As Quatro Estações da Minha Vida...
16 Capitulo 15 - Então é isso, Luce?! - Final
Notas iniciais
“Quem conhecia Lucy, sabia como era o seu gênio forte e destemido, era muito parecido e ao mesmo tempo distinto do de Natsu, ele era tão determinado quanto Lucy quando queria algo, principalmente se fosse algo divertido, ele adorava se divertir, disso ninguém tinha duvida.
Mas uma coisa quem ninguém podia negar mesmo era que tanto um quanto o outro era capaz de grandes coisas para salvar quem ama, Lucy havia provado isso quando desafiara o mundo e tudo pra ficar com aquele rosado, ela provara ao pai e a si mesmo que podia sobreviver sozinha, que não precisava de ninguém pra se manter firme, e Natsu a conhecia tão bem que sabia disso, sabia do que ela era capaz, e ele sentia imenso orgulho dela.
Mas depois do que ela faria, era certeza que ele quebrar-se-ia por dentro, e a loira sabia bem disso, mesmo assim, ela não via escolha, era uma decisão difícil, mas que salvaria o garoto, e para ela, se ele estivesse a salvo e bem, não se importava com mais nada. Ela faria qualquer coisa que fosse necessário para ver o sorriso de Natsu outra vez.
E naquele começo de verão, tudo mudou...”
Quatro messes depois do acidente...
Quatro longos meses foram gastos para Natsu se recuperasse um pouco, fazia três meses que ele acordara de repente no hospital, tamanha fora a felicidade da loura quando viu os olhos ônix se abrindo.
De inicio, ele estava muito confuso, não sabia onde estava, nem o que havia acontecido, dizia ele que sua memoria tinha um espaço em branco, e doía toda vez que tentava se lembrar de algo, isso preocupou um pouco os médicos, podia ser que o rosado tivesse algumas sequelas do acidente, e que se esse fosse o caso, isso não era nada bom.
Para aliviar a todos, aquilo tinha sido passageiro, nada que fosse permanente.
Mesmo tendo acordado, ainda não podia deixar o hospital, ele não conseguia andar muito bem depois da batida, e por isso ficou mais três meses de reabilitação, e hoje, era grande dia, Natsu estava voltando pra casa, finalmente ele tinha ganhado alta.
[…]
Meio cambaleante, Natsu entrou no apartamento, mesmo depois de tanto se empenhado, ainda não conseguia mover as pernas como antes, não chegava a cair ou coisa parecida, mas suas pernas pareciam sempre estarem meio bambas e isso o incomodava tanto que sequer conseguia colocar em palavras. Mas, bem, nada que não se fosse resolver com o tempo.
Ele sentou-se no sofá e respirou fundo, estava feliz por finalmente voltar pra sua casa, e mais feliz ainda por poder voltar a morar com Lucy, o que ele sentia tanta falta que nada podia se comparar, somente sua Lucy.
Aquele dia era mais do que o dia que ele voltava pra casa, finalmente fazia um ano que tudo começou, fazia um ano que ele conhecera aquela loira chatinha, claro, chatinha mas era de um jeito bom, Natsu queria comemorar de algum jeito, e já tinha planejado como antes mesmo do acidente.
Um bolo, um pedido e sorrisos.
O dia seria isso, e seria um dos melhores dias da sua vida.
Lucy veio da cozinha trazendo um copo com água na mão, e quando viu o de cabelos róseos, estranhou o largo sorriso que ele continha.
— Tá tão feliz assim de estar em casa?! — perguntou se sentando ao lado dele, Natsu colocou o braço ao redor dos ombros de Lucy a puxando pra um abraço, Lucy ruborizou.
— Claro que estou — disse enquanto dava um selinho na loira — Mas não é por isso que eu to alegre hoje, não — sorriu largamente deixando ela confusa.
— Ah não?! Então o que te deixa tão feliz?
— Se você não se lembra, vai ter que esperar pra saber — brincou dando um peteleco na testa dela e se levantou, deixando Lucy pra trás tentando lembrar do que ele estava falando.
Depois de um tempo, desistiu de descobrir, afinal, Natsu a diria logo, não precisava se preocupar, então deitou no sofá, queria dormir um pouco, mas seu celular não permitiu, quando estava prestes a pegar no sono, alguém insistia em ligar pra si.
Bufando irritada, se levantou e atendeu o celular, não sem antes ver que era seu pai quem lhe chamava, o que a deixou um pouco preocupada, o que poderia ser.
— O que foi, pai?! Aconteceu alguma coisa?!
Ouviu um som estridente do outro lado da linha e um pequeno ar tenso, como se Jude ponderasse sobre o que estava prestes a dizer.
— Lucy, finalmente... eles decidiram — disse meio baixo, depois de tudo, começava a se arrepender de sua decisão, apesar de que foi Lucy mesma quem falara que iria fazer.
Claro que ele sabia que ela estava fazendo isso por necessidade, e que na hora havia concordado com a ideia, mas agora... agora já não sabia mais se era o certo.
A loura suspirou, tinha esquecido do que tinha prometido, e meio que ela caiu na real naquele momento.
— E pra que dia foi marcado? — perguntou desanimada.
Dessa vez, Jude não hesitou, falou de uma vez só.
— Hoje...
Lucy se engasgou com a própria respiração.
— O que?! Logo hoje, o que eles estão pensando?! Não tem como adiar?!
— Sinto muito, Lucy, mas não tem... eles já estão adiando faz um tempo, eu fiz de tudo pra te dar um pouco mais de tempo, mas... eu... é um contrato... não posso fazer mais nada — Disse com pesar, isso não era bom, depois de se reconciliar com a filha, ele sentia como se a estivesse vendendo, como um produto de troca, e não gostava disso.
— Eu vou... vou... — tentou formar alguma coisa coerente, mas nada lhe ocorria — Eu... não sei o que fazer... — desabafou.
O velho homem suspirou do outro lado da linha, queria poder fazer mais alguma coisa, mas as opções estavam limitadas.
— Olha, não precisar vir agora, venha quando achar melhor, sim.
— Mas pai...
— Não tem problema, eu consigo enrolar algumas horas.
Lucy agradeceu e desligou, era um problema que se resolvia e logo em seguida, outro surgia logo em seguida pra ferrar com sua vida, aquilo era uma grande porcaria ao seu ver.
Natsu veio do quarto, e estranho o modo como Lucy se encontrava, tensa e chateada, isso o incomodou.
— Lucy...?! — chamou, e ela se sobressaltou com o pequeno susto — Quem era?!
— Ah... era... era a E-Erza — gaguejou, era bem obvio para Natsu que ela estava a mentir, mas ele não queria causar nenhuma briga, então se deixou ser enganado.
— Erza... ãh, sei... e o que ela queria?! — perguntou cruzando os braços e erguendo uma das sobrancelhas e Lucy deu de ombro.
— Ah, bem, eu não sei, ela não disse, mas pediu para que eu fosse até a biblioteca — disse normalmente, como se fosse realmente verdade, e dessa vez, o garoto realmente acreditou nela
— Tudo bem então, mas vê se não demora muito pra voltar.
Natsu deu as costas pra ela não se importando tanto, afinal, ela só ia até a biblioteca como sempre.
Mas não era realmente isso que ia acontecer, Lucy estava desesperada, queria correr até ele e lhe abraçar, tinha muitas coisas que queria dizer e fazer, mas se fizesse isso, ele ficaria preocupado e as coisas seriam mais difíceis, para os dois.
Então ela deixou por isso, mesmo, apesar de saber que esse “não demore muito” seria tão longo, quase como uma tortura.
Ela engoliu as lagrimas que queriam se formar e segurou a magoa, estava triste, mas não demonstraria, afinal, tinha sido sua decisão desde o inicio, então não podia se arrepender.
Natsu do quarto, ouviu o som da porta batendo e suspirou, achou a loira um pouco estranha, tinha a plena certeza de que ela estava lhe escondendo algo, só não conseguia imaginar o que podia ser.
[…]
Não entendia o motivo da demora, fazia quase três horas que Lucy tinha saído, e nada dela dar noticias, achou isso tão estranho, e para piorar, na ultima meia-hora, ele tem ligado para celular dela tantas vezes que mal podia contar, mas ela não atendia, de modo algum atendia.
Irritado, ele decidiu ligar para Erza de uma vez por toda, esperava que pelo menos ela fosse atender.
E foi exatamente isso que aconteceu, no segundo toque, sem muita demora, ele foi atendido.
— Oh, Natsu, que surpresa! — disse feliz do outro lado da linha — Como vai?! Você tá bem agora... e a Lucy, como ela tá?!
— Como assim?! — Perguntou confuso — Você não esta com ela agora?!
— O que?! Não... quem te disse isso? — disse pasma, achando que Natsu estava ficando louco.
— A Lucy me disse isso... espera... então onde ela foi?! — Agora sim ele estava assustado, onde raios aquela menina estava?!
A ruiva deu um pequeno gritinho dou outro lado da linha, como se tivesse lembrado de uma coisa só agora, e de fato, tinha lembrado de algo realmente importante.
— Natsu, isso não é bom... vai agora pra onde ela disse que ia — disse desligando o celular na cara dele sem lhe dar tempo de protestar.
Apesar da sua confusão, ele correu pra pegar seu casaco e saiu as pressas até a escola, tinha um péssimo pressentimento sobre tudo isso.
[...]
Abriu a porta afogado, ela disse pra si que estaria ali, então, era lógico que ela estava a sua espera.
Mas...
A janela da biblioteca estava aberta, as cortinas se mexiam com o vento, o sol da tarde, aquele mesmo sol alaranjado daquele dia* iluminava a sala, até mesmo Happy estava lá deitado sobre uma das mesas perto da janela, mas Lucy...
Onde estava Lucy?!
Por que ela não estava o esperando como sempre?! Ela havia dito que o esperaria, então por que mentira consigo?!
Onde estava Lucy?!
Natsu deu uma breve olhada por toda a biblioteca, mas nem ao menos ousara se mexer, estava atônito demais para se quer falar algo, quanto mais fazer algum movimento.
Seus olhos rodaram tudo, mas não havia sinal algum da loira, e quando seu olhar pairou sobre a mesa onde o gato azulado estava, percebeu que tinha algo lá, e correu para ver o que era, no fim poderia ser até uma pista de onde ela estava, certo?!
Mas não era. É claro que não seria, coisas boas não aconteciam assim, de repente.
Tudo que havia ali era o celular dela, um livro embrulhado, o próprio neko com um laço e um pequeno envelope endereçada a si, de Lucy... sua Luce.
Sem cerimônia, ele rasgou a parte de cima do envelope e retirou de dentro uma cartinha, e na folha tinha os seguintes dizeres: — Er... Ah, Natsu, bem... Hm... eu meio que tive uma coisa pra fazer, e não tive coragem de te dizer, por isso deixei tudo no celular.
PS: O livro é um presente, sim.
Natsu estava com medo e receio de ver seja-lá-o-que-tiver no celular, não queria nada daquilo, sentia que era algo ruim, muito ruim, e isso o afligia.
Natsu fechou os olhos, desejando fortemente que tudo aquilo fosse um sonho idiota e assustador, que fosse só um pesadelo que quando acordasse, veria a loira do seu lado, ressonando calmamente, como ela sempre fazia. Tudo que ele precisava era de Lucy, não precisava daquele livro, não precisava daquele bilhete, não queria um vídeo de Lucy, queria Lucy, sua Luce, era tudo que desejava.
Mas quando abriu os olhos, as orbe ônix se fixaram no aparelho em sua mão, não tinha acordado, não estava em sua casa, na sua cama, nada daquilo fazia parte de seu desejo, só de seu pesadelo idiota.
Bufando irritado consigo mesmo, ele abriu o embrulho do livro, e quando o viu, sentiu seu coração apertar, por que Lucy fazia aquilo com ele?! Por que escolher logo aquele livro?!
Alice no país das maravilhas.
Ele engoliu em seco e abriu o livro vendo a dedicação na primeira pagina.
"Espero que ele te cause o mesmo efeito que causou em mim, que o livro te leve pra um mundo de maravilhas!"
Natsu jogou a cabeça pra trás, pensando na dedicação, Lucy conseguia ser incrível quando queria, mas só um livro não o deixaria maravilhado.
Ele respirou fundo, e dessa vez pegou o celular e o abriu, engoliu em seco ao ver o papel de parede, era uma foto deles do dia que ele pediu Lucy em namoro, ele estava com o braço direito sobre o ombro dela enquanto sorria largamente, e Lucy parecia feliz, pois sorria também*¹.

O rosado massageou a têmpora, estava um pouco cansado, e seu corpo doía um pouco, então, querendo acabar logo com essa agonia, ele clicou nos videos e notou que só tinha um, esse qual não tinha mais do que três minutos de duração.
Natsu, com cautela, ponderou sobre ver a mensagem ou não, tinha leve sensação de que tinha algo haver com ele, ele sentia como se algo tivesse acontecido por sua culpa, só não tinha certeza. Mas mesmo que fosse sua culpa ou não, ele ainda tinha que encarar aquilo, e acima de tudo, precisava saber o que diabos estava acontecendo.
Ele deu play no vídeo.
A primeira imagem que teve foi de Lucy arrumando o celular pra poder gravar, ela deixou o celular em algum lugar e se sentou na frente da câmera.
Ela estava sorrindo bem fraco.
— Ah, oi, Natsu... — foi a primeira coisa que disse e acenou meio sem jeito, isso fez o garoto sorrir — Ah, bem... eu fiz algo que você provavelmente não vai gostar, eu não sei bem o que devia dizer, então... — pausou olhando fixamente pra tela e sorriu, dessa vez com uma leve melancolia, uma tristeza que quase passava pela tela — Eu... sinto muito, Natsu.
Dessa vez ela pausou, uma longa pausa com a cabeça baixa, o que causou uma comoção forte, agora sim ele estava agoniado.
Quando ela levantou a cabeça novamente, ela mordia o lábio inferior numa tentativa talvez de reprimir algo.
— Natsu, quando aquele acidente aconteceu, eu precisava de dinheiro pra te transferir de hospital, e, bem, eu não tinha nada — brincava com os dedos em cima do colo — Então, eu acabei fazendo um acordo com o meu pai, ele precisava de alguém pra comandar uma filial que ele vai abrir junto com um estrangeiro — ela olhou diretamente pra tela, como se visse Natsu do outro lado — Ele não podia viajar, e eu "precisava" fazer algo por você, então ele pagou o seu tratamento com o pouco que tinha e eu... eu concordei em ir para o exterior no lugar dele — pausou mais uma vez, como desse um tempo para o rosado absorver tudo, e ele fez bom uso desse tempo.
— Mais que droga — praguejou e puxou os cabelos que caiam na sua testa pra traz, numa tentativa de aliviar a tensão, o que com toda a certeza não estava surtindo efeito — Eu não acredito que fez uma burrada dessa, Lucy.
Dois segundos depois, ela voltou a falar.
— Eu sei bem o que você deve estar pensando agora, que eu sou uma idiota e que fiz merda, mas... — seus olhos lacrimejaram, isso destruiu Natsu por dentro — Mas você queria que eu fizesse o que?! Ficasse sentada enquanto você morria aos poucos, eu... eu não podia fazer isso, você sabe — deu-se por exaltada, só de pensar que ele iria preferir que o abandonasse, ela suspirou tentando se acalmar — Eu realmente não sei como ou quando isso vai acabar, mas sei que vai levar tempo, "muito tempo mesmo", e eu.... não sei nem se vou voltar, porque agora você pode... pode me odiar — sua voz tremia e seus olhos brilhavam em lágrimas.
Natsu ficou inconformado, ela tinha que voltar, ele nunca a odiaria, então, ela definitivamente tinha que voltar, ele precisava ver ela... nem que isso leve uma vida toda, ele precisava saber que Lucy ia voltar.
— E-eu não q-quero ir... quero ficar com você, eu não suporto isso... — as lagrimas corriam livremente pelo seu rosto agora, e Natsu nada era capaz de fazer para diminuir aquele sofrimento dela — E-eu queria terminar a escola com você, viver mais alguns anos juntos, queria ter um trabalho, te receber em casa quando chegasse, eu queria me casar com você, Natsu... eu queria uma vida junto a ti — quanto mais ela falava, mais o de cabelos róseos se sentia impotente, isso era tudo o que ele desejava também — Eu quero você, só isso... eu... eu só quero ir pra casa... Natsu... eu te amo.. te amo tanto... — disse se debulhando em lágrimas.
Natsu estava em choque, era a primeira vez que ela dizia aquilo, e era logo nesse tipo de situação, não podia acreditar.
Lucy não disse mais nada, apenas escondeu o rosto nas mãos e ficou assim um tento, apenas sendo possível ouvir suas lamurias e soluços.
Mas isso não durou muito, logo o vídeo parou, de repente, e Natsu notou que tinha acabado.
A despedida tinha acabado.
— O que?! Não... não... não pode ter acabado, tem que ter mais... — disse fusando no celular, mas não tinha mais nada, só algumas fotos deles — Ah não, Lucy... — pegou o celular e tacou na parede, escondendo o rosto entre os joelhos, respirando fundo.
Estava totalmente sem ação.
[...]
Quando o rosado abriu a porta de seu apartamento, jogou o seu casaco no chão e soltou Happy, o neko azul olhou ao redor e caminhou para a cozinha, Natsu olhou ao redor também, estava tudo tão quieto, sem Lucy ali, tudo ficava tão chato, e sem sentido, Natsu de repente pensou que se naquele momento ele sentia tanto a falta dele, não conseguia imaginar como seria dali à um ano.
Mas não queria pensar naquilo, sentia-se deprimido toda vez que o fazia, ele suspirou e seguiu o gato até a cozinha, e qual não foi a sua surpresa quando viu um bolo de morango com Happy encarando fixamente aquele doce, foi ai que Natsu se lembrou que dia era, ele quase se deu um tapa por ser um idiota mais uma vez, fazia um ano que eles tinham se visto pela primeira vez, era um dia tão especial, e mesmo assim, não podia passar com Lucy.
Ele encarou o bolo e franziu o cenho, pegou o doce e o jogou no lixo com uma raiva sem igual, não queria mais aquele bolo, agora só de olha-lo lhe dava um nojo que ele não sabia nem explicar, o bolo se esparramou no lixo, dando uma imagem estranha e horrível para a decoração de glace.
Natsu ficou encarando aquilo, e uma coisa veio a mente, o destino era uma droga mesmo, colocara Lucy em sua vida e de repente, a tirava.
"— Bela porcaria."
E saiu, foi até o seu quarto, sendo seguido pelo gato, que miava sem parar, como se estivesse chamando alguém, Natsu parou e se agachou diante do gatinho lhe afagando a cabeça, ele sabia bem porque o neko azul miava, ele estava assim já um bom tempo, ele pegou o gato no colo e o abraçou.
— Nyah~ — miou como em resposta ao abraço — Nyah~... Nyah~... Nyah~... — miava sem parar, como se realmente chamasse por alguém, como se estivesse chamando por Lucy.
Natsu afundou o rosto no pelo macio do gato.
— Eu também sinto falta dela, Happy — falou abafado.
Depois de algum tempo, o rosado soltou o gato e se deitou no chão, olhando o teto.
Ele fechou os olhos com uma expressão triste.
Ao fundo, ele conseguia ouvir o que acontecia no apartamento ao lado, uma mulher cantava afinadamente com o radio uma musica muito bonita. Natsu prestou mais atenção na letra da musica.
Why she
Had to go I don't know
She wouldn't say
I said
Something wrong now I long
For yesterday
Ele riu amargurado, a musica parecia feita exatamente pra ele, era tudo o que lhe acontecia no momento.
Lucy tinha sumido e não lhe disse nada, bem, havia dito no vídeo, mas não era a mesma coisa de falar pessoalmente, e agora, ele desejava tanto o "ontem", quando nenhum desses problemas o afligia.
Yesterday
All my troubles seemed so far away
Now it looks as though they're here to stay
Oh, I believe
In yesterday
Suddenly
I'm not half the man I used to be
There's a shadow hanging over me
Outra vez, um verso que lhe dizia tudo, maldita musica, agora ele se sentia mais melancólico ainda.
— Why she. Had to go I don't know. She wouldn't say — cantou junto da musica e ficou divagando um pouco — Então é isso?! — se alto perguntou — Eu quero tanto te ver — seus olhos começaram a lacrimejar e ele os apertou mais ainda, impedindo as lagrimas de caírem — Luce, por que fez isso?!
Natsu nunca odiou tanto a estação de seu nome, Verão deveria ser uma estação quente e calorosa, mas aquele verão, para Natsu, foi o pior de todos, era triste e melancólico, Natsu não era o verão sem Lucy, ela era o sol, e sem ela, não tinha calor, era só as chuvas de verão, a chuva salgada e fria de Natsu.
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