As Memórias do Coringa
1 As Memórias do Coringa
Notas iniciais
Passaram-se alguns anos, Coringa ainda estava preso no Asilo Arkham. Ele já havia perdido as contas de quanto tempo estava ali, mas isso não o importava mais. Após algumas tentativas fracassadas de escapar daquele lugar, Coringa finalmente conseguiu criar o plano perfeito para fugir do Asilo. Era perfeito, mas seu único defeito é que requer paciência, algo que ele tem muito pouco.
Enquanto concluía devagar algumas fases de seu plano, Coringa relembrava de algumas memórias antes de se tornar no que ele se tornou. Fazia isso para não se estressar e perder a cabeça por causa de seu plano. Mas, às vezes, algumas dessas memórias o machucavam, bem no fundo de sua alma sombria e caótica. Mas era necessário lembrar de seu passado para nunca se esquecer do porque ele se tornou um criminoso, um anarquista, um homem sem piedade, um masoquista e alguém que ri no meio do caos absoluto.
O Coringa.
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— Não consegue andar na bicicleta sem se machucar?! Seu idiota! — gritou o pai.
Estressado, ele andou com passos pesados e entrou na casa, batendo a porta. A mãe encarava a porta com dor em seus olhos, se arrependia amargamente a cada dia que passava por ter se casado com aquele homem. Seu olhar voltou para o seu filho, que estava caído na grama. Ele tentava segurar o choro, enquanto olhava fixamente para o joelho sangrando. A mãe corre ao encontro de seu filho e se ajoelha, o abraçando e fazendo um carinho em sua cabeça.
— Está tudo bem, querido. Mamãe está aqui. — deu um beijo em sua testa e, em seguida, limpava as lágrimas que escorriam de seus olhos inchados.
— Eu… não quero… mais cair! — exclamou em meio aos soluços.
— Não há problema algum em cair da bicicleta. É claro que, se cair, pode se machucar, mas você está aprendendo a andar ainda. É normal cair, meu filho. E é caindo que você aprende.
— Se eu cair… o papai… vai zangar comigo… de novo… — disse, abraçando a mãe com força.
— Papai é um idiota… Não se importe com ele. — declarou em um sussurro.
— Por que… você não o deixa? — perguntou no mesmo tom.
— Porque ele vai fazer algo terrível se eu fizer isso. — fez um carinho em sua bochecha. A mãe solta um suspiro sofrido. — Acredite, Jack, é melhor assim. Infelizmente.
Jack assentiu e abaixou a cabeça, triste com aquela situação. A mãe dá um beijo em sua testa novamente e o leva para dentro de casa para cuidar do machucado dele. O pai continuava a gritar e reclamar, mas a mãe não deu ouvidos a ele em nenhum momento. Sua atenção era totalmente de seu filho, cuidava dele com muito amor e carinho, enquanto ele a olhava com uma expressão triste em seu rosto redondo. Apesar de se sentir triste, se sentia muito amado naquele momento também. Se sentia especial quando a sua mãe cuidava dele, que nem naquele momento. Não era como quando estava na escola, na rua ou com o seu pai e se sentia um lixo, um verme ou uma desgraça. Era uma criança amada e respeitada pela sua mãe. Era só com ela que ele se sentia bem. Guardava esse tipo de cena na sua mente para nunca esquecer que era amado, nem que fosse por uma pessoa.
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Jack estava voltando para casa, olhava para o chão por todo o caminho, com o semblante entristecido. Havia passado a aula toda sofrendo bullying pelos colegas de classe e a professora não dava a mínima. Em alguns momentos, enquanto andava, Jack mancava um pouco. Naquele dia eles chutaram as suas pernas. A sua única felicidade é que, quando chegasse em casa, teria os cuidados da sua preciosa mãe. O único momento em que se sentia bem, se sentia amado.
Quando se aproximou da casa, percebeu que algo estava errado. A porta parecia que tinha sido arrombada. Ele entrou na casa com muito cuidado, olhando tudo ao seu redor e tentando não fazer barulho. Não sabia quem poderia estar ali e, com esse pensamento, começou a sentir medo. Será que sua mãe estava bem?
Começou a ficar muito assustado quando viu que várias coisas de sua casa estavam jogadas no chão e, algumas, quebradas. Ficou com mais medo ainda quando notou que a parede da sala de jantar estava suja de sangue. As marcas de sangue iam até a cozinha. Entrando lá, entrou em uma crise de pânico. Sua mãe estava lá, mas suja de sangue. Estava caída no chão, sua barriga com duas perfurações e, o que mais assustou a pobre criança, era o rosto dela que tinha dois cortes que iam da boca até as bochechas, formando um sorriso macabro.
Jack chorava vendo a sua mãe naquele estado, mas colocou as mãos em sua boca para não escapar nenhum som, pois seu pai também estava ali. Estava sentado no chão, a cabeça abaixada, uma das mãos segurava uma faca cheia de sangue, cheirava a álcool e roncava. O menino sabia muito bem o que tinha que fazer. Ali estava a oportunidade de tirar aquele homem de sua vida.
Ainda chorando, Jack correu e pegou o telefone que estava no chão da sala. Graças a sua mãe, aprendeu o número de telefone da polícia e do hospital. Primeiro, ligou para o hospital, ainda tinha esperança de que sua mãe estivesse viva. E, depois, ligou para a polícia. Por causa do desespero em sua voz, ambas as pessoas que o atenderam acreditaram.
Quando terminou as ligações, Jack voltou para a cozinha para ficar junto à mãe. Se sentou ao lado dela e começou a fazer um carinho em sua cabeça, as mãos do garoto tremiam muito e suas lágrimas não paravam de rolar. Após alguns segundos olhando para a sua mãe, ele percebeu que seu corpo se mexia um pouco, como se estivesse respirando. Ela estava respirando. Ela ainda estava viva. Jack sentiu um pouco mais de esperança em meio a tanta dor e desespero dentro dele.
— Mamãe… — sussurrou no ouvido de sua mãe, ainda com medo de que seu “pai” acordasse ao mínimo barulho. — Mamãe… fique viva… por favor…
Em resposta, as sobrancelhas dela se mexeram um pouco. Jack abriu um pequeno sorriso em meio às lágrimas, ele sabia que sua mãe lutava por sua vida. Começou a reparar em cada detalhe dela, esperando que ela mexesse mais alguma coisa, mas nada se mexeu.
Alguns minutos depois, a ambulância e os policiais chegaram. Os policiais pegaram o pai, que só acordou quando tocaram nele, e o levaram para a viatura. A mãe foi levada para o hospital o mais rápido possível.
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Estava voltando da escola, indo para o orfanato, sempre quieto e de cabeça baixa. As coisas na escola não mudaram muito desde o seu evento traumático há alguns anos. Ainda sofria bullying, era espancado e humilhado na frente de todos. Não fazia nada contra as pessoas que o machucavam, entretanto, sua raiva e angústia só aumentavam. Já havia um tempo, que dentro de si, surgiu uma pequena vontade de se vingar de todos eles. Ele se controlava, tinha um ótimo autocontrole, mas a cada dia que se passava esse desejo de vingança aumentava um pouquinho mais.
Chegando no orfanato, subiu as escadarias e se trancou no quarto. Havia muitas atividades para fazer e precisava estudar para, quando completasse seus 18 anos, servir ao exército. Não tinha muito o que perder com essa opção. Tendo casa, comida e dinheiro já era o suficiente para ele. Além disso, trabalharia por algo que tinha muito interesse. Jack passou até um certo fascínio por tudo relacionado a guerras e explosões quando fez 11 anos. Talvez sua mãe não concordaria com a escolha dele e ficaria um tanto chateada com ele por gostar tanto dessas coisas, mas ele não podia impedir. Era algo tão fascinante para o garoto.
Após algumas horas, quando concluiu todas as suas atividades, bateram à sua porta. Jack franziu a testa, estranhando. Ninguém nunca batia à sua porta. Ele se levantou de sua cadeira desajeitadamente e abriu a porta, se deparando com a diretora do orfanato.
— Diretora? O que faz aqui? — perguntou um pouco surpreso com a presença da mulher de meia-idade.
— Vim falar sobre você. — respondeu. — Posso entrar?
Jack não disse nada, apenas se afastou da porta, permitindo que a diretora entrasse em seu quarto. A mulher se sentou na beirada da cama, enquanto Jack fechou a porta e puxou uma cadeira para perto e sentou.
— Sei que daqui alguns dias fará 18 anos… E quando sair daqui não terá para onde ir. Eu me lembro quando você chegou aqui. Tinha 8 anos, o rosto vermelho e a cara emburrada e queria ficar com a mãe. Desde aquele dia você chamou a minha atenção, não porque eu senti pena da sua situação, mas sim porque eu vi algo em você. Não sei explicar, mas tenho certeza que você vai fazer algo grande. E na situação em que está não poderá ir muito para frente. Alguns colegas seus me contaram que você tem interesse em se alistar e, bem, consegui resolver isso.
— O que? — indagou confuso.
— Meu filho trabalha no exército, é sargento, e eu indiquei você. Como ele é meu filho ele vai fazer o que eu mando. — riu. — Terá um lugar para dormir e comida lá. Ele dará uma atenção especial a você, já que quer se alistar. Queria fazer mais por você…
— É o suficiente, muito obrigado! — disse sorrindo. — Não sei como agradecer!
— Não precisa, o que eu fiz foi o mínimo. Agora fique mais tranquilo, para a rua você não vai. — riu. Jack não pode deixar de rir também.
Pela primeira vez em 9 anos, ficou feliz. Sentia que a sorte estava ao seu lado e que as coisas mudariam. Já estava ansioso para completar 18 anos.
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— Quem é aquele cara? — perguntou um soldado para outro.
— O nome dele é Jack, pensa num cara esquisito. É muito inteligente, mas é bem esquisito… — respondeu o outro.
— Gente esquisita não pertence a esse lugar. Ô esquisito! — chamou Jack.
Jack, que estava longe dos soldados, não ouviu. Continuou com o que estava fazendo, estudando sobre estratégias. O soldado, já irritado, o chamou com a voz mais elevada. Jack escutou e fechou o livro. Foi até eles, tropeçando no meio do caminho.
— Esse cara é inteligente mesmo? — zombou.
— Não o subestime. — respondeu. Jack se aproximou.
— Queriam falar comigo?
— Seu nome é Jack, certo? — Jack assentiu tranquilamente. — Meu nome é Jason e esse é Alex. — apontou para o soldado ao lado.
— Prazer. — disse Jack.
— O que te fez vir para o exército? — perguntou Jason.
— Sempre me interessei por tudo relacionado sobre. — respondeu brevemente.
Jack não gostava daqueles soldados, bem, da maioria, pois reconhecia um “sem caráter” só de olhar para um. E ele não gostava daqueles dois exatamente por isso. Desconfiava que aquela conversa não daria em boa coisa, desconfiava do que eles poderiam fazer. Não confiava neles de jeito nenhum.
— Sabe Jack… Se interessar não quer dizer que você serve para isso. — Jason cruzou os braços.
— E o que você sabe sobre mim? — perguntou, sentindo uma pequena parcela de ódio surgindo em seu peito. Ele sabia que aquela conversa não acabaria bem, nunca acabava bem.
— Que você é um completo esquisito! Não precisamos de gente como você, por que não volta para a mamãe? Ou você não tem uma? Você tem cara de ser sozinho! — zombou.
— Jason, chega. — repreendeu Alex.
Olhando para baixo, Jack sentiu seu corpo inteiro tremer de raiva. Fechou os punhos com força, sentia que a qualquer momento as unhas rasgariam a sua pele por tamanha força. Sua vontade era de matar Jason naquele momento, cravar uma faca no meio de sua garganta para ele nunca mais falar de sua mãe. Mas estava se controlando, com todas as suas forças, não queria se igualar ao homem que machucou a sua mãe, mesmo Jason merecendo muito. Jack respirou fundo e deu meia volta, saindo de perto deles antes que fizesse alguma coisa.
— Vai chorar, Jack? — debochou Jason. — Vai embora, volta para a mamãe, se tiver uma!
Aquilo foi a gota d’água. Jack nem percebeu quando voltou e deu um soco no meio do rosto de Jason. Não teve nem tempo para pensar, ele apenas se deixou levar. Deixar toda a sua raiva e angústia serem descontadas em Jason, que gritava e tentava a todo custo parar Jack, com socos e chutes. Mas aquilo não parava Jack, nem sequer causava algo nele. Era como se ele nem sentisse dor. Aquilo assustou Jason, e a reação dele foi o motivo de Jack não parar.
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— Esse tal de Jack é louco! — sussurrou um soldado ao longe.
— Fica quieto! Ele pode te escutar! — sussurrou mais baixo o outro.
Jack estava limpando o banheiro. Era o seu castigo, um dos vários por ter agredido um soldado. Enquanto estava sentindo adrenalina, ele não sentiu dor nenhuma quando Jason tentava o parar. Mas agora que a adrenalina havia passado, sentia o seu corpo todo dolorido. Era a primeira vez que batia em alguém após ser insultado. Uma surpresa para ele e um arrependimento para ele. O que sua mãe pensaria dele se soubesse o que tinha feito?
Já havia se passado dois dias após a briga e ainda continuava sendo o motivo de conversa de muitos ali. O chamavam de doente, louco, maluco, esquisito… Aquilo o magoava. Odiava ser chamado por esses nomes. Em todo o lugar que ia tinha esses apelidos. “Será que isso nunca vai mudar? O que tem de errado comigo? Por que as pessoas me odeiam?”, pensou Jack.
Terminado todas as punições, Jack foi estudar mais. Precisava ser o melhor se ele quisesse um pouco de respeito. Alguns soldados, até o sargento que o colocou ali, gostavam dele. Mas para Jack, aquilo ainda não era o suficiente, ele queria que todos ali o respeitasse. Todos. Um dos seus sonhos impossíveis, mas estava fazendo o máximo que podia.
Ele só queria o respeito que as pessoas nunca tinham dele.
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— ALERTA DE PACIENTE FORAGIDO! UM PACIENTE FUGIU DE UMA DAS CELAS!
O alerta se repetia várias vezes, ecoando em todos os corredores do Asilo Arkham. Seguranças corriam por todo lado à procura do foragido, enquanto os trabalhadores corriam para se esconder com medo de serem atacados. Os pacientes que estavam presos olhavam pela janela de suas celas com curiosidade, alguns gritavam e outros riam.
Coringa andava por um dos corredores carregando um policial morto em seus braços. Entrou em cômodo e largou o policial de qualquer jeito no chão. Precisava se disfarçar. Pegou os pertences e as roupas do defunto e as vestiu. Saiu da sala e começou a correr com a cabeça abaixada pelos corredores com a arma do policial em suas mãos.
Os seguranças procuravam um homem com roupa de prisioneiro e cabelos compridos, não um segurança com os cabelos escondidos devido ao chapéu. Estavam tão avoados com um prisioneiro do patamar dele que não pensariam nisso. O medo, o pânico, fazia com que as pessoas não pensassem direito e aquilo era o suficiente para o Coringa.
— ATENÇÃO! SUSPEITO NA ÁREA 11!
Para não correr o risco de chamar a atenção, mesmo disfarçado, ele havia soltado um prisioneiro parecido com ele. Mesma estatura e cabelo. Naquele momento, o homem que ele havia soltado estava na área 11. Enquanto ele estava na área 3. A área 1 era a saída daquele inferno. Ele precisava passar despercebido até sair da área 1.
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Não foram os melhores anos da sua vida, mas, pelo menos, estava fazendo algo que gostava. Desde o começo havia sido destaque, ele era muito inteligente, talvez até um gênio. Aprendia tudo rapidamente, a montar e desarmar bombas, atirar, se esconder do inimigo… Jack era o melhor. As pessoas ao seu redor o invejavam, até mesmo os seus superiores.
Ele trabalhou nas Zonas de Exclusão Aérea do Iraque de 1991 até 1994, sob as ordens do Comandante John Shalikashvili. Fazia parte da Operação Provide Comfort, uma missão humanitária e militar com o objetivo de ajudar os refugiados curdos no Iraque. Lá, ele ajudou muitas pessoas e se sentia bem com isso. Sentia que estava fazendo algo certo em sua vida.
Entretanto, vivendo e presenciando várias desgraças e mortes, ele começou a pensar se estava realmente ajudando. Aquilo não acabava e sabia que a tendência era só piorar. E ele estava certo.
Em 2003, começou a Guerra do Iraque. Ele foi convocado por ser um dos melhores e ficou sob o comando do General Tommy Ray Franks, o primeiro comandante das tropas aliadas na guerra.
Apesar de ser bem preciso em seu trabalho, Jack começava a ficar mais pertubado com a violência e a injustiça que presenciava. Era a primeira guerra que via tanto desastre, tanta dor e morte. Não suportava mais ver pessoas morrendo em sua frente. Ao fechar os olhos para dormir, todas as cenas aterrorizantes surgiam novamente em sua mente. Gritos de agonia dos soldados aliados e inimigos, corpos mutilados e membros destroçados por todos os lados por causa das explosões.
Era o inferno na terra, mas até o inferno podia piorar e torturar as pessoas que lá viviam.
Quando menos esperava, ele e mais oito soldados foram capturados pelos inimigos. A partir dali, a vida de Jack mudaria para sempre.
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— Fala! — gritou o soldado iraquiano em inglês.
O soldado deu um tapa no rosto de Alex, um dos capturados. Os outros setes soldados conseguiram serem resgatados, permanecendo ainda no domínio dos iraquianos Jack e Alex.
Não sabiam a quanto tempo estavam ali, mas a todo momento estavam sofrendo.
— Se não falar, vai acabar igual ao seu amigo ali!
O soldado segurou a mandíbula de Alex e direcionou na direção de Jack, que estava ao seu lado amarrado em uma cadeira. Jack já não tinha mais condições para falar de tanto que foi torturado. Havia sido espancado, eletrocutado, chicoteado, queimado em algumas partes do corpo, abusado, jogaram álcool em suas feridas abertas… Mesmo sofrendo e com o perigo de morrer ele honrava o seu país.
O esquema dos iraquianos era pegar um soldado e falar o que eles queriam saber. Quando não falavam, o torturavam até não aguentarem mais em pé. E quando um não podia mais falar, iam para o próximo. Era uma estratégia para colocar medo e desespero nos capturados, algo psicológico, até eles falarem para não sofrerem.
— Tudo bem! Eu falo! Eu falo! Não me machuquem! — exclamou com a voz trêmula.
— Que bom que vai colaborar. Você é mais esperto, vai viver por mais um tempo… Já ele não. — olhou para Jack.
Jack já não prestava mais atenção na conversa depois de ouvir que Alex iria confessar tudo para os inimigos. Alguém que dizia que era bom, que ajudava os outros e que se sacrificaria para salvar a vida de alguém… Só passavam de meras palavras.
Jack iria morrer por ser fiel ao seu país. Enquanto Alex iria ficar vivo por mais alguns dias, isso se não resgatarem ele antes, ele iria viver sem problemas.
Era injusto. Um homem fiel ao seu país iria morrer, enquanto o outro que traiu iria viver. Uma raiva avassaladora tomou conta de Jack. Desejo de justiça, de vingança e de matar. Mesmo machucado, mal conseguindo falar e se mexer, ele iria dar um jeito de fugir. Não antes de matar alguns soldados antes.
Ele não iria aceitar que iria morrer. Ele tinha contas a acertar.
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— ‘Utliq ealayh alnaari! ¹ — um soldado gritou.
Naquele momento, o esconderijo dos soldados iraquianos estava em completo caos. Várias soldados morrendo para balas perdidas e para granadas. Todos lutando por um único inimigo.
Jack havia conseguido se soltar das cordas e, com a mesma corda, estrangulou até a morte o iraquiano que estava em sua cela o vigiando. Depois do feito, com as mãos trêmulas devido a adrenalina e a dor, pegou uma faca e pressionou no canto da boca, cortando-a. Sentiu o líquido vermelho descer pela boca e pingar no chão, mas não se importou, mesmo sentido uma dor horrível ao fazer o corte. No final do processo, em seu rosto havia um sorriso devido ao corte que fez. Era a sua marca de guerra.
Logo depois disso, pegou as armas do soldado e começou a matar qualquer um que aparecesse em seu caminho.
No meio desse processo, ele havia levado uns três tiros. Um na perna e dois em seu braço, sendo um de raspão. Jack parecia nem sentir dor. Sentia tanto ódio dentro de si que não era capaz de sentir mais nada.
Os barulhos das armas pareciam sair de todos os lados, mas isso não assustava Jack. Ao contrário, só o motivava a continuar a atirar e a jogar granadas em vários lugares.
Mesmo sendo um, ele estava dando muito trabalho para os iraquianos. Ele havia levado três tiros e não parava um segundo. Continuava a matar vários deles como se não fossem nada. Além do sorriso doentio e sangrento em seu rosto, aquela resistência assustava os soldados iraquianos.
Por que não se pode parar um homem movido pelo ódio.
Jack pegou uma granada, tirou o pino e arremessou para um lado.
— Qunbulat yadawia! ²
A granada explodiu e, pelo canto do olho, Jack pode ver alguns pedaços voando. Ele saiu de trás da parede e começou a atirar em todos os lados. Se escondeu atrás de algumas caixas e percebeu que a munição da arma havia acabado. Por sorte, bem ao seu lado, havia uma FN Minimi, segurada por um iraquiano morto com um tiro na cabeça.
Ele pegou a arma com uma certa rapidez e voltou a atirar. Desta vez, mirou em lugar específico.
Uma caixa cheia de explosivos.
A explosão foi grande, mas Jack não se feriu muito por estar em um lugar mais seguro. Ele começou a correr o mais rápido que podia, já que havia levado um tiro na perna.
— Sawf yahrub alsajin! ³
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Depois de andar muito, ele conseguiu chegar em um hospital de campanha para tratar de seus ferimentos. Ele havia feito algumas amarrações para prender o sangue, mas era necessário uma ajuda médica.
Chegando lá, ele reconheceu alguns soldados. Se perguntou o por que de estarem ali, já que havia um lugar próprio para cuidar dos soldados feridos, mas logo pensou que deveria estar lotado e encaminharam ele para aquele lugar. Reconheceu Jason, que estava sem uma perna. O rosto abatido, vários ferimentos na perna, nas mãos e alguns no rosto. Naquele momento ele não parecia um valentão como normalmente era. “A conta chega para todos”, foi o que Jack pensou.
Jack estava irreconhecível com os seus ferimentos e com a barba crescida e, por isso, ninguém o reconheceu ali, nem mesmo Jason. Na realidade, assustou algumas pessoas. Por onde andava, os feridos e até os enfermeiros olhavam diretamente para o ferimento em forma de sorriso em seu rosto.
Ele rapidamente foi atendido e teve seus ferimentos tratados. Levou alguns pontos por causa dos tiros que havia levado e no rosto por causa do corte, mas ele não se importou com isso. Algumas enfermeiras e até o próprio médico perguntaram quem ele era, já que não parecia ser um nativo de lá.
— Sou filho de americanos, mas vivi a maior parte aqui. Eles foram mortos pelos iraquianos por não concordarem com toda essa loucura. — mentiu. — Fui torturado e fizeram isso com o meu rosto. — apontou com o dedo, sem demonstrar tristeza ou raiva. Mas qualquer um podia notar que não havia mais brilho no olhar dele, na verdade… não havia nada.
— Eu sinto muito por isso. — era o que diziam, completamente assustados.
A noite, quando estava tentando pregar os olhos, ele escutou uma conversa baixa. Abriu os olhos e viu que era Jason e um outro soldado ferido que estavam conversando.
— Meu amigo Alex foi recuperado. — sussurrou. — Foi o último a ser resgatado. Todos os soldados capturados foram resgatados. — disse com um pequeno sorriso.
— Estranho… Ouvi dizer que ainda restava um. — disse o outro soldado.
— Ah, bobagem. — desfez o sorriso.
Jack sentiu novamente aquele ódio e pensou seriamente em matá-lo bem ali, mas iria assustar os civis que estavam ali descansando. Desistiu da ideia, mesmo sentindo vontade, e continuou a prestar atenção na conversa.
Na conversa, Jason falou que Alex foi dispensado, junto com os outros soldados resgatados e que estavam voltando para casa. Jack abriu um pequeno sorriso. Ele iria fazer uma visitinha a ele.
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Alex estava sentado em sua cama, lendo um livro de auto-ajuda. Havia pequenos curativos em seu rosto, nada demais. Ele parecia tranquilo, sua respiração regular, folheava as páginas lentamente e a janela aberta em seu quarto trazia um vento refrescante. Mal parecia que a pouco tempo atrás havia retornado de uma guerra. Mas aquela tranquilidade toda estava prestes a acabar.
Jack observava tudo através da porta entreaberta do quarto. Ele se afastou da porta e caminhou lentamente para a cozinha. Pegou um copo que estava na pia e olhou para ele. Restava um pouco de suco de laranja e despejou na pia. Ele saiu de perto e soltou o copo, caindo no chão e se espatifando em vários pedacinhos.
O barulho chamou a atenção de Alex. Jack podia ouvir Alex saindo de seu quarto sorrateiramente, tentando não fazer nenhum barulho. Acontece que ele nunca foi bom nisso. Jack pegou uma cadeira e encostou suas costas na parede, esperando Alex aparecer.
O cano da arma apareceu e, sem poder reagir, Jack bateu a cadeira na arma, desarmando Alex. Ele tinha conseguido apertar o gatilho, mas a bala foi direto para o chão. A arma caiu e Jack acertou Alex na cabeça, fazendo-o perder a consciência e cair. Ele pegou a corda que havia trazido e puxou Alex para sentar na cadeira, ele o amarrou e esperou pacientemente até que ele acordasse. Enquanto esperava, puxou uma cadeira e sentou-se de frente para o homem.
Quando acordou, a primeira coisa que viu foram as cicatrizes que haviam no rosto de Jack. Ele se assustou e tentou gritar, mas nada saia. Havia uma mordaça em sua boca, fazendo com que nenhum som saísse.
— Mais uma vez amarrado…. Que azar. — disse Jack, lambendo as cicatrizes.
Ele se levantou da cadeira que estava e começou a andar em volta de Alex, que o acompanhava pelo olhar, completamente aterrorizado.
— Mas tem uma pequena diferença desta vez. — parou em frente a ele, olhando bem em seus olhos. — Você não vai sair vivo desta vez.
Jack começou a rir descontroladamente e saiu de perto de Alex. O homem começava a chorar de tanto medo que estava sentindo. Jack aos poucos parava de rir começou a escutar o choro abafado de Alex, ele virou a cabeça e se aproximou de Alex novamente.
— Isso mesmo. Chore bastante, Alex. — ele tirou um canivete em seu bolso e apontou a arma para o rosto de Alex. — Vai se arrepender do dia em que traiu o seu país só para viver por mais alguns minutos. — disse com a voz carregada de raiva.
Alex tentava dizer algo, mas a mordaça não lhe permitia que saísse voz alguma. Jack percebeu isso.
— Ah, você quer dizer algo? — perguntou. Alex não respondeu. — Eu perguntei se você quer dizer algo! — exclamou, já irritado. Alex movimentou a cabeça positivamente. — Muito bem, muito bem… Vou tirar a mordaça, mas se gritar… vai morrer agora. — disse, apontando o canivete bem no olho de Alex.
Com o canivete, ele rasgou a mordaça e a jogou em um canto qualquer.
— Me desculpa… — disse com a voz embaçada devido ao choro.
— Desculpas não vão apagar o que eu passei naquele inferno! — bateu no rosto de Alex. — Eu passei por cada coisa e quando eu saio daquele lugar todo mundo finge que eu não existo. Nove soldados foram capturados e oito foram recuperados… O que aconteceu com o nono? Ninguém liga pelo jeito.
— Te apagaram…- disse baixo, como um sussurro.
— O quê? — indagou confuso.
— Te apagaram do sistema… Acharam que você estava morto. — olhou para baixo. Ele engoliu o seco e encontrou coragem para continuar a falar, com a voz saindo normal. — Ninguém podia saber que ficou um soldado para trás, então apagaram você do sistema. Compraram o silêncio de vários soldados e até mesmo de John Shalikashvili, mas ele não vai ficar calado por muito tempo. Acho que é o único que se importa com você. — olhou para Jack.
Jack não falava nada, apenas escutava. Vendo que não faria nenhum comentário, Alex continuou.
— Se ele falar algo, vão matar ele. Assim como qualquer outro que saiba sobre você. Iria pegar muito mal para eles se soubessem que ficou um para trás… apenas um.
— O Governo… — Jack finalmente se pronunciou. — Só se importa com a reputação deles, não com os outros. — falou com desdém. — Muito obrigado por ser sincero comigo, foi bem útil. — sorriu.
— Por favor… não me mate… — suplicou.
— Se eu não te matar não vai ter graça. — riu.
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O Coringa conseguiu sair do lado de fora do Asilo Arkham, mas ainda tinha que passar pelo portão. Depois que o alarme tocou, o portão foi automaticamente trancado para ninguém sair e entrar, o que fazia com que ele permanecesse preso. Pelo menos ainda.
Ele olhou para o lado e encontrou dois carros. Entrou no primeiro que estava por perto e fez uma ligação direta. Colocou o carro de frente para o portão e colocou um peso no acelerador. Quando saiu do carro, o carro saiu em alta velocidade e se chocou com o portão.
Vendo o estrago que ficou, notou que abriu uma brecha que permitia a fuga dele. Ele se levantou e começou a correr, tropeçando um pouco pelo caminho. Ouviu o barulho de portas se abrindo atrás dele e virou o rosto para trás para ver. Vários policiais do asilo apareceram com suas armas e começaram a atirar.
Por sorte, nenhuma o atingiu e passou pela greta do portão. Saindo finalmente daquele inferno.
Ele continuou a correr ainda mais rápido e se escondeu na vegetação que havia no caminho. Viu vários policiais passarem por ele e nenhum o notou ali. Depois de um tempo, começou a andar um pouco rápido, mas sem causar nenhum barulho. Andava meio agachado e continuou pela vegetação, para não o pegarem na estrada.
A pergunta que martelava em sua cabeça era: “O que fazer agora?”
Ele planejou a fuga, com muito cuidado, mas não o que faria depois. Perturbaria o Batman novamente? Assaltaria outro banco? Colocaria fogo em uma reserva natural?
Para saber o que ele iria fazer, primeiramente, precisava saber o que aconteceu nesse meio tempo que ficou preso, longe das notícias do mundo afora. Só assim saberia o que fazer.
Talvez o povo já soubesse quem era o homem por trás da máscara de morcego, e, com isso, sumiu do mapa. O que não seria muito legal para ele, já que a sua diversão era tirar a paz do Batman. Mas ele admitia que seria muito engraçado se todos soubessem que o homem que vestia a fantasia de morcego era o bilionário Bruce Wayne.
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Sentou-se em um banco no Potomac Park, Washington. Em uma mão segurava um copo com café amargo e na outra mão um jornal que havia pegado na lixeira. Seus olhos se movimentavam rápido ao ler as notícias e deu um generoso gole quando seus olhos travaram em uma notícia um tanto curiosa.
“Homem vestido de morcego salva a cidade de Gotham”
Um sentimento de curiosidade surgiu dentro dele e então colocou o copo do banco, segurando o jornal com as duas mãos.
“O herói, chamado pela polícia de ‘Batman’, salvou a cidade de Gotham de uma grande tragédia. A cidade foi contaminada por uma toxina que causa alucinações, o que causou muita confusão e mortes. Com a ajuda do comissário Gordon, Batman impediu que esse caos se alastrasse ainda mais. Um dos responsáveis por tudo isso foi Ra ’s al Ghul, que morreu após o trem sair dos trilhos e colidir no chão, e o Dr. Jonathan Crane, que está preso no Asilo Arkham.”
Jack abaixou o jornal e olhou para o nada. Uma pequena ideia surgiu em sua mente conturbada e, com isso, um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. Ele pegou o copo e tomou todo o conteúdo que havia nele. Se levantou e caminhou tranquilamente, jogando o copo na primeira lixeira que avistou.
Chegou o momento em que tanto esperava.
Mostrar ao mundo o quão hipócrita e podre ele era, instalar a loucura e o medo nas pessoas, e se divertir com o caos que vai deixar marcado na história.
Pôs as mãos no bolso e pegou o seu baralho. Ele começou a embaralhar, sem olhar para o monte, e pegou uma carta aleatória. Levantou a mão e olhou para a carta sortida. Não pode deixar de rir por causa da carta. Afinal, tinha tudo a ver com ele e o que ele iria fazer.
A carta Coringa.
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O ônibus parou no ponto e ele desceu. O tempo estava frio e, como desculpa, usou um cachecol para esconder as cicatrizes em seu rosto. Apesar de ele, o Coringa, ter fugido do Arkham a pouco tempo, as pessoas não aparentavam estarem tão assustadas.
Já tinha pesquisado tudo que tinha perdido nos últimos quatro anos. Nada de interessante, a não ser pelo fato do Batman ter sumido e ninguém saber onde ele estava. Depois de longo quatro anos, ele deveria atormentar a cidade novamente e tirar o Batman de suas férias. Entretanto, desistiu da ideia quando viu a situação de Bruce Wayne.
O bilionário Bruce Wayne agora ficava trancado em sua casa e ninguém nunca mais o viu depois do ocorrido em 2008. Todos pensam que ele ainda está de luto por causa da morte de sua amiga Rachel Dawes, mas ele sabia que não era só isso.
Não tinha ficado conformado com aquela situação, então quando pode ele entrou de penetra na mansão e ver o que ele estava planejando. O Coringa ficou completamente decepcionado quando viu que ele andava pela casa com uma muleta. A barba mal feita no rosto sem emoção. Estava horrível e sem forma para encarar alguma luta.
“Que deplorável…”, pensou. “Não presta mais”
No fim das contas, resolveu que era melhor ficar às escondidas. Ele sabia que uma hora o momento de brilhar retornaria, mas não era aquele ainda. Ele iria levar uma vida “tranquila” até o momento em que a cidade precisar dele. Ele merecia um descanso também, até porque ele tinha ganhado.
Encarou a casa à sua frente, pensando se era uma boa ideia entrar. A casa era bonita, era amarela e, pela janela, podia ver que as cortinas tinham diferentes desenhos. Ele subiu os três degraus em passos lentos e parou em frente a porta. Após alguns segundos encarando, ele bateu à porta.
Não demorou muito quando uma mulher abriu a porta. Tinha traços asiáticos, o que levava a pensar que ela era imigrante ou filha de imigrantes. Provavelmente tinha seus quarenta anos e usava uma roupa habitual para ficar em casa.
— Você é o Jack que ligou mais cedo, certo? — perguntou com um pequeno sorriso.
— Sou eu mesmo. — respondeu simples.
— Pode entrar e fique a vontade. — ela deu espaço para ele entrar na casa. — Ela está lá em cima, na primeira porta à direita. — o instruiu.
Jack olhou para a escada onde a mulher apontou e foi em direção a ela. Subiu um degrau de cada vez, evitando olhar para os quadros que estavam na parede. Quando subiu, avistou a porta que deveria entrar e andou em passos lentos. Segurou a maçaneta gelada e abriu a porta.
Havia várias coisas no quarto, mas só conseguia olhar na senhora que estava deitada na cama. Não conseguia olhar o seu rosto, pois ela olhava para a janela. Ele se aproximou e parou bem ao seu lado.
— Olá, mamãe. — disse.
Ela virou o rosto e o viu, começando a chorar logo em seguida. Ele viu as cicatrizes em seu rosto e percebeu que elas estavam bem mais tratadas que as dele. A mãe abriu os braços e ele a abraçou.
Não conseguia chorar, mas estava feliz em a ver. Foram vinte nove anos sem se verem. Depois do evento traumático com o homem que arrumou a vida de ambos, ela não tinha mais condições de cuidar dele. Entrou em estado vegetativo e quando se recuperou não podia mais falar e não conseguia ficar mais em pé.
Após longos anos, ela conseguia andar um pouco e falava palavras curtas. Por conta de sua condição, teve que contratar uma cuidadora.
— Jack…- disse em sussurro, sua voz carregada de emoção ao ver o seu filho.
— Não chore. — ele se soltou do abraço e limpou as lágrimas que escorriam no rosto de sua mãe. — Vou cuidar de você agora, assim como você fazia comigo.
A mãe abriu um dos sorrisos mais lindos e abraçou o filho de novo. O Coringa, agora Jack, não pode deixar de sorrir também, mas, diferente de muitos sorrisos que deu em sua vida, aquele era um dos mais sinceros.
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