As Lágrimas da Comediante
1 Desistência
Meu nome é Maurice Halloway. Naquela época era um jovem comum, que gostava de coisas comuns e tinha sentimentos comuns. O que havia de realmente extraordinário comigo era também comum — um crush impossível. Há muito tempo me tornei fã número um de Luan Loud, a assumida palhaça da escola. Eu fazia insinuações de que havia um interesse ali, mas Luan nunca correspondeu. Não era um "não" claro, mas com certeza não era um "sim", e isso me incomodava. Passei semanas juntando coragem para finalmente dizer a ela de forma clara o que sentia, e rezar pelo melhor resultado. Por isso, naquela tarde, fui até a casa dos Loud.
Ao chegar, encontrei o Sr. Loud ao lado da famosa vanzilla. Parecia estar pensando em algo grave.
—Boa tarde, Sr. Loud!
Ele respondeu de forma confusa:
—Hum? Ah, oi, Maurice. Não sei se é um bom momento para você ver a Luan.
—Por quê? O que aconteceu?
—Ela fez o número de abertura de uma apresentação da Joan Shivers.
—Mas isso é ótimo! É a referência máxima que a Luan tem na comédia!
—É... Não foi bem assim. Ela disse para a Luan que era melhor que ela abandonasse a comédia.
Estaquei com aquelas palavras. Isso não estava certo. Não havia possibilidade de Luan Loud abandonar a comédia, era sua vida e seu futuro. Não sabia o que dizer. Ele continuou:
—Eu tentei falar com ela sobre não desistir, mas não consegui. Estou tentando ter alguma ideia para fazê-la se sentir melhor.
—Onde ela está agora?
—No fundos, mas não sei se...
Não esperei ele terminar a frase e saí para a lateral da casa. Cheguei nos fundos e vi Luan sentada na escada, chorando de forma contida. Ela não percebeu minha presença até que me sentei ao lado dela e toquei em seu ombro. Ela teve um pequeno susto:
—Maurice, o que está fazendo aqui?
—Seu pai me contou sobre o que aconteceu hoje.
—Então já sabe que vou ter que deixar de ser comediante.
—Muito ao contrário. Você precisa continuar.
—Mas de que adianta? Eu sempre vou ter dentro de mim essa marca dizendo que eu não sirvo para isso. Talvez eu ainda tenha tempo de procurar um novo hobby.
Suspirei profundamente. Olhei de lado para ela e disse:
—Escuta, Luan. Sua heroína partiu seu coração, mas você não pode deixar que quebre o seu espírito. Você não escolheu a comédia, foi ela que te abraçou. Não se trata de ser ou não ser boa, isso a gente vê depois. Mas você precisa estar lá para saber. Todo mundo que te conhece teria uma vida mais triste sem o seu ânimo diário. Sem a comédia não existe Luan Loud, e eu não quero viver num mundo assim.
Ela não respondeu, olhando para o chão diante de si. Delicadamente, pus o dedo embaixo de seu queixo e o virei para mim. Enxuguei as lágrimas dela com os dedos e continuei:
—Durante todo esse tempo você nunca questionou o seu próprio dom, exatamente porque ele é parte integrante de ti por completo. Não me importo se isso parecer algo forçado ou clichê, você precisa continuar na comédia, aquilo que você sabe e ama fazer.
Ficamos alguns segundos olhando um nos olhos do outro. Finalmente, ela segurou minha mão e disse:
—Olha, Maurice, eu acho que sei por que você está fazendo isso. É muito gentil, mas você sabe que eu não sinto...
—Eu sei. Eu posso ficar triste com isso mais tarde. O que eu mais quero agora é que você não desista de ser você.
Ela soltou minha mão e voltou para a mesma posição do início. Depois de algum tempo disse:
—Eu preciso pensar. Isso tudo ainda está me machucando muito, não consigo ter clareza agora.
—Não tem problema. Isso é algo que apenas você pode conseguir fazer. E não importa o que decida, eu sempre estarei aqui por você.
Levantei do meu lugar, beijei sua testa e me virei para ir embora. No meio do caminho encontrei novamente o Sr. Loud. Fui até ele e disse:
—O segredo é o ventriloquismo. É o que ela mais ama.
E, sem esperar resposta, fui embora. Uma lágrima solitária correu pelo meu rosto. Minha missão estava cumprida.
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