As One - Como um só
3 Capítulo 3 - Os Regentes e as chaves
Notas iniciais
Droga – Diz Yuri pela décima segunda vez – E agora? Qual foi o caminho que a gente veio mesmo?
Relaxe querido, eles disseram que ia achar a gente caso nos perdesse – Diz Claudia tentando acalmar.
– E se demorarem pra achar? – Digo
– Se demorar, demorou. A gente pode fazer nada, se continuarmos andando vamos nos perder mais ainda e ficar mais longe – Ela diz.
– Vamos por esse caminho, acho que foi por esse que nós viemos – Diz Yuri.
– Não. É sério, vamos esperar – Concluo.
Sentamos encostando nossas costas na árvore, calados, sem saber qual o momento que eles nos acharão. Nós três nunca paramos pra nos conhecer, então uma conversa agora seria meio desagradável, até porque a Claudia parece ser uma garota tímida e o Yuri um garoto muito fala-o-que-pensa, ou é o contrário? Não sei.
– Faz meia hora que estamos aqui esperando, eles não irão nos achar. – Diz Claudia pessimista.
– Claro que vão. Nem é meia noite ainda – Digo com positividade.
– Espera aí – Fala Yuri nervoso apontando para algo longe – O que é aquilo?
Viro a cabeça para ver no que o seu dedo está apontando e vejo algo branco, pessoas brancas estão vindo correndo para nós. Sinto um susto e fico parado sem saber o que fazer. É uma assombração?
– Que droga é vocês? – Grita Claudia.
– Fazemos partes dos Regentes – Fala o Homem tirando o capacete – Somos da Escola de vocês, disseram que estavam faltando três pessoas e viemos procurar.
– Graças a Deus, agora podemos ir – Diz Yuri se levantando.
– Vamos – Fala o Homem indo na frente com os seus quatro colegas que estão usando a mesma vestimenta branca.
Chegamos ao campo de frente ao Casarão em poucos minutos, o que dar raiva, porque nós conseguiríamos voltar sem precisar da ajuda deles já que era tão perto. Tem poucos estudantes na frente do Casarão, acho que já devem ter entrado na casa e ido pros seus quartos.
– Apenas 17 chaves foram encontradas, e não demos mais tempo para encontrar as outras três – Fala um dos Regentes – Vocês e os outros sete grupos irão dormir do lado de fora, não se preocupem que temos camas e tendas.
– Espera aí, eu vou dormir junto com os dois? – Pergunta Claudia.
– Não, separamos tendas para homens e tendas para mulheres – Continua ele – Iremos pegar as coisas de vocês. Se estiverem com fome é só falar com uma das serventes.
E ali ficamos parados, eu, a Claudia e o Yuri, olhando para os lados e esperando eles chegarem. Pra falar a verdade eu pensava que seriamos eliminados e mandados para casa, infelizmente isso não aconteceu. Não que eu não goste de ir pra acampamentos, se divertir, mas tipo, sem internet é a pior coisa. Nessa hora já deve ter mais de 134 notificações no Facebook e as pessoas que eu “Stalkeio” já devem ter postado uns duzentos “Tweets” no Twitter.
– Chegamos – Diz o Regente que veio sozinho e com uma mala – Aqui nessa mala está tudo. A tenda é inflável, as camas também, e as instruções de como organizar. Se quiserem ser alguém na vida, organizarem isto direito que daqui a pouco iremos vir para separar cada pessoa por tenda.
– Ah claro – Diz Claudia esperando o Regente sair – Oh que maravilha.
– Pense pelo lado bom, pelo menos não formos eliminados – Fala Yuri que recebe um olhar impiedoso da Claudia. – Enfim, vamos continuar a vida né.
Montamos a tenda, as camas, mesmo demorando um bom tempo, e sem precisar da ajuda de ninguém. Os Regentes vêm e nos separa por Tenda. Fico numa tenda de representantes de terceiro ano, daora a vida.
Alguns já estão dormindo, tanto que vou dormir também. As luzes do Casarão foram desligadas, tudo foi desligado. Tem alguns seguranças do lado de fora das Tendas para caso algo ocorra, mas duvido que algo vá ocorrer por aqui, fora eu me suicidar se o dia de amanhã for pior que o de hoje.
Tento dormir, mas quando fecho os olhos escuto dois garotos falando do outro lado, consigo escutar mesmo estando a uma grande distância.
– Cara, você viu aquela menina do Segundo ano? – Diz um deles – Tipo, todos estão dando em cima dela aqui, ela é muito oferecida.
– Claro que vi aquele espetáculo – Responde o outro que logo se cala quando vê a luz branca de uma lanterna passar por cima da Tenda indicando que o guarda estar ali. – Vamos dormir.
Não sei qual garota eles falam, mal cheguei aqui, nem vi quem estava nesse acampamento junto com mim, a única coisa que pensei foi em contar os minutos para sair logo deste lugar; Silêncio, o silêncio está tão grande que dá pra escutar os grilos de longe, “cri, cri, cri”. Só assim eu percebo que agora posso dormir e fechar meus olhos.
Fecho meus olhos. E então começam os gritos.
Todos se levantam e perguntam o que está acontecendo, os guardas também estão gritando e correndo para longe daqui, tanto que nem luz vemos mais e está tudo escuro. Todos estão saindo da Tenda, sou o último a sair, claro.
Vejo que todos saíram e as luzes do Casarão foram ligadas, os gritos continuam, e são gritos de uma pessoa só, de uma garota. Começo a correr para a multidão que está circulando algo de longe. Tento empurrar algumas pessoas e pedir licença para ver o que está acontecendo.
E então eu vejo... A garota que os dois meninos estavam falando na Tenda, está agora morta.
Continua...
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