As Peripécias de um Astronauta Solitário
2 II - Amigos, amigos, mensageiros à parte.
Ok, nem eu esperava que isso acontecesse. Diante da minha encruzilhada, decidi que se jogar do penhasco era a melhor alternativa, havia um rio lá embaixo. Teria dado certo, caso meu perseguidor, o Sr.Sapo, não tivesse me agarrado com sua língua gosmenta no último segundo. E eu teria sido devorado, se, um humanoide não tivesse me salvado. Muita adrenalina para um único astronauta e acabei desmaiando igual uma donzela indefesa.
Não faço ideia de quanto tempo fiquei inconsciente, só sei que estava em uma caverna, deitado sobre folhas parecidas com bananeiras e aparentemente, vivo, eu acho. Me sentei e o mundo girou, acho que bati a cabeça, pois tinha um galo enorme no meio da minha testa, e se tacassem em mim purpurina poderia ser facilmente confundido com Unicórnio de Vultur.
Algo estava se aproximando, e fingi que ainda estava dormindo. Um ser entrou carregando algumas ervas e algo parecido com cenouras só que roxas. Tomei coragem para levantar, porém foi uma péssima escolha, o jovem, que alguns minutos depois descobri que se chamava Pan, estava sentado próximo a cama, me olhando.
Creio que gritei em um tom tão agudo, que Pan fez uma careta de total desaprovação e disse:
– Você fala enquanto dorme, mas não achei que fazia ruídos horríveis.
– Ahn.. Desculpe, não é todo dia que a gente acorda e tem alguém nós observando — respondi.
Ele se levantou, extendeu a mão para mim e se apresentou:
– Sou Pan Ibiju, descendente da tribo Kalloe-Quié, e creio que você me deve um obrigado por tê-lo salvado do poderoso Rhinella.
– Sou o comandante Drew, da Terra, e estou profundamente agradecido.
Falei de um modo gentil, apertando levemente sua gigante mão, afinal, não sabia se ainda existia a chance de ser devorado.
– Então, que faz por essas bandas? — perguntou Pan.
– Estou perdido, procurando por minha nave. Vim aqui para buscar essa flor; — disse-lhe mostrando a Flor de Sentiged.
No exato momento que tirei a flor da minha mochila, Pan ajoelhou e começou a falar algo parecido com uma oração.
– Eis aqui o mensageiro dos Deuses! — falando após juntar as mãos e olhar para cima.
Olhei para ele, olhei para flor, me olhei no espelho portátil que tinha no bolso e soltei um duvidoso:
– Quê?
E fiquei observando, enquanto ele estava ajoelhado, sem entender nada. Aparentemente, ele deveria estar achando que eu era algum tipo de mensageiro dos Deuses, algo parecido com o Deus grego, Hermes? Meio absurdo, quem confundiria a minha bela pessoa com aquele rapaz feio. Não que eu me importe em ser confundido por alguma divindade, mas tudo tem limite.
– Cara, levanta. Não sou nenhum mensageiro, deve me estar confundido com alguém. — Disse enquanto puxava-o pelo braço.
– Você é o Mensageiro, sim! Está carregando a Foler Iörroe, que floresce a cada 5 anos no altar sagrado, sobrevive uma semana e depois volta aos céus em sua carruagem, sendo levada, nesse caso, por você! — Disse Pan, em dúvida se apontava para mim ou pra o flor.
Então, liguei os fatos, as pistas e cheguei a conclusão que: Ou aquele rapaz deveria procurar tratamento psicológico, ou aquela flor era algo parecido com um Deus, creio que a segunda opção é a mais válida.
E o fato da flor, a cada 5 anos depois de florecer e sumir uma semana após isso, condiz exatamente quando alguém vem colher a flor necessária na receita do sorvete. E a carruagem deve ser a nave espacial. Pera… Carruagem, nativo, perdido. É CLARO!
– Bom, já que sou o mensageiro de alguém ai, e estou perdido e não faço ideia de onde está minha... Carruagem — Disse, tossindo — Poderia me ajudar a acha-lá?
– Mas é claro, mestre! Conheço essa floresta como ninguém. — Respondeu, sorridente — E quando saimos?
– Agora? — Perguntei.
– Agora! — Foi a resposta.
Então, pegou sua mochila, abriu a porta e saiu caminhando assoviando feliz.
– E lá vamos nós... — Suspirei
E sai pela porta fingindo que estava em uma vassoura de bruxa, seguindo Pan, floresta adentro.
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