No dia seguinte, acordei muito disposta e mais feliz. Passei minha roupa para o show, que começaria às nove da noite e fui lá para baixo, tomar café da manhã. Mamãe e Emmett já estavam lá numa conversa animada.

– Bom dia. – eu sorri para os dois e me sentei.

– Bom dia Ursinha. Dormiu bem? – Emmett me perguntou, beijando minha testa.

– Dormi sim. Que horas você chegou ontem, mãe?

– Ah, era uma e meia da manhã, mais ou menos.

– Hum.

– O que querem fazer hoje antes do show hoje?

– Não sei. Podemos fazer compras. – sugeri. Emmett revirou os olhos e nós rimos.

– Não vai ser ruim, Emmett.

– Tenho certeza que não. – ironizou.

– Vamos então. – mamãe sorriu e nós fomos para fora do hotel. Pegamos um táxi e fomos a um shopping da 5ª Avenida. Compramos alguns presentes para Nessie, para Claire e para o resto do pessoal e voltamos ao hotel. Me arrumei para o show, coloquei um vestido florido rodado e um sapato de salto e desci para encontrar-me com Emmett no saguão. Ele estava com uma calça jeans, uma camisa azul e all star. Ele estava lindo!

– Demorei? – perguntei.

– Sim, mais valeu a pena. – ele sorriu e me beijou.

– Você está muito elegante, Sr. McCarty.

– Você está espetacular, Sra. Cullen. – ele me deu o braço e nós caminhamos para fora do hotel.

– Se cuidem. – mamãe gritou lá de dentro. Olhamos para trás e sorrimos.

Emmett acenou para um táxi e nos entramos.

– Para onde? – o taxista perguntou.

– Madison Square Garden, por favor. – Emmett disse, educadamente.

– Ok. Se importam se eu ligar o rádio?

– Não. – eu respondi e então ele ligou o rádio numa estação qualquer.

– Vocês são de Nova York?

– Não. Somos de Forks. – disse Emmett.

– Forks... Cidade gelada. A mãe da minha falecida esposa morava lá.

Ele ficou em silêncio e dirigiu até o ginásio. Pagamos e ficamos e Emmett foi caminhando para a fila, que não estava grande.

O show foi espetacular. Thom Yorke conseguia arrancar lágrimas dos meus olhos sem que eu quisesse. Emmett estava feliz, e isso era o que importava para mim.

– Obrigado por tudo isso, Rose. – ele disse em meu ouvido quando o show terminou.

– Você merece.

– Acho que vou poder morrer feliz agora.

– Não diga a palavra morrer perto de mim, bebê.

– Foi mal. Vamos jantar?

– Ok. – ele pegou em minha mão e seguimos para um restaurante italiano. Escolhemos uma mesa ao fundo e nos acomodamos. O garçom nos entregou o menu e se retirou.

– O que vai comer? – ele perguntou.

– Hum, acho que espaguete com almôndegas.

– Ótima escolha. – ele chamou o garçom e pediu o mesmo para nós dois

– Foi uma noite muito agradável, Emmett.

– Concordo plenamente.

– Depois que sairmos daqui tenho uma surpresa pra você.

– O que é?

– Uma surpresa.

– Não gosto de ficar curiosa, você sabe disso.

Ele deu um sorriso torto e piscou. O garçom logo chegou com o nosso jantar e com vinho.

– Não pedimos vinho. – Emmett disse.

– Por conta da casa. – ele sorriu e se retirou.

– Ok. – eu sorri e comecei a comer.

Terminamos nosso jantar e andamos pela Times Square, sem preocupações. Emmett me guiava pela multidão. Enfim, chegamos a uma pequena porta.

– Onde estamos? – perguntei, sem saber.

– Você vai ver. – ele pegou em minha mão e nós entramos. Ouvi sons de vários instrumentos e percebi que se tratava de uma escola de música. Um homem sorridente veio ao nosso encontro.

– Emmett McCarty, quanto tempo! Olha só o seu tamanho. Está malhando, não está?

– Tio Bernie. É bom te ver também.

– E quem é essa jovem adorável ao seu lado? – ele perguntou.

– Essa é a Rosalie, minha namorada.

– Muito prazer, Rosalie. Sou Bernie. – ele pegou em minha mão e a beijou suavemente.

– O prazer é todo meu. – sorri.

– Venha, as crianças vão começar a tocar.

– Não estou entendendo, Emmett.

– Terapia. Isso é terapia.

– Pra quem?

– Crianças e idosos com câncer. Eles ensinam música à eles.

– Ele é seu tio?

– Irmão de minha mãe. Ele é psicólogo.

– Nossa, que lindo. – sorri ao ver as crianças e os velhinhos.

– Lembra-se de que um dia você prometeu tocar piano pra mim?

– Lembro.

– Esse dia chegou.

– Mais eu não preparei nada.

– Confio no seu talento, Ursinha.

– Pessoal! Vamos nos sentar que agora a Rosalie vai tocar piano pra gente. – disse o tio Bernie. Eu corei e Emmett me deu um empurrão.

– O que foi, Rose?

– Eu estou com vergonha.

– Não precisa. Imagine todos de roupas de baixo.

– Hã?

– É, imagine todos com roupas de baixo que a vergonha desaparece.

– Ok. – sorri e me sentei ao piano.

– O que você vai tocar, tia Rosalie? – uma menininha de olhos pretos me perguntou.

– Hum... Celine Dion. Pode ser?

– Vai ser maravilhoso. – disse uma das senhoras.

Comecei a dedilhar Because You Loved Me e as pessoas mais velhas começaram a cantar. Foi a primeira vez que eu me apresentava para um número significativo de pessoas e me senti muito bem. Terminei a canção e algumas pessoas estavam chorando. Fui para perto de Emmett e ele sorriu.

– Essa música foi para alguém especial? Pra mim, talvez?

–Convencido você... – dei-lhe um tapa no ombro e em seguida um beijo.

Ficamos lá por um bom tempo, cantando e conversando com as crianças e com os idosos. Chegamos ao hotel e entramos no elevador.

– Me diverti muito, Emmett. Obrigada.

– Eu também Ursinha. – ele me prensou contra a parede e beijou, com paixão. Era impressionante nossa conexão, e como nossos corpos entravam em chamas, apenas com um simples beijo. Ele parou de me beijar e sorriu maliciosamente pra mim. Finalmente, chegamos ao nosso andar. Tirei meus sapatos altos para não fazer barulho e fui para o quarto de Emmett. Ele trancou a porta e voltou a me beijar. Ele colocou as mãos em meu quadril e timidamente, desceu até minha bunda. Sorri e me sentei na cama. – bonito esse seu vestido.

– Obrigada.

– Mais você fica melhor sem ele. – Emmett, com calma colocou meu cabelo de lado e desabotoou meu vestido. Logo, eu estava apenas de calcinha e sutiã. Corei e ele passou levemente os dedos em minha bochecha. – eu te amo, Rosalie Cullen.

– Eu também te amo, Emmett. – beijei-o suavemente e nós nos entregamos, um ao outro.

– Você é uma garota sensacional. Sou um cara sortudo.

– Também tenho sorte, Emmett.

– Pena que eu não vou poder te fazer feliz.

– Como?

– Isso que você ouviu.

– Nunca mais diga isso. Você me faz feliz desde o primeiro dia em que eu te vi.

– Eu não vou agüentar muito tempo, Rose.

– Não vou ficar aqui ouvindo isso. – me levantei e coloquei minhas roupas. – você acaba comigo quando diz isso. – sai com raiva e fui para o meu quarto. Mamãe estava lendo e se assustou quando eu entrei.

– Oi querida, algum problema?

– Nada.

– Eu te conheço, Rosalie.

– É o Emmett. Ele está dizendo que não ria agüentar e isso me deixa com muita raiva.

– A depressão é um efeito colateral do câncer... A maioria dos meus pacientes adquire depressão conforme o tempo passa.

– Na verdade, mãe, a depressão não é um efeito colateral do câncer. É um efeito colateral de se estar morrendo.

– Você leu isso onde?

– A culpa é das estrelas.

– Ah, eu deveria imaginar. Não se preocupe. O Emmett vai ficar bom. – ela sorriu. – como foi a noite de vocês?

– Excelente.

– É, deu pra ouvir. – ela sorriu.

– O quê? – arregalei os olhos e fiquei vermelha.

– Não fique com vergonha.

– Você ouviu o quê exatamente?

– Não se preocupe com isso. Fingiremos que nada aconteceu, ok?

– Tá.

No dia seguinte, nosso vôo saiu às oito da manhã. Entramos no avião e Emmett segurou em minha mão.

– Desculpa, não queria te magoar.

– Mais conseguiu.

– Eu estou pedindo desculpas.

– Tá. Mais não fale mais essas coisas, ok?

– Tudo bem.

Chegamos em Forks de tarde. Emmett foi para sua casa e eu fui para a minha. Sentia que ele estava me escondendo alguma coisa, ele estava um pouco estranho na viagem de volta, quase não brincou, não comeu, ficou olhando para a janela quase o tempo todo. À noite, peguei o carro de papai emprestado e fui ver como ele estava.

– Oi Erika. – disse quando ela abriu a porta.

– Rose! Como foi de viagem?

– Muito bem, obrigada. Posso ver Emmett?

– Claro, ele está lá em cima. – sorri e subi. Bati na porta e entrei. Ele rapidamente desligou a tevê e sorriu.

– Oi Ursinha.

– O que foi?

– Nada.

– O que estava assistindo? – fui para cima para tentar tirar o controle de sua mão.

– Nada. – ele me agarrou e eu consegui tirar o controle dele. Liguei a teve e estava passando Glee.

– Você está assistindo Glee?

– Estava, por quê?

– Porque você diz que é programa de mulherzinha!

– Eu prometi que iria assistir. Está na lista.

– Hum, você estava chorando?

– Claro que não.

– E porque os seus olhos estão vermelhos?

– Estava fumando um baseado.

– Há há.

– The Quarterback. É o episódio mais triste que eu já vi na vida. Mais triste do que aquele de CSI que o Warrick morre...

– Não precisa ter vergonha. – sorri.

– Esse câncer me deixou muito sentimental. Credo.

Sorri e o beijei.

– Vamos. Tenho uma surpresa pra você.

– O quê?

– É surpresa.

– Ok, vou pegar as chaves do carro.

– Não precisa. Vim dirigindo o meu.

– Ai Jesus. Isso é seguro mesmo? Não quero morrer antes da hora...

– Deixe de ser besta. Vamos logo. – peguei na mão dele e fomos para fora. Dirigi uns quinze minutos e estacionei o carro.

– Onde estamos?

– Você vai ver. – sai do carro e ele me seguiu. Entramos num estúdio de tatuagens, que era do irmão de Tanya.

– Rose! – ele disse me abraçando.

– Oi Aro. Então esse é o Emmett.

– É um prazer. – ele sorriu.

– O que estamos fazendo aqui?

– Hum é um dos itens da sua lista não é? Fazer uma tatuagem?

– É verdade. – ele sorriu. – mais não sei se eu posso fazer uma tatuagem, quer dizer, eu tenho câncer e...

– Não se preocupe, querido. Já conversei com sua médica. Ela disse que tudo bem.

– Se é assim... – ele sorriu e escolheu o desenho. Um símbolo de infinito no pulso esquerdo.

– Ótimo. Vou fazer a mesma coisa. – eu disse, me sentando na cadeira.

– Jura?

– Juro.

– Você não gosta nem de tomar injeção...

– Eu agüento. Por você.

Foi a uma hora mais dolorosa da minha vida, mais valeu a pena. Ao final, Emmett e eu tínhamos tatuagens iguais. Aquilo poderia ser meio clichê, mas representava muito pra nós. Entramos no carro e ele sorriu.

– Pra sempre?

– Pra sempre, Emmett.