Notas iniciais
Espero que gostem.Boa leitra =^.^=

Chegou o domingo! Dia de descansar, relaxar e aproveitar o tempo livre né? Bem... Não. Hoje é o dia em que meu pai vem visitar a mim e ao meu irmão, ele quer ter certeza de que não será mais necessário me leva pra outro psicólogo, sinceramente quando ele disse ano passado que passaria a fazer isso simplesmente não acreditei.

As únicas vezes em que ele dava um sinal de vida, era quando mandava dinheiro pra nossa conta pra pagar as despesas com comida, luz, água. E quando ligava pra avisar de uma nova viajem...

O bom é que vai ser só um jantar, ele vem, pergunta algo sobre de como vai o colégio, se precisamos de alguma coisa, come, dorme no quarto de hospedes, vai embora e nós todos voltamos as nossas vidas normais.

Desafios do dia: Aguentar a presença do meu pai e fazer algo que se considere comestível. Mas como ainda eram nove horas da manhã, dava tempo pra pensar em algo pra fazer...

Mikuo ficou responsável por arrumar a casa, e eu por comprar comida e fazer o jantar — sabe como é, incêndios não são legais e Mikuo tem um talento natural pra atrair isso...-

Fui para o supermercado mais próximo, fica perto de uma sorveteria, como demoraria muito pra ir andando fui de bicicleta, que quando estava no meio do caminho acabou quebrando.

Cheguei, coloquei um cadeado na minha bicicleta e entrei no supermercado. Comprei algumas coisinhas, mas o que eu queria mesmo era ir à sessão dos congelados, como a sorveteria estava fechada, peguei um pote de sorvete.

Estava indo para o caixa, quando parei e vi Kaito também pegando um sorvete.

– Oi Miku, vai para o caixa agora? — Falou ele quando me viu.

– Vou sim.

– Então só um estante que eu vou com você. — Depois que ele falou isso, pegou mais quatro potes de sorvete, fomos para o caixa e ele me acompanhou no caminho de casa.

– Com tantas sacolas parece que você vai fazer um banquete ou algo assim. — Falou Kaito, ele estava me ajudando a carregar algumas sacolas, e realmente eram muitas para uma casa com só duas pessoas.

– É que meu pai vem jantar hoje em casa.

– Você fala como se isso fosse raro, ou como se não gostasse de ver seu pai.

– Acho que as duas opções estão certas...

– Porque você não gosta do seu pai? — Essa pergunta seria difícil de responder, não por não ter um motivo, mas é que não gosto de falar disso... Mas precisava falar com alguém, aquele assunto me sufocava por dentro.

– Ele me fez sofrer, me levando de um lado para o outro, me tirando de pessoas que me faziam feliz, me levando pra pessoas que tentavam me entender, mas mesmo que conseguissem, ele não aceitava o que elas diziam mesmo que fosse para o meu bem, ele foi o culpado do meu sofrimento, foi ele que... — Parei de falar quando olhei para ele, estava concentrado em tudo o que eu dizia, como que tentando entender.

– Então você passou por muita coisa antes de vir pra cá não é? Deve ter sido bem difícil abandonar pessoas de que gosta. — Eu esperava um "A sei..." ou qualquer coisa que indicasse que ele não prestou atenção em nada que eu disse, mas que queria dar alguma resposta, aquilo me surpreendeu.

– B-bem, sim, precisei me adaptar acho que Mikuo se acostumou a isso mais rápido do que eu. – Depois ficamos em um silêncio inevitável, mas não acho que conseguiria responder a mais perguntas que ele fizesse sobre aquele assunto.

– Mas então, o que você vai fazer para o jantar? — Ele tentou quebrar o silêncio, o pior é que eu não fazia ideia do que iria fazer.

– Eu ainda não sei, nem sei se vou conseguir fazer algo que preste, eu estou realmente perdida.

– Bem, eu moro sozinho, então aprendi a me virar na cozinha, se quiser eu te ajudo. — Quando ele disse aquilo, uma luz veio ao seu encontro, e meus olhos começaram a brilhar com a esperança aquele jantar não ser um fracasso total.

– Serio? Poderia me ajudar?

– Claro, estou com o dia livre então estou a disposição.

Chegamos à entrada da minha casa, coloquei a minha bicicleta na entrada, entramos e colocamos as minhas sacolas na mesa da cozinha.

– Então eu venho umas cinco horas para vir te ajudar ok?

– Esta bem, tchau — Nisso ele saiu, e quando eu fechei a porta, não me contive e comecei a pular pela sala.

– O que foi Miku? Algum milagre aconteceu? — Falou Mikuo a me ver pulando que nem uma louca.

– Mikuo! Achei alguém pra me ajudar a fazer o jantar, estamos salvos! — Então nos dois começamos a pular, ate Mikuo se lembrar de que ainda tinha que arrumar o resto da casa.

Passaram-se as horas e Kaito chegou, abri a porta e fomos para a cozinha.

– Então esta pronta? — Disse Kaito, enquanto pegava uma faca e uma tabua.

– Vamos ver o que vai sair...

Ficamos por um bom tempo cozinhando, às vezes bagunçando...

E finalmente acabamos.

– Pronto, deixei tudo embrulhado pra não ficar frio.

– Ok, obrigada pela ajuda.

– Sem problemas, qualquer coisa é só chamar — Disse ele, enquanto o acompanhava para a porta. — Ate amanhã. — E foi embora.

Estava tudo pronto, só faltava me arrumar, tomei um banho e coloquei uma blusa e uma saia social arrumada, e com o cabelo preso.

Tudo já estava pronto, e ele chegou, e pra minha surpresa e do Mikuo, ele trouxe alguém.

– Filhos, quero que conheçam a nova sócia da minha empresa, essa é a...

– Meiko? — Falei meio que sem pensar, era a mesma mulher que estava no táxi que atropelou Rin.

– Oi, você é... Miku não é? Há é amiga da Rin, e você é o Mikuo, seu pai me falou de vocês no caminho pra cá.

Mesmo um pouco confusos, fomos pra mesa e colocamos o jantar: Um barco de sushi, pratos de Sukiyaki, e Mochi. Nós servimos e nosso pai começou a falar

– Então gostaram desse colégio?

– Ate que ele é bem legal. — Disse Mikuo, depois disso ele olhou pra mim, como se também estivesse esperando a minha resposta.

– É bem melhor do que o nosso antigo colégio. — É claro que eu não falaria sobre tudo o que fiz lá ate agora, não só porque não queria, mas também porque não éramos só nós três sentados na mesa.

– Meiko eu queria saber como vão o andamento daqueles contratos com os seus sócios que se interessaram no meu negocio. — Falou meu pai, agora virado para Meiko.

– Bem, alguns já estão prontos, outros... — E eles começaram a falar sobre os negócios, o comércio, em que investir e outras coisas que quase me fizeram surtar.

– Com licença. — Falei me levantando. — Preciso me retirar. — Nisso fui pra o banheiro que fica junto ao meu quarto. Lavei o meu resto e depois vesti o meu pijama, eu não aguentava mais aquilo, ele conseguiu transformar um jantar em família... Em um jantar de negócios em tão pouco tempo.

Deitei na cama e abracei meu travesseiro, pensando em como ele conseguia se desligar tanto dos filhos pra dar mais importância ao trabalho, parece que todos da minha família tinham esse talento de se desligar fácil de tudo... Menos eu.

Comecei a ficar sonolenta, mas quando estava quase dormindo, ouvi a porta se abrir um pouco e a voz do meu pai falar bem baixinho.

– Boa noite filha, te amo.

Pai...

"Como eu queria ainda acreditar nisso."