As Regras e o Diário
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Estava em estado de choque, aquelas palavras ainda estavam rondando em minha mente, que faziam o meu mundo desmoronar, as vezes elas demoravam a vir, alguns meses a mais ou a menos, mas sempre vinham. Só que dessa vez era diferente, por que não consigo parar de chorar?
– Miku! Você e eu já sabíamos que uma hora ou outra esse dia chegaria, conforme-se! — Falou Mikuo colocando as mãos nos meus ombros.
– Não pode ser,, ele não pode nos levar assim, não agora. — Eu dizia ainda chorando.
– É assim todos os anos, uma hora temos que nos despedir, porque é tão difícil para você aceitar?
– M-mas dessa vez é diferente, não precisamos mais nos mudar, não entende? Ainda não percebeu? Voltamos ao ponto de partida, a nossa cidade natal. — Eu disse, tentando sorrir, mas não conseguia.
–Acha que eu não sabia? Acha que não sabia sobre Piko e Kaito? E o mais importante. Você acha que ele se importa? Mesmo que implorássemos para ficarmos ele não nos escutaria. Assim como não ligou quando você entrou em depressão, acha que ele vai te escutar agora? — Disse ele ainda me segurando. — Acha que eu não o odeio também? Responda! — Disse Mikuo agora gritando.
– Eu encontrei o meu lugar, onde tenho amigos que me querem por perto, eles me devolveram a alegria de viver, não importa o que aconteça, eu não quero ir. Não vou! — Gritei enquanto me soltava, então, corri pra longe daquele lugar.
Mas eu não sabia para onde estava correndo, minhas lágrimas não deixavam que eu enxergasse o caminho, então acabei tropeçando em algo, e acabei caindo.
Mas não tinha forças para levantar, meu corpo não me obedecia. Uma escuridão veio em minha mente, e aquela voz que me afastava de tudo e de todos, depois de tanto tempo reapareceu.
– Viu só? Você não estaria assim se tivesse seguido as regras, a partida não foi dolorosa ano passado. Isso porque não tinha de quem você se despedir, só daquele garoto idiota que estragou tudo. — Disse aquela voz na minha mente, me torturando por dentro. — Sua idiota, você...
– Cala a sua boca! — Gritei em minha mente, fazendo aquela voz parar imediatamente. — Achava que me afastando poderia ser feliz, não iria mais me machucar, mas estava errada... Quem me machucava era essas regras estúpidas, em apenas um ano elas me fizeram mudar, nem meus próprios amigos de infância conseguiam me reconhecer.
– Você é mesmo uma fraca... Acha que sua mãe sentiria orgulho do que você se tornou? — Disse aquela voz, com um tom de desprezo.
– Não... Por isso que quero mudar.
– Como se nem consegue se levantar? Se não tem forças nem pra isso, como vai conseguir mudar?
– Acho que eu falei errado, mudada eu já estou... Eu quero voltar a ser o que eu era. E não vai ser essas regras que vão fazer isso acontecer.
Depois disso acabei sendo tirada dos meus pensamentos, sentia alguém me carregando. Então abri os olhos e vi que era Kaito, ele estava com uma expressão preocupada no rosto.
– Miku, ainda bem você acordou, achei que tivesse acontecido algo já que esta estava desmaiada, se sente melhor? — Ele disse enquanto me dava um copo com água.
– Eu...desmaiei? — Só depois fui perceber que estávamos dentro de uma sala, pequena, mas arrumada. Eu estava deitada no sofá e Kaito estava sentado do meu lado.
– Essa é minha casa, te encontrei caída aqui perto então te trouxe pra cá, o que aconteceu?
– Bem... — Tomei um pouco de água e continuei. — Eu tentei falar com Mikuo sobre tudo o que aconteceu, mas parece que ele já sabia, e pior ainda, ele não se importa. E nosso pai disse que teríamos que nos mudar de novo, eu não quero recomeçar aquele pesadelo, eu não quero voltar a ser aquela garota inalcançável, não quero... — Estava pestes a chorar, mas uma mão levantou meu queixo, fazendo com que eu olha-se nos olhos de Kaito.
– Ei, eu disse que não iria deixar que você chora-se mais se lembra? E eu vou cumprir com essa promessa com a minha vida. — Nisso ele se aproximou, me beijando. Na hora me assustei, mas depois aprofundei o beijo. De alguma forma Kaito tinha algo que me fazia esquecer aquela "eu" de um ano atrás, deprimida e triste, que precisava de uma barreira para se proteger do mundo.
Depois de um tempo desfizemos o beijo, então ele me abraçou bem forte.
– Quando a sua mãe me entregou aquela carta, ela me fez prometer que eu te protegeria. Mas não quero só te proteger, quero ficar ao seu lado não importa o que aconteça, Por favor, me deixe quebrar essa barreira que te separa do mundo, deixe eu te ajudar.
– Kaito... — Retribui o abraço, o mais forte que eu podia. — Arigato, desde que eu encontrei você e os outros, essa barreira tem desaparecido. Mas mesmo assim não quero me despedir, não sei como vou suportar ficar longe de vocês... de você.
– Não se preocupe vamos dar um jeito, mas vou precisar da sua ajuda e do Mikuo também — Desfizemos o abraço.
– Mas como?
– Isso você pode deixar com a gente. — Disse Piko e Mikuo entrando na sala em que eu e Kaito estávamos.
– Piko me convenceu de que precisamos fazer com que nosso pai pare com o que esta tentando fazer. – Fiquei confusa na hora, afinal do que ele estava falando?
Mikuo acabou me explicando tudo, e então elaboramos um plano, e quando nosso pai chegasse amanhã estaríamos prontos.
O dia tão temido chegou, era 08h00min da manhã quando nosso pai entrou em casa.
– Já estão prontos? — Perguntou ele,. — Meiko disse que o motorista dela poderia nos levar para o aeroporto.
– Estamos indo pai. — Disse Mikuo enquanto descia as escadas com uma mala na mão, eu estava bem atrás dele, então entramos na limousine e partimos.
Então paramos em uma rua, descemos e nosso pai ficou furioso por não termos chegado ao aeroporto.
– Reconhece esse lugar pai? — Perguntei calma.
– Do que você esta falando? E porque esse motorista nos trouxe para cá? — Perguntou ele ainda irritado.
– Acho que ele ainda não reparou em onde estamos irmã. — Quando Mikuo falou isso, nosso pai olhou pra casa em que estávamos em frente. Ficou espantado quando viu que era a mesma casa que havíamos morado a anos atrás.
– Mas como... — Ele ia disse algo, mas Mikuo o interrompeu.
– Como se você não soubesse que estávamos na nossa cidade natal, não é pai?
– E se não tinha se lembrado logo quando nos trouxe para cá se lembrou depois, por isso quer fugir tão rápido daqui. — Completei a frase de Mikuo.
– Fugir? Como poder disser isso do seu pai?
– Vai dizer que é verdade? Que é frio o suficiente para não se lembrar da sua própria mulher? Que esses anos todos não aceitava o fato dela ter morrido, e de ter fugido de um lugar que só te trazia lembranças dela? — Quando Mikuo falou isso, vi algo que achava impossível, meu pai estava caído de joelhos, chorando.
– V-vocês precisam entender... Eu a amava, não podia ficar mais aqui, tinha que ser forte, porque vocês só tinham a mim para protegê-los, se eu não fosse forte...
– E você acha que também não estávamos tristes? E o pior, achava mesmo que nos tirar das pessoas que amávamos nos deixaria melhor? Isso te deixou melhor? — Gritei, tinha de falar tudo o que estava guardado a muito tempo. — Acha que ela queria isso? Que nos afastássemos das lembranças que tínhamos dela?
– Mas eu nunca me afastei. — Ele se levantou. — Eu nunca conseguiria me livrar de tudo por completo, errei ao achar que vocês podiam. Sabe essa casa? — Ele apontou pra nossa antiga casa. — Eu nunca a vendi, nunca consegui fazer isso.
– Pai... Podemos parar com tudo isso agora, não acha? — Disse o abraçando. — Por favor, apenas pare.
– Filha... Desculpe-me por não ter feito algo para te tirar daquela depressão, me perdoe. Filhos me perdoem.
– Pai... — Falou Mikuo se juntando ao abraço.
Voltamos pra casa com o motorista de Meiko, quando chegamos estavam todos la: Rin, Len, Luka, Kaito, Piko e ate a Meiko.
– E então? — Kaito perguntou, nisso eu corri para onde ele estava e o beijei, depois disso praticamente gritei.
– Minna, vamos ficar! — Nisso todos começaram a comemorar.
– Uru! Nossa amiga vai ficar com a gente. — Gritava Rin animada.
Depois disso fizemos uma festinha em casa, agradecemos a Meiko por ter ajudado no "plano" e nos divertimos como se não houvesse amanhã.
Enquanto ninguém via, entrei no meu quarto e abri uma gaveta da cômoda, e peguei aquele diário, me recordando do que ele tinha feito comigo.
– O que você vai fazer com ele Miku? — Uma voz atrás de mim perguntou, reconheci que era Kaito e o respondi.
– Eu ia me livrar dele, mas ele ate que me ajudou bastante. Sem ele eu não teria conhecido Gakupo, que não teria pedido ajuda a Luka. E nem você saberia que era eu,alguém que tinha mudado tanto, se você não tivesse lido esse diário. No final ele ate que me ajudou muito. — Então senti um abraço aconchegante vindo de Kaito.
– Mas agora você não precisa mas dele, sabe disso não é?
– Sei muito bem... — Então uma lágrima escapou do meu rosto.
– Ei, porque esta chorando?
– Não se preocupe essa lágrima é por um motivo bom, é por ter encontrado vocês que me ajudaram tanto, é por ter voltado a sorrir, é por ter encontrado você.
– Eu te amo Miku, sabe disso não é? — Disse ele me abraçando mais forte.
–Também te amo Kaito.
Aquela lágrima expressava tudo o que eu sentia naquele momento...
" Uma lágrima de felicidade."
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