Notas iniciais
Boa leitura!

Nossa historia começa em Londres,durante a segunda guerra mundial, em uma pequena casa acolhedora onde havia quatro pessoas.Lúcia,a caçula,estava a olhar através da janela a rua pouco movimentada com o intuído de avisar Susana,sua irmã mais velha,caso a mãe chegasse.O irmão do meio(mais velho que Lucia e mais novo que Susana) era Edmundo que brincava distraidamente com a borda do tapete e lia um livro grosso de escola que lhe fora dado por Susana.Pedro,o primogênito,Estava resmungando sentado no estreito sofá florido defronte a Susana que, por falta de onde se sentar fizera-o no colo do irmão.Ela limpava os ferimentos do rosto do mesmo com um pano úmido enquanto se alternava entre lançar olhares preocupados á porta ou dizer a Pedro o quanto fora irresponsável e o mau exemplo que dera ao irmão mais novo:

-Olhe Edmundo,olhe que belo exemplo de caráter masculino você tem aqui — Disse limpando o sangue do queixo do garoto do modo mais doloroso possível- Imagine se mamãe nos espera em casa... –Pedro se contentou a resmungar exclamações de dor.

A mãe dos garotos havia ido á casa de uma amiga do outro lado da cidade, que como ela havia recebido a noticia de que o marido morrera mas estava seriamente doente e precisava de auxílio naquele momento.Cristina fora mas avisou de antemão que voltaria tarde e pediu que os filhos fizessem as compras e que fossem de metrô porque a loja que gostava era um tanto longe da casa.Ela se virou para a porta com lagrimas nos olhos lembrando-se do marido morto e mutilado sem corpo para enterrar e atravessou-a hesitando por um momento.As crianças foram na maior tranqüilidade,compraram mantimentos e produtos de limpeza e chegaram á estação de metrô duas horas e meia depois e vinte minutos antes de pegarem o trem.Foi aí que o problema começou:

Todos se sentaram em um banco de madeira esquecido a um canto da estação lotada e Susana entregou um pacote de bolachas aos dois irmãos mais novos enquanto aguardavam o metro.Pedro se levantara e começara a andar meio a esmo na plataforma.Lúcia havia lhe pedido colo mas ele parecia nem ter ouvido,tão envolto em pensamentos como estava.Susana também estava calada.Afagava os cabelos do irmão mais novo -que quase nem percebia o movimento- e tinha no rosto um pranto silencioso que mantinha com medo de que os irmãos percebessem o que acontecia.A mãe os havia confidenciado a morte do pai durante a madrugada, enquanto os mais novos dormiam, e pedira silencio quanto aos irmãos.Eles obedeceram e guardaram essa dor para si com a responsabilidade que sentiam agora pelos irmãos.Principalmente Pedro sentia essa responsabilidade;Ele sempre fora como um pai para Lúcia,ainda mais quando o pai estava viajando prestando serviço militar, mas nunca sentira mesmo um fardo quanto a essa responsabilidade e somente a partir da morte do pai começara a senti-lo.Pensava nisso enquanto esperavam o metro e a raiva que sentira estava a flor da pele.De repente Pedro escuta vozes muito conhecidas e odiadas por ele.Gerold e dois capachos -estudantes do mesmo internato de Pedro- estavam descendo a escadaria do metro e Pedro já estava muito confuso e com raiva para agüentar provocações, e foi isso o que aconteceu.

Vendo que Pedro estava ali os três começaram a insultar Pedro e sua família até que ele não agüentou e foi para cima dos três.Outros dois garotos desconhecidos que escutaram as provocações vieram em seu auxilio e a briga só foi interrompida pela chagada dos guardas que separaram os seis.Susana agradeceu aos garotos e se virou,entre raivosa e preocupada pra figura de seu irmão, com o rosto cheio de cortes e arranhões,sangue e alguns hematomas pelo corpo.Rapidamente foram embora e chegaram em casa onde a mãe ainda não chegara.

Edmundo tirou os olhos do livro, olhou para a cena dos dois irmãos mais velhos e olhou para o relógio- -Ainda bem que a mamãe vai demorar- Pensou e se voltou novamente para observar o irmão,já com uma melhor aparecia do que quando chegaram em casa e sentindo ainda mais dores também.Começou a realmente a escutar sua irmã dando o maior sermão do mundo em Pedro como se fosse uma esposa que adverte o marido que desrespeitou o próprio chefe e corre o risco de ser despedido.Sorriu levemente com a situação e aprumou um pouco mais o corpo para escutar melhor o que ela dizia.

-Imagine Pedro! Imagine se nossa mãe volta para casa antes do tempo!Imagine o que ela iria achar de ver o filho dela desse jeito? Você quase morreu sabia Pedro?-Nesse momento ela já gritava histericamente- O que eu faria sem você agora Pedro? Hein? O que eu faria?-Ela havia se levantado e cuspia essas palavras para ele com o rosto vermelho e as lagrimas escorrendo livres pelo rosto.Os garotos,exceto Pedro,não faziam idéia do porque dela estar agindo assim e ficaram muito preocupados com ela.Pedro segurou-a pelos braços firme mas carinhosamente e olhou nos fundo dos teus olhos.Então sussurrou:

-Fique calma Susana,fique calma... eu estou aqui.Tudo vai dar certo- E dizendo isso ele a abraçou mas não antes que ela cedesse a um choro copioso e a uma leva de soluços intermináveis.Os dois que assistiam a cena(sem entender nada)ficaram imobilizados,sem saber o que fazer.Pedro a acalmou com mais palavras sussurradas que os outros dois não escutaram mas que fez com que ela parasse de soluçar.Ela secou os olhos com a palma das mãos e, como se nada houvesse acontecido, foi á cozinha e colocou em quatro pires pedaços de torta de cereja,a favorita de Lúcia.Entregou-os aos outros três e se pôs novamente a limpar os ferimentos do irmão.Desta vez,silenciosamente.Todos fizeram o mesmo;Fingiram que nada havia acontecido,voltaram a agir como antes.

Quando a mãe chegou não reparou nos machucados de Pedro,agora muito menos aparentes depois dos cuidados de Susana.Beijou-lhes nas bochechas e foi para a cozinha silenciosa.O jantar foi igualmente silencioso e todos foram para o quarto.Susana sentou-se no encosto da poltrona apoiando os pés nos braços da mesma massageando os ombros de Pedro,que recostara-se na poltrona, cerrara os olhos e permanecera assim por um bom tempo.Só os abrindo para olhar as horas as vezes.Lucia e Edmundo,a menina com camisola cor-de-rosa claro e o menino com o pijama azul,estavam jogando um jogo de tabuleiro que haviam ganhado de natal de seu tio Arthur.Parecia a imagem de um antigo selo postal de uma típica família inglesa em um quarto de cores quentes.Um pai cansado,uma mãe dedicada e cuidadosa,dois filhos brincando felizes e em harmonia no chão,Embora fossem todos irmãos.A mãe dos garotos entrou no quarto e avisou:

-Seu tio disse para irmos para la ate o fim da guerra e concordei.Sairemos amanha bem cedo.

Susana se levantou, pegou Lucia pela mão,colocou-a na cama e deu-lhe um beijo de boa noite.Fez o mesmo com Edmundo e apagou as luzes de ambos os abajures.Deu um beijo na mãe, que parara a porta e que em seguida foi embora,deu um breve selinho e um boa noite a Pedro que continuava na poltrona e foi se deitar apagando todas as luzes exceto o abajur do irmão.

Notas finais
Obrigada por ler!