As Luzes de Setembro

1 As Luzes de Setembro


Notas iniciais
Oie pessoal! Como eu comentei no disclaimer, essa oneshot curtinha é uma pequena homenagem ao Carlos Ruiz Záfon. Nenhum nome é citado na fanfic em nenhum momento, então sintam-se à vontade para imaginar quem vocês quiserem como personagens, e compartilhem comigo quem foi que vocês imaginaram! Enjoy It!

Em uma noite fria e iluminada de setembro, o casal que dormia aconchegado na grande cama no centro do quarto bagunçado, recebeu a pior notícia possível.

Um dos seus mais queridos amigos da época da escola, havia falecido.

O casal, sem trocar uma palavra referente à morte do amigo próximo, simplesmente se levantou, chutando as cobertas para longe e indo em direção ao armário de madeira escura compartilhado, onde pegaram cada um uma muda de roupa quente, não necessariamente apresentável, enfiaram os pés em quentinhas botas e puxaram uma das cobertas leves do colchão, levando-a para o andar de baixo junto com eles.

Enquanto o jovem procurava em uma gaveta, cheia de outras tantas tralhas, uma vela específica que estava guardada ali, a moça, balançando seus cabelos para longe do rosto, foi até à cozinha e, ficando na ponta dos pés, pegou dois copos na prateleira alta da pia e uma garrafa um tanto quanto empoeirada de whisky. Reunindo-se novamente na sala de estar, o casal rumou para fora de casa, sentindo o vento gelado atravessar as roupas quentes, causando arrepios na pele dos dois.

Os dois andaram abraçados até um parque, não muito longe da casa dos dois e sentaram-se no primeiro banco de madeira que encontraram, acendendo a vela no chão aos seus pés, enrolando a coberta macia ao redor dos seus ombros e servindo uma generosa dose do líquido alcoólico e amarronzado no copo que a jovem segurava.

De copos cheios, ambos viraram-se para as luzes do parque e ficaram em silêncio, aguardando algo, enquanto seguravam os copos e o vento chicoteava impiedosamente qualquer pedaço de pele nua que encontrava em meio à tantas roupas.

Era uma antiga tradição daquele grupo de amigos, sempre que um deles morria, os outros deslocavam-se para um banco qualquer, onde quer que estivessem, acenderiam uma vela, enchiam os copos com o whisky destinado para apenas este fim e, olhando para a luz, aguardavam até que o ponteiro grande do relógio parasse no número doze, e, antes do início de uma nova hora, os colegas brindariam em silêncio, homenageando o querido amigo falecido.

Aquela tradição se iniciara quinze anos antes, quando o primeiro membro do grupo de colegas falecera e nem todos estavam por perto para brindar em sua homenagem, então foi decidido que todos brindariam de onde estivessem no início da próxima hora.

No natal seguinte àquela perda, a viúva do falecido presenteou a todos com uma garrafa de whisky caro, insistindo para que a tradição fosse mantida quando todos fossem, como uma forma de homenagear em conjunto. Todos concordaram e a tradição foi se refinando conforme às mortes inevitavelmente ocorriam, e, o que tinha começado com um grupo de dez, agora só restavam sete.

Até aquela madrugada, quando o grupo reduziu-se à seis.

O casal, ainda aguardando pacientemente a batida da próxima hora, sem conversar e derramar uma lágrima sequer, aguentavam o vento frio que já enregelava as mãos e o rosto, protegendo a vela para que não se apagasse e ainda observando as luzes que tremeluziam nos postes do parque.

Quando o relógio bateu a nova hora, o casal, aconchegado na coberta, ergueu seus copos em silêncio, lembrando do amigo e brindando à sua memória e, antes que se completasse o primeiro minuto da nova hora, eles beberam o whisky, que desceu quente pela garganta, aquecendo o corpo que tremia de ambos.

Após o copo virado, ambos levantaram-se, ainda em silêncio, mas com lágrimas riscando seus rostos até desaparecerem nos felpudos cachecóis coloridos que usavam. O jovem abraçou sua esposa e ambos caminharam de volta para casa, lembrando com carinho do amigo e, pensando, que quando chegasse a vez deles, seus amigos também brindariam em sua homenagem.

E então, aquecidos pela bebida forte e de sabor reconfortante e pela presença um do outro, entraram em casa e prepararam as coisas para viajar e ver, pela última vez, o amigo falecido.

Mas não sem olharam mais uma vez para fora, para as luzes de setembro.

Notas finais
E então, gostaram? Compartilhem comigo quem foram os personagens que vocês imaginaram! Favoritem, comentem e recomendem. Um beijo e até logo!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!