As Melhores Intenções

12 Capítulo 12 - Não Fuja do Amor


Notas iniciais
E eu ficarei aqui com você, para sempre.

Eleanor cruzou os braços envolta do pescoço de Fred, enquanto ele segurava sua cintura. Ambos estavam próximos o suficiente para sentirem o calor emanar dos corpos. Havia uma onda elétrica invadindo os dois, e a cada movimento, mais se aproximavam.

O silêncio reinou entre eles. A única coisa que era possível de se ouvir, era o som da música, e os passos rente ao piso de madeira, que davam toda vez que chegavam ao clímax da música.

Eu amo você, menina...

A música os envolvia de uma forma romântica, pensou Eleanor, encostando a cabeça no peito de Fred, que aceitou com bom grado o gesto dela.

Ela ouviu as batidas do coração de Fred, que estavam acelerando cada vez mais.

— Seu coração está acelerado. – sussurrou, apertando os braços ainda envoltos em Fred, só que agora seguravam suas costas.

— É porque desejei muito esse momento. – ele murmurou.

— Comigo?

— Sim, com você.

Eleanor tentou não se afetar com aquelas palavras, mas era uma tarefa difícil, considerando que a onda de felicidade que invadiu o seu peito quase a fez desmaiar ali, nos braços de Fred.

Se ainda o considerava como inimigo? Não sabia dizer.

Se ainda o odiava? Duvidava muito disso.

Se ainda queria entender por que só agora? Com certeza ela queria.

Embora houvesse dúvidas, Eleanor decidiu deixá-las para depois. Aproveitar o momento ao menos uma vez na vida, era sua maior intenção.

Não pense, não pense! Ela dizia para si mesma.

— Fred...

— Sim?

— Você gostaria de me beijar?

Eleanor não sabia dizer da aonde saiu toda a coragem de perguntar aquilo. Só sabia que ali, nos braços de Fred, a única coisa que conseguia pensar era beijá-lo, e jamais deixá-lo ir.

Ela se separou alguns centímetros de Fred, o suficiente para poder encará-lo. Os olhos de Fred tinham um tom fascinante, e emanava desejo. Ele olhou diretamente aos lábios dela, e antes que pudessem pensar em qualquer outra desculpa para que aquilo não ocorresse, ele a beijou, ardentemente, da forma mais bonita que alguém podia beijar uma pessoa.

A língua de Fred invadia a boca de Eleanor na mais urgente necessidade. E ela correspondia na mesma intensidade.

Havia beijado vários rapazes antes de Fred, mas nenhum de seus beijos tinham tido o mesmo efeito, ocasionando leves tonturas, e leves gemidos de prazer.

— O seu beijo é muito bom... – Fred sussurrou, mordiscando o lábio inferior de Eleanor.

Eles continuaram o beijo, sem se dar conta do disco que havia travado.

Ignorando a distância entre a cama, Fred a deitou na cama e se deitou também, por cima dela. Ele desceu os beijos pelo pescoço dela, causando gemidos em Eleanor.

Ela sabia o que aquilo significava, e assim que o calor desvendou sobre suas pernas, teve a certeza de que depois daquele ato não teria volta. Queria interrompê-lo, queria continuar apenas o beijando, mas sabia que não seria possível. Não com a onda de calor e desejo invadindo aos dois.

Fred tirou a camiseta que vestia, e se livrou dos tênis. Ajudou Eleanor tirar a camisa, e desabotoou o sutiã dela, tendo livre acesso a área dos seios que já estavam enrijecidos.

Ele sugou seu mamilo direito, enquanto descia a mão pela barriga lisa dela. Eleanor permitiu que ele continuasse com os movimentos, mesmo que seu cérebro exigisse que ela parecesse imediatamente, mesmo que seu cérebro gritasse e lhe dissesse que aquilo era errado, e que ele não a amava, e que seria apenas sexo.

E só sexo ela não queria.

No entanto, estava tão absorta pelo desejo envolto entre os dois, que não pararia aqueles gestos nem que ficasse com dor de cabeça após pensar muito.

Fred conseguiu alcançar o ponto exato que latejava em Eleanor, e conseguiu livrá-la da calça jeans e da calcinha, e penetrou os dois dedos nela, que respondeu com um gemido árduo:

— Fred... Por favor...

— Você está completamente úmida para mim.

Eleanor se segurou nos lençóis da cama, enquanto Fred explorava sua intimidade com vigor, a deixando próximo do êxtase de sua existência. E antes que pudesse atingir ao ápice, Fred parou os dedos lentamente. Tirou a calça jeans, e buscou por uma camisinha ao lado da cama, especificamente dentro de uma caixa velha de sapatos.

Ele se preparou para o próximo passo, e abriu as pernas de Eleanor. E antes que pudesse pensar em algo, ela o sentiu dentro dela, se movimentando lentamente, a torturando com as maravilhosas sensações que aquilo podia causar.

E sem aguentar mais, ambos entraram em um ritmo parecido. Pele contra pele, rosto contra rosto, corpos contra corpos. Até chegarem ao ápice de seus corpos e se entregarem ao mais absoluto prazer.

§

Eleanor tinha as faces ruborizadas quando acordou na manhã seguinte. Após passar a tarde e noite trocando carícias, e repetindo os mesmos atos de mais cedo, estava exausta demais para seguir para sua casa. Não foi uma decisão fácil, já que odiava o espectro de dormir ao lado de Fred, e ser dominada mais uma vez por aquele sentimento de desejo que ele lhe despertava.

Na verdade, era mais que desejo. Tinha certeza disso, e se não fugisse o quanto antes, estaria fadada ao sofrimento.

Fred dormia profundamente ao seu lado. Assim como ela, ele estava exausto, até mesmo roncava suavemente. Seu braço enlaçava a cintura de Eleanor, e ela jurou sentir a pele queimar naquela região. Seria uma tortura deixá-lo. Mas precisava sair dali e esquecer todos os atos insanos.

Embora ainda relutasse contra seus sentimentos, Eleanor sabia que jamais esqueceria aquele dia. Quem ela queria enganar? Nunca deixou de amar a Fred, e talvez jamais deixasse de amá-lo.

Mas do que isso adiantaria? Ele não a amava. Queria apenas uma conquista fácil, uma transa fácil, e foi isso que ela fez.

Sorrateiramente, ela rolou para o lado oposto da cama, se livrando vagarosamente do braço de Fred. Procurou pelas roupas jogadas no chão, e se vestiu. Prendeu o cabelo em um coque alto, e calçou os sapatos.

Deu uma última olhada em Fred, que ainda dormia profundamente, e seguiu para a porta do apartamento. Antes de girar a maçaneta, ela ouviu:

— Está fugindo? – Fred murmurou, ainda meio grogue devido ao sono.

Eleanor se virou na direção dele e assentiu. Não tinha por que mentir.

— Eu, é, acho que sim... – ela respondeu.

— Posso saber por quê? – Fred estava sentado na cama exibindo o peito nu, deixando o lençol cobrindo suas pernas.

Seu olhar cético deixou Eleanor paralisada.

— Talvez tudo isso tenha sido um erro.

— Não diga isso. – ele grunhiu.

Eleanor deu de ombros, mas prosseguiu:

— Quem queremos enganar Fred? Só foi uma noite, isso não significa que você precisa ficar comigo.

Ele revirou os olhos.

— Eu sei que não estamos em um relacionamento, mas não há necessidade de fugir desse jeito.

— Sorrateiramente?

Sorrateiramente.

Eleanor suspirou. Talvez Fred tivesse razão... Não havia motivos para fugir daquela maneira.

— Me desculpe, mas eu simplesmente não podia te acordar e dizer, “tô indo, tchau”.— ela se explicou.

— Ellie, só me prometa uma coisa. – ele a encarou, enquanto continuava: – Não faça disso uma tempestade no copo da água. Nós dois queríamos isso, e aconteceu.

— Talvez eu não quisesse isso.

— Não foi o que pareceu.

Realmente, por mais que não quisesse admitir, ela tinha amado cada momento da noite anterior.

Reprimiu a bomba de sentimentos que lhe invadiu o peito, e encarou Fred, lhe devolvendo o mesmo olhar de desafio:

— Então, mas isso só foi um lance? – perguntou, afinal, a curiosidade falava mais alto.

Fred se levantou, deixando sua nudez mais evidente. Eleanor tentou não encarar, mas ficava difícil com ele caminhando em sua direção.

— Vista sua roupa, por favor... – ela pediu, enquanto Fred procurava por sua calça.

Ele vestiu a calça e seguiu na direção dela. Tomando as mãos de Eleanor para si, ele sussurrou:

— Com certeza, não foi um lance.

— E o que isso quer dizer?

— Não consegue ser mais específica em suas perguntas Ellie?

Eleanor piscou atordoada.

— Você gosta de mim Fred?

— Gosto. – ele respondeu, pulando o muro ao redor que Eleanor havia construído para si.

Ela o fitou impressionada. Então, Fred gostava dela. Fred gostava dela... Fred gosta dela!

Sem que pudesse raciocinar mais sobre os fatos que lhe entregavam, ela se jogou nos braços dele, envolvendo-o em um abraço, reconfortante e único.

Poderiam ficar daquele jeito por anos, que nenhum dos dois se moveria, nem um centímetro sequer.

— Não estamos juntos, mas também não estamos separados. Acho que estamos nos conhecendo, podemos ficar assim? – Fred indagou, apertando mais os braços ao redor de Eleanor.

— Acho que sim.

— Acha?

Ela riu.

— Certeza que sim.

§

E então, os dois estavam se conhecendo. Eleanor não tinha muitas experiências nesta fase de um relacionamento. O que era conhecer alguém? Transar com ela de maneiras mais prazerosas possíveis? Acreditava que sim, pois após desistir de fugir do apartamento, ela e Fred aproveitaram a manhã das maneiras mais ilícitas possíveis.

Ela nunca tinha estado tão feliz como naquele dia. Tinha ignorado suas mensagens no celular, e só aproveitou o que aquele momento com Fred podia representar.

Ele ainda não a tinha explicado por que só agora percebeu o quanto gostava dela, mas sinceramente, Eleanor não se importou mais com aquilo. Toda a mágoa, raiva, e qualquer sentimento ruim, tinham se dissipado. Sem ao menos perceber, estava apaixonada.

Mais tarde naquele mesmo dia, Fred a levou de volta para casa. Eleanor sabia que Pedro faria inúmeras perguntas sobre o paradeiro dela, mas honestamente, estava tão feliz que não se importava em responder.

Assim que se despediu de Fred e seguiu para o apartamento, ela foi interrompida no meio do caminho por Elton, que a esperava sentado no hall.

— Elton? O que faz aqui? – ela perguntou, assim que seus olhares se encontraram.

— Helena, ela não está nada bem Eleanor. Os médicos acreditam que seus momentos finais estão chegando.

Assim como um momento de felicidade vem rápido, um momento tristeza também vem.

Notas finais
Obrigada por lerem!