o prefeito denominar, Marshall. – Seu tom era descontraído, porém ainda sério. Ser eloquente era um dom que vinha naturalmente a jovem, era agradável ouvi-la falar. — Essa guerra não é nossa, e eu não vou arriscar meus homens por motivos fúteis. Sinto muito se isso lhe incomoda. – Ela suspirou quando colocou o primeiro formulário a mesa, e notou que havia muitos outros logo a seguir, acima da mesa. Vi, por outro lado, tinha finalmente parado de andar de um lado a outro, e estava agora estática, encarando uma das janelas do escritório, fitando a rua fixamente.

— O prefeito. – O rapaz disse como quem está claramente decepcionado com a resposta, apesar de o velho gorducho ser o responsável pelo posicionamento político da cidade-estado, tinha certeza de que Caitlyn era de grande influência, a ponto de até mesmo convencê-lo a abrir suas portas para os feridos. Mas claro, ela não perderia seus homens, não arriscaria aqueles que estavam sob a sua proteção. Essa talvez fosse uma de suas melhores qualidades: A sabedoria em saber quem proteger. Infelizmente, o rapaz não dispunha da mesma qualidade, sempre era tudo ou tudo, sem nunca uma segunda opção. — Ainda conseguirei argumentos que lhe façam compartilhar algumas de suas forças comigo. – Por fim, ele encarou a outra policial de soslaio, levemente interessado para onde seu olhar vagava. — Algum problema, Vi?

— Não. – Indagou ainda encarando a rua fixamente, onde carros e pessoas passavam calmamente, seguindo suas vidas pelo centro de Piltover, com quase total certeza de que seus estilos de vida superestimados não seriam atrapalhados pela tal guerra, mas no fundo, sabiam que alguém sairia ferido dessa guerra. — Não há nenhum problema. E Isso é um problema. – Ela cruzou os braços balançando a cabeça de leve para os lados, imaginando o que aconteceria com as pessoas em Demacia e Noxus, os inocentes, os que realmente não tinham nada haver com aquela maldita luta idiota de Cidades, as pessoas de bem, as que não mereciam os líderes que tem. — E acredite, ela não vai ceder. Eu já tentei.

Vi tinha absoluta razão, e o garoto sabia disso. Apesar das baixas taxas de criminalidade, ainda assim haviam crimes, rebeliões, situações onde eram necessários. E de repente, tudo resumiu-se a paz. Não era como se o rapaz fosse contra aquela calmaria, mas paz repentina é bem mais suspeita do que um caos desordenado.

O mesmo voltou a fitar Caitlyn, com os olhos cheios de súplica. —Não há nada que eu possa fazer para que você mude de ideia? Sabe, ainda tenho um pouco de meu salário, o bastante pra te levar para um ótimo jantar a luz de velas. – Ele brincou, abrindo um sorriso traiçoeiro. Os três ali sabiam que a proposta era séria.

— Não. Nada que você possa fazer. – Parou de anotar por alguns instantes, encarando os dois. Era mesmo uma situação inusitada, Vi e Marshall, quase inimigos declarados concordando em um tema, tanto que após alguns instantes encarando-os, a mulher soltou algumas risadas descontraídas, antes de balançar a cabeça de leve para os lados e voltar as suas próprias anotações. — Vocês dois bem que poderiam dar uma volta no parque juntos, não? Está um lindo dia lá fora. Podem ir, eu chamo vocês caso algo aconteça.

— Volta no parque?! Estamos lhe atrapalhando tanto assim? – Marshall riu de leve da situação. Tanto Vi quanto ele tinha uma personalidade forte, e costumeiramente entravam em discussões ou conflitos, apesar de terem uma boa amizade e uma relação sustentável de trabalho. Mesmo assim, tanto ele quanto Vi jamais tinham se imaginado dando uma ‘volta’ no parque juntos, ainda mais ignorando a vida de milhões de pessoas que estavam em jogo. Primeiramente ele assumiu uma expressão rígida, nitidamente pronto para recusar, mas após lembrar que era um pedido de Cait, suavizou o próprio semblante, sorrindo para Vi. — Acho que abriu uma loja de armas Hextech próximo daqui. Quer ir dar uma olhada?

—Sim. Mas certamente não com você. – Descruzou os próprios braços fazendo um sinal negativo com a cabeça para Caitlyn, após ser ‘expulsa’ da sala enquanto seguia rumo à escadaria do prédio oficial da Polícia de Piltover. Ela estava claramente irritadiça, talvez por causa da paz, talvez por causa da cortada que havia levado de Cait.

— Vá atrás dela. E não a deixe espancar de ninguém... – A mulher parou a frase por alguns instantes, pensativa. — Não muito... Vá logo, antes que ela derrube todo o prédio. – Indagou fazendo sinal com uma das mãos para que o rapaz fosse o quanto antes. A mulher parecia até mesmo mais aliviada, agora que ficaria sozinha com sua papelada.

— Como você é capaz de trabalhar com aquilo? – Questionou retoricamente massageando as próprias têmporas, tentando não perder a paciência ali mesmo. O calor já não ajudava, e a ‘rosada’ irritada conseguia piorar até um simples passeio. Marshall deu uma última olhada em Caitlyn, admirando-a e por fim foi atrás de Vi, com passos apressados. — Espere! Mandaram-me tomar conta de você!

— Tsc. Não entendo por que a Cait ainda não colocou uma coleira em você. – Cruzou os braços enquanto entrava do elevador. O prédio do departamento tinha dez andares, e o escritório da xerife ficava exatamente no penúltimo andar, acima da ala dos prisioneiros temporários, e abaixo da ala de armas. Era estratégico, mas perigoso em caso de algum tipo de fuga. De qualquer forma, Vi não esperou muito por Marshall antes de apertar o botão do elevador, e o mesmo quase perdeu a viagem.

— Analise bem seus atos, quem precisa de coleira certamente é você. – Respondeu em um tom ríspido, cruzando os braços ao lado dela. — Até por que, latir você já late. – Ele sussurrou, provocativo.

— Vou latir bem no meio da sua cara. – Rosnou, empurrando-o contra a parede do elevador, com uma de suas pesadas mãos, antes de ser surpreendida pelo balanço do elevador, desnivelado graças ao grande peso das duas luvas gigantes da garota. Após sacudir os dois um pouco, ela conseguiu reequilibrar as luvas e manter o elevador estável novamente.

Mesmo levemente surpreendido pela ação da pseudo-parceira-de-trabalho, Marshall tentou se recompuser a tempo de contra-atacar. — Então cães que ladram também mordem? – Indagou, usando seu amuleto para teleportar para trás da jovem, em uma ação de se livrar do risco de ser socado novamente, tentando pressiona-la contra a parede do elevador, sem medir esforços ou forças. — Pois neste jogo, jogam dois!

A mulher se virou repentinamente, segurando ambos os braços dele com uma das mãos metálicas, agora frente a frente com o homem, olhando-o nos olhos. O ódio estava claro em sua expressão, porém, antes que ela pudesse fazer algo, a porta se abriu, e boa parte do departamento do térreo, onde as ligações ocorriam e eram atendidas, encaravam os dois, um de frente para o outro, com os corpos colados e rostos bem próximos um do outro. Foi uma cena estranha, a maioria dos policias achavam que os dois se odiavam, agora pensavam que talvez a raiva era só uma desculpa para um caso dos dois. Vi imediatamente corou e soltou-o, bufando e seguindo rumo a saída da delegacia. — Salvo pela sorte. – Enquanto caminhava a passos pesados, atraia alguns olhares curiosos dos civis que estavam ali prestando depoimento.

O homem suava frio. Esse era outro fato sobre a rivalidade dos dois: Nunca conseguiram chegar ao final de um embate. Talvez fosse, de fato, a sorte. Ou quem sabe o destino. Talvez um pouco de ambos. Ele então direcionou seu olhar para as pessoas do departamento, ajeitando o próprio cabelo, como se nada tivesse acontecido. — Circulando pessoal, o show acabou. – Colocou ambas as mãos no bolso e voltou a acompanhar a caminhada de Vi.

Então, ambos, seguiram juntos em direção à saída do prédio. A praça central era bonita, bem arquitetada e bem movimentada. Afinal, era provavelmente a praça mais bonita de Piltover. Alguns bancos estavam ocupados, outros não, havia uma fonte no centro da praça, onde algumas crianças corriam uma atrás da outra. O dia havia se mantido estável, belo e quente, mas com uma brisa suave e refrescante que o tornavam provavelmente o melhor dia que a cidade havia visto em semanas. As chuvas desse ano haviam sido quase constantes, desde o começo do mesmo, até agora.

Enquanto Marshall seguia Vi de longe, esquivando-se das pessoas que iam para seus empregos, ou retornavam para suas casas, ele lembrou-se que gostava daquilo. O céu de Piltover o lembrava de sua própria infância, em sua tribo natal, quando brincava com seus irmãos desde o amanhecer, quando o céu era de um azul ciano, até o anoitecer, quando o índigo dominava a abóbada celeste, misturando-se com o vermelho, com o vinho, com o negro da noite. Ele apertou o passo, esforçando-se para não perder a mulher de vista, sequer deu muita atenção aos detalhes e belezas da praça, uma obra muito bem realizada e arquitetonicamente plágio das perfeições ionianas. O mesmo continuou em seus próprios devaneios, sem perder-se de Vi, que bruscamente parou a própria caminhada, se sentando em um dos bancos mais isolados da praça, logo abaixo de um poste de luz, brilhando de leve por causa de sua tecnologia biossustentável, ainda não totalmente aceso. Não gastava energia, e nunca se apagava. Glowlight. Era interessante, e ainda tinha propriedades inexploradas. O semblante de Vi era de clara preocupação, como se algo ruim estivesse para acontecer, a qualquer momento. Ela havia retirado as suas grandes e pesadas luvas e recostado-as no banco, com ambas as mãos entrelaçadas, como se segurasse as mãos de outra pessoa, fitando o grande lago mais ao longe, no centro da praça. Se Marshall não a conhecesse tão bem, teria certeza de que ela estava prestes a chorar.

O rapaz então suspirou pesadamente, fitando-a com olhos analíticos por alguns segundos, sem se aproximar. Talvez tivesse exagerado nas provocações? Não, ela absolutamente não dava a mínima pra ele, muito menos para as discussões e discordâncias dos dois. Ele se aproximou devagar, com as mãos no bolso, parando atrás do banco, sob a luz mortiça do Glowlight. — Quem diria que você tem um lado sensível. – Comentou, tentando não ser sarcástico. — Sou seu saco de pancadas favorito, pode contar comigo se algo estiver incomodando-a... – Talvez ela estivesse assim pelo mesmo motivo pelo qual ele havia ido se encontrar com Caitlyn hoje. A Guerra.

— Tsc. – Ao notar Marshall de longe, virou o rosto, voltando a sua expressão carrancuda de sempre. Ela não estava realmente emotiva, era algo mais como uma aflição, uma poderosa aflição. — A única coisa me incomodando é você. E bem mais do que imagina. – Soltou um longo suspiro, cruzando os braços, puxando de dentro de um compartimento escondido de sua manopla um maço de cigarros e um isqueiro, logo após tomar um cigarro em mãos e acende-lo, guardando o resto das coisas. Ela se ajeitou no banco enquanto soltava parte da fumaça para o ar, sem perder seu rosto preocupado, com os olhos ainda mais aflitos. Ela realmente estava preocupada com algo. — Já pode parar de me seguir agora.

O homem então deu um sorriso de canto de boca, se inclinando pra frente, apoiando-se no encosto do banco, fitando-a como quem diz ‘’já conheço este teu jogo’’. — E te deixar a deriva deste terrível mundo? Só se você me matasse, Vi. – Deu uma leve pausa, assumindo uma expressão mais séria. — A vida foi difícil para nós dois, mais do que muitos pensam... E sei que este é um dos fatos de sermos quem somos: Os mocinhos. E é o nosso papel ajudar os que precisam. Mas as coisas se complicam quando simplesmente não nos permitem ajudar. A guerra está ali, batendo na porta, e nossa geração sequer foi capaz de se reestabelecer pelas guerras anteriores, quiçá esta. É por isto que quero mobilizar a patrulha, para dar auxílio para outras cidades-estados... E creio que você pensa parecido. Estou errado?

— Não. Mas não nos cabe essa decisão. – Deu outro trago no cigarro, com um efeito ainda mais melodramático em suas falas. — A Cait não quer perder mais ninguém. Você se lembra do acidente no cais leste, não lembra? Seis mortos, quase trinta feridos, tanto policiais quanto civis. Ela não vai deixar acontecer de novo... Quer dizer, ninguém quer deixar acontecer, mas ela simplesmente está se ponto na frente de todos, e ela tem total apoio do prefeito. A guerra... É uma merda, vai ferrar com tudo, por aqui e por lá. Mas cedo ou tarde ela acaba. E não há nada a se fazer. – Deu outro trago, deixando o cigarro pela metade, e oferecendo-o a Marshall. — Mas a vida das pessoas não. A vida das pessoas pode ser salva, mesmo que por pouco tempo, o fim delas pode ser adiado.

O rapaz aceitou o cigarro de bom grado, dando uma longa tragada no mesmo, soltando a fumaça lentamente, como se pudesse encontrar uma possível resposta no meio da fumaça que se mesclava com o ambiente. — O cais leste foi um erro. Entretanto, erros ocorrem, e é a partir deles que devemos buscar melhorias... Mas simplesmente nos fecharmos atrás de muralhas e ignorar o risco que centenas de vidas estão correndo, centenas de vidas que podem ser salvas, Vi! – Exaltou-se de leve, levando novamente o cigarro a própria boca. — Sei que por mais que eu tente, ela jamais me ouviria... Mas talvez ela te ouça, se você usar as palavras certas... Peço que tente convencê-la, de novo. – Devolveu o cigarro a ela, agora bem próximo do fim. — E então poderemos tentar salvar mais vidas, e compensar as que foram perdidas.

— É, é claro. – Tomou o cigarro e deu a última tragada, antes de joga-lo ao chão. — Ela é igualzinha a você. Uma idiota por fora, mas tem coração mole... Teve até uma vez, em que... – Sua fala fora abruptamente interrompida por um grande estrondo, seguido de uma movimentação estranha. Pessoas correndo e fugindo na direção contrária ao barulho, e bastante fumaça preta vinda da direção do Departamento policial, diretamente dele. Algo sério havia acontecido, e Vi em um movimento rápido ajeitou as manoplas em seus próprios braços e começou a correr o mais rápido possível na direção do departamento, sendo seguida por Marshall. —Que merda tá acontecendo?! – Indagou questionando o que poderia ter atingido tão fortemente o departamento. Várias e várias pessoas passavam pelos dois, fugindo na direção da explosão. Algo grande havia atingido o prédio, ou parte do topo de alguns prédios, e caído diretamente no departamento.

Quando chegaram finalmente na rua do prédio, conseguiam ver claramente os estragos causados pelo dirigível destruído. Quase toda construção havia vindo abaixo, soterrando boa parte das pessoas lá dentro, mas ao que parecia, alguns afortunados conseguiram sair do lugar antes que viesse totalmente ao chão. Enquanto ambos se aproximavam em meio a fumaça e a poeira levantada pela demolição, Vi se separava do rapaz, correndo diretamente aos escombros, começando a levantar paredes e pedras pesadas, procurando por Caitlyn. Marshall tinha tido uma noção de que algo assim estava por vir, mas não esperava tão repentinamente. Vi estava claramente desesperada, cavando e destruindo destroços, em busca de qualquer vestígio de Cait, enquanto repetia continuamente que era melhor ela estar viva, ou ela mesma buscá-la-ia no inferno.

O corpo de Marhsall parecia ter gelado, como se tivesse voltado por um instante aos seus doze anos, perdido em meio a Freljord, sozinho e morrendo, pouco a pouco. Enquanto Vi corria para os escombros, os pensamentos do mesmo não ficaram inquietos, ele simplesmente não tinha nenhum. Estava boquiaberto, com o lábio inferior tremendo e uma expressão de pânico na face. Seu coração acelerou, sem ritmo, causando-o dores vasculares, acordando-o de todo aquele pânico. O tempo voltou a correr aceleradamente, enquanto o sangue subiu a cabeça do rapaz, que, agarrando-se ao primeiro infeliz que encontrara correndo, gritando-o com um semblante irado. — Você sabe onde está a xerife Caitlyn?! Sabe dizer se ela saiu a tempo?!

— N-Ninguém sabe! Tudo começou a tremer, e de repente, todo o lugar veio abaixo! – Era tudo que o homem conseguia dizer, antes de outra parte da construção viesse abaixo. Vi ainda estava procurando pelos escombros, e Marshall conseguiu ver de relance o grande chapéu de Caitlyn abaixo de uma grande parede de tijolos derrubada. Apenas metade dele era visível, com boa parte dos monóculos de precisão rachados. A parte de concreto e tijolos era pesada demais, porém, quando Vi também notou o chapéu, correu até o rapaz rapidamente, começando a fazer força para levanta-la. Era uma das paredes reforçadas com chumbo, usadas na contenção de prisioneiros altamente perigosos. Talvez a mesma tivesse sido a salvação da xerife, ou o fim dela.

Após algum esforço mútuo, a parede finalmente fora levantada, e ambos puderam ver Caitlyn deitada ao chão, encolhida em si mesma, com a cabeça sangrando um pouco. Estava suja e com alguns arranhões pelo corpo, precisava de ajuda, imediatamente. — Tire-a de lá, agora! – Vi gritou a Marshall, enquanto mantinha a parede levantada para que o rapaz pudesse pega-la

O homem nem precisava ouvir o comando de Vi, quando a viu já estava indo em sua direção, passando por cima dos pedregulhos menores e tomando-a nos braços. — Aguente só mais um pouco, Vi! – Finalmente tirou-a de lá, carregando-a pra fora daquele monte de poeira e fogo, semicerrando os olhos para encontrar algum carro do departamento, ela precisava de atendimento médico urgente. Vi estava logo atrás dele, procurando por alguma ambulância ou algo do tipo. — Precisamos de um hospital, agora!

Com uma tosse forte, Caitlyn despertou no colo do jovem, com o olhar claramente fraco, fitando-o no rosto. A mesma segurou no colarinho de Marshall com todas as forças que ainda a restavam, tentando falar algo. — As... Pessoas... Tire-as de lá... Ajude-as... – Foi tudo que conseguiu dizer, antes de desmaiar novamente, tossindo mais um pouco de sangue no processo. Havia manchado um pouco da blusa de Marshall de sangue, mas isso não era importante no momento. Por sorte, a ambulância e os bombeiros da cidade haviam chegado bem na hora, quando o mesmo viu a primeira ambulância correu rapidamente em direção a ela, levando Caitlyn para a mesma, a colocando na primeira maca que viu. Os médicos pediram distância, porém, ele e Vi puderam acompanha-la ao hospital, lá dentro.

O rosto de Vi trazia um misto de raiva, frustração e vergonha de si mesma, era óbvio que estava se culpando pela situação em que Caitlyn se encontrava, como não havia conseguido prever aquilo? Era a dúvida que martelava fortemente a mente da garota.

Ao entrar na ambulância, Marshall apenas deixou que Vi e os paramédicos entrassem. Ele sabia que ela podia cuidar de Caitlyn, e deixou-a na responsabilidade de Vi, enquanto saiu da ambulância e voltou em direção aos destroços. — Vidas precisam ser salvas! Vou voltar a verificar os escombros! – Por mais que o rapaz amasse Caitlyn, sabia que Vi cuidaria bem dela. Melhor do que qualquer um. Ele então encarou novamente o olhar azul de Vi, determinado. — Se ela morrer, jamais te perdoarei! – Gritou de costas, sem esperar uma resposta, retornando ao prédio destruído, tentando ajudar o máximo de pessoas que conseguisse.

Notas finais
Deixe um comentário caso tenha gostado. Os personagens não-oficiais do League of Legends são de total autoria dos meus antigos jogadores.

Marshall - julialimadp
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.