Notas iniciais
Oiii, gente! Antes de mais nada, queria dizer uma coisa. Vocês já devem ter percebido que uma boa parte da fanfic tem referências a cantores e tudo o mais. E, podem ter percebido também, de quem a gente mais fala é da Taylor Swift e... Do One Direction. A parte que foi escrita por mim no capítulo da Lisa, basicamente, foi inspirado quase no álbum inteiro de Up All Night. 1D era a minha banda favorita e a morte do Liam realmente me abalou. Eu não sei porque estou contando isso, mas é que eles foram presentes e foram responsáveis por me inspirar INÚMERAS vezes para a fic - vide a nossa playlist no Spotfy, VÃO OUVIR!. Enfim. Chegamos a 300 comentários, obrigada! Espero que gostem do capítulo, ele está MUITO BOM! E, Lia, calma. Tua vez tá chegando. Eu vou fazer você chorar ❤️ / Laís Bom, olá! Pedimos desculpas pela demora de alguns minutos na postagem, eu juro que tentei chegar a tempo. Mas vamos lá! Penúltimo capítulo da nossa fic, mas hoje eu vou ser um pouquinho menos melancólica e antes de liberar vocês para a leitura queria apenas agradecer todo e cada um de vocês que ainda estão aqui para ver o fechamento dessa história conosco. No último mês ultrapassamos os 300 comentários nessa história e eu ainda irei encontrar as palavras necessárias para agradecer vocês apropriadamente, vocês não imaginam mesmo o quão feliz isso me faz. Enfim! Sem mais delongas, apresentamos a vocês a Senhora Potter. /Lia

— Pode beijar a noiva.

Meu sorriso que já era grande se alargou ainda mais com a permissão que eu estava esperando desde o começo daquele dia. Lisa estava, simplesmente, uma visão. O belo vestido não me prendia aos seus cuidadosos detalhes pelo simples fato de que ele conseguia marcar cada deliciosa curva de Elisabeth, cobrando muito de mim para manter o foco durante aquela cerimônia. Já vinha sofrendo de abstinência dela desde a noite anterior, então um beijo não bastaria para atender todos os meus desejos, entretanto, eu sabia melhor do que me render a eles do que ali no jardim d’A Toca naquele fim de tarde de outono, com todos nossos familiares e amigos nos olhando empolgados.

Comportado, como o cavalheiro que era, restringi-me a apenas envolver um dos braços na cintura de Lisa e puxá-la para perto de mim, trazendo os lábios dela de encontro aos meus antes de girá-la, inclinando-a em meus braços com o pôr-do sol às nossas costas criando um cenário de filme para aquele momento.

Ali, eu conseguia entender exatamente o que Teddy sentira no próprio casamento dois anos atrás. A alegria genuína, a sensação de certo e a certeza de que aquilo era apenas o começo do resto da minha vida. Após todos aqueles anos, todas as namoradas e corações partidos, todas as tentativas e erros, após o agonizante ano em que eu acreditei não ter mais esperança, eu finalmente a tinha bem ali, comigo. O amor da minha vida. Enfim, meu.

Mas por mais gratificante que aquele momento fosse, por mais que um novo James estivesse nascendo bem ali, naquele instante — um James casado— a chegada àquele altar não tinha sido tão imediata quanto vocês podem imaginar, apesar de ter sido, sim, mais fácil que qualquer outra história que eu tenha contado a vocês.

E como vocês são obcecados com minha vida e amam me ouvir falando por horas, nada mais justo que rebobinemos essa fita um pouco mais para garantir que vocês saibam exatamente como Elisabeth Stella Carter adicionou um Potter ao final de seu nome.

(...)

Depois daquele dia do não-casamento de Lisa eu precisei voltar para a França. Eu ainda tinha notas para conquistar, trabalhos para entregar e mais duas semanas de aula tanto em Beauxbatons, quanto na universidade antes de concluir aquela parte da minha vida. E Lisa, bem, ela estava se descobrindo.

Naquele período Aimée finalmente criou coragem para encontrar Elliott e as coisas tinham sido melhores do que ela tinha imaginado. O cara na verdade nunca tinha seguido em frente e passara todo o tempo longe dela sofrendo e de luto, sem realmente saber se ela já tinha de fato morrido. A tentativa dela em fazê-lo odiá-la tinha fracassado dois dias depois, quando ele percebeu que realmente ia a perder e, bom, o que eu posso dizer a vocês é que o cara é incrivelmente gente-fina e nosso Grupo de Apoio Para Pessoas Com Coração Partido encerrou suas atividades antes do fim da primavera.

Enquanto eu retornava para a França, Lisa decidiu que iria passar uma temporada no Brasil. Ela tinha descoberto que gostava de dança e afirmou que a melhor forma de aprender a sambar era direto na fonte, além de sentir saudades da família de Teresa, que a havia abrigado nas férias durante o intercâmbio que ela fizera por lá. Ela também tinha como objetivo descobrir mais sobre a cultura trouxa ao redor do mundo antes de assumir um cargo de assistente no Departamento de Relações Trouxas do ministério, algo que a digníssima primeira-ministra do mundo bruxo na Inglaterra — também conhecida como minha tia Hermione — tinha conseguido pra ela. Eu, por outro lado, tinha, após seis anos, conquistado o título de pocionista formado e minha licenciatura que me permitia lecionar aquela matéria para quantas jovens mentes bruxas eu quisesse.

No princípio do verão meus pais organizaram uma festa para celebrar minha formatura e tudo estava no lugar. Eu estava de volta em casa, os amigos que eu tinha feito ao redor da Europa agora sabiam quem eu realmente era e também compareceram, mesmo o traíra do Juan, e a celebração foi tudo aquilo que eu podia esperar e mais. Lisa, por conflitos de agenda, não pode ir, mas nós dois estávamos nos correspondendo semanalmente e ela me contava todas as aventuras dela, enquanto eu ficava feliz em saber de cada uma delas.

No verão também conheci a pequena Sara Weasley-Zabini, a filhinha de Fred, que, apesar de ter os olhos da mãe, carregava toda a alegria e simpatia do pai e era absolutamente adorável. Além disso, eu tinha começado minhas movimentações para sair da casa dos meus pais, escolhendo uma humilde casa em Godric's Hollow mesmo, apenas três quarteirões de distância deles — após tanto tempo longe eu percebi que não queria ir pra tãao longe de casa tão rápido assim— e estudar as burocracias necessárias para realizar o lançamento da minha poção. Descobri que aquilo era muito mais complicado do que só comercializar alguns frascos na loja de meu tio.

Hogwarts não possuía vagas para professores de poção no momento, o que eu entendia e esperava, então também ao longo dos meses que viriam eu me dediquei em pesquisar escolas menores pela grã-bretanha, oferecendo aulas particulares para jovens bruxos que estudavam em casa e melhorando meu currículo da melhor forma que conseguia para entregar o melhor de mim quando a hora certa chegasse.

Quanto à mulheres, apesar de Lisa e eu não estarmos oficialmente juntos de nenhuma forma, eu não me importava e minha busca tinha sido, enfim, concluída. Mesmo que ela estivesse viajando pelo mundo eu tinha uma certeza em meu coração que era apenas questão de tempo até estarmos juntos. Ela era o amor da minha vida e eu sabia que ela logo perceberia que eu também era o dela.

E era até engraçado pensar nisso, juro que não falo isso por prepotência, mas tinha certeza que as coisas eram daquele jeito e ela, em breve, seria completamente minha. Não era necessário sofrer, não precisava me desesperar, tudo estava acontecendo exatamente da forma como deveria e essa certeza cresceu ainda mais em mim quando, em uma tarde em que eu passara pelo Caldeirão Furado antes de abrir minha própria conta no Gringotes, Luna me olhou com o sorriso mais aberto e sapeca que eu já a tinha visto dar e disse:

— Adorei seu corte, James, ficou muito bem em você.

O elogio simples imediatamente me lembrou do casamento de Victoire e Teddy, meses atrás, em que a loirinha tinha dito aquelas exatas palavras e, então, eu soube. E Luna, aparentemente, sabia há ainda mais tempo. Ela desculpou-se, afirmando que não podia interferir, nem me assegurar que Elisabeth iria terminar com Stephen, pois, caso ela dissesse algo, o futuro poderia mudar, mas ela sabia desde aquela visita em minha casa, a que ela tinha dito que me via muito feliz, que sabia exatamente com quem eu precisava ficar e que isso iria acontecer.

Então eu estava em paz. Curtindo minha família, amigos e o futuro cheio de possibilidades à minha frente. Enfrentando as responsabilidades de adulto e organizando tudo o necessário para colocar meus cinco anos de trabalho no mercado, tal como a água encantada cuja produção era restritamente minha — e ninguém além de Aimée precisava saber como ela era enfeitiçada.

Assim, os meses passaram voando e dezembro chegou com uma pressa assustadora. E, junto ao último mês do ano, chegou também Elisabeth, com a comemoração de seu aniversário de 25 anos. Lisa era alguns meses mais velha que eu e em algum momento eu tinha começado a achar aquilo um tanto quanto sexy.

Eu estava nervoso e ansioso para vê-la novamente. Meu coração se acelerava enquanto eu me arrumava na casa dos meus pais, já que eles também iriam para a festa dela. Olhava-me no espelho toda hora, verificando se tinha alguma coisa fora do lugar, além do meu cabelo indomável — obrigado, Harry Potter —, obviamente não encontrando nada errado porque eu era James Sirius Potter e nada ficava feio em mim. Nem mesmo quando eu estava “feio”. Mas eu veria Leãozinho dali a algumas horas e queria que eu estivesse perfeito.

Eu sabia por onde ela passava mesmo sem precisar de carta, mesmo que a gente sempre se correspondesse. Estando seguro de mim como naquele momento, eu jamais precisei ir até ela para verificar. Depois que percebi que ela era a certa para mim, eu passei a sentir a mesma coisa que Lisa sentiu durante meus anos off. E, poxa, eu não sabia que no mundo bruxo se tinha uma conexão tão forte assim, mas apenas parecia certo, como se nossa ligação fosse tão forte que as coisas eram apenas assim, conseguíamos sentir um ao outro mesmo a continentes de distância, e eu achava aquilo lindo.

Olhei-me outra vez no espelho, ajeitando a calça jeans, ponderando se precisava de algum cinto. Meus músculos ainda estavam bem definidos, eu ainda era puro suco de gostosura. Nunca estive tão animado quando eu estava naquele momento. A saudade que eu tinha dela era... inexplicável. Tudo o que eu queria era encontrá-la, tocá-la e sentir aquele perfume de framboesa e pêssego. Aroma este que nunca saía dos meus sentidos.

— Você não vai conseguir ficar mais feio que isso, James — disse Lily, brotando do nada. Virei para encará-la, cruzando os braços.

— Saiba que eu sou incrivelmente lindo, gostoso para dedéu — respondi. Agora imagina: um homem adulto discutindo com a irmã caçula, que também era adulta, mas eu fingia que não.

— E ela acha isso? — minha irmã encostou no batente da porta e me deu um sorriso que estranhamente se parecia com o meu.

— Não sei de quem você está falando — desconversei, virando outra vez para o espelho. Ela riu alto e eu a olhei pelo espelho.

— Tá querendo enganar quem com essa história, James? Todo mundo sabe que Lisa volta hoje, a gente foi convidado para a festa também — disse Lily e eu apenas a encarei pelo reflexo. Minha irmã mais nova sorria em minha direção. — Gosto deste James. Anda logo, você já está arrumado.

Lily apenas disse e se virou, saindo do meu quarto. Olhei no espelho de novo, ajeitando-me uma última vez. Saí do quarto, quase saltitando pelas escadas, encontrando Albus e Luna já nos esperando junto com nossos pais. Luna sorriu para mim, um sorriso genuíno nos lábios, que me deixou ainda mais contente.

— Mãe, a Lily disse que eu estou feio — comentei e Ginny desviou o olhar do meu pai para mim. E a sua expressão era diferente quando me encarou dessa vez.

— Duvido que ela te ache feio, James — disse a minha mãe e eu sorri. Não adiantava disfarçar o que já estava na cara.

Antes de usarmos a chave de portal para chegarmos à festa de aniversário que os pais de Lisa haviam planejado, eu havia passado na floricultura e comprado umas tulipas vermelhas, minhas mãos suavam por causa da ansiedade, da antecipação, de vê-la outra vez, mas eu segurava o buquê com força. Quando chegamos, os pais dela nos receberam com simpatia e hospitalidade, e eu mal prestei atenção, esperando que ela aparecesse logo.

Nunca tinha me sentido assim. Era algo tão profundo, tão verdadeiro. Elisabeth mudou a minha vida em apenas algumas semanas. Por alguns momentos, eu me arrependi de não ter dado uma chance para ela quando era mais novo, por não ter percebido que eu e ela, apesar das farpas trocadas e dos foras, tínhamos alguma química.

E eu, lá no fundo, sempre prestei atenção nela, de alguma forma. Como quando eu tive aquela obsessão maluca por Ruby e eu achei os olhos de Lisa bonitos; Quando eu, por livre e espontânea curiosidade, invadi os arquivos de Hogwarts para saber o nome completo dela, para saber mais sobre ela, e simplesmente adorei o fato de que Lisa tinha um nome do meio. Nunca contei para ninguém — e eu poderia ter caçoado disso inúmeras vezes — porque eu sabia que aquilo era, de alguma forma, algo que eu queria manter só para mim. Ainda que eu não entendesse muito bem o porquê. Quando eu a defendi com unhas e dentes — literalmente — porque não aceitava que falassem mal dela.

Os indícios estavam todos lá. Durante toda a minha vida ela esteve presente e prendia minha atenção, fosse direta ou indiretamente. E eu tinha certeza que, quando eu a visse agora, com meus pensamentos, meu psicológico, minha visão de vida, todos nos lugares certos, eu estaria preparado para amá-la como ela sempre mereceu. Eu fui cego, sim, mas Lisa não merecia um maluco como eu era naquela época. Ela merecia esse James aqui: formado, com uma profissão, com uma poção que logo estaria nos mercado e livros bruxos e completamente livre de qualquer complicação amorosa que o James de antes teria.

A festa já estava no auge e eu ainda não havia visto Leãozinho em lugar algum. Vi Teresa e Dimitri chegarem e eu sorri para os dois, que realmente eram perfeitos um para o outro, mas não consegui ir até eles. Então, enquanto eu observava, com uma careta, Fred e Dominique dançarem juntos, escutei uma comoção vinda de um certo ponto da festa. Franzi a testa, meu coração retumbando em meu peito. Era ela. Como sempre, eu podia senti-la, principalmente quando estava perto.

Tentei abrir caminho por entre os convidados que iam dos meus pais até Maya e Kenton. Entretanto, eram tantas pessoas que eu não consegui chegar perto o suficiente. Mas eu pude vê-la, o que fez meu mundo parar e começar a se movimentar em câmera lenta. Elisabeth estava de tirar o fôlego. Usava um vestido curto prata, que evidenciava suas belas pernas, saltos na mesma cor, mas o que tinha me prendido a atenção eram os cabelos... os cabelos estavam cacheados. Antes de sua partida para o Brasil, Lisa os tinha cortado e alisado, como fizera ao voltar do intercâmbio, mas agora os cachos tinham voltado. E eu amava os cabelos dela cacheados, como sempre foram, o que a fazia ser a minha Leãozinho. Eu queria tocá-la, queria abraçá-la e beijá-la de verdade. Engoli em seco, colocando as flores atrás de mim, mas não consegui chegar perto de Lisa.

Fileiras e fileiras de pessoas pareciam continuar surgindo à minha frente, tornando a distância entre mim e ela ainda maior. Elisabeth distribuía sorrisos e abraços, respondendo a perguntas e contando sobre suas aventuras pelas Américas; Eu não conseguia a ouvir, mas sabia que esse era o principal tópico de conversa. Eu, com cuidado para não amassar as flores, tentava costurar pelas pessoas, chegar até ela, mas quanto mais eu andava mais longe Lisa parecia estar.

A festa estava cheia, a família de Lisa era grande por si só, mas todos seus amigos também levavam familiares, como meus pais, ou o irmão mais novo de Kenton, Victoire e Teddy e enfim, apenas tinha gente demais por ali. E aquilo estava começando a me frustrar. Eu estava com saudades de Lisa, tinha tanta coisa que eu queria dizer, fazer, com ela, mas com todo aquele povo ali isso ficaria mais difícil, e minhas tentativas frustradas de alcançá-la apenas evidenciaram aquilo. Eu queria gritar e, por isso, precisei respirar fundo e me acalmar, cessando minha corrida e decidindo ter paciência.

Aquela qualidade não era a principal na minha longa lista de virtudes, mas, bem, se eu pretendia casar com Lisa — e eu realmente pretendia fazer isso, não importava que nós só tivéssemos dado um beijo intenso em uma época em que ele pode ter sido considerado “errado” e que eu sequer a namorava ainda — eu realmente precisava parar de empurrar os tios-avós dela. Então me contive, indo em direção ao bar que tinha sido alocado no salão e pedindo por um suco de pêssego. Não era necessário desespero, eu iria vê-la em breve sem precisar agredir senhores da terceira idade para aquilo.

— Sabia que é educado cumprimentar os aniversariantes antes de aproveitar a festa, Potter? — A voz pareceu me preencher por completo.

Eu ainda aguardava minha bebida, mas um largo sorriso tomou conta do meu rosto quando eu percebi que nem precisei esperar tanto assim. Acenando brevemente para o bartender, virei-me lentamente em direção a Lisa, que encontrava-se, agora, à minha frente, os braços cruzados abaixo dos peitos, um sorriso presunçoso nos lábios e a sobrancelha levemente arqueada.

Veja bem, ao ouví-la eu tinha pretendido dar uma resposta igualmente espertinha, contar que era educado que o aniversariante estivesse na festa antes dos convidados ou qualquer coisa assim, mas ao vê-la ali, tão perto, qualquer argumento ou brincadeira se perdeu em minha mente porque, cara, ela era ainda mais linda de perto assim. E meu coração disparou, minhas mãos suaram e o ar fugiu dos meus pulmões. Parece uma reação adversa de alguma doença, mas garanto a vocês: é só amor.

Eu poderia elogiá-la, falar o óbvio, que ela era linda, que era gostosa, poderia ter reforçado a mensagem presente em toda carta que eu enviava a ela, que estava com saudades, que estava feliz por estar a vendo de novo. Poderia ser cortês, parabenizá-la pelo aniversário, perguntar, assim como o restante, sobre a viagem — mesmo que eu já soubesse a resposta. Poderia reagir de muitas formas, mas a visão de Elisabeth e a vontade quase incapacitante de beijá-la não me deixava pensar muito. Então, me organizei apenas o suficiente para fazer o mínimo.

Sentindo o buquê em minhas mãos, ergui as flores para Elisabeth, que não demorou muito para abaixar o olhar e perder toda a pose que portava antes, aceitando-o de bom grado e aspirando as flores vermelhas.

— Tulipas.. como você… por que tulipas?

— Eu… bem, você comentou uma vez no segundo ano que eram suas flores preferidas por causa de um livro que você tinha lido. Faz tanto tempo, sinto muito, eu devia ter checado com você antes, você nem deve gostar mais d…

Colocando o buquê sobre a bancada do bar, Elisabeth apenas segurou meu rosto com ambas as mãos e me puxou para perto, fazendo aquilo que, por educação e respeito a ela, eu vinha contendo.

Minhas mãos se fecharam em torno de sua cintura, enquanto meus lábios finalmente estavam nos dela. E, Merlin, parecia — não, era — certo. Era como se, agora, com nossos corações livres, o beijo fosse o certo. Eu não conseguia descrever a sensação de pertencimento e amor que inundava o meu peito naquele momento. Eu a apertei contra mim, sua língua acariciando a minha, suas mãos em minha nuca, a arranhando, o que me fez arrepiar até o último cabelo do meu corpo. Meu Deus, ela era a certa.

Os “Vivas!” atrás de nós fizeram com que nos separássemos. Nos viramos para ver quem estava fazendo aquela algazarra e vimos Fred, Mini, Dimitri e Teresa comemorando. Eu ri e apertei mais Elisabeth em meus braços, de onde eu jamais a deixaria sair. Nunca mais.

Eu a olhei e ela tinha o rosto vermelho, mas o sorriso era de quem finalmente estava em casa.



Eu tinha um plano. Mas Elisabeth não estava colaborando.

Depois de dar mais algumas voltas para cumprimentar mais familiares, além daqueles que ela já tinha dado atenção, ela me puxou para um quarto, que parecia ser o dela, após me ver voltar do banheiro e, literalmente, me prensou contra a parede.

Portanto, agora as minhas mãos invadiam seu vestido, apertando sua bunda e notando a calcinha minúscula que usava — o que apenas me atiçou ainda mais, como se todo aquele tempo longe dela e o ano na França já não tivessem servindo de combustível o suficiente —, meus lábios beijavam seu pescoço, enquanto suas mãos estavam em meus cabelos e seus gemidos eram ouvidos. Quando Lisa resolveu se encostar em minha pelvis eu grunhi e a afastei, procurando o ar que eu havia perdido. Ela me olhava com aquele olhar felino dela, que queimava a minha alma e fazia meu pau desejar estar ainda mais dentro dela. Rangi os dentes e me virei, respirando fundo.

Passei as mãos no rosto e senti as mãos dela acariciando meu peito desnudo, já que ela só faltou arrebentar todos os botões da minha blusa quando me puxou para o quarto.

— O que foi, James? — perguntou ela em meu ouvido, a voz arrastada e sexy ecoando pelo meu corpo e sua mão boba desceu até meu membro duro. — Problemas com ereção não é — a voz dela era divertida, mas a sua mão era pervertida, porque ela movimentava para cima e para baixo, me fazendo não respirar direito. Mas então eu percebi o que ela quis dizer.

Me virei de repente, parando abruptamente sua carícia, indignado.

— Ei! Não sei o que Fred ou Dimitri disseram, mas aquilo aconteceu porque não era você!

A risada dela ecoou pelo quarto e eu simplesmente esqueci o que tentava fazer, porque eu daria tudo para ouvi-la rir sempre. Lembrei do dia do seu quase casamento e como a sua expressão era sofrida, a dor que ela parecia estar sentindo... a raiva por Stephen não ter feito o mínimo para fazê-la feliz durante o tempo em que ele teve a honra de tê-la para si quase voltou com tudo. Mas então eu a vi ali e, Deus, ela era minha.

— Bom, então o que foi? — ela ergueu uma das sobrancelhas, se encostando na parede, colocando as mãos para trás.

— Eu quero fazer as coisas certas com você, Leãozinho — respondi, passando as mãos em meus cabelos, atitude essa que Lisa captou com atenção. Merlin, se ela continuasse assim meus planos iriam por água abaixo. — Quero fazer tudo, mas sem pressa, como eu disse, eu quero apreciá-la, quero namorá-la.

Lisa ficou em silêncio, procurando meu olhar e o seu sorriso se espalhou por todo o belo rosto. Um sorriso que era capaz de iluminar meu mundo inteiro, um sorriso que era genuíno, sem repressões. O sorriso era para mim. Ela se desencostou da parede e veio até mim, segurando as minhas mãos, meu coração batia forte contras as minhas costelas e, por incrível que pareça, meu pau ainda estava duro.

— James, eu tive que esperar até que meu córtex pré-frontal finalmente estivesse completo para que eu decidisse que meu futuro é você. Não precisa se preocupar, eu sou sua — disse ela, sorrindo, fazendo que eu tivesse um pequeno ataque cardíaco. Minha.

Engoli em seco, mas sorri.

— Então me deixe fazer o certo. Você merece, Lisa. Merece tudo o que Stephen não lhe deu. Quero lhe dar tudo de mim — respondi, meus dedos se soltando de sua mão e acariciando o seu rosto. — Por Deus, Elisabeth Stella Carter, eu sou completamente apaixonado por você. Preciso fazer do modo certo.

Nos raros momentos em que vi Lisa demonstrar fragilidade, aquele foi um tanto especial. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas eu pude perceber que eram de felicidade. Como se ela quisesse ouvir aquelas palavras e não sabia.

— Certo, Potter. — Cedeu enfim, contendo-se. — Mas seja rápido.

(...)

Eu fui. Mas, apesar da pressa, ainda não adiantei nada e tomei meu tempo para garantir que aquilo daria certo. Então Lisa e eu voltamos para a festa — eu após alguns minutos, tendo precisado de um tempinho para imaginar minha tia-bisavó Muriel como Angel da Victoria’s Secret — e celebramos o aniversário dela junto aos demais convidados. Ao fim da festa eu voltei para minha casa, sozinho e, no dia seguinte, convidei Lisa para um encontro.

Nos conhecíamos desde nossos onze anos de idade, mas durante aquele jantar descobrimos diversas coisinhas que ainda não sabíamos um sobre o outro, como o fato de que Lisa mantinha sua manta de bebê sob a fronha do travesseiro e não conseguia dormir sem ela — algo que, ao contrário do James adolescente, que teria tirado sarro dela por isso, eu achara completamente adorável —, ou que eu tinha um leve grau de miopia e apenas me recusava a usar óculos na maior parte do tempo para não estragar meu aesthetic. Lisa tinha comentado que achava sexy e, desde então, eu não tirava mais os óculos da cara.

Foi só no terceiro encontro, três dias após o aniversário de Lisa, que eu e ela nos rendemos aos desejos da carne e Lisa, finalmente, voltou comigo para minha casa. E por saber que essa história se tornaria um pornô infinito se eu seguisse por essa linha eu vou apenas resumir para vocês e dizer que matamos bem a nossa vontade, não que essa fosse passar tão cedo.

O dia já estava amanhecendo lá fora e meus dedos acariciavam as costas nuas de Elisabeth, que estava deitada em meu peito olhando para a claridade substituir a escuridão através das janelas do meu quarto. Após um momento de silêncio, Lisa riu e eu abaixei o olhar para ela.

— O quê?

— É bobeira… — ela balançou a cabeça. — Mas é que… foi exatamente como nos meus sonhos.

— Hmm… então você teve muitos sonhos transando comigo, é? — Não que eu pudesse julgar, Lisa voltou a rir e assentiu.

— Vários, pra ser honesta. Mesmo quando eu estava com… você sabe. — Ela sentou-se na cama e confesso que precisei me esforçar para concentrar no que ela estava falando, tendo me perdido por um segundo nas delicadas e tão convidativas curvas de Lisa. — Olhos aqui em cima — Ela mantinha um sorriso malicioso nos lábios, o que me fez ter a certeza de não continuaríamos conversando por muito mais tempo, mas obedeci. — Eles sempre pareceram muito reais, quero dizer, tenho vários sonhos e tive vários sonhos com você desde que te vi no casamento de Vic e Teddy, mas esses eram diferentes e muito realistas, não sei explicar. Um dos primeiros que tive você estava na França, se não me engano foi um pouco antes do Natal e… Merlin, acho que foi a primeira vez que meu inconsciente aceitou que te amava.

Eu a olhava completamente fascinado, mas, naquele momento, a gloriosa nudez de Elisabeth não tinha nada a ver com o interesse que eu tinha por ela. Endireitei meu tronco, diminuindo um pouco a distância entre nós apenas porque aqueles centímetros me pareciam exagerados.

— Em frente ao lago negro? E você estava tão linda e entregue a mim que foi mais forte que você proclamar que me amava enquanto eu te levava ao ápice? — Capturei um cacho de Lisa em minhas mãos, ela agora me olhava em choque.

— Como você sab… — Ela riu novamente, desacreditada. — Como isso é possível? — Eu me inclinei, beijando o canto dos lábios de Lisa.

— Como é possível que você tenha me encontrado em cada país pelo qual eu passei quando desde a Austrália eu tinha erguido feitiços que impediram qualquer conhecido meu de me encontrar?

Lisa ergueu os olhos para os meus. Ela tinha lindos olhos castanhos, de um marrom escuro belíssimo, e tão intensos que era quase como se ela pudesse enxergar cada fragmento da minha alma. E, talvez, ela pudesse.

— Eu amo você, James Sirius.

Lisa passou uma das pernas sobre meu colo e, bem, vocês sabem, não é necessário os detalhes sórdidos, mas, naquele dia, nenhum de nós fomos trabalhar.

Após as festividades nós oficializamos nosso namoro. Honestamente pra mim nós já estávamos namorando desde o primeiro encontro, mas foi só na segunda semana de janeiro que Elisabeth surgiu com um papo de que deveríamos tornar oficial e, bem, eu só concordei. Era engraçado pensar em como as coisas eram, porém. Um ano atrás, naquela mesma época, eu a tinha visto pela vitrine de uma loja de vestidos de noiva e corri desolado para o colo de uma amiga acreditando que jamais a teria. Hoje eu a tinha nos meus braços, minha namorada. E meus planos não acabavam por ali.

Era começo de fevereiro e Lisa tinha começado seu trabalho no ministério logo quando voltara de suas viagens e o cargo, mesmo inicial, a estava mantendo ocupada. Eu, por outro lado, naquela tarde não tinha aulas na pequena escola em que estava lecionando em Puddlemere e, também, não tinha nenhum aluno marcado para aulas particulares que eu dava em Godric's Hollow e região. Quanto a minha poção, ainda estava aguardando a aprovação de alguns documentos que tinha enviado ao ministério no mês anterior para dar sequência à obtenção do selo de aprovação e comercialização dela. Por tanto, eu estava livre e, para meu deleite — e não porque tínhamos marcado antes — o senhor Fernando Carter também.

A casa da cidade dos pais de Lisa era uma cobertura de luxo em um dos bairros comumente escolhido pelos artistas trouxas viverem. Aqueles bem famosos de TV ou música, como era o caso do pai dela. Após me apresentar para o porteiro e este confirmar com os moradores do apartamento minha visita, recebi uma senha de acesso que me levaria diretamente para o apartamento deles e, ao invés de escolher um dos andares, apenas digitei a senha e aguardei até as portas se abrirem diretamente para a sala de estar dos Carters. Às vezes eu esquecia que Elisabeth era rica, rica.

— James! — Fernando surgiu com braços abertos, convidando-me a entrar. — E onde está minha garotinha? — Perguntou, espiando dentro do elevador e eu senti minhas mãos começarem a suar.

Veja bem, eu estava ali com um propósito, Lisa não tinha ideia que eu estava visitando os pais dela naquela tarde e qualquer coisinha que desse errado poderia acabar com a minha vida para todo o sempre. E eu estou falando bem sério.

— Han… ela começou no ministério há pouco tempo e não queria faltar e, hm, eu pretendia falar só com você e sua esposa, se fosse possível.

Fernando me observou por um instante — e eu contive muito minha vontade de tentar arrumar meu suéter, cabelo ou óculos. O homem era bonito, bonitão mesmo, naquele estilo old money Hollywood, com os cabelos bem penteados para trás e os fios grisalhos que pareciam realçar ainda mais a beleza dele, e aquilo explicava muito bem porque os seguranças lá embaixo se esforçavam para conter umas senhoras de meia-idade (e umas jovens também) de entrar no prédio. Quero dizer, ele não era tão bonito quanto eu, mas Fernando tinha seu charme. E os olhos altivos de Elisabeth. Os cabelos cacheados e rosto redondo ela tinha puxado da mãe, mas os olhos penetrantes e o nariz delicado eram herança de seu pai.

Mas, ao contrário do que o olhar de Elisabeth provocava em mim, o de Fernando apenas me deixava nervoso.

— Entendo. — Ele disse após o que pareceu ser uma eternidade e eu soltei o ar que nem sabia que segurava. — Sinto muito James, mas Jessie não pode ficar. Ela queria muito, mas entrou uma nova aluna na escola de ballet dela e ela gosta de acompanhá-las de perto, espero que só eu possa atender seus desejos.

— Claro, quero dizer, se tudo bem por você pra mim está ótimo, posso falar com a sra. Carter depois e… — Mordi minha própria boca, impedindo-me de continuar tagarelando. Fernando sorriu mais.

— Venha, vamos pro meu escritório, estava aproveitando enquanto você não chegava para estudar um roteiro e queria saber sua opinião.

Ele então tomou a dianteira, o lugar era gigante e muito bem decorado, eu conseguia ver de onde Lisa tinha tirado a escolha dela pelas janelas e cortinas enquanto o seguia para além das salas de estar e jantar e ao longo de um corredor que esbanjava diversas fotografias em família e de Lisa em diferentes idades, eu voltaria ali mais tarde para avaliar aqueles quadros com mais cuidado.

O escritório de Fernando era, assim como o restante do apartamento, extremamente elegante. E ligeiramente parecido com o do meu pai, apesar de ficar evidente que o pai de Lisa gostava de ostentar um pouco mais com seus móveis e objetos do que o humilde Harry Potter que fingia ser classe média. A cor predominante era o marrom dos móveis de madeira, estantes preenchiam a parede atrás da escrivaninha e os amontoados de livros — alguns eu percebi serem autobiografias — eram interrompidos no centro, dando lugar a um porta-retrato gigantesco da família. A foto não parecia muito antiga, com Lisa aparentando ser um pouco mais velha do que quando eu tinha ido embora, mas mais nova do que quando voltei. Lisa e a mãe estavam sentadas em cadeiras desniveladas e Fernando se posicionava atrás de ambas, com as mãos em seus ombros. Era uma bela fotografia, e eu fiz questão de comentar sobre.

— Gosto de mantê-las pertinho de mim, especialmente por termos vidas tão agitadas e nem sempre conseguirmos nos reunir, levo algumas dessas pra todo canto que vou, mas aqui em casa gosto de sempre ter uma recente e bem grande para admirar. — Eu sorri, concordando. Quando tivesse minha família acho que faria o mesmo, para além dos porta-retratos espalhados pela mesa, algo que Fernando também tinha. — Mas então senhor Potter, a que lhe devo o prazer da visita?

Fernando tomou seu lugar em uma larga cadeira de escritório atrás da escrivaninha, indicando pra mim um dos assentos à frente da mesa, que eu aceitei, precisando agora mais do que nunca conter a tremedeira que começava a me dominar. Enquanto me sentava aproveitei para ajeitar os óculos no meu rosto, ao contrário do meu pai os meus eram mais quadrados, com as pontas apenas ligeiramente curvadas, o movimento feito com o único objetivo de eu distribuir energia enquanto organizava meus pensamentos.

— Senhor Carter…

— Pode me chamar de Fernando. — Ele estava sentado confortavelmente, tinha um sorriso amigável no rosto e sua postura não era nada ameaçadora, ainda assim, eu começava a sentir o suor se acumulando em minhas têmporas.

— Fernando — parecia errado chamá-lo assim naquele momento — Ok… — Mas quem era eu para discutir? — Certo, senhor… hm… bem, eu conheço Elisabeth há quase toda minha vida, senhor, e tenho um carinho muito grande por sua filha. Acredito que o senhor…

— Fernando.

— Certo, você… bem, acredito que você possa saber sobre nossas histórias. Certo, quando nos conhecemos Lisa e eu não nos dávamos muito bem, mas o senhor sabe como é, crianças. E, ah, nos tornamos amigos com o tempo, sabe? Claro que tínhamos nossas implicâncias, mas o que eu estou tentando dizer para o senhor…

— Fernando.

— Ok! O que eu estou querendo dizer é que eu amo sua filha, senhor Carter e eu sei que eu posso não ser o que o senhor sempre sonhou para ela, mas eu a amo com cada fibra do meu ser e eu posso prometer ao senhor…

— Fernando. — Aqui eu apenas assenti com a cabeça.

— Que eu irei tratá-la como uma rainha. Eu sei que o senhor conhece o suficiente do mundo bruxo e, bem, eu sou um professor e, apesar do salário não ser muito significativo, eu também sou pocionista e uma poção que eu criei está prestes a entrar no mercado e fará muito dinheiro e, bem, eu sou meio que herdeiro também, apesar dos meus irmãos, eu garanto que dinheiro jamais vai ser um problema e que jamais deixarei faltar nada para ela e vou sempre amá-la e respeitá-la e garantir que ela mantenha o padrão de vida que o senhor…

— Fernando.

— Deu a ela.

Veja bem, eu estava nervoso. E eu tinha um discurso decorado, discurso esse que envolvia um uso exagerado da palavra “senhor”. Eu tinha compreendido que ele preferia a informalidade naquela conversa, mas se eu dissesse algo que fugisse, mínimo que fosse, da fala que eu tinha treinado tudo iria ruínas abaixo. Mas, ah, droga, minha insistência em chamá-lo de senhor poderia ter acabado com tudo do mesmo jeito, não? Agora era tarde demais para voltar atrás e eu tinha absoluta certeza que tia Mione jamais me emprestaria o vira-tempo para consertar aquele momento. Era o fim, mas, mesmo ciente da minha iminente derrota, eu precisava ir até o final.

— Dito tudo isso, o motivo da minha visita hoje é porque eu gostaria de lhe pedir a mão da sua filha em casamento.

Eu tinha certeza que meu suéter na região das axilas estava molhado. Merlin! Eu provavelmente estava pingando suor de todos os cantos, mas era isso, não tinha mais nada que eu pudesse fazer para consertar. Era agora ou nunca, o começo da minha vida ou o último dia dela.

Um suave toque na porta me lembrou de voltar a respirar novamente e uma mulher que aparentava ser um pouco mais velha que Fernando adentrou o escritório, deixando uma bandeja com um bule de chá, xícaras, biscoitos e copos d’água. Fernando sorriu para ela em agradecimento e eu me apressei em pegar um copo de água, sentindo um calor que não fazia no inverno Londrino.

Fernando, então, voltou o olhar para mim por um minuto e depois abriu uma gaveta. Eu congelei com o copo ainda na minha boca.

Era uma arma. Ele iria pegar uma arma e atirar na minha cabeça bem ali no escritório. Ah, meu Deus. A água estava possivelmente envenenada, e eu já tinha bebido a metade dela! Certo, eu planejava que minha vida perderia o sentido após ser negado a mão de Elisabeth, mas eu não queria morrer! E era claro que ele iria me matar por apenas ter a audácia de ir à casa dele e pedir a mão da filha dele sendo um zé ruela que ele nem tinha visto tantas vezes assim na vida. O fato de eu ser filho de Harry Potter não significava nada pra ele, ele era trouxa, não tinha ideia de como os sacrifícios de meu pai tinham salvado a vida dele também. Ele puxou uma caixa da gaveta. Era uma caixa bonita, de madeira polida, detalhes revestidos em ouro, o lugar perfeito para guardar uma arma. Ainda com o copo em minha boca, eu apenas fechei os olhos e esperei o tiro me atingir.

— Você fuma, James?

Quê? Abrindo um só olho eu o observei levantar a tampa e revelar uma fileira de charutos elegantes envolvidos por um veludo escuro. Finalmente reagi para baixar o copo d’água e abrir outro olho, mas tinha me esquecido de respondê-lo e quando Fernando ergueu ambas as sobrancelhas pra mim eu concluí que não existia resposta certa.

Eu poderia falar que sim e, então, ele poderia achar que eu era um homem de muitos vícios e decidiria que eu realmente não merecia a filhinha dele; ou então eu poderia falar que não e ele se sentiria ofendido com minha prepotência e decidiria que eu realmente não merecia a filhinha dele. Eu tinha aprendido a fumar com Kristina, anos atrás, mas foram raras as ocasiões após aquilo em que eu realmente tinha aproveitado um cigarro.

— Eu… — Fernando riu.

— Esses são Gurkha Reserva de Sua Majestade, pouquíssimas caixas produzidas ao ano e o preço é um pouco elevado por sua exclusividade. Vale cada centavo. — Ele então me estendeu a caixa, oferecendo-me um, e eu aceitei. Naquele momento julguei ser a melhor escolha. Após, Fernando pegou um para ele próprio. — Então… — Voltou a me observar, eu tossi.

— Eu… — Cocei a garganta. — Um charuto assim nunca fumei antes. — A sinceridade era a melhor resposta. Já tinha fumado antes, sim, mas nunca charutos.

Fernando assentiu e então puxou um apetrecho da caixa. Tirando o que parecia ser um lacre de uma das pontas do charuto ele levou o apetrecho para perto do cigarro e cortou uma ponta, quando ele virou-se para mim eu imitei seus movimentos e então ofereci meu fumo a ele para que Fernando realizasse o corte.

— Ao contrário de cigarros comuns você não aspira a fumaça de charutos. — Ele pontuou, devolvendo-me o charuto e então sacando de um bolso um isqueiro. — É mais sobre o sabor do que o ato de fumar, você acende e deixa a fumaça na sua boca, mas jamais a traga. Puxa um pouco a fumaça para sua boca e jogue-a no céu da boca. Deguste do sabor por um momento e então sopre-a. — Ele esticou a mão e uma chama alta saiu de seu isqueiro, eu inclinei o charuto na direção do fogo, observando-o começar a queimar. Fernando então acendeu o próprio e levantou-se, caminhando até um aparador próximo a janela e selecionando um decanter com líquido âmbar dentro, o qual ele serviu em dois copos. — Gelo?

— Hm?

— No conhaque — Perguntou, virando-se para me olhar. Apenas neguei com a cabeça e ele retornou à escrivaninha com os dois copos em mãos, oferecendo-me um deles. Eu aceitei, deixando a água de lado e então levei o charuto aos lábios, seguindo as instruções de Fernando e sorvendo o gosto amadeirado e forte do fumo. Contendo minha tosse, deixei a fumaça se espalhar pelo ambiente e então bebi um gole da bebida igualmente forte. Fernando pousou o copo na madeira, tendo feito o mesmo que eu antes de voltar a falar. — Ele nunca me pediu a mão dela. — Disse então, eu me inclinei um pouco para frente.

— Perdão?

— Stephen. Eles contaram a mim e Jessie sobre o noivado meses depois, em um jantar no apartamento deles. Mas Elisabeth é conhecida no mundo trouxa graças a mim e a mãe dela, claro que ela não faz uso disso e por causa do lance da magia sempre tenta manter um perfil mais discreto, mas vez ou outra um paparazzi a reconhece pelas ruas e, bem, ela estava em um shopping e um deles a viu. O anel tinha sido colocado com zoom na capa da revista e foi assim que eu descobri que minha única filha estava noiva. Eles me convidaram para o jantar um mês depois disso. — Eu não tinha muito a dizer sobre o assunto, então apenas aproveitei a brecha para tomar mais um gole de conhaque. — O que eu estou tentando dizer é que eu aprecio o gesto, James. — Uma vez mais o ar fugiu dos meus pulmões, e a fumaça que já começava a preencher o ambiente não tinha nenhuma relação com isso. — Eu sempre respeitei muito a individualidade de Elisabeth, a criei pra ser uma mulher forte e independente e me orgulho que ela seja assim. Eu não cobrei explicações dela, nem de Stephen. Afinal, era a vida deles, mas eu aprecio o gesto.

Uma vez mais eu cocei a garganta.

— Eu… Não me parecia certo realizar o pedido antes de falar com o senhor. Eu amo Elisabeth e, mesmo que tenhamos oficializado a relação há pouco tempo, sua filha já sabe quais são meus objetivos para com ela. Ter sua aprovação, sua benção… Eu disse à Lisa no aniversário dela que queria fazer tudo certo, cada passo, e se o senhor não achar que eu sou digno…

Fernando calou-me erguendo uma mão.

— Estou dizendo o completo oposto rapaz. Você tem uma honra e educação que não é mais tão comum dentre os da sua geração, gosto da forma como seus pais o criaram. Se for do desejo de Elisabeth casar-se com você, então saiba que tem minha benção. — O nervosismo seguia ali, mas o sorriso e a alegria tomou conta de mim com uma rapidez incrível. — E James?

— Sim, senhor? — Ainda não tinha conseguido processar tudo para responder algo além disso.

— Se você realmente pretende casar-se com minha filha, você vai ter que aprender a me chamar pelo nome.

O conhaque e o charuto seriam os responsáveis para me fazer relaxar dali em diante. Algumas horas mais tarde, trocas de histórias, um conto detalhado sobre como eu pretendia fazer o pedido, análise dupla do roteiro que Fernando estudava antes de eu chegar por ali e a aparição de Jessie, que também me concedera com alegria a mão de Lisa, eu voltei para casa já tarde da noite, levemente embriagado e com muitos planos para botar em prática.

(...)

Era noite de dia dos namorados e Lisa estava começando a ficar frustrada. Naquela manhã eu a tinha acordado com café na cama e quando questionado do porquê eu apenas disse que tinha acordado com vontade de fazer um agrado a ela. Nenhuma decoração, nenhum presente, nenhum papel vermelho recortado no formato de coração, nada de flores, pelúcias ou absolutamente nenhum outro objeto que indicassem que eu sequer estava me lembrando da existência daquele dia, daquela comemoração em especial, que seria nosso primeiro — de muitos — dia dos namorados juntos. E apesar dos olhares indagadores dela, ela, por nenhum momento, resgatou a caixa azul-marinho que ela tinha levado em sua bolsa na noite anterior, quando encontrou-se comigo para dormir em minha casa, tão pouco mencionara a data que ela tinha reclamado sobre a semana inteira.

Nos despedimos com um beijo antes de seguirmos cada um para seu respectivo trabalho e nos cumprimentamos novamente com um beijo ao voltarmos. Eu compartilhei sobre meu dia, omitindo sobre as cartinhas que as crianças tinham trocado ou sobre o correio elegante que invadiu todas as minhas aulas — eu tinha alunos de 7 anos! — e como era adorável vê-los aproveitando a data, mas como era terrível lidar com tantas crianças comendo tanto chocolate e lidando com poções com a energia em picos. Lisa, também, ao comentar de seu dia não fizera nenhuma adição sobre o impacto do dia dos namorados em sua rotina, ao contrário de todas as noites anteriores desde o primeiro dia de fevereiro.

— James…

— Sabe de uma coisa? Acho que deveríamos sair para jantar. — A interrompi, fechando o armário que eu vasculhava e virando-me para ela. — Não tô muito afim de cozinhar hoje. — Eu a observei entortar um pouco a boca e desviar o olhar. Naquele momento eu quase, quase, me senti culpado, mas precisava manter a pose. — Por que você não se arruma enquanto eu encontro um lugar para irmos, hm?

Lisa apenas assentiu e retirou-se. E o que me fez seguir com o plano foi a certeza de que aquela decepção não duraria muito mais tempo.

Lisa voltou cerca de 40 minutos depois e, Merlin, se eu não tivesse me dedicado tanto para aquilo e se aquele dia não fosse tão importante pra mim eu teria sugerido que curtíssimos o Dia dos Namorados ali mesmo. Em cada. Cômodo. Da. Casa. Ela não tinha se esforçado muito, mas ela não precisava se esforçar nunca. A maquiagem era tão leve que era quase imperceptível, os cabelos estavam alisados, arrumados de lado de um jeito lindo, apesar de eu sentir falta dos cachos, e Lisa optara por um vestido preto simples. Com um decote largo e profundo, uma faixa que marcava sua cintura com perfeição e uma longa fenda lateral. Ao vê-la ali minha principal vontade fora de arrancar-lhe o vestido e venerar seu corpo por toda a madrugada, redimindo-me de todos meus pecados ao fornecer a ela quantos orgasmos ela suportasse antes de seu corpo se exaurir ao ponto de ela ir dormir. Mas eu me contive. Poderíamos fazer aquilo ao voltar.

— Já disse que te amo hoje? — Perguntei, puxando-a pela cintura e a beijando. Lisa, felizmente, esqueceu a chateação que estava de mim e suspirou em meus braços.

— Por quê? Você só pode dizer uma vez?

Eu sorri, beijando sua testa, — Eu te amo. — olhos, — Eu amo você. — bochechas, — Amo-te. — pescoço, — Você é o amor da minha vida. — seios.

— Ok, você vai estragar meu look. — Ela me empurrou para longe, mas eu conseguia ver o arrepio em todo seu corpo e sabia que eu só precisava me aproximar de novo para que ela não se importasse mais com a roupa.

Mas eu tinha um plano. Então ao envolvê-la de novo eu evitei beijá-la e não demorei para nos desaparatar para o destino.

Londres era a cidade que nunca dormia. E, naquela noite, ela parecia mais agitada que o normal. Farois e luzes de freio coloriam a Westminster Bridge; canoas, iates e outros tipos de embarcações transitavam pelo Tâmisa; luzes coloridas emanavam da London Eye e as lâmpadas amareladas que preenchiam os postes das ruas completavam a iluminação charmosa do cenário à nossa frente. A poucos passos de distância, o Big Ben completava a bela paisagem de Londres à noite.

— Isso não é um restaurante. — Lisa comentou, ainda em meu abraço, olhando ao redor.

— Muito bem observado, estamos em um telhado. — Especificamente o telhado do palácio de Westminster.

— Mas você não disse que…

— Iríamos sair pra jantar, nós saímos.

— Mas… — Eu a impedi de continuar, beijando-lhe a ponta do nariz.

— Você realmente achou que eu ia te levar em um restaurante no dia dos namorados?

— Ah, então você sabe que dia é hoje.

Eu ri, não contendo a vontade de beijá-la outra vez.

— Claro que sei, você passou os últimos treze dias reclamando sobre ele, realmente achou que eu te acordaria com um buquê de rosas e te levaria para jantar em um restaurante qualquer? — Lisa apenas me encarou, eu sorri. — Eu presto atenção em você sabia? Em tudo que diz, tudo que você faz. Escuto tudo que você me fala, porque eu te amo. — Eu a segurei mais forte no meu abraço, percebendo que Lisa não tinha levado um casaco, mas ciente de que isso não seria um problema. — E é nosso primeiro dia dos namorados juntos, queria fazer algo especial para você. Farei algo especial pra você sempre, mas esse… é nosso primeiro.

Então a soltei e virei-a mais para o centro do telhado. A alguns passos de onde estávamos, não tão perto da borda, pedras encantadas que emitiam um brilho suave formavam um coração no chão e, no centro dele, um pano grande estava posto, com almofadas sobre ele e uma grande cesta de piquenique que possuía tudo o necessário para nosso jantar à luz das estrelas com uma vista privilegiada e única de Londres. O telhado tinha sido enfeitiçado para que o clima não atrapalhasse a noite, então, mesmo do lado de fora, aquela específica região em que estávamos era quente e aconchegante. Por segurança, porém, também tinha um cobertor sobre a cesta.

Lisa observou tudo com fascínio, absorvendo cada detalhe enquanto eu a direcionava para as almofadas e, então, lhe servia espumante, organizando o restante das coisas que eu não tinha conseguido deixar pronto antes de ir para casa buscá-la.

— James, isso é… — Ela suspirou, e riu. Ela tinha a risada mais gostosa do mundo inteiro e eu me permiti beber daquele som, a felicidade dela refletindo em mim.

— Você se lembra do aniversário de quinze anos de Dominique? — Perguntei, aconchegando-me próximo a ela.

— Aquele em que nós quatro fugimos para cá porque Domi não queria uma festa espalhafatosa e terminou com vocês três de castigo pelo resto do verão enquanto eu só aproveitei o acampamento até o final porque os meus pais não têm acesso à rastreadores mágicos que mostram para o ministério onde eu estou e seus pais ficaram com medo de contar aos meus que eles tinham me perdido em uma das maiores metrópoles do mundo? — Eu semicerrei os olhos para ela, Lisa riu.

— Não foram meus pais, foram tio Bill e tia Fleur. — Pontuei, ela deu de ombros. — Esse mesmo.

— O que tem ele?

— Você me irritou tanto naquela manhã…

— Feliz dia dos namorados para você também.

— Mas foi naquele dia… — Continuei, sorrindo para ela, que alcançava um morango que eu tinha deixado mais próximo. — Que eu comecei a te ver como uma amiga minha também, sabe? Claro, tínhamos a questão de smallville e tudo o mais que nos aproximou, mas acho que foi só naquela manhã que eu parei de te considerar como “amiga da Dominique” e comecei a te considerar pra valer minha amiga também. — Eu pausei, pegando o morango das mãos de Lisa e levando-o à boca dela. — Acho que se tivéssemos me dado tempo, ou mesmo se eu fosse menos burro, eu poderia ter percebido naquela época que foi nesse dia que eu comecei a amar você.

E eu não sabia o porquê. Lisa realmente tinha me estressado muito naquela manhã e na noite anterior, e eu tinha fugido dos meus primos e dela com uma desconhecida adorável, mas, enquanto eu passava por minhas memórias tentando capturar algum lugar que significasse algo para nós dois além das margens do lago negro, eu continuava voltando para aquele dia especial, e então eu soube que para além da implicância existia algo a mais que na época eu apenas fui burro demais para ver. E o fato de que eu ainda lembrava da cara de sono de Lisa logo quando ela me acordou pela manhã e como os olhos delas ficavam ainda mais belos quando o sol nascente refletia neles, indicava que para além das implicâncias eu realmente tinha começado a enxergá-la com outros olhos naquele dia. Mesmo que fosse demorar mais dez anos para eu perceber ou fazer algo sobre isso.

— E isso foi só parte do porquê de eu ter escolhido aqui para essa sua surpresa. — Comentei, e ela me acompanhou com o olhar enquanto eu buscava outro morango e levava a sua boca. — A outra foi porque Londres me lembra você. Inquieta, enérgica, única, linda. Você sabe o quão linda você é?

— Não ligaria se você me lembrasse. — Eu sorri. Pretendia fazer isso em breve.

— Essa cidade grita seu nome. Cada esquina, cada pedaço, é você. — Para além do reflexo das luzes da cidade, eu percebi um brilho peculiar se acumular nos olhos de Lisa.

Eu sempre encontrava mil motivos para venerá-la e elogiá-la, como a maldita deusa que ela era, mas talvez fosse a atmosfera criada que estivesse deixando aquele meu ato tão corriqueiro em algo que valesse se emocionar.

— Você me enche de vontade de viver, de tentar, de me arriscar, de ir além. Você consegue tirar o melhor de mim, sem fazer nenhum esforço pra isso. Você me inspira a ser melhor, a tentar ser a melhor versão que eu consiga para merecer você. — Eu então me movi, ficando ajoelhado em frente a ela, nossos olhos no mesmo nível; deixando morangos de lado, eu segurei ambas as mãos de Lisa. — Minha vida inteira eu procurei por você. Desde que eu me entendo por gente eu esperei por uma pessoa que me completasse, e essa pessoa é você. Eu deveria ter percebido antes, logo quando nos conhecemos, mas eu estou feliz que consegui perceber a tempo e que agora você é minha. Você é tudo que eu sempre quis, Elisabeth, eu sinto que nasci para estar com você. O seu sorriso é capaz de curar qualquer dor, é o tesouro mais precioso que faz valer a pena qualquer sacrifício. Você é meu primeiro pensamento quando eu acordo, o último que eu tenho antes de adormecer e você preenche todos os meus sonhos. Cada dia com você, por mais rotineiro que seja, é o melhor da minha vida e eu quero passar todos os dias da minha existência ao seu lado.

A declaração referenciava os conselhos que meus pais me deram 19 anos atrás, quando eu era apenas uma criança. Eu mal tinha lembranças daquela época, mas aquela conversa, aquelas falas, o olhar carinhoso que Harry e Ginny trocavam entre si, tinham me marcado no fundo da minha alma e criado basicamente toda a minha personalidade. Por 19 anos eu tinha buscado por aquilo que eles tinham, aquele amor, aquela parceria. Eu estive com mais mulheres do que eu podia contar, casos de uma só noite, namoros mais longos, rolos que eram mais complicados do que pareciam ser e, mesmo que em certas épocas eu tivesse acreditado amar algumas daquelas mulheres, foi apenas ao amar Lisa que eu finalmente percebi que tinha encontrado aquilo que buscava. Aquele amor simples e descomplicado, apesar de nossos desencontros. Um amor que transbordava de mim, que ecoava em cada pequeno gesto aquilo que eu sempre esperei. Um amor que parecia certo e definitivo.

Cada explicação dos meus pais, até mesmo as de Teddy que chegaram anos depois, mostraram-se verdadeiras e possíveis quando eu me permiti amar Lisa, e ainda mais quando ela se permitiu me amar. E era por todos aqueles motivos e pela certeza que eu tinha de que não existia ninguém no mundo além de Lisa para mim, e que eu já tinha provado de pessoas o suficiente para saber daquilo, que eu soltei das mãos de Lisa para alcançar uma caixinha guardada no bolso da minha calça, abrindo a tampa para revelar um anel solitário brilhante, eu a olhei.

— E é por tudo isso que eu te pergunto: Elisabeth Stella Carter, você quer se casar comigo?

Lisa agora tinha as mãos cobrindo a boca, a surpresa estampada em seu olhar que encarava o anel em minhas mãos. Uma risada escapou dela, enquanto Lisa balançava a cabeça, desacreditada.

— James… — Disse, arfando. Meu sorriso começou a se alargar. — Não.

— Coméquié?

Pisquei, atordoado. Lisa cobriu minhas mãos com a dela, fechando a caixa do anel e então me olhando. Ela ria, claramente de nervoso.

— Estamos namorando por só um mês James!

— Pra mim estamos juntos desde nosso encontro após seu aniversário!

— O que transformaria isso em dois meses e meio e não muda muito a situação.

— Não vejo qual é o problema. Eu amo você, você me ama, eu vou casar contigo, te disse isso no dito primeiro encontro, e o começo da primavera é uma época linda para celebrar um casamento.

— James…

— Elisabeth.

— Não tem nem um ano que eu estava no altar de uma igreja com outro homem.

— E da última vez que eu chequei você não tinha casado com ele.

— Sim, mas ainda é muito recente!

— Você não casou com ele!! — Ressaltei porque eu honestamente estava tendo problemas em identificar o problema ali.

— Ainda assim! — Ela expirou, passando a mão pelo cabelo. — Eu nunca nem usei o banheiro da sua casa, nós não podemos nos casar.

— Não é um problema, terminando aqui a gente volta pra lá e você atende os chamados da natureza.

— James Sirius!

— Elisabeth Stella! Uh, nunca tinha percebido que ambos nossos nomes do meio começam com S. — Comentei, sorrindo tolamente, Lisa revirou os olhos, mas também sorria.

— Eu não estou dizendo não…

— Então você aceita?

— Não!

— Bom, sua boca e cérebro parecem estar discordando de algo aí.

— É cedo demais!!

— O tempo é só um conceito! Não importa se estamos namorando por dois meses ou dois anos, Lisa. Quero passar minha vida inteira com você, então pra quê esperar? Já tive namoros mais longos e nunca pedi nenhuma delas em casamento.

— E aquela garota da França?

— Quê?

— A sua namorada da França. Que fim teve ela afinal?

— Que namorada? Do que você tá falando?

— Eu vi você James. Ano passado, nessa mesma época do ano na verdade, eu fui tirar umas satisfações com você e quando eu cheguei lá estava você, de joelhos, rodopiando a mulher no ar e gritando para quem quisesse ouvir seus planos de comemoração com ela.

Eu parei por um minuto, processando o que ela estava falando. E, então, quando todas as linhas se conectaram, eu joguei a cabeça para trás, gargalhando. Aquilo durou alguns minutos e Lisa começou a resmungar.

— Aquela era Aimée.

— Ok, tanto faz, você pediu ela em casamento.

— Eu não pedi.

— Eu vi você!!

— Lisa, meu amor. — Me esforcei muito para conter minha risada e retomar minha postura. — Aimée não passou de uma amiga que trabalhava comigo em Beauxbatons. O que você viu? Era apenas eu desesperado tentando descobrir se a doença dela tinha ou não tratamento e, depois, a comemoração que você me viu mencionar, era porque ela tinha descoberto que nunca tinha estado doente. Eu passei aquela tarde toda convencendo ela a falar com o ex e ela tentando me convencer a ir falar contigo.

Lisa me encarou, não falando nada por um instante, conectando o que eu estava dizendo com o que ela tinha visto. Era engraçado que eu não a tinha visto por lá, nem sentido sua presença, mas acho que estava tão tenso com o diagnóstico de Aimée que aquilo segurara minha atenção o suficiente para que eu não tivesse prestado atenção em mais nada.

— Então você não ficou noivo da menina bonita francesa? — Eu voltei a rir.

— Não. Eu nunca fiquei de ninguém. Ao contrário de certas pessoas, eu realmente esperei o amor da minha vida aparecer para dar esse passo. — Ela me respondeu com um tapa no ombro. — E é por isso que eu sei que é você, Lisa. Não importa quanto tempo passe, vai ser sempre você, para quê adiarmos o inevitável?

— James… — Ela suspirou, segurando meu rosto em suas mãos. — Eu só… eu amo você. Eu amo. E eu quero passar a vida ao seu lado também, é só que… — Ela balançou a cabeça. — Eu quero curtir você, entende? Sem os preparativos loucos de casamento, sem todo o estresse de ser noiva. Quero aproveitar você, a gente ainda tem tanto para conhecer um do outro, tanta coisa mudou nos últimos anos e… eu só quero que sejamos namorado e namorada por um tempo, entende?

Eu entendia. Mesmo que meu coração já fosse de Lisa há quase dois anos, ainda era realmente recente pra ela. Mesmo meu namoro mais longo, com Teresa, tinha durado alguns meses, enquanto Lisa tinha passado anos com Stephen e eles realmente tinham mais de uma vez conversado sobre planos para o futuro. Era mais complicado para ela, mesmo que nossos objetivos estivessem alinhados, eu entendia os desejos dela em apenas esperar um pouco mais. Então assenti. Lisa acariciou minha bochecha com o polegar.

— Não é um não, é apenas um não agora.

— Quando então? — Perguntei e Lisa riu, balançando a cabeça.

— Não agora. — Repetiu, inclinando-se em minha direção e me beijando.

Então eu esperei. Um mês. Depois mais um. Depois outro. Março, Abril, Maio, Junho e Julho, todo mês seguinte veio com um dia especial e muito bem planejado para o pedido de casamento. Eu tinha apelado para a cartada de que os pais dela já tinham me dado permissão para tal — o que ela ficou surpresa em saber -, eu tinha ameaçado que o pedido seguinte seria feito em público em frente a todos os meus parentes para que ela ficasse envergonhada em negar — o que eu já estava me arrependendo de não ter feito desde a primeira vez, maldita cabeça de baixo que planejava depravar Lisa de todas as formas possíveis assim que ela aceitasse ser minha mulher—, mas, não importava o que eu dizia, Lisa continuava com a mesma resposta: “não agora”. O que, apesar de estar me frustrando, não deixava nenhuma das minhas tentativas menos enérgicas, ou minhas declarações menos elaboradas; estava me descobrindo um poeta se vocês querem saber.

Mas agosto chegou e, com ele, os preparativos do meu aniversário. E como, por mais que eu amasse Lisa, eu continuava me amando na mesma intensidade, meus esforços naquele mês estavam todos concentrados na celebração da minha existência, algo que absolutamente todo mundo que tinha a honra de viver comigo estava mais do que contente em comemorar, fazendo sacrifícios para os deuses e qualquer coisa do tipo porque, qual é, todo mundo sabe a sorte que tem de poder respirar o mesmo ar que eu.

Desde minha volta à Inglaterra dois anos atrás eu tinha desenvolvido um gosto especial por comemorações prolongadas, o que significava que eu não me importava que meu aniversário era apenas dia 17, os dezesseis dias antes dele seriam preenchidos com celebrações à minha vida. E os outros dias depois dele também.

Naquele ano, após meu aniversário oficial, comemorado em uma grande e espalhafatosa festa que contava com diversos posters em tamanho real da minha pessoa — honestamente, o paraíso de Lisa deveria ser muito parecido com aquela festa — Lisa tinha me presenteado com uma viagem para o Brasil. Ela sabia que eu sempre quis conhecer o país e acertou em cheio com a surpresa, tendo me levado para Bonito, uma cidade na região mais a oeste do país e que fazia jus à tradução de seu nome.

Passamos cerca de uma semana lá, mergulhando em cavernas com lagoas de água tão azul que eram transparentes, nadando entre os peixes que ocupavam os rios ou caminhando pela selva que rodeava o hotel que Lisa tinha escolhido para nós. Na manhã do nosso último dia acordei com beijos por todo meu rosto e o som da natureza do lado de fora. Envolvi Lisa pela cintura, prendendo-a contra meu corpo na tentativa de prolongar os momentos de sono. Ela, porém, parecia ter outros planos, tendo aproveitado a nova posição para rebolar sobre minha virilha. Eu grunhi.

— Bom dia senhor Potter. — A voz dela estava carregada de diversão quando ela se afastou, fazendo-me abrir os olhos com o desejo de voltá-la exatamente para onde ela deveria estar. Mas ela claramente estava com o objetivo de apenas me provocar naquela manhã. — Como está sua vida agora que seu córtex pré-frontal foi completamente desenvolvido? — Perguntou rindo e eu suspirei, decidindo que era realmente hora de acordar.

Colocando um braço atrás da cabeça e coçando o olho com a mão livre, analisei a pergunta de Lisa por um momento. Se eu fosse ser honesto nada tinha mudado. Não era nenhum feitiço ou nada que girasse uma chavinha na cabeça e então bam, toda minha visão de mundo era alterada. Eu me sentia mais maduro, mas isso desde antes do meu aniversário. Entretanto, estava disposto a entreter Lisa com aquela brincadeira.

— Hmm… acho que agora minha cor preferida é marrom, creio ter desenvolvido um súbito gosto por espinafre e eu não acredito na eficácia de protetores solares. — Aquela última parte exclusivamente porque meus ombros seguiam extremamente vermelhos mesmo com Lisa repondo a proteção de 2 em 2 horas quando saíamos.

— Muito parece ter mudado.

Eu fui mais rápido do que o fato de eu ter estado adormecido há apenas três minutos indicava que eu era capaz. Pegando Lisa pela cintura, coloquei-a por baixo de mim, me posicionando sobre ela, que arfou.

— Não que eu amo você… — Disse, cheirando seu pescoço e dando uma mordidinha leve por ali. — Ou que passar todos os dias da minha vida ao seu lado continua sendo a melhor escolha que eu faço ao acordar. — Minha voz estava mais grave quando eu beijei no lugar da mordida, Lisa suspirou. — E que a gente não vai chegar a tempo de aproveitar o café da manhã do hotel…

— Nós nem escovamos os dentes ainda! — Ela protestou e eu ergui o rosto para encará-la.

Marrom realmente tinha se tornado minha cor preferida graças aos olhos de Lisa, eles conseguiam tirar meu fôlego toda vez.

— Os lábios que eu pretendia beijar não precisam ser escovados. — Lisa arfou e eu sorri maroto, já começando a traçar meu caminho para baixo, mas Lisa segurou meu rosto, prendendo meu olhar no dela.

Mesmo à meia-luz da claridade que entrava pelas janelas de madeira, os olhos dela continuavam lindos e muito expressivos. Aquele olhar astuto e felino que dizia tanto mesmo que Lisa não dissesse nada. Naquele momento a única palavra dita por aqueles olhos castanhos era amor.

— James Sirius Potter, você aceita se casar comigo?



Realmente perdemos o café da manhã naquele dia, assim como todo passeio que tínhamos planejado fazer e, para o desespero de Lisa, nossa falta de higiene bucal matinal não tinha me impedido de beijá-la. Ao contrário dela eu obviamente tinha dito sim e porque, mesmo com as negativas dela, eu já vinha planejando uma grande e decorada pasta com ideias para nosso casamento a trajetória até o altar, ao contrário do que Lisa esperava, não tinha sido nem um pouco estressante, pelo contrário, e três meses depois, ao final de novembro, eu finalmente estava pronto para me casar com o amor da minha vida, bem, quase pronto.

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Eu me olhava no espelho, admirando o quão bonito eu estava. Eu poderia ter tirado os óculos, mas, honestamente, ele dava ainda mais um charme ao meu smoking preto, meus cabelos estavam um tanto quanto domados e meu rosto... ah, era felicidade pura estampado nele, que fazia eu ficar ainda mais bonito. O resultado de mais de três horas se arrumando — vocês sabem que eu sou metrossexual, provavelmente Lisa estava arrumada há tempos —, realmente compensava. Eu estava, simplesmente, de arrasar corações, que ficariam para sempre arrasados, pois esse pedaço de mal caminho já tinha dona.

Uma batida na porta me fez virar o rosto do espelho e sorrir. Poderia ser Fred, ou Dimitri ou Teddy ou Albus— meus padrinhos —, mas eu tinha, talvez, um fetiche de transar com a minha futura esposa antes do casamento. Caminhei até a porta, dizendo:

— Hey, dá azar ver o noivo antes do casamen...

Mas parei no meio da frase, meus olhos se arregalando para a mulher que estava parada ali, com um sorriso nervoso e uma expressão apreensiva. Contudo, nada se comparava com a expressão de confusão em meu rosto.

— Tenho certeza que essa frase está errada — disse Giulietta. — Posso entrar?

Ainda sem entender, já que eu não esperava que ela fosse aparecer aqui, dei espaço para que ela entrasse. Ela olhou para o quarto bagunçado antes de se virar com um sorriso triste nos lábios.

— Como... o que você está fazendo aqui? — perguntei, franzindo a testa. Achei que a gente tinha fechado o nosso ciclo naquele dia em que ela finalmente conseguiu se livrar daquele crápula. Eu tinha seguido em frente, como todos sabem.

— Soube que iria se casar, tive que ver com meus próprios olhos — respondeu ela, se sentando na cama. — Pedi para que me deixassem vir aqui por alguns minutos. Para te ver.

— Pediu para quem? — franzi a testa, parando em sua frente, com as mãos nos bolsos.

— Para o meu segurança — ela riu, sem humor. Eu, por outro lado, apenas a encarei, o que a fez suspirar. — Estou, como dizem, num programa de proteção à testemunha, Orazio pode estar atrás das grades bruxas, mas seus capangas fieis ainda querem me ver morta. Então agora eu atendo pelo nome de de Tatiana, moro no Chipre e tenho uma babá 24 horas por dia.

— Sinto muito — foi o que eu consegui pensar e dizer. Ainda estava nervoso por estar em um quarto sozinho com outra mulher que não era a minha noiva.

— Tem sido libertador, na realidade. Sinto como se tivesse nascido outra vez. — O sorriso dela, dessa vez, era um pouco mais animado.

O silêncio, então, preencheu o recinto. Ainda estava tentando entender o que ela estava fazendo ali. Giulietta se levantou e voltou a olhar para o quarto que era meu quando passava os dias na Toca.

— Gostaria de participar do casamento, mas não posso ficar muito tempo. Apesar de tudo o que falei para você no Ministério, você continua sendo especial para mim. — Giulietta se virou para mim, mas eu permaneci calado. — Ela é a certa? É ela que tem feito você feliz?

— Sim, Giulietta. — Respondi, sem hesitar, o que fez com que ela assentisse. — Por toda a minha vida eu procurei por ela... mas sempre foi Lisa, sempre será Lisa. Desde o início. Tudo o que eu passei, me levou a ela, aquela mulher no segundo andar, se preparando para me encontrar no altar. Nunca houve outra mulher na minha vida, não de verdade. Mesmo que eu tenha achado que sim. Eu que era idiota demais para enxergar. Elisbeth é o amor da minha vida e o amor para a minha vida. Ela sempre será a única

Eu não sabia o porquê de estar dizendo aquilo para ela, uma vez que tínhamos finalizado o que tivemos alguns anos atrás, mas senti a necessidade de expressar para Giulietta que não havia outra pessoa. Nunca haveria. Nem sabia se ela nutria alguma coisa por mim verdadeiramente além da lembrança do que poderia ter sido. Do que, certamente, nunca teria acontecido. Agora eu sabia disso.

Os olhos dela brilharam e o sorriso que ela abriu para mim foi sincero, sentia que, dessa vez, Giulietta finalmente teve o ponto final que queria.

— Que ótimo, James. Não consigo colocar em palavras o quanto estou contente por você não ter desistido da sua busca. — Ela assentiu, ainda sorrindo. — Eu só precisava lhe ver uma última vez, ter certeza de que era a certa, finalmente. Seja feliz, James. — Giulietta se afastou, seguindo para a porta, mas se virou antes de sair. — Ela é realmente linda, a propósito... tenha uma boa vida, James.

— Espero que também seja feliz, Giulietta… Tatiana. Você merece depois de tudo o que passou.

Ela deu um pequeno sorriso e acenou para mim e eu encarei a porta, ainda sem entender o que tinha acabado de acontecer. A verdade é que nenhuma outra mulher mexeria comigo, nem mesmo tirar a minha tranquilidade de saber que eu realmente tinha achado o que eu sempre procurei. Elisabeth sempre seria o amor da minha vida. E essa certeza ninguém nunca tiraria de mim.

Eu estava pronto para ver a minha noiva. Ansioso para ela, finalmente, se tornar a minha esposa.



E foi assim que nós chegamos aqui, galerinha.

Ao som de vivas das nossas famílias e amigos eu girei Lisa de volta para que ela conseguisse se equilibrar nos próprios pés, interrompendo o beijo e segurando a mão dela ao virar-me para nossos convidados, erguendo nossas palmas unidas no ar enquanto o celebrante declarava:

— Apresento a vocês os senhores James Sirius Potter e Elisabeth Stella Potter.

As vivas que já eram altas antes ganharam ainda mais energia quando, esbanjando sorrisos, Lisa e eu começamos nossa caminhada como noivos pelo tapete, em direção à tenda festiva erguida para aquela comemoração. Em meio a caminhada, inclinei-me na direção de Lisa e sussurrei em seu ouvido.

— Não vejo a hora de demonstrar todas as novas funções que você desbloqueou, esposa.

Percebi os pelos na nuca dela se arrepiarem de antecipação e Lisa aproveitou a proximidade pra ela própria sussurrar juramentos em meu ouvido.

— E você não tem ideia do que espera por você nessa nova fase, marido.

Ah, eu não via a hora de descobrir…



Eu não conseguia tirar os olhos dela. O vestido que ela usava era do jeito que eu sabia que combinaria com ela, não aquele horrendo que ela quase casou com Stephen. Ela tirava meu fôlego, esbanjando alegria e sorrisos enquanto desfilava com o vestido bordado à mão por uma estilista dos Estados Unidos: as mangas compridas eram caídas, de modo que seus ombros ficavam expostos, o comprimento colado por seu torso e quadril — marcando cada curva que ela possuía — e a saia se abria logo após as canelas, como uma cauda de sereia — de acordo com Lily; havia flores por todo o vestido feitas com o maior cuidado, as costas nuas, o decote indo até quase o início da sua belíssima bunda, evidenciando ainda mais a sua tatuagem de dragão. Os cabelos, agora um tanto longos, estavam ondulados, a maquiagem leve, mas os lábios marcados em carmesim, que era o que a deixava ainda mais deliciosa e convidativa. Elisabeth era a noiva mais sexy e linda do planeta.

Ela andava por entre os convidados, sorrindo e cumprimentando a todos, enquanto eu — que já tinha sido o centro das atenções um pouco antes — apenas a admirava, com o coração tão repleto de felicidade e amor que não consegui segurar algumas lágrimas. Por toda a minha vida, desde aquela pergunta que eu havia feito com apenas cinco anos de idade, eu busquei o que tinha encontrado em Lisa. Ela era o meu oposto que me complementava, ela era pedra no meu sapato que, agora, eu jamais tiraria. Meu furacão pessoal, o amor leve e divertido, o amor que meus pais tinham.

Quando os nossos olhares se encontraram — finalmente — nada se comparava com o brilho de felicidade nos olhos de minha esposa. O meu mundo estava completo. E eu estava transbordando. Ela me transbordava, eu não conseguia me cansar dela, com aquele fio invisível que sempre puxava para minha Leãozinho. E então eu percebi que estava parado em sua frente, eu nem tinha sequer reparado que meus pés me levaram até Lisa. Era como se existisse apenas nós dois naquele jardim perfumado.

Estiquei o braço e acariciei o seu rosto e notei que era real. Elisabeth era real, Merlin, eu nunca tinha sentido algo assim. Minhas mãos foram para a sua cintura e depois deslizei um dos braços para a base das suas costas nuas, vendo cada pelo de seu corpo se arrepiar com o meu toque, e a inclinei para baixo, fazendo seus cabelos ondulados se espalharem pelo ar. Lisa riu e eu não deixei os seus olhos em nenhum momento. Marrom sempre seria minha cor favorita. Linda. Era o que o meu olhar queria dizer.

Então eu a beijei.

E voltei à realidade quando várias palmas soaram em volta de nós dois. Lisa riu quando eu a coloquei de pé novamente. Seus dedos foram para a minha nuca e a arranhou, o que me fez engolir em seco e respirar fundo, a danada sabia que era o meu ponto fraco. Seu olhar demonstrava que aquilo era uma promessa para mais tarde. Por Deus, eu nunca me cansava de transar com aquela mulher.

Assim como em todos os casamentos, nós dançamos juntos, voltando à nossa bolha. Depois, assistimos os discursos de nossos padrinhos e madrinhas. Dominique, Teresa e Maya tinham sido as escolhidas de Elisabeth, mas eu dera meu jeito de incluir Luna, Viola e Aimée como minhas madrinhas. “Ah James, noivos só tem padrinhos” Bom, eu tinha madrinhas também! Aquelas três tinham estado comigo quando eu mais precisara e foi graças a elas que, cada uma a sua maneira me ajudou a evoluir e ser melhor que, hoje, eu conseguia estar ao lado de Lisa, casado com ela. Então eu teria madrinhas sim.

Confesso que chorei em cada discurso feito; narraram todas as minhas desgraças até chegar à minha felicidade. Meus pais também fizeram um breve discurso, mas igualmente emocionante. Eu só sei que chorei mais que Lisa, ela tinha um controle emocional melhor que o meu. Depois que eu aprendi a chorar, tudo o que me emocionava fazia com que eu me debulhasse em lágrimas. Mas eu estava feliz. Todos os que eu queria que estivessem ali, no momento mais feliz da minha vida, estavam. E aquilo significava muito mais do que qualquer um pudesse imaginar.

Eu tomava um drink comportadamente quando olhei para o lado ao perceber que alguém se aproximava. Eu a tinha convidado de propósito e, quando Mia chegou perto o suficiente, o sorriso no rosto dela era... verdadeiro.

— Hey — cumprimentei.

— Quando recebi o convite confesso que fiquei surpresa — disse ela. — Mas fiquei ainda mais surpresa por você se lembrar do que eu disse naquela época, naquele bilhete à parte — Mia realmente parecia espantada.

— Tem coisas que são impactantes o suficiente para nos lembrarmos mesmo depois de tanto tempo. Fora que foi você que me ajudou a descobrir o que eu queria fazer da vida — respondi, com um sorriso.

Mia balançou a cabeça e o seu olhar foi até onde Lisa dançava com Teresa e Dominique. Por Deus, ela era linda! Quando escutei a risadinha de Mia ao meu lado, desviei o olhar da minha esposa para ela.

— Não me surpreende muito que seja Lisa — ela comentou e eu ergui uma das sobrancelhas. — Vocês dois brigavam muito para ser apenas ranço. Fora que, às vezes, nos jogos de quadribol, vocês trocavam uns olhares muito... intensos? — eu ri e balancei a cabeça. É, parecia que que só eu que não percebi isso antes. — Mas que bom que ama alguém de verdade, James. Seja feliz.

Eu agradeci e ela tocou meu ombro antes de sair do meu lado.

Mais uma música tocou e eu deixei o meu drink em cima do balcão e segui até a mulher que era a mais importante da minha vida, que ficava acima até mesmo de Elisabeth. Minha mãe dançava com meu pai, os olhares que ambos trocavam eram intensos, cheios de devoção. O olhar que agora eu sabia que eu dava para a minha esposa. Nossa, era tão bom dizer aquilo! Toquei o braço do meu pai e ele me olhou, sorrindo. Apertou meu ombro e tirou a minha mulher para dançar.

Quando meu olhar se encontrou com a minha cara de pimenta, o sorriso feliz dela, o alívio por eu estar ali e a certeza que não iria a lugar algum, era a melhor coisa que eu poderia querer. Eu comecei a conduzir a música e minha mãe riu, balançando a cabeça.

— O que foi? — perguntei, sorrindo também.

— Eu e o seu pai o fizemos muito bem — disse ela, com a voz divertida.

— Ora, mas é claro que fizeram! Eu sou incrível — respondi e ela continuou a sorrir. Como era bom vê-la daquele jeito; detestava o modo como eu a havia feito sofrer. Mas agora eu dedicava meus dias a compensá-la por minha ausência.

— Não sabe a alegria que é ter Elisabeth como nora, James — comentou Ginny, enquanto eu a guiava pela pista de dança. — Sabia que todas aquelas farpas eram alguma coisa reprimida.

— Mas todos tiraram um tempo para dizer que eu era um idiota por não ter percebido antes? — perguntei, mas não estava irritado. Pelo contrário, ninguém jamais esteve tão feliz quanto eu. Ginny riu e alcançou o meu rosto, fechei os olhos, apreciando o seu carinho. — Eu demorei, mãe. Mas agora eu sei o que é o amor, aquele que você me disse quando eu tinha cinco anos. Nunca me senti tão... Vivo. Lisa me faz sentir assim.

— Isso foi o que eu sempre desejei para você, James. Você merece ser feliz, merece o amor que Lisa lhe dá. — Ela suspirou, voltando a colocar a mão em meu ombro. — Você está radiante, filho. E meu coração, agora, está em paz. Eu sempre vou te amar, meu garotinho cheio de explosivim — Ginny sorriu, os olhos tão parecidos com os meus, brilhantes por conta das lágrimas ali acumuladas.

Meus olhos marejaram com aquela declaração e eu simplesmente esqueci da dança, trazendo-a para mim e a abraçando, enterrando meu rosto em seu pescoço. Seus braços me envolveram na mesma intensidade, me apertando contra si. Ali, eu sabia que estava protegido.

— Eu amo você, minha cara de pimenta. Sempre amarei — falei, ainda com o rosto em seu pescoço. — Obrigado.

Eu não sabia que era possível, mas eu chorei mais vezes naquela noite, sendo alvo de piadinhas dos meus amigos e até mesmo da minha própria esposa. Eu não ligava, honestamente. Eu estava feliz e não conseguia mais segurar as lágrimas.

Viola estava presente e, aparentemente, tinha encontrado alguém para lhe fazer companhia, Spencer Baddock realmente era charmoso. Paisley havia sido a nossa daminha de honra e ela estava a coisa mais linda desse mundo! Luna havia, finalmente, superado seus ciúmes de Viola e, agora, gesticulava para ela e Spencer animadamente.

Ao longe, vi também Aimée conversando com Lisa e eu aguardava ansiosamente minha esposa vir até mim para dizer o conteúdo da conversa. Me sentei onde era destinado aos noivos e aos pais dos mesmos, observando meus convidados se divertirem. Minha família sempre gostou de uma boa festa. Vê-los daquela maneira era tudo o que eu sempre quis.

Eu sorria, balançando o corpo no ritmo da música, quando senti mãos delicadas em meus ombros. Virei o meu rosto e o rosto mais bonito apareceu em meu campo de visão. Por incrível que pareça, Lisa conseguia ser ainda mais bonita que eu. Merlin, eu era completamente rendido por ela; seu perfume de framboesa e pêssego, seus lábios marcados pelo batom vermelho, os olhos brilhantes, tudo nela era impossivelmente perfeito! Seus lábios encostaram em minha bochecha, mas eu virei o rosto bem na hora, capturando-os com os meus próprios lábios. Ela riu quando eu virei totalmente meu corpo e a puxei pela cintura para que pudesse se sentar em meu colo. Percebi um flash em nossa direção, mas não conseguia desviar o olhar da minha esposa.

— Quando eu estava na casa do meu pai, no escritório dele, eu vi as fotos de formatura. Dos meus irmãos e da nossa — falei, enquanto Lisa inclinava a cabeça. — Estávamos todos nós, o nosso grupo, mas, quando o flash bateu... Eu olhava para você. E você me olhava — confessei, um sorriso se espalhando pelo nosso rosto. — Meu Deus, só um cego como eu que não reparou na química que exalávamos naquela foto. E eu sempre achei que tinha apenas inclinado a cabeça.

O sorriso de Lisa aumentou, suas mãos indo para o meu rosto. Fechei os olhos, tentando ter mais de seu toque. Eu a amava com todo o meu ser e vocês vão ter que me ouvir falar isso, pensar isso, toda vez. Era um sentimento de puro êxtase, um sentimento tão profundo que eu não conseguia colocar em palavras. Era melhor do que palavras.

— Você era tão burro, mas eu te entendia naquela época — disse ela, rindo, e eu a acompanhei. — Mas o que importa é o agora — Lisa colocou a mão em meu coração, sentindo como ele batia rápido. Por ela. — E que você é meu. Antes tarde do que nunca, não é?

— Vou passar a minha vida toda compensando meus anos de cegueira — prometi e eu cumpriria.

— Não esperava menos de você — respondeu ela e eu sorri.

(...)



A festa durou até tarde. Porque celebrar a minha felicidade — e a da Lisa, é claro — era o que importava. Bebi, dancei, ri. Fui levantado pelos meus amigos, recebi um grande sermão de Viola por ter só enviado uma carta com o convite, ouvi Luna, chorosa, bater no meu irmão por eu ter casado primeiro que eles, Fred e Dominique, com a pequena Sara nos braços. Achei que Mini iria ficar com receio da criança, mas minha prima a amava tanto quanto o pai babão. E isso devia incomodar tanto a Freya que eu sentia um certo prazer em saber disso.

Quando os primeiros raios da manhã começaram a aparecer, percebi que só tinha eu, Lisa, Dominique, Fred — a filha dele tinha sido levada para casa por tia Angelina —, Dimitri, Teresa, Luna, Albus, Maya, Kenton, Viola — Paisley tinha ido para casa dos meus pais— e Spencer no salão. Apesar do sono, estava tão feliz que isso era apenas um mero detalhe. Aos poucos, meus amigos foram para a casa, sobrando apenas Dimitri, Viola e Teresa.

Lisa se afastou para conversar com Teresa; elas realmente pareciam irmãs, assim como ela era com Mini, assim como eu era com Fred e Dimitri. Eu a olhava, sorrindo igual a um idiota. Eu não conseguia não admirá-la, ela parecia surreal demais.

— Sabe, eu nunca o vi assim — disse Viola. — E eu fico feliz por você ter entrado nos eixos e encontrado Elisabeth. Ela fez tudo o que ninguém jamais fez por você.

— Que é...?

— Te fazer feliz verdadeira e completamente — respondeu Viola simplesmente.

— Agora eu posso descansar dos meus serviços de guarda costas — disse Dimitri e eu me virei para ele, erguendo uma das sobrancelhas. O olhar dele era em Teresa, mas, ao ver que eu o olhava, abaixou o rosto para me encarar, já que era do tamanho de um armário. — Meu trabalho está feito, cara.

— Mas nem fodendo! — exclamei, chamando atenção de Teresa e Lisa e fazendo Viola rir. — Meu pai te pagou, nem vem que não tem!

— Devolvi todo o dinheiro dele!

— Não apaga o fato de que tinha um contrato assinado com ele!

— Por um ano!

— James ainda está nessa de contrato? — perguntou Teresa, com os braços em volta da minha mulher.

— É vitalício — afirmei e Lisa riu.

— Jamais deixarei de ser seu, meu docinho.

— Tarde demais, agora você vai ter que me dividir com a Lisa — rebati, puxando-a pela mão para ficar mais perto de mim.

Escutei Teresa bufar e revirar os olhos

— Rá, eu já divido Dimitri com você há muito tempo — resmungou e todos nós rimos. — Boa sorte, Lisa.

Minha esposa riu, divertida. Senti sua pele quente em minhas mãos e meu corpo já respondeu ao toque dela. Seu olhar encontrou o meu e eu sorri; Lisa simplesmente prendeu a respiração por dois segundos, antes de alguém pigarrear e quebrar a nossa conexão. Eu me esquecia de tudo quando olhava em seus olhos castanhos.

— Vocês são muito melosos — Viola fez uma careta e balançou a cabeça. — Mas não é isso. Conte para ele, Dimitri. O nosso presente.

Eu os olhei confuso e, de dentro do paletó tamanho gigante dele, Dimitri tirou um envelope. Teresa tinha um sorriso enorme nos lábios, parecendo estar ansiosa. Lisa estendeu a mão para o envelope, já que as minhas estavam ocupadas mantendo-a em meus braços. Ela abriu e arregalou os olhos, se virando rapidamente para mim.

— Vocês são incríveis! — exclamou Leãozinho, admirada e colocando o conteúdo do envelope na minha cara. — Olha o que eles compraram!

— Espere para ver a parte dois — disse Teresa, mas eu não a olhava e sim para as passagens de avião na primeira classe, só ali, já tinha ficado estupefato. Nunca tinha andado de avião antes, devia ser emocionante. Então vi o destino das mesmas e na mesma hora abri a minha boca.

Olhei para Lisa e ela assentiu, chocada e animada. Eram duas passagens de primeira classe para o Rio de Janeiro. Havia ido até Bonito com Lisa, mas diziam que a cidade maravilhosa realmente era maravilhosa e Lisa e eu já vínhamos fazendo alguns planos para conhecer a cidade no ano seguinte. Bom, para eu conhecer, Lisa tinha estado por lá durante sua temporada no continente e ela me garantira que tinha sido a melhor de todas as cidades brasileiras que ela conhecera.

— Espera. — Me virei para meus amigos. — São para hoje!

— Sim — eles responderam juntos

— Que parte dois vocês estavam falando? — perguntou Lisa.

— Esqueça isso, como vamos fazer nossas malas em... — peguei o braço de Dimitri para ver as horas — uma hora e meia?!

— Vocês dão sorte que Dominique e Fred sabem o gosto de vocês, o que é realmente surpreendente — a voz conhecida do meu pai chegou aos meus ouvidos. — Suas malas já estão no carro.

Me virei para vê-lo. Cara, não era por nada não, Harry Potter exalava um charme que atraía qualquer um. Por isso a minha mãe era apaixonada por ele desde criança. Ele andava em nossa direção calmamente, segurando uma chave de fenda. Franzi a testa.

— Pai!

— James — o velho disse meu nome, sorrindo.

— E Paisley? — indaguei e ele revirou os olhos.

— Seus irmãos estão em casa, sabia? — ergui uma das sobrancelhas e ele suspirou. — Luna também está. Vamos logo, não quer perder o voo, quer?

Neguei com a cabeça e olhei para meus amigos. Eles sorriam, pareciam aliviados e felizes. Talvez porque eu não apanharia mais, nem por minha causa nem por causa de outra mulher. Talvez eu apanharia de Lisa mesmo... Mas apanhar dela, eu gostaria.

Nos despedimos deles e seguramos a chave de fenda, que já brilhava, sendo sugados para o redemoinho que a chave de portal causava. Aterrissamos do lado de fora do aeroporto trouxa; Lisa e eu ainda usávamos nossas roupas do casamento e eu não me importava em atravessar o aeroporto daquela maneira. Algumas fotos foram tiradas e pode ser pelo fato de Elisabeth ser filha de um ator de cinema. Ou porque ela usava um vestido de casamento, acompanhado de um cara muito lindo. Ou os dois.

Andamos apressadamente pelos corredores do aeroporto, que não estava lotado, carregando as malas. Quando paramos para fazer o check in, para fazer todas aquelas checagens dos trouxas — tivemos que confundir o fiscal para que ele não estranhasse nossas varinhas —, meu pai nos fez olhá-lo. Antes de dizer o que queria, Harry Potter nos perfurou com aqueles olhos verdes iguais a uma bolinha de gude.

— Eu estou muito feliz por vocês dois. Principalmente por você fazer com que ele sossegasse, Elisabeth — disse ele, me fazendo erguer uma das sobrancelhas. — Mas... eu estou orgulhoso, filho. Orgulhoso do que construiu e do que adquiriu nesse caminho. Nunca duvidei de você, mesmo quando eu sabia de cada passo seu — aqui, Harry Potter fez uma careta. — Você sempre foi inteligente, meu filho. Cada detenção sua eu esperava algo inédito e apostava com seus tios e sua mãe qual seria o motivo daquela vez. — Eles faziam o quê? — Sabia que toda aquela criatividade, um dia, o faria chegar longe. — Seu olhar foi para Lisa, que sorria, os olhos marejados. — Obrigado por... Amar meu filho. Sempre achei que deveriam ficar juntos, mas, como meu filho, nunca fui bom em romance, até porque sempre estava tentando não morrer, se é que me entende. E você é uma mulher incrível, forte. Quero que desfrutem da segunda parte do presente — ele entregou um cartão para Lisa. — Seus pais queriam estar aqui, mas acharam melhor não atrair atenção e como ninguém sabe quem eu sou...

Os olhos de Lisa encontraram os do meu pai e ela sorriu.

— Obrigada, senhor Potter.

— Harry, querida. Por favor, cuide dele. Ele nunca andou de avião antes. Tem um remédio na bolsa de mão se precisar.

— Pode deixar — ela respondeu, assentindo.

— Eu estou bem aqui — acenei para os dois, fazendo meu pai rir. — Eu aguento uma viagem de avião.

— Impossível não notar — brincou ele. — Aproveitem os dias. Vocês vão gostar do presente. Quando chegarem lá, terá alguém para ajudá-los. Façam uma boa viagem. — disse meu pai, quando, ao que parecia, alguém chamou o nosso voo. Agora, a luz do sol já iluminava os corredores de vidro do aeroporto.

Me inclinei para abraçá-lo.

— Obrigado, pai. Eu amo você — falei, enquanto eu o abraçava.



Eu não aguentava uma viagem de avião.

Era um negócio gigante, com asas, que subia no céu e voava. Não me levem a mal, os trouxas sabiam como usar a inteligência deles, uma vez que não possuíam magia para se locomover, entretanto, quando aquele troço subiu e meus ouvidos tamparam eu agarrei o braço de Lisa — que estava tranquila, aliás — tremendo.

— Leãozinho, a gente vai morrer — sussurrei, mas não foi tão baixo quanto eu esperava. Umas pessoas ao nosso lado me olharam com os olhos arregalados e Lisa teve de apaziguar, dizendo que eu só estava com medo. — Eu não estou com medo.

Elisabeth virou o rosto para me encarar e eu me calei. O avião pareceu dar impulso e eu agarrei outra vez o braço dela, temendo que as lágrimas escorressem pelo meu rosto. O avião, finalmente, estabilizou no céu, mas eu conseguia senti-lo funcionar. Aquilo estava me deixando desesperado, a falta de ar começou a tomar conta de mim e Lisa percebeu. Por Deus, ainda havia várias horas até chegarmos ao Rio de Janeiro!

Minha esposa se desvencilhou do meu aperto e eu quase fiquei à beira de um colapso. Tentei me distrair, observando o que ela fazia, mexendo na mochila que a gente podia trazer nos nossos pés. Lisa voltou e meu cérebro conseguiu registrar, em segundo plano, como os cabelos dela eram lindos. Ela chamou a aeromoça e explicou a minha situação, pedindo um copo d’água. Não demorou muito e a aeromoça retornou com o pedido de Lisa.

Queria poder dizer que aproveitei a primeira classe do avião, mas não seria verdade. Pois Elisabeth me dopou. Essa era a verdade. Deveria ser apenas um calmante, cujo objetivo era apenas me acalmar ou, na melhor das hipóteses, me fazer dormir. Entretanto, tudo o que ele fez comigo foi me fazer rir de tudo e de todos, falar com a voz arrastada e eu tinha certeza que Lisa errou a dosagem daquele remédio. Passei o voo inteiro acordado, mas numa briza que fazia todos rirem; virei a diversão dos passageiros da primeira classe e quase revelei a sociedade bruxa para os trouxas.

Algumas pessoas reconheceram Lisa e quiseram tirar foto com ela, enquanto eu dizia que minha esposa era linda e os pais dela eram famosos. Eu não sabia quanto tempo aquele calmante faria efeito e, apesar da minha da minha clara viagem, meu medo de avião com certeza foi esquecido.

Ao pousarmos, não senti o alívio de estar em terra firme. O calor nos atingiu, mas não me importei. Ainda estava sob os efeitos do calmante, com Lisa sem graça ao meu lado. Ela não sabia onde enfiar a cara quando um homem com uma plaquinha com os nossos nomes escritos ficou à nossa vista.

— Amor, tem alguém com os mesmos nomes que a gente! — exclamei e Lisa fechou os olhos.

— Da próxima vez você vai com medo mesmo — falou ela, já se aproximando do homem com a plaquinha. — Por favor, não ligue para ele, está medicado.

— Sem problemas, senhora Potter. — Ouvir aquele homem dizer o sobrenome de casada de Lisa me despertou um pouco e um sentimento de orgulho cresceu por dois segundos em meu peito. — Vamos? Há uma chave de portal à sua espera.

Lisa assentiu e, puxando as malas, seguimos o homem.

— Senhora Potter, hein — sussurrei em seu ouvido e pude ver o sorrisinho nos lábios dela. — Que tesão ouvir isso.

Ela olhou para mim, em advertência, mas eu apenas ri, caminhando apressadamente ao seu lado, rindo de nada. Quando o homem virou em um canto menos movimentado, nos mostrou uma chave de portal, um boné velho vermelho, e falou que ele nos levaria até o local em que passaríamos a semana.

O boné começou a brilhar e, então, eu e Lisa o agarramos, sendo sugados para a escuridão. Por conta do remédio que minha esposa havia me dado, tudo girava mesmo quando aterrissamos em um chão de pedras. O barulho de água caindo por ali por perto e o ar abafado, mesmo que eu pudesse escutar o farfalhar de folhas, foram os primeiros sons que meus ouvidos registraram. Contudo, eu estava tonto demais para focar em qualquer coisa. Lisa segurou meu braço, tentando me estabilizar no chão, por sorte, eu não fiquei enjoando.

Uma voz animada surgiu de algum lugar que eu não conseguia identificar. Fiz uma careta e endireitei o corpo, me virando para quem quer que fosse que estava falando. Era normal ter duas pessoas iguais naquele lugar? E que lugar era esse afinal? Onde raios Harry Potter e a sua trupe haviam arranjado aquele lugar? Perguntas que eu não tinha consciência de pensar em alguma resposta coerente.

Ouvi Lisa falar com a mulher, ainda me segurando. Nossas malas foram tiradas de nossas mãos e levadas para algum lugar. Agora que eu sentia que estávamos em terra, meus olhos começaram a pesar, como se meu corpo, enfim, pudesse desligar e que nada de mal poderia acontecer. Mal notei quando fui guiado por uns corredores e, quando finalmente paramos em nosso quarto, eu caí na cama. E apaguei.

Ao acordar, tudo o que eu podia ouvir era o silêncio. Demorei alguns segundos para compreender que eu não estava mais no meu quarto na Inglaterra. Eu já conseguia sentir o clima diferente. Ali, onde eu estava deitado, era fresco; o barulho de pássaros do lado de fora era agradável, parecia que já estava anoitecendo. Esfregando os olhos, me sentei na cama. O vestido de noiva de Lisa estava pousado em cima de uma poltrona e eu não acreditava que eu não o tinha tirado. Então eu percebi o que tinha acontecido. Elisabeth tinha me dado uma dose cavalar de calmante!

Olhei ao redor à procura da dita cuja, mas tudo o que vi foram os vestígios de que ela esteve ali. Passei a mão em meus cabelos, os tirando dos olhos e me levantei, observando o quarto amplo. A cama de casal, o chão de madeira corrida, as paredes beges, com quadros da flora e da fauna do lugar, o banheiro, onde uma parede de vidro embaçado separava do quarto e nela um enorme espelho, uma mesa na varanda e duas poltronas decoravam o quarto. Aconchegante. Mas eu teria aproveitado tudo muito mais se a minha esposa se encontrasse no quarto.

Um bilhete veio voando da varanda até mim e eu ergui uma das sobrancelhas quando o pedaço de papel parou na minha frente. Peguei o mesmo e abri, as letras caprichosas de Lisa formando a frase: “Estou no bar, hoje tem luau. Vem me encontrar, James. Estou te esperando.” Eu não precisei ler duas vezes. Corri direto até a minha mala e peguei uma bermuda branca, uma camisa azul de mangas, com o pano leve o suficiente para que meu abdômen definido fosse visto, tomei uma ducha rápida, finalmente sentindo que estava acordado, me vesti e fui procurar o bar onde Lisa me esperava.

Ao andar pelo lugar, notei que ali não era um hotel normal de trouxas. De algum modo, conseguiram um hotel bruxo em pleno Rio de Janeiro. Vi vassouras se moverem sozinhas, algumas aves que eu não sabia o nome voando pelo lugar, aves que, com certeza, não era uma arara azul. Vi alguns bruxos usando a varinha para arrumar um vaso quebrado. Entretanto, eu estava perdido. Não fazia ideia de onde ficava o bar. Uma senhorinha me viu e me ajudou a ir para uma espécie de fundos do hotel. A brisa e o cheiro de maresia me atingiram em cheio, uma porta de vidro enorme estava aberta, com a visão do bar e mais a frente o luau que Lisa mencionou. Agradeci à senhorinha e saí a procura da minha esposa — vocês perceberam que eu gosto de mencionar a palavra esposa, né? —, o mar me saudando.

Meus pés estavam descalços quando entrei em contato com a areia morna, olhando para os lados, procurando Lisa por entre o tanto de pessoas que estavam ali. E, sabe quando você conseguia ver a pessoa amada em câmera lenta? Quando aquele fio invisível me puxou para a direção certa, eu a vi. A brisa balançando seus cabelos médios e cacheados, o vestido branco bordado e longo esvoaçando enquanto o seu rosto se virava em minha direção, o sorriso genuíno em seus lábios, toda a cena em câmera lenta. Eu não conseguia dar um passo, estava preso. Preso na visão que Elisabeth era.

— Acordou, Belo Adormecido? — brincou ela quando estava perto o suficiente. O sorriso provocativo em seus lábios era, simplesmente, tentador.

— Você me deu Boa Noite, Cinderela, Elisabeth! — exclamei, o que a fez soltar uma risada. Eu era mesmo um idiota apaixonado, pois eu só fiquei a encarando, apreciando a sua risada, o jeito que seu pescoço ficava livre para beijar quando ela inclinava a cabeça para trás para rir.

— Fala sério, Potter! Você ficou acordado o tempo inteiro — rebateu Lisa, finalmente, bem perto de mim. Como se meus dedos não conseguissem ficar longe dela, alcancei a sua cintura e a puxei para mim. Minha esposa ofegou, mas riu, envolvendo o meu pescoço.

— Na mais pura viagem — respondi, meus lábios se erguendo em um sorriso. — Temos que lembrar que... — eu a beijei nos lábios, ouvindo-a suspirar — você não poderá dar remédios para nossos filhos.

Ela riu outra vez e me puxou pela mão, me guiando até onde o luau realmente acontecia. A música não era tão alta e podíamos ouvir os casais rindo. A paisagem era extremamente bonita, ainda mais com a minha esposa nela. Ali, perto da água do mar, corria um vento não muito gelado — e com certeza não seria como estar à beira mar do Chalé das Conchas, por exemplo — haviam luzes flutuantes pelo caminho de areia e os instrumentos flutuantes tocando. As pessoas ao nosso redor riam e se divertiam.

Deslizei minha mão até a base das costas de Lisa e a conduzi em uma dança. O seu sorriso brilhava na meia luz, os cabelos dela sempre em movimento por causa do vento; eu jamais me cansaria de vê-la, jamais me cansaria de tê-la por perto. Eu nunca fui tão feliz em toda a minha vida.

— Você é linda — falei, sem sussurrar. Porque aquilo não era segredo. — Você precisa dizer que eu sou também — completei quando Lisa apenas agradeceu. Mas ela riu e ficou na ponta dos pés para me dar um selinho.

— Está para nascer alguém mais convencido que você — o seu olhar demonstrava puro amor e aquilo mexia comigo. Não sabia que eu podia me ver nos olhos de outra pessoa até Elisabeth me olhar daquela forma. — Eu amo você, James.

— Por Deus, Leãozinho, você me deixa louco — comentei, com a voz carregada de emoção e a puxei para um beijo demorado.

A voz amplificada de um homem chegou até meus ouvidos, me fazendo separar dela. O cara estava em um palanque flutuante, seu sotaque era carregado, mas dava para compreender o que dizia. Coloquei Lisa à minha frente, a abraçando por trás, sentindo suas mãos nas minhas e prestando atenção no que o homem falava

— Bem-vindos ao Resort Amor, amor. Sim, isso mesmo. O primeiro hotel bruxo no Rio de Janeiro voltado para casais, onde os pombinhos desfrutarão de suas férias, sua lua de mel — o sorriso dele aumentou, como se tivesse algum significado. — Sou Paulo Vieira e serei o seu guia. E se vocês pensam que ficariam sem nada para fazer, esse não é o resort certo para vocês. Hoje, em nosso luau, teremos algumas competições com prêmios.

Aqui, eu já fiquei com as costas mais eretas. Meu lado competidor da época em que joguei quadribol voltando à tona. À minha frente, Lisa ergueu o rosto para me olhar e eu sabia que ela pensava a mesma coisa que eu: não aceitaria nada menos do que um lugar no pódio. Ah, Merlin, essa mulher era perfeita para mim! O sorrisinho em meus lábios era resposta o suficiente para minha esposa.

Paulo continuou, floreando com a varinha, fazendo uma pista de dança surgir diante de nossos olhos e dos outros casais.

— Hoje, dança com cocos. Cada casal terá de dançar, sem deixar o coco cair. Será eliminado quem deixar cair, ok? — disse Paulo e os casais animados riram como resposta. — O prêmio? Ah, um passeio pelas cachoeiras em nossa ilha, com spa personalizados para o casal.

O olhar dele recaiu na gente e seus olhos pousaram em mim e Lisa, seu olhar de reconhecimento dizia que iria se deleitar com a presença do filho de Harry Potter ali. Ou, se ele acompanhasse o mundo trouxa, Lisa Carter.

— Muito bem, pombinhos, para pista!

Ele bateu palmas e um globo espelhado apareceu ali e a música trouxa ”I Will Survive” começou a tocar em algum lugar da praia. E, mais uma vez, me perguntei onde raios meus amigos e pais encontraram aquele lugar.

Os cocos foram entregues para gente e eu coloquei a fruta entre nós. Sorrimos um para o outro, nos movendo com o ritmo da música; alguns casais tentaram roubar, mas não no nosso turno. Se tinha alguma coisa que éramos bons, era ser uma dupla. Como várias vezes já me ocorreu, me perguntei como eu não tinha enxergado a possibilidade entre nós antes; Como eu nunca tinha visto que Lisa era, literalmente, a minha outra metade?

Ouvimos alguns xingamentos, risadas, a música acelerando para dificultar a brincadeira. Lisa e eu mantinhamos o nosso coco entre nós, ora em nossas barrigas, ora em nosso peito, dando boas risadas. Entretanto, mesmo que a gente estivesse se divertindo, ainda tínhamos o nosso espírito competitivo para fazer com que aquele coco não caísse por nada. Nunca desviando o olhar um do outro.

— Temos os vencedores! — gritou Paulo e a gente olhou ao redor, percebendo que o último casal a ficar na pista fomos nós.

Os olhos da minha esposa se iluminaram e ela começou a pular pelo palco, enquanto um elfo doméstico veio com dois colares de flores para nos consagrar os vencedores. Eu me abaixei, aceitando o colar e Lisa ria, feliz com o resultado. Meus olhos não saíram de seu rosto feliz e iluminado, tão linda que tudo o que eu podia fazer era apreciá-la.

Quando seu rosto se virou para mim, eu sorri. Nunca me senti tão leve, tão... Apaixonado. Lisa voltou para perto de mim, logo depois Paulo explicou como funcionaria o spa. Eu tinha certeza que ele tinha reconhecido um de nós dois, mas não disse nada, apenas que nos divertíssemos no dia seguinte. Houve mais algumas brincadeiras, mas eu queria ficar a sós com minha esposa, afinal, era a nossa lua de mel.

Eu estava sentado na areia, com um chá de pêssego na mão, enquanto Lisa voltava com um drink cor de rosa do bar. A água estava calma, chegava até meus pés e depois recuava. Me apoiei nos cotovelos, olhando minha mulher andar em minha direção. Acho que, toda vez que eu parasse para observá-la, eu a veria em câmera lenta.

Quando ela se sentou ao meu lado, ficamos em silêncio. Não era desconfortável, estávamos curtindo a paisagem, sentindo a brisa com cheiro de água do mar, os cabelos dela já tinham perdido os traços ondulados e começavam a cachear, do jeito que eu gostava. Eu não cansava de olhá-la. O vestido leve, que tinha subido quando ela se sentou, a transparência dele revelando um maiô cavado, as flores bordadas, o rosto delicado e forte ao mesmo tempo, a boca macia, a pele que parecia brilhar à luz da lua. Eu sei que eu sou bonito pra dedéu, mas Lisa? Era a única que conseguia ser mais bonita que eu. Imagina quando tivermos filhos?

O que me fez lembrar de uma conversa que havia mudado minha opinião alguns anos atrás, antes do casamento de Teddy e Vic.

— Você quer ter filhos? — perguntei, ansioso pela sua resposta.

Ela me olhou, inclinando a cabeça. Seu sorriso se esgueirando nos lábios marcados de um vermelho suave.

— Já quer fazer uns bebês, James? — provocou, mas depois ela assentiu. — Sim, eu quero. Sempre me imaginei como mãe... Bom, teve um tempo que eu fiz de tudo para não ser. Mas com você? Com você, com certeza quero. Quero ter uma casa cheia para a qual voltar, quero estabilidade e, com você, eu sei que terei. E eu já tenho.

Se é que era possível, meu amor por aquela mulher só aumentou. Me inclinei para o lado, beijando aqueles lábios que eu estava louco para beijar, tentando colocar tudo o que eu sentia naquele beijo.

— Eu queria ter tirado aquele vestido de noiva — sussurrei em seu ouvido, enquanto Lisa ficava parada, me ouvindo com atenção. — Você estava incrivelmente deliciosa nele. Queria descer aquele zíper e ver qual lingerie você estava usando e depois tirar lentamente, enquanto eu apreciaria sua pele quente, seu corpo implorando para eu fodê-la gostoso naquele quarto. Nossa primeira foda como marido e mulher. — Conforme eu falava, eu sentia a respiração dela acelerar. Meus dedos baixaram uma das alças do vestido. — Eu tinha planos e você me drogou, Lisa. Vou ter que te punir por isso — falei, beijando seu ombro exposto.

Ela ofegou e segurou o meu rosto para que eu a olhasse. Meus olhos encontraram os dela, vendo o brilho da luxúria neles.

— Primeiro, você estava dizendo que o avião ia cair. Segundo, tire esse e me puna como quiser — mandou Lisa e eu seria um péssimo marido se não obedecesse.

Me levantei, tirando a areia da bermuda e estendi a mão para Lisa, que aceitou de bom grado. Eu não tinha pressa, queria estender aquele momento para ser o mais prazeroso possível, com aquele gostinho de antecipação, o mistério. Minha esposa merecia que eu a venerasse, merecia que eu a tratasse como a rainha que ela sabia que era. Os olhos felinos dela sempre em mim, enquanto eu a levava de volta para o nosso quarto.

No meio do corredor, eu parei e passei meu braço pelas suas coxas, a pegando no colo e a carregando até a porta que indicava que era o nosso lugar. Eu abri com um toque de varinha, Lisa não era pesada, e a pousei no chão assim que entramos. Fechei a porta e me virei para encarar Elizabeth. De alguma forma aquele momento era diferente dos outros. Era... Mais especial. Não que as outras noites não tivessem sido. Mas essa... expectativa era diferente.

Ela me olhou, sua expressão altiva, como se me desafiasse a chegar perto dela, o jeito que apenas ela tinha. Como um predador atrás de sua presa, encurtei a nossa distância com apenas dois passos largos. Eu inclinei a cabeça, sem tirar os olhos dela, vendo que cada curva sua era marcada por aquele vestido leve. Passei para trás dela, afastando os seus cabelos, notando seus pelos se arrepiarem com o meu mais leve toque. Deslizei uma das alças, depois a outra, fazendo o vestido cair com um baque surdo no chão. Como eu tinha percebido antes, o maiô era cavado e fio dental, o que fez minha imaginação criar asas. Ele era branco e se abria nas costas, seu dragão bem desenhado à mostra. Meu dedo o contornou e desceu até chegar na sua bunda empinada, onde eu apertei, a fazendo ofegar.

— Fio dental, Elisabeth? — perguntei, com a voz rouca, apertando o outro lado. — É para mim, é?

— Sim — sussurrou ela, parecendo não ter voz.

— E se eu rasgar?

— A gente usa Reparo — respondeu prontamente, me fazendo rir.

— Eu amo você, Leãozinho — sussurrei em seu ouvido, a fazendo estremecer. Deslizei meu dedo naquele fio, mas sem rasgá-lo. — Vire-se para mim.

Sem questionar, Lisa ficou de frente para mim. O decote entre os seus seios médios, a parte que cobria o paraíso, era tentador demais. Sem tirar os olhos dela, tirei a minha camisa e depois a minha bermuda, ficando apenas de cueca, enquanto os olhos de Lisa acompanhavam cada movimento feito. Me aproximei dela e, com delicadeza, tirei o seu maiô, a deixando nua à minha frente, o que me fez perder o fôlego. Os seios com os mamilos intumescidos, a barriga lisa, a cintura com as curvas certas, até mesmo as pequenas estrias, a faziam ser o ser humano mais lindo de todos.

Passei a língua entre os meus lábios, a pegando pela cintura, e as minhas mãos se enterrando em sua nuca. Inclinei a sua cabeça para trás e beijei seu pescoço, ouvindo-a soltar um pequeno suspiro. Subi os lábios e beijei a sua boca, meu membro já duro em minha cueca. Eu queria aproveitar ao máximo aquele momento; o momento em que Lisa seria ainda mais minha. Ela retribuiu o beijo, arranhando a minha nuca e fazendo com que eu gemesse. Mas logo tirei sua mão dali, tirando a minha cueca, e me sentei na beirada da cama, colocando-a em meu colo.

Lisa sentou e eu pude sentir sua intimidade tocar meu pau. Mas eu não queria foder agora. Olhei em seus olhos e abaixei o rosto, rodeando o bico do seu seio direito com a língua, o que fez com que Lisa se esfregasse no meu membro, o molhando ainda mais com a sua excitação. Gemi, abocanhando seu seio enquanto minha outra mão movimentava a sua bunda, sentindo seus pequenos lábios se abrirem para receber meu pau. Lisa gemia, segurando o meu cabelo, rebolando em mim; aquilo era tentador demais, mas eu queria era fazer com que ela enlouquecesse. Queria prolongar aquele momento, queria que Lisa fosse apreciada pelas minhas mãos, pela minha boca, queria tratá-la como ela sempre deveria ter sido tratada: com devoção.

Meus lábios subiram para os seus, minha língua pedindo passagem enquanto, sem resistência alguma, Lisa deixava. O toque da sua língua na minha enviava ondas de prazer até meu pau, minhas mãos apertando a sua cintura, onde meus dedos se encaixavam perfeitamente. O corpo dela parecia ter sido feito para mim, onde cada parte que eu tocava era o certo. Lisa se esfregava em mim, tentando aliviar a excitação que sentia, aquilo me fazia ficar louco. Seu beijo era o melhor que eu já tinha experimentado, suas mãos tão exploratórias quanto as minhas. Tudo nela era magnético, tudo nela me puxava para perto. Eu a amava como nunca pensei que amaria alguém.

Levantei da cama com Lisa em meu colo, a surpreendendo. Ela se afastou de meus lábios, sorrindo, os olhos pequenos pela excitação e, Deus, aquilo era extremamente sexy. Com delicadeza, eu a coloquei na cama, seu corpo totalmente exposto para mim era a visão do paraíso.

— Você é tão linda, Elisabeth — disse eu em um suspiro. — O que eu faço com você?

Como em resposta, Lisa abriu as pernas, o que fez meu pau latejar para estar dentro dela. O sorriso safado em seu rosto, como se soubesse que aquilo me faria enlouquecer. E ela estava certa. Me ajoelhei, puxando o seu corpo mais para a ponta da cama, fazendo-a ofegar pela surpresa. Beijei sua coxa esquerda, depois a direita, subindo sempre, até chegar onde eu queria. Coloquei cada perna dela em cada lado dos meus ombros, espalmando a mão em sua barriga e beijei sua abertura, fazendo-a arquear o corpo. Minha língua fez um caminho conhecido, acariciando seu clitóris e depois descendo até a sua entrada, só para refazer o caminho em seguida. Elisabeth se contorcia nos lençois, gemendo meu nome. Aquilo era música para os meus ouvidos.

O gosto dela era o melhor que eu tinha experimentado, suas mãos agarraram meus cabelos, me mantendo onde queria. Eu não estava brincando quando disse que iria venerá-la: ajoelhado diante dela, me deleitando com seu gosto, apreciando o fato de Lisa estar tendo o prazer que merecia. E aquilo era simplesmente excitante e gratificante.

— James, James — gemeu minha esposa. — Eu vou gozar!

— Goza na minha boca, leãozinho — falei, chupando e lambendo com mais precisão. Lisa rebolava em meu rosto, segurando meus cabelos com mais força, seus gemidos eram mais ouvidos agora. E, então, avisando outra vez, ela se desfez em minha boca, seu líquido escorrendo. Eu sorvi, ficando, se é que era possível, ainda mais excitado. Eu poderia gozar agora só de ver seu corpo arquear daquela maneira.

Me levantei, olhando em seu rosto corado, a expressão satisfeita.

— Sem cerimônias, Elisabeth, você já está pronta para mim — falei, lambendo os lábios. Lisa soltou um gemido que foi enviado diretamente para o meu membro.

— Então me fode — pediu e quem era para não obedecer?

Sorrindo marotamente, me posicionei entre as suas pernas, as abrindo mais, segurando a base do meu pau e esfregando em seu clitóris, a melando com a minha própria excitação. E, por fim, eu a penetrei. O gemido que escapou dos meus lábios era de, finalmente, alívio. Meu pau doía, queria estar dentro dela há muito tempo, mas eu era um marido atencioso e amava dar atenção para minha esposa.

A boceta dela me apertou, quente e molhada. Segurei uma de suas pernas em meus ombros, entrando e saindo, aproveitando aquela sensação maravilhosa, vendo seus peitos balançarem enquanto eu empurrava para dentro dela. A expressão de prazer em seu rosto despertava o meu próprio, senti-la tão apertada, esmagando meu pau, me fazia ver estrelas. E, Merlin, ela era linda.

Me inclinei para frente, sem sair de dentro dela, e a beijei. A perna que antes estava em meu ombro agora se juntava a outra, envolvendo a minha cintura e me puxando para ficar ainda mais colado ao seu corpo, me fazendo sentir ainda mais dela. Minhas mãos seguiram para a sua cintura, sem deixar de penetrá-la, gemendo em seu ouvido, em sua boca. Parecia que nenhum toque era o suficiente para aplacar a excitação, a nossa necessidade um do outro. Era intenso demais e jamais nenhuma outra mulher me fez sentir assim.

Continuei daquela maneira, até que eu saí de dentro dela, a virando de costas para mim. Instintivamente, ou não, Lisa empinou a bunda e eu tive uma visão privilegiada da sua boceta. Me posicionei, segurando os seus quadris e, lentamente, entrei novamente, gemendo e jogando a cabeça para trás. Eu nunca me cansaria daquela sensação, daquele prazer que me acercava toda vez que eu estava com Lisa. Ela me olhava, com a cabeça para o lado, pedindo por mais, pedindo para que eu a comesse mais rápido e, apesar de querer prolongar tudo aquilo, não conseguia resistir àquele olhar, como se ela implorasse para ir mais fundo, para que eu fosse rápido. Apertei sua bunda e depois desferi um tapa, fazendo-a gemer mais alto. Meu Merlin, eu não aguentaria por muito mais tempo. Me inclinei para frente e toquei seu clitóris, a fazendo gemer mais alto, sem parar de fodê-la. Ter Lisa à minha mercê era extremamente excitante.

Continuei a carícia, entrando e saindo dela, sentindo-a me apertando, me deixando ainda mais louco.

— Quero que goze no meu pau, Lisa. — Sussurrei em seu ouvido e ganhei um gemido manhoso em resposta. Endireitei o corpo, segurando os seus cabelos, ambos consumidos pelo ato, ambos embebidos no prazer que causamos um ao outro. Eu ia mais rápido e Lisa concordava, me incentivando, quando eu a senti gozar novamente, gemendo tão alto que eu não me surpreenderia se alguém escutasse.

Aquele simples ato, enquanto sua boceta me apertava, fez com que o meu próprio corpo retesasse, sentindo o orgamo chegando. Aumentei ainda mais a velocidade, puxando os seus cabelos, e então jorrei dentro dela, jogando a cabeça para trás e apertando a sua bunda contra meus quadris. Meu gemido preencheu o quarto, o alívio percorrendo meu corpo, o orgasmo mais longo que eu já tive. Após meu coração acalmar, eu saí de dentro dela. Deitei ao seu lado e a peguei para que deitasse a cabeça em meu peito.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que ouvi a sua voz.

— Eu amo você, James — sussurrou ela. Afastei os cabelos de seu rosto com delicadeza e segurei o seu rosto.

— Eu também te amo, Lisa — respondi, com suavidade. — Vem, vamos tomar um banho.

Seus olhos encontraram os meus e ela sorriu, aceitando minha mão estendida.

Os dias que nós ficamos no resort Amor, Amor foram os dias mais incríveis da minha vida. A companhia de Lisa, as atividades, o clima que o Rio de Janeiro nos causava era apenas tudo o que eu poderia pedir e muito mais. Visitamos o Cristo Redentor, fomos ao Pão de Açúcar — e não, não era uma comida —, mas o melhor de tudo foi que aproveitamos um ao outro. E eu não podia pedir mais nada.

(...)

Ao voltarmos para o Reino Unido, Lisa e eu organizamos a mudança dela para a casa que eu estava vivendo em Godrics Hollow. Após todos os acontecimentos, Stephen tinha concordado que ela ficasse com o apartamento, mas Lisa odiava o lugar, então ela o tinha vendido meses depois durante suas viagens. Ao voltar delas ela tinha alugado um estúdio no centro de Londres, que facilitava o acesso dela ao ministério, mas a verdade é que ela praticamente já morava comigo muito antes do nosso casamento, então era apenas o certo a se fazer. A casa era pequena, com um só quarto, mas era tudo o que precisávamos e eu permiti que ela decorasse e organizasse tudo como ela bem preferisse. Lisa feliz me fazia feliz e ver o sorriso no rosto dela enquanto ela escolhia os tapetes ou almofadas que ela mais gostava era tudo o que importava para mim.

Foi só em março do ano seguinte que as burocracias quanto a minha poção chegaram ao fim e ela finalmente chegou às prateleiras. O primeiro lote, produzido por mim mesmo ao longo de algumas semanas sem dormir, alcançou as lojas do Beco Diagonal e de Hogsmeade, os principais destinos de escolha dos bruxos britânicos e, bem, foi um verdadeiro sucesso.

Todas as unidades distribuídas esgotaram no mesmo dia e no dia seguinte a novidade já estampava os principais jornais e revistas bruxas. Uns me exaltavam pela descoberta, pela minha astúcia em ter pensado algo assim, outras destacavam como o fruto não caía longe da árvore e fizeram longas matérias explicando sobre como a família Potter sempre surpreendia positivamente, começando pela poção do meu bisavô Fleamont, passando pela luta do meu avô James na luta durante a primeira guerra bruxa, meu pai obviamente e, então, eu. Eles sublinharam as maravilhas de nascer em minha família e diziam que talento corria na veia dos Potter e, ao contrário do que vocês podem estar imaginando, eu não fiquei incomodado que estivessem atrelando meu sucesso à minha família ou à genética, mesmo que eu tivesse passado anos longe deles pra evitar isso, e eu definitivamente não dei uma entrevista falando sobre como respeitava as conquistas do meu pai e avôs, mas destacando que aquela em específico era minha e apenas minha. Lidei com tudo muito bem e meu ego em momento algum tomou o controle da situação, garanto a vocês.

Felizmente eu tinha Elisabeth ao meu lado e ela me ajudou a manter os pés no chão conforme eu fui descobrindo o que era deixar de ser o filho de Harry Potter para me tornar James Sirius Potter para o restante da sociedade bruxa. Em menos de um mês outras diversas lojas e vilarejos já tinham seus pedidos e a sorte foi a descoberta de que a poção tinha uma validade prolongada, o que ajudava bastante, já que para conseguir atender a demanda — e ainda manter meu calendário de aulas — eu precisava produzir algumas com antecedência.

Para resolver esse problema eu pretendia disponibilizar a receita completa o quanto antes, entretanto, levou mais um ano para que o ministério aprovasse a venda da minha água — que eu nomeei como água de Aimée — ingrediente indispensável para aquela poção, para que eu realmente conseguisse fazer aquilo. Eu tinha a suspeita de que eles estavam tentando replicá-la eles próprios para não me conceder uma segunda patente, mas, bem, eles falharam e por sorte minha tia era a ministra da magia e intercedeu pela liberação do alvará para os bruxos que queriam replicá-la em casa.

Nesse meio tempo, eu precisei contratar funcionários para me ajudarem na produção que, em dois meses, já tinha se tornado internacional. Pausini, Héktor Michaedelis, madame Peltier e Millefeuille todos entraram em contato comigo para me parabenizar pela conquista, Héktor tinha acrescentado um prolongado pedido de desculpas na carta dele, mas todos tinham acompanhado e contribuído para minha pesquisa e, sem eles, nada daquilo seria possível. É claro, também, que todos queriam mais do que apenas me parabenizar, como benefícios e licenças exclusivas para venda e produção da minha poção. Coisas que levariam ainda mais tempo para ser acertadas.

Em três anos minha poção já tinha se tornado uma sensação em todo o mundo bruxo. De norte a sul, leste a oeste, bruxos e bruxas de diferentes idades compravam ou reproduziam aquela receita em casa. Como sempre tinha sido meu desejo, ela era acessível a todos. O frasco pronto possuía um valor elevado, mas os ingredientes eram fáceis de encontrar ou reproduzir em casa e a água não era vendida por valores exorbitantes, coisa que eu fizera questão de exigir em cada contrato fechado com cada loja ou importadora que a adquiria. E, mesmo sendo consideravelmente barata, e talvez possivelmente graças a isso, a minha fortuna logo começou a crescer exponencialmente.

Para além das vendas eu comecei a ser convocado para ensinar a poção em diversas escolas espalhadas pelo globo, fazer palestras em convenções de pocionistas e eu também estive presente no evento de abertura de um dos maiores campeonatos de Poção da Europa. Sempre que possível Elisabeth me acompanhava, mas eu também fazia questão de nunca ficar mais que três dias longe dela e, graças a minha poção e os incríveis meios de transporte bruxo, eu conseguia sempre voltar para os braços da minha esposa.

Era caótico, mas era incrível. Ainda assim, lecionar era minha verdadeira paixão. E por mais que meu ego adorasse toda a atenção, as entrevistas, a demanda, alguns anos depois eu decidi dar um passo para trás em tudo aquilo. Em cinco anos a Poção do Bem-Estar já era produzida em diversas fábricas pelos continentes. A água de Aimée era feita exclusivamente em uma pequena (não-tão-pequena-assim) fábrica ao norte da Inglaterra e distribuída tanto para outras fábricas de poções quanto para lojas e escolas ao redor do mundo. Eu era o dono dela, mas agora comparecia apenas em reuniões mensais como sócio majoritário da empresa, porém conseguia me dedicar a fazer aquilo que eu amava: ensinar.

Desde o sucesso da poção eu deixei meu cargo na pequena escola que eu tinha começado em Puddlemere e agora lecionava apenas em aulas programadas em diversas escolas como professor convidado para ensinar o preparo da minha poção. Pagava melhor e me permitia conhecer e ensinar ainda mais alunos em todo o mundo, mas principalmente na Europa. Minha primeira vez indo lecionar em Ilvermorny quase fizera Paisley desmaiar de empolgação, mas tão logo ela se recuperou do choque de me ver por lá ela passou todos os anos seguintes de seu ensino, e eu sei disso pela muito segura fonte da mãe dela, se exibindo como a filha do professor bonitão.

Mas vamos respirar um pouco antes de continuarmos essa história, ok? Porque sim, cinco anos se passaram. E apesar de, depois de todo esse tempo, vocês terem descoberto quem era *A* mulher de James Sirius Potter, eu imagino que vocês tenham perguntas sobre o que aconteceu com aquelas que perderam o grande partido que sou eu. Então vamos lá:

Ginevra Weasley Potter segue feliz e casada com o irritante cara de olhos verdes que agora se nega a me dar sapos de chocolate por afirmar que eu tenho “dinheiro suficiente” pra comprar os meus (ele me compra em seguida mesmo assim).

Dominique Delacour-Weasley e Fred viviam juntos agora, mas minha prima ainda estava se fazendo de difícil quanto a um casamento por achar “piegas” demais. Ela ajudava na criação da pequena Sara, mas após um susto tendo acreditado estar ela própria grávida ela acreditava que ainda não estava pronta para ser mãe. Ambos tinham aberto um restaurante no beco diagonal como extensão da loja Gemialidades Weasley e agora discutiam sobre a abertura de uma filial em Hogsmeade.

Ruby Chang, da última vez que eu tinha checado, tinha embarcado em uma missão ultra-secreta e ao que tudo indicava ela estava agindo disfarçada em alguma operação muito maior do que eu conseguia sequer imaginar. Nem meu pai nem Vic falavam muito sobre isso, mas ela parecia estar bem e realizada na própria profissão, então isso teria que bastar.

Maya Jackson e Kenton tinham se casado antes do meu casamento e o de Lisa, mas o casamento tinha chegado ao fim no começo daquele ano e agora minha cunhadinha — era como se fosse! — estava concentrada na carreira de autora e afirmava com convicção que, com o lançamento do primeiro livro dela programado para novembro, ela não tinha tempo para homem.

Clarisse Wood tinha conseguido se estabilizar, ao que tudo indicava. Ouvi dizer que ela tivera algumas recaídas quando minha poção saiu e meu nome estava em todos os lugares, mas, no geral, ela estava bem, se recuperando. Ela tinha conseguido a vaga de artilheira em um time da segunda divisão na Irlanda e tinha se descoberto lésbica. O que é meio chocante, eu sei, mas querem ficar ainda mais chocados? Muito bem, atualmente ela estava namorando Elena Brothback, que era bissexual e estava trabalhando na administração do dito time que Clarisse agora jogava. Apesar do que vocês podem estar pensando, o relacionamento delas começou depois delas se reencontrarem durante os jogos e treinos.

Luna Longbottom, minha doce e adorável Luna, tinha trocado votos com meu irmão dois anos após o meu casamento com Lisa e três anos atrás minha adorável afilhada Ariel tinha chegado a esse mundo. E nós não vamos fazer as contas sobre como o tempo entre o nascimento dela e o casamento foi de apenas seis meses. Podemos falar porém sobre como Ariel iria em breve se tornar uma irmã mais velha. Não vamos, entretanto, pensar sobre como bebês são feitos e como a doce e inocente Luna jamais participaria das atividades nefastas envolvidas na geração deles. Seguindo!

Louise Macbeth Holmes tinha aberto a própria companhia de teatro no sul de Londres e tinha atado os nós com um diretor cujo nome era Hamlet. Quero dizer, eles claramente iam acabar se casando, não acham?

Teresa Melikv e Dimitri finalmente tinham tirado férias e no último ano eles celebraram o casamento em uma cerimônia pequena em uma belíssima praia do Rio de Janeiro para a família e amigos. A lua de mel deles durou 2 dias e ambos voltaram ao trabalho em seguida ao afirmarem que não aguentavam ficar muito tempo “sem fazer nada”.

Rose Weasley e Scorpius estavam felizes e casados. O trabalho escolhido por ambos ainda exigia que eles viajassem bastante, mas independente disso a pequena Saphira Hope Malfoy II, que completara seu sexto ano de vida no dia 13 de março, já era a orgulhosa irmã mais velha da pequena Carina, de 4 anos, e Caelum, de 2 meses.

Amber Skeeter continuava espalhando seu veneno pelo mundo bruxo. The Poison Magazine não mais era um periódico que espalhava mentiras sobre Hogwarts e seus alunos, mas sobre toda a sociedade Britânica e cada vez que eu a negava uma entrevista, uma nova mentira completamente infundada sobre mim ganhava a capa da edição seguinte.

Mia Corner atualmente trabalhava na minha fábrica, no setor dedicado à estudos dos ingredientes e, segundo as palavras da própria, estava feliz, realizada e solteira porque homem só dava trabalho e ela não tinha tempo pra isso com sete gatos para criar.

Alisson McBee e Holly Tricckle se juntam a Kristina Petroff sendo as únicas mulheres que eu não soube nada sobre nos últimos anos.

Viola von Blumm continuava seu trabalho de encantar crianças que precisavam de carinho, dando tudo de si por aqueles que não tinham quase nada. Paisley se formara em Ilvermorny dois anos atrás e eu não vou falar sobre o manezão que ela apareceu namorando no natal, o que eu vou falar no lugar é o quão orgulhoso eu fiquei quando, após a formatura, ela veio até mim falando que também queria ser pocionista e tinha, assim como eu, se inscrito em um intercâmbio. Este, porém, passava por todos os cinco continentes ao longo de cinco anos (antártica não inclusa) e, ao contrário de mim, ela fazia questão de voltar nas comemorações especiais e mandar cartas semanalmente. E como aqui a gente não acredita em nada de meritocracia e apoia 100% o nepotismo, a vaga dela na minha empresa já estava garantida quando os estudos terminassem.

Dione Michaedelis, segundo o pai dela, ainda estava de castigo pelo que tinha aprontado comigo e atualmente trabalhava na loja da família. E honestamente eu não tinha feito questão de saber muito mais sobre ela.

Dulce, quando voltamos para checar se estava tudo bem, tinha adotado mais 3 cachorros com deficiências e seguia trabalhando no pet shop perto do apartamento que ela vivia.

Lily e Hugo tinham comemorado o noivado no último outono e vinham desde então cuidando dos preparativos de casamento. Além disso, minha irmã tinha seguido os passos de nossa mãe e pouco tempo após meu casamento e de Lisa ela tinha finalmente conquistado o emprego dos sonhos: a posição de artilheira no Holyhead Harpies.

May Thomas tinha se casado com Jeremy Corner durante minha estadia na França, ela trabalhava no departamento de Esportes do Ministério e estava à espera do terceiro filho. E já que estamos nesse assunto, Stephen tinha se casado com uma companheira de time dois anos atrás — que Lisa tinha me contado quando vimos a notícia que ele beijara quando eles ainda estavam juntos — E ambos tinham anunciado para os tabloides que estavam esperando o primeiro filho.

Aimée tinha assumido a posição de bibliotecária-chefe em Beauxbatons e ela e Elliott agora compunham uma adorável pequena família composta por eles dois, o pequeno Antoine e o menor ainda Remy — o último sendo um gato persa.

E, por fim, a mais importante de todas. Marie. Desde meu retorno essa ingrata evitava minha companhia a todo custo. Eu imagino que a viagem de vassoura da Espanha à Inglaterra não tenha sido agradável, mas eu a tinha dado amor e carinho por meses, resgatado ela do frio, e era assim que ela me tratava. Ela tinha se recusado a ir pra França comigo e a verdade é que desde o dia que eu pisara na casa dos meus pais ela tinha se tornado oficialmente a gata do meu pai. Acho que ela apenas preferia homens mais velhos, como aquele vizinho de Dulce. Talvez em alguns anos eu tivesse chances com ela.

Mas enfim! De volta ao presente, e caso vocês tenham se perdido nesse vem e vai no tempo estamos em Julho de 2035 aqui ok? E não vamos falar como eu já tinha passado dos trinta e estava cada dia mais próximo dos meus trinta e um anos.

Elisabeth tinha no começo da semana se tornado a mais jovem chefe de departamento do Departamento de Relações Trouxas. Com as contribuições dela às ditas relações, Lisa tinha aumentado incrivelmente a ligação entre o ministério bruxo e o ministério trouxa, espalhando mais conhecimento dentre a comunidade bruxa sobre o mundo Trouxa — nós agora tínhamos canais de televisão graças a ela, que explicara sobre CGI para os superiores e contara sobre como no caso acidental de erro na transmissão e o canal funcionar em alguma TV trouxa eles pensariam ser apenas uma série ou filme com altíssimo orçamento — e promovendo a igualdade e aceitação dentre bruxos, trouxas e nascidos-trouxas. Tópico que, apesar de já ser discutido desde a eleição de tia Mione como primeira ministra, ganhou ainda mais força com as campanhas e ideias propostas por Lisa, que a conquistaram promoções quase anuais e três prêmios devido suas colaborações à comunidade e sociedade.

O último desses prêmios tinha sido anunciado no começo da semana junto à promoção e naquele sábado nós estávamos planejando comemorar tudo aquilo. E sim, nós já tínhamos feito aquilo ao longo de toda a semana de todas as formas que vocês podem imaginar, mas o sábado seria a comemoração “oficial”. Elisabeth, porém, não estava em casa quando eu acordei. No lugar dela tinha uma nota que dizia “tenho uma surpresa para você, volta já”. E vocês me conhecem bem o suficiente pra saber que eu passei uma hora inteira na cama esperando por ela com os pensamentos mais indecentes possível quanto ao que seria aquela surpresa.

Eu fui tirado dos meus pensamentos devassos com a batida insistente na janela de uma coruja. Joguei a coberta para o lado para atendê-la, um sorriso safado tomando conta do meu rosto enquanto novos pensamentos se formavam, mas estes logo foram nublados no minuto que eu peguei a carta e enxerguei o selo que a fechava. Tinha aproximadamente 14 anos desde que eu tinha visto um selo daqueles pela última vez, com minha lista de materiais para meu último ano. Mesmo nas aulas experimentais que eu fora dar em Hogwarts, auxiliando o atual professor de poções Dagworth ao apresentar minha poção aos primeiranistas, os acordos tinham sido feito informalmente, normalmente via Neville quando nos encontrávamos no Caldeirão Furado nas férias e combinavamos tudo por lá mesmo. Aquilo era diferente, era oficial, era sério.

Fui até a cozinha para pagar a coruja com um pedaço de bolo e percebi que o envelope tremia em minhas mãos. A ave não perdeu tempo em partir enquanto eu me sentei à mesa, observando o brasão de Hogwarts lacrando em cera vermelha o conteúdo daquela carta. Eu não ouvia nada ao meu redor, minha respiração tinha parado, eu sentia cada batida acelerada do meu coração.

Puxando uma grande lufada de ar, tomei a coragem que precisava e rompi o lacre, puxando para fora o conteúdo. Uma só folha, a caligrafia clássica e elegante de Minerva Mcgonagall desenhava as letras pelo pergaminho.

“Querido James Sirius Potter,

Estou escrevendo a você para informar que nosso estimado professor de poções Nicholas Dagworth decidiu se aposentar este ano para explorar novas oportunidades e horizontes, deixando assim o cargo vago para os anos conseguintes. Nos últimos anos recebi com alegria suas aplicações ao cargo e, como anteriormente informado, entraria em contato quando a posição estivesse disponível, então assim o faço.

Para além do seu satisfatório currículo, suas aulas experimentais e workshops executadas aqui em Hogwarts foram todas muito bem avaliadas tanto pelo corpo discente quanto pelos demais professores que puderam acompanhá-lo, tendo eu mesma assistido uma delas e me encantado com a energia e didática que você consegue transmitir para as crianças. Somando tudo isso, é com prazer que eu gostaria de te oferecer a vaga de Professor de Poções na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Caso ainda seja de seu interesse, peço a gentileza de que me responda esta carta até, no máximo, o primeiro dia de Agosto, para que possamos então discutir outros detalhes como sua carga horária, salário e afins.

Atenciosamente,

Minerva McGonagall

Diretora.”

O mesmo selo vermelho com o Brasão que englobava as quatro casas estava prensado ao lado da assinatura de Minerva, oficializando aquele documento. Minha mão agora tremia mais ainda, minha respiração alternava entre parar por completo e acelerar de uma só vez. Eu queria gritar, pular, dançar. Finalmente. Mas eu não conseguia reagir para além de encarar as palavras escritas naquele papel, os elogios que Minerva tinha feito a mim. Eu! Um professor em Hogwarts! Como eu sempre quisera desde os meus dezesseis anos. A risada cresceu em meu peito e então ecoou pela casa. Se eu estivesse sonhando, não queria ser acordado.

— James? — Ouvi a voz de Lisa vindo da porta de entrada, incapaz de parar de rir. Estava acontecendo, estava finalmente acontecendo! — Meu amor, está tudo bem?

Ela enfim chegou ao meu campo de visão, apesar de eu rir eu consegui identificar aquele quê de preocupação pela posição da sobrancelha dela, eu sabia que estava rindo de nervoso, mas eu estava incrivelmente feliz, só não conseguia ainda pontuar isso. Logo, apenas ergui a carta para ela, que tomou o pergaminho em mãos. Conforme os olhos dela corriam pelo escrito, o sorriso de Lisa aumentava.

— Bom, Minerva conseguiu certamente minimizar a minha surpresa. — Ela revirou os olhos, mas sorria tão abertamente que era perceptível que ela não estava realmente chateada com Minerva. Lisa então se aproximou e sentou no meu colo, segurando meu rosto em mãos, o que funcionou como mágica para me fazer parar de rir, o cheiro de Pêssego com Framboesa dela dominando meus sentidos. — Você conseguiu meu amor! — O sorriso dela era tão grande que eu não pude deixar de rir também.

— Eu vou ser um professor em Hogwarts… — Disse, sentindo as palavras na minha língua, experimentando a sensação de dizer aquilo e saber que não era apenas um desejo, mas minha realidade em alguns meses.

— Você vai ser um professor em Hogwarts! — Lisa repetiu, me puxando para um beijo.

E, bem, aquilo bastou para me trazer de volta para a realidade. Puxei Lisa para mais perto de mim, segurando sua nuca e me preparando para levar aquela celebração para o quarto, mas ela logo rompeu o beijo, apoiando a mão no meu peito.

— Apesar de eu amar essa sua ideia e estar ciente que não tem nada que possa superar a surpresa de Minerva, eu realmente quero te mostrar algo. — Ela disse, deixando meu colo e dando alguns passos para trás.

Então todos os pensamentos inapropriados daquela manhã voltaram de uma só vez e eu relaxei na cadeira, observando com atenção o que estava por vir. Elisabeth, por sua vez, me observou de volta.

— Levanta. — Disse, impaciente, eu arqueei uma sobrancelha.

— Essa surpresa não é você em uma lingerie provocante? — Lisa jogou a cabeça para trás, rindo.

— Mais tarde. — Disse, provocativa. — Agora vá trocar de roupa antes que eu imploda de ansiedade.

Eu obedeci. E quinze minutos mais tarde estávamos parados em frente a uma casa em uma rua relativamente deserta. Com exceção a uma outra casa a uns 100 metros de distância, o rio atrás de mim e a curva que a rua fazia à esquerda, não havia muito mais ali. Mas eu sabia que estávamos em Hogsmeade pois no horizonte eu conseguia enxergar as torres mais altas de Hogwarts.

A casa era bonita, dois andares, janelas largas, porta de madeira. Uma casa clássica, grande, as paredes externas eram adornadas com pedras retangulares em diferentes tons de bege e marrom, o telhado escuro contrastava com a estrutura branca das janelas e uma chaminé seguia o modelo das paredes mais para o alto. De onde estávamos até a porta tinha um caminho de pedras mais redondas e claras e, ao redor de tudo isso, grama verde e flores davam mais vida ao local, assim como as plantas que cresciam no canto direito da propriedade, subindo grudadas na parede externa. Uma casa típica da Escócia, e eu conseguia dizer que havia mais dela ao fundo, mesmo que dali eu não pudesse ver muito.

— Ok? — Me virei para Elisabeth, que riu.

— O que você acha? — Eu semicerrei os olhos, voltando para a casa.

— É bonita. Parece ser grande, confortável. E não está tão perto das lojas, então imagino que as excursões de Hogwarts não sejam um problema. — Eu não sabia exatamente o quê ela queria que eu falasse.

— Ótimo. — Elisabeth parou de me olhar e virou-se para a casa. — Porque eu comprei ela. — Ela parou por um instante, enquanto eu voltava a olhá-la. — Na verdade eu comprei o lote e mandei construir. Meu salário é um pouco maior do que eu te disse da última vez, mas o ponto é… — Ela olhou pra mim, e eu agora continha o sorriso porque eu não tinha ideia de qual era o salário de Lisa e não me importava, eu não deixava ela pagar nada em casa não importava o quanto ela brigasse por isso, agora fazia sentido que no último ano ela tinha parado de insistir em pagar algumas contas. — E eu juro que eu não sabia que McGonaggall ia fazer isso logo hoje, mas, bem, eu terminei de ajeitar as coisas hoje de manhã e estava tão ansiosa pra te mostrar… o que eu estou querendo dizer é: — Lisa interrompeu a tagarelice por um instante e sorriu para mim. Amor e orgulho transbordando dos olhos dela, aquilo quase me deixara bambo. — Eu sempre soube que seu momento de lecionar em Hogwarts iria chegar. Nunca duvidei por nem um momento que você iria realizar esse sonho porque você é excepcional James. E por essa certeza eu soube que sempre faria tudo ao meu alcance para te apoiar e incentivar quando esse momento chegasse, da mesma forma que você sempre esteve lá por mim, eu queria estar aqui por você e, bem, desde que Vic se mudou para cá e contou como as coisas ficaram mais fáceis, pois não é tão difícil para Teddy ir para casa desde então, eu fiquei com essa ideia na cabeça e, enfim, ela não mora muito longe e no final das contas o timing foi perfeito, eu tentei replicar alguns detalhes da casa dos seus pais, combinar com meus gostos e os seus e…

Eu a puxei para perto, beijando-a. Eu amava tanto essa mulher que não existiam palavras para descrever. A atenção, o cuidado. O fato dela ter feito questão de buscar por algo que me permitisse estar com ela todos os dias quando eu conseguisse um emprego que, quando ela iniciara aquele projeto, era apenas um sonho. Eu não tinha como agradecê-la apropriadamente, mas eu certamente iria pensar em muitas formas de fazer isso.

— Tem mais. — Ela disse ao se afastar por ar.

— Mais do que uma casa inteira? — Ela voltou a rir e eu não contive o impulso de beijá-la outra vez, mas Lisa logo se afastou, fazendo o caminho até a porta de entrada.

— Quer fazer as honras? — Ela disse em um sussurro, indicando a maçaneta.

Eu sorri, abrindo a porta do nosso novo lar. A casa estava toda mobiliada, mas ela não me permitiu absorver os detalhes da propriedade enquanto me puxava escadas acima. Eu estava acreditando que tinha chegado o momento daquela lingerie que comentamos, mas então ela parou em frente a um quarto, me olhando com expectativa antes de abrir a porta de madeira clara e revelar um quarto de bebê completamente equipado, com berço, fraldário, cômoda, cadeira de balanço, tudo que vocês puderem imaginar. O tom de vermelho pastel com decorações douradas cobria as paredes, decoração de leõezinhos e outros animais de pelúcias somavam à decoração.

— Eu deveria ter te trazido aqui no mês passado, quando a construção terminou, mas algumas coisas mudaram e… — Ela entrou mais para o quarto, e eu a segui, olhos fixos em Lisa, meu coração agora martelando no peito. — Esse quarto era para estar vazio, você sabe, tem outros quatro aqui, esse claramente não é o nosso, ficaria vago até ser necessário, mas, bem… — Lisa então desabotoou o sobretudo que estava usando e acariciou a própria barriga. — Alguém quis participar dessa mudança desde o começo. — Meus olhos agora não desgrudavam da barriga de Lisa. Era quase imperceptível, mas, conforme ela passava a mão, eu consegui notar a leve protuberância que estava por ali. — E eu precisei então organizar tudo aqui por motivos de maior impacto e, você sabe, enfim… — Eu percebi que Lisa tinha os olhos fixos em mim, mas eu não conseguia tirar o meu olhar da barriga que ela acariciava. — Além de professor em hogwarts e proprietário de uma casa em Hogsmeade… você vai ser pai, James.

Notas finais
Oi de novo. Hoje não vai ter textão - só hoje. Em 30 dias vocês terão acesso ao último capítulo dessa fic e em 30 dias vamos fechar esse ciclo de 10 anos e ah... volto aqui a agradecer cada um de vocês que ainda tá aí pra ver esse capítulo se fechando conosco. Tem alguns nomezinhos especiais que eu sempre vejo por aqui, que ainda deixam uns comentários pra gente saber que vcs ainda tão lendo, mas vou guardar essas menções pro final - e ó, se vc quiser ser mencionado no agradecimento agora é o momento de deixar seu comentário kkkkkk, mas, ademais, vocês são muito bons em suas teorias e, sim, a última grande mulher da vida do James vai ser a filha dele. Agora como esse capítulo vai ser? Bom, sem spoilers, mas digo aqui que desde agosto esse é o primeiro capítulo que estamos fazendo sem estar com o próximo pronto. Iremos dar nosso melhor para cumprir os prazos estipulados, mas antes de ir, queria divulgar pra vocês umas conversinha dos bastidores q eu e laís tivemos quando decidimos esse cronograma e, bem, eu NÃO estou dizendo que o capítulo não vai sair no prazo combinado, mas eu to avisando que eu sou meio maluca q [17:41, 02/09/2024] Anália Galvão: amiga [17:41, 02/09/2024] Anália Galvão: foca aqui em mim q [17:41, 02/09/2024] Anália Galvão: faltam, teoricamente q, 4 capitulos [17:41, 02/09/2024] Anália Galvão: e 4 meses no ano [17:41, 02/09/2024] Anália Galvão: então eu estive pensando [17:42, 02/09/2024] Anália Galvão: a fic foi postada 12/12 [17:42, 02/09/2024] Anália Galvão: a gente podia fazer: [17:42, 02/09/2024] Laís: Estou lendo [17:42, 02/09/2024] Anália Galvão: 12/09 - aimée 12/10 - james 12/11 - lisa 12/12 - lois [17:42, 02/09/2024] Anália Galvão: e fechar [17:42, 02/09/2024] Laís: Goxtoooooo [17:43, 02/09/2024] Laís: Mas a gente tem que ser rápida [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: e aí se por algum acaso o da lois tiver que ser dividido em dois [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: a gente posta a parte 1 dela antes [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: mas fecha 12/12 [17:43, 02/09/2024] Laís: Beleza [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: simmm [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: 2 já tão prontos [17:43, 02/09/2024] Laís: Amooo e que triste [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: é só a lisa e a lois agr mesmo [17:43, 02/09/2024] Laís: To feliz e triste [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: eu to mais triste [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: kkkkkkkkkkkkk [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: quero muito acabar e finalizar desse jeito simbólico [17:43, 02/09/2024] Anália Galvão: ao msm tempo to "vou postar porra nenhuma" [17:44, 02/09/2024] Laís: Sim, a gente merece esse final [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk [17:44, 02/09/2024] Laís: Se não postar, nunca vai acabar [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: incluir mais 90 capítulos [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: vai virar os homens de lois potter [17:44, 02/09/2024] Laís: Fazer uns contos [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: e a gente vai emendando um no outro [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: contar as vidas de todas as mulheres [17:44, 02/09/2024] Laís: Amooooo até a próxima geração de Potter [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: que fim teve a giulietta [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: cm quem a ruby ficou [17:44, 02/09/2024] Laís: A gente pode fazer contos [17:44, 02/09/2024] Anália Galvão: se a saphira foi pro céu ou pro inferno [17:45, 02/09/2024] Anália Galvão: transformar amjsp em nossos velozes e furiosos a gente não vai fazer isso, mas... e se a gente fizer? Brincadeiras à parte espero que tenham gostado do capítulo, por favorzinho zinho se vc estiver por aí deixa um alô pra gente e, bem, até breve!