Notas iniciais
Para minha linda Álefe, que recomendou a fic, também me surpreendendo! ♥

Depois do sol veio a chuva, e apagou as chamas da loucura. Eu me escondia e evitava acompanhar os seus passos. Passos brancos e cristalinos. Podia sentir-me derreter ao ficar sob ela, ou talvez fosse ela que se derretesse, fundindo-se em minha pele e se transformando em minha máscara, minha fantasia. Seu cair é fugaz, e é verdade que modela tudo que toca, ganha a essência daquilo que congela, leva embora os sentimentos obscurecidos que apagam a sensatez e os traços delicados da inteligência.

Para mim é ácido translúcido, e não água; eu não quero a claridade. Quero manter-me cego e obscuro. Quero ignorá-la como uma poça incômoda diante de meus próprios passos. Quero estar nu, à beira do dilúvio, afogando-me na correnteza, mas ainda assim sentindo no corpo o calor infernal de uma sinfonia perpétua.

Uma sinfonia cujo nome é o seu.

XxX

Suas formas fogem de toda simplicidade dos ângulos mais retos, e o brilho dos seus olhos carrega a vitalidade e sabor da canela, do chocolate, da avelã que se mistura ao legado verde que os salpinta. Finalmente seus lábios se abrem para receber o alimento através da boca. Não havia agulhas espetando a veia púrpura em seu braço, tão destacada na tez pálida; entretanto a marca daquela estação fria continua em sua pele feito tinta de tatuagem.

Louis demora alguns segundos movendo o garfo contra a comida, em uma separação desordenada de seus constituintes que não faria sentido nem ao mais genial dos matemáticos.

"Não irá me contar, então?" Pergunta, erguendo os olhos para mim. Me faço de louco, encarando-o em retorno. No fundo quero apenas roubar alguns segundos do silêncio vívido de sua face expressiva.

"Contaria por ti todas as notas de todas as sonatas de Beethoven. O que quer que eu te conte?"

Você cora, da maneira mais adorável possível, e cora mais um pouco, em uma sintonia ímpar com todas as partituras de um único piano. Instrumentos de corda oferecem aos seus ouvintes inúmeras interpretações, e em alguns momentos as notas parecem se materializar diante da audição. Eu poderia te comparar com a suavidade de um violino, ou com a beleza etérea de uma harpa, já que você compõe todos os fios intricados da minha vida.

"Não quero que conte notas. Quero que me conte de você. Está sempre fugindo do assunto." Discorre. "Quero que me conte em quem se transformou nesses nove anos em que estive... fora." Você fala e parece que esteve apenas em viagem, esperando o momento certo para me reencontrar. Balanço a cabeça e me levanto, ignorando o prato saudável demais para os meus padrões. Talvez eu pudesse começar falando sobre como me alimentei mal nesses últimos nove anos. Mas eu não quero preocupá-lo com detalhes tão fúteis.

Seu olhar me segue conforme me aproximo. Eu viro para mim a cadeira em que se senta e me ajoelho para que seja Louis a olhar para baixo, aos seus pés, como me prostro. Deixo minhas mãos correrem livres por suas pernas até descansarem na cintura magra. Minha vontade é de te abraçar, apenas, e te responder através das batidas em falsete em meu peito.

"O que faz uma pessoa o que ela é?" Pergunto-te. "São as coisas mais desprezíveis que ela já fez, ou as mais nobres que ela quis fazer? Eu poderia discorrer por horas sobre tudo aquilo que acho que eu sou, e isso talvez não te deixasse nem mesmo próximo da verdade. Poderia haver uma dica entre as palavras. Algum sinal perdido de verdade entre todas as minhas convicções, mas mudaria o fato de que você, em algum momento, vai ter de descobrir por si mesmo?"

Você me olha. Seus olhos se perdem no instante de uma piscadela e os lábios se entreabrem antes que a risada rosada brinde meus ouvidos com sua ingênua perplexidade.

"Eu tenho treze anos e você vinte e dois... Vai brincar com as palavras para confundir-me?" Pergunta, sorrindo.

Não, Louis. Sou eu a criança quando estou contigo. Sou eu o dono de sonhos infantis, de imagens em cetim, e palácios na alvorada. Sou o rei sem joias, e o mestre sem livros. Sou o portador dos sorrisos, e do brilho das estrelas. E seria a personificação da música e das cores do céu se isso te aquecesse através das noites, dos sons da garoa e do tempo.

"Todas as palavras me lembram de você. E sei que elas não vão me abandonar enquanto eu te tiver aqui comigo, meu amor. Por isso, aqui está ela. A canção sem meu nome. A canção que se chama Louis, e que eu cantaria todos os dias, até senti-la cravada em mim como brasa."

Não me importo se sôo louco. Não me importo que você me olhe em espanto e core ainda mais. Num reflexo ausente de palavras, você toca meus cabelos, experimentando os fios que já não são mais tão macios.

"Você está tão igual... E tão diferente ao mesmo tempo." Segreda, enquanto fecho os olhos. "Sempre achei que falava difícil. E sempre achei que era mais esperto do que eu. Não consigo... Não parece que estive tanto tempo longe de ti."

Seguro tua mão e a beijo, para então voltar a abrir os olhos. Que bom, Louis. Que bom que fui o único a sofrer por esses anos. Teria os sofrido em dobro, caso agora descobrisse que você também sofreu. Alivia saber que fui o único a lutar contra os momentos em que quis desistir e me entregar, e apenas tua imagem me resgatava de transcender para um plano perdido e absoluto em suas possibilidades caricatas. Esse plano falso e mortiço onde eu me refugiava para fugir da tua ausência.

'Não quero mais comer." Sussurra. "Meu estômago parece que não está mais acostumado a ficar cheio."

"Espere." Digo e busco os remédios para anemia e carência de vitaminas que precisa tomar todas as noites. Obediente, Louis os força pela garganta junto com o suco natural. Depois disso permite que eu o ajude a se erguer.

"Não quero a cadeira de rodas." Diz, teimoso. Então me posto atrás de meu irmão e, segurando-lhe a cintura magra, o amparo enquanto tenta caminhar. É uma caminhada lenta e paciente até o banheiro; Louis apertava meus antebraços e se esforçava a cada passo. A fisioterapia lhe fizera bem. Mesmo depois de poucos dias, já conseguia disciplinar os músculos da perna e da panturrilha. Soltava fracos gemidos concentrados a cada metro vencido, enquanto eu sentia com a palma de minhas mãos seu sangue morno correndo devagar pelas veias da cintura que eu apertava. Uma sensação preguiçosa de gelo derretendo em um dia quente me tomava, e apenas me permiti beijar sua nuca exposta quando paramos em frente ao espelho do banheiro.

"Lorcan..." Chama, e eu olho para nossa imagem. Eu não sou mais do que três centímetros mais alto, de modo que eu sucedera de modo bastante satisfatório na tarefa de manter-nos parecidos. Somos, nesse momento em frente ao espelho, uma doce miragem, e eu gostaria que ela permanecesse aqui quando sairmos de seu campo, porque nenhum outro reflexo poderia competir com esse. "Você... Ainda me deseja?"

Minhas sobrancelhas sobem.

Deuses do Amor, ajudem-me. Deem-me versos suficientemente belos para que eu possa explicar o que seu beijo significava para mim. O mais delicioso dos aromas da mais sublime flor. Ou a maciez fresca da grama contra pés descalços. O canto dos rouxinóis em uma manhã ensolarada. E a doçura da estrela mais bela. Tudo isso se esfarela e vira poeira, Louis. Eu teria entrado em colapso e não entenderia nenhuma das forças da natureza, não veria sentido no ontem, no hoje e no amanhã se não tivesse guardado em meus lábios um beijo teu.

"Você tem alguma dúvida?"

"Já faz muito tempo..." Responde, e sei que lê a cobiça em meus olhos.

"Te desejo ainda mais do que antes... Você era e continua sendo a razão que mantém as forças vitais em meu corpo; os impulsos elétricos em meu cérebro; o sangue em minhas veias, e o ar em meus pulmões. Mas nada disso importa, se você achar que não devemos... Você disse, uma vez, quando nos tocamos." Escondo o rosto em teu ombro. Tenho medo do que dirá, e minha boca seca como se houvesse mastigado giz.

Eu iria entender se não me quisesse dessa forma. Um amor platônico seria o suficiente, desde que eu não precisasse te dividir com mais ninguém. Meu medo maior era que se recuperasse e fosse viver a própria vida, quando pudesse andar sobre as próprias pernas sem minhas mãos em tua cintura. Nesse dia, a escuridão mataria todas as árvores em meu caminho, mesmo que elas continuassem cravadas ao chão, corroendo-se pouco a pouco pela tristeza de perder o brilho dos teus olhos. As águas também acabariam envenenadas, e os homens adoeceriam apenas por olhar-me.

"Aquilo também faz tempo." Sorri fraco, tímido, e se esforça para pegar a escova de dentes e a pasta. "Perdi tanto tempo, Lor. Não quero perder mais tempo com dúvidas. Não parece certo." Explica, antes de levar a escova aos dentes.

Senti que desfaleceria ali mesmo, e variadas partes de meu corpo formigaram. Um desejo doentio de tocá-lo embaralhou minha mente e estreitei meus braços ao redor de sua cintura, com medo de cair em um abismo atrativo, cínico e sem volta. Aspirei a fragrância que se desprendia de seu pescoço, depois distribuí beijos por ali, mordi sua nuca, arranquei-lhe gemidos.

"Posso tomar banho com você?" Sussurrei enquanto minhas mãos agiam por vontade própria, egoístas em sua própria busca e satisfação enquanto marcavam na memória de suas palmas e digitais todas as nuances do corpo de meu gêmeo.

Louis estremece, mas assente. Deixo-o terminar de limpar os dentes, pois as mãos trêmulas não devem o estar ajudando. Apenas apoio, então, a testa em seu ombro.

"Você não imagina como senti tua falta." Murmuro. "Nem mesmo se eu fosse verbal e o soberano de todas as palavras do mundo, eu conseguiria expressar como me senti sem você." Havia tanto em meu peito, eu me sentia explodir, e continuaria em explosão perpétua, como a expansão inesgotável do espaço, e ainda assim não conseguiria me expressar. Era tão único tê-lo ali comigo e minha felicidade era demais para caber em meu peito.

Louis conseguiu se virar dentro de meu abraço. Nos outros dias, por culpa de alguma timidez inexplicável, havia se virado sozinho no banheiro, mas demorava mais de uma hora para tomar um simples banho e sempre parecia exausto quando saía do banheiro. Eu não falava nada. Esperava o momento em que ele se abriria, queria dar-lhe espaço, ao mesmo tempo em que queria me fundir a seu corpo e estar junto de cada linha de fragmentos sequenciais que compunham sua vida. Quero monopolizá-lo, e deixá-lo ser livre como aquela cama no hospital não permitira, e isso não faz nenhum sentido, não é? Mas em que momento a vida passou a ser feita de sentidos e simplicidade? Há mecanismos maiores do que a compreensão por trás de míseras marolas num lago, formando círculos perfeitos.

Eu não tinha tempo de desvendar os mistérios da vida. Eu já havia perdido muito tempo, e agora o que importava eram as mãos aveludadas de Louis abrindo lentamente os botões de minha camiseta. Eram seus olhos finalmente abertos, realmente vendo-me e me desvendando sem medo do que poderia encontrar.

"Toque-me." Louis pediu, e todas as imagens vazias de minha mente pareceram ganhar vida, enchendo-se com lembranças que continham em si os mais puros significados do amor. Eu obedeci. Obedeceria qualquer ordem, seria um fantoche e lideraria um exército de cavaleiros de Ares para cativar cada uma de suas vontades.

Mas não o toquei com a besta selvagem que forçava com garras lamacentas as grades que a seguravam, em um pedaço obscuro de mim que eu conhecia até bem demais. As pessoas no geral fogem do que é negro, e daquilo que pulsa e espera o menor dos deslizes, a mais sutil das reentrâncias entre o que se é, e o que ser quer; e talvez por isso haja fraqueza em domar demônios, controlar furores e minguar cicatrizes que se abrem e expõem o decomposto. Mas eu já havia visitado esses lugares sombrios vezes demais para não saber guardá-los como quem guarda uma dócil borboleta em um pequeno vidrinho de cerejas.

Toquei Louis com calma, mesmo que minha vontade fosse devorá-lo; rasgar cada linha de suas roupas e prendê-lo na parede contra meu corpo. Minhas mãos o desnudaram aos poucos e vê-lo despido foi o mesmo que sentir no ventre a apreciação de um sátiro ao deitar-se na relva sobre uma ninfa grega. Terminei de me despir também, e então o levei até o boxe. Nossas respirações se misturavam no espaço entre nossos lábios, e ele arfava muito mais do que eu. Me sentia estranhamente calmo; meu coração não se esvaía no peito em palpitações desordenadas, porém isso não me impedia de experimentar na pele os arrepios de uma tarde de inverno.

Abri o registro e a água morna caiu sobre nós, tornando-se mais quente com o passar dos segundos. Louis se segurava a mim e eu passava o sabonete por seu corpo, uma gentileza que surpreendeu até a mim e que poderia ser comparada com o último suspiro das flores que murcham sobre uma penteadeira. Louis me olhava e eu via com um deleite perverso seu falo endurecer, enquanto também transformava chumbo em ouro nos riscos de suas íris.

Toquei seu membro endurecido e as unhas fracas dele cravaram-se em meus ombros, no mesmo compasso heráldico do gemido que escapava por entre lábios róseos. Me inclinei para lamber a água que escorria de seus cabelos e lavava a marca de minha respiração em seu pescoço. Louis se abraçou a mim, e deixou a mão cair para também tocar-me. Meus dedos se cravaram em sua cintura, e então atirei-me ao delírio da adrenalina. Se aquilo fosse pecado, e não poderia ser, me entregaria mil vezes ao inferno, dançaria nas labaredas de tudo que jazia sob as condenações mundanas dos homens e me banharia naquela culpa deliciosa, faria da água, o líquido da vida, minha cúmplice, e continuaria a desejar meu irmão tanto quanto a imortalidade de um retrato sem fotos.

XxX

Olhava para meu irmão, deitado ao meu lado, ambos ainda nus, mas agora nossos corpos estavam secos e limpos. Meu rosto estava sério enquanto minha mão trabalhava em ajeitar cada um dos fios claros de seus cabelos. Louis parecia parcialmente adormecido, mas eu ainda via, com ajuda da luz vinda do abajur, a linha manhosa de seus orbes esverdeados. Ele sorriu de leve, umedecendo com a ponta da língua a secura do lábio inferior.

"Você me olha de uma maneira que me faz sentir tão especial." Sussurra, em seu timbre de quem gosta de compartilhar o que se sente, a inocência tola de quem não é capaz de esconder nada. De quem perde guerras, mas mantém um sorriso no rosto. Meu doce, Louis, e seus sorrisos que quebram todas as leis que regem o que sou.

Mas também me olha de uma maneira que me entristece.

"Por quê...?" Pergunto, surpreso, e me preocupo com o que posso estar fazendo de errado.

"Porque é como se só agora houvesse encontrado a felicidade, e eu me sinto culpado por ter roubado nove anos da tua vida." Se acomoda mais contra mim. "Não gosto da ideia de que sofreu esse tempo todo por minha causa."

"Não é tua culpa!" Exclamo, até alto demais, e Louis se encolhe mais contra mim. Abraço-o forte e suspiro. "Não é por mim que você tem de sofrer. Não, você não tem mais que sofrer. Por nada."

"Nunca sofri, Lorcan. Eu dormi. É claro que é difícil acordar e perceber que nove anos se passaram. Mas... eu consigo ler nos teus olhos como você se sentiu, ver nesse apartamento, e em como não há nenhuma ligação, nada que te una ao mundo além dessas paredes..." Fala baixo, roçando nervosamente os dedos em minha cintura.

Logo soube que Helena e Roger deveriam ter contado para ele sobre todos os motivos que poderiam levá-lo a se afastar de mim. Eles visitavam, é claro, e haviam levado Louis para um passeio. Me remoí de ciúme, mas não podia negar nada. Era para mim que Louis voltaria depois, não para eles, e essa ideia me acalmava.

"Eu sei que você queria reescrever a nossa história, mas há coisas que acontecem que são fundamentais para nos tornarmos quem somos. Isso é parte da pessoa que você se tornou, que eu vou me tornar, seja quem você for agora, e seja quem eu vir a ser. Não era isso que o pai sempre dizia? Eu também não quero que você sofra por esses anos perdidos. Você não deveria tê-los perdido, Lor. Você podia ter feito tantas coisas, deveria ter cuidado de ti, nunca ter colocado um cigarro na boca e não perder teu tempo me visitando no hospital tantas vezes." Respira fundo, com uma pequena pausa. "Eu duvido que algum dia você consiga descrever de maneira exata tudo que me contou durante essas visitas, mas eu adoraria ouvir você tentar e ver se eu me lembro... E eu não falo isso porque não foi importante, porque foi, para mim... Mesmo que a gente tenha demorado tanto tempo para se encontrar." Seus olhos se enchem de lágrimas enquanto fala. "Mas eu sinto essa terrível satisfação por você ter continuado a me amar." Esconde o rosto e põe-se a chorar. "Por não ter me esquecido, ou encontrado outra pessoa... Eu me sinto horrível por ser tão egoísta."

Se ele se sentia horrível, eu me sentia maravilhado. Estreitei-o mais contra mim, beijando-lhe a testa e depois sua bochecha. Era tão adorável, mesmo quando chorava por compreender os sentimentos que o tornavam imperfeito nas escrituras, mas perfeito para nosso encaixe.

"Você acha que eu perdi esses anos, Louis, mas só perdi o que podíamos ter feito juntos, neles. É isso que me dói. Os teria perdido de verdade se, nessa realidade que algum destino filho da puta colocou na minha frente, eu tivesse te deixado de lado. Mesmo que nada do que passei fosse o que eu esperava quando tínhamos treze anos e nos beijamos pela primeira vez, eu nunca deixei de sentir que estava em movimento, indo a lugares novos." O beijei novamente na testa antes de continuar. "Às vezes há detalhes familiares, ou há memórias para se tropeçar no caminho. Mas estamos sempre penetrando em território desconhecido, nem que esse território esteja dentro de nós mesmos e nós tenhamos de desvendá-los para enfrentar um novo dia. Nos apegamos às imagens familiares e damos passos pequenos, temos medo e fingimos que a vida continua a mesma. E continua. Mas você sabe que nunca pára de mudar. Nós nunca paramos. Eu não parei. Até meu amor por ti mudou, Louis. Se tornou mais forte, mais significativo. Se tornou o meu motivo."

A fala se cala ao perceber nosso entendimento mútuo. Puxei Louis pelo quadril e o beijei. Saboreei o calor e a mistura de sua saliva na minha. Minhas mãos o percorreram e meus dedos sumiram na fenda entre seus glúteos. Ele gemeu e eu o beijei com mais força, sorvendo do som como quem sorve de um néctar perdido entre os frutos proibidos de uma macieira.

Me afundei com delicadeza em seu corpo, cuidando ao máximo para não o machucar. Minha mão percorria toda a extensão daquela parte que pulsava pedindo por meu corpo, tornando visual o quanto também me queria. Ah, Louis, nos sentir enfim conectados em carne, além de alma, chega a me sufocar mais do que o próprio conceito da asfixia. Minhas mãos buscam as tuas e nossos dedos se entrelaçam; nossos olhos se prendem um ao outro e enfim se completam, opostos, e tão iguais.

"Você também é meu." Você murmura, rodeando meu quadril com as pernas.

E a plenitude goteja em meu semblante.

Notas finais
Esse capítulo foi literalmente a bonança antes da tempestade! Vou demorar um pouquinho com o próximo, porque já é o último e depois o epílogo. E eu quero postar ele junto com o epílogo, porque acho que tem de ser uma leitura contínua. :) E ambos os caps. serão grandinhos.Obrigada a quem comentou: Álefe, Sumie, L Sk, Venus, Luisa Silva, LadyLeeJunki, Nath, Aiko, RayUzu! Beijão!♥