\"\"

POV Edward

Os dias passavam rapidamente e eu mal percebi que já era o aniversário dos Gêmeos. Troquei de roupa mais que depressa, coloquei uma máscara azul, eu queria descer rápido para recepcionar os convidados, pois uma, entre tantos, me fazia ficar feliz. Sai correndo do meu quarto e não reparei muito no corredor. Só senti quando meu corpo foi arremessado ao chão.

- Gente!_ exclamei nervoso.

- Olha por onde anda_ Rose falou antes de eu poder abrir a boca pra falar isso.

- Calma_ Jazz sibilou a ele e se virou para mim_ pra que a pressa se eles não chegaram?

- Ainda não?_ perguntei decepcionado.

- Não_ Rose respondeu fria_ Podemos descer?_ sua voz demonstrou uma animação.

- Claro_ Jazz falou feliz.

Como outrora nos posicionamos na escada principal e começamos a descê-las ao mesmo instante que duas pessoas opostas adentraram o salão. Alice e Emmett não estavam acompanhados de Bella e isso me preocupou, eu me apressei a sair dos olhares de todos e caminhar até eles.

- Onde ela está?_ perguntei nervoso pela a resposta.

- Não sabemos..._ Emmett lamentou.

Como não sabiam onde estava a irmã do meio, quer dizer eu saberia onde Rose estaria, certo? Minhas pernas se moveram sem a autorização do meu cérebro e eu não reparei estar caminhando até o meu cavalo. Eu percebi estar cavalgando, mas para onde?

O vento batia em meus cabelos curtos os desalinhando e meu corpo estava entorpecido ao comando dos músculos. Era como algo me levasse a ela, de alguma forma extraordinariamente errada. Meu coração começou a se apertar.

Algo estava errado e eu sentia, sentia os sinais para eu voltar, mas não conseguia, não eu podia voltar. Era como se algo me falasse para ir salva-la, como se algo me dissesse que algo está extremamente errado, ou tudo estava errado.

Meus olhos deixaram escapar as lágrimas que estavam apreendidas a muito e eu apertei a rédea do cavalo. Ele se ergueu com o ato impensado e rápido.

De pronto reconheci o lugar.

Estava próximo ao nosso lugar. Meus passos diminuíram sua intensidade e rapidez enquanto me aproximava da campina. Meus olhos derramavam as lágrimas prontas e erradas. Meu corpo estava se preparando para o pior e eu não sabia o motivo de tudo.

Um monte de tecidos estava caído ao meio exato de tudo. Tudo aquilo formava um vestido vermelho sangue e que me lembrava a morte. Gelei.

- Bella_ minha voz saiu fraca, como se não quisesse acreditar que era ela que estava ali.

Mas definitivamente eu não queria que fosse ela, não queria que ela estivesse ali. Meus passos diminuíram bruscamente, eu estava com medo. Caminhava com a esperança de ver o que eu não esperava ver, mas meus olhos me enganaram mostrando o que eu realmente esperava ver.

Bella estava lá, caída. Sua boca deixava escorrer uma leve linha de um liquido viscoso. Abaixei-me e segurei sua mão. Ela estava fria, não havia batimento cardíaco, ela estava morta.

Morta.

E eu me senti culpado acima de tudo. Abaixei-me aos poucos imaginando o que havia acontecido, o que ela havia bebido. Encostei meus lábios quentes na sua boca gélida e pálida. Um beijo, foi o que precisei para saber que aquilo que escorria de sua boca era o veneno, um doce veneno.

Deixei meu corpo se escorregar sobre o dela e minha mão procurar algo para tirar minha vida. Ainda havia uma quantidade boa de veneno, eu olhei mais uma vez para aqueles olhos fechados e mortos e não pensei duas vezes em beber o liquido.

Eu não queria uma vida sem ela.

POV Bella

Eu precisei fazer isso, precisei me matar, não definitivamente, pois esse veneno era passageiro, quando tomado na medida certa. As palavras do frei repetiram na minha cabeça até o momento que me senti inconsciente, eu estava perdida na escuridão da minha mente, na minha morte momentânea.

Eu me senti sem alma por alguns instantes, mas era para o bem maior e antes eu do que ele, e era por ele que fazia isso. Eu não tinha pensamentos, mas a imagem dele rodava tudo o que era cor naquela escuridão vazia.

Algo parecia me falar que aquilo iria terminar mal, mas eu queria, eu sentia, que ele seria a pessoa que me traria de volta a vida, que me levaria para casa e me beijaria depois. A sua imagem em meu cérebro ficou distorcida. Quando consegui voltar a vê-lo, ele não possuía a mesma expressão alegre de antes, na verdade de alegre nada tinha suas lágrimas.

“Bella” sua doce voz pronunciou meu nome e parecia que eu estava sonhando. Era como se ele tentasse me salvar daquela escuridão, acordar-me por dentro, mas eu não conseguia acordar, não conseguia respirar direito, isso é, se eu respirava naquela circunstância. Meu corpo não sabia o que fazia e eu estava perdida.

Senti um toque em minha boca e uma vontade de chorar me tomou por dentro, mas eu teria condições de chorar? Eu teria lágrimas?

Não sei quanto tempo eu passei nessa escuridão, não sei o que meu corpo passou nessa escuridão, mas eu já via a luz. Fraca luz, mais já a via.

Sentei-me quando voltei a sentir meu corpo. Eu estava viva, afinal, agora eu poderia por em pratica a minha idéia e fingir frente a meus pais que eu estava morta. Abri um sorriso que se fechou em instantes quando percebi que o vidro que continha o veneno não estava mais na minha mão. Eu me desesperei a procurá-lo sobre a grama da campina. Passei alguns minutos assim, até me dar conta dele. Olhei em suas mãos e o veneno havia acabado. Eu estaquei no lugar e caminhei até ele, era difícil acreditar...

Meus olhos não paravam de deixar lágrimas escorrerem. Ele estava caído aos meus pés, morto.

E por minha causa.

Tomei o punhal que ele carregava sobre a cintura e posicionei sobre meus punhos.

Olhei mais uma vez para o lugar, uma floresta. Tentei lembrar-me da data 18 de abril de 1809, seria o dia em que morreríamos por amor. Olhei mais uma vez em suas mãos e notei, dessa vez, que ainda havia restado um pouco de veneno, o suficiente para morrer da mesma forma que meu amado. Joguei o punhal no chão e tomei o frasco nas mãos.

Os cães que nos buscavam pelos campos e florestas começaram a ser ouvidos. Logo atrás deveria estar nossos pais e nossos irmãos.

Tomei o último líquido que colocaria na boca. O doce e único gosto do veneno cerrou minha morte, junto e como a do meu verdadeiro e único amor.

E então a dor voltou a me capturar. Ela uma dor fácil de suportar sabendo que era por ele, e dessa vez eu não esperava acordar, não esperava mais viver.

Não sem ele.

Cai novamente na escuridão que não era mais tão escuro assim. Agora havia uma luz. E ele me esperava com a mão estendida para que eu a segurasse. E foi isso que fiz.

E nos beijamos. Um beijo morto, porém, ali, vivo. E assim as plantas e flores floresceram formando um maravilhoso jardim.

Eu sorri e em resposta ele fez o mesmo. Aquele seria o nosso fim, o nosso final que selaria a nossa eternidade. E o momento era perfeito.

Notas finais
Gente a fic. está acabando e aqui está o momento tragico de Romeu e Julieta...

Ainda temos dois caps pela frente entao é esperar...

Beijoooos

Juuh

OBS: Nao postei quinta e sabado da semana passada para a fic. acabar exatamente nesse sabado... Entao desculpa, mais foi só para entrar no ritmo.