As Melhores Intenções

8 Capítulo 8 - Dia Terrível


Notas iniciais
O destino gosta de brincar com as pessoas de uma maneira curiosa...

Fred olhava para Eleanor como se ela fosse a única pessoa presente ali. Ele estava ignorando a presença de Elton e Helena, que o observavam com certa confusão. E ninguém podia culpá-los, afinal, o silêncio soturno de Eleanor vazia as coisas ficarem ainda pior.

Ela pigarreou e fixou os olhos em Fred, certa de que, se não mantivesse um contato visual, iria desmaiar.

É, eu e Elton estamos nos conhecendo... – ela murmurou.

Fred não parecia acreditar nas palavras que ela lhe dirigiu, no entanto, apenas disse:

— Bom vou voltar para a mesa. – Ele se virou, mas antes de voltar, prosseguiu: – Por acaso vocês têm alguma música que queiram pedir?

Que tipo de pergunta era aquela? Ou melhor, que tipo de reação foi essa? Eleanor não sabia o que dizer, por sorte, Elton respondeu:

— Não temos preferência Fred. Mas acho que os pais de Helena terão, se prepare para as músicas antigas.

Fred sorriu.

— Como sempre. Depois vejo vocês.

Finalmente ele se afastou, e a respiração de Eleanor pode voltar ao normal. Entretanto, Helena ainda precisava perguntar:

— Você conhece nosso DJ da aonde? – ela a questionou, enquanto os três seguiam para uma mesa próxima da piscina.

Os três se sentaram, e antes que Eleanor pudesse responder, os pais de Helena surgiram acompanhados por Victória, que ainda lançava olhares de desprezo para ela.

— Foi realmente uma entrada triunfal. – Esmeralda declarou. – Bem, eu e meu marido viemos dar os cumprimentos. Este é Alexander. Ficamos feliz em tê-la em nossa casa. Helena nos disse que você é uma grande amiga, e realmente percebi isso com sua visita as quartas para Helena.

— Obrigada! – Eleanor agradeceu.

— Seja bem vinda mesmo. – Alexander continuou os cumprimentos. – Depois da recepção aqui, pensei que os mais jovens pudessem seguir para um passeio de barco. O que acham?

Um passeio de barco? Não era para ser só um churrasco? Eleanor se questionava ainda mais, enquanto prestava a atenção no diálogo áspero que transcorria entre aquelas pessoas.

— Será maravilhoso. – Helena respondeu. – Mas fico enjoada no mar, e quero dormir depois da recepção. Acho que Elton e Eleanor podem ir sozinhos.

Eleanor pigarreou, mas ninguém pareceu notar seu total constrangimento.

— O passeio é muito expansivo para somente duas pessoas. – Victória comentou, sem ser chamada na conversa.

Se Eleanor estivesse sozinha com aquela mulher, teria revirado os olhos.

— E qual a diferença se vai uma pessoa a mais ou não? Não só iriam nós três? – Helena como sempre, havia a última fala.

Victória deu de ombros, e continuou a argumentar:

— Ainda assim... Levem Itália. – Ela olhou para o lado, e gritou: – Itália! Venha aqui!

Itália estava do outro lado da piscina. Ela atravessou para o lado deles rapidamente. Seus trajes, diferente dos de Eleanor, ressaltavam os seios particularmente grandes e bonitos. Além de que era notável como dava para acentuar suas curvas. Eleanor teve o instinto de se cobrir ainda mais, mesmo isso sendo inútil. Ao contrário de Itália, ela não tinha peitos grandes e perfeitos. Eram de um tamanho médio, mas não tão vistosos. Suas curvas não tinham delicadeza, praticamente desproporcional ao que estaria perto da perfeição.

Eleanor não se achava feia. Mas quando se comparava a Itália, ela ficava bem abaixo dos quesitos de beleza superior.

— Itália! Querida, será que poderia acompanhar Elton e Eleanor no passeio de barco? Helena não poderá ir. – Victória continuou.

Ela não queria Elton e Eleanor sozinhos. E o porquê disso, ninguém sabia responder.

— É claro que sim! Mas posso levar mais alguém? – Itália disse.

— Sim, quem seria? – dessa vez, quem perguntou foi Alexander.

— Fred, o DJ. Ele é muito bonito... E depois ele vai ficar livre! Nós iremos trazê-lo antes da festa a noite.

Eleanor tossiu. Se já não bastasse ter que ir a esse passeio, uma de suas companhias seria Fred. Meu Deus, as coisas estavam fluindo da pior forma possível. Maldita hora que ela entrou no parque para descansar os pés. Se isso é destino, ela acreditava que ele estava pregando uma peça de mau gosto.

— É claro que pode. Ele é um ótimo rapaz. – Alexander declarou. – Bem, vamos aproveitar agora a recepção e o almoço. Itália, avise ao Fred que vocês irão ao passeio de barco com Elton e Eleanor.

— Claro, já irei avisá-lo.

— Oh, pensei que vocês fossem ficar sozinhos neste passeio... – Helena logo comentou, assim que todos se distanciaram deles. – Desde quando Itália está interessada no Fred?

Elton deu de ombros, indicando que não sabia nada sobre o assunto. Já Eleanor, pigarreou mais uma vez, tentando ignorar a cena que se passava ao lado da mesa onde Fred estava.

Itália segurava em seu braço, e sorria, mostrando os lindos e perfeitos dentes. Eleanor tentou desviar o olhar, mas era impossível com a aproximação em que os dois estavam remetidos.

Entendia que Fred era um rapaz bonito. Os olhos verdes, o cabelo loiro escuro, e um corpo quase que estrutural (ele não era tão malhado), o faziam ser o par que toda garota desejava ter. Ela mesmo já desejou há três anos, e infelizmente, isso lhe causou um coração partido.

Droga! Estava em uma confusão maior do que tinha imaginado.

§

Depois do almoço/recepção, todos foram para os quartos. A atividade do dia havia acabado, e Helena parecia exausta. Segundo Esmeralda, a filha estava tão empolgada com as comemorações, que tinha se esquecido como era importante se hidratar e descansar, afinal, ainda estava em meio a um tratamento contra o câncer, por mais que quisesse ignorar o fato.

As únicas pessoas que não seguiram para os quartos, foram Eleanor, Elton, Itália, e Fred, que naquele exato momento desligava todos os seus equipamentos:

— Vamos Fred! – Itália disse. – Quero chegar antes das comemorações a noite!

Para o sacrilégio de Eleanor, ainda haveria mais uma comemoração como aquela do almoço no jantar. E com toda a sinceridade do mundo, ela estava quase fingindo passar mal, porém, tinha que ser mais esperta que aquilo, Elton e Helena desconfiariam, sem contar que o calor não é motivo suficiente para lhe causar um mal estar repentino, ou era? Não sabia dizer, e temia que as coisas pudessem piorar com mais uma mentira em vista.

— Certo, finalizei aqui. Vamos! – Fred disse alegremente. Ele não parava de encarar Eleanor, e ela teve o vislumbre de gostar disso, nem que fosse por alguns instantes.

Os quatros seguiram para a praia, precisamente perto do desembarque das lanchas. A lancha que Alexander Reis havia reservado para eles, era a maior, tendo dois andares. O capitão (não sabia como poderia chamar o homem que pilotava aquilo) os recebeu empolgado, e até serviu champanhe em taças de alta qualidade.

— É um prazer tê-los nessa tarde. Iremos para a frente da costa, lá vocês poderiam nadar. – ele declarou, assim que iniciou o passeio.

O capitão ficou retido na cabine, quase nenhum deles conseguiam vê-lo. Itália e Fred conversavam sobre assuntos supérfluos, mas pareciam empolgados com aquilo, enquanto Eleanor e Elton trocavam simples palavras:

— Aqui é lindo. – Elton disse puxando assunto.

— É sim. – Ela confirmou, por não saber exatamente o que responder.

Elton a observou.

— Você gosta do Fred, não gosta? – ele indagou.

Os olhos de Eleanor se estreitaram. Ela olhou para o horizonte e suspirou.

Era tão óbvio assim seus sentimentos? O que podia fazer? Pensava que tinha superado, mas foi somente Fred estar com outra menina, que a máscara rachada de Eleanor, quebrou de vez.

— Não sei. – Ela respondeu.

— Como assim você não sabe?

Eleanor olhou para ele.

— Já amei ele, há três anos, mas ele foi tão ruim comigo que me recuso a gostar novamente dele.

— Não é uma coisa que se pode recusar.

Ela sorriu.

— Eu sei, é por isso que tenho evitado com unhas e dentes ele. Gostar dele me ocasionou um receio de amar muito grande, não o perdoei ainda por isso.

Elton a fitou com um olhar compreensivo.

— Se gosta dele Eleanor, devia falar. Acho que ele gosta de você também. – Ele sussurrou, voltando o olhar para Fred e Itália do outro lado do barco.

Eleanor fez o mesmo. Encarou Fred, enquanto ela tecia palavras sobre como a música podia salvar, e de fato, a música salvava e acalmava todas as suas angústias. Assim como ele, ela também era uma amante nata da música.

— Ele não gosta, se gostasse, teria sido uma pessoa melhor. – Ela concluiu.

Havia sido muito difícil superar o coração partido, ainda mais quando tinha apenas 18 anos. Na verdade, ela temia nunca ter conseguido de fato superar. A máscara que criou ao seu redor de menina forte, era apenas uma carcaça e mentira. Enquanto transmitia calmaria pelo lado de fora, por dentro seus sentimentos estavam a devastando. Era uma tempestade dentro de seu peito.

— Vamos nadar, chegamos no ponto onde podemos pular! – Itália avançou sobre eles, puxando Elton pelo braço. – Você vem Eleanor?

Eleanor a encarou por alguns segundos. Ela odiava água salgada, e ainda não sabia nadar. Nadar nunca foi uma preocupação para ela, já que era uma humana que vivia com os pés em terra firme.

— Eu não sei nadar, vou ficar olhando vocês. – Eleanor respondeu.

Itália assentiu, e puxando Elton pelos braços, seguiu para uma beirada particular da lancha, própria para dar saltos.

Fred permaneceu parado, observando os dois assim como Eleanor.

Elton e Itália entraram no mar juntos, e se afastaram um pouco da lancha, assim que mergulharam na água cristalina que refletia a luz do sol.

— Você não quer que eu te ajude na água? – Fred perguntou. Ele estava tão próximo, que Eleanor deu alguns passos para trás, encostando na grade da lancha.

Ela olhou para ele e depois olhou para o mar. O dia estava tão quente, e água parecia tão boa...

— Eu protejo você. Lembra quando fomos a praia com sua família? Você tinha 15 anos, eu e Fred 18. Eu guiei você pelo mar. Será a mesma coisa.

Mas a Eleanor de 15 anos de idade era loucamente apaixonada por você, e a Eleanor de 21 anos precisa da distância de corpos, antes que fique mais louca do que já está. Ela pensou, analisando melhor a proposta que havia acabado de receber.

Itália e Elton já estavam longe o bastante para não serem vistos dali.

— Pode ir nadar, eu vou ficar aqui. – ela finalmente respondeu, em um tom harmonioso, mas ainda firme.

— Não seja ridícula. Não podemos deixar as diferenças de lado? – Fred mantinha um sorriso sedutor nos lábios, o que a fez querer vomitar, ou na verdade, beijá-lo...

Opa, ela não podia querer aqueles tipos de pensamentos. Não com Fred. Não fingindo estar em um relacionamento com Elton!

— Não Fred, não podemos! – Grunhiu. Estava ficando exausta daquela situação.

Fred encurtou ainda mais a distância entre os dois, ficando rente ao corpo de Eleanor.

Ela teve a certeza de que podia sentir o calor emanando de um corpo para o outro. E sabia que Fred sentia o mesmo.

— Eu sei que você não está com Elton de verdade. – ele começou a dizer. – Pois eu sei das preferências de Elton, já o vi centenas de vezes subindo para o jardim do Éden.

Eleanor engoliu seco.

— Você se confundiu...

— Você sabe que não.

Ele aproximou o rosto do dela. A respiração de ambos ficou mais acelerada, involuntariamente.

— Por que está fazendo isso? – ela sussurrou.

— Porque eu quero que você venha nadar comigo.

— Não! – ela gritou, empurrando o peito de Fred.

Embora tenha usado força, isso não impediu de Fred permanecer no lugar. Ele segurou a mão de Eleanor, e a puxou para um beijo.

Se não fosse por sua consciência gritar tanto, ela teria cedido, mas ao contrário disso, se inclinou para trás, quase se sentando na grade da lancha, e antes que pudesse se desvencilhar, ela sentiu o corpo girar e cair para trás.

— Eleanor! – Fred gritou, mas era tarde demais, ela já havia caído com tudo dentro da água.

Notas finais
Obrigada por lerem!