As One - Como um só
1 Capítulo 1 - Vida, um fardo que tenho que aguentar.
Notas iniciais
*Trim. Trim.* — Barulho do despertador.
São seis horas da manhã. Este é meu primeiro dia de aula. E juro que pretendo jogar-me da primeira ponte que me aparecer. Mas aqui estou eu, deitado na cama, com o despertador tocando no volume máximo pra acabar acordando a casa toda.
– Dá pra desligar essa droga? – Grita meu pai da sala.
Aperto no botão para desligar. Conto de um até dez para pegar energia e me levantar da cama, sempre faço isso, e sempre dá certo. – Um; Dois... – Este é o meu primeiro ano no Ensino Médio, sim, a moleza do Ensino Fundamental acabou pra mim – Três; Quatro; Cinco... – Até porque o Ensino Fundamental foi piorando cada ano minha vida, botando-me olheiras roxas que nunca irei tirar dos meus olhos – Seis; Sete... – Só queria saber o que essas pessoas ganham ao sair de noite pra baladas e festas, sim, não gosto de sair pras festas, falta de convite não é. – Oito; Nove... – Pra mim socializar, apenas nas redes sociais, na vida real as coisas não andam boas do mesmo jeito.
– Dez – Digo, levantando-me logo após.
Meus pais já estão na mesa tomando seu café da manhã. E já que não posso me atrasar, tenho que ir pra aula sem comer, porque é meia hora só de viagem daqui pra lá. Sendo assim pego o ônibus, que está vazio tendo nele apenas quatro pessoas. O ônibus para em quatro lugares e no próximo que ele parar será onde sairei.
Duas pessoas ainda continuam no ônibus, fora eu, uma menina e um menino que aparentam ter minha idade, ela está no fone de ouvido e ele está lendo algum livro. Não estão na mesma fileira, ela está na frente e ele está lá trás. Mas isso não importa.
O ônibus para, e vou em direção ao restaurante que tem logo do lado da escola para comprar algo para comer, para assim eu não acabar desmaiando na sala de aula.
Como e vou pra sala. Primeiro ano, sala A. Pra minha surpresa ela é muito atrás da escola, muito ao fundo. Entro nela e pego a cadeira do lado da janela na parte esquerda. Há poucos alunos na sala ao que observo, não conheço nenhum, apenas fico surpreso quando vejo que os dois que estavam no ônibus junto comigo também estão na mesma sala que eu.
Todos chegam, sala de 32 alunos. Não demora muito e o primeiro professor aparece.
– Bom dia – Diz ele.
– Bom dia – Falam todos da turma com exceção de alguns.
– Antes de começar a nossa aula, vamos nos apresentar, cada um. – Diz ele
Não tem aquela hora que você quer se esconder no primeiro buraco que vê? Pois então, é desse jeito que estou. Que diabos alguém vai querer se apresentar. Mas as sortes não estão ao meu favor. Vão se apresentando de um por um, vão dizendo o nome e a sua idade, logo após seus interesses, e vejo que a aula de hoje será só nisso. Mas então chega a vez da garota que veio no ônibus comigo.
– Me chamo Claudia Silva, tenho 15 anos... Só – Ela diz.
– Quais os seus interesses? – Pergunta o Professor.
– Nenhum. – Diz ela um pouco grossa.
– Está certo... O próximo é você – Ele diz apontando para mim.
– Err... – Eu juro que não estou bem – Me chamo Joab Henrique... Tenho 15 anos, também não tenho interesses, eu acho. – Digo querendo mim enforcar depois disso.
O Professor continua as apresentações, e por último chega a vez do garoto que também estava no ônibus.
– Me chamo Yuri Gabriel Matheus, tenho 14 anos, sou filho de Poseidon – ele diz.
Vejo que não sou o único abestado nessa sala, fora que teve outros alunos que também passaram uma vergonha, mas isso não importa.
– A aula já está acabando, mas tem algo que eu ainda quero informar a vocês – Diz o Professor pegando sua caneta de quadro e desenhando algo nele. – Vamos escolher os representantes.
Pronto, agora podem atirar em mim. Tudo que eu mais odiava vai acontecer novamente. Já fui representante de uma sala, e é a pior coisa que pode acontecer na sua vida, acredite. Mas foi apenas uma vez, claro que não serei escolhido novamente.
– Eu mim ofereço – Diz Yuri, levantando a mão.
– Ótimo. Mas precisamos de três. – Diz o Professor.
Todos ficam calados por mais de três minutos, se isso é possível, e finalmente chegou a hora da minha desgraça quando ele diz:
– Escolheremos por sorteio – Fala ele, fazendo com que todos da sala fiquem meio “putos” da vida, mas são muitos alunos, claro que não vai ser eu o sorteado – Vamos lá, o primeiro nome será... Claudia Silva.
– ISSO NÃO É JUSTO – Grita ela dando-me um susto.
– A vida não é justa minha querida, venha. – Continua o Professor. – Agora escolheremos o terceiro e último representante, tudo bem pra vocês?
Estaria tudo bem, até eu levantar minha mão e mim oferecer para ser um dos representantes. Tipo: ONDE EU ESTAVA COM MINHA CABEÇA. Por que a droga da minha mão tinha que levantar, eu nunca quis isso.
– Tudo bem Joab, pode vir – Diz o Professor.
– Ah, foi mau professor, levantei sem querer – Digo tentando engana-lo.
– Tá querendo enganar quem? Pode vim, você é um dos três – Continua ele.
Levanto-me e mim junto aos dois. Eu do lado esquerdo, Claudia no meio, e Yuri do lado direito enquanto o Professor anota os nomes no Quadro.
– Neste dia 05 de Fevereiro de começo de aulas, sejam bem vindos todos, e se divirtam, até a próxima – Diz o Professor – Todos podem sair, apenas os três representantes ficarão na sala.
– O que foi agora? – Pergunta Claudia
– Como vocês sabem, os representantes de cada sala vão para um lugar pra desafiar e competir. – Diz ele
– Não sabemos, aliás, isso nunca aconteceu – Diz Yuri.
– Pois é esta será a primeira vez e o prêmio é em dinheiro. ENTÃO vocês vão para este certo “acampamento” junto com todos os outros monitores e representantes e ganhem, porque isto também está incluindo no meu pagamento. – Fala o Professor animado – Hoje vocês serão mandados para este local junto com todos, avisaremos aos seus pais que vocês receberão seus estudos neste local nos próximos quatro dias. Será apenas uma semana no acampamento, tudo bem organizado, então relaxem.
– Relaxar? Você está louco? – Diz Claudia com raiva.
– Mas... Meus pais nunca irão deixar isso – Digo.
– Com certeza irão, quando falarmos que o prêmio é de mais de 500 mil pra cada, com certeza irão – Fala ele deixando Yuri animado.
– Pode ser 01 bilhão, mas eu não quero ir pra isso, não sou obrigada – Diz Claudia.
– Você é representante da sala, tem o direito e o dever de ir, desculpe-me, mas assim será. – Conclui o professor saindo da sala e nos deixando lá.
E é aí que eu percebo que eu devia ter mim jogado do primeiro andar enquanto eu tive tempo. Com certeza será os quatro piores dias da minha vida. Não conheço estes dois, mas não é por causa disso...
É porque irei ficar SEM INTERNET POR QUATRO DIAS INTEIROS.
Continua...
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