Alice permaneceu no balanço por bastante tempo. Impulsionava-se para cima com os pés, os cabelos se misturando com a brisa de verão batiam em seu rosto, era uma sensação maravilhosa! Sentia-se como se estivesse livre, como se fosse um pequeno pássaro que aprendera a voar. Alice viajava em seus pensamentos até avistar um coelho que aparentava vestir uma roupa azul.

Parou o balanço e fitou o coelho em silêncio, ele parecia estar chamando-a. Ela então resolveu levantar e dirigiu-se ao coelho que adentrou a floresta. Alice começou a correr, em busca do coelho. Quando conseguiu alcançá-lo, pôde perceber que ele era branco dos olhos vermelhos, vestia um casaco azul – como tinha percebido antes – e também tinha algo que parecia com um relógio em suas patas.

Demorou um tempo para Alice colocar os pensamentos em ordem, aquele coelho se parecia com o coelho de Alice no País das Maravilhas.

- Não, eu só posso estar louca – pensou.

O coelho parou, observou Alice por alguns instantes e então pulou em um buraco no tronco de uma árvore ao seu lado. Alice estava curiosa e confusa, mas não queria entrar no buraco, afinal, não sabia o que tinha lá dentro. A menina foi ficando tonta e começou a girar devagar, tentando procurar a saída. Ela tinha adentrado a Floresta dos Pinheiros e não sabia por onde tinha entrado.

Em meio à confusão, Alice tropeçou no próprio pé cambaleou até dentro do buraco. Deu um grito abafado e então percebeu que estava caindo. Ela viu móveis e outros objetos passarem de raspão ao seu lado, a blusa subindo e seu colar quase voando do pescoço. O coração de Alice estava a mil, a menina estava para enlouquecer quando finalmente deu de encontro com o chão. Alice, após se recuperar da queda infinita que tinha um fim, ajeitou o cabelo e o colar, e então observou a sala em que se encontrava.

O chão era revestido de azulejos quadriculados em preto e branco, as paredes estavam cobertas por um papel de parede antigo que descascava em alguns pontos. Os cantos cheios de teias de aranha, uma grande porta em cada parede (quatro no total), outra porta — só que menor, como portas de casinhas de bonecas — em um canto e uma mesa ao centro.

- Isso só pode ser loucura... – Alice se levantou e começou a gritar – Tirem-me daqui! Eu quero ir embora! Tirem-me daqui, tirem-me daqui!

A menina cobriu o rosto com as mãos sujas de terra e pôs-se a chorar. Pense Alice, pense! – disse para si mesma – O que a pequena Alice fez ao entrar no Quarto Redondo? Hm... Achar a porta, comer e beber aqueles alimentos que a faziam aumentar e diminuir de tamanho, entrar no País das Maravilhas. Tá, mas qual dessas é a porta certa?

Alice levou a mão à mesa e pegou a pequena chave. Correu para a porta mais próxima e tentou abrir, não conseguiu. Tentou abrir as outras três portas e nenhuma deu certo. Cansada, Alice sentou encostando as costas no pé da mesa. Passou o olhar pelo Quarto Redondo inteiro e fitou a pequena porta.

- Será... Não pode ser, é impossível – pensou.

Então Alice foi, já sem esperança, até a pequena porta. Colocou a chave na fechadura, fechou os olhos, girou a chave e puxou.

- Abriu! – gritou – Deu certo! Eu não acredito que abriu!

A menina se abaixou e olhou o outro lado da porta. Conseguiu ver apenas algumas flores e um gramado. Já tinha conseguido abrir a porta, agora precisava passar. Teria que beber a mesma coisa que a Alice do livro. Olhou para a mesa e o frasco estava lá. Alice se levantou e foi até a mesa, mas hesitou antes de pegar o frasco.

Tinha algo na história em que Alice fazia uma confusão com o frasco e o bolinho, aumentou muito e diminui muito, e teve os problemas com a chave. Alice pegou o frasco, mas não abriu logo e bebeu. Foi até a porta pequena que agora estava fechada novamente, segurou a chave, abriu o fraco e bebeu. Uma sensação estranha invadiu o corpo de Alice, sentiu seu nariz diminuir, depois a boca, os olhos, e foi indo aos poucos até que o corpo todo estava em miniatura. A chave continuou do mesmo tamanho, o que dificultou um pouco as coisas para Alice. Depois de certo tempo, conseguiu abrir a porta e passar para o outro lado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.