As Patricinhas de Konoha
8 Plano Genial
Notas iniciais
SAKURA
Eu ainda não havia digerido o que tinha acontecido no quarto da cacatua. As cenas ainda eram muito vivas em minha memória, estilo 3D. Sério. Eu não sei o que deu na cabeça do Sasuke para ter agido daquele jeito tão... tão... homem.
Eu podia sentir seu aperto em meu braço, o mantendo acima da minha cabeça, seu corpo pesado em cima do meu, enquanto nossas respirações estavam próximas...
Mas que droga!
Por que eu estou pensando naquele babaca? Fala sério, o acontecimento foi ontem, não é para coisas insignificantes ficarem gravados na minha memória. Saí memórias insignificantes da minha cabeça! Eu não as quero aqui para me deixar uma pilha de confusão!
Agora a questão era; como eu iria olhar para a cara do Uchiha depois disso?
Pela primeira vez eu, Sakura Maria Haruno estou totalmente sem graça de olhar para a cacatua. Poxa, apesar de eu ser linda, amável, linda, gentil, linda, caridosa e linda, eu não tenho tantas experiências assim com garotos. Caramba, eu nunca namorei na minha vida! Apesar de todos acharem o contrário, acho que nem Ino sabe que eu ainda era BV.
Eu sou puramente pura.
Acordei com o dia já claro, depois que eu coloquei o relógio para despertar mais cedo, e me arrumei rapidinho. Liguei para Tenten e perguntei se ela poderia me dar uma carona até a escola, já que ela chegava trinta minutos mais cedo do que todos no colégio, para ter umas horinhas para trabalhar em seu jornal.
Desci as escadas praticamente correndo, para não me encontrar nem com o papai e nem o babaca do Sasuke — a quem estou fugindo como se ele estivesse com algum tipo de praga.
Mas não pude evitar em me esbarrar em Chiyo, que estava na sala passeando pela casa.
— Menina Sakura, já arrumada tão cedo? — Ela perguntou me olhando com o semblante meio confuso.
Claro que eu a entendia por ficar assim, já que todos na casa estão cansados de saber que eu odeio acordar cedo.
Terminei de descer as escadas e parei em sua frente, podendo escutar a buzina lá fora que deveria ser Tenten que acabara de chegar.
— Bom dia, Chiyo. Já estou indo para a escola por que... por que... — O que eu falo? — Por que eu... eu tenho algumas coisinhas para ser tratadas antes de a aula começar.
— Coisinhas a serem tratadas? — Ela quis saber.
Droga, Chiyo, para de ser curiosa. É tão assustador assim me verem de pé tão cedo pela casa?
— Eu vou para biblioteca.
— Ah — ela se assentiu. — Você não vai nem comer...
— Eu como alguma coisa lá. Tchau, Chiyo. — Nem esperei ela responder e saí em disparada para a porta da frente.
Assim que saí da casa, percorri o caminho até o portão, encontrando o Chevrolet preto de Tenten estacionado em frente à minha casa.
— Oi. — Tenten me saudou assim que entrei no carro, sentado no banco do carona.
— Olá, Tenten.
O caminho até a escola foi tranquilo, Tenten e eu falamos banalidades e assuntos bobos.
Ela estacionou seu carro no estacionamento vazio da escola e saímos do mesmo. A escola estava totalmente vazia, sem nenhuma alma viva a não ser eu, Tenten e o zelador que estava passando com um rodo e seu balde na mão, entrando no colégio.
— A escola é tão estranha sem ninguém. — Comentei, enquanto andamos para o meio do pátio.
— O que você queria, Sakura? Ainda são sete e meia. As aulas começam às oito.
Olhei para ela.
— Como você consegue chegar aqui todo o santo dia a essa hora? É estranho.
Nunca cheguei à escola essa hora, era a primeira vez que eu vinha aqui sem ninguém. E tudo por culpa da cacatua. Infeliz.
— Eu já me acostumei. — Ela deu de ombro. — Tenho que me acostumar se vou ficar fazendo parte do jornal.
— Hm.
— Bom, Sakura, eu estou indo, depois nós vemos.
— Tá. — Murmurei vendo Tenten aumentar os passos e sumir escola à dentro.
Fiquei sozinha naquele colégio deserto, só eu e o canto dos passarinhos. Aquele ali em cima da árvore é um urubu? Credo! Corri com medo daquele bicho asqueroso e fui para o jardim, que eu tinha ficado no intervalo ontem com a Hinata e Ino. Sentei-me no banco que havia perto do chafariz e esperei a hora passar jogando Pou.
Dei comida para ele, e comprei aquela porção branca para aumentar os níveis do sono e comida, não estava afim de botá-lo para dormir. Procurei uma roupinha para colocar nele e fui até a parte das perucas quando vi uma que parece com o cabelo do Sasuke. Não tinha visto aquela peruca ainda. Resolvi comprar e aplicar no meu Pou. Gargalhei quando vi o resultado. Não é que meu Pou ficou parecido com a cacatua?
Ai como eu sou má.
De repente meu celular começou a tocar, interrompendo meu momento de lazer. Era Ino.
— O sua testa de marquise, aonde você está? Eu já cheguei na escola e o sinal está perto de tocar e nem sinal de tu, criatura.
O sinal já estava para tocar? A hora passou tão rápido assim?
— Ino, pare de me chamar de testa de marquise, sua porca imunda.
— Tudo bem. Mas você não vai vir mais para escola?
— Eu já estou na escola, porca. — Sorri, enquanto cruzava as pernas. Percebi o movimento de alunos ziguezagueando pelo pátio.
— Já? Onde, que eu não estou te vendo?
— Eu estou no jardim.
Escutei-a falando alguma coisa para alguém que deveria estar ao seu lado antes da ligação cair. Segundos depois eu a vi de longe, vindo em minha direção com Hinata ao seu lado que estava tão arrumada quanto ontem.
Parece que ela está aprendendo.
— Quando foi que você chegou? — Ino perguntou ainda alguns metros de distância de mim.
— Tem uma meia hora — respondi.
Ela franziu o cenho. Olhei para Hinata que sorriu para mim.
— Olá, Sakura.
— Oi, Hinata — sorri. — Está bonita.
— Obrigada. — Ela agradeceu, sentando ao meu lado direito.
— Por que você chegou cedo? — Ino voltou a perguntar, sentando no meu lado esquerdo, me deixando no meio.
Dei de ombros, e tentei parecer o mais normal possível.
— Por que eu quis.
Ino soltou uma risada sarcástica.
— Você quer que eu acredite que madrugou na escola por livre e espontânea vontade? Poupe-me Sakura. A mim você não me engana.
Droga! Ino me conhecia mais do que ninguém, e sabia quando havia alguma coisa de errado comigo. Ela tinha um faro apurado para cheirar confusão a mil quilômetros de distância.
— Eu não posso querer chegar cedo a escola não? — Questionei, franzindo meu cenho.
Ela mantinha aquela cara de especialista em mentiras voltada para mim, seus olhos apertaram.
— Qual é o problema de ela chegar cedo à escola, Ino? — Perguntou Hinata e eu a fitei.
— Por que a Ino é uma paranoica, Hinata. Ela não admite que ninguém se interesse pelos estudos.
— Deixa de ser mentirosa, Sakura. — Disse Ino. — Todo mundo está cansado de saber que você abomina a escola. E você só vem estudar por medo de seu pai tirar seus cartões de crédito.
— Você fala como seu eu fosse uma pessoa que gosta de ficar vadiando por aí e que não tem responsabilidades.
— E você não tem – e ela teve a coragem de dizer isso na minha cara.
— Oh. — Fiquei de pé, fitando-a, totalmente incrédula. — É assim que você pensa de mim, Ino? Uma pessoa sem responsabilidades?
Eu não acredito que estava ouvindo aquilo da minha melhor amiga. Justamente ela que nascemos e crescemos juntas.
Hinata se levantou e Ino também, ficando a minha frente.
— Meninas se acalmem, não vamos mais brigar, ok? — Ela olhou para Ino e depois para mim. — Sakura, tudo bem que você tenha vindo para a escola cedo, ninguém vai te julgar aqui. – E olhou para Ino. — Não é, Ino?
Ino apenas revirou os olhos. Suspirou.
— Foi mal, testa.
— Estou magoada.
— Desculpa – ela disse. — Só é estranho você chegar cedo.
— Não tem nada de estranho. — Falei, ainda magoada. Eu me magoo fácil, sou sensível. — Eu só estava mais disposta hoje.
— Se você diz, quem vai ser eu para contrariar. — Ino deu de ombros e o sinal tocou.
— Viu como é bonito quando fazerem as pazes? — Questionou Hinata sorrindo, se sentindo a salvadora da pátria.
— E quem disse que eu perdoei essa porca? — Olhei para Ino que me fitava com a testa franzida.
— O quê?
— Só te perdoou se você me comprar um chocolate – e sorri.
Ino revirou os olhos.
— Vadia.
* * *
Quatro aulas chatas depois, o sinal do intervalo tocou, graça aos céus. Eu e as meninas caminhamos até o refeitório que estava lotado de gente, como sempre. Depois que peguei o que eu iria comer; um copo de suco de laranja, uma maçã e uns biscoitos caramelados, fomos nos sentar em nossa mesa. Eu falo nossa por que não existe louco o suficiente de sentar-se à mesa de Sakura Haruno. Nem a Karin que adora me desafiar e que morre de inveja de mim, não arriscaria ser o alvo de minha ira. Eu sei que estou podendo.
Ino tagarelava do tal jantar que seria hoje à noite e do quanto estava nervosa. Hinata falou que viu o Toneri hoje de manhã e ele disse um Oi para ela com direito a piscada de olho. Realmente Hinata está podendo. Já eu, começava um assunto de sumo interesse de todos, especialmente para mim. Armar o encontro do professor Asuma e da professora Kurenai.
— Como você vai fazer com que os dos fique juntos, Sakura? — Perguntou Hinata dando um gole de seu refrigerante.
— Isso é fácil. — Eu respondi, atraindo a atenção das duas para mim. — Nós vamos fazer dois bilhetes apaixonados. Um do professor Asuma para professora Kurenai, e outro da professora Kurenai para o professor Asuma.
— E como você vai fazer isso? — Questionou Ino. — Se você não percebeu, os dois são professores e colegas de trabalho. Completamente um sabe como é a letra do outro.
Abri um sorriso confiante e dei um gole do meu suco de canudinho. Eu tinha o plano todo traçado na minha cabeça.
— Eu já pensei nisso.
— Como? — Perguntou Hinata.
Olhei para Ino.
— Ino, o Gaara ainda sabe falsificar caligrafia? — Perguntei, pois se existe alguém que falsifique a letra de outra pessoa, esse alguém era Gaara.
Lembro-me quando os professores mandavam recados para os pais dele assinarem, avisando que seu filho estava ruim no colégio. Ele assinava com a mesma letra do pai, e entregava no outro dia. Aposto que a família dele nem sabe o que o filhinho deles apronta no colégio. Mas ele era bom, falsifica tão bem que qualquer pessoa que vê, duvida da caligrafia original quando compara com a falsificada de Gaara.
— Eu acho que sim. — Ela deu de ombro. — Você vai querer que ele falsifique as letras dos professores?
— O que você acha? Hoje eu vou fazer com que os dois assinem isso. — Tirei uma folha de dentro da minha mochila e as mostrei.
— O que é isso? — Ela perguntou.
— Um certificado que eu digitei ontem. Eu vou dizer que meu pai pediu para os professores assinarem para ver se realmente estou indo para as aulas, sabe?
— Sakura, você não presta. — Ino gargalhou.
— Esse negócio de certificado existe? — Perguntou Hinata, parecia confusa.
— Claro que não — guardei a folha na mochila de novo.
— Então você vai conseguir as assinaturas hoje e é para eu entregar para o Gaara? O que eu falo para ele?
— Fala para ele que eu estou com um plano que vai favorecer a turma toda. Eu vou preparar os dois bilhetes para ele escrever com a letra de cada um.
— Ah. E como você vai fazer para entregá-los sem que ninguém perceba que é você, gênia? — Questionou Ino, arqueando a sobrancelha.
— Essa operação será segunda-feira, depois do intervalo. — Olhei para Hinata. – Hinata, você na segunda-feira vai passar mal.
— O quê? — Ela perguntou confusa.
Ai, ai, tão inocente ainda. Expliquei:
— A sala dos professores fica ao lado da enfermaria, e para isso, nós teremos que passar em frente à secretaria. Depois da hora do intervalo, quando todos irem para suas salas, a sala dos professores estará vazia. Nós três vamos levar você — apontei para ela -, que estará passando muito mal para a enfermaria. Enquanto você e Ino ficam lá, eu vou à sala dos professores e coloco os bilhetes dentro dos armários do professor Asuma e da professora Kurenai.
— Nossa, Sakura, você pensou nisso tudo? — Questionou Hinata.
Sorri confiante.
— É claro que sim.
— E se alguma coisa der errado, tipo, o professor Asuma e a professora Kurenai descobrirem que não foram eles que mandaram os bilhetes? — Lembrou Hinata.
— A Hinata tem razão — disse Ino me olhando. — E se os dois descobrirem? Vai dá ruim.
— A professora Kurenai é tonta e tapada o suficiente para não perguntar ao professor Asuma se foi ele que mandou o bilhete. E o professor Asuma nem vai pensar direito, pois eu acho que ele tem uma quedinha por ela.
— O professor Asuma gosta da professora Kurenai? — Perguntou Ino com um tom mais alto que normal, fazendo alguns alunos nos fitarem.
— Fale mais alto para todo mundo ouvir. — A repreendi, com a boca franzida.
— Sorry, amiga. Mas isso é o bafo do ano. Como você descobriu isso?
— Tenho os meus contatos — sorri.
Pegar carona com a Tenten pode ser bem vantajoso as vezes.
— Você não vai me dizer onde é a fonte? — Ino estava se coçando para saber.
— Não.
Ela bufou contrariada, aquela adorava uma verdadeira fofoca. Hinata parecia alheia a tudo, mas não opinou, e concordou em seguir o plano com a gente.
O restante da aula foi chato e eu consegui as duas assinaturas, tanto a da professora Kurenai como a do professor Asuma. E no final da aula, entreguei para Ino, junto com os dois bilhetes para ela entregar para Gaara fazer as falsificações.
Meu plano tinha tudo para dar certo e eu sei que daqui a alguns dias eu estaria reinando entre as matérias de japonês e matemática, e não terei mais que ter aulas particulares com Sasuke. E por falar nele, eu tenho que fazer alguma coisa para não me encontrar com ele pela casa.
Fale com o autor